sexta-feira, 14 de março de 2014

O Primeiro Festival Internacional de Cinema em São Paulo, 1954.


Era sem dúvida, um momento de glamour que imperava nestes idos tempos da década de 1950. Uma das maiores capitais do nosso país foi cenário de um dos maiores eventos ocorrido pela divulgação da Sétima Arte. Falo do 1º Festival Internacional de Cinema de São Paulo, realizado entre os dias 12 a 26 de fevereiro de 1954, que reuniu uma constelação de astros e estrelas do passado. Sem dúvida, tanto São Paulo quanto o resto do país praticamente parou para recebê-los, e os brasileiros puderam ver de perto seus ídolos pessoalmente, em carne e osso. E isso em plena época de Carnaval.


Em verdade, só faltou mesmo estrelas de maior porte, como Marilyn Monroe, Marlene Dietrich, Gregory Peck, Ingrid Bergman, William Holden, Bob Hope, e os cineastas Billy Wilder e Roberto Rossellini, para consagrarem o festival. Isto deveras foi prometido, graças a uma equivocada divulgação do Playboy Jorge Guinle (1916-2004), que segundo ele, tivera casos amorosos com várias estrelas de cinema e desfrutava livre acesso aos grandes estúdios americanos, contudo ele foi incumbido pela comissão executiva de arrebanhar convidados ilustres por lá. No dia 11 de fevereiro, véspera da estreia do festival, desembarcou em São Paulo com uma lista de confirmações menos “estrelar”, mas não menos significativa.


O Festival, que era o primeiro realizado na Capital, não competia com nenhum outro no mundo, embora não tivesse o mesmo prestígio de  Cannes ou Veneza, mas trouxe de Hollywood, por exemplo, um jovem casal de astros promissores, Jeffrey Hunter (1925-1969), o futuro e mais famoso Cristo do cinema no clássico religioso de Nicholas Ray Rei dos Reis (1961), e sua esposa Barbara Rush (ainda viva), e que eram contratados de Darryl F. Zanuck (1902-1979), o chefão da 20ª Century Fox.


Vieram Errol Flynn (1909-1959), o eterno astro de As aventuras de Robin Hood (1938) que já enfrentava um processo de decadência devido ao álcool;  Fred MacMurray (1907-1991), do clássico noir Pacto de sangue (1944) de Billy Wilder, com sua esposa, a atriz Juve Haver (1926-2005), e Joan Fontaine (1917-2013), a recém falecida estrela de Rebecca, a mulher inesquecível (1940), dirigido por Alfred Hitchcock (1899-1980). De 12 a 27 de fevereiro de 1954, São Paulo parou para vê-los.


Em realidade, tudo começou quando que, durante o Festival de Punta del Este, em 1952, o vice-presidente do estúdio americano RKO, Phil Reismann, sugeriu ao diplomata Vinicius de Moraes (1913-1980) e ao playboy Jorge Guinle que organizassem um evento do gênero no Brasil. Enquanto isso, os responsáveis pelos festejos do IV Centenário de São Paulo (25 de janeiro de 1954) tentavam incluir na programação uma mostra de cinema. Para a comissão organizadora, foram convidados, além de Guinle e Vinicius, os críticos Francisco Luís de Almeida Salles e Paulo Emílio Salles Gomes, entre outros.


A presença de intelectuais com livre trânsito pelas cinematecas do mundo garantiu que a programação não se limitasse às estreias de longas dos 23 países participantes – estas ocorreriam no imponente Cine Marrocos, na Rua Conselheiro Crispiniano, no Centro. Haveria também as Jornadas Nacionais (três ou quatro fitas de um mesmo país por dia, no Cine Arlequim, na Brigadeiro Luís Antonio) e outras séries, como as retrospectivas de três grandes nomes da sétima arte: o brasileiro Alberto Cavalcanti (1897-1982), o francês Abel Gance (1889-1981) e o austríaco Erich von Stroheim (1885-1957). Em meio a filmes menores, foram exibidos futuros clássicos como Os Brutos Também Amam/Shane, de George Stevens (1904-1975), Noites de circo, de Ingmar Bergman (1918-2007), e Os boas-vidas, de Federico Fellini (1920-2003).



Para muitos, o evento só começou mesmo com a chegada, a 19 de fevereiro, dos integrantes da delegação hollywoodiana. O público invadiu a pista em Congonhas para recebê-los. Edward G. Robinson (1893-1973) tirou o chapéu e agitou-o demoradamente. Foi aplaudidíssimo. Enquanto o “gângster” esbanjava simpatia, um antigo herói incorporava o vilão. 


Errol Flynn desembarcou um dia após seus colegas sob os efeitos do álcool. “Nunca estive com ele sóbrio”, lembra a atriz Aurora Duarte, que certa feita precisou segurá-lo para evitar um escorregão quando saíam do Esplanada. Na boate do mesmo hotel, na madrugada de 24 de fevereiro, Flynn tentou quebrar a máquina do fotógrafo Henri Ballot, da revista O Cruzeiro. Os dois saíram à rua para brigar, no que foram impedidos por Jorge Guinle e pela turma do “deixa-disso”. Na noite de 26 de fevereiro, levou uma bofetada ao tentar beijar uma fã em frente ao Marrocos.  Há quem se lembre dele bêbado num coquetel no Clube Harmonia, onde rodopiava na beira da piscina, acabando por cair nela com um copo na mão. 

A ATRIZ VERA NUNES, encantada com a beleza do ator JEFFREY HUNTER
Apesar de não ter passado da primeira edição, o festival foi o precursor de outras realizações do gênero, como a Mostra Internacional. Outra contribuição importante foi a de dois críticos brasileiros persuadiram a organização a custear cópias de todos os filmes que eles selecionaram para as retrospectivas (em vez de apenas tomá-los emprestados das instituições estrangeiras). Terminado o evento, esse material foi doado à Filmoteca do MAM, que daria origem à Cinemateca Brasileira – hoje o maior acervo de imagens em movimento da América Latina, com cerca de 30 mil títulos.Com certeza, um marco histórico não somente na nossa cultura, mas na memória dos cinéfilos dos anos dourados que vivenciaram e guardaram boas recordações.


O PERFIL DE UM FESTIVAL
O Governador de São Paulo, Lucas Nogueira Garcez e sua esposa, na inauguração oficial do Festival de Cinema.



Esfuziante de alegria (antes do roubo),NINON SEVILLA dá o braço ao nosso MAZZAROPI.  A artista chegou até a dançar frevo.



O Desembarque da turma Hollywoodiana a Congonhas, antes da investida em massa da multidão de fãs. 


RHONDA FLEMING, conforme a imprensa na época, foi o tipo de garota 100% que soube cultivar o bom humor em qualquer emergência. Ao chegar a São Paulo, perdeu a sua valise, e com ela, o dinheiro que trouxe. Nem por isso, ela fez cara feia. Por ocasião da entrevista à imprensa concedida pela delegação americana no Trocadero Paulista, ficou calmamente tomando seu chá com toradas. Eram 11h30 da manhã e a artista havia despertado tarde.


ROBIN HOOD FICOU DE SOBREAVISO: Depois de tudo que foi dito dele logo à sua chegada, ERROL FLYNN não ficou muito a vontade, principalmente quando percebia estar sendo "vigiado" pelos fotógrafos, que ambicionavam em pega-lo em algum flagrante. Num baile de sábado de carnaval, "Robin Hood" se comportou da melhor maneira possível, mas não pôde evitar que fosse surprendido com ar tão desconfiado. Ao seu lado, RHONDA FLEMING sorri despreocupadamente.


ERROL FLYNN rompe o assédio das fãs no corredor do hotel, assinando autógrafos e já pronto para um novo pileque.


RUMO AO CAMPO - Houve um dia rural (e também uma noite) na vida dos americanos vindos para o Festival. A fazenda Empyreo, de propriedade de Yolanda Matarazzo, proporcionou uma grande festa caipira às delegações. EDWARD G ROBINSON e o cineasta MERVYN LE ROY (Quo Vadis), seguiram antes para um almoço em Louveira, a convite do Sr José Mesquita.


CIGARROS E CORDIALIDADE INTERNACIONAL: O cocktail-party oferecido pela delegação espanhola as demais delegações presentes ao Festival de Cinema reuniu artistas de várias nacionalidades no "Bambu", em São Paulo. Foi então colhido este registro em que se vê o notável WALTER PIDGEON, que foi um dos artistas mais respeitados e aclamados pelo povo bandeirante dias a fio, acendendo o cigarro da atriz espanhola MARUJA ASQUERINO, sob as vistas do ator brasileiro LUIS TITO.


ANN MILLER, depois de comprar dez pares de sapatos, em confraternização com a estrela espanhola ANNA ESMERALDA.


JUNE HAVER, TONIA CARRERO, e a italiana LEONORA RUFFO, ficaram aparentemente amigas, pelo menos durante o festival.



DUAS GRACIOSAS "BAIANAS", RHONDA FLEMING e ANN MILLER. Miller compareceu ao grande baile carnavalesco do Municipal. Tanto Ann como Rhonda, estiveram para o Festival de Cinema e puderam exibir, em Hollywood, as autênticas "baianas" criadas especialmente para elas pelo figurinista José Ronaldo, e tiveram tanto sucesso durante o carnaval carioca de 1954.


QUE GOSTOSURA! - Assim exclamou NINON SEVILHA, ao saborear o "virado" paulista que serviram no almoço, do Hotel Interlagos, efetuado pela Secretaria do Festival em homenagem às delegações sul e centro-americanas. A atriz cubana parecia refeita do golpe que sofreu com o roubo de suas jóias e fazia mesmo planos para brincar bastante no carnaval. Quis saber onde comprar lança-perfume (seria na farmácia? ela indagou), pois pretendia levar vários tubos desse produto carnavalesco para o México, para ver se a moda pegava por lá.


JÁ ESTARÃO NOIVOS OU TERÃO BRIGADO? A ex noviça JUNE HAVER esteve sempre de mão dada com FRED MAcMURRAY durante o Festival de Cinema, em São Paulo. Ei-los assim, entrando no Cine-Marrocos enquanto lá fora a multidão de fãs os aplaudia com entusiasmo. Tudo indica que a estas horas eles já estavam noivos.


FRED MAcMURRAY quis algumas informações de LOUIS SERRANO sobre o Brasil, antes de embarcar para o Festival.


Da esquerda para direita: ANN MILLER, MERVYN LE ROY, JANE POWELL, MONICA CLAY, e a colunista e correspondente brasileira em Hollywood das revistas CINELÂNDIA e FILMELÂNDIA, ZENAIDE ANDRÉA.


FRED MAcMURRAY e JUNE HAVER tem o idílio interrompido por ZENAIDE ANDRÉA nos jardins do aeroporto


A QUERIDA JOAN FONTAINE, a inesquecível REBECCA, sorri para o fotógrafo, ao chegar a uma das festas realizadas.


Na entrevista coletiva à imprensa, EDWARD G. ROBINSON e JUNE HAVER fazem um comentário muito bem humorado.


JEFFREY HUNTER, pelos anúncios da época, foi o "broto" que empolgou as fãs brasileiras. Na foto, ao lado de ZENAIDE ANDREA, manda um Shake Hands as leitoras da colunista.


ORLANDO VILAR, ALBERTO RUSCHEL, AURORA DUARTE, MARISA PRADO, LIA CORTESE, RUTH DE SOUZA, MAURICIO DE BARROS, e HÉLIO SOUTO, nossa delegação, num Cocktail elegante.


O GALANTE E NOBRE JEFFREY HUNTER é visto aqui passando um prato fartamente reforçado ao marido de RHONDA FLEMING, o Dr. Lew Merryl, por ocasião do Cocktail com que o Jóquei Clube de São Paulo recepcionou astros e estrelas do Festival de Cinema. Ao centro esta a esposa do astro de A Princesa do Nilo e O Marinheiro de Sua Majestade, a fascinante BARBARA RUSH, que foi a co-star de Richard Carlson no filme em 3-D Veio do Espaço, da Universal.


Um flagrante no hall do Cine Marrocos: ZENAIDE ANDRÉA E INALDA DE CARVALHO, entre RICARDO CAMPOS e SALVYANO CAVALCANTI DE PAIVA, da Revista Manchete.



MICHEL SIMON, ao avistar a beleza irresistível de INALDA DE CARVALHO (Miss Cinelândia), não resistiu a tentação de uma beijoca.


JOAN FONTAINE disse a ZENAIDE ANDRÉA que gostaria de permanecer mais tempo no Brasil de Sol e Alegria.


IRENE DUNNE, grande dama da Sétima Arte, revela a ZENAIDE ANDRÉA o prazer em sentir de estar entre nós e de conhecer o Brasil.


Nossa VANJA ORICO, a" Rainha do Circo"

Agradecimentos ao EDIVALDO MARTINS pelo material a mim fornecido, que foi de grande ajuda para divulgação deste trabalho. 

Produção e Pesquisa: PAULO TELLES.

sexta-feira, 14 de fevereiro de 2014

Tributo a Shirley Temple (1928-2014).


Morreu na segunda-feira, dia 10 de fevereiro, aos 85 anos, a atriz Shirley Temple, uma das maiores estrelas mirins da história de Hollywood. Segundo comunicado divulgado pela família nesta terça-feira, dia 11, ela estava em casa, em Woodside, na Califórnia, e morreu de causas naturais.  "Ela estava rodeada pela família", informa o texto. "Nós a celebramos por uma vida de realizações notáveis como atriz, diplomata e como nossa amada mãe, avó e bisavó, e adorada esposa, por 55 anos, do falecido e saudoso Charles Alden Black."


O BLOG FILMES ANTIGOS CLUB não poderia deixar de prestar uma singela homenagem a este ícone infantil das telas, como reproduziremos também um comentário feito em 2010 a respeito de um de seus filmes mais famosos e que é o preferido deste editor: O PÁSSARO AZUL,  abordado no tópico OS DEZ MAIORES FILMES INFANTIS DE ACORDO COM O EDITOR DO ESPAÇO - Publicado em 11 de outubro de 2010.



Shirley Temple começou a carreira aos 3 anos de idade e ganhou fama em filmes como "Olhos encantadores" (1934), "Alegria de viver" (1934), "A pequena órfã" (1935), "Heidi" (1937) e "A princesinha" (1939). A imagem da garotinha em produções leves e bem-humoradas dos anos 1930 serviu de alívio ao público americano durante o período da Grande Depressão. Suas músicas, dança e inocência funcionaram como contraponto a um momento de falta de empregos e de dinheiro.


A atriz era conhecida como America's Sweetheart ("a queridinha da América", em tradução livre). O presidente dos Estados Unidos entre 1933 e 1945, Franklin D. Roosevelt (1882-1945), elogiou na época o "otimismo contagiante" da pequena atriz e chegou a declarar que "desde que nosso país tenha Shirley Temple, nós vamos ficar bem".


Ela foi ganhadora do primeiro "baby Oscar" – uma estatueta com metade do tamanho de um Oscar normal –, entregue em 1935. A distinção era um prêmio especial dado a atores-mirins por seus papéis. As crianças não competiam com adultos nas várias categorias da premiação.

O site oficial de Shirley Temple lista que ela estrelou 14 curtas-metragens e 43 longas-metragens, a maioria deles antes de completar 12 anos de idade. Sua carreira foi de 1931 a 1961, mas seu último grande filme foi "A kiss for Corliss" (1949).

SHIRLEY com GARY COOPER
SHIRLEY com RANDOLPH SCOTT

Entre 1935 e 1938, a atriz foi campeã de bilheteria nos Estados Unidos, batendo produções com grandes estrelas hollywoodianas, como Clark Gable (1901-1960), Bing Crosby (1903-1977), Robert Taylor (1911-1969), Gary Cooper (1901-1961) Randolph Scott (1898-1987), e Joan Crawford (1906-1977).




Apesar de ter feito filmes como adolescente e jovem adulta, como "Solteirão cobiçado" (1947), com Myrna Loy e Cary Grant, e "Sangue de heróis" (1948), com John Wayne, Henry Fonda e John Agar (seu primeiro marido), Shirley Temple perdeu o brilho dos primeiros anos.

Depois de deixar o cinema, ela se candidatou ao Congresso dos Estados Unidos pelo Partido Republicano, em 1967, mas não se elegeu. Depois, foi delegada dos Estados Unidos na Organização das Nações Unidas (ONU), em 1969 e 1970, e embaixadora.  Serviu em Gana (1974-1976) e na antiga Tchecoslováquia (1989).


Em 1972, Shirley Temple recebeu o diagnóstico de câncer de mama. Foi uma das primeiras celebridades a falar abertamente sobre a doença. Numa seção de perguntas e respostas em seu site oficial, ela comentou a superação do problema.

"A alternativa é pior, se você não faz nada a respeito. Eu acreditei em meu médico e em Deus", afirmou. Também deu conselhos a outras mulheres: "Não fique em casa e não tenha medo. Vá ao médico e faça um exame".


Shirley Temple nasceu em 23 de abril de 1928, em Santa Monica, Califórnia, nos Estados Unidos. Era filha do executivo e banqueiro George Francis Temple e de Gertrude Amelia Krieger, que era apaixonada por dança e incentivou a filha desde o princípio. A pequena Shirley começou a ter aulas num estúdio de dança aos 3 anos, em Los Angeles.


Lá, em 1931, foi descoberta por dois produtores da Educational Films Corporation, que fazia uma série de curtas-metragens chamada "Baby burlesks" – eram paródias de filmes com adultos, mas estreladas exclusivamente por crianças. Em sua estreia, Shirley recebeu um cachê de US$ 10.

De acordo com a BBC, Shirley posteriormente descreveu esses trabalhos iniciais como "uma exploração cínica de nossa inocência infantil que ocasionalmente era racista ou sexista".
Com a falência da Edutional, em 1933, a atriz assinou seu primeiro contrato com um grande estúdio, a Fox. A estreia foi "Alegria de viver" (1934), e pequena estrela se destacou não só pela atuação, mas também por seus números de dança.

Quando ela tinha 6 anos de idade, recebia US$ 1,25 mil por semana. Em valores corrigidos, o salário equivalia a US$ 21 mil por semana. Os rendimentos se duplicaram com merchandising e produtos licenciados, como bonecas Shirley Temple e uma linha de roupas e acessórios para meninas.




Shirley se casou, aos 17 anos, com o Sargento da Força Aérea Americana  John Agar (1921-2002), que veio a se tornar ator em Hollywood, e com a atriz, atuou no clássico de John Ford (1895-1973) Sangue de Heróis/Fort Apache, 1947, ao lado de John Wayne (1907-1979) e Henry Fonda (1905-1982).  Ficaram juntos por quatro anos, até 1949, e tiveram uma filha, chamada Linda Susan. Em 1950, ela se casou com Charles Black, antigo oficial da marinha. Tiveram dois filhos, Charlie Jr. e Lori.


Questionada sobre o seu maior motivo de orgulho, Shirley costumava dizer: "Meus três filhos, minha neta e meus dois bisnetos". No questionário de seu site, há uma pergunta sobre qual carreira gostaria de ter seguido se não fosse atriz mirim. "Eu queria estar no FBI. Também queria ser vendedora de tortas", comentou.

Depois, lembrou-se de um episódio em que chegou a exercer a atividade. "Essa vontade era tão forte, que o estúdio providenciou um pequeno carrinho e o encheu de tortas. Eu circulava pelo set e as vendia para a equipe. Eu tinha cerca de oito anos de idade. Sempre vendia todas, e não tinha de pagar por elas. Era um grande negócio!"


Em 1960, Shirley ganhou uma estrela na Calçada da Fama de Hollywood. Em 1992, foi homenageada pelo National Board of Review. E, em 1998, pelo prestigioso Kennedy Center Honors. Foi ainda considerada uma das grandes estrelas do cinema em todos os tempos pela revista . Premiere e pela "Entertainment Week.

Já em 2006, ganhou um prêmio especial pelo conjunto da obra do Sindicato de Atores dos Estados Unidos (SAG). Também aparece na lista de "50 grandes lendas do cinema" feita pelo American Film Institute.

A FILMOGRAFIA de Shirley Temple chegou perto de incluir um outro clássico do cinema, "O mágico de Oz" (1939). A participação só não aconteceu porque a Fox se recusou a "emprestá-la" para a Metro Goldwyn Mayer (MGM). Assim, quem acabou ficando com o papel de Dorothy foi Judy Garland (1922-1969).


Shirley passou, mas seus filmes e sua presença marcante já são imortalizados mesmo por aqueles que não são tão amantes do cinema antigo como nós. Ela sempre será a Princesinha eterna nos corações dos cinéfilos, e uma estrelinha a mais na constelação.

 Produção e Pesquisa de PAULO TELLES,  baseado também em informações do site G.1.


Relembrando O PÁSSARO AZUL

O Pássaro Azul, de 1940, dirigido por Walter Lang (1896-1972), é um clássico em Technicolor para crianças, mas que também emociona os adultos. O típico filme da Sessão da Tarde que costuma reunir a família toda em frente à Tv. O filme narra a história da família Tyl, cujo patriarca (Russell Hicks, 1895-1957) é convocado para combater Napoleão e precisa deixar os filhos em casa sozinhos.


A garota Mytyl (Shirley Temple) e seu irmão Tytyl (Johnny Russel) passam a viver algumas aventuras depois que o melhor amigo de Mytyl adoece e a menina empenha-se em capturar o conhecido "pássaro azul da felicidade" para presentear o garoto. Após receber a visita da fada Berylune (Jessie Ralph, 1864-1944), os meninos são enviados, juntamente com o seu gato Tyllete e cachorro Tylo, transformados em humanos, em busca do “pássaro azul” através do passado, do presente e do futuro.


Durante a viagem por muitos reinos com fadas, magias e personagens enigmáticos, as crianças passam pelas mais inusitadas situações, e vão sofrendo transformações — relacionadas às mudanças da infância para a juventude — e transformam os lugares por onde passam, como a emocionante cena em que Mytyl se despede dos avós, já mortos, e que voltam a dormir num banquinho porque só acordavam quando alguém lembrasse deles. A menina ainda consegue ver o irmão caçula que está para nascer em outros dos mundos. Quando voltam para casa, encontram um lugar muito diferente do início da aventura. Ainda no elenco, Nigel Bruce (1895-1953) e a ganhadora do Oscar Gale Sodergaard (1899-1985).

Sinopse reproduzida do tópico MINHA LISTA, OS DEZ MELHORES FILMES INFANTIS, na visão do editor do espaço, PAULO TELLES, feita em 11 de outubro de 2010.




FILMOGRAFIA DE SHIRLEY TEMPLE

1934: Alegria de Viver (Stand Up and Cheer!)
1934: Capricho Branco (Mandalay)
1934: Olhos Encantados (Bright Eyes)
1934: Agora e Sempre (Now and Forever)
1934: Dada em Penhor (Little Miss Marker)
1935: A Mascote do Regimento (The Little Colonel)
1935: A Pequena Rebelde (The Littlest Rebel)
1935: A Pequena Órfã (Curly Top)
1936: Anjo do Farol (Captain January)
1936: A Princesinha das Ruas (Poor Little Rich Girl)
1936: A Pequena Clandestina (Stowaway)
1937: A Queridinha do Vovô (Wee Willie Winkie)
1937: Heidi (idem)
1938: Sonho de Moça (Rebecca of Sunnybrook Farm)
1938: Miss Broadway (Little Miss Broadway)
1939: A Pequena Princesa (The Little Princess)
1939: Susana (Susannah of the Mounties)
1940: O Pássaro Azul (The Blue Bird)
1942: Miss Annie Rooney (idem)
1944: Ver-te-ei Outra Vez (I'll be Seeing You)
1944: Desde que Você foi Embora (Since You Went Away)
1947: O Solteirão Cobiçado (The Bachelor and the Bobby-soxer)
1948: Sangue de Heróis (Fort Apache)
1949: Têmpera de Vencedora (The Story of Seabiscuit)
1949: O Gênio do Colégio (Mr. Belvedere Goes to College)
1985: Quando Hollywood Dança (That's Dancing!)