quarta-feira, 11 de novembro de 2015

Os Profissionais (1966) de Richard Brooks – A Resposta Americana para os Westerns Italianos.


Em 1966, os faroestes italianos estavam em franca ascensão, após o estrondoso sucesso da trilogia de Sergio Leone (Por Um Punhado de Dólares, Por uns Dólares a Mais, Três Homens em Conflito) e de obras como Django, de 1966, dirigido por Sergio Corbucci, e O Dólar Furado, de 1965. O novo estilo de se fazer westerns por parte de cineastas europeus já haviam conquistado as plateias. O velho estilo americano não parecia mais cativar o público, que exigia mais ação do que qualquer outra coisa. Prova disso, é que não demorou que ambos os lados, americanos e europeus, duelassem entre si para quem era o detentor das verdadeiras superproduções do gênero Western, gênero este que há de convir, é genuinamente americano por excelência. Mas que os europeus moldaram e ainda ajudaram a dar sobrevida ao gênero.



O diretor Richard Brooks, de branco, com sua equipe nas locações de OS PROFISSIONAIS, no México
O Cineasta Brooks, sem camisa, conversando com Lee Marvin, sob os olhares de Burt Lancaster e Woody Strode, num intervalo das filmagens.
Em geral, os faroestes italianos situavam suas tramas no México, lugar bem sugestivo, onde o foco era os mercenários tão bem retratados por Clint Eastwood nas obras de Sergio Leone. Nos westerns Spaghetti não existe o herói tão externado nos westerns americanos de praxe. Logo, para que Hollywood não perdesse o duelo com os estrangeiros, precisou fazer uma releitura e levar os elementos bem estigmatizados nos faroestes italianos para os faroestes norte-americanos. E isso exatamente veio a acontecer em Os Profissionais (The Professionals) em 1966, dirigido por Richard Brooks (1912-1992), outrora um roteirista conceituado que se tornou cineasta, e dos bons.

OS QUATRO "PROFISSIONAIS"
Jake  (Woody Strode), Ehrengard (Robert Ryan) e Fardan (Lee Marvin)
Os Profissionais é um western de proporção bem aventuresca, reabrindo de alto a baixo a fronteira mexicana, estrada esta percorrida em muitos dos faroestes italianos e que até mesmo o lendário cineasta Eric Von Stroheim já havia feito o mesmo itinerário em sua obra Ouro e Maldição, de 1928. Quando pensamos no velho México como rota de bandoleiros, o que desenhamos nas nossas mentes? Muita tequila, muitas muchachas, e claro, bandidos e toda crueldade de violência. E isso sem contar ainda que uma revolução estava em processo em 1917, onde dela se emergiu alguns mitos, como Pancho Villa ou Emiliano Zapata, mitos estes que o próprio cinema se encarregou de levar suas vidas para as telas, sempre às vezes com um pouco de lenda e romance. O interessante que Brooks ao levar seu western recorre a estes elementos de ação tão divulgados por Leone e Corbucci, sem é claro de deixar de prestar uma homenagem ao clássico O Tesouro de Sierra Madre, de John Huston, onde Brooks aproximou seu western a uma energética tensão comparado a obra de Huston. Aliás, Os Profissionais relembra numa só vez outros filmes do gênero, contudo cada um com seu enquadramento ou temática, como por exemplo, a densidade pictorialmente dramática de Ouro e Maldição, as colonizações políticas de Viva Zapata, e até mesmo, do sarcasmo mercenário de Vera Cruz, de Robert Aldrich, onde há quem diga que os cineastas italianos se inspiraram neste filme para compor eles mesmos seus trabalhos ao estilo.

Fardan e Dolworth, dois "Soldados da Fortuna"
Ehrengard e Dolworth, examinando os riscos
O Aventureiro Jake e Maria
Seja como for, Os Profissionais restaurou a carreira de Richard Brooks, que estava em momentâneo declínio após o fracasso de seu filme anterior, Lord Jim, que o deixou bem abalado. Brooks era um de tantos diretores da década de 1960 para quem a aventura, além de um objetivo dominante, pode ser um verdadeiro exercício ao estilo. A aventura indômita e sem subterfúgios, dela emergindo uma emoção, uma nuance psicológica, mas sempre a frente do perigo, que também não se desprende de uma intenção ética se esse perigo coloca personagens em crise ou acelera o processo de uma decisão individual. No caso, o que se decide é o valor da revolução mexicana de 1917 e “os profissionais” do título irão discuti-lo nos momentos de trégua de suas aventuras, quando é preciso pensar antes de prosseguir com a caminhada.

Maria (Claudia Cardinale) e Raza (Jack Palance)
O barão Grant, vivido por Ralph Bellamy
Claudia Cardinale é Maria
WESTERN com ritmo de bang bang a italiana, traz vários personagens embarcados numa aventura em comum, e chegam até mesmo a serem solidários, chegando ao ponto de decidir entre o amor de Maria (Claudia Cardinale) e a arrogância de Grant (Ralph Bellamy,1904-1991). Sim, nossos “heróis” são mercenários, mas ainda tem escrúpulos, embora sejam contratados por Grant, um fazendeiro e político muito rico, que os contrata para resgatar a jovem mexicana Maria, sua esposa, que fora raptada por Raza (Jack Palance, 1919-2006), um bandoleiro mexicano. A recompensa atraí “os profissionais”.

Robert Ryan é Ehrengard
Lee Marvin é Fardan
Burt Lancaster é Dolworth
Woody Strode é Jake
Grant contrata quatro “profissionais” de guerrilha para resgatar sua mulher. São eles: Fardan (Lee Marvin, 1924-1987) e Dolworth (Burt Lancaster, 1913-1994), outrora adeptos de Raza; Ehrengard (Robert Ryan, 1909-1973), um especialista em cavalos; e um caçador de recompensas negro, Jake (Woody Strode, 1914-1994), que é perito em arco e flecha. De repente, tudo parece se modificar, e os “profissionais” contratados por Grant partem juntos com os homens de Raza, a luta continua contra um adversário comum. A situação parece se inverter, mas na verdade esta apenas se renovando à medida que a aventura desliza, ereta, em trânsito, para outras façanhas. Entre um acordo fraudulento e a simpatia política pelos revolucionários, os quatro “profissionais” não vacilam e escolhem a sua segunda chance. Aliás,é a oportunidade da “segunda chance” o tema abordado nesta fita de Brooks, que ele abordara emLord Jim, mas que em Os Profissionais ele restaura não com tanto manifesto como o fez na sua adaptação cinematográfica do livro de Joseph Conrad, mas sim, categoricamente enquadrado. Como Lord Jim, Os Profissionais promovem com a reviravolta final, a sua retratação ética. 

Com Fardan não se brinca.
A estratégia de Dolworth

O crítico inglês David Adams comparou Os Profissionais a Sete Homens e Um Destino, a conversão ao Western da coreográfica violência de Os Sete Samurais, de Akira Kurosawa. Entre os pontos de identidade entre os dois filmes, o ator mexicano Jorge Martinez de Hoyos (1920-1997) em papel equivalente, o prólogo apresentando em sua especialidade os heróis convocados para a missão; a música de Maurice Jarre (1924-2009), recompondo a suíte mexicana de Elmer Bernstein; e na trama, a recaptura de uma mulher em pleno deserto. Em vez dos “sete magníficos”, quatro “profissionais” que são mercenários, aventureiros, “soldados da fortuna”.


O revolucionário Raza, vivido por Jack Palance, sendo cuidado por Maria

Os “Profissionais” agem juntos, mas cada um tem uma personalidade. Dentre eles, o caráter de Dolworth (Lancaster) antagoniza com a personalidade de Fardan (Marvin), e muito embora amigos, trava-se um conflito entre os dois que irá conferir ao filme seu suplemento ideológico.

Jack Palance é Raza.

Mas é a categoria do elenco, que nem sempre Hollywood pode reunir uma constelação de estrelas como se reuniu para a composição desta fita, que dá equilíbrio a trama, e não deixou de ser de propósito a escalação de Claudia Cardinale para o papel de Maria. Se Brooks quis mesmo realizar um trabalho no gênero Western aos moldes dos cineastas europeus, a convocação da atriz italiana não foi coincidência. O roteiro redigido por Brooks, que nem sempre foi disciplinado a sua vocação literária, por sua vez adaptou a novela de Frank O’ Rourke (1916-1989) intitulada A Mule for the Marquesa, e pôde colocar na boca da protagonista feminina e do revolucionário Raza, vivido por Jack Palance, verdades românticas e frases feitas, cuja função, na imagem ríspida da aventura, chega a ser inadequada e postiça. 

Woody Strode e Lee Marvin conversam durante uma folga das filmagens.
A Bela italiana Claudia Cardinale num Western americano
Robert Ryan como Ehrengard em ação
Talvez essa deficiência na estruturação dos personagens com a linha política não entrava, porém, a marcha indômita dos “Profissionais” não diminui a tensão, a tenacidade, e o ritmo tão bem enquadrados num bom espetáculo de ação. A partir desta obra é que os cineastas americanos passaram a inovar o bom e tradicional cinema de faroeste, afinal, não queriam perder o terreno para os italianos. Seja como for, passados quase 50 anos de seu lançamento, Os Profissionais foi a resposta americana para os então producentes faroestes italianos que vigorava na moda, sendo até hoje capaz de prender o espectador, mesmo o mais jovem, pois expressa o perfeito domínio do cineasta Richard Brooks e o dos astros Burt Lancaster, Lee Marvin, Robert Ryan, Woody Strode, Jack Palance, e claro, Claudia Cardinale, sobre as leis do espetáculo e o avanço do tempo.


Marie Gomez é Chiquita, uma revolucionária a serviço de Raza


FICHA TECNICA

Divulgação de OS PROFISSIONAIS nas salas do Rio de Janeiro, pelos jornais. O CINE ODEON, ainda de pé na Cinelândia, foi uma das salas a abrigar o espetáculo.
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PROFISSIONAIS

Título Original – The Professionals

Ano – 1966

Direção – Richard Brooks

Roteiro – Richard Brooks e Frank O’ Rourke, baseado no livro A Mule for The Marquesa, de Frank O' Rourke.

Gênero - Western


País- Estados Unidos


Metragem - 117 minutos

ELENCO
Lee Marvin ... Henry "Rico" Fardan
Burt Lancaster ... Bill Dolworth
Robert Ryan ... Hans Ehrengard
Woody Strode ... Jake Sharp
Jack Palance ... Corrida de Jesus
Claudia Cardinale ... Maria
Maria Gomez...Chiquita
Ralph Bellamy ... JWGrant
Joe De Santis …Ortega
Jorge Martinez de Hoyos ... Eduardo Padilla
Marie Gomez...Chiquita

Producao e pesquisa
PAULO TELLES
matéria atualizada em 20 de abril de 2018.


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terça-feira, 27 de outubro de 2015

Maureen O’ Hara: Vida e Obra de Uma Grande Estrela das Telas.


 Maureen O’ Hara (1920-2015) morreu em 24 de outubro de 2015, aos 95 anos. Representante de uma era clássica e um estilo inconfundível, Maureen brilhou em Hollywood e no cinema internacional não somente graças a sua beleza, como também pelo seu talento e carisma, vivendo geralmente heroínas de personalidade forte. Considerada também a Rainha do Techinicolor e uma das poucas atrizes que sabia realmente esgrimir em filmes de Capa & Espada, vamos relembrar um pouco da trajetória desta irlandesa que conquistou o coração de inúmeros fãs pelo mundo, se tornando uma legenda e um ícone da cultura cinematográfica.

Por Paulo Telles


Maureen O'Hara nasceu na Beechwood Avenue, localizada em Ranelagh, subúrbio irlândes, a 17 de agosto de 1920, sob o nome de batismo de Maureen FitzSimons. Ela tinha cinco irmãos, sendo ela a segunda filha mais velha. Seu pai era um empresário do ramo de roupas, que também comprou o Shamrock Rovers Football Club, time que a atriz apoiava desde a infância. Sua mãe, uma ex-cantora de óperas, era uma costureira bem sucedida. Maureen foi criada como católica, religião que continuou seguindo até o fim de sua vida.


Maureen frequentou a Abbey Theatre, uma escola de representação, e a Ena Mary Burke School of Drama and Elocution, em Dublin. Nessa época, ela sonhava em ser uma atriz de teatro. Dos seis aos dezessete anos, ela recebeu treinamento em drama, canto e dança. Aos dez anos, ela entrou para a Rathmines Theatre Company, onde atuava em peça amadoras. Mas seu pai não apoiava completamente as aspirações teatrais da filha. Ele insistiu que ela aprendesse alguma coisa alternativa para o caso de sua carreira como atriz não decolasse. Então, ela se matriculou em uma escola de contabilidade e tornou-se uma eficiente contadora e datilógrafa. Curiosamente, tais habilidades vieram a ser úteis anos mais tarde, quando ela precisou transcrever notas para o cineasta John Ford na adaptação cinematográfica de Depois do Vendaval, conto de Maurice Walsh. 

Maureen em A ESTALAGEM MALDITA, 1939
Ela se saiu bem em seu treinamento na escola Abbey, por isso ganhou a oportunidade de fazer um teste em Londres para o cinema. Em 1938, ela fez uma ponta em seu primeiro filme (Kicking the Moon Around), em Londres, sob o nome artístico de Maureen FitzSimons, seu verdadeiro nome.


O COMEÇO DA CARREIRA CINEMATOGRÁFICA
Com Charles Laughton- A ESTALAGEM MALDITA.
Em 1939, Maureen O’ Hara (agora utilizando o nome artístico que tanto a consagrou), tem seu primeiro grande destaque num filme do Mestre do Suspense, Alfred Hitchcock (1899-1980):  A Estalagem Maldita/ Jamaica Inn, contracenando com Charles Laughton (1899-1962), que ficou tão fascinado pela beleza ruiva e os olhos verdes de Maureen que a levou para Hollywood, onde junto com ele atuou em seu primeiro filme americano, a adaptação do clássico imortal literário de Victor Hugo (1802-1885), O Corcunda de Notre Dame, onde Maureen viveu a fascinante cigana Esmeralda.

Maureen, a mais bela Esmeralda das telas
Maureen em O CORCUNDA DE NOTRE DAME - com Charles Laughton
Com Lucille Ball - A VIDA É UMA DANÇA, 1940
Em 1940, Maureen atuou com Adolphe Menjou (1890-1963) em Vítimas do Divórcio/A Bill of Divorcement, de John Farrow, seguido de A Vida é uma Dança/Dance, Girl, Dance, musical dirigido pela cineasta Dorothy Arzner (1897–1979), e Conheceram-se na Argentina/They Met in Argentina, de Leslie Goodwins (1899–1969). 
ATRIZ PREFERIDA DO MESTRE JOHN FORD.

Como Maureen, o diretor John Ford (1895-1973) possuía raízes irlandesas e se identificava com a atriz no quesito de personalidade, por isso, a atriz foi uma das favoritas deste cineasta. Maureen atuou em cinco filmes do Mestre: Como Era Verde o Meu Vale (1941), A Paixão de uma Vida (1955), Rio Bravo (1950), Depois do Vendaval (1952), e Asas de Águias (1957). Com exceção dos dois primeiros, Maureen teve como seu galã o amigo John Wayne (1907-1979).

Com Walter Pidgeon - COMO ERA VERDE MEU VALE, de 1940, direção de John Ford.
Como Era Verde o Meu Vale (How Green Was My Valley), de 1940, foi baseado no livro de Richard Llewellyn (1906-1983), contando a história de uma família de mineiros do País de Gales no princípio do século XX, narrada por um dos moradores sessenta anos depois dos fatos acontecidos com os membros da sua família, bem como suas desventuras e emoções e, também, a vida dos habitantes de seu vale. Maureen viveu Angharad, irmã mais velha do narrador (vivido na fase infantil por Roddy McDowall), que se apaixona por um professor, Gruffydd (Walter Pidgeon, 1897-1984), mas a relação não é bem vista pelos moradores do local.

Com Tyrone Power - A PAIXÃO DE UMA VIDA, de 1955, Direção de John Ford.
A Paixão de uma Vida (The Long Gray Line) foi o primeiro filme em CinemaScope de Ford. Conta a história real de Marty Maher (vivido por Tyrone Power), sargento irlandês-americano que foi instrutor na academia militar de West Point de 1899 até o final da Segunda Guerra Mundial. Maureen interpreta Mary, a dedicada esposa de Marty.


DAMA CAPA & ESPADA- A "RAINHA PIRATA".
Com Tyrone Power- O CISNE NEGRO, de 1942
Maureen veio a se consagrar em filmes Capa & Espada, aonde facilmente veio a demostrar as plateias sua faceta tão bem conhecida, a de uma mulher com forte personalidade, indômita, e corajosa, o que lhe rendeu também a alcunha de "Rainha Pirata".  Seu primeiro trabalho no gênero foi no clássico O Cisne Negro (The Black Swan), de 1942, contracenando com o herói Tyrone Power (1913-1959), onde vive Lady Margaret Denby, uma aristocrata que não resiste aos encantos do pirata Jamie Waring, vivido por Power, e com quem juntamente enfrenta os vilões Capitão Billy Leech (George Sanders, 1906-1972) e seu aliado Wogan (Anthony Quinn, 1915-2001). Direção de Henry King (1886-1982).

Com Binnie Barnes - O PIRATA DOS SETE MARES - 1945
O Pirata dos Sete Mares (The Spanish Main), de 1945, traz Maureen no papel da Condessa Francesca, que se une a um pirata vivido por Paul Henreid (1908-1992), direção de Frank Borzage (1894-1962). 

Com Douglas Fairbanks Jr - SIMBAD, O MARUJO
Simbad, o Marujo (Sinbad, the Sailor), de 1947, não necessariamente um filme ao estilo, mas uma aventura das mil e uma noites, onde atua com o lendário aventureiro Douglas Fairbanks Jr (1909-2000). Direção de Richard Wallace (1894-1951).

Entre Alan Hale Jr, Cornel Wilde, e Dan O' Herlihy - OS FILHOS DOS MOSQUETEIROS, 1952
A Filha do Mosqueteiro (ou Os Filhos dos Mosqueteiros - At Sword's Point), de 1952, rendeu a atriz um pouco mais de empenho, pois precisou praticar esgrima para viver Claire, a filha de Athos, um dos famosos “Três Mosqueteiros” da obra de Alexandre Dumas (1802-1870), numa trama onde os filhos dos demais mosqueteiros decidem se unir e lutar pela justiça, revivendo as façanhas e a lenda áurea dos mosqueteiros originais. Dirigido por um artesão, Lewis Allen (1905-2000), e estrelado por Cornel Wilde (1915-1989, como o filho de D'Artagnan), dividindo as honras com O’ Hara. 

Com Anthony Quinn - CONTRA TODAS AS BANDEIRAS - 1952
Prestes a ser beijada por Errol Flynn - CONTRA TODAS AS BANDEIRAS
Maureen en garde
Não diferentemente de A Filha do Mosqueteiro, novamente Maureen empunha a espada em Contra todas as bandeiras (Against All Flags), 1952, dirigido por George Sherman (1908-1991), onde contracena com um dos grandes heróis do gênero Capa & Espada que já existiu, Errol Flynn (1909-1959), e juntamente com ele e em eletrizantes cenas de ação (Maureen aprendeu a esgrimir muito bem, sem recurso de dublês!) faz jus como parceira de Flynn nesta aventura, tendo Anthony Quinn como o vilão Brasiliano.


JOHN WAYNE, AMIGO E PARCEIRO ROMÂNTICO NOS FILMES.

O diretor John Ford já havia empreendido parceria sólida com o astro John Wayne, desde No Tempo das Diligências, em 1939, filme que o cineasta lançou potencialmente Wayne ao estrelato. Mas em 1952, esta parceria se intensificou quando os dois resolveram viajar a Irlanda para filmar o que seria um dos filmes mais famosos e um dos melhores da safra do diretor, do Duke, e também da carreira de  Maureen O’ Hara, que considerou esta fita seu predileto: Depois do Vendaval (The Quiet Man), baseado em conto do autor irlandês Maurice Walsh (1879–1964).



The Quiet Man tem uma das cenas mais antológicas do cinema: a da pegada de Wayne em Maureen, seguida de um beijo, quando ela tenta lhe revidar com um tapa, mas não consegue. Ela se apaixona por ele, mas para viver esse amor, ela tem que enfrentar a vontade do irmão vivido por Victor McLaglen (1886-1959) por conta da herança que ela tem, mas Wayne não vai deixar isso barato, e ele e Mclaglen tem outra cena antológica neste grande filme de Ford, que será a briga de socos, apoiado pelos habitantes do local que se empolgam e lançam suas apostas para ver quem vence. 

Protegendo Claude Jarman Jr de Wayne, em RIO BRAVO, 1950, Direção de John Ford
Depois do Vendaval ganhou os Oscars de melhor direção (John Ford) e melhor fotografia por Winton C. Hoch (1905–1979), colaborador de Ford. A trilha sonora foi composta por Victor Young (1900-1956). Maureen contracenou  com seus irmãos na vida real neste filme,  Sean McClory (1924-2003)  e Charles FitzSimons (1923-2001).

Abraçada a Wayne, sob a vista de Dan Dailey - ASAS DE ÁGUIA, 1957, direção de John Ford
Com Wayne, Maureen  já havia feito Rio Bravo/Rio Grande,em 1950, e ainda faria Asas de águia (The Wings of Eagles), em 1957, sobre a vida do aviador e roteirista de cinema Frank Wead, que era amigo e colaborador de John Ford, resolvendo o cineasta dirigir esta fita em sua homenagem.

Levando umas palmadas do Duke, em QUANDO UM HOMEM É HOMEM, de 1963.
Entre Wayne e Chill Wills - QUANDO UM HOMEM É HOMEM
Quando um Homem é Homem (McLintock!), dirigido por Andrew V. McLaglen (1920-2014) em 1963 (McLaglen era filho do ator Victor McLaglen e discípulo do Mestre Ford), versão da obra de William Shakespeare A Megera Domada, transportada para o Velho Oeste com muito ritmo e humor, onde Maureen tem uma atuação divertidíssima novamente ao lado de John Wayne. 

Maureen em JAKE GRANDÃO, 1970
Maureen com Wayne - JAKE GRANDÃO
Maureen ainda faria uma pequena participação em 1970, no western Jake Grandão (Big Jack), fazendo a esposa de Wayne e sob direção de George Sherman. Verdadeiros amigos na vida real, a atriz irlandesa foi uma das que mais se empenharam no Congresso Americano para que o velho astro (que estava morrendo de câncer) recebesse a Medalha de Honra do Congresso Americano. Pelos feitos cinematográficos e pela sua honrosa contribuição ao país. Wayne recebeu a medalha pouco antes de seu falecimento, a 11 de junho de 1979, e sua morte atingiu em cheio o coração de Maureen, que jamais o esqueceu.


A DAMA DOS WESTERNS

Com Joel McCrea - BUFFALO BILL, 1944
Maureen O' Hara também foi considerada como uma das grandes damas do Western. Além dos trabalhos no gênero realizados com John Wayne (Rio Bravo, Quando um Homem é Homem, Jacke Grandão), ela também foi estrela de algumas das aventuras ao estilo, começando com Buffalo Bill  (Buffalo Bill), de 1944, dirigido por um dos grandes artesãos do cinema, William A. Wellman (1896-1975), e estrelado por um astro de envergadura ao estilo, Joel McCrea (1905-1990), no papel de William Cody, o lendário Buffalo Bill (1846-1917). Maureen vive Louisa Frederici Cody, a esposa do personagem-título, numa fita onde despontam Linda Darnell (1923-1965), e Anthony Quinn como o Chefe Mão Amarela, inimigo de Bill. 

Com McDonald Carey - TERRITÓRIO COMANCHE, TERRA SELVAGEM, 1950
Território Comanche, Terra Selvagem (Comanche Territory), de 1950, dirigido por George Sherman, onde ela vive a banqueira e dona de um saloon, Kate Howard, que se une ao lendário aventureiro Jim Bowie (McDonald Carey, 1913-1994), o mesmo que inventou a faca que leva seu sobrenome e que morreria no Álamo em 1836, para defender os índios comanches. 

Com Alex Nicol, a sua esquerda - A RAINHA DOS RENEGADOS, 1953
A Rainha dos Renegados (The Redhead from Wyoming), de 1953, praticamente repete seu papel em Território Comanche, Terra Selvagem, onde ela se une a um xerife, vivido por Alex Nicol (1916-2001) a combater inescrupulosos barões de gado. Dirigido por Lee Sholem (1916-2001).

Com Jeff Chandler - A GRANDE AUDÁCIA, 1953
A Grande Audácia (War Arrow), 1953. Maureen atua ao lado do galã grisalho Jeff Chandler (1918-1961), que interpreta um major da Cavalaria Americana, que chega em território índio que recruta índios seminoles pacíficos para lutar contra os índios Kiwoas. Maureen é o interesse romântico de Chandler neste faroeste dirigido por George Sherman.

Maureen Implacável - O HOMEM QUE EU DEVIA ODIAR, dirigido por Sam Peckinpah em 1961
O Homem que eu devia Odiar (The Deadly Companions), de 1961, dirigido pelo "poeta da violência", Sam Peckinpah (1925-1984). Maureen vive uma mulher que teve o filho assassinado acidentalmente por um ex-oficial de cavalaria, vivido por Brian Keith (1921-1997). Ele oferece a mulher pagar e escoltar o funeral do filho em território perigoso, mas mesmo tendo motivos sérios para se vingar do militar e odia-lo, ela acaba se apaixonando por ele. 

Com Brian Keith e James Stewart - RAÇA BRAVA - 1966

Raça Brava (The Rare Breed), de 1966, dirigido pelo discípulo de John Ford, Andrew V. McLaglen, onde Maureen interpreta uma viuva irlândesa chega a um povoado do Velho Oeste para investir no negócio de gado, mas ela é protegida por um vaqueiro veterano, vivido por James Stewart (1908-1997), por quem se apaixona. Mas as coisas mudam um pouco quando aparece no caminho um imigrante irlândes chamado Bowen, vivido por Brian Keith, que também chama a atenção da viuva, o que vem a ocasionar um duelo entre o vaqueiro e o rústico estrangeiro.

Maureen com a pequena Natalie Wood e Edmund Gwenn - DE ILUSÃO TAMBÉM SE VIVE, 1947

OUTROS FILMES DE DESTAQUE
Com Edmund Gwenn - DE ILUSÃO TAMBÉM SE VIVE
Depois do clássico A Felicidade Não se Compra, de Frank Capra (realizado em 1949), é um dos filmes mais assistidos na época de Natal: De Ilusão Também se Vive (Miracle on 34th Street), ou Milagre na Rua 34, realizado em 1947, foi um dos primeiros filmes a abordar a magia do Natal e é considerado um dos melhores do gênero, onde Maureen vive uma empresária cética que tem uma filha de dez anos, vivida por Natalie Wood (1938-1981), então com oito anos, que são abordados por um velhinho agradável que afirma ser o verdadeiro Papai Noel, vivido por Edmund Gwenn (1877-1959), contudo mãe e filha não acreditam, muito embora simpatizem com o idoso. Mas ele acaba sendo levado a julgamento pela côrte como insano, mas ele é defendido por um advogado vivido por John Payne (1912-1989), interesse romântico da empresária vivida por O'Hara. Dirigido por George Seaton (1911-1979).

Com Gloria Grahame - A VIDA ÍNTIMA DE UMA MULHER - "noir" de Nicholas Ray, de 1949.

A Vida Íntima de uma Mulher (A Woman's Secret), de 1949, foi o único exercício "noir" de Maureen, neste conto de suspense detetivesco dirigido pelo competente Nicholas Ray (1911-1979), onde Maureen vive uma mulher que conta para a polícia que atirou numa rival, vivida por Gloria Grahame (1924-1981) porque ela estava disposta a abnadonar a carreira de cantora. Foi o quarto filme dirigido pelo cineasta Ray. 

Lady Godiva

O Suplício de Lady Godiva (Lady Godiva of Coventry), de 1955, dirigido por Arthur Lubin (1898-1995), uma história fictícia onde ela viveu a histórica Lady Godiva (980-1067).

Com Anthony Quinn - O MAGNÍFICO MATADOR, 1955
O Magnífico Matador (The Magnificent Matador), 1955, dirigido por Budd Boetticher (1916–2001), traz o tema já abordado em Sangue e Areia, com Maureen vivendo uma mulher ao estilo de doña Sol, Karen Harrison, rica, mimada, e predadora, que se envolve com o toureiro vivido por Anthony Quinn.

Com Alec Guinness - NOSSO HOMEM EM HAVANA - 1959
Nosso Homem em Havana (Our Man in Havana), 1959, dirigido por Carol Reed (1906-1976), resultou numa comédia inspirada no romance de Graham Greene (1904-1991), uma sátira sobre espionagem e serviço secreto, onde ela atuou ao lado do brilhante Alec Guinnes (1914-2000).

Com Henry Fonda - OS NOVE IRMÃOS, 1963
Os Nove irmãos (Spencer's Mountain), de 1963, dirigido por Delmer Daves (1904-1977), traz Maureen num drama familiar, onde ela e seu marido vivido por Henry Fonda (1905-1982), os Spencer, vivem com nove filhos. A trama retrata a vida da família Spencer vivendo nas montanhas, onde passavam por problemas e dificuldades. O filme ganhou uma versão televisiva em 1971.


VIDA PESSOAL
Em 1939, aos 19 anos de idade, ela casou-se com George H. Brown, um produtor, assistente de produção e ocasionalmente roteirista. O casamento foi anulado em 1941. Nesse mesmo ano, ela se casou com William Houston Price, cineasta que havia sido diretor de diálogos no filme O Corcunda de Notre Dame, mas o casamento chegou ao fim em 1953 devido aos problemas de Prince com alcóol. Da união nasceu Bronwyn FitzSimons Price, nascida em 1944, única filha da atriz. 


De 1953 até 1967, O'Hara teve um relacionamento com Enrique Parra, político e bancário mexicano. Em sua autobiografia, ela escreveu sobre ele: "Enrique me salvou da escuridão de um casamento abusivo e trouxe-me de volta à luz calorosa da vida. Deixá-lo foi uma das coisas mais difíceis que tive de fazer". 

Em 1968, ela se casou pela última vez com um militar americano, o general aviador Charles Blair, condecorado por bravura na II Guerra. Blair morreu em 1978 em um acidente aéreo misterioso. 


APOSENTADORIA E VOLTA AO CINEMA
Com John Candy - MAMÃE NÃO QUER QUE EU CASE - 1990
Após sua participação em Jack Grandão, em 1970, Maureen, aos 50 anos de idade, resolveu se aposentar no meio cinematográfico, dedicando o seu tempo a jardinagem (que ela amava) e a outros empreendimentos. Contudo, para a surpresa de muitos, em 1990, ela voltou as telas, e ainda bela, na comédia dirigida por Chris Columbus Mamãe não quer que eu Case (Only the Lonely), onde viveu uma senhora dona de casa dominadora que quer se meter na vida de seu filho já adulto, vivido por John Candy (1950-1994). Maureen ainda voltou a atuar com seu amigo, o igualmente veterano Anthony Quinn, nesta simpática comédia. 

Com Anthony Quinn - MAMÃE NÃO QUER QUE EU CASE
THE LAST DANCE, última atuação, para a TV, em 2000
Entre 1998 e 2000, Maureen ainda realizou dois trabalhos para a TV - Os telefilmes Cab To Canada, e The Last Dance, que foi sua última atuação.


ÚLTIMOS ANOS
Em 2004, ela escreveu sua autobiografia, e planejava passar sua velhice em sua cidade natal, na Irlanda. No entanto, infelizmente, ela voltou a ser manchete quando, em 2012, ela acusou uma mulher de 35 anos por abuso a idoso e ao mau uso de suas finanças. Depois disso, ela se mudou para Boise, Idaho, EUA, para passar o resto de seus dias com a família e os netos. 



Sua última aparição pública foi no ano passado (2014), durante a entrega dos prêmios da Academia onde ela recebeu um Oscar honorário pelo conjunto da obra, mas mãos de Clint Eastwood e Liam Neeson. Ela, que em atividade nunca foi indicada a um prêmio pela Academia, foi um justo tributo recebido ainda que tardiamente, mas por fim, reconhecido.


Já debilitada, confinada a uma cadeira de rodas, e enfrentando diabetes e outros problemas de saúde, Maureen O' Hara morreu de causas naturais, cercada pela família, a 24 de outubro de 2015, aos 95 anos de idade. Como último desejo, pediu para ouvir a trilha sonora de Depois do Vendaval, seu filme favorito, cuja composição do imortal Victor Young foi um dos grandes marcos para o sucesso dessa obra dirigida por John Ford.

Túmulo de Maurren O' Hara, no Cemitério de Arlington, sepultada junto ao marido.
Ela foi sepultada ao lado de seu terceiro marido no Cemitério Nacional de Arlington, em Virginia, destinado a autoridades e heróis de guerra. Como viúva de um herói de guerra, Charles Blair, ela foi enterrada no mesmo local onde repousam o Presidente John Kennedy, e os atores Lee Marvin e Audie Murphy, que combateram na II Guerra Mundial. 


A IMORTAL RAINHA DO TECHINICOLOR

Graças a sua beleza ruiva, olhos verdes, e personalidade marcante, Maureen foi apelidada de "A Rainha do Techinicolor", já que ela participou constantemente nas primeiras produções cinematográficas a cores ao fim dos anos de 1940. Além de John Wayne, ela teve como seus melhores amigos Ginger Rogers, Anne Baxter, Lucille Ball, Lauren Bacall, Charles Laughton, Anna Lee, Robert Mitchum, Stuart Whitman e a atriz francesa Irina Demick.


Nossas eternas lembranças sempre estarão com Maureen O'Hara. Sua memória estará viva sempre que houver um amante do cinema que prestigia os grandes ídolos das telas em tempos idos. Ao tempo desta matéria, Maureen era a última grande lenda viva do período de ouro, onde agora, com certeza, se uniu a seus amigos e colegas que também já partiram. Quem sabe John Wayne, Tyrone Power, James Stewart, Charles Laughton, John Ford, e claro, Errol Flynn segurando seu copo e saudando a chegada da colega Maureen, não estejam festejando nos céus e celebrando sua estadia entre tantos imortais da Sétima Arte? 


Maureen que em vida já era uma lenda, se tornou definitivamente, um mito.

Simpaticamente dando autógrafos

filmografia
1939: A Estalagem Maldita (Jamaica Inn)

1939: O Corcunda De Notre Dame (The Hunchback of Notre Dame)

1939: Deixai-nos Viver (Let Us Live)

1940: Como era Verde o Meu Vale (How Green was my Valley)

1940: Vítimas do Divórcio (A Bill of Divorcement)

Poster de O CISNE NEGRO
1942: O Cisne Negro (The Black Swan)

1944: Buffalo Bill (Buffalo Bil)

1945: Pirata dos Sete Mares (The Spanish Main)

1946: Conflito Sentimental (Sentimental Journey)

1947: Simbad, o Marujo (Sinbad, the Sailor)

1947: De Ilusão Também se Vive (Miracle on 34th Street)

Com Tyrone Power - O CISNE NEGRO

1947: Débil É a Carne (The Foxes of Harrow)

1948: Ama-Seca por Acaso (Sitting Pretty)

1949: A Vida Íntima de uma Mulher (A Woman's Secret)

1949: Bagdá (Bagdad)

1950: Rio Bravo (Rio Grande)

1950: Território Comanche, Terra Selvagem (Comanche Territory)

1950: Tripoli (Tripoli)


Poster de DEPOIS DO VENDAVAL

1952: Depois do Vendaval (The Quiet Man)

1952: Contra Todas as Bandeiras (Against All Flags)

1952: Filho dos Mosqueteiros (At Sword's Point)

1953: A Rainha dos Renegados (The Redhead from Wyoming)

1953: A Grande Audácia (War Arrow)


Poster de OS FILHOS DOS MOSQUETEIROS

1955: A Paixão de uma Vida (The Long Gray Line)
1955: O Suplício de Lady Godiva (Lady Godiva)
1955: O Magnífico Matador (The Magnificent Matador)
1956: Lisboa (Lisbon)
1957: Asas de Águia (The Wings of Eagles)
1959: Nosso Homem em Havana (Our Man in Havana)
1961: Operação Cupido (The Parent Trap)

O HOMEM QUE EU DEVIA ODIAR, com Brian Keith
1961: O Homem que Eu Devia Odiar/Parceiros Da Morte (The Deadly Companions)
1962: As Férias de Papai (Mr.Hobbs Takes a Vacation)
1963: Os Nove Irmãos (Spencer's Mountain)

QUANDO UM HOMEM É HOMEM
1963: McLintock - Quando Um Homem É Homem (McLintock!)
1965: Vila Fiorita (The Battle of the Villa Fiorita)
1966: Raça Brava (The Rare Breed)
1970: O Grande Jake (Big Jake)

RAÇA BRAVA, com Brian Keith
1990: Mamãe Não Quer que Eu Case (Only the Lonely)
1997: O Primeiro Natal Do Resto De Nossas Vidas (The Christmas Box)

1998- Cab to Canada (filme para a TV)
2000- The Last Dance (Filme para a TV)


Produção e Pesquisa
PAULO TELLES
Matéria atualizada em 24 de Outubro de 2018.

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