Automóveis
despencando por ribanceiras, postos de gasolina explodindo, casas pegando fogo,
gente caindo de arranha-céus, catástrofes, aviões e vô rasante, perseguições espetaculares
– uma crazy comedy inspirada nos
Keeystome Cops, Mark Sennet, Harold Lloyd, Buster Keaton, a clássica e
silenciosa escola cômica hollywoodiana. Assim, o produtor e diretor Stanley
Kramer (1913-2001) pretendeu fazer Deu a Louca no Mundo (It’s a mad, mad, mad,
mad word), e como ele mesmo definiu, uma comédia para acabar com todas as comédias.
Reunindo
mais de 40 atores consagrados no cinema, no teatro, TV e rádio, e nove milhões
de dólares de orçamento e três anos de filmagem (em Hollywood, Los Angeles,
desertos de Coachela e Mojave, e Palm Springs), consumidos em 154 minutos de
projeção.
Quando
estreou nos Estados Unidos em novembro de 1963, inaugurando em Hollywood o
cinema Paramount Dome, a
superprodução tinha 192 minutos e lançava um novo e revolucionário processo de Cinerama – filmagens em Ultra Panavision 70 – rodagem e projeção
com uma só lente, ao invés das três primitivas que antes provocavam duas
incômodas faixas verticais, dividindo a imagem. Para o grande lançamento,
Kramer executou a mais ambiciosa campanha de promoção jamais realizada para um
único filme: convidou mais de 300 críticos de todo o mundo (aqui do BRASIL, seguiram
o jovem Sérgio Augusto; o então crítico do Jornal O GLOBO- Octávio Bomfim,
falecido em 2002; Luiz Alípio de Barros,
e Alberto Shatovsky), organizou festas e passeios, e até Jerry Lewis – que juntamente
com Jack Benny (1894-1974), tem aparição não creditada no filme – dedicou ao
evento uma emissão inteira em seu programa semanal de TV.
No entanto,
pode-se dizer que tão extravagante
aventura registrou o início do declínio criativo de Kramer, até então altamente
respeitado por sua folha-corrida de produtor (Matar ou Morrer, O Selvagem) e diretor (A Hora Final, Julgamento de Nuremberg, O Vento Será tua Herança). O
novo Cinerama de uma só câmera não emplacou. A Crítica achou frustrada a
tentativa de ressuscitar a arte e o estilo Golden
Age da comédia silenciosa.
E a Academia
de Hollywood lhe outorgou apenas um Oscar, quase de consolação, para melhores
efeitos sonoros de 1963. Mas, ao estrear no Brasil, quase um ano e meio depois,
em abril de 1965, DEU A LOUCA NO MUNDO já
tinha compensando os esforços de Kramer, arrecadando 21 milhões de dólares nas
bilheterias do mercado norte-americano.
O Enredo é
simples: ao seguir para Las Vegas, um velho motorista, Smiler Grogan (Jimmy
Durante, 1893-1980), sofre um acidente e, antes de morrer, revela aos ocupantes
de outros quatro carros onde enterrou a fortuna de 350 mil dólares. Começa ai
uma longa correria por montanhas, desertos, e cidades na busca do tesouro,
enquanto a polícia se mantém vigilante, por ordens do Capitão C.G. Culpepper
(Spencer Tracy, 1900-1967), o qual, secretamente, cogita de dar o golpe em todo
mundo e apoderar-se do dinheiro.
Fotografado
por Ernest Laszlo (1898-1984) e musicado por Ernest Gold (1921-1999), com
títulos de abertura do famoso Saul Bass (1920-1996), o filme oferece seu
principal atrativo no All-Star Cast,
onde reúnem diversas celebridades já desaparecidas, como Ethel Merman
(1908-1984), Phil Silvers (1912-1985), Jim Backus, a voz do Mr Magoo (1913-1989), Dick Shawn (1923–1987), Terry-Thomas
(1911–1990) , Buddy
Hackett (1924–2003), Jonathan Winters (1925–2013), Peter Falk (1927-2011), Edie Adams (1927–2008), Dorothy Provine (1935–2010), Milton Berle
(1908-2002), Willaim Demarest (1892-1983), Edward Everett Horton (1896-1970),
Andy Devine, ator fordiano* (1905-1977),
Zasu Pitts (1894-1963) – e os famosos comediantes Buster Keaton (1895-1965),
Joe. E. Brown, o Boca Larga (1891-1973),
e dois dos originais Três Patetas, Moe Howard (1897-1975) e Larry Fine
(1911-1974). Ainda vivos do elenco principal, estão Mickey Rooney e Sid Caesar.
DEU A LOUCA
NO MUNDO: Uma Comédia capaz até hoje, mesmo passados 50 anos, capaz de provocar
gargalhadas e fazer qualquer um morrer de rir.
*Andy Devine era um dos atores que
compunham a John Ford’s Stock Company, e trabalhou em muitos sucessos do
cineasta, entre eles No Tempo das
Diligências (1939)
PRODUÇÃO
E PESQUISA: PAULO TELLES
Com base em texto de PAULO PERDIGÃO,
em sua coluna do Jornal O GLOBO, em 27 de dezembro de 1986, em ocasião de sua
primeira exibição na TV brasileira.
O
EDITOR DO BLOG DESEJA A TODOS OS SEGUIDORES E LEITORES, VOTOS DE UM ANO NOVO
REPLETO DE LUZ, CORES, CÂMERA E AÇÃO – COM MUITA PAZ, AMOR, E HARMONIA, E SAÚDE
PARA QUE POSSAMOS DESFRUTAR SEMPRE DE NOSSAS CONQUISTAS.
SINTAM-SE
ABRAÇADOS, E ATÉ O PRÓXIMO ANO!
FELIZ
2014
Paulo
Telles

















