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quinta-feira, 9 de janeiro de 2014

George Reeves, o Super-Homem da TV da Década de 1950.


No dia 16 de junho de 1959, o mundo ficou chocado com a morte trágica do ator George Reeves, o intérprete do Super-Homem da televisão na década de 1950.  Sua morte até hoje é um grosso mistério, que já rendeu livros, documentários, e até mesmo um filme. Contudo, crianças que vivenciaram a série de Tv estrelada pelo homenageado de hoje jamais se esqueceram dele, pois ele tinha brilho e carisma suficiente para conquista-las.  Vamos falar um pouco sobre GEORGE REEVES.


George Reeves nasceu a 5 de janeiro de 1914, e seu verdadeiro nome era George Keefer Brewer em Woolstock, Iowa, Estados Unidos, cuja filiação são Don e Helen Lescher Brewer.


Reeves foi crescendo acreditando que sua data de nascimento era em 5 de abril de 1914, mas sua mãe mentiu para ele, já que isto colocaria seu nascimento, nove meses depois de seu casamento. George não descobriu isso até que ele ficasse adulto. Para criar uma confusão maior ainda, sua mãe cometeu um erro em seus dados quando no enterro do ator indicando a data de nascimento como 6 de janeiro em sua pedra tumular, em vez de 5 de janeiro.

Seus pais se divorciaram quando ele era adolescente, e ele foi adotado por seu padrasto, tendo por isso o sobrenome "Bessolo". George foi criado em Pasadena, Califórnia (EUA), e estudou no Junior College Passadena.


Ele se destacou na escola como pugilista amador e músico hábil, sendo que começou sua carreira de ator na Pasadena Playhouse, onde foi descoberto por "caçadores de talento" de Hollywood.


Seu primeiro filme foi Ride, Cowboy Ride, (1939), embora seja no papel de Stuart Tarleton, um dos pretendentes de Scarlet O'Hara  em E o Vento Levou (1939), que ele é mais lembrado em seu início de carreira no cinema. Nos dez anos seguintes, assinou contrato com os estúdios da Warner Brothers, 20ª Century Fox e Paramount.

Casou-se com Ellanora Needles em 1940, permanecendo casado com ela até 1950. O casal não teve filhos.


Reeves teve uma sequência de trabalhos estáveis no período de 1939 à 1943, aparecendo em mais de 40 filmes. Em 1943, quando já conseguia fazer seu nome no estrelato, Reeves foi convocado para o serviço de guerra durante a II Guerra Mundial, tendo que interromper, temporariamente, sua carreira.  Ingressou na Força Aérea Americana, e lá participou de diversos filmes de treinamentos de guerra, chegando ao posto de sargento. Ele também fez uma aparição na tela durante a guerra, no papel do tenente Thompson no filme patrocinado pelo Exército Americano Encontro nos Céus (1944), além de A Legião Branca, (1943), com Claudete Colbert.



Com o fim da Guerra, Reeves voltou a Hollywood, mas sua carreira nunca mais chegou ao mesmo nível de antes. As dificuldades de se auto-afirmar na carreira de ator o fizeram conduzir para Nova York, para participar de programas de televisão ao vivo (não havia naquela ocasião ainda o vídeo tape). Em 1948, Reeves, participou em Jim das Selvas, primeiro filme da série cinematográfica protagonizada por Johnny Weissmuller (1904-1984) e que pouco depois renderia também uma série de TV.





Em 1949, George Reeves teve uma participação no clássico bíblico de Cecil B. DeMille (1881-1959) Sansão e Dalila, interpretando um mensageiro ferido. Aliás, Reeves foi colega de escola de Victor Mature, o protagonista do filme. No mesmo ano também, foi o astro de um seriado de cinema de 15 capítulos intitulado Cavaleiros do Rei Arthur (ou Aventuras de Sir Galahad), dirigido pelo Master dos antigos seriados Spencer Gordon Bennet (1893–1987), que também dirigiu e produziu os dois primeiros filmes do Superman para o cinema: Superman (1948) e Superman contra os Homens Átomos (1950), estes estrelados por Kirk Alyn (1910-1999) no papel do Homem de Aço.


 Em Hollywood, continuou fazendo filmes, até que, em 1951, estrelou no papel-título do filme Super-Homem e os Homens Toupeira.


Devido ao sucesso de seu papel nesse filme lhe foi oferecido o papel-título na série de televisão As Aventuras do Superman (1952-1957), a qual foi transmitida no Brasil nas décadas de 1960 e 1970, ficando bastante conhecida pelo publico brasileiro.


Em 1952, Reeves participou de um grande clássico dirigido pelo lendário Fritz Lang (1890-1976), o western Diabo Feito Mulher (Rancho Notorius), contracenando com Marlene Dietrich, Arthur Kennedy, e Mel Ferrer.



Foi justamente na televisão que George conseguiu definitivamente a fama que quase havia conseguido no cinema, porque foi escolhido para interpretar o fabuloso Homem de Aço das histórias em quadrinhos para a série de TV do Super-Herói da DC Comics, criado em 1938 por Jerry Siegel (1914-1996) e Joe Shuster (1914-1992). Na época da série de TV estrelada por Reeves, os criadores do herói não tiveram creditados seus nomes como autores, já que haviam vendido os direitos do personagem para a DC. Para saber mais sobre Super-Homem, acesse o artigo Super-Homem: O Homem de Aço no Cinema e na TV através dos Tempos, publicado em julho do ano passado.


Reeves lembrava muito os traços executados por desenhistas de quadrinhos do super-herói da década de 1940/50, sobretudo por causa de um leve topete pega-rapaz, e um queixo voluntarioso.


Conseguiu alguns papéis menores em outros filmes clássicos do cinema durante o percorrer da série de TV, como A um Passo da Eternidade, de Fred Zinnemann, em 1953, com Burt Lancaster. Reeves interpretava um sargento que confidenciava ao amigo, o Sargento Milton Warden (Lancaster), que havia sido amante de Karen Holmes (Deborah Kerr), esposa de um capitão e interesse amoroso de Warden.


George Reeves alcançou fama e dinheiro (na época ele ganhava 2.500 dólares por semana). O sucesso era principalmente com as mulheres e crianças. Curiosamente, segundo sua biografia, ele evitava contato com as crianças, porque elas sempre queriam partir para a agressão com a ideia de testar a “invulnerabilidade” do ator. Em um dos eventos em que ele era convidado a se apresentar como Superman, uma criança chegou a ir armada (havia pego a arma do pai, um policial) e ameaçou atirar em Reeves, mas felizmente, este convenceu o menino, assustado, a lhe dar a arma. Mas fora isso os únicos trabalhos que ele conseguia eram comerciais de cereais ou então apresentações de luta-livre. A série de televisão durou até 1957.


Inicialmente, ele foi relutante em assumir o papel de Superman, acreditando que teria mais sucesso como ator, atuando em filmes para o cinema. Só que Reeves ficou surpreso quando o papel se tornou um hit nacional, fazendo sucesso nos Estados Unidos.



Era visto com a roupa de Super-Homem visitando hospitais e dando atenção a crianças vitimadas de câncer. Na Televisão americana, já naquela época havia programas assistencialistas como "A Cidade da Esperança" e "Telethons", e Reeves fazia questão de participar como o Super-Homem. Também participou ainda na TV como convidado especial no seriado I Love Lucy, estrelada por Lucille Ball (1911-1989).


Após o fim da série, Reeves conseguiu alguns papéis em filmes para cinema e televisão, mas havia ficado estigmatizado como Superman, papel que representou durante 5 anos. Devido à isso, os convites para atuação em novos trabalhos diminuíram. Embora Reeves estivesse deprimido por ser estereotipado como Superman, ele levou as características do personagem a sério, mantendo o exemplo do "Super Homem" para as crianças, como deixando de fumar e aparecer com namoradas perto das crianças.


Nas primeiras horas da manhã de 16 de junho de 1959, três dias antes de seu casamento com Lenore Lemmon (1923-1989), um tiro foi ouvido de sua casa, sendo que em seguida George Reeves foi descoberto morto com um tiro na cabeça.

Como resultado do inquérito e investigação policial, foi declarado que George Reeves havia se suicidado, no entanto, desde a sua morte, a informação adicional faz com que muitos acreditem que ele foi assassinado.


Reeves aparentemente teve um caso de longo prazo com Toni Lanier (1906-1983), uma ex-showgirl e esposa do executivo da MGM, Eddie Mannix (1891-1963). Ela era conhecida por sua beleza e apetite sexual lendário, e, aparentemente, o caso teve a aprovação de seu marido, que tinha uma amante.


Cinco meses antes, como Reeves estava para se casar com Lenore Lemmon, ele rompeu o romance com Toni, que a deixou de coração partido. Toni permaneceria dedicada à memória de Reeves para o resto de sua vida.

Sua vida é discutida em detalhes em dois livros, Superman: Serial to Cereal (1976) por Gary Grossman, e Hollywood Kryptonite (1996) por Sam Kashner e Schoenberger Nancy.


A vida e a morte de George Reeves foi tema do filme  Hollywoodland. Ben Affleck faz o papel de George Reeves; Diane Lane como Toni Mannix, a amante de Reeves; Bob Hoskins encarna o executivo da MGM Eddie Mannix, o marido traído de Toni; e Adrien Brody assume o detetive particular Louis Simo, que investiga a misteriosa morte do ator intérprete do Super-Homem. O longa é focado nos anos 1950 e tem direção assinada por Allen Coulter e roteiro de Paul Bernbaum.


Acima de uma investigação de morte, Hollywoodland também traz informações da conturbada vida pessoal de Reeves, que tinha muitos problemas familiares. Os grandes momentos da vida do ator, bem como sua ascensão na televisão, com a estreia da série As Aventuras de Super-Homem, também ganham espaço.


Um argumento que o diretor fez questão de manter no longa foram cenas da homônima série do Super-Homem. Apesar de ter alguns problemas com a Warner Brothers, detentora dos direitos autorais, Coulter pôde utilizar o clássico material da época. Além disso, ele reproduziu aberturas e cenas da série com o rosto de Ben Affleck.


UMA PERGUNTA QUE NÃO QUER CALAR: Será que George Reeves realmente tirou sua própria vida com um único tiro na cabeça ou foi sua morte realizada como um plano sinistro?

Na noite em que morreu, ele teria bebido muito e discutiu abertamente com Leonore Lemmon, como testemunhado por seus amigos Bliss William, o escritor Robert Condon, e Carol Van Ronkel.


Reeves teria subido zangado para seu quarto, sendo que em seguida Lemmon e os convidados disseram ter ouvido um único tiro vindo de seu quarto. O que levantou suspeita a respeito da morte de George Reeves, é que este foi encontrado despido em sua cama por seus vizinhos, durante um pequeno recolhimento por volta das 2 horas da manhã. Os vizinhos levaram 45 minutos para chamar a polícia. Os detetives encontraram furos de balas adicionais no assoalho de sua cama, e algumas contusões foram encontradas no corpo de Reeves, e havia sinais de luta de dentro do seu quarto.

Embora considerado um suicídio, muitas pessoas se recusam a acreditar que ele se matou, pois pelo menos aparentemente, Reeves não era do tipo de alguém que cometeria suicídio. Era alegre, descontraído, e boêmio. Esse é mais um dos inúmeros mistérios que permanecem ocultos nas sombras de Hollywood.



Em seu túmulo, no Mausoléu de Pasadena, localizado no Cemitério do Mountain View, em Altadena, Califórnia, encontra-se a seguinte inscrição: Para meu querido filho, George Bessolo Reeves, o Super-Homem , homenagem feita por seu padrasto.



CONTOS DA CRIPTA
Existem relatos de que a casa onde Reeves se matou (ou teria sido morto), hoje é assombrada com ruídos inexplicáveis ​​no quarto superior (local de sua morte), surgimento de cheiro de pólvora, além de pertences e objetos que são movimentados.

Existem também relatos de que cachorros quando levados à casa, ficam latindo e recusando-se a entrar na sala, bem como luzes ficam piscando ou se apagando sem motivo algum.

Alguns até dizem que George Reeves aparece no pé da cama dos atuais proprietários de vez em quando, vestido como Superman.

Como diria o saudoso Jack Palance: It’s Believe ...or not!


Curiosidades sobre George Reeves

Pessoalmente, defendeu Noel Neill quando esta substituiu Phyllis Coates no papel de Lois Lane, na Segunda temporada da série do Super-Homem, ao vê-la sendo maltratada por um dos diretores. Também defendeu o ator Robert Shayne (1900-1992), que fazia o Inspetor de Polícia Henderson na série, que foi acusado de ser comunista durante o processo de caça as bruxas, promovido pelo Senado Americano da década de 1950, e estava com risco de perder seu emprego. O produtor da série, Whitney Ellsworth (1908-1980), também defendeu Shayne, junto com Reeves.


Fez anúncios da tevê para flocos de milho da Kellogg's durante as temporadas como o Superman, na década de 1950. Em um comercial, George, como Clark Kent, usou sua super-visão para ver através de uma parede, mostrando duas crianças, que discutiam se uma menina poderia ou não ser o Superman, mas para o fim do argumento, as crianças se apaziguaram mutuamente, e cada um comia seus flocos, enquanto Superman surge, e aí quando a câmera se vira para Reeves, este sorri e diz: Vejam, pequeninos podem discutir, mas nunca sobre flocos de milho Kellogg’s.


Embora seu traje de Superman seja acolchoado, Reeves era realmente muito atlético e fazia a maioria de suas próprias cenas de perigo sem dublê em As Aventuras do Super-Homem. Os Episódios requeriam ele saltar das alturas, simulando a aterrissagem do Super-Homem, através de um trampolim. O Dublê só era escalado para George em cenas de entortar barras ou saltar para fora das janelas.


A história de George Reeves tem pontos quase em comum com a de outro intérprete de Superman, Christopher Reeve, que além de terem interpretado o mesmo super-herói, tem sobrenomes parecidos, e também, cada um a sua maneira, um final trágico.

Dizem que George Reeves já tinha tentado o suicídio duas vezes antes do suposto que cometeu, mas isto não é certo, só existem especulações. Seu padrasto veio de fato a se matar anos depois.


Durante os intervalos das filmagens de uma temporada ou outra da série do Superman, Reeves fazia aparições como convidado em feiras ou eventos por toda Estados Unidos. Em 1958, foi escalado para aparecer no parque de Kennywood, em Pittsburgh, que era um dos parques de diversões mais badalados da América do Norte, e foi escalado para aparecer no ano seguinte, 1959. Publicidades e marketings haviam anunciado esse fato, entretanto Reeves havia cometido suicídio naquele ano, e o parque teve que recolocar outra atração para substituir a ausência de Reeves/Superman, e assim, foi escalado Guy Williams, vestido de Zorro, para substituí-lo. Todo o marketing feita em torno do Superman teve logo que ser removida, para dar ênfase a Zorro, mas ainda podiam se ver alguns outdoors do Super-Homem abaixo do anúncio de Zorro.

George Reeves, passados mais de 50 anos após sua trágica morte, jamais foi esquecido por aqueles que o acompanharam pela TV, através do Homem de Aço.

Produção e Pesquisa de Paulo Telles



FILMOGRAFIA PARCIAL
GEORGE REEVES em "SANGUE E AREIA"
1939 - Ride Cowboy, Ride
1939 - Gone with the Wind (br: E o Vento Levou)
1940 - Tear Gas Squad
1940 - Torrid Zone
1940 - Pony Express Days
1941 - The Strawberry Blonde
1941 - Blood and Sand (br: Sangue e Areia)
1942 - Blue, White and Perfect
1943 - So Proudly We Hail!
1944 - Winged Victory
1948 - Thunder in the Pines
1948 - Jungle Jim (br: Jim das Selvas)
1949 - Samson and Delilah (br: Sansão e Dalila)
1949 - The Adventures of Sir Galahad (br: As Aventuras de Sir Galahad)
1949 - The Great Lover
1952 - Rancho Notorious (br: O Diabo Feito Mulher)
1951/1958 - Adventures of Superman ("As Aventuras do Superman") - (104 episódios da série para TV)
1952 - Superman na the Mole-Men (br: Superman contra os Homens Toupeiras)
1953 - The Blue Gardenia (br: A Gardênia Azul)
1953 - From Here to Eternity (br: A Um Passo da Eternidade)
1953 - Forever Female
1956 - Westward Ho, The Wagons!

sexta-feira, 12 de agosto de 2011

Capitão América- Dos Gibis para o Cinema e TV

Um dos heróis mais populares dos gibis está de volta às telas do cinema, dessa vez sob a direção de Joe Johnston – Capitão América – O Primeiro Vingador resgata de modo fidedigna às origens deste super-herói criado em criado por Joe Simon e Jack Kirby em 1941, ou seja, há exatos 70 anos. Mas de lá pra cá, houve muitas interpretações deste personagem que vem encantando gerações (para aqueles entre 55 a 40 anos, as reminiscências ficam por conta dos desenhos do herói que eram exibidos na TV nos anos de 1960 e 70 no saudoso Clube do Capitão Asa, apresentado por Wilson Viana (1928-2003), onde também eram exibidos Homem De Ferro, Hulk, Namor, Thor e o Homem Aranha).

Não é a primeira vez que o “Sentinela da Liberdade” é levado às telas do cinema, pois o herói já emplacou em outras versões cinematográficas, bem como também na TV, e aproveitando o embalo do sucesso desta nova produção que vem arrecadando sucesso de crítica e público, vamos falar brevemente da origem de sua criação nos quadrinhos e sua transposição para a Telinha e para a Sétima Arte.

O Capitão América surgiu em 1941, durante a Segunda Guerra Mundial, na revista Captain America Comics, da Timely Comics (hoje Marvel), criado por Joe Simon (ainda vivo quase centenário) e Jack Kirby (1917-1994). Seu primeiro número vendeu rapidamente mais de 1 milhão de exemplares e fez de Simon e Kirby notórios da noite para o dia.

Segundo Simon, O Capitão América foi criado para divertir, não era propaganda, embora isso não tenha impedido que os simpatizantes nazistas nos Estados Unidos nos criticassem. Simon ainda lembra aquela idade de ouro na qual os Estados Unidos, em um período de alguns anos, dotou-se através da história em quadrinhos de todos os super-heróis possíveis e imagináveis, inclusive até em excesso.

A indústria das histórias em quadrinhos começou com o Superman e, quando os super-heróis começaram a ter sucesso, todas as editoras quiseram subir nesse trem, disse Simon. Mas, segundo ele, depois da Segunda Guerra Mundial muitos dos novos personagens não conseguiram mercado porque havia uma saturação de super-heróis nas bancas.
Capitão América, ou Steven Grant Rogers (mais conhecido como Steve Rogers), era um garoto americano franzino, nascido no Lower East Side, em Manhattan, Nova York, que queria participar do esforço de guerra contra os nazistas.

Mesmo recusado pelo exército, Steve se inscreveu em um programa de pesquisas militares. Por seu caráter perseverante foi escolhido entre muitos para ser cobaia do “Soro do Super-soldado” desenvolvido pelo Dr. Reinstein no experimento especial, "Operação: Renascer".

Logo após a aplicação do soro, o corpo de Steve se desenvolveu de maneira assustadora, criando músculos e resistência sobre-humana. Por obra do destino, Reinstein foi assassinado por um espião logo após o sucesso do teste de Steve, e a fórmula morreu com ele. Assim Steve foi o único super-soldado criado no projeto.

O Governo lhe deu um uniforme, um escudo e o nome de Capitão América. Bucky,um pré-adolescente, tornou-se seu parceiro e juntos lutaram na Europa durante a guerra.

Na Alemanha encontrou o Caveira Vermelha, braço direito de Hitler, que se tornou seu pior inimigo. O fim da Guerra foi também o fim do sonho. Bucky morreu, e o Capitão, ao cair de um avião nas águas geladas do Canal da Mancha, foi dado como morto e ficou congelado por décadas no Ártico.

Mas não demora, três anos depois, em 1944, a fabulosa Republic Pictures, responsável por inúmeros seriados das matinês de sábados e domingos nas décadas de 40 (e precursoras até mesmo das séries de TV) lança pela primeira vez um seriado para o cinema de 15 capítulos sobre o herói recentemente criado. Entretanto, nada fiel ao personagem e aos eventos que o cercam.

Com um clima mais detetivesco , o seriado Capitão América tem cenas de lutas espetaculares e uma narrativa que consegue prender o espectador a cada episódio, com finais que sempre colocam o herói em uma cilada, instigando os espectadores sobre o que viria no próximo capítulo, pois assim eram os seriados de cinema, para ver a sequência de um capítulo e saber se o herói conseguiu escapar da armadilha teria que comprar entrada na semana seguinte para saber como tudo aconteceu.

Steve Rogers na verdade era o promotor público Grant Gardner, o seriado não se passa na guerra, nem tem nazistas como vilões, o herói usa os punhos e as vezes revólveres ao invés do famoso escudo, e a própria identidade do Capitão América, como já foi dito, é outra, sem contar é claro que sua máscara não tem as asinhas que tão bem o caracterizam.

DICK PURCELL (1905-1944) foi o primeiro ator a viver o personagem no cinema. Embora para os padrões atuais, ser mediano na estatura e meio gordinho, convenceu a criançada da época que não ligava muito para detalhes. Mas poucos meses depois de concluir a série, Purcell morreu de um ataque cardíaco fulminante com apenas 38 anos após um jogo de golfe e seu corpo foi encontrado no vestiário do clube em cima de um sofá.

Outro detalhe importantíssimo sobre o seriado é a presença de George Lewis (1904-1995) que é um dos vilões e fez outros mais em vários seriados da Republic e da Colúmbia, e que mais tarde seria Don Alejandro de La Vega na série de TV do Zorro com Guy Williams, da Disney, em 1957.

Mas o vilão principal, o escaravelho (equivalente ao caveira vermelha nos quadrinhos, de tão sádico eram seus métodos) foi interpretado por Lionel Atwill (1885-1946), que trabalhou em grandes clássicos do cinema, como Capitão Blood, com Errol Flynn, e Mulher Satânica com Marlene Dietrich.

NOS GIBIS A revista Captain America Comics teve 75 edições publicadas entre 1941 e 1950, sendo que nos dois últimos números a revista já havia mudado o nome para Captain America's Weird Tales (os super-heróis haviam saído de moda e o horror era o material que mais vendia).

O personagem voltou em mais três edições, em 1954 (Captain America 76-78), seguindo a numeração anterior, mas teve seu título cancelado.

O Capitão América ressurgiria em The Avengers #4, de 1964. O personagem dividiu por alguns anos a revista Tales of Suspense com o Homem de Ferro (Tales of Suspense 59-99), e só voltou a ter seu próprio título em Captain América #100, publicado em 1968.

O personagem veio à televisão pela primeira vez em uma série animada semanal assinada por uma produtora canadense e criada a partir das páginas originais das revistas em quadrinhos. Logo no primeiro episódio, o desenho conta a origem do herói exatamente como esta nos gibis: Steve Rogers, um jovem franzino que não conseguia se alistar no exército se oferece como cobaia em um experimento militar que o transforma em um super-soldado a serviço do país (alguém Falou de Audie Leon Murphy, também franzino que se tornou o soldado americano mais condecorado da II Guerra mundial que também foi rejeitado pelos fuzileiros e acabou também persistindo e aceito pelo exército americano??? – bom, isto é uma outra história para breve em nossos artigos, já em pauta).

Também como nas HQs, o personagem tem como principal vilão o nazista Caveira Vermelha e, como aliado, o intrépido recruta James "Bucky" Barnes. Logo no quarto episódio da série, após se envolver em um acidente que coloca sua vida em suspensão, o herói é resgatado do mar pelos Vingadores, grupo integrado por Thor e Homem de Ferro ao qual a partir de então ele irá se juntar.

AQUI NO BRASIL, o desenho do Capitão estreou em 1967 juntamente com as revistas em quadrinhos da Editora EBAL, como estratégia de uma grande campanha publicitária dos postos Shell, que distribuía exemplares das revistas gratuitamente nos postos de gasolina (logo, os heróis Marvel também ficaram conhecidos aqui como Heróis Shell). A abertura do desenho do Capitão América no Brasil era exclusiva. Os desenhos, por aqui tiveram 3 dublagens, sendo a primeira a mais cultuada, pois tinha as músicas de abertura dubladas pelo grupo MPB4.

Afinal quem não se lembra desta musiquinha nas aberturas dos desenhos animados do Capitão?

O Capitão América lança seu escudo
Contra os que servem o mal acima de tudo
Avante, gigante, galante, vibrante
Que a brasa queima
E o mal não teima quando
O Capitão América lança seu escudo



O ORIGINAL:

When Captain America throws his mighty shield,
All those who chose oppose his shield must yield.
If he's lead to a fight and a duel is due,
Then the red and white and the blue'll come through.
When Captain America throws his mighty shie


AINDA NA TV, Mais ou menos na mesma época em que a CBS produzia a popular série de TV O Incrível Hulk, com Bill Bixby e Lou Ferrigno, a emissora resolveu tentar fazer uma nova versão em carne e osso para o herói e lançou dois filmes-piloto de um seriado.

Novamente, o roteiro preferiu se distanciar quase que completamente do super-herói dos quadrinhos. Em Capitão América, exibido pela primeira vez na CBS no início de 1979, o personagem é um desenhista que é tratado com "superesteroides" após se ferir gravemente em um acidente. Com a ajuda de um cientista, ele cria um arsenal de guerra que o ajudará no combate ao crime. Mais do que a tradicional motoca,o Capitão América desta geração também pilota uma van e até uma asa delta com as cores da bandeira americana.

Em ambos os filmes para a TV, o personagem é interpretado pelo ator Reb Brown, que veste uma fantasia não muito fidedigna ao personagem e usa um capacete enorme de motoqueiro, com direito a visor de acrílico. O escudo, com listras transparentes em lugar das brancas, serve não só como bumerangue para o herói mas também como parabrisas da supermoto pilotada por Rogers. A série não decolou.

Dez anos depois, a produtora Century Film Corporation tentou levar pela primeira vez o Capitão para a tela grande após o seriado da Republic dos anos de 1940. Ambicioso a princípio, o projeto tinha como um dos produtores ninguém menos que Stan Lee, o criador do Homem-Aranha e de diversos outros personagens da Marvel, e como ator principal Matt Salinger (foto), filho do lendário escritor J.D. Salinger. Assim surge o filme Capitão América, em 1990, realizado com baixíssimo orçamento, baseado nos super-heróis da Marvel Comics. Foi dirigido por Albert Pyun, produzido por Menahem Golan e Stan Lee, escrito por Stephen Tolkin, baseado numa história dele e de Lawrence Block. Algumas das tomadas foram realizadas nos Estados Unidos e também na Iugoslávia.

Apesar de algumas alterações nos personagens - o Caveira Vermelha, por exemplo, aparece como uma criação dos fascistas de Mussolini, não dos nazistas de Hitler como nos quadrinhos. A história era razoavelmente fiel à tradição do herói. O resultado final, porém, ficou bem abaixo da expectativa, e o filme acabou sendo lançado apenas em VHS só em 1992 (o saudoso Video Home System, quem poderia imaginar uma década depois o aparecimento dos DVDS?).

Agora o público, seja amante ou não de quadrinhos, ou mesmo fãs ou não do personagem, terão a chance de conhecer a versão definitiva do Herói dos Gibis Marvel, agora vivido por Chris Evans (foto, que já havia interpretado outro herói Marvel, o Tocha-Humana de Quarteto Fantástico), e em 3D. Assisti eu mesmo e gostei da superprodução e indico a todos a assistirem. Vamos ver os vídeos do Youtube sobre as várias fases do personagem, incluindo o trailer de CAPITÃO AMÉRICA – O PRIMEIRO VINGADOR.


Produção e pesquisa de Paulo Telles