Mostrando postagens com marcador Televisão. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador Televisão. Mostrar todas as postagens

sábado, 28 de janeiro de 2012

A Saída Polêmica de Pernell Roberts de BONANZA



Possivelmente, Pernell Roberts (1928-2010) não alcançaria a fama que conseguiu se não fosse seu Adam Cartwright na série de TV BONANZA, muito embora comprovasse, através de seus trabalhos na televisão, ser um ótimo ator. Tido como o mais temperamental do cast principal da série, seus reais motivos pela saída de Bonanza podem ser interpretados nos diversos pontos de vista. Mesmo os apelos das fãs (era quem recebia mais carta de fãs, na maioria o público feminino) e dos roteiristas não comoveu Pernell a permanecer na série.

Vamos conhecer um pouco de sua trajetória.



Pernell Roberts nasceu à 18 de maio de 1928, em Wacross, Georgia, EUA. Filho de um vendedor de refrigerantes, tinha temperamento rebelde, e chegou a ser expulso uma vez do colégio e duas vezes da Universidade. Ao voltar a estudar, Roberts formou-se em arte dramática, e participou na montagem de várias peças, apresentando-se em teatros itinerantes. Não demorou muito, uniu-se ao Teatro de Arena em Washington, e posteriormente, chegou à Broadway com a peça The Lovers, ao lado de Joanne Woodward. Roberts conseguiu notoriedade no meio teatral, chegando a ganhar vários prêmios da crítica.




Logo veio convites para fazer televisão e cinema. Estreou na TV em 1956 participando de algumas séries televisivas. Em 1958, estreou no cinema em um filme estrelado por Sophia Loren e Anthony Perkins (1932-1992), Desejo (Desire Under the Elms), dirigido por Delbert Mann (1920-2007), onde interpretava o irmão de Perkins. No ano seguinte, Roberts era o terceiro nome do elenco no western O Homem que Luta Só (Ride Lonesome), com Randolph Scott (1898-1987), e a bela loira Karen Steele (1931-1988), e dirigido pelo especialista Burt Kennedy (1922-2001)*. Nada mal para quem estava começando em Hollywood, e bem possível que foi este último desempenho de Roberts (no papel de Sam Boone, um caçador de recompensas) que fez perceber os produtores de Bonanza para que o escalassem para um dos papéis principais.


Quando recebeu a proposta de interpretar Adam Cartwright, arquiteto e homem de intelecto, filho do rico rancheiro Ben Cartwright (Lorne Greene, 1915- 1987), e irmão mais velho de Hoss (Dan Blocker, 1928-1972) e Little Joe (Michael Landon, 1936-1991), Pernell não se entusiasmou pela idéia. Mas, eventualmente foi convencido a dar uma chance à produção com a qual assinou um contrato de cinco anos. 


O maior problema de Bonanza enfrentado durante a produção não era econômico ou de público, e só conquistou seu espaço definitivo a partir da terceira temporada, figurando entre as 20 maiores audiências até seu último episódio exibido.



Mas Pernell Roberts parecia ser este problema. Desde o primeiro dia de filmagem, o ator começou a criar problemas discutindo constantemente com os roteiristas e produtores, exigindo melhor qualidade e veracidade para com os episódios apresentados. Enquanto sua proposta para com os produtores e a com a equipe em geral não lhe eram atendidas, Roberts resolveu não se dedicar por completo em sua atuação, inclusive sequer decorava suas falas de propósito, precisando de alguém por trás das câmeras para lhe passar o diálogo.


Apesar do “Problema Roberts” para Bonanza, os produtores e diretores encobriam a atitude do ator divulgando seu excelente trabalho na série (o que não deixava mesmo de ser verdade). Entretanto, Roberts continuava irredutível, e costumava dar entrevistas falando mal da série, do seu personagem, e dos produtores. Acreditava ainda, segundo ele, que o personagem e a série o faziam sentir um “maldito idiota”, pois achava Adam um “adolescente de meia idade” que só sabia pronunciar “Yes, Pa, No Pa (sim pai, não pai)”, e que era repugnante tal dialogo para um homem adulto, o que fez se ressentir que, cada vez mais, não esta sendo levado a sério como ator à altura de seu talento. Isto foi o que o ator alegou a imprensa futuramente para explicar sua saída da série.



Em muitos momentos, os executivos da NBC o ameaçaram de processo ou de prejudicar sua carreira impedindo que conseguisse trabalhar como ator novamente, mas nada disso assustou Pernell com o objetivo de mudar sua postura com relação a Bonanza. Tais atitudes só serviram para afastá-lo do elenco que constantemente combinavam reuniões e festas juntos. Até nos intervalos, Roberts mantinha-se longe de seus colegas. Michael Landon , o intérprete de Little Joe e irmão caçula de Adam, não suportava Roberts, desde o momento em que este disse a Landon que ele jamais seria um ator por se deixar influenciar pelos executivos “por ser o mais novo da trupe”, contudo com o tempo, Landon revelou ser mais profissional e dedicado, e com o tempo se firmou como um grande ator televisivo, produtor, escritor, e diretor.


Roberts declarava à imprensa na época, que Bonanza era uma fraude, mostrando uma família unida em uma época cuja sobrevivência era a principal preocupação dos rancheiros, onde a violência era o império. Também declarava que a série deveria tratar de temas mais polêmicos, como a capacidade da mulher em um mundo essencialmente masculino, ou a questão do racismo. Bonanza chegou a abordar, de fato, estes assuntos em algum dos episódios, contudo de uma maneira superficial.


NA VIDA REAL, Roberts foi um defensor dos direitos humanos, e se manifestava frequentemente contra a discriminação racial. Durante a série Bonanza, costumava exigir dos roteiristas, um maior número de personagens da chamada minoria. Em 1965, Roberts participou de uma passeata ao lado de Martin Luther King Jr., em prol dos direitos civis dos afro-americanos realizada em Selma, Alabama.



Em 1963, com a aproximação do final de seu contrato de cinco anos, Roberts deixou claro sua intenção de não renová-lo. Assim, para substituí-lo, foi criado o personagem de um primo dos Cartwright, Will, que foi interpretado por Guy Williams (1924-1989), que fora o Zorro da TV, série produzida por Walt Disney (1901-1966). O personagem foi introduzido ainda durante a presença de Pernell Roberts no elenco, para acostumar o público com a futura mudança. Na história, Adam se casaria e se mudaria do Rancho Ponderosa.


A chegada de Guy “Zorro” Williams foi bem recebida por Lorne Greene, Dan Blocker, e Michael Landon, mas o ambiente ficou ainda mais tenso, isto porque o humanista Roberts provocou novamente a produção ao pedir que a personagem da futura esposa de Adam fosse uma nativa interpretada por uma atriz negra. Tempos difíceis, onde não se sabia ao certo como seria a reação do público ao fato de uma relação inter-racial, mesmo com as lutas dos direitos dos negros em pleno movimento. O certo que, além dos produtores de Bonanza não acatarem esta ideia, tinham medo de provocar uma polêmica em horário nobre pela televisão.


A notícia da futura saída do ator do elenco chegou ao público que se manifestou em massa contra a decisão. Assim, Roberts foi persuadido a renovar seu contrato por mais um ano; mas, no final de 1964, ele anunciou novamente sua saída da série. Apesar das tentativas em fazê-lo mudar de idéia, e cartas de fãs (era quem mais recebia cartas) implorando para ele não sair, desta vez, o ator deixou o elenco de Bonanza, em 1965, sem ter filmado sequer um episódio de despedida. Nos episódios seguintes, Ben (Lorne Greene) comenta a decisão de Adam em estudar no exterior.



Com a saída de Pernell Roberts, naturalmente os produtores temiam pelo futuro da série, pois temiam a reação do público. Como o personagem de Guy Williams havia se casado com a noiva de Adam, decidiram não mais trazê-lo aos episódios seguintes, pois receavam que o público não o aceitasse, culpando-o pela saída de Adam/Pernell Roberts. Entretanto, Guy não voltaria à série de qualquer forma, e isto porque o ex-Zorro da Disney já havia assinado contrato para participar da série Perdidos no Espaço, interpretando o Professor John Robinson, um papel em que, juntamente com Zorro, também seria lembrado.


Com o término da sexta temporada da série, Lorne Greene manifestou pesar pela saída de Roberts do elenco, mas ao mesmo tempo disse que os Cartwright deveriam tirar uma cadeira da mesa e continuar em frente.



Pernell Roberts tentou dar continuidade à sua carreira no teatro e no cinema, mas nesse meio tempo já tinha ganhado a reputação de encrenqueiro. Com isso, ele foi forçado a voltar ao circuito televisivo de participações especiais em séries de TV como A Garota da UNCLE, James West, Lancer, Havaí 5-0, O Barco do Amor, entre outras.



Como dito anteriormente neste artigo, podemos compreender a saída de Pernell Roberts de diversas formas. Ele sempre alegava que não era feliz, mas decerto que fez a felicidade de muitos, que se entristeceram com sua saída problemática. Contudo, gostando ou não de ser o filho mais velho de Ben Cartwright, ele alcançou esta fama, e certamente, a admiração e o carinho dos fãs, que até hoje, o assistem nas reprises de Bonanza pelo mundo afora. Assim, Roberts foi imortalizado.


Ao longo de sua vida, Roberts permaneceu irredutível em sua decisão de nunca mais falar sobre sua experiência com Bonanza, ao que cumpriu fielmente até o fim de sua vida, em 24 de janeiro de 2010, aos 81 anos, de câncer.

*NOTA DE CORREÇÃO: O Western "O HOMEM QUE LUTA SÓ”, estrelado por Randolph Scott e Pernell Roberts foi dirigido por Budd Boetticher (1916-2001), mas escrito por Burt Kennedy (1922-2001), roteirista que se tornaria também diretor de grandes clássicos ao estilo. O Blog e o editor do mesmo agradece ao leitor EDDIE LANCASTER pela correção.

Artigo Escrito com Base em matéria publicada na revista TV Séries, Ano I- Nº 11- Maio de 1998

quinta-feira, 12 de janeiro de 2012

Festim Diabólico: Experiência Única no Cinema de Alfred Hitchcock


Hoje iremos falar de uma obra do Mestre do Suspense Alfred Hitchcoock (1899-1980), seu primeiro filme a cores e o primeiro dos quatro que fez com James Stewart (1908-1997), considerada uma experiência única na história do cinema: uma narrativa praticamente desenvolvida em uma única tomada, com movimento contínuo de câmera, audácia formal realizada mediante extrema precisão e rigor na coreografia da mise-em-scène (a filmagem ininterrupta exigia perfeita concatenação de atores, décor e câmera).




FESTIM DIABÓLICO (Rope), produzido em 1948, foi baseada em peça de 1929, de autoria de Patrick Hamilton (1904-1962), foi por sua vez inspirada no caso real Leopold-Loeb. Em 1924 os jovens Leopold e Loeb (19 e 18 anos, respectivamente), raptaram e mataram um garoto de 14 anos chamado Bobby, na cidade de Chicago. O caso teve grande repercussão em jornais da época. Ambos foram julgados, mas conseguiram escapar da pena de morte, sendo apenas aprisionados. Loeb morreu na prisão, e Leopold saiu dela após 45 anos, morrendo no início dos anos 70. O Caso Leopold-Loeb seria levado ao cinema em um filme de 1958, Estranha Compulsão, de Richard Fleischer, com Bradford Dillman e Dean Stockwell nos papéis principais e ainda tendo Orson Welles como o brilhante advogado que defende os dois jovens da acusação e salvá-los da pena de morte.


Na peça teatral em que se baseava o roteiro do filme, a ação era contínua, sem cortes ou elipses e sem mudança de cenário. Nessas condições, Hitchcock resolveu filmar em tempo real, como se diz hoje, em um único plano-sequência — ou seja, uma única tomada, sem interrupções para recarregar a película na câmera, durante toda a ação.





A trama de FESTIM DIABÓLICO transcorre numa noite (das 19h30m às 21h15m) em um apartamento e cobertura de Nova York, onde dois diletantes homossexuais, Shaw Brandon (John Dall, 1918-1971), e Phillip Morgan (Farley Granger, 1925-2011), convencidos de que são seres superiores, com direito até a eliminar os que eles acharem medíocres ou quem quer que se metam em seus caminhos, e fascinados pela idéia do crime perfeito, estrangulam com uma corda um colega de faculdade, David Kentley (Dick Hogan, 1917-1995), escondem o cadáver numa arca e, de modo a celebrar o feito, convidam pessoas ligadas a vítima para uma festa – no qual o jantar será servido tendo a própria arca como mesa.






Presentes nesta reunião, estão o pai de David, o Sr. Kentley (Cedric Hardwicke, 1893-1964), a tia, Srª Atwatar (Constance Collier, 1878-1955), a noiva de David, Janet Walker (Joan Chandler, 1923-1979), o amigo Kenneth (Douglas Dick), a governanta Srª Wilson (Edith Evanson, 1896-1980), e um ex –professor, Rupert Cadwell (James Stewart), a quem caberá descobrir e solucionar o caso, onde tudo começa com uma discussão sobre o ideal nazista do “super-homem” nietzchiano, segundo o saudoso crítico Paulo Perdigão.


Entre as muitas dificuldades técnicas decorrentes durante a produção, uma afetou diretamente a montagem do filme: o máximo de película que a câmera comportava não dava para mais de 10 minutos de filmagem. Como trabalhar sem quebrar a continuidade de ação, sem alterar as condições da cor e da intensidade da luz do pôr-do-sol? Como movimentar a volumosa câmera montada sobre trilhos nos estritos limites da sala e cozinha? Como passar por entre os móveis e pela porta sem mudanças cenográficas?



Rodado em apenas 21 dias, o filme é constituído pelo chamado ten minute’s take: são onze tomadas variando de cinco a dez minutos cada uma (normalmente, um filme vem a compor cerca de 600 planos, variando de 5 a 15 segundos cada um). Hitchcook não pôde rodar todo o relato em um único take porque era necessário trocar o rolo da câmera (cada qual com 300 metros, cerca de 10 minutos). Em cinco dos dez cortes, disfarçou a mudança da bobina nos momentos em que a câmera se fecha sobre o terno azul de John Dall.





Tais cortes se alternaram com os outros cinco, feitos à moda tradicional (campo e contracampo) para facilitar a mudança e rolos na projeção (os rolos de projeção tem 600 metros, o dobro de bobina da câmera). Aproximadamente, Hitchcock usou na trilha sonora o “Movimento Perpétuo nº 1” de Francis Poulenc.




Embora a sexualidade dos dois jovens assassinos não seja bem confirmada no filme, a relação entre os personagens de Granger e Dall tem um subtexto homoerótico forte, habilmente projetado por Hitchcock e seus atores através da encenação, direção de arte, e nuance. Os próprios intérpretes eram gays na vida real. "Foi apenas uma coisa assumida," disse Farley Granger muitos anos depois sobre a homossexualidade de seu personagem. "Ou você é ou não é”. Como um dos roteiristas do filme, Arthur Laurents (1918-2011), que era amante de Farley na época, explicou, "Não havia uma palavra de diálogo que diz que os dois foram amantes ou homossexuais, mas não havia uma cena entre eles onde não era claramente implícito”.



Granger ainda faria alguns trabalhos de notoriedade para o cinema e para a TV e morreu no ano passado, aos 85 anos, não sem antes de escrever uma auto-biografia onde contava sobre sua bissexualidade e os casos que teve com Shelley Winters, Ava Gardner, e o compositor Leonard Bernstein. Depois de uma longa ausência da tela, John Dall retornou em 1960 no épico Spartacus,de Stanley Kubrick, e no ano seguinte atuou em outra superprodução sobre a antiguidade, na mistura de épico e ficção científica Atlântida, o Continente Perdido de 1961. Realizou pouquíssimos trabalhos, e sua morte até hoje não esta bem desvendada, pois fontes mencionam um ataque cardíaco, aos 52 anos, em 15 de janeiro de 1971. Já outras falam que ele faleceu de uma perfuração no pulmão. Seu corpo foi doado para medicina.



Ao ser exibido pela primeira vez na TV brasileira, em 1993 (pela TV Globo, na Sessão de Gala, quando esta era exibida aos sábados, e houve grande anúncio pela TV na época), FESTIM DIABÓLICO foi apresentado sem cortes para comerciais, para que o espectador pudesse perceber os detalhes aqui divulgados, ao tempo real dos seus 80 minutos de projeção.






FICHA TÉCNICA
FESTIM DIABÓLICO
(ROPE)
País – Estados Unidos
Ano: 1948
Gênero: Suspense
Direção: Alfred Hitchcock
Produção: Sidney Bernstein e Alfred Hitchcock, para Warner Bros
Roteiro: Hume Cronyn, Patrick Hamilton, Arthur Laurents, Ben Hecth
Música: David Buttolph
Metragem: 80 minutos

ELENCO

JAMES STEWART – Professor Rupert Cadell
JOHN DALL – Brandon
FARLEY GRANGER – Philip
EDITH EVANSON – Senhora Wilson
DOUGLAS DICK – Kenneth Lawrence
JOAN CHANDLER – Janet
SIR CEDRIC HARDWICKE – Sr. Kentley
CONSTANCE COLLIER – Senhora Atwater
DICK HOGAN - David Kentley

produção e pesquisa PAULO TELLES

sábado, 7 de agosto de 2010

O Western Americano e o Western Europeu- Parte 2.

Continuando o artigo do link http://articlesfilmesantigosclub.blogspot.com/2010/06/o-western-americano-e-o-western-europeu.html, elaboraremos mais adiante a importância dos dois gêneros de faroestes na Sétima Arte.
De uma forma ou de outra, o Diretor John Ford (1895-1973) dos clássicos westerns norte-americanos influenciou o Faroeste Spaghetti. Este se tornou um subgênero conhecido graças ao cineasta Sergio Leone (1929-1989), que imortalizou o western italiano através de sua trilogia (Por um punhado de dólares, por uns dólares a mais, Três Homens em Conflito). Tais filmes são baseados nas vidas de caçadores de recompensas do velho oeste, e neles Leone atribuiu certos realismos que faltavam nos faroestes norte-americanos.
Não havia a exaltação romântica e nem a legenda áurea dos foras da lei, e muito menos eram limpinhos e barbeados como os cowboys interpretados por John Wayne, Randolph Scott, Audie Murphy, Joel McCrea, entre outros. Agora os heróis (ou anti-heróis) eram interpretados por Clint Eastwood, Franco Nero, Giuliano Gemma, Anthony Stefen, Klaus Kinski, entre outros, embora o primeiro mencionado fosse um norte-americano (saído de uma série de TV norte americana intitulada Rawhide, aqui no Brasil Couro Cru, e Leone assistiu algum dos episódios e gostou do trabalho de Eastwood), ele foi o pioneiro dos “heróis” retratados pela nova visão realista deste gênero, sem noção de moral e escrúpulos, cujo o único objetivo era o dinheiro.
Como explicado no primeiro artigo desta matéria, o gênero Western Spaghetti tinham este nome por serem produzidos na Itália e na Espanha (cuja grande parte das filmagens eram rodadas na região da Alméria, que lembrava muito os desertos norte-americanos).


Em 1968, Sergio Leone lançou Era uma vez no Oeste, com Charles Bronson, Claudia Cardinale, e Henry Fonda (cowboy Hollywoodiano por excelência que já tinha mais de 30 anos de experiência, que aos 63 anos interpreta o único vilão de sua carreira. Leone era fã deste grande e saudoso astro falecido em 1982). Na época do lançamento, foi um fracasso de bilheteria, mas com o passar dos anos, elevou a obra prima do gênero. O mesmo se sucedeu com o clássico norte-americano Rastros de ódio, de John Ford, que ao ser lançado em 1956 não teve boa repercussão de crítica e de público, mas foi reconhecido como obra magistral da Sétima Arte tempos depois.
Retrocedendo um pouco, por volta de 1964 os faroestes italianos estavam ganhando espaço na mídia da época, sobrepujando os aparentemente batidos westerns americanos. Estes já estavam sendo levados a televisão, em séries como Paladino do Oeste, Bat Masterson, Rin Tin Tin, Bonanza, Homem do Rifle, Homem de Virgínia, entre outros. Não parecia haver novidades no gênero, mas isto parece ter empolgado alguns atores norte-americanos a irem para a Europa e trabalharem (assim como Eastwood) no gênero Western europeu emergente.
Além de Clint Eastwood, que como falamos saiu de uma das séries de televisão como Rawhide que era um tema western, saiu dos States em direção a Itália para protagonizar a obra triológica que o consagrou definitivamente, outros o seguiram, como Guy Madison, Lex Barker (ex-Tarzan), Van Heflin, Gordon Scott (ex-Tarzan também), Adam West (O Batman da TV), Jeffrey Hunter, Richard Harrison, George Hamilton, Richard Harris, Chuck Connors (astro da série televisiva O Homem do Rifle), Rod Steiger, Richard Boone (da série de TV Paladino do Oeste), Lee Van Cleef (o mais bem sucedido depois de Clint Eastwood), Rod Cameron, Sterling Hayden, Joseph Cotten, Van Johnson, Broderick Crawford, John Saxon, Clint Walker (da Série Cheyenne), entre outros. Grande parte destes atores americanos seguiram o exemplo de Eastwood e migraram para a “terra prometida” do novo gênero de westerns, muito deles com o objetivo de revitalizarem suas carreiras.



Além de Lee Van Cleef (1925-1989), quem mais chegou perto do sucesso de Clint Eastwood foi Burt Reynolds, que como Clint havia começado sua carreira na TV em uma série televisiva. Sergio Corbucci, outro grande cineasta do gênero, viu algum de seus trabalho na TV e ficou impressionado, e sem pestanejar, o convidou para estrelar Navajo Joe .



Além dos americanos, o Western europeu contou também com atores de outros países, como a Inglaterra (Stewart Granger); França (Philippe Leroy e Johnny Halliday); Alemanhã (Klaus Kinski); Espanha (Fernando Sancho, um dos bandidos mais feiosos requisitados nos Westerns Europeus); e o BRASIL não estava menos representado sem a presença de Anthony Steffen, ou melhor, ANTONIO DE TEFFÉ (nascido em 1930, falecido no Rio de Janeiro em 2004) , que fez muito sucesso em território europeu.

NA ALEMANHÃ, o ex-Tarzan nos Estados Unidos LEX BARKER (1919-1973, que havia substituído Johnny Weissmuller no papel do Rei das Selvas) atuou em sete filmes da série WINNETOU, um índio herói criado nos romances do escritor alemão Karl May (1842-1912) interpretado pelo francês PIERRE BRICE (ainda vivo e na ativa), tendo Barker no papel de Old Shatterhand, personagem igualmente criado por May em seus romances.





NORMA BENGELL, nossa atriz brasileira, também participou de um Spaghetti Western: Os cruéis (I Crudelli), em 1966. O filme dirigido por Sergio Corbucci e estrelado pelo veterano Joseph Cotten (1905-1994).

Mas a margem das afinidades de diretores como Leone e Corbucci, surgiram outros diretores do gênero Spaghetti nos faroestes italianos, como Duccio Tessari, que dirigiu Uma Pistola Para Ringo, ou Giorgio Ferroni, com o Dólar Furado, ambos estrelados pelo galã Giuliano Gemma, outro herói dos faroestes europeus, talvez o menos "sujo" dentre eles.


Ainda temos Franco Nero, italiano legítimo (Nero havia sido ator de fotonovelas) estrelando Django, de Sergio Corbucci, em 1966, e Nero fez tanto sucesso que foi um dos atores mais requisitados para o gênero spaghetti nos 10 anos seguintes.
Não percam na terceira e última parte deste artigo: A RESPOSTA AMERICANA aos faroestes europeus e a chegada dos anos 90. Até lá.
BIBLIOGRAFIA:100 ANOS DE WESTERN- Autor: Primagio Mantovi- Editora Opera Graphica.
Documentários sobre os Westerns.

Produção e pesquisa de Paulo Telles