quinta-feira, 10 de setembro de 2015

Vida e Obra de Ingrid Bergman - Uma das Mais Belas e Talentosas Atrizes de Todos os Tempos


Nos dias de hoje, se questiona muito a combinação do talento e da beleza. Uns acreditam que tal combinação é impossível, mas outros acreditam que as duas coisas podem ser perfeitamente combinantes, e tal prova que isso é verdade que o cinema teve uma das mais brilhantes estrelas de sua constelação, a sueca Ingrid Bergman (1915-1982). Notável atriz de porte, ela não só exercia fascinação por seu talento como também por sua beleza. Contudo, sua vida foi cheia de desafios, e ousou em nome de sua felicidade enfrentar todos os protocolos e edifícios morais de sua época, enfrentando até mesmo o boicote de Hollywood e o ódio do público americano. Vamos relembrar Ingrid Bergman, uma das atrizes mais fascinantemente belas que a Sétima Arte teve o prazer de se render.

Por Paulo Telles

Ingrid Bergman nasceu a 29 de agosto de 1915, em Estocolmo, capital da Suécia. Sua mãe morreu quando ela tinha apenas dois anos e seu pai, um fotógrafo que transmitiu a ela o amor pelo teatro, morreu quando ela tinha doze. Logo, Ingrid foi morar com um tio idoso. A mulher que seria uma das principais estrelas de Hollywood tinha decidido a se tornar uma atriz depois de terminar seu estudo colegial.


Ingrid aos catorze anos
Ingrid aos dezenove estreando no cinema sueco
Depois de algumas atuações no Teatro, estreou no cinema em 1934. Dois anos depois, ela já era uma estrela consagrada na Suécia, o que levou, em 1930, o lendário produtor David O’ Selznick (1902-1965) a convida-la para o cinema americano. Os filmes responsáveis pela transição da atriz do cinema europeu para o americano tinham o mesmo argumento e o mesmo título – Intermezzo. A primeira versão (1936), dirigida por Gustav Molander (1888-1973), e o remake americano (1939) dirigido por Gregory Ratoff (1897-1960).


Intermezzo - a versão sueca de 1936. Ingrid ao lado de Gosta Ekman
Intermezzo- Uma História de Amor, versão americana de 1939. Ingrid e Leslie Howard.
Ainda em sua pátria, em 1937, Ingrid se casou com o dentista Petter Aron Lindström, com quem teve uma filha no ano seguinte, Pia. Com Intermezzo, Uma História de Amor, de 1939, a real oportunidade hollywoodiana de Ingrid só veio em 1941, ao viver Ivy Peterson, mulher torturada por Mr. Hyde na versão de O Médico e o Monstro/Dr Jekill and Mr Hyde, de 1941, estrelado por Spencer Tracy e Lana Turner.


O Médico e o Monstro - Ingrid com Spencer Tracy e Lana Turner
Ingrid, entre Spencer Tracy e Lana Turner - O Médico e o Monstro, DE 1941
Entretanto, foi só em 1943 que ela tomou parte da película que seria o símbolo do Romantismo no Cinema, e talvez, o mais amado pela sua legião de fãs – Casablanca/Casablanca, dirigido pelo lendário Michael Curtiz (1886-1962), ao lado de Humphrey Bogart.


CASABLANCA - O ÁPICE DO SUCESSO.
Tudo começa quando um famoso produtor, Hall B. Wallis (1899-1986) tinha em mãos uma peça jamais encenada intitulada Everibody Comes to Rick’s, de autoria de dois dramaturgos desconhecidos, Murray Burnett e Joan Alison. Pouco antes da II Guerra estourar na Europa, estes dois autores visitaram uma boate no sul da França, onde se reuniam expatriados e um homem negro que tocava Blues no piano. Logo, isso serviu de inspiração para Murray e Joan comporem um enredo, transformando em um melodrama sobre Ricky Blaine, um típico valentão americano proprietário de um bar chamado “Casablanca”, tendo como personagens um simpático negro chamado Sam, seu pianista, além do chefe da polícia francesa capitão Louis Renauld, e claro, Ilsa Lund, ex-namorada de Ricky, envolvida com um líder da resistência tcheca, Victor Lazlo.


Com Humphrey Bogart - Casablanca, 1942
A princípio, vários estúdios recusaram a peça. Contudo, Jack Warner (1892-1978), um dos chefes da Warner Brothers, decidiu compra-la pela soma principesca de 20 mil dólares. O contrato padrão da Warner exigia que os autores transferissem para o estúdio todos os direitos de “todo tipo e espécie, para quaisquer fins”. Murray Burnett (que ainda vivia, contando com mais de 70 anos) começou a processar a Warner em 1983 na tentativa de reassumir os direitos sobre os personagens de Casablanca, contudo sem sucesso.


Bogart e Ingrid - símbolo do antigo romancismo hollywoodiano
Warner chamou os peritos para redigir o script e se voltou para a questão do elenco. Quem iria integrar nos personagens principais? Para viver Ricky, Wallis optou por ninguém menos que Humphrey Bogart (1899-1957), embora ficasse irritado por pegar um papel antes oferecido a George Raft, que rejeitou.



Mas quem seria a atriz principal para viver Ilsa Lund?


Paul Henreid, Ingrid, Bogart
Wallis tinha problemas para contratar Ingrid Bergman para o papel. Ele ficou impressionado com o desempenho da atriz como a pianista de Intermezzo, uma História de Amor, seu primeiro filme americano, mas Ingrid estava presa a um contrato com o mais possessivo dos patrões que se tem notícia na meca do cinema, o lendário David O’ Selznick. Selznick, sem dúvida, foi o único homem em Hollywood capaz de receber a radiante Ingrid Bergman dizendo “Meu Deus! Tire os sapatos!” Ela respondeu que não adiantaria nada, já que com ou sem sapatos ela media 1m75. 



Mas Jack Warner pensava em um jeito de como ele poderia tirar Ingrid de Selznick. Chamou os roteiristas que mal tinham começado o script, e mandou que fossem visitar e persuadir Selznick, contando-lhe que tinham escrito uma história excepcional para ela. Selznick não gostou nada do enredo que os homens de Warner estavam comentando com ele, se levantou e bateu na mesa dizendo – “Era o que eu queria saber! Podem levar a Bergman.

A única atriz com qualidade luminosa, a ternura e o calor necessário para viver Ilsa”, recordava Hal Wallis sobre Ingrid em seu papel em Casablanca. O Clássico dirigido por Michael Curtiz arrebatou o Oscar de melhor filme de 1943, ganhando também pela própria direção e roteiro adaptado (Julius J. Epstein, Phliph G. Epstein, e Howard Koch).

Humphrey Bogart e Ingrid Bergman- Casablanca
Durante as filmagens, Ingrid parecia preocupada com o fato de ninguém saber como o filme iria terminar nos bastidores, se Ilsa ficaria com Ricky (Bogart) ou viajaria com Lazlo (Henreid). Era problemático pois a perfeição de sua atuação dependeria desta informação, afinal, por quem Ilsa estava realmente apaixonada. Ela teve que seguir o conselho de Michael Curtiz – “Apenas interprete, bem, jogue um meio termo”. Ingrid mais tarde diria que isso não passava de uma situação ridícula – “todos tínhamos que filmar de improviso. Todos os dias nos entregavam diálogos e tentávamos por algum sentido naquilo. Ninguém sabia o rumo do filme”- dizia Ingrid.

Poster de Casablanca
Pode ser que a infelicidade de Ingrid e de todo o elenco de Casablanca tenha sido o sucesso do filme. A incerteza de Bergman em relação a qual dos dois varões devia amar não era problema, mas sim o aspecto essencial da personagem que interpretava. Ela estava louca para viver Maria em Por Quem Os Sinos Dobram a seguir, e a atriz Vera Zorina (1917-2003) inspirou Ingrid a retratar Ilsa com aquele ar maravilhosamente nostálgico. Paul Henreid se queixava que nenhum líder da Resistência desfilaria em Casablanca de Vichy de terno branco, mas se saiu bem exatamente em função da espiritualidade ligeiramente pretenciosa, implícita no tal terno branco. Até o compositor Max Steiner (1888-1971), encarregado de compor a trilha sonora, estava infeliz. Ele odiava As Time Goes By, mas mal soube ele que justamente esta canção se tornou o símbolo do romantismo cinematográfico. Outro problema foi a diferença de altura entre o par romântico Bogart & Ingrid. Ingrid media 1m75 enquanto Bogart media oficialmente 1m68, e para as cenas que reuniam os dois, Bogart precisava subir em uma plataforma para poder ficar equiparado ou mais alto que Ingrid. Seja como for, tudo foi superado, e Casablanca se tornou um dos títulos mais lendários da fase de ouro de Hollywood, o arquétipo do cinema romântico americano, se tornando um dos maiores clássicos do cinema mundial, consagrando Ingrid Bergman como estrela no cinema americano.

Como Maria, a revolucionária em Por quem os sinos dobram, 1943
Com Gary Cooper - Por Quem Os Sinos Dobram
POR QUEM OS SINOS DOBRAM.
O primeiro filme colorido de Ingrid Bergman extraído do dramático livro de Ernest Hemingway (1899-1961), Por Quem Os Sinos Dobram de 1943, sobre um aventureiro americano chamado Robert Jordan, vivido por Gary Cooper (1901-1961), um especialista em explosivos que tenta ajudar uma guerrilheira, Pilar (Katina Paxinou) a destruir uma ponte estratégica na Espanha durante a Guerra Civil, vivendo um romance com Maria (Ingrid Bergman). 



Ingrid e Gary, posando para foto ao lado do diretor Sam Wood e da atriz grega Katina Paxinou, no intervalo de filmagem de Por Quem os Sinos Dobram
Com direção do impecável Sam Wood (1883-1949), com roteiro do renomado Dudley Nichols (1895-1960), e com a cenografia de William Cameron Menzies (1896-1957, o responsável pelos sets de E O Vento Levou), constitui exemplo acabado do romantismo hollywoodiano muito em voga nos anos de 1940. A imortal música de Victor Young (1900-1956) foi a segunda trilha sonora a ser gravada em discos, pela Decca (a primeira havia sido Mowgli, o Menino Lobo, de Miklos Rosza, lançado em discos de 78 rpm em 1942, sob o selo da RKO). Katina Paxinou (1900-1973) recebeu o Oscar de melhor atriz coadjuvante de 1943.


Ingrid em A Meia Luz, 1944
Ingrid, apreciando seu primeiro Oscar
A MEIA-LUZ – O PRIMEIRO OSCAR
Sob regência de George Cukor (1900-1983), e baseado em peça teatral de Patrick Hamilton, A Meia Luz/Gaslight, de 1944 trouxe a Ingrid Bergman seu primeiro Oscar de melhor atriz.

Ela interpreta Paula Alquist, a esposa que o marido, o pianista Gregory Anton (Charles Boyer, 1899-1978), tenta fazer enlouquecer, para ficar com as joias deixadas pela tia dela, assassinada por ele mesmo alguns anos antes na mesma casa onde eles moram agora. A sanidade mental de Paula é salva pela simpatia e pelas investigações de um detetive, vivido por Joseph Cotten (1905-1994). O filme também foi a estreia da brilhante Angela Lansbury no cinema.


Com Charles Boyer - A Meia Luz
A emoção de Ingrid na noite do Oscar de 1945
Depois da premiação, um bate papo com Jennifer Jones
A 15 de março de 1945, e sob a primeira transmissão de uma cerimonia do Oscar por uma cadeia de Rádio- a ABC-  Ingrid Bergman recebeu a estatueta de Jennifer Jones (que havia ganhado no ano anterior pela Canção de Bernadete), derrotando atrizes de peso como Claudette Colbert (por Desde que partistes), Barbara Stanwyck (por Pacto de Sangue), Bette Davis (por Vaidosa), e Greer Garson (por Senhora Parkington, a Mulher Inspiração), que concorriam também ao Oscar para melhor atriz do corrente ano.



OUTROS SUCESSOS
Após o sucesso de A Meia Luz e com seu primeiro Oscar arrebatado, Ingrid foi uma freira em Os Sinos de Santa Maria/The Bells of St Mary, em 1945, contracenando com Bing Crosby (1904-1977), e dirigido por Leo McCarey (1896-1969). 


Com Bing Crosby - Os Sinos de Santa Maria - 1945
Com Gregory Peck - Quando Fala o Coração - 1945
Novamente com Gary Cooper -A Mulher Exótica - 1946
Ainda no mesmo ano, um exercício de suspense e primeira parceria entre Ingrid e o Mestre do Suspense, Alfred Hitchcock (1899-1980), em Quando Fala o Coração/Spellbound, ao lado de Gregory Peck, com trilha sonora marcante de Miklos Rozsa (1907-1995). No ano seguinte, Ingrid repete parceria com Gary Cooper na atuação e Sam Wood na direção em A Mulher Exótica/Saratoga Trunk, aventura boa de época. 


Ao lado de Cary Grant - Interlúdio - 1947
Com Cary Grant em Interlúdio
"Amavelmente vulgar" em O Arco do Triunfo - 1948
Ainda em 1946, Ingrid se une novamente a Hitchcock em Interlúdio/Notorious, tendo como seu galã Cary Grant (1904-1986). Na cerimônia de entrega do Oscar de 1946, Grant declarou – “Acho que a Academia deveria reservar um prêmio especial para Ingrid Bergman todos os anos, faça ela filmes ou não”.Contudo, nem tudo foi sucesso para a atriz, que angariou seu primeiro fracasso em O Arco do Triunfo/Arch of Triumph, em 1948 e direção de Lewis Millestone (1895-1980).  



JOANA D'ARC.
Ingrid Bergman sempre sonhou em interpretar Joana D’Arc (1412-1431), heroína, mística, guerreira, e mártir da França, entretanto por ironia o papel parecia se esquivar da atriz. Tão logo ela embarcou para os Estados Unidos em 1939 a convite de David O’ Selznick, este telegrafou recomendando que dissesse à imprensa em Nova York que Ingrid estava chegando para interpretar Santa Joana, mas um assessor de publicidade de Selznick foi espera-la no cais e avisou: “Não fale muito sobre Joana D’Arc, por favor!”. O projeto de Selznick em produzir um filme sobre a santa nunca se concretizou. Contudo, seis anos depois, o dramaturgo Maxwell Anderson (1888-1959) telefonou para Ingrid, perguntando se ela não estaria interessada em fazer uma peça na Broadway.
-Sua peça é a respeito de que? – perguntou Ingrid
- Joana D’Arc – respondeu Maxwell

Ingrid, Santa Joana D'Arc
Ela concordou na lata, sem ter lido a peça. E depois de ter lido, foi dar um passeio com Anderson na praia de Santa Mônica e ali assinou o contrato. Na semana seguinte após o primeiro ensaio para a peça em Nova York, ironicamente David O’ Selznick anunciou a imprensa que ia fazer um filme sobre Joana D’Arc, estrelada por Jennifer Jones (sim, a “Santa Bernadete”!), entretanto, tal projeto não seguiu.



Joan of Lorraine, de Maxwell Anderson, não era exatamente sobre a vida de Joana D’Arc, mas sobre uma companhia teatral que ensaiava uma peça sobre Santa Joana. Mas não satisfeita, a indômita Ingrid incitava o dramaturgo a escrever mais sobre a heroína e ele a atendia. A peça estreou espetacularmente na Broadway em 1946, rendendo grandes elogios para a atriz.


Entre Richard Deer e Ray Teal - Joana D'Arc - 1948
Victor Fleming (1889-1949), que tinha dirigido Bergman em O Médico e o Monstro em 1941, estava insistindo que a atriz filmasse com ela a peça. Juntos, montaram uma companhia produtora independente, com Walter Wanger (1894-1968) como produtor. Em 1948, é lançado Joana D’Arc/Joan of Arc, onde além do brilho da estrela de Ingrid, despontam nomes famosos como Jose Ferrer, Ward Bond, George Coulouris, Gene Lockhart, J. Carrol Naish, Ray Teal, Hurd Hatfield, Morris Ankrum, John Ireland, entre outros, em uma verdadeira superprodução que obteve os Oscars de melhor foto a cores e vestuário a cores, além de um Oscar especial para Walter Wanger por sua “contribuição de estatura moral dada ao mundo”. O filme também registrou o último trabalho do diretor Fleming, que morreu em 1949.


Poster de Joana D'Arc - 1948
Observando Jose Ferrer, durante intervalo de Joana D'Arc - 1948
Joana D’Arc fez sucesso de público, até na Europa, apesar de desprezado pela crítica. Anos mais tarde, em 1970, Ingrid assistiu ao filme em uma reprise pela televisão, e reavaliou o seu trabalho e a obra, descobrindo o quanto era artificial: ”Tinha aquele aspecto homogêneo e polido de Hollywood” – disse ela – “Todas as cenas de batalha foram feitas em estúdio: as torres de Chinon e as cidadezinhas francesas eram panos de fundo pintados. Não me achei nem um pouco parecida com uma camponesa. Parecia só uma atriz de cinema fazendo o papel de Joana. Rosto limpo, penteado, bonito (...) Ao pensar nisso, suponho que começaram aí minha rebelião e ressentimentos instintivos.


ROBERTO ROSSELLINI
Ao período que Ingrid Bergman esteve na Broadway, caminhou sozinha pelas ruas quando viu um cartaz com o filme Paisà, de 1946, dirigido pelo cineasta italiano Roberto Rossellini (1907-1977), trabalho este que realizou depois do clássico Roma-Cidade Aberta (1945). Ingrid entrou e assistiu ao que considerou “outro grande filme”. No entanto, o cinema estava praticamente vazio. Ela própria estava cansada dos “valores de produção hollywoodiana”, com cenários elaborados, penteados sempre perfeitos, música orquestral surgindo no fundo, e entre outras coisas. Tão logo ela assistiu o último trabalho do renomado diretor italiano, ela decidiu que queria fazer um filme com Rossellini. Sendo a mulher teimosa e indômita que ela, resolveu escrever uma carta para Rossellini: “Caro Sr. Rossellini, vi seus filmes “Roma : Cidade Aberta” e “Paisà” e gostei muito deles. Se precisar de uma atriz sueca que fale inglês muito bem, não esqueceu o alemão, e ainda não é muito inteligível em francês, e de italiano só sabe “ti amo”, estou pronta para fazer um filme com o senhor”.
Ingrid falava fluentemente cinco idiomas: inglês, Sueco, Francês, Alemão e Italiano.

Ingrid e Roberto Rossellini, durante as filmagens de Stromboli.  O Início de um rumoroso caso de amor fora das telas.
Qualquer diretor no mundo teria telefonado imediatamente para convida-la para pegar o primeiro avião. A bela estrela de Casablanca e Por Quem os Sinos Dobram, e ganhadora do Oscar por A Meia Luz, estava entusiasmada. Rossellini, que recebeu a carta de Ingrid no dia de seu aniversário, respondeu com um telegrama a atriz na seguinte caixa alta: “ACABEI DE RECEBER COM GRANDE EMOÇÃO SUA CARTA QUE CHEGOU NO DIA DO MEU ANIVERSÁRIO COMO O PRESENTE MAIS PRECIOSO”....


Apesar do detalhe coquete do “ti amo”, parece que Ingrid, de início, não tinha ideias românticas para com Rossellini, contudo, em sua vida pessoal, a atriz era inquieta. Seu casamento com o médico sueco (ou dentista segundo outras fontes) Petter Lindstrom vinha tendo problemas algum tempo. O marido gerenciava a carreira dela, pechinchava os contratos e dava ordens no geral. Isso era bastante comum na época, mas muito embora Ingrid gostasse da imagem de mulher bem casada e supostamente feliz, havia limites. Era regra de Petter não admitir que fotógrafos fossem à sua casa. Numa dessas ocasiões, Ingrid achou conveniente ser fotografada em casa do que no estúdio. O marido então ficou furioso quando viu as fotos publicadas.
Ao telegrama de Rossellini seguiu-se uma longa carta onde ele explicava seus métodos: “Devo dizer que minha maneira de trabalhar é extremamente pessoal. Não preparo um cenário, que considero uma limitação terrível ao campo de ação. Venha que conversaremos”.

Com Michael Wilding - Sob o Signo de Capricórnio - 1949
Ingrid aceitou com entusiasmo o convite de Rossellini, muito embora a atriz estivesse comprometida com um filme de Hitchcock, Sob o Signo de Capricórnio/Under Capricorn, num verão em Londres. Quem sabe pudesse ela dar uma escapada e ir à Itália discutir o assunto? Combinaram em encontrar-se em Amalfi, onde Rossellini estava com a amante (e não menos talentosa atriz) Anna Magnani, a tempestuosa estrela de Roma: Cidade Aberta. Embora Magnani jamais tivesse se encontrado com Ingrid, ela tinha suas suspeitas. Quando um porteiro recebeu o telegrama anunciando o desembarque de Ingrid, ele achou que a atual amante do diretor italiano não pudesse ouvir. O porteiro foi ao restaurante onde Rossellini e Anna Magnani estavam almoçando, e esta pondo molho no espaguete, ouviu a seguinte frase do porteiro para com o diretor, num sussurro teatral:

Roberto Rossellini e Anna Magnani
-O senhor me pediu que se recebesse um telegrama de Londres eu devia entrega-la particularmente ao senhor. Aqui esta.
-Ah, Grazie!!! – disse Rossellini, de modo casual que pôde, enfiando o telegrama no bolso, sem ler, como assunto sem importância. Anna Magnani (1908-1973), futura ganhadora do Oscar como melhor atriz pelo seu brilhante desempenho em A Rosa Tatuada, de 1956, dirigido por Daniel Mann (1912-1991) – continuou misturando o molho de espaguete, mas falou:
-Então? Esta bom, Roberto? – perguntou Anna segurando a travessa de espaguete.
-Ah si Grazie! – respondeu o diretor todo inocente.
-Ótimo! Então pode ficar com tudo!!! – disse Anna atirando a travessa cheia de espaguete na cara de Rossellini.





BOICOTE EM HOLLYWOOD
Roberto Rossellini talvez nem precisasse ir aos Estados Unidos para contratar Ingrid Bergman para seu novo filme, mas em janeiro de 1949, os Críticos de Filmes de Nova York escolheram Paisà como o melhor filme estrangeiro do ano anterior, e convidaram o diretor italiano para ir a Nova York receber o prêmio. Antes de deixar Roma, segundo um correspondente de um jornal de Los Angeles, Rossellini disse: ”Vou por chifres no Sr. Bergman”. De Nova York, ele telegrafou para Ingrid: “ACABO DE CHEGAR COMO AMIGO”. Ela respondeu: “ESPERANDO POR VOCÊ NO OESTE SELVAGEM”.

Ingrid Bergman e Roberto Rossellini
Rosselini não precisou de mais nada para tomar o trem para a Califórnia e se registrar no hotel Beverly Hills. Ingrid logo o convidou a poupar e hospedar na própria casa da atriz, na Benedict Canyon Drive. Também começou a levantar dinheiro para o filme dele. A princípio, a atriz telefonou para o lendário Samuel “Sam” Goldwyn (1879-1974), e mesmo ainda não tendo um roteiro acertado, ela conversou com Sam, perguntando se poderia produzir um filme italiano com Rossellini na direção.  Sam aceitou, mas só veio a ler o esboço escuro do roteiro que Rossellini havia enviado para Bergman depois. Ele considerou a história muito “artística”. Depois, Sam reuniu a imprensa para ver Goldwyn e Rossellini assinarem o contrato.

Stromboli - primeiro filme de Ingrid dirigido por Rossellini
Conseguindo o financiamento para o filme chamado Stromboli, primeiro filme de Ingrid com o cineasta, Rossellini embarcou para Roma no fim de fevereiro, enquanto que Ingrid e seu marido Petter foram esquiar em Aspen. Os jornais e tabloides já tinham publicado boato sobre os passeios de Ingrid e de Roberto já tinham feito, mas tanto os dois quanto o terceiro envolvido, o marido de Ingrid, não davam ouvidos, seguindo normalmente com suas vidas. Contudo, isso não passava de um disfarce, muito passageiro até a chegada de Ingrid a Itália.


Ingrid foi recebida por uma multidão de fãs no aeroporto de Roma, que lhe desejou boas vindas. Rossellini surgiu no meio da aglomeração com um imenso buquê. Beijou-a nas duas faces e sussurrou em francês: Je T’Aime. Depois levou-a em seu carro esporte vermelho para o Hotel Excelsior, onde outra multidão a aguardava.


Isso foi apenas o começo. Rossellini e sua estrela partiram numa viagem sem pressa ao longo da costa, passando por Monte Cassino, Capri, e Amalfi. Ingrid logo se encantou por Rossellini. Para ela, ele era um homem cativante, culto, conhecedor da beleza e da arte, conhecia História, os monumentos, lendas. Ao subirem de mãos dadas uma escadaria em direção a uma torre circular que guardam a estrada costeira, foram surpreendidos por um fotógrafo que os seguia, e a foto apareceu numa página inteira da Revista Life. Editoriais de jornais começaram a mostrar sinais de desaprovação, mas Ingrid ignorou com toda classe de uma verdadeira dama, e uma mulher de espírito superior. E não fica só por ai: de Amalfi, a atriz escreveu para o Dr. Lindstrom que ia deixa-lo para viver com Rossellini. Dizia a carta: “Não era minha intenção me apaixonar e ficar na Itália para sempre. Mas o que é que posso fazer para mudar as coisas?”.


O romance entre Ingrid e Rossellini era tratado como o maior acontecimento do ano pelos jornais. Todos já tinham esquecido de que a talentosa atriz havia interpretado a decaída Ivy Peterson de O Médico e o Monstro, e outra decadente em O Arco do Triunfo; a adúltera de Casablanca e outra em Interlúdio; só se lembravam, por incrível que pareça da freira sorridente de Os Sinos de Santa Maria, ou de seu mais recente filme em cartaz, Joana D’Arc, vivendo uma santa. Não havia privacidade para Ingrid, pois repórteres alugavam barcos para ir a ilha espreitar e fazer perguntas aos nativos sobre as condições que vivia a atriz. A medida que as notícias sobre o romance iam chegando aos Estados Unidos, os executivos de Hollywood começavam a ficar nervosos. A reação da opinião pública iria obriga-los a boicotar os filmes dela, passados e recentes.


Joseph I Breen, antigo diretor de administração do Código de Produções, ocupando posição executiva da RKO, escreveu a Ingrid pedindo-lhe que negasse os boatos de que pretendia deixar o marido, alegando que isso poderia destruir sua carreira no cinema: “Podem ocasionar tanta raiva no público americano que seus filmes passem a ser ignorados e você venha a perder o valor como sucesso de bilheteria” – assim dizia a carta de Breen para a atriz.


Walter Wanger, financiador de Joana D’Arc, gostava de se considerar um produtor intelectual com ousadas participações sociais, e ele também escreveu para Bergman, um telegrama que parecia refletir o mais puro pavor. Assim ele escreveu: “Histórias maliciosas sobre seu comportamento devem ser imediatamente desmentidas por você. Se você não pensa na sua família ou não se preocupa consigo mesma, deve ao menos pensar que, porque acreditei em você e em sua honra, investi grandes somas pondo em risco o meu futuro e o de minha família, que esta sendo ameaçada. Não se iluda pensando que o que esta fazendo tem dimensões corajosas ou artísticas que dispensem a opinião do homem comum”.
O marido de Ingrid, embora chocado com todo este alvoroço, não queria o divórcio. Ele a queria de volta, mas ela não, além disso, ela tinha que terminar Stromboli. Chegou a um ponto dele e Ingrid se encontrarem num hotel de Messina, para desespero de Rossellini, que tinha medo de que Lindstrom persuadisse Ingrid de voltar. Depois de horas, Ingrid disse a Rossellini que ela e o marido “resolveram a situação”, e voltou para o diretor italiano, para Stromboli, e para a bagunça da filmagem.


Três dias depois, Henry Steele, o agente de publicidade da atriz convocou uma entrevista com a imprensa para anunciar que Ingrid estava anunciando o divórcio.
“Instrui meu advogado a iniciar imediatamente o processo de divórcio. Com a conclusão do filme, minha intenção é me retirar da vida pública”.
Dessa declaração, o Gionalle dela Sera tirou uma conclusão audaciosa e noticiou que Ingrid Bergman estava grávida.  Os guardiões da “moralidade” receberam esta notícia como o pior dos ultrajes. Divórcios eram normais em Hollywood, adultério poderia ser negado, mas uma mulher casada engravidar de outro homem, era demais.

Ingrid com Hedda Hopper
De Hollywood, vem a mais ridícula fofoqueira, Hedda Hopper, exigindo uma entrevista com a atriz. Rossellini quis barrar Hedda, mas o agente de Ingrid, Henry Steele, achou melhor que Ingrid deveria atender a imprensa. Portanto, foi concedida para uma das maiores mediocridades de Hollywood uma entrevista de uma hora de duração, na qual o ponto principal foi evitado o tempo todo.
-“Mais uma pergunta e depois eu saio, Ingrid. O que é isso que andam dizendo de você estar grávida?”- Perguntou maliciosamente Hedda.
-“Meu Deus, Hedda, eu pareço grávida?”- respondeu Ingrid despreocupada e rindo.


Henry Steele, o agente de publicidade de Ingrid, até então acreditava que os boatos da gravidez da atriz eram falsas. Ele até sugeriu a Rossellini que movessem um processo contra o Gionalle dela Sera, e o diretor disse que iria acionar. Os jornalistas de todos os Estados Unidos continuavam a indagar sobre o estado de Ingrid Bergman, e quando Steele perguntou a ela o que deveria fazer, ela decidiu escrever a verdade: “Se alguém perguntar de novo se eu estou grávida, não acione como queria fazer com tanta coragem aqui em Roma, pois certamente, Henry, você perderá. Caríssimo Henry, talvez você já desconfiasse. A pergunta sempre esteve em seus olhos, mas não consegui dizer a verdade”.


Steele ficou chocado, contudo, ele decidiu alertar a atriz: “Nenhuma das grandes distribuidoras permitirá o lançamento ou a exibição de “Stramboli”. Organizações como a Liga da Decência, clubes de mulheres, grupos de igrejas, etc, se levantarão com toda sua fúria. A Imprensa levantará editoriais, farão discursos. Na verdade, não é exagero supor que os próximos filmes de Roberto, com ou sem você, também serão banidos dos Estados Unidos”. Steele implorou que ela mantivesse em segredo o nascimento do bebê, mas ela só lhe deu notícias acerca do novo filme de Roberto.

Ingrid e suas filhas gêmeas, Isolla Ingrid e Isabela
Repórteres e fotógrafos fizeram cerco ao hospital de Roma, onde ela deu à luz em fevereiro de 1950. Só podia legitimar o bebê através do expediente legalmente duvidoso de um divórcio por procuração no México, e posteriormente casamento, também no México, e foi isso que Ingrid e Roberto fizeram um mês depois.


Não demorou e o Senado Americano promoveu um plenário para denunciar a atriz como “poderosa influência maligna, sugerindo que poderia estar sofrendo de temida doença mental chamada de esquizofrenia”. O Senador Edwin Johnson deu ênfase ao fato de Ingrid ser estrangeira, assim como a maioria das figuras controversas de Hollywood (o ex marido de Ingrid havia se naturalizado cidadão americano). Assim disse o Senador Johnson:
“Sob nossas leis, nenhum estrangeiro culpado de imoralidade pode colocar de novo os pés em solo americano. A Senhora Petter Lindstrom deliberadamente exilou-se do país que a tratou tão bem”.

Extremamente sensual em Europa 51, de Rossellini, 1951
FILMES NA EUROPA E A CRISE CONJUGAL.
Afastada de Hollywood, Ingrid conciliava sua carreira de cinema na Itália, ao lado do marido Robert Rossellini, e a vida materna, dando à luz as gêmeas Isolla Ingrid e Isabela (mais tarde a atriz Isabela Rossellini), e um ano depois, a Roberto, que o casal chamava de “Robertino”.  Ingrid e Roberto Rossellini fizeram juntos seis filmes.

Com George Sanders - Romance na Itália - 1954
Com George Sanders - Romance na Itália
Novamente como Joana D'Arc - Joana D'Arc de Rossellini - 1954
Stromboli/Stromboli, em 1950; Europa 51/Europa 51, em 1951; Nós, as Mulheres/Siamo Donne, em 1953; Romance na Itália/Viaggio in Italia, em 1954; O Medo/Non credo più all'amore (La paura), em 1954; e Joana D’Arc de Rossellini/Giovanna d'Arco al rogo, de 1954, onde ela repetiu o papel da Santa mártir e guerreira da França, desta vez sob a regência do marido Rossellini, um filme sem comparativos com a obra de Victor Fleming de 1948, tratando-se de um teatro filmado.

Com Mel Ferrer - Estranhas Coisas de Paris - 1956
Com Mel Ferrer em Estranhas Coisas de Paris
Em 1956, Ingrid filma na França o sensacional Estranhas Coisas de Paris/Elena et les homme, dirigido por Jean Renoir (1894-1979), onde ela exercita também seu lado cômico.

O Medo, de Rossellini, 1954
Neste período, embora a carreira da atriz tenha sido de sucesso na Europa, a vida conjugal já não ia nada bem para ela e Rossellini. O cineasta já não parecia ter tanto interesse por ela como no início, mas ela seguia de pé com a carreira em elevação, subindo aos palcos para representar Ibsen, Shaw, e O’ Neill.


O RETORNO À HOLLYWOOD E O SEGUNDO OSCAR.
Em 1956, o amigo Humphrey Bogart a convidou para filmar em Hollywood. Embora cheia de receios, ela aceitou desde que fosse filmar na Europa um filme americano. Este filme revolucionou de vez a carreira cinematográfica de Ingrid, após seis anos fora do cinema americano devido ao boicote promovido pela própria Indústria do Cinema.

Com Yul Brynner- Anastasia, a Princesa Esquecida - 1956
Yul Brynner e Ingrid Bergman
Anastasia, a Princesa Esquecida/Anastasia, dirigido pelo competente Anatole Litvak (1902-1974) em 1956 e baseada em peça de Marcelle Maurette (a princípio escrita para a televisão) traz Ingrid no papel de Anastasia, descoberta em Paris em 1928 por um grupo de russos exilados, liderados pelo general Bounine (Yul Brynner, 1915-1985, que ganhou o Oscar de melhor ator pelo papel), que sabem que se trata da filha do Czar Nicolau II, que se supôs fuzilada com a família imperial.


Anúncio do filme de um jornal carioca, março de 1957
A cerimônia para a entrega do Oscar de 1956 foi realizada a 27 de março de 1957, cujo grande acontecimento foi justamente o prêmio de Melhor Atriz ganho por Ingrid, marcando sua volta definitiva para as telas americanas. Ela derrotou Deborah Kerr (por O Rei e Eu); Carroll Baker (por Boneca de Carne); Katharine Hepburn (por Lágrimas do Céu); e Nancy Kelly  (por A Tara Maldita). Com sua volta a Hollywood em grande estilo e o segundo Oscar conquistado, Ingrid reconquistou novamente o público americano e seu lugar no coração dos fãs e nas bilheterias dos cinemas americanos.


O FIM DO CASAMENTO COM ROSSELLINI
Em 1957, Roberto Rossellini vai a Índia e conhece a indu Somali Das Gupta. Os rumores do romance entre os dois põe fim a união de nove anos entre Rosselini e Ingrid Bergman. Ainda negando a separação, Ingrid parte para Paris, a fim de representar, no teatro, Chá e Simpatia. O produtor da peça era Lars Schimidt, um rico industrial. 

Ingrid e seu terceiro marido, Lars Schimidt, de óculos a esquerda
Novamente par de Cary Grant, em Indiscreta, 1958



Depois de confirmado o divórcio com Rossellini, no dia 23 de dezembro de 1958, Ingrid casa-se pela terceira vez com Lars Schimidt e afirma: "Se fui infeliz na primeira e na segunda experiência, posso tentar uma terceira". Nesse mesmo ano sua reabilitação em Hollywood foi confirmada no filme Indiscreta/Indiscret, comédia romântica dirigida por Stanley Donen, reunindo novamente Ingrid e Cary Grant.


A Morada da Sexta Felicidade
OUTROS FILMES E O TERCEIRO OSCAR
Com sua volta triunfal a Hollywood, Ingrid se entregou de corpo e alma ao seu trabalho e as suas interpretações. Em 1958, estrelou ao lado de Curd Jürgens (1915–1982) e Robert Donat (1905–1958) A Morada da Sexta Felicidade/The Inn of the Sixth Happiness, dirigido por Mark Robson (1913–1978), onde ela viveu uma missionária inglesa na China.

Com Yves Montand - Mais uma vez, Adeus - 1961
Com Omar Sharif - O Rolls-Royce Amarelo - 1964
Com Walter Matthau -Flor de Cacto - 1969
 Em 1961, embarcou na comédia Mais uma Vez, Adeus/Goodbye Again, novamente sob a direção de Anatole Litvak, contracenando com Yves Montand (1921–1991). Em 1964, ela integrou no mega elenco de O Rolls-Royce Amarelo/The Yellow Rolls-Royce, dirigido por Anthony Asquith (1902–1968). Encerrando a década de 1960, atuou na comédia Flor de Cacto/Cactus Flower, em 1969, uma comédia hippie dirigida pelo recém-falecido Gene Saks (1921–2015), contracenando com Walter Matthau (1920–2000) e Goldie Hawn em sua estreia no cinema.

No badalo com Goldie Hawn - Flor de Cacto
Com Anthony Quinn em Caminhando sob a Chuva de Primavera - 1970
Quinn e Ingrid - Caminhando sob a Chuva de Primavera
Iniciando a década de 1970, Ingrid contracena com outra lenda das telas, Anthony Quinn (1915–2001), no drama romântico Caminhando Sob a Chuva de Primavera/ A Walk in the Spring Rain, sob direção de Guy Green (1913-2005). 

Ingrid em Assassinato no Expresso Oriente - 1974
Ingrid e seu terceiro Oscar, desta vez como coadjuvante 
Em 1974, Bergman, aos 59 anos, integra o grande elenco de Assassinato no Expresso Oriente/ Murder on the Orient Express, baseado na obra detetivesca de Agatha Christie (1890-1976) e dirigido por um estilista, Sidney Lumet (1924–2011). Um elenco formado com nomes como Albert Fynney (como Hercule Poirot) , Lauren Bacall, Martin Balsan, Jacqueline Bisset, Richard Widmark, Sean Connery, Vannessa Redgrave, entre outros, figuram este grande espetáculo que deu a Ingrid o seu terceiro Oscar, desta vez como atriz coadjuvante, no papel de Greta Ohisson, uma solteirona sueca e tímida que esta entre vários suspeitos de assassinar um rabugento milionário, vivido por Richard Widmark, no interior de sua cabine no Expresso Oriente, o trem que viaja entre Istambul e Paris. Na noite de 8 de abril de 1975, Ingrid, a vencedora da categoria, salvou o evento com um discurso “delicioso”, pedindo até mesmo desculpas a atriz italiana Valentina Cortese, cuja interpretação por Noite Americana achava merecedora do prêmio. Bergman ainda derrotou as atrizes Diane Ladd (por A Noite Americana), Talia Shire (por O Poderoso Chefão, 2ª parte), e Madeline Kahn (por Banzé no Oeste).


ÚLTIMOS ANOS
Ao mesmo tempo em que lhe veio o terceiro Oscar após seu brilhante desempenho em Assassinato no Expresso Oriente em 1974, Ingrid descobriu que estava com câncer. Contudo, nessa época, ela não se rendeu a doença e esteve dividida entre o teatro, o cinema, e a TV. Em 1º de fevereiro de 1978, Ingrid se divorciou também de seu terceiro e último marido, Lars Schmidt. No mesmo ano, Ingrid atuou ao lado de Liv Ullmann, sob direção de Ingmar Bergman (1918–2007, nenhuma relação com a atriz Ingrid) em Sonata de Outono/Höstsonaten.

Com Liv Ullmann - Sonata de Outono - 1978
Ingrid em seu último filme - Golda - 1982, para TV.
Com Leonard Nimoy - Golda
Em 1982, após terminar seu último trabalho, para TV, sobre a vida de Golda Meier, Golda/A Woman Called Golda, dirigido por Alan Gibson (1938-1987), onde Ingrid viveu a fundadora do Estado de Israel e Embaixadora israelense, seu braço direito começou a inchar até ficar de tamanho monstruoso. O braço pesava quase trinta quilos e ficava coberta por um xale.

Estou enfrentando meu dragão, meu braço, não posso me livrar dele, isto é, não posso amputa-lo, então luto com ele. Mas, com bom humor. Chamo-o de meu cachorro, brinco com ele. Digo a ele – você não é dragão, você é um cachorro, um cachorro doente. Vamos dar uma volta” – escreveu ela certa vez para um amigo.

Ingrid em sua última aparição pública, com o neto, em Nova York - 1982

O Túmulo da atriz e de seus familiares, Suécia
Imortalmente bela
Ingrid Bergman morreu no dia em que estava completando 67 anos, a 29 de agosto de 1982, em sua casa em Londres. Ela que sobreviveu aos insultos de Hollywood e ao preconceito da sociedade americana, sobrepujou tudo isso, graças a ousadia, ao talento, e a sua inteligência. Enfrentou com dignidade e cabeça erguida todos os obstáculos e falsos moralismos de seu tempo, mas ao fim, se tornou uma verdadeira campeã, tanto nas telas de cinema como na vida, deixando um legado de grandes filmes e grandes atuações, marcadas indelevelmente por sua beleza majestosa e um talento sublime e inconfundível. 


FILMOGRAFIA
1934 - The Count of The Monk's Bride
1935 - Branningar
1935 - Munkbrogreven
1935 - Ocean Breakers''
1935 - Swedenhielms
1935 - Valborgsmassoafton
1936 - Pa Solsidan

Poster de Intermezzo, uma História de Amor
1936 - Intermezzo (Intermezzo)
1938 - Die 4 Gesellen
1938 - Dollar
1938 - En Enda Natt
1938 - Juninatten
A jovem e bela Ingrid em A Mulher que Vendeu a Alma, filme sueco de 1938
1938 - A Mulher que Vendeu a Alma (En Kvinnas Ansikte)
1939 - Intermezzo, uma História de Amor (Intermezzo, a Love Story)
1941 - Fúria No Céu (Rage in Heaven)
1941 - O Médico e o Monstro (Dr. Jekyll and Mr. Hyde)
Poster de O Médico e o Monstro
Ingrid em A Meia Luz
Ingrid em Interlúdio. 
1941 - Os Quatro Filhos de Adão (Adam Had Four Sons)
1942 - Casablanca (Casablanca)
1943 - Por Quem os Sinos Dobram(For Whom The Bell Tolls)
1944 - Swedes in America
Poster de Por Quem Os Sinos Dobram
Com Katina Paxinou e Gary Cooper - Por Quem Os Sinos Dobram
Com Charles Boyer - Arco do Triunfo - 1949
Poster de Os Sinos de Santa Maria
1944 - À Meia-Luz (Gaslight)
1945 - Mulher Exótica (Saratoga Trunk)
1945 - Os Sinos de Santa Maria (The Bells of St. Mary's)

Com Gregory Peck deliciando um sorvete, durante o intervalo de Quando Fala o Coração
Com Gary Grant - Interlúdio
Ingrid com Alfred Hitchcock
1945 - Quando Fala o Coração (Spellbound)
1946 - Interlúdio (Notorious)
1948 - Joana d'Arc (Joan of Arc)
1948 - O Arco do Triunfo (Arch of Triumph)
Looby Card alemão de Joana D'Arc, de 1948
Nós e as Mulheres
1949 - Sob o Signo de Capricórnio (Under Capricorn)
1949 - Stromboli (Stromboli, terra de Dio)
1951 – Europa'51
1953 - Nós, as Mulheres (Siamo Donne)
1953 - Viagem pela Itália (Viaggio in Italia)

Poster de Anastasia
1954 - Joana d'Arc de Rossellini (Giovanna d'arco al rogo)
1955 - o Medo (La Paura)
1956 - Anastácia, a Princesa Esquecida (Anastasia)
1956 - As Estranhas Coisas de Paris (Elena et les hommes)
1958 - A Morada da Sexta Felicidade (The Inn of the Sixth Happiness)
1958 - Indiscreta (Indiscreet)
Com Cary Grant e Alfred Hitchcock, durante as filmagens de Interlúdio
1961 - Mais uma Vez Adeus (Goodbye Again)
1964 - A Visita (Visit, The)
1965 - O Rolls-Royce Amarelo (The Yellow Rolls-Royce)
1967 – Stimulantia
1969 - Flor de Cacto (Cactus Flower)
1970 – Langlois
Com Walter Matthau, durante o intervalo de Flor de Cacto. Notem na capa da revista que esta nas mãos de Matthau a foto de Ingrid e Humphrey Bogart.
1970 - Caminhando sob a Chuva da Primavera (Walk in the Spring Rain)
1973 - A Aventura da Descoberta (From the Mixed-Up Files of Mrs. Basil E. Frankweiler)


1974 - Assassinato no Expresso do Oriente
1976 - Questão de Tempo (A Matter of Time)
1978 - Sonata de Outono (Hostsonaten)
1982 - Golda/A Woman Called Golda (TV)
Produção e Pesquisa de Paulo Telles
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segunda-feira, 17 de agosto de 2015

Espaço "Encontros: Encontro com Saulo Adami – Um bate papo durante a sessão de autógrafos de seu novo livro.


Não é de desconhecimento por grande parte dos leitores do blog FILMES ANTIGOS CLUB que seu editor tem profunda admiração por um dos mais notáveis escritores deste país, o catarinense SAULO ADAMI.  Nas décadas de 1980 e 1990, Saulo colaborou para uma das mais conceituadas revistas de cinema do Brasil, a saudosa CINEMIN, publicada pela Editora Brasil-América durante muitos anos, onde escreveu primorosos artigos dividindo a honra entre outros grandes nomes da comunicação social, como João Lepiane, Gil Araújo, A.C Gomes de Mattos, etc.


SAULO ADAMI, e o editor deste espaço PAULO TELLES, que  recepcionou o escritor em sua chegada ao Rio de Janeiro.

Mas, além disso, o que chama a atenção é que Saulo é um notório admirador da franquia PLANETA DOS MACACOS, desde o primeiro filme de 1968 dirigido por Franklin J. Scheafner, até o último filme lançado ano passado, incluindo também uma série de TV (Live Action, 14 episódios) e dos desenhos animados. E isso fez com que escrevesse diversos livros a respeito desta grande saga, que vem cativando um enorme público por quase 50 anos.

Vamos conhecer um pouco de SAULO ADAMI, falar um pouco de sua trajetória como escritor, próximos projetos, e claro, como começou sua fascinação por uma das franquias mais bem sucedidas no cinema. Tudo isso em um bate papo com o editor do blog e o escritor.

Reportagem de Paulo Telles, Rio de Janeiro/RJ 

O editor recebe autografado uma das matérias publicadas na revista Cinemin pelo escritor. Edição de Cinemin pertencente a coleção pessoal de Paulo Telles.

     PAULO TELLES - Saulo, é um prazer de tê-lo conosco aqui na “Cidade Maravilhosa”, seja bem vindo! É uma honra para os leitores do blog FILMES ANTIGOS CLUB conhecer ainda mais o seu trabalho, tendo em vista o evento realizado no Planetário da Gávea para a sessão de autógrafos de seu mais recente livro – “Homem não entende nada - arquivos secretos do Planeta dos Macacos”, publicado pela Editora Estronho. Mas você já escreveu outros livros a respeito do tema, e também já publicou um artigo em duas partes sobre PLANETA DOS MACACOS na saudosa revista “Cinemin”. Fale-nos, Saulo, um pouco de sua “saga” nesta saudosa revista, e o trabalho com grandes nomes que deram sua contribuição neste “magazine”, como o Professor A.C Gomes de Mattos, e os falecidos Gil Araujo e João Lepiane?



Saulo Adami


 SAULO ADAMI - Escrever para a revista “Cinemin” foi uma das experiências mais marcantes da minha vida! De tanto enviar cartas para o editor Fernando Albagli cobrando uma reportagem sobre as séries de cinema e TV “O Planeta dos Macacos”, ele um dia me escreveu devolvendo a pergunta: “E por que você não escreve um artigo e envia para a gente, então?”. O desafio foi aceito, e lá fui eu, para a máquina de escrever, com o colo cheio de material de pesquisa sobre o tema, e escrevi um artigo. Na verdade, um artigo tão grande que eles publicaram em duas edições da revista, em 1990. Começava assim a minha trajetória na “Cinemin”. Talvez eu decepcione aos leitores desta entrevista, mas nunca tive contato direto com Antonio Carlos Gomes de Mattos, Gil Araújo ou João Lepiane. Teria gostado de conhecê-los, mas isso nunca aconteceu. Meu contato foi com o Albagli, que um dia conheci durante uma viagem ao Rio de Janeiro, na década de 1990, pouco antes do fim das atividades da “Cinemin”. Ele foi gentil, me convidou para conhecer o museu que a EBAL – Editora Brasil-América Limitada mantinha em sua sede, inclusive me apresentou as revistas “Cinemin” de todas as séries, os gibis do “Tarzan” e de tantos outros heróis, e o chapéu do Cabo Rusty de “Rin-Tin-Tin”. Fiquei triste com a morte do Albagli e com o encerramento das atividades da revista. Foi uma honra e um privilégio contribuir com a “Cinemin”. Ela me aproximou de muitos dos leitores dos meus futuros livros sobre “O Planeta dos Macacos”.





Charlton Heston em ação no Planetário da Gávea. Sessão em tela grande de "O Planeta dos Macacos", de 1968.



PAULO TELLES - Quando você começou a se interessar pelo Planeta dos Macacos? Você viu o filme estrelado por Charlton Heston no cinema quando estreou no Brasil?

Saulo Adami - Assisti pela primeira vez “O Planeta dos Macacos” (1968), de Franklin J. Schaffner, na televisão, em 1975. Em preto e branco, dublado em português. Apenas agora, durante este evento no Rio de Janeiro, 40 anos depois que iniciei minhas pesquisas, terei a oportunidade de assistir ao filme do cinema do Planetário da Gávea!


Cartaz original ao período de seu lançamento em 1968 no Brasil
PAULO TELLES - Qual foi sua impressão no primeiro filme? Você ficou impactado?

Saulo Adami - Eu tinha 10 anos de idade, e naquela noite quase não dormi: eu queria descobrir como tudo havia sido feito. Maquiagem, figurino, efeitos especiais, aquela cidade cenográfica, o roteiro, o livro que havia inspirado aquela história extraordinária. Mais do que impactado pela história e pelo filme, eu fiquei encantado por encontrar, todos juntos em um só filme, os meus favoritos: os atores Roddy McDowall e Charlton Heston, a atriz Kim Hunter, o músico Jerry Goldsmith e o diretor Franklin J. Schaffner, cujos filmes e seriados de TV eu já conhecia.


O Livro de Pierre Boule
PAULO TELLES - Chegou a ler o livro de Pierre Boule?

Saulo Adami - Li o livro de Pierre Boulle apenas na década de 1980, a princípio em uma versão em francês, presenteada por meu amigo Haroldo Esteves, do Rio de Janeiro, depois em espanhol... e finalmente em língua portuguesa, uma edição publicada em Portugal nos anos 1960.

PAULO TELLES - O impacto que você sentiu foi o mesmo que se sucedeu em relação ao primeiro filme?

Saulo Adami - O livro é diferente do filme, são dois “veículos” distintos, não faço comparação entre estas obras. Gosto dos dois, cada um ao seu modo! Mas, pessoalmente, prefiro o filme.


Edward G. Robinson - O Dr. Zaius que ninguém viu nas telas.

PAULO TELLES - Sabemos, por exemplo, que Edward G. Robinson foi a primeira escolha (e talvez a mais acertada, já que era um ótimo ator) para o papel de Dr. Zaius, contudo ele não se adaptou as maquiagens e foi substituído por Maurice Evans.

Saulo Adami - Sim, Edward G. Robinson era um excelente ator, e teria dado um Dr. Zaius sensacional. Mas não teria sobrevivido ao papel, do qual ele abriu mão por indicação do seu cardiologista. Quem tiver a oportunidade de assistir ao curta-metragem que fizeram com Edward G. Robinson no papel de Zaius e Charlton Heston no papel de Thomas (primeiro nome criado para o personagem do astronauta) verá que ele tem dificuldades para falar debaixo da maquiagem primitiva criada por Bem Nye para o teste de cena, em 1966. Ele certamente teria morrido dentro da maquiagem. Independentemente disso, Robinson pediu US$ 150 mil para viver Zaius, enquanto Maurice Evans – que ficou com o papel e também era um ator extraordinário, oriundo do teatro – assinou contrato por US$ 25 mil. Ou seja, com o dinheiro economizado com Robinson, foi possível pagar os salários dos atores Maurice Evans (US$ 25 mil), Roddy McDowall (US$ 40 mil), da atriz Kim Hunter (US$ 25 mil) e do diretor Franklin J. Schaffner (US$ 75 mil).


Charlton Heston

PAULO TELLES - Charlton Heston já havia sido a primeira e definitiva escolha para o papel do Astronauta Taylor, ou os produtores já haviam pensado em algum outro ator  para a caracterização deste personagem?

Saulo Adami - O produtor Arthur P. Jacobs tinha a mania de fazer lista de possíveis escolhidos para os papeis que seus filmes teriam. Quando ele pensou no personagem Taylor, a sua lista tinha vários nomes: Marlon Brando, Paul Newman, Burt Lancaster, Steve McQueen, George Peppard, Rod Taylor, Jack Lemmon, James Garner, Stuart Whitman e Cliff Robertson. Mas sua escolha recaiu sobre Charlton Heston porque Heston era um nome de grande destaque na Hollywood dos anos 1960, um ator conhecido pela participação em filmes épicos, como “Os Dez Mandamentos”, “Ben-Hur”, “El Cid”, “O Senhor da Guerra”, e neste último ele havia trabalhado com o diretor Schaffner. Heston gostou do personagem e assumiu compromisso com Jacobs para interpretá-lo, desde que o diretor fosse Schaffner. Fiel aos acordos que assumia, Jacobs manteve este, também.



PAULO TELLES - Falando agora um pouco de você e sua vida pessoal. Você é casado? Tem filhos? Onde nasceu? Fique a vontade!

Saulo Adami- Meu nome completo é Luiz Saulo Adami, foi assim que eu assinei o meu primeiro livro sobre este tema, “O único humano bom é aquele que está morto!” (1996). Nasci em 21 de fevereiro de 1965, em Brusque, Santa Catarina. Sou filho de um casal de comerciantes – Luís Avaní Adami e Teresa Conte Adami – estabelecidos na comunidade rural do Arraial dos Cunhas, em Itajaí, Santa Catarina, e tenho uma irmã chamada Karina Adami, que é formada em Direito. Em 2011, depois do divórcio – primeiro casamento durou 25 anos –, eu me casei com a psicóloga paranaense Jeanine Wandratsch Adami, e desde então moramos em Curitiba. Não tive filhos, por opção minha.


Exemplares de "Homem não Entende Nada - Arquivos Secretos de Planeta dos Macacos" em exposição no Planetário da Gávea. Uma obra primorosa, com quase 40 anos dedicadas à pesquisas sobre o tema.

PAULO TELLES - Quando começou sua carreira de escritor e qual foi seu primeiro livro, Adami?

Saulo Adami - Aos 10 anos de idade, eu escrevia crônicas e contos, e montei meu primeiro texto para teatro, uma comédia encenada com ajuda de colegas da Escola Municipal Luiz Silvério Vieira, do Arraial dos Cunhas, em 1975: “Show do Riso”. O primeiro livro, “Cicatrizes” foi publicado em 1982, reunindo conto, crônica e poesia.


Junto a seus fiéis colaboradores, o escritor Saulo Adami, autor de "Homem não Entende Nada - Arquivos Secretos de O Planeta dos Macacos", em evento realizado a 15 de agosto de 2015 no Planetário da Gávea, Rio de janeiro. Venda do livro, Sessão de Autógrafos, Sessão de Cinema, e Palestras.

PAULO TELLES - Já esteve envolvido no Rádio ou na TV?

Saulo Adami - No rádio. Participei como convidado da sessão “Bastidores da Sétima Arte”, no programa “A Tarde é Nossa”, de Luiz Augusto Wippel Filho, na Sociedade Rádio Araguaia de Brusque, em 1984. Este trabalho me levou a ser convidado para fazer dois programas: “O Artista da Terra Pede Passagem” e “Geração Jovem Guarda”. Ficaram no ar por seis meses, eu era roteirista, co-apresentador e co-produtor com Tina Rosa, com quem fui casado de 1985 a 2011.


Sessão de Autógrafos 

PAULO TELLES - Quantos livros de sua autoria já foram publicados?

Saulo Adami - Desde 1982, já foram publicados 78 livros de minha autoria. São obras nas áreas de literatura, como poesia, conto, crônica, novela e romance. Também tenho obras nas áreas de ensaio, história e biografia. Agora, aguardo oportunidade para lançar livros com minhas peças teatrais e roteiros para documentários de cinema. Desde 2004, tenho publicado em média quatro a seis livros por ano.



PAULO TELLES - Sabemos que do final da década de 1960 até o início de 1970, se prolongando um pouco, a primeira franquia se tornou um enorme sucesso no cinema, originando depois uma série Live Action de 14 episódios e desenhos animados, e claro, histórias em quadrinhos. Em sua opinião Adami, como você vê o sucesso de Planet of the apes e a que se deve tamanho êxito?

Saulo Adami - O que existe move as pessoas a ler um livro, assistir a um filme ou comprar uma revista em quadrinhos? Cada um de nós tem pelo menos duas respostas para esta pergunta. Mas, acima de tudo, independentemente dos interesses individuais ou coletivos do público, acredito que o grande trunfo destas séries – cinema, TV, quadrinhos... – foi a forma como provocou a reflexão do público, nas décadas de 1960 e 1970: quem somos nós, e o que estamos fazendo na Terra? E se, de repente, a Terra não fosse um planeta exclusivamente regido por humanos? Fora isso, o produtor Arthur P. Jacobs era um homem de publicidade: relações públicas experiente, acostumado a lidar com as maiores estrelas de Hollywood – Marilyn Monroe, James Stewart e dezenas de outras estrelas eram clientes do seu escritório –, ele sabia como transformar uma ideia em um produtor conhecido.


O Editor recebendo seu exemplar

PAULO TELLES - O PLANETA DOS MACACOS com sua abordagem pessimista, ao tratar da regressão do ser humano e o holocausto da humanidade, ela de alguma maneira serviu de reflexão ou objeto de estudos para alguns acadêmicos da área filosófica?

Saulo Adami - Sim, sempre há autores interessados. Não faz muito tempo, saiu nos Estados Unidos um livro dedicado à filosofia no Planeta dos Macacos, escrito por acadêmicos. Auxiliei alguns formandos na área de comunicação social a fazer seus TCCs sobre as mensagens dos filmes e seriados de TV. Enfim, é um tema abrangente, importante e curioso para quem lida com áreas como filosofia, antropologia, religião, evolução...

Saulo Adami em ação!

PAULO TELLES - Você viajou para os Estados Unidos e visitou Hollywood, conhecendo celebridades envolvidas em o “Planeta dos Macacos” tanto nos trabalhos cinematográficos quanto na série de TV. Fale-nos de atores e atrizes que chegou a conhecer, como Ron Harper, por exemplo? Você já entrevistou Roddy McDowall ou Charlton Heston? Fale-nos de sua emoção ao conhecer de perto algumas destas celebridades.

Saulo Adami - Em 1998, tive oportunidade de participar da convenção “Starcon”, reunindo atores e técnicos que participaram de séries e filmes de ficção científica, horror e fantasia. Havia um grande grupo de pessoas ligadas ao “Planeta dos Macacos”, como Booth Colman, Linda Harrison, Ron Harper, Jeff Corey, Buck Kartalian, William Smith, Don Pedro Colley e Lee Delano. Durante este evento, gravei entrevistas com Colman, Harper, Kartalian e Colley, que foram muito gentis. Inclusive, Colman me levou para conhecer seu apartamento e o acervo da biblioteca da Academia de Artes e Ciências Cinematográficas de Hollywood, onde pude conhecer vários roteiros de filmes da série e os Oscars recebidos pelo ator, diretor e roteirista John Huston, o Legislador do quinto filme da série e um dos legendários do cinema. Jamais tive acesso a Roddy McDowall, embora tenha encaminhado meu primeiro livro para ele pelo menos seis vezes: o livro sempre voltava, por endereço incorreto ou destinatário não encontrado. Quando finalmente o livro não retornou, soube que ele havia morrido, e até hoje desconheço se ele teve acesso à obra. Charlton Heston não respondeu através de carta, mas enviou uma fotografia autografada. Em 1999, retornei aos Estados Unidos, e conheci Natalie Trundy, viúva de Jacobs, que me levou à biblioteca da Universidade de Marymouth, Beverly Hills, onde tive acesso a todos os arquivos do produtor da saga cinematográfica (1968-1973). Conheci também o maquiador Bill Blake, que me convidou para fazer a experiência da maquiagem de Cornélius, usando apliques e figurinos que pertenceram a Roddy McDowall. E o maquiador John Chambers, que foi muito gentil em me receber no seu apartamento, permitindo-se fotografar ao meu lado e ao lado do Oscar que ele recebeu em 1969 pela criação do desenho da maquiagem dos chimpanzés, gorilas e orangotangos que povoaram a Cidade dos Macacos no primeiro filme da série.


PAULO TELLES - Quando resolveram fazer um Remake em 2001, dirigido por Tim Burton, a crítica e o público não deram uma boa recepção. Em sua opinião, o que faltou para ser bem sucedido, mesmo tendo na regência um cineasta no porte de Tim Burton?

Saulo Adami - Faltou história. O roteiro, escrito a seis mãos, ficou confuso. O ator que fez o astronauta é inexpressivo. A Ari parecia uma caricatura do Michael Jackson. O Tim Burton atirou no próprio pé, o que acontece com bons diretores. E com os maus, também.

PAULO TELLES - Nos fale do futuro da franquia “Planeta dos Macacos” no cinema, e os projetos de Hollywood para o próximo ano, se houver.

Saulo Adami - Espero que a franquia se perpetue e se aperfeiçoe filme após filme. Público para isso tem. E se o público prestigia a produção não para, a não ser que o estúdio decida parar de produzir. É preciso cuidar mais e melhor dos roteiros. E se por um lado não há mais o transtorno da maquiagem dos macacos, por outro lado há o desafio da criação e da execução dos novos e detalhes efeitos especiais visuais. Em 14 de julho de 2017, teremos a estreia de “Planeta dos Macacos: A Guerra”, terceiro episódio do reboot. Espero que tenhamos outros filmes, talvez mais duas trilogias, como alguns amigos americanos deixaram escapar a informação. Considerando que cada episódio da nova franquia precisa de três anos para ser produzido. Teremos filmes do “Planeta dos Macacos” no cinema pelos próximos 21 anos. Estou achando ótimo, pois estarei “empregado” até meus 71 anos de idade! E lançando uma edição revista e ampliada de “Homem não entende nada!” a cada filme. Espero que venham, também, novos seriados de TV e telefilmes, e um dia gostaria de ver nas telonas uma adaptação fiel do livro de Pierre Boulle. Com a tecnologia de hoje em dia, é bastante provável que ficasse convincente!

"HOMEM NÃO ENTENDE NADA! ARQUIVOS SECRETOS DE O PLANETA DOS MACACOS" - Editora Estronho (2015)- Uma obra prima destinada ao Sucesso.

PAULO TELLES - O seu mais recente livro, que tem 612 páginas, “Homem não entende Nada- Arquivos Secretos do Planeta dos Macacos” enquadra quase 40 anos de pesquisa e estudo a respeito de uma das franquias mais bem sucedidas de todos os tempos, pois sua mais recente obra promete ir além das fronteiras. Há quase 40 anos atrás você já tinha um projeto para juntar todos estes estudos e pesquisas e colocar tudo num livro, ou foi idealizando isso de uns tempos para cá?

Saulo Adami- “Homem não entende nada! Arquivos secretos do Planeta dos Macacos” começou a ser escrito em 1978, pois ele reúne todos os conteúdos dos livros anteriores: “O único humano bom é aquele que está morto!” (1996), “Diários de Hollywood: Um brasileiro no Planeta dos Macacos” 2008) e “Perdidos no Planeta dos Macacos” (2013), este em parceria com o quadrinista Angelo Junior. É a mais completa obra já publicada sobre o universo Planeta dos Macacos no mundo, sem exagero, sem pretensões: é a mais pura verdade. Conta a história do livro de Pierre Boulle aos filmes de Arthur P. Jacobs, com entrevistas exclusivas com atores e técnicos que fizeram parte destas produções, desde a criação e aplicação da maquiagem até a criação de figurinos, construção de cidades cenográficas e outras histórias jamais contadas. Este livro é resultado de 40 anos de pesquisas e da colaboração de mais de 450 pessoas espalhas pela América do Sul, América Central, América do Norte, Europa, Oceania e Ásia. Tem mais de 200 fotografias, a maioria inédita no Brasil. “Homem não entende nada! Arquivos secretos do Planeta dos Macacos” é o livro que eu sempre quis publicar, a contribuição definitiva à memória destas séries e das pessoas que fizeram sua história.


PAULO TELLES - Fale-nos de seus projetos futuros. Outros livros em andamento?

Saulo Adami - Desde 2003, minha vida é só escrever e publicar livros. Escrevo obras por encomenda, também: histórias de empresas, entidades, famílias, biografias... Sim, tenho algumas obras em andamento, neste sentido, e planos para pelo menos mais dois ou três livros a respeito de “O Planeta dos Macacos”. Hoje, há muito mais campo para isso do que em 1996, pois os filmes estão vivos no cinema. E os fãs estão interessados em saber tudo o que puderes. Graças a Deus!

PAULO TELLES - Saulo quero agradecer-te imensamente por conceder um tempinho para mim e para os leitores do blog. Que seu livro seja um estrondoso sucesso e que leitores de todo o Brasil possam conhecer seu brilhante trabalho. Parabéns e que venham outros livros pela frente.

Saulo Adami - Sou eu quem te agradece! Que assim seja! Obrigado e um abraço para todos os leitores do Blog Filmes Antigos Club.

Saulo Adami e Paulo Telles
Esta entrevista foi realizada antes do grande evento realizado no Planetário da Gávea, no Rio de Janeiro, onde o escritor Saulo Adami, além de autografar seu mais recente livro, também promoveu uma brilhante palestra a respeito de “Planeta dos Macacos” em todo o seu conteúdo. Este editor teve o imenso prazer de conhecer pessoalmente este catarinense simpático, que dedica sua vida a escrever e a dividir o que sabe com seus leitores, e muito emocionado, o editor pediu que autografasse três exemplares da revista Cinemin de sua coleção, onde foram publicadas três matérias de sua autoria – dois artigos intitulados Perdidos no Planeta dos Macacos, nos números 60 e 61 de 1990, e uma matéria dedicada ao grande ator Charlton Heston, publicada em julho de 1993 (com dedicatória para Haroldo Esteves, um carioca amigo muito querido do escritor). A emoção do editor foi ainda maior (e em dose dupla) quando ganhou de Saulo um exemplar de “Homem não Entende Nada...” e de quebra, ainda descobrir que seu nome estava listado entre os agradecimentos do autor. Haja coração!!!

Muito obrigado Saulo, parabéns pelo seu novo trabalho, pois o primor e a dedicação com que se empenhou por anos para levar a luz esta obra merece o reconhecimento geral não somente dos leitores brasileiros, mas para os leitores do mundo todo.  Vamos em frente, meu amigo.

Paulo Néry Telles – Editor do Blog Filmes Antigos Club.



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segunda-feira, 10 de agosto de 2015

“Os Cowboys” de Mark Rydell – John Wayne como a Alma do Oeste e a Reminiscência de uma Era.


Durante uma entrevista concedida em 1972 em ocasião do lançamento de seu mais recente filme, Os Cowboys (The Cowboys), John Wayne (1907-1979) declarou “A morte pode chegar a qualquer hora e em qualquer lugar. Mas se o homem, na sua vida, procurou realizar o melhor de si, ele esta preparado para recebê-la”. Tal declaração poderia figurar no testamento do grande herói que tantas provas de bravura concedeu nas telas através de seus inesquecíveis clássicos westerns, principalmente os dirigido por John Ford e Howard Hawks.

O MITO DO WESTERN - JOHN WAYNE (1907-1979)
No filme Os Cowboys, realizado em 1971, esta afirmação do Duke soa quase que uma profecia, já que na época de sua produção, o grande astro em seus 65 anos de vida e mais de 40 de carreira, estava lutando ainda contra o temível "Big C", era assim que ele chamava o câncer que acabaria por mata-lo a 11 de junho de 1979. Contudo, um paralelo existe entre Wayne e seu personagem nesta obra, o veterano vaqueiro Will Andersen. Wayne sabia que seus dias de glória já haviam passado, e tal quais seus personagens em Bravura Indômita (1969, como Rooster Cogburn, direção Henry Hathaway) e Jake Grandão (1970, como Jake McCandalls, direção George Sherman), ele trata de igual seu personagem em Os Cowboys, praticamente como uma caricatura de si mesmo, como um deprimente monumento à nostalgia.

John Wayne é Will Andersen
Finalmente, Will contrata onze meninos para serem Os Cowboys
Enquanto o cozinheiro de Will, o Sr Nigthlinger, não chega, é a Senhora Anderson que prepara a comida para toda esta galera.
A epopeia de Will Andersen (Wayne) aparentemente é a mesma de seu Thomas Dunson em Rio Vermelho, de Howard Hawks, realizado em 1947 – um herói a frente de sua boiada e ao seu lado rudes cowboys a quem ele ensina a maneira implacável de se viver segundo as leis do Velho Oeste. Só que ao contrário de Rio Vermelho, o vaqueiro Will Andersen (diferente de Thomas Dunson) não passa de um velho impertinente, tentando resgatar suas façanhas de outrora. Mas a diferença não para por aí: os cowboys de Will Andersen são crianças, crianças desajeitadas tentando imitar as proezas de seu ídolo, do “mocinho” de verdade.

Wayne, junto ao jovem diretor Mark Rydell. No carro, a lenda JOHN FORD
O Cineasta Rydell orientando Wayne nas filmagens
Algumas vezes, Will tem que apartar as brigas de alguns Cowboys
O cineasta Mark Rydell, que nutria por John Wayne grande admiração, faz ao mesmo tempo um elogio ao mito do Western e ao seu passado lendário. Os Cowboys seria dirigido por Peter Bogdanovich, que não pôde pegar a direção, assumindo o jovem Rydell, que havia saído de trabalhos em séries de TV, onde dirigiu alguns episódios de James West, Gunsmoke, e Os Destemidos. Mas caso Bogdanovich tivesse realizado esta fita, Will Andersen, nas palavras do crítico de cinema brasileiro Paulo Perdigão, provavelmente iria constituir uma segunda versão do Sam The Lion (vivido por Ben Johnson) de “A Ultima Sessão de Cinema”. Como Sam, o personagem de John Wayne também morre, mas o seu fim não significa necessariamente o crepúsculo de uma era. Isso porque onze meninos que ele transformou em cowboys e a quem ele vê como filhos, faz com que no coração dele ocupe o lugar de dois filhos legítimos que morreram quando ainda eram crianças.

"Desapareçam de minhas terras" - Will dá o recado para quem não quer trabalhar.
Will e um cowboy mirim em ação
Will, como bom pai e mentor, as vezes precisa ser duro
A falta de vaqueiros disponíveis, mais interessados na corrida do ouro, faz com que o velho criador de gados Will Andersen contrate onze meninos para ajudar a transportar 1200 cabeças de gado ao longo de 400 milhas até o mercado de Beele Fourche. A saga de 400 milhas percorridas pelo gado das planícies de Montana, faz com que estas crianças amadureçam, transformando-as de então desajeitadas, muitos filhinhos de papai e mamãe, em cowboys de verdade. E entenderão porque Will Andersen reconhece a severidade de seus princípios. “Eu sou um homem rude porque a própria vida é rude”.

Apesar do peso da idade, Will demonstra que ainda sabe lutar
O Bandido Long Hair, vivido por Bruce Dern
Derrotado na briga, não resta ao verme Long Hair atirar em Will pelas costas
Quando Will morre, covardemente alvejado a tiros nas costas pelo bandido Long Hair (Bruce Dern) após uma briga, os Cowboys mirins além de irem atrás do assassino de seu mentor, vão executar tudo o que aprenderam, levando todo o gado até o seu destino, o mercado Beele Fourche. Cumprida a missão, só resta o filme de Rydell prestar uma homenagem à legenda do faroeste americano, o ícone do Wild West representada por John Wayne, onde os meninos colocam uma lápide na sepultura de Will Andersen. Não podemos esquecer do elenco, que além de contar com as presenças de Wayne e Bruce Dern (o único ator que “conseguiu matar John Wayne”), também contam com as presenças de Roscoe Lee Browne (1925-2007), Colleen Dewhurst (1924-1991), e Slim Pikens (1919-1983).

Os Cowboys mirins não estão para brincadeiras e nem poupam o cozinheiro de Will, o Sr. Nigthlinger.
O Cozinheiro de Will, o Sr. Nitghlinger, vivido pelo falecido Roscoe Lee Browne.
Mentor, professor, e ídolo. Onde o personagem e o ator se confundem.
OS COWBOYS é um modelo perfeito de fidelidade às fontes clássicas do Western, além de Rydell fazer deste trabalho um conto de fadas a respeito da inocência das crianças”. Em 128 minutos de projeção, em narração bem ritmada, a película nem sempre consegue justificar a exagerada padronização dos tipos, ou deixar claro que a aventura é mais uma alegoria poética do que uma sequencia de episódios realistas e inverossímeis. Mas isso absolutamente não impede que, ao fim da fita, a obra ganhe uma estatura de elegia – o túmulo de Will Andersen, coberto pela vegetação, se confunde com a paisagem, e os meninos decidem cravar a lápide no alto de uma montanha, porque entendem que John Wayne (ou Will Andersen, ambos o ator e sua caracterização se confundem!) é a alma do Oeste americano que estará em toda parte, e a reminiscência de uma era de sonhos, onde a figura do cowboy era estilizada por lirismos e lendas, que só Hollywood em seus tempos dourados soube confeccionar.



FICHA TÉCNICA
OS COWBOYS
Título Original – The Cowboys
Ano de Produção – 1971
Direção – Mark Rydell
Gênero – Western
Roteiro - William Dale Jennings e Irving
Produção – Mark Rydell e Tim Zinnemann
Ravetch, baseado em romance de William Dale Jennings
Trilha Sonora – John Williams

ELENCO
John Wayne - Will Andersen
 Roscoe Lee Browne - Jebediah Nightlinger
 Bruce Dern- Long Hair
  Colleen Dewhurst – Kate
  Slim Pickens – Anse
A.Martinez – Cimarron, o Cowboy
Clay O'Brien - Hardy Fimps, Cowboy
 Sam O'Brien  - Sam, Cowboy
  Homer Weems - Cowboy

Producao & pesquisa

Paulo telles

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