A Saga chega
ao fim. Vimos os altos e baixos deste grande
pequeno notável, herói americano da II Guerra Mundial e astro dos filmes de
faroeste que foi AUDIE MURPHY (1924-1971).
A Década de 1960 não foi muito produtiva na área cinematográfica, mas em
contrapartida, ele tinha outros investimentos e empresas, que o fez tornar-se
um homem rico. Também investiu na TV, onde foi o astro de uma série de TV com
apenas 26 episódios, intitulada Whispering
Smith. Esta série não chegou ao Brasil.
Enfrentou
a dependência de calmantes, tinha pesadelos, e dormia com uma pistola debaixo
do travesseiro, pois sofria do que hoje é conhecido como síndrome
pós-traumática, por conta de suas lembranças de guerra. Contudo, ele foi
vitorioso e se livrou do vício do Placidyl, um poderoso sonífero que facilmente
mal medicado causa dependência.
Seus
westerns na década de 1960, apesar de bem badalados para seus fãs, não
trouxeram repercussão da crítica, e Audie até arriscou um “macarrônico” levado
pela moda dos faroestes europeus então em voga, Bandoleiro Temerário. Mas nada disso ajudou a
alavancar sua carreira no cinema, e como se não bastasse seus negócios fora das
telas também não iam muito bem.
Audie
produziu um filme chamado A TIME FOR DYING, tendo como diretor seu amigo Budd
Boetticher (1916-2001), que enfrentou diversos problemas para sua exibição e
ele precisava de capital para levar o projeto adiante. Durante este tempo,
enfrentou um processo judicial, quando foi acusado de tentativa de homicídio
numa briga de bar. Audie foi absolvido sob o aplauso do juiz por conta de sua
argumentação.
Contudo,
o destino do ator estava encurtando.
Nesta
última parte, vamos reproduzir os comentários do ator e dublê Neil Summers,
retirado de seu prefácio no livro The
Films and Career of Audie Murphy, de Sue Gossett, bem como também o convite para interpretar um vilão no filme de Don Siegel. Sua trágica morte, e seu legado para o povo
americano.
Esta
é a saga de AUDIE MURPHY.
Episódios
anteriores desta saga:
PARTE
1
PARTE
2
PARTE 3
http://www.articlesfilmesantigosclub.blogspot.com.br/2014/09/a-saga-de-audie-murphy-parte-3.html
http://www.articlesfilmesantigosclub.blogspot.com.br/2014/09/a-saga-de-audie-murphy-parte-3.html
AUDIE MURPHY POR NEIL SUMMERS
Ator, dublê,
e escritor, Neil Summers (nascido em 1944, na Inglaterra) dedicou umas linhas no
prefácio do livro The Films and Carerr of
Audie Murphy, de Sue Gossett, publicado em 1996. Aqui no artigo, será reproduzido este texto. Vamos a ela:
Em meus 30 anos como profissional,
trabalhei em muitos dos filmes de Audie Murphy. Na realidade, foi em Arizona Raiders (Cavaleiros da Bandeira Negra), que eu consegui me associar ao Screen Actor’s Guild (Associação dos atores
de Cinema) por fazer uma queda de escadas em uma filmagem no Apache
Junction, no Arizona. Mesmo com o fato de Audie e eu não conversarmos muito
entre as filmagens, eu mantive contato e recebi muitas propostas de trabalho em
outros filmes; o ponto alto foi em um papel como membro de uma gang em A Time for Dying (Gatilhos da Violência),
dirigido pelo grande amigo de Audie, Budd Boetticher. Outros filmes foram
planejados, mas infelizmente esta foi a última aparição de Audie nas telas.
Durante minha vida em sets de
filmagem, eu conheci e trabalhei com quase todas as grandes estrelas que
existiram nas últimas três décadas, mas existia um sentimento muito especial
enquanto trabalhei nas filmagens com Audie. Eu acredito que muita desta
fascinação tem a ver com suas façanhas na guerra. Um companheiro e eu
frequentemente discutíamos o que Audie havia passado durante a guerra...o que
ele teria visto, o que teria vivido, e o que teria feito para sobreviver,
enquanto todos os outros perto dele estavam sendo mortos. Tudo isso antes mesmo
dele ter dezoito anos de idade. Todos nós sabíamos que ele foi profundamente
afetado pela guerra, mas vendo ele brincar nos sets de filmagem, você jamais
diria.
Todos na equipe, mesmo os outros
atores, gostavam muito de Audie e tinham muito respeito por ele. Era uma pessoa
amiga, ainda que naturalmente reservada com as pessoas que não conhecia, e não
era um homem de se esquecer. Trabalhava duro em seus filmes e esperava que
todos ao seu redor fizessem o mesmo. Audie conhecia suas armas, conhecia seu
diálogo, conhecia seus limites, e acima de tudo, conhecia seus cavalos. Tudo
isso é mostrado no produto final: seus filmes são muito bem reconhecidos até
hoje, seja nas telas de cinema ou na televisão.
Muitas das pessoas que trabalharam
com ele, assim como atores, diretores, e etc, já faleceram. Seu antigo dublê,
Jim Sheppard, foi morto pulando um obstáculo em Comes a Horseman (Raízes da Ambição), alguns anos atrás.
Eu ainda me lembro exatamente onde eu
estava quando recebi a notícia do trágico acidente em que Audie estava. Nós
estávamos filmando em Tucson, Arizona, as cenas de Dirty Little Billy quando recebemos a notícia. Permaneceu um
silêncio por algum tempo, e então toa a equipe começou a acordar para o que
havia acontecido quando uma pessoa que conhecia Audie falou: “um miserável
acidente de avião conseguiu fazer o que todo exército alemão nunca conseguiu.”
Com isto, todos nós aplaudimos para Audie. Quando o dia de trabalho havia
terminado, alguns de nós estávamos “tremendo” e então fomos para um bar falar
das boas lembranças que tínhamos de Audie. Nós rimos muito de algumas de suas
brincadeiras (uma de suas favoritas era colocar cobras de borracha nas bolsas
ao lado das cadeiras dos atores) e falamos sobre como sentiríamos saudade de
nosso verdadeiro herói americano.
Audie Murphy não era um ator tentando
ser homem. Audie era um homem que já era ator. Infelizmente faltam homens como
ele neste país, e jamais se passa um dia sem que eu pense nele, e em como ele
me impressionava e como ele era uma ótima pessoa comigo. Audie Leon Murphy era
verdadeiro e eu sou muito orgulhoso de tê-lo conhecido.
Neil Summers
Sherman Oaks,
Califórnia.
Na metade de
1970, absolvido da absurda acusação de “tentativa de assassinato” quando apenas
se defendia de seu agressor em uma briga de bar, Audie Murphy via que seus
negócios não estavam indo bem, mas ele apostava tudo em seu último
empreendimento: o filme Gatilhos da
Violência (A Time for Dying), que ele produziu e que queria divulgar. Quando finalmente chegou as salas de cinema pouco depois de
sua morte, o público se emocionou com o desempenho (embora de poucos minutos)
de Audie como um velho Jesse James,e há quem diz que foi um dos melhores
personagens que ele interpretou. Fãs e amigos sempre diziam que Audie era muito
bom ator, mas infelizmente, nunca teve a chance de mostrar o quanto talentoso
ele realmente era.
Uma prova
disso esta no convite feito pelo cineasta Don Siegel (1912-1991) para Audie
interpretar o vilão Scorpio em Perseguidor
Implacável/Dirty Harry, em 1971, estrelado por Clint Eastwood como
implacável investigador Harry Callahan, o “sujo”. Siegel e Audie já haviam trabalhado juntos em
Onde Impera a Traição/ The Duel at Silver Creek, em 1952, e em Contrabando
de Armas/Gun Runners, em 1959.. Siegel achou que seria irônico um
verdadeiro herói de guerra e um astro dos faroestes americanos interpretar um
assassino psicopata. O diretor ofereceu o papel a Audie, mas este nunca pôde
lhe dar uma resposta ou dar uma decisão, devido ao seu fim trágico. Logo, o
papel acabou nas mãos de Andrew Robinson.
No final de
uma viagem de negócios, Audie Murphy morreu em um desastre de avião a 28 de
maio de 1971, devido a uma grande tempestade perto de Galax, Virginia, a umas
vinte milhas a oeste de Roonoke. Por ironia do destino, ele morreu no dia do
aniversário de sua mãe.
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| PAMELA ARCHER, viúva do Herói, abraçada a bandeira dos EUA que cobriu o caixão do marido, ao lado do filho Terry |
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| GRANDE ENCONTRO: JFK e AUDIE MURPHY. |
Devido ao
isolamento do local, levou alguns dias para que o avião e passageiros fossem
achados. Audie Leon Murphy, o Herói Nacional da II Guerra Mundial, o astro dos
filmes de faroeste, o querido cowboy com cara de menino que a tantos cativou,
foi sepultado no Cemitério Nacional de Arlington, destinado a heróis de guerra
como ele e a personalidades ilustres da memória americana, como o Presidente
John Kennedy. Audie recebeu todas as honras militares. Dentro das celebridades
presentes ao funeral estava o ex-presidente americano George Bush, na época
embaixador dos Estados Unidos. Sua esposa Pamela recebeu do soldado a bandeira
americana que estava sobre o caixão do marido, e ao lado dela seus filhos Terry e James,
que prestaram uma emocionante despedida para o pai. A primeira esposa de Audie,
a atriz Wanda Hendrix, também compareceu ao sepultamento.
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| A ÚLTIMA MORADA DO GUERREIRO. |
O Túmulo de
Audie é o segundo mais visitado no Cemitério Nacional de Arlington, só perdendo
para o túmulo do Presidente John Kennedy. Na lápide, se encontra escrito: Audie
L. Murphy, Texas, Major de Infantaria, Segunda Guerra Mundial, 20 de junho,
1924 – 28 de maio, 1971, medalhas de honra: DCS-SS & OLC; LM-BSM & OLC;
PH & 2 OLC (DCS Distinguished Services Cross; SS – Silver Star; LM-Legion
of Merit; BSM – Bronze Star Medal; OLC- Oak Leaf Cluster; PH – Purple Heart).
Desde a
morte de Audie Murphy, muitas homenagens foram atribuídas a ele. A mais marcante
de todas foi dedicada a 17 de novembro de 1973: o Audie L. Murphy Memorial Veteran Hospital, em San Antonio, Texas.
Uma estátua de uma tonelada de bronze e oito pés de Audie, trabalhado pela
escultora Jimilu Mason, que era uma de suas admiradoras.
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| INSTITUTO REGIONAL DE TREINO MILITAR AUDIE MURPHY - TEXAS |
Dentro do
hospital que leva seu nome, existe um museu que relata a vida de Audie Murphy,
além de objetos pessoais como uniformes, livros e fotos. O museu foi remodelado
com o passar dos anos e definitivamente vale uma visita. Mesmo antes da
homenagem do hospital, já existiam vários memoriais, estátuas, poemas, e letras
de músicas em sua honra.
A 16 de
março de 1996, o National Cowboy Hall of
Fame e Western Heritage Center, localizados na cidade de Oklahoma, deram
grande reconhecimento a Audie por sua fabulosa contribuição aos filmes de
faroeste. Após sua morte, Murphy foi reconhecido no Hall of Fames Westerns Performers, a galeria da fama dos atores do
gênero. Sua foto na galeria da fama esta junto com a de tantos outros ícones
fabulosos das telas, ao lado de John Wayne, Gregory Peck, Barbara Stanwyck, e
outros mais.
Este
reconhecimento se dá principalmente ao fato de seus fãs terem escrito pedindo
para que ele fosse homenageado. O Western
Heritage Center mantém viva as lembranças e homenageia as mais ricas
heranças do faroeste americano e honra aqueles indivíduos que suas vidas foram
baseadas em valores como: honestidade, integridade, e auto suficiência.
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| NADENE MURPHY, com o quadro de seu famoso irmão |
Com isso, no
35º anual de prêmios para heranças do faroeste, as irmãs de Audie, Billie
Murphy Tindol e Nadene Murphy receberam o prêmio. Audie conseguia fazer chorar até mesmo olhos de vidro – relatou a
irmã de Audie em seu discurso. Isto provocou risos na plateia e reconheceram
que Murphy tinha um ótimo senso de humor. Em
que lugar sem ser na América, um jovem sem educação básica pode ir para a
guerra, se tornar um herói mundial e uma estrela de cinema, sem ser aqui neste
maravilhoso Estados Unidos? – concluiu Nadene.
Audie
encenou papéis de muita força em sua carreira no cinema. Sua aparência como um
homem seguro, mesmo com cara de menino, e na maior parte das vezes sempre ao
lado da justiça, mostrado em seus westerns, foi parte da história do faroeste
americano. Ele manejava difíceis e complexas situações com autoconfiança e
segurança que ele mesmo explorava nos campos de batalha. Seus oficiais
companheiros de luta o rotularam como “o soldado dos soldados”. Murphy tinha
tanto amor pelo exército que em meados da década de 1950, ele fez um
pronunciamento público, promovendo um programa de seis meses para todos os
jovens garotos que se interessassem e fossem aptos para tal.
Audie era
uma pessoa reservada e modesta que não revelava seus sentimentos mais íntimos.
Uma vez, ele disse o seguinte sobre si próprio: Fui abençoado com uma super abundante sorte”.
Decerto,
tanto o povo norte americano, militares, e os fãs de seus westerns, irão manter
o nome de AUDIE MURPHY vivo, de geração a geração, e os Estados Unidos nunca se
esqueceu deste homem que tanto fez por seu país. Se uma única só pessoa
lembra dele, esquecido jamais será.
Pamela
Archer Murphy, a viúva de Audie, sobreviveu a memória do querido marido por
quase 40 anos e não casou novamente, e ao longo destes anos, ela, os filhos, e
os parentes sobreviventes de Murphy, foram forças motrizes para a perpetuação
de sua memória. Pamela faleceu a 8 de abril de 2010, aos 86 anos.
DECLARAÇÃO DE CORAGEM E FÉ
Audie
recebeu várias condecorações por sua bravura, inclusive a Cruz de Honra, da Bélgica, e a
Cruz de Guerra da França, que eram símbolos de vitória. Apesar do peso e do
valor destas medalhas, Audie sempre declarou que “os verdadeiros heróis são aqueles com cruz de madeira”, declarando
com isso, que os verdadeiros combatentes são aqueles que creem em Deus e em
Jesus Cristo, e que além de tudo, possuem fé.
FILMOGRAFIA
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| GRANDES ENCONTROS: AUDIE MURPHY, ROY ROGERS E EDDIE ARNOLD |
1948:
Código de Honra (Beyond Glory)
1949:
Caminho de Perdição (Bad Boy)
1950:
Serras Sangrentas (Sierra)
1950:
Cavaleiros da Bandeira Negra (Kansas Raiders)
1950: Duelo Sangrento (The Kid from Texas)
1951: A Glória de um Covarde (The Red Badge of
Courage)
1952: Onde Impera a Traição (The Duel at Silver Creek)
1953: Jornada Sangrenta (Column South)
1953:
A Morte tem seu Preço (Gunsmoke)
1953:
Ronda da Vingança (Trumblewed)
1954:
Tambores da Morte (Drums Across the River)
1954: Traição Cruel (Ride Clear of Diabolo)
1954:
Antro de Perdição (Destry)
1955:
Terrível como o Inferno (To Hell and Back)
1956: Honra de Selvagens (Walk the Proud Land)
1956:
O Mundo entre Cordas (World um My Corner)
1957:
O Renegado do Forte Petticoat (Guns for Fort Petticoat)
1957:
A Rosa do Oriente (Joe Butterfly)
1957:
Passagem da Noite (Night Passage)
1958:
Na Rota dos Proscritos (Ride a Crooked Trail)
1958:
Contrabando de Armas (The Gun Runners)
1958:
Um Americano Tranquilo (The Quiet American)
1959:
Antro de Desalmados (The Wild and the Innocent)
1959:
Um Homem Contra o Destino ou A Sombra do Mal (Cast a Long Shadow)
1959:
Balas que não Erram (No Name on the Bullet)
1959:
Whispering Smith (Série de TV com 26 episódios)
1960:
Com o Dedo no Gatilho (Hell Bent for Leather)
1960:
O Passado Não Perdoa (The Unforgiven)
1960: Matar por Dever (Seven Ways from Sundown)
1961: Sangue na Praia (Battle at Bloody Beach)
1961:
Quadrilha do Inferno (Posse from Hell)
1962:
Gatilhos em Duelo (Six Black Horses)
1963:
War is Hell (como narrador)
1963:
Abatendo Um a Um (Showdown)
1964:
Pistoleiro Relâmpago (The Quick Gun)
1964:
Batalha em Riacho Comanche (Título da TV) ou Fúria de Brutos (Gunfight at
Comanche Creek)
1964:
Balas para um Bandido (Bullet for a Badman)
1964:
Rifles Apaches (Apache Rifles)
1965:
Bandoleiros do Arizona (Arizona Raiders)
1966: Bandoleiro Temerário (The Texican)
1966:
Matar ou Cair (Gunpoint)
1966:
Missão Secreta no Cairo (Trunk to Cairo)
1967:
Os Rifles da Desforra (Forty Guns to Apache Pass)
1970:
Gatilhos da Violência (A Time for Dying)
AGRADECIMENTOS
| A ESTRELA DE AUDIE NO CALÇADÃO DA FAMA, EM HOLLYWOOD |
A SAGA DE AUDIE MURPHY chega ao fim com sensação de dever cumprido, e na certeza que o biografado tem muitos admiradores no
Brasil, o espaço não poderia deixar de lhe prestar este tributo, através do
editor e do parceiro
JORGE LUIS DO NASCIMENTO
Amigo de longa data do redator deste blog, que teve um papel fundamental para a construção deste artigo em quatro partes, emprestando para o editor material de seu acervo particular para as pesquisas. Graças a sua admiração por Audie Leon Murphy desde menino. que fez ele sugerir compor uma matéria especial sobre este consagrado herói e ídolo do faroeste americano.
PAULO TELLES - EDITOR
As
quatro partes atualizadas em 28 de maio de 2019
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