Richard
Widmark (1914-2008) nunca ganhou um prêmio da Academia, mas foi um dos atores
mais populares das décadas douradas do cinema americano. Homem discreto e
intelectual, foi estudante de direito e professor, e chegou a lecionar antes de
iniciar no cinema em 1947 quando já contava com 34 anos, idade considerada fora
do padrão para quem começa em Hollywood.
Sua competência era tanta que chamou
logo a atenção das plateias em seu primeiro filme: O Beijo da Morte (Kiss of Death), dirigido por Henry Hathaway em
1947, onde interpretou Tommy Udo, um
psicopata que entre outros feitos do mal, joga uma idosa de cadeira de rodas
escada abaixo a risadas, fato este que chamou a atenção do público devido a
presença magnética do ator. No Brasil, quando o filme foi lançado, Widmark
recebeu aqui o apelido de “risadinha”.
Widmark
era um ator eclético que sabia desempenhar tanto vilões como heróis, e se dava
muito bem nos trabalhos de nível mais cultural.
O espaço homenageia em celebração de seu centenário ocorrido no fim do
ano passado uma das figuras mais importantes do cinema antigo e dos anos
dourados de Hollywood:
RICHARD
WIDMARK
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| Ilustração de foto de Widmark aos três anos de idade |
Richard
Weedt Widmark nasceu a 26 de dezembro de 1914, em Sunrise, Minnesota, com
ascendência sueca por parte de pai e escocesa por parte de mãe, crescendo em
Princeton, Illinois, para onde sua família se mudou mais tarde. A intenção de
Richard era se tornar advogado, e chegou a cursar um período, mas ao cursar faculdade Lake Forest
ele se decidiu pela carreira de ator, rumando após a graduação para Nova York
em 1936. Richard começou a frequentar as salas de cinema aos quatro anos de
idade na companhia de sua avó.
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| Richard aos 11 anos |
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| Com sua esposa Jean Hazlewood |
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| A esposa Jean e a filhinha, Anne. |
Em Nova York,
fez vários cursos de interpretação e passou a trabalhar como rádio ator. Seu
primeiro sucesso veio em 1938 com o programa "Aunt Jenny´s Real Life
Stories". Quando ainda atuava no rádio, em 1942, Richard Widmark se
casou com a escritora Jean Hazlewood, que seria sua consorte por 55 anos, até a
morte dela em 1997, e desta união, nasceu à única filha do casal, Anne. Adquirindo experiência como ator de teatro
tendo atuado em cinco peças na Broadway, nenhuma delas de grande sucesso, este
fato certamente o ajudaria para sua incursão a Hollywood. Antes havia atuado
por seis anos no rádio, emprego garantido por sua voz bonita e segura, ainda
que Richard fosse surdo de um ouvido devido a ter sofrido uma perfuração do
tímpano. Esse fato o impediu de se incorporar às forças armadas e lutar na II
Guerra Mundial. Widmark perdeu um irmão no confronto.
O BEIJO DA MORTE
(1947)- A ESTREIA NOTÁVEL
Chegando a
Hollywood, Widmark soube que produtores estavam procurando um ator para fazer
um gangster num filme para a 20ª
Century Fox, o noir O Beijo da Morte
(Kiss of Death), de 1947. Chegando aos estúdios de Darryl F. Zanuck,
(1902-1979), foi lhe marcado um teste, e aprovado com louvor pelo chefão da 20ª
Century Fox. Contudo, o diretor da fita, Henry Hathaway (1898-1985) não gostou
muito, mas teve que obedecer as ordens de Zanuck, que queria o novato ator para
o papel do alucinado psicopata Tommy Udo.
Como este papel fosse pouco mais que
uma ponta, o contrariado Hathaway aceitou Widmark cuja principal participação
era empurrar uma velha senhora paralítica (Mildred Dunnock, 1901-1991) em uma
cadeira de rodas escada abaixo, a risadas. Darryl F. Zanuck fez o departamento
de publicidade do estúdio imprimir milhares de cartazes com a palavra Wanted com a foto de Widmark, colocando
cartazes em todos cinemas que exibiam o filme, e certamente, fez parecer Tommy
Udo o mais temível gangster do
cinema, sobrepujando até mesmo os criminosos interpretados por James Cagney uma
década antes. Quando o filme foi lançado no Brasil, as plateias daqui
apelidaram o ator-revelação de “risadinha”.
Victor
Mature (1913-1999), o oficial astro do filme, viu o estreante lhe roubar o
filme e ainda ser indicado ao Oscar de Melhor Ator Coadjuvante do ano. Raríssimas
vezes Hollywood havia presenciado uma carreira ser lançada de forma tão notável
como foi a de Richard Widmark.
ATOR CONTRATADO DA FOX
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| Com Donald Buka em A RUA SEM NOME (1948) |
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| Com Cornel Wilde e Ida Lupino: A TAVERNA DO CAMINHO (1948) |
A habilidade
de Widmark em transmitir todas as
nuances de perversidade, malícia ou grosseria o levaram a diversos papéis de
anti-herói ou vilões, como A Rua Sem Nome (The Street with no Name), ou A Taverna do Caminho (Road House), ambos
de 1948 e produzidos pela Fox, que reaproveitou ao máximo o talento de seu
recém contratado. A mesma empresa cinematográfica ainda produziu Céu
Amarelo (Yellow Sky) em 1949, o primeiro Western de Widmark, que atuou ao lado de Gregory Peck e Anne
Baxter. Geralmente, os astros principais
do estúdio de Zanuck eram Peck, Cornel Wilde, e Tyrone Power.
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| Richard Widmark em CAPITÃES DO MAR (1949) |
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| Com Lionel Barrymore e Dean Stockwell: CAPITÃES DO MAR (1949) |
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| Com Robert Wagner e Dana Andrews: OS HOMENS RÃS (1951) |
Foi partir
de “Capitães
do Mar” (Down the Sea in Ships, de Henry Hathaway, com Lionel Barrymore),
de 1949, seu quinto filme, que Widmark passou para a condição de astro principal
encabeçando os elencos de Furacão da Vida (Slattery’s Hurricane, 1949, de Andre
De Toth, com Linda Darnell), Sombras do Mal (Night and the City, 1950,
de Jules dassin, com Gene Tierney),
Pânico nas Ruas” (Panic in the Streets, 1950, de Elia Kazan,
com Jack Palance e Paul Douglas), O Ódio é Cego (No Way Out, 1950,
de Joseph L. Mankiewicz, com Sidney Poitier), Até o Último Homem (Halls of
Montezuma, 1951, de Lewis Milestone, com Jack Palance), Homens
Rãs” (The Frogmen, 1951, de Lloyd Bacon, com Dana Andrews),
Montanhas Ardentes (Red Skies of Montana, 1951, de Joseph Newman, com
Jeffrey Hunter), Almas Desesperadas” (Don’t Bother to Knock, de Roy Ward
Baker, com Marilyn Monroe e Anne Bancroft).
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| Com Gene Tierney: SOMBRAS DO MAL (1950) |
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| Widmark como Henry Fabian: SOMBRAS DO MAL (1950) |
Foi nesta
época, inspirando mais simpatia, que Widmark atuou num filme de um importante
cineasta, Jules Dassin (1911-2008), em Sombras
do Mal, onde oferece uma de suas melhores atuações, na pele de Henry
Fabian, um advogado decadente e infeliz, opróbrio que se dedica a trambiques em
Londres, a contragosto da namorada Mary (Gene Tierney, 1921-1991). Com obsessão
de ficar rico, vem a conhecer um velho lutador de Catch, o famoso Gregorius (Stanislaus
Zbyszko, 1879-1967, verdadeiro lutador profissional), e arma um esquema para engana-lo, contudo ele é perseguido
pelo filho do lutador, o gangster e promotor de lutas Kristo (Herbert Lom,
1917-2012) que descobre o plano de Fabian.
Quando Gregorius morre após derrotar
num combate de luta romana o
estrangulador (Mike Marzuki, 1907-1990, que na vida real tinha sido lutador
profissional de wrestling), Kristo empreende uma perseguição ao vigarista, que se vê sem
saída, sendo morto pouco tempo depois pelo estrangulador.
Sombras do Mal foi o primeiro filme
de Jules Dassin fora dos Estados Unidos, devido à pressão de Joseph McCarthy
quanto a supostos comunistas em Hollywood que este deveria delatar. Dassin
decide ir para a Europa de onde não mais retornou.
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| Com Paul Douglas, em PÂNICO NAS RUAS (1950) |
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| Richard Widmark PÂNICO NAS RUAS (1950) |
Widmark
ainda procurou os portadores da peste bubônica em Pânico nas Ruas, de Elia Kazan (1909-2003). Considerado um dos melhores filmes
da fase inicial do cineasta (que começou em 1941), foi rodado em locações de
Nova Orleans, Estados Unidos, e a fita se filia a série de thrillers que a 20ª Century Fox produziu no pós-guerra, em estilo
semidocumentário, influenciado pelo neorrealismo italiano. Tudo começa quando o corpo de um homem
assassinado é encontrado num rio. O Dr. Clinton Reed (Widmark) descobre que a
vítima sofria de peste bubônica altamente contagiosa. Para não provocar pânico,
Reed esconde o fato, mas ajuda o Capítão Warren (Paul Douglas, 1907-1959) a
realizar o cerco policial no bas-fond da
cidade. Quando surge uma pista, um homem é hospitalizado vítima do mesmo mal, e
que deve estar ligada a quadrilha que assassinou o homem.
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| Paul Douglas e Richard Widmark: PÂNICO NAS RUAS |
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| Jack Palance: PÂNICO NAS RUAS |
No entanto, dois gangsters, um deles o assassino (Jack
Palance, 1919-2006), tentam remover o doente do hospital para mata-lo e são
caçados por Reed e por Warren numa espetacular perseguição. Um filme que até os
dias de hoje continua resistindo ao desgaste do tempo, com seus 93 minutos de
impecável rigor cinematográfico, conquistando um Oscar de melhor argumento
original de 1950, constituindo um
thriller tão moderno hoje como era há 65 anos.
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| Widmark e Jeffrey Hunter: MONTANHAS ARDENTES (1951) |
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| Com Richard Boone: MONTANHAS ARDENTES (1951) |
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| Em luta com Jeffrey Hunter: MONTANHAS ARDENTES (1951) |
Montanhas Ardentes (The Red Skies of
Montana), um drama
de aventuras estrelado por Widmark no papel de Cliff Mason, um experiente e
competente bombeiro do Serviço Florestal, acusado de covardia por um aspirante
a bombeiro florestal, Ed Miller (Jeffrey Hunter, 1925-1969), depois que Mason,
sem querer, levou seus homens à morte em tentativa de debelar um incêndio nas
florestas de Montana, e entre os mortos, estava o pai de Ed. Os superiores de Cliff o removem para o
serviço burocrático de treinamento de recrutas, e Ed ingressa nesta unidade
para investigar Cliff, que ao saber da presença do jovem tenta se redimir,
quando irrompe outro incêndio, onde Ed em perigo, acaba sendo salvo por
Mason. Direção de Joseph M. Newman
(1909-2006).
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| Em O ANJO DO MAL (1953) |
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| Seduzindo Jean Peters: O ANJO DO MAL (1953) |
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| Com Thelma Ritter: O ANJO DO MAL (1953) |
Richard
trabalhou duas vezes para Samuel Fuller (1912-1997) – em Anjo do Mal/ Pickup
on South Street, (1953) e Tormenta
Sob os Mares/ Hell and High Water (1954).
Em Anjo do Mal, Widmark interpreta Skip
McCoy, um batedor de carteiras que furta a bolsa de uma passageira no metrô.
Dentre os objetos roubados está um microfilme a ser contrabandeado para o
exterior por espiões comunistas, o que era desconhecido da mulher, Candy (Jean
Peters, 1926-2000). Os espiões americanos que a seguiam para identificarem os
agentes inimigos percebem a ação criminosa, mas não conseguem deter a fuga de
Skip. O ladrão depois é localizado com a ajuda da esperta informante da polícia
chamada Moe (Thelma Ritter, 1902-1969). Mesmo pressionado pela polícia e pelos
agentes, Skip não se importa com "política" é só pensa em enganar
todos e chantagear os comunistas para conseguir um bom dinheiro pelo
microfilme.
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| Com Bella Darvi: TORMENTA SOBRE OS MARES (1954) |
Em Tormenta Sobre os Mares, Widmark é Adam
Jones, comandante de um submarino a quem lhe é confiada uma importante missão
pedida pelo professor Montei (Victor Francen, 1888-1977) de comandar um
submarino através de águas do norte do pacífico até uma base comunista secreta,
evitando que decole de lá um avião munido de bomba atômica para expandir na
Coréia ou na Manchuria, provocando nova guerra mundial. Adam conduz no
submarino diversos cientistas internacionais, incluindo o próprio Montei e sua
filha e assistente, a bela Denise (Bella Darvi, 1928-1972). Trilha de Alfred
Newman (1901-1970).
ALMAS DESESPERADAS -
FILME COM MARILYN
Em 1952, a
carreira de Marilyn Monroe (1926-1962) estava a ponto de decolar. Mera pretendente ao estrelato, era ela o segundo nome do elenco de Almas Desesperadas (Don't Bother to Knock), e o primeiro,
Richard Widmark, que há esta altura já fazia suas pontas de galã, muito embora
jamais atingisse tal status em Hollywood.
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| Com Marilyn Monroe: ALMAS DESESPERADAS (1952) |
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| Com Anne Bancroft: ALMAS DESESPERADAS (1952) |
O destaque deste filme é assistirmos
Marilyn num papel diferente, onde interpreta Nell Forbes, uma bela mas
psicótica mulher que recentemente saiu de um sanatório. Após conseguir emprego
como babá, ela passa a cuidar de Bunny, a filha de um casal de hóspedes.
Paralelamente outro hóspede, Jed Towers (interpretado por Widmark), um piloto
de linha comercial, está chateado, pois Lyn Leslie (Anne Bancroft, 1931-2005),
a cantora do hotel com quem ele namorava, está insatisfeita com a relação. Este
filme foi mais um veículo comercial para Marilyn e para a 20ª Century Fox tendo
Widmark encabeçando o elenco, dirigido por Roy Ward Baker (1916-2010).
Nos próximos
dois anos, Richard Widmark ficaria insatisfeito com o estúdio de Zanuck. Homem sem “papas
na língua”, e de temperamento forte, Widmark costumava dizer que um ator devia
falar tudo que tem a dizer durante seu trabalho, no palco ou diante das câmaras
e depois calar-se, e ele falava abertamente que não estava satisfeito com os
filmes que era obrigado a fazer para o estúdio de Zanuck. Tanto era sua
sinceridade de expressão que acabou pagando um preço alto por isso, quando o
ator resolveu reclamar para o próprio Darryl F. Zanuck sua insatisfação, que
este resolveu se vingar de Widmark antes de expirar seu contrato para a
empresa, escalando-o como ator coadjuvante em seus dois últimos filmes para a
Fox, que foram os westerns Jardim do Pecado (Gardem of Evil), de Henry
Hathaway, em 1953, onde era o terceiro nos créditos, atrás de Gary Cooper e de
Susan Hayward, e A Lança Partida (Broken
Lance), de Edward Dmytryk, 1954, onde seu nome estava ofuscado pelos de Spencer
Tracy, e por dois novos talentos da empresa: Jean Peters e Robert Wagner.
Contudo, Widmark ainda ficaria associado ao gênero do faroeste americano.
MAN
OF THE WEST
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| Com Gregory Peck: CÉU AMARELO (1949), seu primeiro Western |
Nas próximas
duas décadas, Richard Widmark ficaria também associado ao gênero western, interpretando mocinhos, anti
heróis, ou vilões. Seu primeiro trabalho no gênero foi dirigido por William A.
Wellman (1896-1975), e escrito pelo talentoso Lamar Trotti (1900-1952): Céu Amarelo (Yellow Sky), de 1949, foi extraído do romance de
W. R.Burnett, e traça uma alegoria sobre o fracasso da cupidez humana narrada
em estilo barroco (fotografia admirável em preto & branco de Joe
MacDonald), e exasperante e minuciosa tensão psicológica.
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| Richard Widmark: CÉU AMARELO |
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| Anne Baxter: CÉU AMARELO |
Depois de assaltar um
banco, Stretch (Gregory Peck, 1916-2003), Dude (Widmark), e mais cinco
bandoleiros fogem pelo deserto do Vale da Morte, no Arizona, e se refugiam na
cidade abandonada de Yellow Sky, onde vive um velho minerador e sua filha Mike
(Anne Baxter, 1923-1985). A cobiça por ouro e desejo sexual por Mike provocam
conflito entre os fora-da-lei, e a trama progride com uma variação em torno do
tema de O Tesouro de Sierra Madre, que
John Huston realizou no ano anterior. Foi o primeiro faroeste de Widmark.
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| Com Gary Cooper: JARDIM DO PECADO (1954) |
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| Com Susan Hayward: JARDIM DO PECADO (1954) |
Jardim do Pecado traz novamente Widmark como
coadjuvante, em 1954, castigo imposto por Zanuck, mas em contrapartida, o
primeiro Western rodado em Cinemascope pela Fox, em produção de
Charles Bracket (1892-1969, ex parceiro de Billy Wilder), narrando uma aventura ríspida e
retilínea, de acordo com as boas tradições do Far-West. A americana Leah Fuller (Susan Hayward, 1918-1975)
contrata num vilarejo mexicano três mercenários – Hooker (Gary Cooper,
1901-1961), Fiske (Widmark) e Luke Daly (Cameron Mitchell, 1918-1994) – para
que a escoltem na travessia do território índio, pois ela quer rever o marido
John (Hugh Marlowe, 1911-1982), desaparecido numa mina de ouro situada em área
que os peles-vermelhas consideram sagrada: O Jardim do Diabo. Leah promete aos
mercenários, recompensa em ouro. Acompanhados por um guia mexicano, os quatro
conseguem resgatar John, mas enfrentam o cerco dos índios. Widmark não chega a
ser um herói e nem vilão, mas acaba dando a vida para salvar Cooper e Hayward
na trama. Trilha sonora de Bernard Herrmann (1911-1975). Dirigido por Henry
Hathaway (1895-1980).
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| Com Spencer Tracy e Robert Wagner: A LANÇA PARTIDA (1954) |
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| Com Spencer Tracy: A LANÇA PARTIDA (1954) |
A Lança Partida foi mais um western de “castigo” imposto por Zanuck para Widmark, e foi também mais
uma das produções da Fox a inaugurar o Cinemascope.
Faroeste novelesco rodada em belas paisagens de Santa Cruz Valley, Arizona,
estranhamente arrebatou o Oscar de melhor argumento de 1954, quando na verdade
o mesmo script, escrito por Philip
Yordan (1914-2003) já tinha sido usado em Sangue
do meu Sangue (House of Strangers), de Joseph L. Mankiewicz, em 1949. A
trama foi reajustada para o Velho Oeste, trazendo Spencer Tracy (1900-1967) no
papel do poderoso fazendeiro Matt Devereux, viúvo e pai de quatro filhos, três
do primeiro casamento – Ben (Widmark), Mike (Hugh O Brien), e Denny (Earl
Holliman) – e o mais novo, Joe (Robert Wagner), de sua atual união com a
comanche Señora (Katy Jurado, 1924-2002). Por causa do conflito de terras, Joe
cumpre pena injusta e ao deixar a prisão, recorda os conflitos familiares e seu
romance com Bárbara (Jean Peters, 1926-2000), e executa vingança contra os
irmãos responsáveis pela morte de seu pai, onde culmina num conflito decisivo
entre Joe e Ben. Direção de Edward Dmytyk (1908-1999).
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| Com Donna Reed: PUNIDO PELO PRÓPRIO SANGUE (1956) |
Punido pelo Próprio Sangue (Backlash),
1956, traz Widmark
pela primeira vez como o protagonista de um western, ou mocinho ou anti-herói,
fica a critério de cada um. Dirigido por um especialista, John Sturges (1910-1992).
Numa emboscada de apaches morrem cinco pessoas, e uma delas é o pai do herói,
Jim Slater (Widmark) que parte no encalço de um branco renegado que foi o
responsável pela chacina. Jim parte para a vingança e tenta recuperar 60 mil
dólares em ouro roubado. Donna Reed (1923-1985) é Karyl Orton, interesse
romântico de Slater, e John McIntire (1907-1991) é o vilão da fita.
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| Richard como Comanche Todd, no seu melhor trabalho no gênero Western: A ÚLTIMA CARROÇA (1956) |
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| Com Tommy Retig e Felicia Farr: A ÚLTIMA CARROÇA (1956) |
A Última Carroça (The Last Wagon), também de 1956, talvez traga o mais
heroico personagem feito por Widmark, Comanche Todd, um branco criado pelos
índios e que termina se convertendo em herói para salvar alguns dos pioneiros
dos peles vermelhas em pé de guerra e assumindo o comando da caravana. Um
faroeste de categoria que só mesmo o primor de Delmer Daves (1904-1977) pode
conceber. Ação vibrante em belas paisagens e com uma moral: a história de um
homem que descobre como, para viver condignamente, deve aprender a sofrer com
as adversidades. Talvez, a maior
interpretação de Richard Widmark dentro ou fora do gênero. Felicia Farr é Jenny, a mocinha que acaba conquistando o coração de Comanche Todd.
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| Com Robert Taylor e Robert Middleton (atrás): DUELO NA CIDADE FANTASMA (1958) |
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| Com Patricia Owens e Bob Taylor: DUELO NA CIDADE FANTASMA (1958) |
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| Pressionando Patricia Owens, com Henry Silva: DUELO NA CIDADE FANTASMA (1958) |
Duelo na Cidade Fantasma (The Law and
Jake Wade) dirigido
por John Sturges, que dirigiu Widmark em Punido
pelo próprio Sangue, onde o ator personifica o vilão Clint Hollister, que
chantageia o agente da lei Jake Wade (Robert Taylor, 1911-1969), um ex fora da
lei que agora leva uma vida pacata com a noiva Peggy (Patricia Owens,
1925-2000). Para saldar uma dívida com Hollister, Wade ajuda-o a fugir de uma
cadeia, sem prever que Clint, com seus capangas deseja apurar onde ele escondeu
o produto de um roubo. Sequestrados pelo bando, Wade e Peggy são forçados
a penosa marcha a cavalo por território
dominado por selvagens comanches até a descoberta de uma cidade fantasma, onde
Jake e Clint se defrontarão num conflito decisivo.
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| Acudindo Frank Gorshin: MINHA VONTADE É A LEI (1959) |
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| Enfrentando Henry Fonda: MINHA VONTADE É A LEI (1959) |
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| Com Dorothy Malone: MINHA VONTADE É A LEI (1959) |
Minha Vontade é a Lei (Warlock), dirigido em 1959 por Edward Dmytyk traz
Widmark como um fora da lei regenerado, Johnny Gannon, que se cansa da vida de
bandido e de andar com um bando liderados por Abe McQuown (Tom Drake,
1918-1982). O bando promove arruaças em San Pablo e cometem crimes no vilarejo
de Warlock em 1881, levando os moradores a contratar um “domador de cidades”, o
invicto pistoleiro Clay Blaisdell (Henry Fonda, 1905-1982), que infunde
respeito aos desordeiros, sempre trajado de negro e com suas pistolas de coldre
dourado, além de acompanhado pelo seu capanga, o aleijado Morgan (Anthony
Quinn, 1915-2001). Entretanto, Blaisdell é lúcido e sabe que os que o apoiam
agora, mais tarde criticarão seus métodos quando a cidade estiver pacificada, e
detendo o Poder, a população desejará sua partida. Não demora e isto vem a
acontecer, quando o povoado nomeia Johnny Gannon para
xerife, que conhecera Blaisdell em seu tempo de fora da lei. No elenco, as belas Dorothy Malone, interesse romântico de Gannon, e
Dolores Michaels (1933-2001), interesse romântico de Blaisdell.
OUTROS TRABALHOS NA
DÉCADA DE 1950
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| Enfrentando Karl Malden: DAI-ME TUA MÃO (1953) |
Terminando
seu contrato com a 20ª Century Fox, Richard Widmark se tornou free lancer, trabalhando para outros
estúdios. Em 1953, foi para o estúdio da Marca
do Leão, a Metro, para estrelar Dai-me Tua Mão (Take the High Ground), dirigido
por Richard Brooks (1912-1992), onde Widmark interpreta um sargento de linha
dura, Thorne Ryan, que treina grupo de soldados rebeldes que deverão participar da
Guerra da Coréia, e que não tem tempo de ser "gentil" com seus subordinados. Os métodos de Ryan chocam não somente os soldados, mas até
mesmo ao seu amigo e companheiro de farda, o sargento Laverne Holt (Karl Malden,
1912-2009), que de vez em quando se escandaliza com a metodologia do colega, mesmo entendendo que Ryan não terá tempo o suficiente para treina-los, visto a proximidade do combate.
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| Com Malden e Elaine Stewart: DAI-ME TUA MÃO (1953) |
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| Com Elaine Stewart: DAI-ME TUA MÃO (1953) |
A
amizade de Ryan e Holt fica abalada quando surge Julie Mollison (Elaine
Stewart, 1930-2011), uma mulher solitária cujo marido esta lutando na Guerra,
mas que se envolve com Ryan, homem antissocial que só tem um pensamento na
vida: o exército, enquanto Laverne é apaixonado por ela, contudo não é correspondido. A fita de Brooks retrata a vida num quartel americano, onde são
mostradas sem disfarces as experiências grotescas e dramáticas a que são
submetidos os civis recrutados para a Infantaria dos Estados Unidos.
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| com May Zetterling: OURO MALDITO (1954) |
Em 1955,
atuou no britânico Ouro Maldito (A Prize of Gold), para a Colúmbia, dirigido por
Mark Robson (1913-1978), uma aventura interessante onde Widmark vive o sargento
americano Joe Lawrence, que encontra um
carregamento de ouro dos nazistas em Berlim logo após o fim da II Guerra
Mundial, com intuito de salvar o orfanato de uma mulher (Mai Zetterling,
1925-1984) por quem se apaixonou, mas terá que enfrentar o vigarista inglês Brian
Hammell (Nigel Patrick, 1912-1981), que Lawrence o contratou para ajudar a
carregar o ouro, mas o inglês tem outros planos.
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| Com Lauren Bacall: PAIXÕES SEM FREIOS (1956) |
Paixões sem Freios (The
Cobweb), 1956,
dirigido por Vincente Minnelli (1903-1986) para a MGM, um drama onde Widmark
faz um médico psiquiatra, Dr. Stewart “Mac” McIver, e seus dramas pessoais com
a esposa Karen (Gloria Grahame, 1924-1981), bem como os dramas dos pacientes no
hospital que ele trabalha, sob direção do Dr. Douglas Devanal (Charles Boyer,
1899-1978), e seu caso extraconjugal com Meg Rinehart (Lauren Bacall,
1924-2014).
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| Com Jane Greer: DOIS DESTINOS SE ENCONTRAM (1956) |
Dois Destinos se
Encontram (Run for the Sun), de 1956, dirigido por Roy Boulting (1913-2001), uma aventura
que se passa na ilha de pescadores no
México, onde uma jornalista (Jane Greer, 1924-2001) e um escritor a la Hemingway (Widmark) são perseguidos por nazistas.
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| Como o efeminado Delfim Carlos VII, em SANTA JOANA (1957) |
A carreira
de Richard Widmark ia bem, até que em 1957, participou de um dos maiores fracassos da
década de 1950, que foi Santa Joana (Saint Joan), direção de Otto Preminger
(1905-1986) com Jean Seberg (1938-1979) como Joana D’Arc. Widmark interpretou
(de forma efeminada) o papel que foi de Jose Ferrer na versão estrelada por Ingrid
Bergman, o Delfim Carlos VII. Com uma linguagem bem teatral para o cinema, o
filme não foi sucesso. Desse mesmo ano é o drama Para que os Outros Possam Viver
(Time Limit), incursão na direção do amigo Karl Malden, onde Widmark
interpreta um militar que investiga um caso de traição.
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| Com Tina Louise, Lee J. Cobb, e Earl Holliman: ARMADILHA SANGRENTA (1959) |
Armadilha Sangrenta
(The Trap), de
1959 e dirigido por Norman Panama (1914-2003) traz Widmark no papel de Ralph
Anderson, um advogado a contragosto de um sindicato do crime, que vai ao
vilarejo de Tula, no deserto da Califórnia, a fim de persuadir seu pai, o
xerife local Lloyd Anderson (Carl Benton Reid, 1893-1973) a dar fuga ao chefe
da gang, Victor Massonetti (Lee J.
Cobb, 1911-1976), que pretende passar de avião a fronteira com México. Ralph ainda encontra o irmão Tippy (Earl
Holliman) e sua cunhada Linda (Tina Louise). O casal vive em crise e Linda se
apaixona por Ralph, e isso cria problemas para os planos da fuga, pois Tippy,
movido por ciúmes e pela recompensa de 15 mil dólares, almeja capturar
Massonetti. O próprio Ralph, pela violência dos gangsters imposta contra seu irmão, é induzido a reagir e tentar
entregar o chefe às autoridades da cidade vizinha.
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| Com Doris Day: O TÚNEL DO AMOR (1959) |
O Túnel do Amor (The
Tunel of Love, de
1959 tem Gene Kelly (1912-1996) na direção. Widmark faz sua única incursão na
comédia ao lado de Doris Day. Eles fazem um casas, Augie (Widmark) e Isolde
Poole (Day), que são incapazes de ter um bebê após anos de tentativas. Eles
então contratam uma agência de adoção, dirigida por Estelle Novick (Gia Scala,
1934-1972). Através de um mal entendido, ela tem uma impressão muito ruim de Augie , sendo
desfavorável a adoção de uma criança para o casal. Tempos depois, Estelle
engravida e Augie acredita que o bebê que ela carrega é seu. No entanto, a
agência de adoção procura o casal para desfazer tal confusão, mas Augie esta
convencido que Estelle esta grávida dele, e Isolde passa a acreditar, que
ameaça deixa-lo. Contudo, todas as confusões são esclarecidas e o filme passa
para um final feliz.
O ÁLAMO (1960) – E OS
DESENTENDIMENTOS COM JOHN WAYNE
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| Com John Wayne: O ÁLAMO (1960) |
Fora dos
sets de filmagem, Widmark era um defensor dos direitos humanos e da preservação
de patrimônios históricos em geral, sendo um liberal democrata na política. Mas
em 1960, Widmark recebeu um convite de John Wayne para interpretar o lendário
Jim Bowie, o aventureiro lutador de facas e inventor da faca Bowie no épico O Álamo (The Alamo), que reconstituiria
o episódio da história da luta da independência do Texas, anterior a sua anexação
aos Estados Unidos. Antes, o papel havia sido oferecido pelo Duke a Charlton Heston, que se recusou a
trabalhar na ocasião com Wayne e que já havia assumido contrato com Samuel
Bronston para filmar na Espanha El-Cid.
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| Como Jim Bowie, em O ÁLAMO (1960) |
Widmark, por
profissionalismo, resolveu esquecer seu lado político, mesmo sabendo que o Duke era um radical republicano. Não
nutria de grandes amores por Wayne, mas em 1960, Widmark estava sem projetos ou
filmes a fazer, por isto aceitou o convite de trabalho, que seria uma superprodução.
O encontro com os dois astros de pensamentos políticos diferentes rendeu boas
histórias, e uma delas é que quando após a assinatura do contrato, foi
publicado um anúncio com a foto do ator que interpretaria Jim Bowie e a frase
"Welcome aboard, Dick" (bem-vindo a bordo, Dick). Ao recepcionar Widmark em Brackettville, Wayne teve que ouvi-lo dizer na
frente de todos os presentes: "Diga
ao seu pessoal de publicidade que o meu nome é Richard!”, deixando claro que
não queria nenhuma intimidade com John Wayne. Chocado, o Duke apenas respondeu: "Eu
vou dizer sim, Richard", enfatizando o nome do já declarado inimigo.
Entretanto, anos depois, Richard negou este fato, afirmando que todos os
colegas o chamavam de Dick e que
nunca se incomodou.
Insatisfeito
com a dimensão do personagem Jim Bowie, Widmark ameaçou abandonar a produção,
sendo também ameaçado de um processo por quebra de contrato por John Wayne.
Depois de provocar o Duke inúmeras vezes, certo dia o ator-produtor-diretor de O Álamo disse a Widmark: “Não só vou te enfiar um processo, como
também vou quebrar sua cara”. Verdade ou não, tal relato foi confirmado por
Pilar Wayne, última esposa do Duke, em seu livro “My Life with the Duke”. O
que é certo é que, no mesmo dia em que filmou sua última cena, Widmark partiu
de Brackettville.
O ÁLAMO teve em seu lançamento a metragem de
199 minutos (nas versões exibidas mais tarde pela TV e em seu lançamento em
home Vídeo e DVD, foram reduzidas para 160 minutos de projeção), sendo um
superespectáculo que custou 12 milhões de dólares, contando com a colaboração
de John Ford (1895-1973) na direção de seu compadre John Wayne, arrebatando um
Oscar de melhor som de 1960.
JULGAMENTO EM NUREMBERG
(1961)
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| Junto a Stanley Kramer e Spencer Tracy em Berlim: JULGAMENTO EM NUREMBERG (1961) |
Em 1961,
Richard Widmark atuou no filme Caminhos Secretos (The Secret Ways), que
ele mesmo dirigiu sem ser creditado, ao lado de Phil Karlson (1908-1985), e
tendo como roteirista a esposa do ator, a escritora Jean Hazlewood. Mas o filme
a seguir seria um dos mais importantes de sua carreira: Julgamento em Nuremberg (Judgemente at Nuremberg), rodado
em Berlim e dirigido por Stanley Kramer (1913-2001).
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| Com Maximilian Schell: JULGAMENTO EM NUREMBERG (1961) |
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| Com Judy Garland e outro ator não identificado: JULGAMENTO EM NUREMBERG (1961) |
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| Com Montgomery Clift: JULGAMENTO EM NUREMBERG (1961) |
O drama foi inspirado em
peça televisiva realizada em 1959, por Abby Mann, e acabou conquistando o Oscar
de melhor ator (Maximilian Schell, 1930-2014, magnífico no papel do advogado de
defesa Hans Rolfe, papel este que havia feito também na tele peça) e roteiro de
1961, além do Prêmio Irving Thalberg Memorial para o produtor e diretor Kramer.
Um elenco de primeira comandado por Spencer Tracy (1900-1967), magistral na
pele do juiz americano Dan Haywood, que preside o segundo julgamento dos
criminosos de guerra, que acaba se transformando num processo para apurar as
responsabilidades individuais no destino políticos das nações. Widmark como
terceiro nome do elenco, no papel do promotor do caso, coronel Ted Lawson. Burt
Lancaster (1913-1994) na parte do Dr. Ernst Janning, um dos carrascos nazistas
réu do julgamento. Um elenco All-Star onde
despontam Marlene Dietrich (1901-1992), Judy Garland (1922-1969), e Montgomery
Clift (1920-1966).
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| JOHN FORD supervisionando Widmark e elenco: CREPÚSCULO DE UMA RAÇA (1964) |
JOHN FORD
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| Com James Stewart: TERRA BRUTA (1961) |
Richard
Widmark foi requisitado para duas obras westerns
do diretor John Ford (1895-1973), seus dois últimos trabalhos no gênero: Terra
Bruta (Two Road Togheters), de 1961, traz de volta o tema explorado
pelo cineasta em Rastros de Ódio, em
1956, contudo com outra ênfase dramática, onde James Stewart (1908-1997)
como o cínico marshal Guthris McCabe,
convocado para ajudar o tenente de cavalaria Jim Gary (vivido por Widmark) a
reaver brancos sequestrados pelos comanches. O filme trata da viagem de ida e
volta e das consequências sangrentas do retorno dos sequestrados,
desenvolvendo-se em cadência suave, compassada, e lírica, num espírito de
improvisação e naturalidade do gênio poético fordiano, aqui em um de seus
momentos de maior descontração e brilhantismo.
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| Com Edward G. Robinson: CREPÚSCULO DE UMA RAÇA (1964) |
Crepúsculo de uma Raça
(Cheyenne Autumn), de 1964, foi o último western de Ford, encabeçando Widmark no elenco no
papel do humanitário capitão de cavalaria Thomas Archer, designado para a missão de conter os índios de sair de
sua reserva rumo para o estado do Wyoming, onde sempre estiveram, após quebra
de acordo do Governo Americano entrega de suprimentos à tribo indígena Cheyenne. Um elenco all
star todo reunido no último western do
diretor, que além de Widmark despontam Carroll Baker (que faria uma cena de
nudez se banhando num rio, algo que o puritano Ford considerou, mas depois
desistiu), Ricardo Montalban, Sal Mineo, Gilbert Roland, Dolores Del Rio, Edward
G. Robinson, (como o Ministro da Defesa que favorece os índios) James Stewart (como Wyatt Earp) e Arthur Kennedy (como Doc
Holliday).
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| Com Sidney Poitier: O ÓDIO É CEGO (1950) |
SIDNEY POITIER, SEU
MELHOR AMIGO
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| O ÓDIO É CEGO (1950) |
Richard
Widmark manteve até o fim de sua vida amizade
com o ator Sidney Poitier, com quem atuou em três filmes: O Ódio é Cego (No Way Out),
em 1950, em que Widmark interpreta um racista.Três anos após
sua estreia no cinema, Richard Widmark era um dos grandes astros de Hollywood.
Os dois amigos voltariam a atuar juntos na década seguinte em duas produções: Os
Legendários Vikings (The Long Ships), de 1964; e O Caso Bedford (The Bedford
Incident), em 1965.
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| Com Linda Darnell e Poitier: O ÓDIO É CEGO (1950) |
O Ódio é Cego é um drama onde Poitier estava
iniciando sua carreira, sendo o quarto nome no elenco, e a história versa sobre
dois irmãos bandidos que foram atingidos por tiros quando roubavam um posto de
gasolina e foram levados para a enfermaria do hospital municipal. Um deles, um
racista doentio, Ray (Widmark), não aceita o tratamento dado pelo médico negro
Dr. Luther Brooks (Poitier). Quando seu irmão John morre, enquanto Dr. Luther
tentava salvá-lo, Ray fica convencido de que foi o médico quem o matou e
torna-se obcecado pela vingança. Dirigido por Joseph L. Mankiewicz (1909-1993).
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| Sidney e Richard em OS LEGENDÁRIOS VIKINGS (1964) |
Os Legendários Vikings é um épico mitológico rodado na
Iuguslávia, onde Widmark interpreta o aventureiro viking Rolfe, filho mais
velho do Rei Krok (Oscar Homolka, 1896-1978), que decide promover uma expedição
para localizar o lendário Sino de Ouro de St. James, cobiçado também pelo seu
inimigo, o príncipe mouro El Manush, vivido por Poitier, que aqui desempenha
como o vilão da saga. Dirigido por Jack Cardiff (1914-2009)
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| O CASO BEDFORD (1965) |
O Caso Bedford se trata da história de uma
embarcação da marinha americana, cuja uma missão de patrulhamento de rotina,
acaba num tenso confronto com um submarino russo. Widmark interpreta Erick
Finlander, o comandante maníaco que conduz a sua tensa tripulação até ao limite
da exaustão psicológica. Potier é Ben Muncedord, um fotografo da impressa que
segue a bordo do Bedford, encarregado de fazer a cobertura de uma missão
'supostamente', com rotina. Mas a obsessão do comandante em trazer o submarino
á superficie, com uma tripulação no limite das suas forças, faz aumentar a
indignação do fotógrafo vivido por Poitier. Direção de James B. Harris.
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| Sidney Poitier, Richard Widmark, e Gilda Radner, descontraídos durante as filmagens de HANKY PANKY, UMA DUPLA EM APUROS, que Poitier dirigiu o amigo em 1982. |
Somente em
1982 os dois amigos voltariam a trabalhar juntos, desta vez com Sidney na
direção e Widmark atuando em Hanky Panky, Uma Dupla em Apuros(Hanky
Panky), uma comédia detetivesca dirigida pelo astro negro, e estrelado
por Gene Wilder e sua então esposa, Gilda Radner (1946-1989). O inocente Michael Jordon (Wilder) é
arrastado para uma teia de segredos do governo, quando uma menina carregando um
misterioso pacote entra em um táxi com ele, tudo se complica quando ela é
assassinada e Michael se torna considerado o principal suspeito. Contudo, o
assassino é Ransom, vivido pelo veterano Widmark, que aqui parece que resgatar
seus bons tempos de bad boy ao estilo
de seu primeiro filme, O Beijo da Morte, e
que vai ao encalço para matar o casal vivido por Wilder e Radner.
Em 2002,
durante a premiação da 74ª edição do Oscar, Sidney Poitier recebeu uma
homenagem especial da Academia de Artes e Ciências de Hollywood, e fez menção
durante a cerimônia ao amigo de longa data Richard Widmark, que muito o
incentivou em sua trajetória. A uma das homenagens para Richard Widmark
em Roxbury, lugar que adotou para morar a partir dos anos de 1970, compareceu
Sidney Poitier, para surpresa do homenageado que disse: “Sidney, você veio de tão longe para cá!” Poitier respondeu: “Por você eu viria mesmo que fosse a pé.”
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| Widmark em Cinerama: A CONQUISTA DO OESTE (1962) |
MAIS
WESTERNS
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| Com George Peppard: A CONQUISTA DO OESTE (1960) |
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| Com William Holden: ALVAREZ KELLY (1966) |
Em 1962,
Widmark participou da superprodução de três diretores A Conquista do Oeste (How The
West Was Won), dirigido por John Ford, Henry Hathaway, e George Sherman
(e ainda, Richard Thorpe, mas este não foi creditado), filme este que lançou o Cinerama, então um processo
revolucionário de tela, e um elenco de tirar o fôlego onde despontavam Carroll
Baker, Debbie Reynolds, Gregory Peck, George Peppard, Karl Malden, Robert
Preston, Carolyn Jones, John Wayne, entre outros . A Seguir vieram Terra
Bruta (1962), e Crepúsculo de Uma Raça (1964), ambos
de John Ford.
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| Ao lado de dois grandes mitos: Kirk Douglas & Robert Mitchum em DESBRAVANDO O OESTE (1967) |
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| Protegendo Lena Horne em SÓ MATANDO (1969) |
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| Com Frederick Forrest: QUANDO MORREM AS LENDAS (1972) |
Alvarez Kelly em 1966, traz Widmark contracenando com
William Holden (1918-1981), numa história sobre a Guerra Civil Americana,
dirigido por Edward Dmytryk (1908-1999). Desbravando o Oeste (The Way West), 1967, é
uma saga dirigida por Andrew V. McLaglen (1920-2014) onde traz Widmark atuando
com os lendários Kirk Douglas e Robert Mitchum (1917-1997). Em 1969, Widmark interpreta o marshall Frank Patch, homem da lei
dedicado que durante anos cuidou de uma cidade, cujo os habitantes agora querem
elimina-lo em Só Matando ou Morte de um Pistoleiro, dirigido por
Don Siegel (1912-1991), que aqui usa o pseudônimo de Allen Smith. Em 1972,
Richard Widmark, aos 58 anos, estrelou Quando
Morrem as Lendas (When the Legends Die), em que o personagem de Richard
ensina truques de rodeio a Frederic Forrest. Não chega a ser um faroeste, mas
um drama ambientado no circuito de rodeios no oeste moderno. Direção de Stuart
Millar (1929-2006).
OS IMPIEDOSOS – MADIGAN
(1968)
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| OS "IMPIEDOSOS" Richard Widmark e Harry Guardino |
Em 1968,
surge um dos mais envolventes e ágeis thrillers
policiais de todos os tempos, Os Impiedosos (Madigan), dirigido
por Don Siegel e co-escrito por Abraham Polonsky (1910–1999), uma das vítimas
do macarthismo, e rodado com raro esplendor em exteriores de Nova York, conta a
trajetória do detetive Daniel Madigan, vivido por Widmark, que ao lado de seu
parceiro, o detetive Rocco Bonaro (Harry Guardino, 1925-1995) tenta prender o
marginal Barney Benesh (Steve Ihnat, 1934-1972) para uma inquirição de rotina,
sem saber que ele é suspeito de assassinato.
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| Widmark e Guardino subjugados por Steve Ihnat: OS IMPIEDOSOS (1968) |
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| Henry Fonda e James Whitmore: OS IMPIEDOSOS (1968) |
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| Richard com Inger Stevens: OS IMPIEDOSOS (1968) |
Contudo, os dois policiais são
censurados pelo comissário Russell, vivido por Henry Fonda (1905-1982), que dá
a eles três dias para capturar o criminoso. Paralelamente, Madigan enfrenta
crise com a esposa, Julia (Inger Stevens, 1935-1970). A trama enfoca diversas
questões do cotidiano.
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| O TV GUIDE divulgando a série de TV MADIGAN, que não decolou. |
O diretor
Siegel teve cenas cortadas ou impostas pela produção, o que não impediu o
sucesso de crítica e público, tanto que Richard Widmark voltaria a interpretar
o detetive numa série homônima de TV, entre 1972 e 1973, contudo sem o mesmo
sucesso do filme original para o cinema, resultando em apenas seis episódios.
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| Widmark em ASSASSINATO NO EXPRESSO ORIENTE (1974) |
A DÉCADA DE 1970
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| Com Anthony Valentine: UMA FILHA PARA O DIABO (1976) |
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| Com Oliver Reed: A ÚLTIMA CARTADA (1976) |
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| A ÚLTIMA CARTADA, de 1976. Com Oliver Reed. |
Quase
beirando aos 60 anos, Richard Widmark continuava bem ativo tanto no cinema como
na TV, e foi requisitado para atuar em grandes filmes da década de 1970.
Assassinato no Expresso oriente (Murder on the Orient Express), 1974, dirigido por Sidney Lumet (1924-2011)
traz Richard Widmark no papel de
um milionário que é morto, e cabe ao fabuloso detetive Hercule Poirot (Albert
Finney) investigar este mistério, baseado em Agatha Christie. Em 1976, sua
primeira e única incursão ao gênero terror, em Uma Filha para o Diabo (To the
Devil a Daughter), de Peter Sykes (1939-2006), ao lado de um mestre
deste estilo, Christopher Lee. No mesmo ano, filmou na Europa A
Última Cartada (The Self Out), ao lado de Oliver Reed (1938-1999), sob
direção de Peter Collinson (1936-1980), um thriller
de espionagem. O Último Brilho do Crepúsculo
(Twilight’s Last Gleaming), ficção-política de 1977, dirigido
por Robert Aldrich (1918-1983), estrelado pelo veterano Burt Lancaster (1913-1994), contou
com participação de Richard Widmark,
como um general que o queria morto.
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| Com Burt Lancaster: O ÚLTIMO BRILHO DO CREPÚSCULO (1976) |
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| Com Henry Fonda (sentado), Richard Chamberlain, e Morgan Paul: O ENXAME (1978) |
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| Conversando com o diretor James Goldstone, no set de TERROR NA MONTANHA RUSSA (1977) |
Em 1977,
ainda com o advento (temporário) do cinema catástrofe (que teve seu ápice com
os lançamentos de Inferno na Torre e
Terremoto), Widmark participou das produções Terror na Montanha Russa
(Rollercoaster), de James Goldstone (1931-1999), estrelado por George
Seagal, e do catastrófico em sentido ipisis
literis O Enxame (The Swarm), em
1978, dirigido pelo especialista do gênero Irwin Allen (1916-1991), que de
tanto repetir uma fórmula acabou sendo prejudicado. Nem Widmark, nem Michael
Caine, nem Katharine Ross (a musa dos anos 70), ou ainda os veteranos Henry
Fonda, Olivia De Haviland, Ben Johnson, e Fred MacMurray, puderam salvar do
fracasso comercial.
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| Como o Dr. Harris em COMA (1978) |
Coma , no mesmo ano, foi bem melhor sucedido,
tendo a frente Genevieve Bujold e o jovem Michael Douglas (sim, o filho de
Kirk) como um casal de médicos que investiga uma série de mortes de pacientes
por coma dentro de um famoso hospital dirigido pelo respeitado Dr. Harris, vivido por
Richard Widmark. Dirigido por Michael Crichton (1942-2008), baseado em seu
próprio livro.
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| Widmark em A ILHA DOS URSOS (1979) |
Um Western para TV, em 1979, Widmark
participou de Mr Horn, vivendo o lendário caçador de recompensas Al Sieber,
que tem a missão de capturar seu amigo Tom Horn, o personagem título vivido por
David Carradine (1936-2009). Dirigido por Jack Starrett (1936–1989). No mesmo
ano para o cinema, contracenou com Donald Sutherland e Vannesa Redgrave na
aventura A Ilha dos Ursos (Bear Island), dirigido por Don Sharp (1921-2011).
A DÉCADA DE 1980
Os filmes em
que Richard Widmark participou no final dos anos de 1970 até o fim da década
seguinte, ganhavam algum status com a presença sempre respeitável do astro como
coadjuvante. E foi justamente o ar respeitável e autoritário de Richard que lhe
possibilitaram personificar oficiais das forças armadas, juiz, senador,
secretário de Estado e até presidente dos Estados Unidos nos últimos anos de
sua carreira. Falando em política e em presidente dos EUA, Widmark, um genuíno
liberal democrata, pouquíssimas vezes falava com a imprensa, não que fosse
antipático, mas que gostava de se manter reservado em suas opiniões. Contudo,
numa ocasião ele não pôde deixar em se sentir indignado quando o ex-ator Ronald Reagan (1911-2004) foi eleito Presidente dos Estados Unidos, fato que ocorreu em 1981. Widmark achava Reagan
um homem inexpressivo no aspecto cultural. Pessoas como Ronald Reagan e
John Wayne jamais poderiam ser seus amigos, visto que na opinião do ator eram
pessoas reacionárias e estúpidas.
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| Com Jane Greer: PAIXÕES VIOLENTAS (1984) |
Em 1982,
atuou como o Secretário de Defesa Americano em A Invasão dos Cães de Guerra (Who
Dares Win), dirigido pelo inglês Ian Sharp. Em 1984, participou ao lado
de outra veterana, Jane Greer (1924-2001), e com quem contracenara quase trinta anos antes em Dois Destinos se encontram (1956), em Paixões Violentas (Against All Odds), estrelado por Jeff Bridges e Rachel Ward, e direção de Taylor Hackford, cujo
maior destaque é a canção interpretada por Phil Collins.
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| BLACKOUT, de 1985 |
Nos anos 80,
os melhores trabalhos de Widmark, aos 70 anos de idade, se concentravam na
televisão. Em 1985, estrelou o ótimo Blackout, feito para TV e dirigido
por Douglas Hickox (1929–1988), e estrelado também por Keith Carradine e Kathleen
Quinlan, onde Richard interpreta um policial que, mesmo afastado da polícia,
investiga um serial killer vivido por
Carradine.
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| Com Willie Nelson e Angie Dickinson: DE VOLTA PARA O OESTE (1986) |
Em 1986,
ainda na TV, Widmark atuou ao lado do cantor Willie Nelson e da veterana Angie
Dickinson - De Volta ao Oeste (Once Upon a Texas Train), dirigido por um
dos grandes especialistas do Western: Burt Kennedy (1922-2001).
Widmark, em seu último western, interpreta
um capitão do Exército Confederado que vai ao encalço do pistoleiro vivido por
Nelson, que tiveram relacionamento com a mesma mulher, vivida por Dickinson.
Este telefilme é interessante por trazer, além dos veteranos Richard Widmark e
Angie Dickinson, outras celebridades do mundo do Far-West que despontaram em muitos filmes ou séries de TV ao
estilo, como Chuck Connors, Stuart Whitman, Jack Elam, Ken Curtis, Dub Taylor,
Kevin McCharty, Royal Dano, entre tantos outros.
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| Pela última vez malvado em um filme: ASSASSINATO NA LOUISIANA (1987) |
Em 1987, Widmark atuou mais uma vez no cinema, no pouco divulgado Assassinato na Louisiana (A Gathering of old Man), do respeitado diretor alemão Volker Schlõndorff, um drama policial de temática racial onde Widmark interpreta um xerife brutal e racista que investiga um misterioso assassinato onde quer encontrar culpados entre os negros que vivem nas plantações da Louisiana. Widmark atuou ao lado dos ótimos Louis Gossett Jr e Holly Hunter, atores premiados com Oscars.
Em 1989 contracenou com Faye Dunaway no
telefilme Enigmas da Vida(Cold Sassy Tree), dirigido por Joan Tewkesbury. A última aparição Richard Widmark no cinema
foi em A Um Passo do Poder (True Colors), em 1991, dirigido por Herbert
Ross e no qual Richard interpreta um senador casado com a igualmente veterana
Dina Merrill.
OS ÚLTIMOS ANOS
Richard
Widmark se aposentou em 1992, vivendo fora dos holofotes hollywoodianos. Viveu
seus últimos anos em Roxbury, em Connecticut, lugar onde já residia desde os
anos de 1970. Em 1995, em um especial de TV durante as comemorações dos cem
anos do Cinema, alguns experts foram entrevistados e deram sua opinião sobre a
debandada dos westerns nos cinemas.
Segundo a maioria deles, o gênero teria começado a morrer quando, para inovar,
os cineastas passaram a sondar o lado psicológico dos personagens do Oeste
Americano, impondo atitudes do século XX ao homem da fronteira do século XIX. O
próprio Richard Widmark deu sua declaração: “A TV desgastou o gênero, desgastou praticamente tudo! Tudo se estragou
depois da televisão. Ela é o bicho-papão que tornou impossível fazer um filme
de faroeste para o cinema”.
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| A esposa Jean, casados por mais de 50 anos |
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| Com a filha Anne |
A esposa do
ator, a escritora Jean Hazlewood, morreu a 2 de março de 1997, em consequência
do Mal de Alzheimer, aos 80 anos. Foram casados por mais de 50 anos, e desta
união, tiveram uma única filha, Anne Heath Widmark. Em 1969, Anne se casou com
um astro do futebol americano, Sandy Koufax, de quem se divorciou em 1982.
Richard Widmark casou-se novamente em 1999 com Susan Blanchard, que havia sido uma das esposas de Henry Fonda,
uma união de amizade.
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| Richard Widmark em 2006 |
Em 2007,
Widmark sofreu uma queda, ocasionando uma fratura na vértebra. No entanto, seis meses depois, a 24 de março
de 2008, ele morreu devido às complicações desta queda, aos 93 anos de idade. Richard Widmark deixou
seu nome na História da Sétima Arte, e muito embora fosse indicado ao Oscar, a
Academia nunca o premiou ou, ao menos, por justiça, de lhe homenagear
especialmente pelo conjunto de sua obra. Aliás, é justamente pelo conjunto de
sua obra e sua filmografia que mais chama a atenção no amante de cinema, já que
ele atuou em grandes clássicos, e deu sua grande contribuição para a arte cinematográfica.
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| O Túmulo do ator, num cemitério de Roxbury, Connecticut |
Embora não fosse
alto e nem tivesse o perfil do galã de sua época, ainda assim Richard
Widmark foi um campeão de bilheteria, tendo seus méritos apenas erguidos de sua
determinação e talento. Sem dúvida,
Widmark é de uma geração onde o cinema produziu seus heróis: Burt
Lancaster, Gregory Peck, Kirk Douglas, Charlton Heston, Robert Mitchum...e o
nobre Dick, ou se preferir, Risadinha, não seria exceção. Sua presença nas telas era marcada pelo seu
ar de respeitabilidade, muitas vezes autoritário, com especiais doses para
maldade ou heroísmo, dependendo do papel, e tudo isso numa carreira que durou
por mais de 40 anos, resultando sempre em trabalhos marcantes. Viva
Richard Widmark!
FILMOGRAFIA
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| LOBBY CARD de O BEIJO DA MORTE (1949) |
1947 - Kiss
of Death – O Beijo da Morte
1948 - The
Street with No Name- Rua sem nome
1948 - Road House- A Taverna do Caminho
1948 - Yellow
Sky – Céu Amarelo
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| LOBBY CARD de FURACÃO DA VIDA (1949) |
1949 - Down
to the Sea in Ships- Capitães do Mar
1949 -
Slattery's Hurricane- Furacão da Vida
1950 - Night
and the City – Sombras do Mal
1950 - Panic
in the Streets- Pânico nas Ruas
1950 - No Way Out- O Ódio é Cego
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| Com Veronica Lake: FURACÃO DA VIDA (1949) |
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| POSTER DE CÉU AMARELO (1949) |
1950 - Halls of Montezuma- Até o
último Homem
1951 - The
Frogmen- Os Homens Rãs
1952 - Red
Skies of Montana- Montanhas Ardentes
1952 - Don't
Bother to Knock- Almas Desesperadas
1952 - O. Henry's Full House- Páginas
da Vida
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| Poster de OS HOMENS RÃS (1951) |
1952 - My Pal Gus-Companheiro Querido
1953 - Destination Gobi- Prisioneiros
da Mongólia
1953 - Pickup
on South Street- Anjo do Mal
1953Take the
High Ground! -Dai-Me Tua Mão
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| Poster de A LANÇA PARTIDA (1954) |
1954 - Hell
and High Water- Tormenta Sobre os Mares
1954 - Garden of Evil- Jardim do
Pecado
1954 - Broken Lance- A Lança Partida
1955 - A
Prize of Gold - Ouro Maldito
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| Poster de CAPITÃES DO MAR (1949) |
1955 - The Cobweb- Paixões sem freios
1956 - Backlash - Punidos Pelo
Próprio Sangue
1956 - Run for the Sun – Dois
Destinos se encontram
1956 - The
Last Wagon - A Última Carroça
1957 - Saint Joan- Santa Joana
1957 - Time Limit - Para Que Os
Outros Possam Viver
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| LOBBY CARD de JARDIM DO PECADO (1954) |
1958 - The Law and Jake Wade - Duelo
Na Cidade Fantasma
1958 - The Tunnel of Love- O Túnel do
Amor
1959 - The Trap- Armadilha Sangrenta
1959 - Warlock - Minha Vontade É a Lei
1960 - The Alamo- O Álamo
1961 - The
Secret Ways- Caminhos Secretos
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| LOBBY CARD de MINHA VONTADE É A LEI (1959) |
1961 - Two
Rode Together- Terra Bruta
1961 -
Judgment at Nuremberg- Julgamento em Nuremberg
1962 - How
the West Was Won- A Conquista do Oeste
1964 - The
Long Ships- Os Legendários Vikings
1964 - Flight from Ashiya - Sacrifício
Sem Glória
1964 - Cheyenne Autumn - O Crepúsculo
De Uma Raça
1965 - The
Bedford Incident- Caso Bedford
1966 -
Alvarez Kelly- Alvarez Kelly
1967 - The
Way West- Desbravando o Oeste.
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| Poster de OS LEGENDÁRIOS VIKINGS (1966) |
1968 - Madigan - 'Os Impiedosos
1969 - Death of a Gunfighter- Só Matando
1970 - The Moonshine War - Guerra De
Contrabandistas
1972 - When the Legends Die - Quando
as Lendas Morrem
1972/1973 – Madigan – Série de TV com
6 episódios.
1974 - Murder on the Orient Express-
Assassinato no Expresso Oriente
1976 - To the Devil a Daughter- Uma
Filha para o Diabo
1976 - The Sell-Out- A Última Cartada
1977 - Twilight's Last Gleaming- O Último
Brilho do Crepúsculo
1977 - The Domino Principle- As
Pedras do Dominó
1977 – Rollercoaster- Terror na
Montanha Russa
1978 – Coma- Coma
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| Capa de VHS americano de MR. HORN |
1978 - The Swarm- O Enxame
1979 - Bear Island- A Ilha dos Ursos
1982 -
National Lampoon Goes to the Movies
1982 - Hank Panky- Uma Dupla em
Apuros
1982 - Who Dares Wins- A Invasão dos
Cães de Guerra
1984 -
Against All Odds – Paixões Violentas
1985-
Blackout – (TV)
1986-Once Upon a Texas Train- De
volta ao Oeste (TV)
1987- A Gathering of a Old Man - Assassinato na Louisiana
1989- Cold Sassy Tree- Enigmas da
Vida (TV)
1991 - True Colors- A Um Passo do
Poder
Produção
e Pesquisa:
PAULO TELLES
As Maiores Trilhas Sonoras da Sétima Arte, e em todos os tempos!
Você somente encontra no
CINE VINTAGE..
Todos os domingos, às 22 horas.
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QUINTAS FEIRAS (22 horas)
SÁBADOS (17 HORAS)

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