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sexta-feira, 14 de fevereiro de 2014

Tributo a Shirley Temple (1928-2014).


Morreu na segunda-feira, dia 10 de fevereiro, aos 85 anos, a atriz Shirley Temple, uma das maiores estrelas mirins da história de Hollywood. Segundo comunicado divulgado pela família nesta terça-feira, dia 11, ela estava em casa, em Woodside, na Califórnia, e morreu de causas naturais.  "Ela estava rodeada pela família", informa o texto. "Nós a celebramos por uma vida de realizações notáveis como atriz, diplomata e como nossa amada mãe, avó e bisavó, e adorada esposa, por 55 anos, do falecido e saudoso Charles Alden Black."


O BLOG FILMES ANTIGOS CLUB não poderia deixar de prestar uma singela homenagem a este ícone infantil das telas, como reproduziremos também um comentário feito em 2010 a respeito de um de seus filmes mais famosos e que é o preferido deste editor: O PÁSSARO AZUL,  abordado no tópico OS DEZ MAIORES FILMES INFANTIS DE ACORDO COM O EDITOR DO ESPAÇO - Publicado em 11 de outubro de 2010.



Shirley Temple começou a carreira aos 3 anos de idade e ganhou fama em filmes como "Olhos encantadores" (1934), "Alegria de viver" (1934), "A pequena órfã" (1935), "Heidi" (1937) e "A princesinha" (1939). A imagem da garotinha em produções leves e bem-humoradas dos anos 1930 serviu de alívio ao público americano durante o período da Grande Depressão. Suas músicas, dança e inocência funcionaram como contraponto a um momento de falta de empregos e de dinheiro.


A atriz era conhecida como America's Sweetheart ("a queridinha da América", em tradução livre). O presidente dos Estados Unidos entre 1933 e 1945, Franklin D. Roosevelt (1882-1945), elogiou na época o "otimismo contagiante" da pequena atriz e chegou a declarar que "desde que nosso país tenha Shirley Temple, nós vamos ficar bem".


Ela foi ganhadora do primeiro "baby Oscar" – uma estatueta com metade do tamanho de um Oscar normal –, entregue em 1935. A distinção era um prêmio especial dado a atores-mirins por seus papéis. As crianças não competiam com adultos nas várias categorias da premiação.

O site oficial de Shirley Temple lista que ela estrelou 14 curtas-metragens e 43 longas-metragens, a maioria deles antes de completar 12 anos de idade. Sua carreira foi de 1931 a 1961, mas seu último grande filme foi "A kiss for Corliss" (1949).

SHIRLEY com GARY COOPER
SHIRLEY com RANDOLPH SCOTT

Entre 1935 e 1938, a atriz foi campeã de bilheteria nos Estados Unidos, batendo produções com grandes estrelas hollywoodianas, como Clark Gable (1901-1960), Bing Crosby (1903-1977), Robert Taylor (1911-1969), Gary Cooper (1901-1961) Randolph Scott (1898-1987), e Joan Crawford (1906-1977).




Apesar de ter feito filmes como adolescente e jovem adulta, como "Solteirão cobiçado" (1947), com Myrna Loy e Cary Grant, e "Sangue de heróis" (1948), com John Wayne, Henry Fonda e John Agar (seu primeiro marido), Shirley Temple perdeu o brilho dos primeiros anos.

Depois de deixar o cinema, ela se candidatou ao Congresso dos Estados Unidos pelo Partido Republicano, em 1967, mas não se elegeu. Depois, foi delegada dos Estados Unidos na Organização das Nações Unidas (ONU), em 1969 e 1970, e embaixadora.  Serviu em Gana (1974-1976) e na antiga Tchecoslováquia (1989).


Em 1972, Shirley Temple recebeu o diagnóstico de câncer de mama. Foi uma das primeiras celebridades a falar abertamente sobre a doença. Numa seção de perguntas e respostas em seu site oficial, ela comentou a superação do problema.

"A alternativa é pior, se você não faz nada a respeito. Eu acreditei em meu médico e em Deus", afirmou. Também deu conselhos a outras mulheres: "Não fique em casa e não tenha medo. Vá ao médico e faça um exame".


Shirley Temple nasceu em 23 de abril de 1928, em Santa Monica, Califórnia, nos Estados Unidos. Era filha do executivo e banqueiro George Francis Temple e de Gertrude Amelia Krieger, que era apaixonada por dança e incentivou a filha desde o princípio. A pequena Shirley começou a ter aulas num estúdio de dança aos 3 anos, em Los Angeles.


Lá, em 1931, foi descoberta por dois produtores da Educational Films Corporation, que fazia uma série de curtas-metragens chamada "Baby burlesks" – eram paródias de filmes com adultos, mas estreladas exclusivamente por crianças. Em sua estreia, Shirley recebeu um cachê de US$ 10.

De acordo com a BBC, Shirley posteriormente descreveu esses trabalhos iniciais como "uma exploração cínica de nossa inocência infantil que ocasionalmente era racista ou sexista".
Com a falência da Edutional, em 1933, a atriz assinou seu primeiro contrato com um grande estúdio, a Fox. A estreia foi "Alegria de viver" (1934), e pequena estrela se destacou não só pela atuação, mas também por seus números de dança.

Quando ela tinha 6 anos de idade, recebia US$ 1,25 mil por semana. Em valores corrigidos, o salário equivalia a US$ 21 mil por semana. Os rendimentos se duplicaram com merchandising e produtos licenciados, como bonecas Shirley Temple e uma linha de roupas e acessórios para meninas.




Shirley se casou, aos 17 anos, com o Sargento da Força Aérea Americana  John Agar (1921-2002), que veio a se tornar ator em Hollywood, e com a atriz, atuou no clássico de John Ford (1895-1973) Sangue de Heróis/Fort Apache, 1947, ao lado de John Wayne (1907-1979) e Henry Fonda (1905-1982).  Ficaram juntos por quatro anos, até 1949, e tiveram uma filha, chamada Linda Susan. Em 1950, ela se casou com Charles Black, antigo oficial da marinha. Tiveram dois filhos, Charlie Jr. e Lori.


Questionada sobre o seu maior motivo de orgulho, Shirley costumava dizer: "Meus três filhos, minha neta e meus dois bisnetos". No questionário de seu site, há uma pergunta sobre qual carreira gostaria de ter seguido se não fosse atriz mirim. "Eu queria estar no FBI. Também queria ser vendedora de tortas", comentou.

Depois, lembrou-se de um episódio em que chegou a exercer a atividade. "Essa vontade era tão forte, que o estúdio providenciou um pequeno carrinho e o encheu de tortas. Eu circulava pelo set e as vendia para a equipe. Eu tinha cerca de oito anos de idade. Sempre vendia todas, e não tinha de pagar por elas. Era um grande negócio!"


Em 1960, Shirley ganhou uma estrela na Calçada da Fama de Hollywood. Em 1992, foi homenageada pelo National Board of Review. E, em 1998, pelo prestigioso Kennedy Center Honors. Foi ainda considerada uma das grandes estrelas do cinema em todos os tempos pela revista . Premiere e pela "Entertainment Week.

Já em 2006, ganhou um prêmio especial pelo conjunto da obra do Sindicato de Atores dos Estados Unidos (SAG). Também aparece na lista de "50 grandes lendas do cinema" feita pelo American Film Institute.

A FILMOGRAFIA de Shirley Temple chegou perto de incluir um outro clássico do cinema, "O mágico de Oz" (1939). A participação só não aconteceu porque a Fox se recusou a "emprestá-la" para a Metro Goldwyn Mayer (MGM). Assim, quem acabou ficando com o papel de Dorothy foi Judy Garland (1922-1969).


Shirley passou, mas seus filmes e sua presença marcante já são imortalizados mesmo por aqueles que não são tão amantes do cinema antigo como nós. Ela sempre será a Princesinha eterna nos corações dos cinéfilos, e uma estrelinha a mais na constelação.

 Produção e Pesquisa de PAULO TELLES,  baseado também em informações do site G.1.


Relembrando O PÁSSARO AZUL

O Pássaro Azul, de 1940, dirigido por Walter Lang (1896-1972), é um clássico em Technicolor para crianças, mas que também emociona os adultos. O típico filme da Sessão da Tarde que costuma reunir a família toda em frente à Tv. O filme narra a história da família Tyl, cujo patriarca (Russell Hicks, 1895-1957) é convocado para combater Napoleão e precisa deixar os filhos em casa sozinhos.


A garota Mytyl (Shirley Temple) e seu irmão Tytyl (Johnny Russel) passam a viver algumas aventuras depois que o melhor amigo de Mytyl adoece e a menina empenha-se em capturar o conhecido "pássaro azul da felicidade" para presentear o garoto. Após receber a visita da fada Berylune (Jessie Ralph, 1864-1944), os meninos são enviados, juntamente com o seu gato Tyllete e cachorro Tylo, transformados em humanos, em busca do “pássaro azul” através do passado, do presente e do futuro.


Durante a viagem por muitos reinos com fadas, magias e personagens enigmáticos, as crianças passam pelas mais inusitadas situações, e vão sofrendo transformações — relacionadas às mudanças da infância para a juventude — e transformam os lugares por onde passam, como a emocionante cena em que Mytyl se despede dos avós, já mortos, e que voltam a dormir num banquinho porque só acordavam quando alguém lembrasse deles. A menina ainda consegue ver o irmão caçula que está para nascer em outros dos mundos. Quando voltam para casa, encontram um lugar muito diferente do início da aventura. Ainda no elenco, Nigel Bruce (1895-1953) e a ganhadora do Oscar Gale Sodergaard (1899-1985).

Sinopse reproduzida do tópico MINHA LISTA, OS DEZ MELHORES FILMES INFANTIS, na visão do editor do espaço, PAULO TELLES, feita em 11 de outubro de 2010.




FILMOGRAFIA DE SHIRLEY TEMPLE

1934: Alegria de Viver (Stand Up and Cheer!)
1934: Capricho Branco (Mandalay)
1934: Olhos Encantados (Bright Eyes)
1934: Agora e Sempre (Now and Forever)
1934: Dada em Penhor (Little Miss Marker)
1935: A Mascote do Regimento (The Little Colonel)
1935: A Pequena Rebelde (The Littlest Rebel)
1935: A Pequena Órfã (Curly Top)
1936: Anjo do Farol (Captain January)
1936: A Princesinha das Ruas (Poor Little Rich Girl)
1936: A Pequena Clandestina (Stowaway)
1937: A Queridinha do Vovô (Wee Willie Winkie)
1937: Heidi (idem)
1938: Sonho de Moça (Rebecca of Sunnybrook Farm)
1938: Miss Broadway (Little Miss Broadway)
1939: A Pequena Princesa (The Little Princess)
1939: Susana (Susannah of the Mounties)
1940: O Pássaro Azul (The Blue Bird)
1942: Miss Annie Rooney (idem)
1944: Ver-te-ei Outra Vez (I'll be Seeing You)
1944: Desde que Você foi Embora (Since You Went Away)
1947: O Solteirão Cobiçado (The Bachelor and the Bobby-soxer)
1948: Sangue de Heróis (Fort Apache)
1949: Têmpera de Vencedora (The Story of Seabiscuit)
1949: O Gênio do Colégio (Mr. Belvedere Goes to College)
1985: Quando Hollywood Dança (That's Dancing!)

domingo, 4 de março de 2012

Relembrando Randolph Scott - Vida e Obra de Um dos Mais Fantásticos Cowboys do Cinema.


No dia 2 de março de 1987, morria Randolph Scott. A Manchete, estampada em jornais e revistas do mundo todo pegou muita gente de surpresa, uma vez que um dos mais fantásticos cowboys do cinema já estava aposentado “das pistolas” havia mais de 20 anos. Afastado das telas e da mídia durante anos, e vivendo em seu rancho com sua esposa, Patricia, Randy (como era chamado) para grande parte do público e dos fãs já estava morto.




Sobre o ano de seu nascimento ainda existem controvérsias. Segundo o Motion Picture Almanac, Randy nasceu a 23 de janeiro de 1903, no Estado da Virginia, sob o nome de batismo de George Randolph Crane. Contudo, outras fontes, incluindo o site IMDB, mencionam o ano de 1898 como seu ano de nascimento, e parece ser o mais correto, uma vez que na pedra tumular do ator encontra-se a data de 23 de janeiro de 1898 como do seu ano natalício.




Vindo de uma família abastada e fluente, e filho de um respeitado engenheiro industrial, Randolph Scott foi um dos principais astros de Hollywood. Durante uma visita a Charlotte, na Carolina do Norte, seus pais decidiram enraizar-se no local com o pequeno Randy. Anos depois, já um jovem de bela estampa, Randolph estudou no Instituto Universitário de Tecnologia da Georgia, graças a uma bolsa de estudos ganha por suas performances atléticas como jogador de futebol americano. Ferido em uma partida, Randy transferiu-se para a Universidade de Carolina, onde se formou em Engenharia, e logo começou a trabalhar numa empresa de produtos têxteis.



Em abril de 1917 os Estados Unidos entraram na Primeira Guerra Mundial. Pouco depois, Scott, então com 19 anos , ingressou no exército e serviu na França como artilheiro no 2 º Batalhão Trench Argamassa, de Artilharia de Campanha 19. Após o Armistício com o fim da Guerra, Randy permaneceu na França e se matriculou na escola de oficiais de artilharia, mas como recebeu uma comissão pelos serviços de guerra, decidiu voltar para os Estados Unidos em 1919. A experiência e treinamento de guerra de Scott rendeu a idoneidade que lhe serviria anos mais tarde como prática em sua atuação no cinema, incluindo o uso de armas de fogo e a prática de combate corpo a corpo.




Descoberto por um agente hollywoodiano, que procurava um dublê para Gary Cooper, Randy largou seu emprego e foi para a Califórnia, onde encontrou-se com o magnata Howard Hughes (1905-1976) que conhecia o pai de Randy, que deu-lhe uma carta de apresentação. Hughes conseguiu para ele uma audiência com Cecil B. DeMille (1881-1959), com a finalidade de fazer um teste. Aprovado, foi logo empregado para treinar com o próprio astro Gary Cooper o sotaque virginiano para seu filme de 1929, Agora ou Nunca (The Virginian), além de ter feito uma ponta como ator no filme.



Enquanto não surgiam propostas de trabalho em Hollywood, Scott voltou a jogar, e desta vez profissionalmente em um time de futebol americano da Califórnia. Alguns agentes da Paramount viram-no em uma partida e lhe ofereceram um contrato. Abandonando de vez o futebol, tornou-se definitivamente ator.



Não demorou muito, foi se tornando um ator de destaque, e o público feminino não deixou de atender ao belo louro de 1m89, que foi avançando para os papéis principais, graças a sua boa dicção e voz privilegiada, muito embora seu encanto de "homem calmo" nas telas não fosse o bastante para indicar o tremendo sucesso que viria mais tarde como um dos mais autênticos “Man of The West” do cinema americano.



Apesar de suas qualidades físicas, Randy foi um ator mediano em comédias, dramas, e em aventuras ocasionais, até se projetar nos westerns, onde decididamente se consagrou como um dos maiores astros do gênero, entre 1935 até 1962. Sua personalidade artística alterou-se da figura calma para uma figura estoica, de homem resistente, imponente, e duro como uma rocha.



Depois de pequenos papéis em vários filmes, alguns inclusive sem receber créditos, Randy fez para a Paramount, entre 1932 e 1935, uma série de dez faroestes de baixo orçamento baseados em histórias de Zane Grey (1872-1939), que serviram para consolidar sua imagem, não só na indústria cinematográfica, mas principalmente entre a massa de espectadores. Sete desses filmes foram dirigidos por Henry Hathaway (1898-1985), que estava em início de carreira.





Em 1935, Scott foi firmemente estabelecido como um astro popular do cinema e, portanto, após o lançamento de Inválido Poderoso/Mystery Mountain Rocky (1935), a Paramount Pictures o escalou para produções de alta escala, ou seja, de ator classe B não demorou para ser incluso no círculo de atores Classe A.





Scott fez quatro filmes para a RKO Radio Pictures durante 1935 e 1936. Dois deles estavam na popular série de musicais estrelados por Fred Astaire e Ginger Rogers : Roberta (1935), também estrelado por Irene Dunne e Nas águas da Esquadra (Follow the Fleet) em 1936. Em ambos os filmes Scott interpretou o simpático amigo de Astaire. Os outros dois estavam entre os melhores da carreira de Scott: Conto de Aldeia/Village Tale(1935), um comovente melodrama obscuro sobre uma pequena cidade onde reina as fofocas e a hipocrisia, dirigida por John Cromwell (1887-1979), e Ela/She (1935),de Irving Pichel (1891–1954), uma aventura fantástica adaptada do romance de H. Rider Haggard (1856-1925), publicada em 1886.



Até 1945, Randy esteve em fitas de diversos gêneros, como Minha Esposa Favorita/My Favoriter Wife, de 1940, e dramas de guerra, como A Batalha Final/Gung Ho!, em 1943, ao mesmo tempo em que se firmava como herói dos westerns, mesmo co-estrelando com Tyrone Power e Henry Fonda em Jesse James, em 1939, Errol Flynn e Humphrey Bogart em A Caravana do Ouro/Virginia City, 1940 (foto), e Gene Tierney em Formosa Bandida/Belle Starr, em 1941.





Foi co-astro junto com John Wayne (1907-1979) em dois espetaculares filmes estrelados por Marlene Dietrich (1901-1992), e em ambos Scott parte para luta livre com o “Duke”: A Indomável/The Spoilers (1942), faroeste dirigido por Ray Enright (1896-1965) onde Scott interpreta um crápula de primeira, e uma luta memorável, uma das mais espetaculares do cinema; e Ódio e Paixão/ Pittsburgh, de Lewis Seiler (1890–1964), um drama realizado no mesmo ano, onde Randy interpreta um personagem avesso ao seu Alexander McNamara do filme anterior, e dá uma tremenda lição ao personagem rebelde e aproveitador feito por John Wayne nesta fita.


A partir de 1945, todos os seus filmes são faroestes, com exceção de dois: a comédia Lar, Doce Tortura /Home, Sweet Homicide, de 1946 e o drama Véspera de Natal/Christmas Eve, 1947. Entre fitas de rotina e outras com atrativos diversos, Scott trabalhou com os diretores Ray Enright, Andre de Toth, Gordon Douglas, Lesley Selander, John Sturges, entre outros. Nesta época, destacam-se os faroestes Abilene, o Fim da Trilha/ Abilene Town, de 1946; Terra dos Homens Maus/Badman’s Territory (1946); Sem Deus e Sem Lei (ou Rua dos Conflitos)/ Trail Street (1947); Albuquerque (1948); e A Volta dos Homens Maus/ Return of the Bad Men, em 1948.


Em Rua dos Conflitos e A Volta dos Homens Maus, Scott tem a satisfação de contracenar com dois grandes ícones cinematográficos: o barbudo George "Gabby" Hayes (1885-1969), figura engraçada e carismática que era parte constante no mundo dos westerns e foi o Sidekick de Scott, Wayne, e Roy Rogers; e o ótimo Robert Ryan (1909-1973) que não fazia muitos anos no cinema já emplacaria numa carreira de sucesso, tendo recebido uma indicação ao Oscar de melhor ator coadjuvante pelo psicopata anti-semita no filme Rancor/Crossfire, em 1947, de Edward Dmytryk.




Transformou-se em um dos grandes campeões de bilheteria no gênero western, tendo ganhado muito dinheiro, o que fez o já rico Randy ainda mais milionário, e quando veio a falecer em 1987, seu patrimônio já havia atingido cerca de US $ 100 milhões. Sua prosperidade veio a crescer logo no início dos anos 1950, quando se aliou ao diretor Budd Boetticher (1916-2001), com quem fez uma série de faroestes. Já nesta época, Scott havia se associado ao produtor Harry Joe Brown (1890-1972), e juntos fundaram a Randbrow Enterprises, uma produtora que realizou muitas películas do astro, tanto para a Warner Brothers quanto para a Columbia Pictures.


Justamente a partir da década de 1950 que os westerns se produziram em grande escala na fabulosa meca do cinema, época frutífera para o gênero. E o nobre Randy não perdeu tempo. Com sua empresa recém fundada, Scott, em parceria com Boetticher, originou fitas notáveis como Sete Homens sem Destino/ Seven Men from Now (1956), O Resgate de Bandoleiro/ The Tall T (1957), Entardecer Sangrento/ Decision at Sundown (1957), Fibra de Herói/Buchanan Rides Alone (1958), Um Homem de Coragem/Westbound (1959), O Homem que Luta Só/Ride Lonesome (1959) e Cavalgada Trágica/ Comanche Station (1960). O sucesso destas produções sob a ótima parceria Scott & Boetticher deve-se também aos roteiros bem elaborados escritos pelo especialista em westerns Burt Kennedy (1922-2001) , que começou sua carreira de escritor e depois como diretor. Ao longo da década de 1950, esta parceria bem sucedida produziu muitos dos melhores westerns B já feitos e, no processo, Scott se tornou uma das dez maiores bilheterias daquela década, e não é pra menos.





Em 1961, Scott já havia anunciado sua aposentadoria, não sem antes de uma saída com Chave de Ouro. Pistoleiros do Entardecer (Ride the High Country)é um western Classe A realizado em 1962, que retrata, com sensibilidade, o fim de uma era, retrato este muito bem executado por Randy e outro grande nome do Far-West, Joel McCrea (1905-1990). Realizado pelo cineasta Sam Peckinpah (1925-1984), o filme marca o encerramento da brilhante carreira de Randolph Scott como ator, aos 64 anos. Em Pistoleiros do Entardecer, o diretor Peckinpah alterna temas de filmes como Matar ou Morrer e O Homem Que Matou o Facínora.


A fotografia de Lucien Ballard (1908-1988) reflete a beleza do Velho Oeste. Cada tomada mostra a grande atenção que é dada aos detalhes. A trilha sonora, assinada por George Bassman (1914-1977), complementa com perfeição a narrativa cinematográfica. O duelo final, os dois veteranos combatentes Scott e McCrea contra os irmãos interpretados por James Drury (o futuro HOMEM DE VIRGINIA da TV), Warren Oates (1928-1982), e John Anderson (1922-1992) é simplesmente magistral, resultando na morte dos irmãos e, no último momento, no de McCrea, morrendo poeticamente nos braços do amigo Randy, quando este lhe diz: “nos veremos logo mais”, como se Randy dissesse para McCrea que breve seguiria o mesmo destino. Vemos na sequencia, McCrea olhar para o horizonte e morrer  com a “Sensação de dever cumprido”. É assim que Randolph Scott, na vida real, deveria também ter se sentido ao realizar esta obra para Sam Peckinpah, e encerrar seu ciclo de filmes com toda dignidade, para depois viver sua vida.



Começou a dedicar-se ao seu rancho, na Carolina do Norte, onde passava o primeiro semestre todos os anos. Chegando o semestre seguinte, voltava para sua mansão em Beverly Hills, na Califórnia, e a seu passatempo preferido: o golfe. Desde que entrou para comunidade de Hollywood, Randy adorava golfe, e ao tentar ingressar como sócio num clube de Beverly Hills, teve sua proposta recusada. O motivo justificado pelos proprietários foi de que não aceitavam, naquele recinto, "judeus e atores". Em contrapartida, Scott se defendeu, dizendo o seguinte: "Amigos, os senhores estão enganados. Eu não sou ator, e os vinte e cinco filmes que fiz (até aquele momento) provam isso. Sei brigar, sei cortejar a mocinha, sei usar o revólver, mas ator, nunca fui!". Imediatamente, sua proposta de sócio foi aprovada.




Sua vida particular foi aparentemente sem escândalos e pode-se dizer que foi relativamente calma. Scott foi casado duas vezes. Sua primeira esposa foi Mariana Sommervile Dupont, da rica família das indústrias Dupont. Após o divórcio, dividiu até 1944 quando se casou pela segunda vez com a ex-atriz Patricia Stillman (e com quem teve dois filhos, Christopher e Sandra), uma casa com o ator Cary Grant (1904-1986). Aliás, é discutida há anos a relação entre estes dois astros das telas. Por mais de 30 anos, Scott e Cary Grant foram amigos inseparáveis, o que causou, mais tarde, rumores de que os dois astros fossem gays e amantes.




Em fim dos anos de 1930, Grant e Scott eram companheiros de quarto, em uma casa de praia, alugada pelo próprio Grant. Na ocasião, os dois jamais foram vistos com mulheres ou outras estrelas, e muitas fotos dos dois atores foram tiradas na piscina. Mesmo depois de casados com suas mulheres, fala-se que eles ainda mantinham encontros. Ao saber do falecimento de Grant, em 1986, o velho Scott, que já estava com sua saúde abalada, veio a piorar.




Durante toda sua carreira, Randy era avesso à publicidade, tanto que declarou um ano antes de se aposentar o que ele pensava de sua fama e glória no cinema: “Sempre recordo o que dizia o produtor David Belasco, que acreditava que astros e estrelas não deveriam se deixar ver em público, a menos que fossem pagos para isso. Para mim, a afirmação de Belasco faz muito sentido. Ora, a estrela mais fascinante do mundo cinematográfico é Greta Garbo. Por que? Porque ela era inteligente o suficiente para se manter afastada do público. Assim, cada espectador ou fã tinha sua própria idéia do que ela realmente”. Aqui, uma rara foto colorida (acima) de Randy em 1985, tirada em Beverly Hills dois anos antes de seu falecimento, ao lado de Victor French, Neil Summers, e do ex dublê Al Wyatt (de óculos).




Túmulo de Randolph Scott e sua esposa.

Isento de qualquer escândalo fatal ou publicidade negativa, não há notícias de que o saudoso cowboy de figura estoica jamais tenha prejudicado alguém ou se metido em encrencas sérias. Scott foi casado e foi feliz até o fim de sua vida com sua esposa Patricia e os filhos. No fim da vida, Randy já era um multimilionário graças aos seus bons investimentos e se deu ao luxo de gastar seus últimos anos naquilo que mais gostava de fazer: jogar golfe. Morreu no dia 2 de Março de 1987, aos 89 anos de idade, após ter sofrido vários ataques de pneumonia e ter o coração muito debilitado. Em seu lugar de descanso eterno está inscrito a seguintes palavras: George Randolph Scott, 23 de janeiro de 1898 – 2 de março de 1987- amado marido de Patricia e pai devotado de Sandra e Christopher – E onde o saudoso cowboy repousa em Charlotte, Condado e Mecklenburg, na Carolina do Norte.


Produção e pesquisa de Paulo Telles