“Uma
pessoa de olhar até tenro, de modos pacíficos, sem o talento que nem era
preciso se ter para fazer todos aqueles muito modestos faroestes que fez, mas
que se enraizou forte em nossas memórias e em nosso arquivo de ídolos”.
JURANDIR
BERNARDES LIMA – Leitor da Bahia, seguidor do blog, fã de Audie Murphy,
comentarista, e amigo do editor do espaço.
Continuando a trajetória de um ídolo das telas, AUDIE
MURPHY (1924-1971). Na primeira parte foi retratada suas incríveis e
traumáticas experiências no front durante a II Guerra Mundial. Filho de
uma família pobre de Kigston, no
Texas, desde infância teve que trabalhar para o sustento de casa, principalmente
depois que o pai abandonou a família quando Audie só tinha 12 anos. A partir
daí, e depois do falecimento de sua mãe, Murphy teve que dar duro para ajudar a
criar seus irmãos. Contudo, a Segunda Grande Guerra já estava em curso, e os
Estados Unidos da América resolveu entrar após o ataque a base de operações de
Pearl Harbor pelos japoneses.
Tais qualidades não ficaram desapercebidas para o público americano, que
tão logo o mancebo herói retornou para os EUA, homenagens a ele foram
dedicadas, e até mesmo o ator James Cagney (1899-1986) reconheceu nele seu
valor, que lhe convidou para fazer um teste em Hollywood. Foi seu primeiro
passo para uma carreira cinematográfica, mas assim como no campo de batalha,
Audie também teve que saborear o gosto amargo das dificuldades (e algumas
decepções), até que finalmente veio sua real primeira chance de um papel
importante e principal no filme Caminho da Perdição (Bad Boy), de 1949. A
Partir daí, Audie se firmaria em outras produções, que veremos na SEGUNDA
PARTE, onde vamos continuar com a saga deste pequeno notável. Vamos falar dos
seus principais filmes, o fim do seu casamento com Wanda Hendrix, e os
primeiros indícios de seus traumas pós-guerra.
A PRIMEIRA
PARTE DESTA SAGA ESTA NESTE LINK:
BAD
BOY – O PRIMEIRO PAPEL PRINCIPAL
Após o
lançamento do seu primeiro filme como protagonista, Caminho de Perdição, em 1949, Audie Murphy embarcou em um
extensivo tour pelo sudoeste
americano, promovendo sua imagem e frequentando festas para dar autógrafos para
a sua recentemente publicada autobiografia, chamada To Hell and Back.
A atuação em
Bad Boy foi boa o bastante para que o
considerado melhor estúdio de Hollywood investisse em seu nome e em seu
talento: a Universal International
Estúdios. A Universal ofereceu a ele um contrato de sete anos com um
salário de U$2.500 dólares por semana. Isso foi uma proposta arranjada com o
produtor Paul Short , que arranjou para Audie cinco roteiros em que ele seria a
estrela principal.
Mas somente
o 5º roteiro, chamado Duelo Sangrento/The Kid from Texas foi para a tela de cinema e Audie
ganhou o seu 2º papel principal e o seu 1º Western.
Assim como Bad Boy, The Kid from
Texas foi fortemente promovido na região
da estrela solitária, o Texas. Propagandas anunciaram a estreia mundial do
filme no mesmo teatro de Dallas em março de 1950. O filme quebrou os recordes
de bilheteria alcançados antes por Bad
Boy no ano anterior, sempre com os cinemas repletos.
Caminho de Perdição é baseado num caso verídico dos
arquivos do Variety Clubs International, que
entre outros trabalhos de caridade, trabalhava com infratores juvenis para
reabilita-los fora do ambiente presidiário. O filme foi rodado no Boys Ranch Club, no Texas, terra de
Audie.
O filme
constrói um tema cronológico e próprio para as telas de cinema de antigamente,
como o comportamento juvenil das cidades americanas e o aspecto mais real da
juventude dos anos de 1950, como o que seriam abordados seis anos depois por
Nicholas Ray em Juventude
Transviada/Rebel Whitout a Cause, estrelado por James Dean.
Danny Lester
(Audie Murphy) é definitivamente um jovem um tanto rebelde e fora do controle.
A princípio, seu comportamento criminoso e violento parece ocorrer sem nenhuma
razão específica. Gradualmente, o espectador vai se dando conta do perfil
psicológico de Danny, que tem origem com as discussões que tem com o padrasto e
da morte de sua mãe, aparentemente causada por uma dose de comprimidos para
dormir que o próprio Danny lhe havia dado.
Capturado
durante uma tentativa de roubo, Danny é levado perante o tribunal juvenil e
finalmente é libertado pelo delegado Brown (Lloyd Nolan, 1902-1985), que é o
administrador do rancho Boys Ranch. Embora
o tribunal fosse incrédulo que Danny poderia parar de ser um delinquente
juvenil, Brown sentia que o ambiente do rancho poderia ajudar a melhorar a
conduta do rapaz. Talvez ele pudesse encontrar ou descobrir o que estava
perturbando Danny.
A princípio,
Danny parece ajustar-se a vida no rancho, fazendo pequenas tarefas
espontaneamente. Em breve, ele sai agindo sorrateiramente para cometer outro
assalto, arrombando uma joalheria local. Houve mais confrontos no rancho. Enquanto
isso, Brown consegue traçar um histórico da família de Danny e, eventualmente,
descobre o por que de Danny ser tão violento, e muitas vezes, quando alguém o
chama de “filho”.
Brown fala
com o médico que tratou da mãe de Danny. Parece que ela morreu de causas
naturais e os comprimidos para dormir não foram a causa de sua morte. Antes de
voltar ao rancho, a polícia descobriu que Danny tinha cometido outro roubo, agora
numa loja de armas. A polícia fez uma batida no local, mas Danny pega um carro
para tentar fugir, mas acaba sofrendo um acidente. Ferido e cercado pelos
policiais, Danny mostra resistência em se entregar, mas Brown chega a tempo para dizer a ele sobre sua mãe, e convence o rapaz de que ele não causou a
morte dela.
Finalmente,
o Rebel Boy se recupera dos
ferimentos e consegue outra chance para se reabilitar no rancho, para mais
tarde se matricular como estudante de engenharia na Texas A M.
Apesar de
alguns veteranos da indústria cinematográfica não aceitar a atitude de Audie
quanto a sua pretensão em fazer filmes em que ele tivesse o papel principal, eles
reconheceram sua fotogenia perante as câmeras, e que um herói de guerra como ele
poderia render boa bilheteria.
Um crítico
escreveu:
Audie fez o
papel com muita confiança. Ele acreditava que os maiores atores profissionais
não conheciam os seus próprios trabalhos. Mas o produtor Paul Short não
concordava exatamente com o ponto de vista do jovem herói de guerra, e por
isso, fez com que ele se cercasse de atores veteranos para cobrir a
inexperiência dele. Esta política foi seguida por outros produtores em vários
filmes que viriam depois estrelados por Audie, que rapidamente aprendia
qualquer coisa que ele tinha interesse. Ele aprendeu atuar ao longo da produção
de seus primeiros filmes.
Durante a
produção de Bad Boy, Audie veio com
uma de suas famosas piadas. Ele aparentemente tinha dificuldade para completar
uma tomada do filme e, por isso, várias tomadas tiveram que ser refeitas.
Finalmente, o diretor Kurt Neumann reclamou sobre o atraso de Audie em completar a tomada
na cena. Audie lhe respondeu:
- Você deve lembrar que eu estou em desvantagem. – Disse Audie.
- Que
desvantagem? – perguntou Kurt Neumann
-Nenhum
talento- respondeu Audie com um sorriso.
DE
VERDADEIRO HERoi DE GUERRA A IDOLO DOS WESTERNS
Antes de
fazer outro filme, Audie foi o centro das atenções de um programa de rádio
chamado This is your Life, apresentado
por Ralph Edwards, o programa enfocou os anos de crescimento de Audie, os seus
dias na escola, e suas façanhas na II Guerra. Ele se reuniu novamente com seus
companheiros de luta, que ele já não os via há cinco anos. Audie ficou visivelmente emocionado por ver
seus amigos, não somente seus amigos e companheiros de farda, mas também os
amigos da sua cidade natal.
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| AUDIE E WANDA HENDRIX, casados, durante as filmagens de SERRAS SANGRENTAS |
Com o longo
contrato que conseguira, Audie decidiu comprar os roteiros que Paul Short
produziria para o cinema. No entanto, os dois nunca mais trabalharam juntos. Ele
rapidamente se lançou em MAIS DOIS WESTERNS: Cavaleiros da Bandeira Negra/Kansas
Raiders, e Serra
Sangrenta/Sierra. Justamente durante as filmagens de Serras Sangrentas, Audie e Wanda
Hendrix, sua esposa na vida real e seu par na fita dirigida por Alfred E. Green
(1889-1960), anunciavam o fim do casamento deles e o divórcio saiu no dia 20 de
abril de 1951.
Wanda não se
adaptou aos hábitos de Audie, que começava a ter os primeiros sintomas do que
hoje é conhecido como transtorno de estresse pós-traumático. Ele dormia
constantemente com uma pistola carregada debaixo do travesseiro, tinha
constantes pesadelos que lhe remetiam as tétricas lembranças do front, e passou
a dormir a base de calmantes.
Mas Audie já
tinha uma carreira cinematográfica se firmando, e como bom texano e criado em
uma fazenda, Audie sabia cavalgar e atirar muito bem, e se associou
perfeitamente como um dos mais destemidos Man
of The West do cinema, mesmo que seus faroestes fossem de baixo orçamento.
Sua estatura também não foi empecilho. Enquanto John Wayne (1,93cm), Gary Cooper
(1,91cm), Randolph Scott (1,89cm), Tim Mccoy (1,81cm), Buck Jones (1,82cm), e Tom Mix
(1,83cm), ícones do Western que eram de estatura alta, o bom Audie se saía muito bem
beijando a mocinha e triunfando sobre os inimigos numa boa briga de socos com
apenas 1,65 cm de altura, a mesma altura de Alan Ladd, outro ator associado ao faroeste americano.
A GLORIA DE UM COVARDE
Após a
conclusão de Sierra, Audie anunciou
que voltaria para o Exército. A Guerra da Coréia estourou em junho de 1950.
Em Julho, Audie voltou para Dallas para se alistar na 36ª Divisão de Infantaria
(Guarda Nacional do Texas). Esta divisão foi reativada como um Exército
efetivo, e Murphy iria outra vez a uma missão de combate. Ele foi um voluntário
para o serviço militar direto, mas a “ação policial” – como a guerra era
chamada – indicava um combate de curto prazo, e Audie tinha desejo de colocar
um laço integral de paz no Exército.
Entretanto,
dois outros fatores alteraram a decisão dele. Ele estava por estrelar o papel
principal no filme da Metro Goldwyn Mayer, a “Marca do Leão”, A Glória de um Covarde/The Red
Badge of Courage, e ele tinha um grande desejo de atuar neste filme,
mesmo que esse fosse o último de sua carreira.
Quando foi
anunciado que John Huston (1906-1987) iria dirigir The Red Badge of Courage, “Spec” McClure sugeriu Audie para o papel do jovem soldado Henry
Fleming. Entretanto, o filme estava no início e com uma discórdia sobre quem
seria o ator principal. Outro problema é que o lendário chefão da MGM, Louis B
Mayer (1884-1957) não queria fazer o filme de maneira alguma, e existiam mais
objeções em escalar Murphy para o filme.
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| O CINEASTA JOHN HUSTON E AUDIE MURPHY |
Huston
conseguiu convencer B Mayer com a ajuda da “fofoqueira de Hollywood” Hedda Hopper
(1885-1966) que tinha uma coluna sobre cinema. Hedda defendia Audie porque
pensava muitas coisas boas sobre ele. Huston gostou muito de Murphy e o chamava
de “olhos gentis de criança”.
A Princípio,
Huston imaginou autênticas cenas de guerra ao ar livre e batalhas de Guerra
Civil Americana nunca vistas antes desde E
O VENTO LEVOU de 1939. Entretanto, o orçamento aprovado forçou o diretor a
filmar todo o filme dentro da Califórnia se passando pelos campos da Virginia e
do Tennesse. Algumas cenas também foram gravadas no rancho do próprio cineasta.
Logo depois que os planos para a produção estavam em fim de andamento, Huston
foi para a África dirigir o clássico Uma
Aventura na África/The Africa Queen, deixando a edição de A Glória de Um Covarde inteiramente para
os estúdios de Mayer. A falta dos toques finais do grande diretor na edição
final da fita fez com que o filme A GLÓRIA DE UM COVARDE tivesse problema nas bilheterias.
No entanto,
Huston estava convencido que Audie tinha a capacidade de se transformar num
excelente ator. Huston considerava A
Glória de Um Covarde e O Passado não
Perdoa/The Unforgiven as melhores
atuações do ator e herói de guerra texano em toda sua carreira cinematográfica:
“Em O Passado Não Perdoa e A Glória
de Um Covarde ele conseguiu habilidade para conquistar a audiência de público.
Ele despertou o instinto maternal nas
mulheres e o instinto fraternal nos homens. São pouco os atores que conseguem
esta façanha”.
John Huston.
Esta famosa
versão cinematográfica da novela de Stephen Crane (1871-1900), constituiu um
dos mais rumorosos casos dos bastidores da produção Hollywoodiana. Sabe-se que
John Huston não aceitou a intervenção dos diretores da Metro na montagem final
e largou a realização, deixando o produtor Gottfried Reinhardt (1913–1994) lutando pela integridade da obra.
A história
da sabotagem do filme foi inclusive tema para assunto de um livro, Picture, que Lilian Ross escreveu em
1953. Produzida em plena era macarthista, A
GLÓRIA DE UM COVARDE estampa violenta crítica ao heroísmo militar, narrando
em tom realista e psicológico o drama de um jovem recruta, Henry Fleming,
durante a Guerra Civil Americana (1861-1865). Soldado da União, ele foge durante
uma batalha, fazendo-se passar por um herói de outra unidade. A um amigo, o
recruta Tom Wilson (Bill Mauldin, 1921–2003), Henry revela que é de fato um
desertor. Esta brilhante fita (ainda que mutilada) acompanha as reações de medo
e covardia do protagonista, curiosamente interpretado por um verdadeiro herói
americano de guerra, o soldado americano mais condecorado da II Guerra Mundial,
que foi Audie Leon Murphy.
John Huston
rodou as cenas de batalha em San Fernando Valley, Los Angeles, onde D.W. Griffith
havia feito O Nascimento de uma nação/
The Birth of a Nation em 1915, clássico da Sétima Arte, prestando a este legendário
diretor do período dos silents movies uma
brilhante homenagem nas imagens admiráveis do fotógrafo Harold Rosson
(1895–1988). O filme ainda conta com grandes atuações, como a de Bill Maudin, Arthur
Hunnicutt, John Dierkes, e Royal Dano.
Enquanto
fazia uma turnê de apresentação de seu filme em Washingnton, D.C, Audie foi
convidado sentar-se junto ao Senador Price Daniel, do Texas. Enquanto se
sentava, o Senador Daniel interrompeu os debates e o apresentou. Audie se
levantou, acenou e sorriu, e foi fortemente aplaudido pelos senadores e
observadores presentes.
O
SEGUNDO CASAMENTO E FAMÍLIA
Não demorou
muito após o fim de seu casamento com Wanda Hendrix, Audie conheceu Pamela
Archer. Ela era aeromoça da Braniff
Airlines linhas aéreas, e ela já o conhecia por tê-lo visto na capa da
revista Life. O encontro resultou num
grande romance e eles se casaram três dias depois do divórcio dele ter sido
homologado, ou seja, no ano seguinte em que se conheceram.
Depois do
casamento com Pamela no dia 23 de abril de 1951, Audie retornou aos estúdios da
Universal e aos filmes de faroeste, retomando a sua carreira cinematográfica.
Audie queria ter sua própria família, ter filhos. A vida dele depois da Guerra
estava virtualmente enraizada. Ele pensou que se tivesse a sua própria
família, ele poderia ter a estabilidade de que tanto necessitava. Então, no
dia 14 de março de 1952, nasceu seu primeiro filho, chamado Terrance Michael,
conhecido como Terry, e dois anos depois, James Shannon, apelidado de Skipper, a 23 de março de 1954. Os nomes dos filhos foram dados em homenagem aos seus
dois melhores amigos: Terry Hunt, e James “Skipper” Cherry.
Mas manter
uma família custa dinheiro, e a única maneira de Audie ganhar dinheiro além de
seu soldo como ex-combatente, mesmo sendo um herói consagrado pelos americanos,
ainda era o cinema. Cavaleiros da
Bandeira Negra foi seu primeiro filme que ele fez sob o novo contrato com
os estúdios da Universal. Entretanto, Murphy acreditava que estava sendo mal
remumerado, e de certa forma, ele estava certo.
Uma vez,
na tentativa de fazer os estúdios aumentarem seu salário, Audie anunciou suas
intenções de abandonar as telas totalmente e deixar Hollywood. Na sua
percepção, ninguém poderia força-lo a voltar a filmar. Mas ele tinha um
contrato a cumprir e era impossível ele ir para outro estúdio à procura de um
melhor salário.
OS
PRINCIPAIS WESTERNS DE AUDIE MURPHY NA DECADA DE 1950
Audie Murphy
foi o astro de vários faroestes assistidos por todos nós fãs do gênero.
Vamos aos principais:
SERRAS
SANGRENTAS/SIERRA (1950)
Ring Hassard
(Audie Murphy) e seu pai Jeff (Dean Jagger, 1903-1991) capturam e domam cavalos
selvagens. Eles vivem isolados nas montanhas, porque Jeff é procurado por um
crime que não cometeu. Quando Ring conhece a advogada Riley Martin (Wanda
Hendrix, 1928-1981), Jeff é ferido por um cavalo. Ring e Riley partem em busca
de socorro, porém Ring acaba preso acusado de roubar cavalos. Riley defende-o,
mas a essa altura o juiz está mais interessado em saber onde seu pai está
escondido. Participação de Tony Curtis (1925-2010) em um de seus primeiros
papéis no cinema.
DUELO SANGRENTO/THE KID FROM TEXAS
(1950)
Este foi o
primeiro faroeste de Audie Murphy, gênero com o qual ele seria sempre
associado. Foi também seu primeiro filme para a Universal, estúdio onde ficaria
até meados da década seguinte.
O produtor
Paul Short chamava Billy the Kid, interpretado por Murphy, de "o primeiro
delinquente juvenil", e foi assim que o ator interpretou o precoce outlaw,
praticamente repetindo a mesma atuação de Bad
Boy no ano anterior.
No início, o
scripit trata o personagem de maneira
simpática, mas depois muda de opinião e retrata-o como um mero assassino. Afinal,
Billy the Kid, em seus vinte e um anos de vida, teria matado exatamente o mesmo
número de pessoas, como informa o narrador da fita.
Reconstituindo
um dos episódios mais famosos da carreira de William H. Bonney, aliás Billy the
Kid (1859-1881), aos 18 anos, Billy chega ao Novo México e abandona as armas,
empregando-se no rancho do inglês Tunstall, com quem faz amizade e que o ajuda
a regenerar-se.
Tunstall,
porém, é assassinado por ladrões de gado que operam na região e Billy resolve
vingar-se deflagrando um combate que ficou conhecido como a Guerra do Condado de Lincoln (1878), episódio histórico evocado
em Chisum (1970), de Andrew V.
MacLaglen, com John Wayne.
CAVALEIROS
DA BANDEIRA NEGRA/KANSAS RAIDERS (1950)
Dirigido por
Ray Enright (1896-1965), especialista em faroestes b, e estrelado por Audie
Murphy e Brian Donlevy (1901-1972), este brilhante ator. Tendo encarnado Billy
the Kid em Duelo Sangrento, agora Murphy
é Jesse James, outra lenda do Velho Oeste Americano, num filme sem maiores
preocupações com a verdade histórica.
Por sua vez, depois de Sierra, Tony Curtis (1925-2010) reaparece
novamente junto de Murphy, como um dos irmãos Dalton.
Famoso pelo
desconforto em cenas românticas, Murphy pela primeira vez beija nas telas - a
felizarda foi Marguerite Chapman (1918-1999), que interpreta a companheira do
celerado William Clarke Quantrill (Donlevy).
O
ÚLTIMO DUELO/THE CIMARRON KID (1952)
Falsamente
acusado por oficiais corruptos de ter ajudado num assalto a um trem feito por
seus antigos companheiros, Cimarron Kid (Audie Murphy) se une novamente a
gangue dos irmãos Dalton e torna-se um membro ativo em outros roubos do grupo.
Traído por
um de seus companheiro (James Best) ele se torna um fugitivo e vai procurar
refúgio em um rancho de um ex-ladrão (Hugh O' Brian). Lá ele conhece a bela Carrie (Beverly
Tyler, 1927-2005), por quem se apaixona.
Mas ser um
fugitivo da lei e de sua gangue não será fácil, e o casal terá de enfrentar
muitos desafios se quiser viver esse amor.
O ÚLTIMO DUELO marcou o primeiro encontro de Audie
com o lendário diretor Budd Boetticher (1916-2001), que também era associado a
outro ícone do faroeste americano – Randolph Scott. Com Boetticher, Audie ainda
faria seu último filme, Gatilhos da
Violência, em 1970.
ONDE
IMPERA A TRAIÇÃO/THE DUEL AT SILVER CREEK (1952)
Um dos
filmes iniciais da carreira do cineasta Don Siegel (1912-1991), e a quinta
aparição na tela do então novato Lee Marvin (1924-1987), outro combatente da II
Guerra Mundial.
Uma
quadrilha encabeçada por Opal Lacey (Faith Domergue, 1924-1999) e Rod Lacey
(Gerald Mohr, 1914-1968) assalta as minas de prata da região de Silver Creek.
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| LEE MARVIN |
O
delegado Lightning Tyrone (Stephen McNally, 1911-1994), após o assassinato de
um amigo, ocorrido quando perseguia a quadrilha, resolve se vingar, e convoca
para ajuda-lo Luke Crowell, vulgo Silver Kid (Audie Murphy), cujos pais também
foram mortos pela gang.
Os problemas
surgem quando Lightning se apaixona por Opal, apesar das advertências de Silver
Kid, com isso dando ensejo à consumação de mais um assalto.
A
MORTE TEM SEU PREÇO/GUNSMOKE (1953)
Audie
interpreta Reb Kittredge, um pistoleiro que chega ao vilarejo de Billings, em
Montana, para trabalhar com o barão de gado Matt Telford (Donald Randolph, 1906–1993),
que pretende dominar toda região.
Cabe a Reb
afugentar o colono Dan Saxon (Paul Kelly, 1899-1956) de suas terras. Mas este
acaba perdendo seu rancho para Reb num jogo de cartas, o que leva o pistoleiro
a colocar-se a seu lado contra Matt.
Susan Cabot
(1927-1986) interpreta Rita, filha de Dan e interesse romântico de Reb e do
capataz Curly Mather (Jack Kelly, 1927-1992), enquanto Mary Castle (1931-1998)
faz a cantora de saloon Cora
DuFrayne.
JORNADA
SANGRENTA/COLUMN SOUTH (1953)
O tenente
Jed Sayre (Audie Murphy) luta para evitar tensões pré-Guerra Civil e a guerra
entre o Exército e a tribo Navajo, mas seus esforços estão sendo arruinados
pelas maquinações de simpatizantes Confederados.
Ele tenta
convencer seu superior, o Capitão Lee Whitlock (Robert Sterling, 1917-2006) a
ser condescendente com os índios navajos, enquanto namora a irmã de Lee, Marcy
Whitlock (Joan Evans) e trava conhecimento com um líder confederado, o general
brigadeiro B. N .Stonne (Ray Collins, 1889-1965).
RONDA
DA VINGANÇA/TRUMBLEWEED (1953)
Dirigido por
Nathan Juran (1907-2002) e estrelado por Audie Murphy e Lori Nelson. Tumbleweed é o nome do cavalo que o
personagem de Murphy ganha de um rancheiro. O animal terá papel decisivo no
desenrolar da história. Lee Van Cleef (1925-1989), em um de seus primeiros
trabalhos, faz um tipo de bandido que
ele se acostumou a interpretar antes da fama alcançada nos westerns spaghetti.
Jim Harvey
(Audie Murphy) é o guia de uma caravana que se dirige ao Velho Oeste. Após um
ataque dos índios, Jim tenta negociar com Aguila (Ralph Moody, 1886–1971),
chefe dos Yaquis, mas é preso, enquanto a caravana é dizimada.
Depois de
escapar, ele é responsabilizado pelo massacre e é salvo da forca pelo xerife
Murchoree (Chill Wills, 1902–1978). Jim
foge com a ajuda de Tigre (Eugene Iglesias), filho de Aguila e seu amigo, porém
é ferido. Recebe guarida no rancho de Nick Buckley (Roy Roberts, 1906-1975),
que lhe dá de presente Tumbleweed, um
cavalo ruim de trote.
Já há algum
tempo, Jim desconfia que homens brancos tem se passado por índios e promovido
os ataques. Ao investigar, recebe surpreendente colaboração de Tumbleweed, que se revela muito mais
inteligente do que se suspeitava. Lori Nelson
é a namorada de Jim, Laura Sanders.
TRAIÇÃO
CRUEL/RIDE CLEAR OF DIABLO (1954)
Quando seu
pai e irmão são assassinados por uma gangue de ladrões de gado, o explorador de
estradas Clay O'Mara (Audie Murphy) trava uma estranha aliança com o fora-da-lei
Whithey Kincaid (Dan Duryea, 1907-1968), um violento pistoleiro que está mais
interessado em ver o inexperiente O'Mara tentando matar os assassino que
encontra pelo caminho do que propriamente ajudá-lo.
Mostrando-se
um verdadeiro durão, ele ainda encontrará muitos criminosos em seu caminho até
que, num sangrento tiroteio, consiga finalmente defender a honra de sua
família. Novamente, Audie tem como parceira romântica Susan Cabot, no papel de
Laurie Kenyon, namorada de Clay.
TAMBORES
DA MORTE/DRUMS ACROSS THE RIVER (1954)
Crown City
pode se tornar uma cidade fantasma, pois todo o seu ouro está localizado em
terra indígena. Gary Brannon (Audie Murphy), um homem honesto que odeia índios,
junta-se à uma missão para tentar concessões de mineração, mas o líder do
grupo, o ganancioso Frank Walker (Lyle Betger, 1915-2003), planeja em segredo
começar uma guerra contra os índios para tomar suas terras.
Gary e seu
pai Sam (Walter Brennan, 1894-1974.) têm agora nas mãos a manutenção da paz e
terão de juntar forças com os índios para impedir os planos de Walker.
Destaque
para as participações de Jay Silverheels (1912-1980), o eterno índio Tonto do Cavaleiro Solitário/The Lone Ranger; o
cowboy das matinês e também baixinho Bob Steele (1907-1988), que trava uma bela
luta com Murphy em uma das sequencias do filme; e Lisa Gaye (irmã de Debra
Paget), como a namorada de Brannon.
ANTRO
DA PERDIÇÃO/DESTRY (1954)
Dirigido por
George Marshall (1891-1975) e estrelado por Audie Murphy e Mari Blanchard
(1923-1970). O tom de comédia do filme deu a Murphy a chance de testar sua
versatilidade. Ele acabou por sair-se bem da empreitada, no papel do
almofadinha Tom Destry, que impõe a lei e a ordem sem usar armas. Sua atuação
rendeu-lhe as melhores avaliações críticas desde A Glória de Um covarde. Com
isso, ele mostrou à Universal que já estava maduro o suficiente para
interpretar a si mesmo em Terrível como o
Inferno, suas memórias da Segunda Guerra Mundial e no campo de batalha.
Destry é a refilmagem do clássico Atire a Primeira Pedra/Destry Rides
Again (1939), também dirigido por Marshall e estrelado por James Stewart e
Marlene Dietrich, mas sem o brilho e os excessos divertidos destes dois astros.
Esta é a
terceira versão do romance Destry Rides
Again, publicado por Max Brand (1893-1944) em 1930. Antes da versão de
1939, o livro já havia sido filmado em 1932 com Tom Mix. A história ainda
serviu de inspiração para Anjo de
Vingança/Frenchie, de 1955 e dirigido por Louis King, com Joel McCrea e
Shelley Winters, e tornou-se série de TV em 1964.
Na cidade de
Restful, quem manda é Phil Decker (Lyle Betger, 1915-2003), o dono do saloon.
Ele elege o bêbado local Rags Barnaby (Thomas Mitchell, 1892–1962) o novo
xerife, depois de matar o anterior. Rags sabe que não vai dar conta sozinho,
então manda chamar Tom Destry (Audie Murphy), filho de um valente pistoleiro,
para ajudá-lo.
Destry chega
e, para surpresa geral, não porta armas. Apesar de ridicularizado por todos,
ele consegue se impor aos poucos, e suas investigações deixam Decker em maus
lençóis. Difícil mesmo, para Destry, é enfrentar a cantora Brandy (Mari
Blanchard) e Martha (Lori Nelson), a sobrinha de um rancheiro.
HONRA DE SELVAGENS/WALK THE PROUD
LAND (1956)
Após dois anos
sem filmar westerns, Audie Murphy volta vivendo a história real de John Philip
Clum (1851-1932), um agente do Exército americano enviado a uma tribo Apache
para tentar novas formas de aproximação entre índios e brancos.
Pat Crowley
é a noiva de John (Audie Murphy), que entra em atrito com a corajosa índia Tianay
(Anne Bancroft, 1931-2005), que tem interesse amoroso pelo agente.
Direção de Jesse Hibbs (1907-1985), ainda no elenco Jay Tonto Silverheels (1912-1980) que interpreta o índio renegado Gerônimo.
RENEGADO DO FORTE PETTICOAT/THE GUNS
OF FORT PETTICOAT (1956)
Dirigido por
George Marshall (1891-1975) e estrelado por Audie Murphy e Kathryn Grant. Bom
de bilheteria,Murphy decidiu associar-se a Harry Joe Brown (1890-1972) para
formar a Brown-Murphy, sua própria produtora. Brown já havia se associado à Randolph Scott,
e junto com este, já haviam produzido outros westerns, sempre com ótimas
rendas, contudo, este foi o único fruto da companhia Brown-Murphy.
As quarenta
mulheres que participam do elenco foram treinadas no manuseio de armas e até em combates corpo a corpo por Audie, o
que, segundo ele, constituiu-se em sua missão mais difícil.
Durante a
Guerra Civil, o exército da União massacra uma tribo indígena em Sand Creek,
Texas, próximo à terra natal do Tenente Frank Hewitt (Murphy).
Frank sabe
que os índios procurarão vingança, então abandona os companheiros e volta para
casa, na tentativa de ajudar seus conterrâneos. Com isso, ele é considerado
desertor. Ora, quase todos os homens partiram para lutar na guerra, notadamente
ao lado das forças confederadas. A solução é treinar as mulheres para que elas
possam se defender quando os ataques começarem.
NA
ROTA DOS PROSCRITOS/RIDE A CROOKED TRAIL (1958)
Escrito por
Borden Chase, Audie interpreta o bandoleiro Joe Mayne, que é confundido com um
delegado federal e, forçado pelas circunstâncias ter que assumir este papel.
Diante disso, se vê na dúvida entre acatar uma vida pacífica, em meio a
comunidade que o acolhe fraternalmente, ou prosseguir na vida de fora da lei,
pois já combinara com seu parceiro Sam Teeler (Henry Silva) assaltar o banco. Os problemas entre Joe e Sam se complicam devido a Tessa Milotte (Gia Scala,
1934-1972), uma mestiça ligada amorosamente a ambos. O filme é enriquecido pela brilhante presença de Walter Matthau (1920-2000) como um juiz beberrão. Em Cinemascope.
BALAS
QUE NÃO ERRAM/NO NAME ON THE BULLET (1959)
Dirigido por
Jack Arnold (1916-1992), este western traz Audie Murphy num papel um tanto que
vilânesco e psicológico. Ele interpreta o pistoleiro de aluguel John Gant, que,
enquanto ronda sua presa, debate com o médico da cidade (Charles Drake,
1917-1994) sobre qual dos dois representariam a melhor "cura": se o
doutor que trata de qualquer um inclusive dos maus, ou se ele, quando elimina
pessoas más.
John Gant
chega à uma pequena cidade do Oeste e se hospeda no hotel, dizendo que ali
ficará por alguns dias. Ao dizer seu nome ao atendente, é ouvido por outras
pessoas. A notícia se espalha pela cidade, pois Gant é um conhecido pistoleiro
de aluguel, que age sempre da mesma maneira: fica à espera durante dias, até o
momento ideal de ir atrás e matar a sua vítima, a qual ele nunca diz quem é.
Vários moradores ficam nervosos pois acham que Gant está atrás deles.
O médico
Canfield (Charles Drake) é um dos poucos que parece não se preocupar com o
pistoleiro, mas se incomoda com o comportamento das pessoas que passam a agir
de forma nervosa e irracional. E com isso resolve confrontar Gant.
Por volta de
1890, o jovem montanhês simplório mas esperto Yancy Hawks (Audie Murphy) volta
de uma longa caçada com seu tio Lije (George Mitchell, 1905–1972) e a esposa
índia dele, quando são atacados por um urso.
Seu tio fica
ferido, então Yancy tem que levar sozinho as peles para trocar por mantimentos.
No caminho, tentam rouba-lo, e depois de trocar as peles por uma garota, a suja
e mal cuidada Rosalie Stocker (Sandra Dee, 1942-2005). Yancy se nega mas a
garota foge do pai e quer que Yancy a leve para a cidade grande de Casper, no
Wyoming.
Yancy não
quer mas acaba fraquejando e chega com a garota na cidade durante as festas de
quatro de julho. Lá ele fica amigo do xerife Paul Bartell (Gilbert Roland,
1905-1994) e lhe pede que arrume um emprego para a garota, que se arruma e fica
muito bonita, enquanto ele vai atrás de Marcy Howard (Joanne Dru, 1922-1996),
que desconhece tratar-se de uma prostituta do saloon, estabelecimento este que
é de propriedade do próprio xerife. Quando Yancy descobre que o xerife Paul
quer prostituir Rosalie, ele resolve enfrenta-lo.
Faroeste
dirigido por Thomas Carr (1907-1997) e estrelado por Audie Murphy e Terry
Moore. Rodado em apenas dezenove dias, com fotografia em preto e branco, este é
um dos veículos de Murphy mais mal avaliados pela crítica.
Matt Brown
(Audie Murphy) tem passado os últimos anos vagando sem rumo, geralmente bebendo
e jogando. Chip Donohue (1915-1992) procura-o para dizer-lhe que Jake Keenan, o
homem que o criara, morreu e deixou-lhe suas terras. Matt volta para casa, mas
é impulsivo, inflexível e orgulhoso, e isso lhe traz sérios problemas de
relacionamento. Ele chama Chip e os outros cowboys para ajudá-lo na condução de
uma boiada, o que lhe causará uma enorme dor de cabeça. Destaque para a bela briga entre Audie e o vilão James Best.
Outro
exemplar de George Sherman estrelado por Murphy e Felicia Farr. A fita é
destaque por duas coisas: O novo hobby
de Murphy --pilotagem de aviões- foi decisiva para a escolha das locações do
filme, algumas delas fotografadas pela primeira vez por ele mesmo. E ainda, no
elenco, estão dois grandes nomes dos faroestes B: Bob Steele (1907-1988), que
já havia travado uma bela luta com Murphy em Tambores da Morte, em 1954, e que conheceu o auge do sucesso na
década de 1930- e Allan Rocky Lane (1909-1973),
astro das matinês na década seguinte.
Acampado no
ermo, Clay Santell (Audie Murphy), um negociante de cavalos, oferece água a um
estranho, que em seguida o agride e foge com sua montaria, deixando o rifle.
Clay chega a Sutterville e os moradores, ao vê-lo com a arma, confundem-no com
Travers (Jan Merlin), o homem que o atacara e que é um perigoso assassino. O
xerife Harry Deckett (Stephen McNally, 1912-1994) sabe que Clay não é o
bandido, mas leva a farsa avante para se promover perante a população. Clay
foge e leva a jovem Janet (Felicia Farr) como refém. Janet acaba convencida da
inocência do cowboy e procura ajudá-lo, enquanto o xerife e sua patrulha se
aproximam. Destaque também para Robert Middleton (1911-1977) que desponta no
elenco.
SUSAN
CABOT - PAR
ROMANTICO NOS WESTERNS
A Universal tinha sob contrato Audie
Murphy, cuja especialidade como bem sabe eram os westerns. Mas o estúdio tinha
uma preocupação: encontrar atrizes que não fossem muito mais altas do que ele,
já que o novo cowboy do cinema media apenas 1m65 de altura. Mas este problema não demorou em ser
selecionado e Audie teve seu par feminino perfeito para as telas: Susan Cabot
(1927-1986), que tinha apenas 1m57 de altura e fez par com o diminuto Murphy.
Juntos Audie e Susan atuaram em três westerns:
Onde Impera a Traição/The Duel at Silver Creek, dirigido por
Don Siegel; A Morte tem seu Preço/Gunsmoke;
e Traição
Cruel/ Ride Clear of Diablo.
Susan Cabot teve um fim trágico digno de
um filme de terror. A 10 de dezembro de 1986, Timothy, o filho de Susan com 20
anos, assassinou a mãe batendo-lhe na cabeça com halteres enquanto ela dormia.
Susan estava com 59 anos e a suntuosa casa em que moravam estava totalmente
deteriorada. Timothy foi condenado a apenas quatro anos de reclusão e a
atenuante de seu advogado foi que ele sofria de doença mental agravada pelos
sistemáticos abusos por parte de Susan, sua mãe. Timothy faleceu em 2003, aos
38 anos.
Depois de convencer por um bom longo
tempo os estúdios da Universal que ele era maduro o bastante para lidar com um
papel principal de uma grande produção – a produção de seu livro autobiográfico
publicado em 1951 – Terrível como o
Inferno/ To Hell and Back – Audie conseguiu mudar a engrenagem dos
negócios. O jovem guerreiro da vida real foi capaz de causar impacto com o seu livro, o que serviu de fonte de material para um roteiro cinematográfico.
De início, os estúdios queriam Tony
Curtis para fazer o papel de Audie, mas o produtor Aaron Rosemberg e o diretor
Jesse Hibbs convenceram o estúdio que o próprio biografado fizesse seu papel.
Audie frequentemente recordava sobre as
batalhas na Europa entre as tomadas das filmagens e também se lembrava de seus
companheiros do Exército. Muitos tinham sido mortos em combate e ele era
profundamente respeitoso em relação a memória deles.
O diretor Hibbs (1906-1985) teve que
enfrentar um problema que para ele foi difícil de resolver. O filme tinha
muitas cenas prolongadas de batalha: “começar
a batalha foi fácil, eu apenas dava o primeiro tiro e as armas entravam em
ação. Mas parar a batalha era outro problema”. O alto-falante dele não era
ouvido entre gritos, berros, e os barulhos dos tanques e das metralhadoras com
festim durante a filmagem. Desesperado, Hibbs descobriu uma solução lógica para
o problema: ele colocou uma bandeira com o mastro ereto no seu posto de
observação que ficava atrás das câmeras. Quando ele queria “cortar” a filmagem,
ele meramente levantava a bandeira de rendição e todos os disparos paravam.
TERRÍVEL COMO O INFERNO rendeu quase dez milhões de dólares durante a
exibição no decorrer de seu lançamento nos grandes cinemas, e assim se tornou
um dos êxitos comerciais da Universal em seus 43 anos de estúdio. A princípio,
o filme não seria exibido até outubro de 1955, mas o estúdio acreditou que o
filme seria uma grande sensação, portanto deu plena liberdade a Audie para
escolher papéis, desde que tivessem bastante ação. Terry Murphy, o filho mais
velho de Audie, fez o papel do pai quando ele tinha 4 anos.
UM
WESTERN AO LADO DE UMA LENDA -
:JAMES STEWART
Escrito pelo
especialista do gênero Borden Chase (1899-1971) e produzido por Aaron Rosemberg
(1912-1979), A Passagem da Noite/Night Passage, de 1957, deveria ter sido dirigido por Anthony Mann, que largou o
projeto no início, alegando “receio de reprisar demais uma fórmula”, já que
tanto o roteirista, o produtor, e mais o astro James Stewart (1908-1997) vinham
de uma série de westerns semelhantes. O novato James Neilson (1909-1979)
assumiu o comando desde que veio a ser o primeiro filme rodado pelo sistema
Technirama (criado pela Techinicolor para rivalizar com o Cinemascope).
Na história,
o guarda ferroviário Grant MacLaine (Stewart) enfrenta a quadrilha de White
Harbin (Dan Duryea, 1907-1968), da qual faz parte seu irmão caçula Útica Kid
(Audie Murphy), que pela quarta vez executa assalto ao trem pagador.
O menino
Joey Adams (Brandon de Wilde, 1942-1972, de Shane)
esconde o dinheiro mais o bando sequestra
como refém Verna Kimbail (Elaine Stewart, 1930-2011), mulher do dono da
ferrovia (Jay C Flippen, 1899-1971).
Contracenar
com o incrível Jimmy foi uma sensação de grande felicidade para Audie, pois
rendeu a ele seu terceiro dos quatro papéis de suporte, e ainda, num western de
alto orçamento. Fizeram amizade ao longo da produção e ambos tinham muito em
comum, visto que além de servirem ao Exército Americano e lutado na II Guerra (Stewart
foi aviador), Murphy repetiu o mesmo papel de Jimmy no remake de Atire a Primeira
Pedra/Destry Rides Again, (1939), que aqui se chamou Antro da Perdição/Destry,
em 1954, criando uma sequência em que Mari Blanchard se atraca numa luta contra
Mary Wickes, lembrando uma das mais memoráveis sequências da versão original que
é a briga de Marlene Dietrich e Una Merkel no Last Chance Saloon. Ambas as versões foram dirigidas pelo mesmo
cineasta, George Marshall (1891-1975).
O romance de
autoria de Alan Le May (o mesmo autor de Rastros
de Ódio), publicada em 1957, foi comprada por 75 mil dólares pela empresa Hecht-Hill-Lancaster,
dos proprietários Harold Hecht, James Hill, e do ator Burt Lancaster
(1913-1994). Lancaster encabeçaria o elenco desse faroeste em superprodução que
teria ainda Kirk Douglas, Audrey Hepburn, Lilian Gish e Charles Bickford nos
papéis principais. Mas Kirk Douglas
preferiu não atuar em outro western naquele momento, o que levou Burt a sondar
Tony Curtis que também declinou do convite. Richard Burton foi também cogitado,
mas o papel de irmão de Lancaster no filme acabou ficando para Audie Murphy.
Defendido
por um elenco de peso, O Passado Não Perdoa/The Unforgiven, de
1960, se passa entre os pioneiros do Texas de 1870. Rachel Zachary (Audrey
Hepburn, 1929-1993) esta na fazenda de uma família com a mãe, Matilda (Lilian
Gish, 1893-1993). Ben (Burt Lancaster), o filho mais velho, foi a Wichita
contratar vaqueiros, deixando os irmãos Cash (Audie Murphy) e Andy (Doug
McClure, 1935-1995), encarregados de vigiar o gado. Mas saindo de casa, Rachel
encontra uma figura estranha, Abe Kelsey (Joseph Wiseman, 1918-2009), que a
questiona sobre sua origem e a amedronta. Matilda, de arma em punho, o expulsa
das terras.
Ben retorna
com os empregados, entre eles Johnny Portugal (John Saxon), um mestiço com quem
Cash logo antipatiza. Raquel recebe o
irmão com uma afeição além do fraternal. Zeb Rawlins (Charles Bickford,
1891-1967), vizinho e sócio dos Zachary, pede a Ben permissão para que o filho
Charlie (Albert Salmi, 1928-1990) namore Rachel. Não demora, o estranho Kelsey
espalha na cidade que Rachel é uma índia adotada e sua presença significa uma
ameaça, pois os temíveis kiowas querem reavê-la a força.
Um índio
procura Ben disposto a pagar por Rachel, mas não conseguindo seu intento,
promete se vingar dos Zachary. Nesse interim, os apaches matam Charlie, e Zeb,
desesperado, chama Rachel de índia em público, culpando-a pela tragédia. Para
refutar a acusação, Ben e os irmãos saem em busca de Kelsey, obrigando-o a confessar
a cumplicidade no assassinato de Charlie. Kelsey é enforcado, mas morre
revelando a ascendência de Rachel. Matilda admite a veracidade da história de
Kelsey e os quatro filhos ficam chocados. Cash, embriagado, briga com a família
e os abandona. Os Kiowas surgem, e na luta, Matilde morre e Andy se fere. Num
último intuito, Cash volta para o rancho, e ele e Ben afugentam os índios. Ben
e Rachel descobrem que se amam.
A intenção
do diretor John Huston era fazer uma obra mais séria do que a concebida pelos
produtores. Pretendia transforma-la numa
história de intolerância racial numa cidade da fronteira, num comentário sobre
a verdadeira natureza da chamada “moralidade pública” – Disse Huston.
Os
patrocinadores não concordaram e o
tema foi dissipado no relato e absorvido por clichês do faroeste, aliás, o
primeiro exemplar legítimo, e CLASSE A do cineasta no gênero.
O PASSADO NÃO PERDOA custou mais de 5 milhões de dólares,
sendo parte dessas despesas devida ao atraso de três semanas provocado pelo
acidente em que Audrey Hepburn, ao cair de um cavalo, quebrou uma vértebra das
costas. Hepburn, que estava grávida, perdeu o bebê. . “Me senti culpado, por tê-la obrigado a montar pela primeira vez.”-
lamentou John Huston, que nunca se perdoou por isso.
AUDIE
MURPHY, durante as folgas das filmagens, costumava caçar patos num lago das
redondezas, mas um dia seu barco afundou, e ele foi salvo por uma fotógrafa que
passava pelo local.
Anos depois,
John Huston depreciou sua obra numa entrevista:
“Mas no fim o pior de tudo foi o filme que
fizemos. Tem alguns, na minha carreira, que não ligo a mínima importância, mas O Passado Não Perdoa é realmente o
único de que não gosto. Apesar de alguns bons desempenhos, o tom geral é
bombástico e muito pretensioso. Não há nenhum personagem que não seja heróico.
Uma noite dessas, ainda bem recentemente, assisti pela televisão e mais ou
menos na metade da primeira parte tive que desligar para não ver mais aquela
droga. Não deu para aguentar.”
A atuação de
Audie Murphy em The Unforgiven é geralmente considerada a melhor de sua carreira. O Passado não Perdoa teve filmagens em
Durango, Novo México. Na verdade, foi um Western que respondeu ao apelo
discriminatório de Rastros de ódio/The
Searchers, realizado em 1956 por John Ford, cuja história original era do
mesmo autor de The Unforgiven, Alan
Le May (1899-1964). Enquanto The Searchers continha uma mensagem
desfavorável à raça indígena, The
Unforgiven tinha a pretensão de combater a intolerância racial.
AUDIE INGRESSA EM OUTROS GENEROS
Audie
ingressou em outros estilos cinematográficos além dos faroestes. O notável Terrível como o Inferno foi um destes
exemplares. Ainda que Audie fizessem seu próprio papel em suas duras e penosas
experiências na II Guerra, ele sentiu que poderia embarcar em outros gêneros e
ser mais do que um cowboy nas telas, e isto se seguiria na década seguinte,
onde veremos no próximo artigo.
O MUNDO ENTRE CORDAS- 1956
(World in My Corner)
Tommy Shea
(Murphy) é um árduo e jovem pugilista. Ele perde em um campeonato amador, mas
várias pessoas veem o seu potencial para lutar profissionalmente. Seu treinador
acredita que sua carreira vai deslanchar, e entra em contato com o empresário
Harry Cram (Howard St. John, 1905–1974). Mas Tommy recusa, mas a seguir, outro
empresário se aproxima do rapaz, Dave Bernstein (John McIntire, 1907-1991), que
lhe cede um cartão de visitas.
Tommy acaba
perdendo seu emprego numa fábrica e liga para Dave, dizendo-lhe que aceita ser
treinado como lutador. O rapaz conhece Robert T. Mallinson (Jeff Morrow,
1907-1993), que é o responsável pela promoção de novos pugilistas.
Tommy se
apaixona pela filha de Mallinson, Dorothy (Barbara Rush) e passa a treinar para
o pai dela, que lhe arruma uma luta e outras novas propostas.
Após vencer
seu primeiro combate, Tommy leva Dorothy para a arena ao qual foi treinado. Ele
explica a ela que escolheu o boxe porque acredita ser a maneira mais fácil de
ganhar dinheiro, mas a moça diz que dinheiro não é tudo na vida.
Mallinson
oferece a Tommy para ficar em sua casa e ele aceita, mas sua namorada não quer
que ele trabalhe mais para seu pai, mas Tommy fala com ela para não se
preocupar. O jovem lutador aprecia o idealismo de Dorothy e seu pai não poderia
mais controla-la. Certo dia, Tommy vê Dorothy fazer as malas pois descobriu que
seu pai não agiu de boa para com o namorado. Depois que ela vai embora, Tommy
se recusa a lutar mais. O empresário de lutas Cram sabendo da decisão de Tommy
manda três capangas darem uma surra no rapaz, que acaba saindo gravemente
ferido.
O médico
fala para Dave que Tommy não poderá mais lutar, mas aos olhos de sua querida
Dorothy, Tommy já era um campeão, e assim, o rapaz desiste de sua carreira no
boxe.
Por duas
semanas, Audie Murphy treinou boxe com Chico Vejar, pugilista profissional que
desponta no elenco, além de outros boxers de Los Angeles. Audie gostava de seu
trabalho, de seu esforço, e ele acreditava na sua maturidade como ator. O
diretor Jesse Hibbs (que já havia dirigido Audie em Terrível como o Inferno, no
ano anterior) ficou impressionado com a garra de Murphy, já que treinou num
total de 8 semanas para parecer um expert no ringue. As cenas de lutas foram
filmadas em 3 dias e estava muito condicionado.
Não demorou
muito, Audie lutou com Vejar e lhe deu
vários socos, causando-lhe um corte no supercílio. A luta foi muito aplaudida
pela equipe de filmagem. As imagens são mesmo de um impressionismo e de
autenticidade únicas, como se realmente Audie fosse um profissional no Boxe. O
filme foi bem recebido, mas Murphy e a Universal Pictures logo percebeu que
seus fãs ainda queriam vê-lo mesmo nos faroestes.
A ROSA DO
ORIENTE (1957)
(Joe
Butterfly)
Única
tentativa de Audie na comédia. Foi feita uma pequena apresentação em um cinema
de Manhattan e pareceu ter repercutido bem entre o público, assim como nas
bilheterias. Entretanto, alguns críticos deram somente alguns vagos elogios ao
trabalho de Audie. Obviamente, ele não pensava em ser um amante ou comediante
nas telas. Certamente, seu melhor trabalho é mesmo nos westerns, onde ele se
sentia mais confortável.
O AMERICANO
TRANQUILO (1958)
(The Quiet
American)
Outro
esforço notável e admirável de Audie fora do gênero faroeste foi em O Americano
Tranquilo, em 1958. Ele foi convidado pelo premiado diretor Joseph L.
Mankiewicz (1909-1993), que confiou no potencial de Murphy, e este arrumou as
malas para Roma e começou a ler o célebre livro de Graham Greene (1904-1991) em
seu quarto de hotel.
Audie
acreditava que qualquer coisa que Joseph fizesse seria ótima. Durante as
filmagens, Murphy e Pam celebraram seu sétimo aniversário de casamento, em
Roma. O Americano Tranquilo ainda teve filmagens em Saigon e participação de Michael Redgrave.
CONTRABANDO
DE ARMAS (1958)
(The Gun
Runners)
Mais uma
tentativa de Audie se solidar como um astro na meca do cinema, como Sam Martin,
um capitão de barco que se infiltra em regime de contrabando de armas para
conseguir dinheiro para pagar as dívidas. Baseado no romance de Ernest
Hemingway (1899–1961), foi dirigido por Don Siegel (1912-1991), e ainda no
elenco Eddie Albert (1906-2005) e Patricia Owens (1925-2000), como a esposa de
Sam.
AUDIE POR
AUDIE
Sempre que
Audie estava no elenco de um filme, duas coisas aconteciam: ou ele usava um
uniforme, ou ganhava um cavalo. Naturalmente, ele tinha muita facilidade com
qualquer uma das duas. Muitos sulistas nascem para selas de cavalos, e Audie
não era uma exceção. Ele se sentia tão confortável com uma arma qualquer, fosse
uma metralhadora ou um rifle. Gostava de encenar o mocinho, mas uma vez ou
outra, poderia encarar um anti-herói como em Balas que não Erram. Segurança e
autoconfiança eram lados fortes da personalidade de Audie Murphy.
A SAGA
CONTINUA DAQUI A UMA SEMANA. BREVE A TERCEIRA PARTE DA SAGA DE UM DOS GRANDES
“MOCINHOS” DO FAROESTE.
AUDIE MURPHY
NO INÍCIO DA DÉCADA DE 1960 ESTREOU UMA SÉRIE TELEVISIVA, MAS NÃO DEIXOU DE
ATUAR NO CINEMA ONDE MAIS DO QUE NUNCA PERSONIFICOU O COWBOY ESTILOSO NOS
WESTERNS.
A DÉCADA DE
1960 FOI UMA ÉPOCA DE MUDANÇAS NO GÊNERO CONSIDERADO GENUINAMENTE AMERICANO, E
UM DOS MAIS AMERICANOS DOS COWBOYS INGRESSA EM UM WESTERN A LA ITALIANA. VOCÊ
SABE QUAL É?
NO FINAL DOS
ANOS 60, COM A CARREIRA CINEMATOGRÁFICA EM DECLÍNIO, AUDIE INVESTE EM OUTRAS
EMPRESAS. MAS UMA ACUSAÇÃO DE TENTATIVA DE ASSASSINATO EM UMA BRIGA DE BAR AMEAÇA SUA
REPUTAÇÃO E SUA INTEGRIDADE.
SEGUE A SAGA 3 EM -
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