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sábado, 13 de dezembro de 2014

E o Vento Levou – Revisitando uma obra prima do Cinema.


“O Filme mais famoso e mais visto na História do cinema.  Foi assim que a Rede Globo exibiu na TV, em 1983, um especial as vésperas de seu lançamento pela televisão intitulado A História de E O VENTO LEVOU. Sem dúvida, sua estreia na TV brasileira (em duas partes) foi um evento inédito por aqui, mas não para aqueles que assistiram a este grande alicerce do cinema na grande tela, visto que este ano, esta grande obra prima da Sétima Arte completou em dezembro de 2013 seus 75 anos de lançamento, em Atlanta, Estados Unidos. Uma retrospectiva deste espetáculo se faz necessária, visto ser um dos mais esplendorosos e importantes filmes de todos os tempos, cuja saga de sua realização é tão épica quanto à própria fita.

Por Paulo Telles.


E O VENTO LEVOU(Gone With The Wind, 1939), superprodução de David O’ Selznick (1902-1965), continua sendo até hoje um dos maiores campeões de bilheteria de todos os tempos. Desde 1939, o ano de seu lançamento, segundo cálculos à base do chamado Dólar Constante (que é corrigido monetariamente), a película já arrecadou o equivalente a 321 milhões de dólares, enquanto que Guerra nas Estrelas, o segundo colocado, aparece abaixo, com 272 milhões, pelo menos até 1983. Provavelmente hoje estes números estão defasados.

David O' Selznick
Ao ser transmitido pela primeira vez na TV americana, pela cadeia NBC de televisão, em 7 e 8 de novembro de 1976, tornou-se também o filme de maior audiência já registrada até então pela TV dos Estados Unidos: 47.7 pontos de rating, o ibope americano.



Ao ser lançado, há 75 anos, era a produção mais cara de sua época (4 milhões e 250 mil dólares) e também o filme mais longo do cinema até aquele momento, com suas 3 horas e 43 minutos de projeção.

MARGARET MITCHELL, a autora do Best Seller E O VENTO LEVOU
Vivien Leigh e Hattie McDaniel, numa cena de E O VENTO LEVOU
HATTIE McDANIEL, a primeira atriz negra indicada e premiada pela Academia de Hollywood.
Arquitetado a partir do estrondoso best seller  de Margaret Mitchell (1900-1949), lançado a 30 de junho de 1936, e vendeu até hoje 28 mil exemplares, sendo traduzido em 28 línguas (o romance foi escrito entre os anos de 1926 a 1929), E O VENTO LEVOU bateu ainda o recorde de Oscars conquistados, no total de oito: melhor filme, melhor atriz (Vivien Leigh, 1913-1967), melhor diretor (Victor Fleming, 1889-1949, sendo o único cineasta creditado, embora tenha dirigido apenas 45%¨das cenas. Os demais que também dirigiram mas não tiveram os créditos devidos foram Sam Wood, George Cukor, e William Cameron Menzies, além também do próprio David O’ Selznick), melhor roteiro adaptado (Sidney Howard, que morreu quatro meses antes do lançamento do filme, sendo o único creditado entre doze roteiristas, entre os quais incluíam F. Scott Fitzgerald), foto a cores, atriz coadjuvante (Hattie McDaniel, 1895-1952, a primeira atriz negra a ser indicada e a receber um premio da Academia de Cinema), melhor cenografia e melhor montagem.


E O VENTO LEVOU ainda ganhou três prêmios da Academia de Hollywood: O prêmio Irving Thalberg Memorial para David O’ Selznick, por sua coordenação para a produção dado a sua empresa, Selznick Internacional; e um premio especial a William Cameron Menzies (1896-1957) pelos desenhos de produção, e um prêmio especial para a britânica Vivien Leigh, recebendo ainda mais um prêmio de melhor atriz pela crítica de Nova York.


Sidney Howard
David O’ Selznick contratou o consagrado escritor Sidney Howard (1891-1939) para condensar as 1.037 páginas do estrondoso livro (precisando da colaboração de outros onze roteiristas), já que o romance é detentor do Prêmio Pulitzer de 1937. Outros membros vieram a compor a equipe: George Cukor, amigo pessoal de Selznick e o desenhista de produção William Cameron Menzies

A ESCOLHA DO ELENCO E A BUSCA PELA SCARLETT



Sellznick já estava martelando as ideias para saber quem poderia interpretar os papéis centrais. Para Rhett Butler, o personagem viril que arrebatava os corações femininos das moças do Sul, ele pensou inicialmente em Gary Cooper, Ronald Colman e Errol Flynn,  enquanto Basil Rathbone era o preferido da autora do livro, Margaret Mitchell. Contudo o escolhido pelo público foi Clark Gable (1901-1960). De fato, nenhum outro ator de sua época se encaixaria melhor do que ele como o cínico aventureiro Rhett Butler, amoral e sedutor, mas que ao mesmo tempo demonstrava humanidade.






Para o papel de Ashley Wilkes, Selznick tinha apenas um ator em mente, Leslie Howard (1893-1943). Howard só aceitou a parte quando lhe foi assegurada uma participação como produtor associado em Intermezzo, uma História de Amor / Intermezzo, a Love Story / 1939. A contratação de uma atriz para Melanie não tardou, pois Olívia de Havilland (a única ainda viva do cast principal) logo ganhou o papel, sucedendo a Maureen O’ Sullivan, Janet Gaynor, Marsha Hunt, Geraldine Fitzgerald, Priscilla Lane, Dorothy Jordan, Frances Dee, Ann Shirley, e a irmã de Olívia, Joan Fontaine, na lista de candidatas.


Faltava apenas escolher a intérprete de Scarlett O’ Hara. A primeira cogitada, Norma Shearer, recusou o convite. A seguir, uma constelação de estrelas (Bette Davis, Tallulah Bankhead, Miriam Hopkins, Joan Crawford, Claudette Colbert, Margaret Sullavan, Carole Lombard, Jean Arthur, Loretta Young, Katharine Hepburn, Ann Sheridan Joan Bennett, e Paulette Goddard, esta quase escolhida), algumas novatas, como Lucille Ball e Doris Davenport, fizeram testes para o papel da indomável personagem.



A fim de conseguir Clark Gable, Selznick teve de entrar em acordo como seu então sogro, Louis B. Mayer. A Metro cederia o seu astro, entraria com uma participação no valor da metade dos dois milhões e 250 mil dólares e, em troca, seria responsável pela distribuição e receberia 50% dos lucros. Em 1944, a marca do leão adquiriu direitos totais sobre o filme.





Para a trilha sonora de E O VENTO LEVOU, Selznick recorreu ao compositor vienense Max Steiner (1888-1971), verdadeiro precursor da utilização de partituras sinfônicas como acompanhamento de diálogos e a ele confiou o departamento musical do seu estúdio. O ano de 1939 foi o mais ativo da carreira de Steiner, pois ele criou nada menos que doze partituras para filmes, inclusive a de…E O Vento Levou, uma das mais longas já concebidas para uma película (apenas 30 dos 222 minutos não possuem comentário musical). Cada personagem mereceu um tema, o mesmo acontecendo com os três relacionamentos amorosos. Algumas canções sulistas e hinos patrióticos foram adicionados mas, predominante, é o “Tema de Tara”, motivo central da trama.



As filmagens começaram bastante tumultuadas a 10 de dezembro de 1938, nos velhos estúdios da RKO-Pathé, em Culver City, mas não havia ainda a atriz para Scarlett O’ Hara. Sob a direção de William Cameron Menzies, encenou-se diante das câmeras Technicolor a sequência do incêndio de Atlanta, com a utilização de antigos cenários (de King Kong / King Kong / 1933, Jardim de Alá / Garden of Allah / 1936, etc.), disfarçados com falsas fachadas. Sete câmeras Technicolor fotografaram os dublês dos personagens de Rhett e Scarlett em planos médio e geral com o fogo ao fundo. Foi necessário filmar esta cena antes do verdadeiro início da produção, a fim de limpar a área para a construção do cenário de Tara, partes de Atlanta e vários outros exteriores.




David O' Selznick, em reunião com Leslie Howard, Vivien Leigh, e Olivia De Havilland
A imprensa e a sociedade local estavam presentes e Selznick aguardava ansioso a vinda do irmão Myron, que chegou acompanhado do ator Laurence Olivier e sua namorada Vivien Leigh, uma jovem e promissora atriz inglesa. A apresentação de Vivien por Myron tornou-se célebre: “Quero que conheça Scarlett O’Hara”. A busca por Scarlett O’ Hara chegara ao fim.




A escolha de Vivien Leigh para o papel não podia ser mais certeira; Scarlett se tornou inesquecível. arrogante, fútil, vaidosa, mas também era uma mulher de uma força inquebrantável, capaz de tudo, até enfrentar soldados inimigos para defender sua família e sua casa da fazenda Tara. Tão corajosa até mesmo de se casar três vezes sem amor. Mas, mesmo sendo tão esperta, chega a ser burra, não sendo capaz de reconhecer e conservar o verdadeiro amor de sua vida, Rhett Butler.

O INÍCIO DAS FILMAGENS
George Cukor
As filmagens propriamente ditas após a escolha da atriz principal começaram a 26 de janeiro de 1939. George Cukor (1900-1983) deu início às filmagens, mas foi dispensado a pedido de Clark Gable, que teria se incomodado com o fato de Cukor ser homossexual e ser conhecido como grande diretor de mulheres, contudo o cineasta continuou assessorando Vivien e Olivia secretamente.




Cukor só dirigiu cerca de 5% do filme, incluindo as seguintes cenas: a de abertura com Scarlett e os gêmeos Tarleton (um deles vivido por George Reeves, o futuro Superman da TV dos anos 50); Mammy amarrando o espartilho de Scarlett antes do churrasco; Rhett visitando Scarlett com o chapéu parisiense; Scarlett ajudando o parto de Melanie; Scarlett enfrentando o desertor nortista; Scarlett sentada na escada ao lado de soldados sulistas sobreviventes dos campos de batalha.
Victor Fleming
Vivien Leigh, Clark Gable, e Victor Fleming
Com a finalidade de agradar Clark Gable, Selznick forneceu-lhe uma lista de nomes de diretores disponíveis para ocupar o lugar de Cukor: King Vidor, Jack Conway, Robert Z. Leonard e Victor Fleming. Sem vacilar, o astro da Metro optou por Fleming, que estava ocupado com O Mágico de Oz / The Wizard of Oz / 1939 e teve de deixar as últimas duas semanas de trabalho aos cuidados de King Vidor, responsável pela sequência de Judy Garland cantando Over the Rainbow.

Sam Wood
Fleming teve um colapso nervoso durante as filmagens e foi substituído por Sam Wood (1883-1949), que assumiu a direção a 1º de maio, iniciando seus 15% de participação no filme. Quando Victor Fleming recuperou-se e voltou, os dois diretores continuaram na direção, mas em horas e sets diferentes.



Somente Fleming recebeu crédito pela direção o que, curiosamente, acarretou-lhe certa antipatia, sobretudo por ter aceitado substituir Cukor.  O roteirista John L. Mahin, um dos colaboradores do Script, desmentiu que eles não se dessem bem, lembrando que ouvira Fleming dizer várias vezes: “George poderia ter realizado um trabalho tão bom quanto o meu. Ele provavelmente faria melhor as cenas intimistas. Acho que me dei bastante bem com o material mais espetaculoso”.




As filmagens terminaram a 1º de julho de 1939, e Selznick tinha diante de si uma montanha de celulóide revelado – cerca de 60.000 metros de filme, equivalente a 28 horas de projeção. Trancado dia e noite com o editor Hal C. Kern e seu assistente James Newcom, o produtor montou o filme sem consultar nenhum dos diretores que nela tomaram parte e ordenou a filmagem de cenas adicionais, como aquela em que Scarlett se esconde debaixo da ponte numa tempestade, enquanto uma tropa da União passa sobre a mesma. Sob o comando de Victor Fleming, a cena de abertura foi mais uma vez encenada. A montagem final redundou em 4 horas e 25 minutos de projeção. Efetuaram-se novos cortes e o filme terminou com a duração de 3 horas e 43 minutos.



Em novembro do mesmo ano, Selznick convenceu o chefe da censura, Will Hays, a deixar passar a famosa frase final de Rhett Butler (“Frankly, my dear, I don’t give a damn” – Francamente querida, eu pouco me importo”). A palavra damn era considerada pesada na época, mas o produtor conseguiu sua liberação.


A Noite de Gala de E O VENTO LEVOU, em sua première a 15 de dezembro de 1939, em Atlanta.

Vivien Leigh, Clark Gable, Margaret Mitchell (autora do romance), David O' Selznick e Olivia De Havilland.
A première teve lugar em Atlanta na noite de 15 de dezembro de 1939, com a frente do cinema Lowe’s Grand decorada como a mansão de Twelve Oaks. O Governador da Geórgia, E. D. Rivers, decretou feriado estadual em virtude do lançamento de um filme. Para não ficar atrás, o Prefeito de Atlanta, William B. Hartsfield, programou três dias de festividades, substancialmente patrocinadas pela Metro. A imprensa estimou em um milhão o número de pessoas aglomeradas na cidade – então habitada por 500 mil cidadãos – no dia da estreia de…E O Vento Levou.



Clark Gable chega a estreia em Atlanta acompanhado por sua bela esposa, a atriz Carole Lombard
Ronald Colman e senhora, acompanhados por Vivien Leigh e seu marido Laurence Olivier.

Clark Gable, Margaret Mitchell (autora do Best Seller) e Vivien Leigh na noite de gala de estreia do grande épico, a 15 de dezembro de 1939.

E O VENTO LEVOU NO BRASIL

Segundo informações do notável Mestre A. C Gomes de Mattos em seu blog HISTÓRIAS DE CINEMA, E O VENTO LEVOU estreou na Cidade Maravilhosa a 12 de setembro de 1940, às 20h45m, no Cine Metro do Rio de Janeiro (na ocasião só existia o da Rua do Passeio), numa avant-première de gala, sob o patrocínio da Sra. Darcy Vargas, em benefício da Cidade das Meninas.

Divulgação de um jornal na época de sua estreia no Brasil.
Com os 1.400 lugares inteiramente ocupados, no único intervalo da sessão, às 23 horas, o príncipe D. João de Orleans e Bragança, auxiliado pelas Srtas. Perla Lucena e Maria da Penha Affonseca e pelo Sr. Carlos de Laet, coordenou o leilão de exemplares da obra de Margareth Mitchell, autografados pelos astros principais e em rica encadernação oferecida pela Casa Vallele.

Na plateia, conforme um jornal da época, “a mais brilhante representação do nosso oficialíssimo Corpo Diplomtático e a elite patriota”, além do galã John Boles que, de passagem pela cidade, fez questão de participar da festa. No mesmo dia, diretamente de Hollywood, numa transmissão da A Hora do Brasil, servindo de locutor Luis Jatobá, Clark Gable, Vivien Leigh, e o produtor Selznick saudaram D. Darcy e contaram alguns detalhes da filmagem.


Relançamento do filme em São Paulo, nos anos de 1970

E O VENTO LEVOU ainda foi levado em cartaz as salas de exibição por quase 40 anos em reprises nos extintos cinemas de rua em todo Brasil, numa época em que ainda não tinhamos videocassetes (ou pelo menos muitos ainda não tinham acesso), locadoras de vídeo, DVDS ou TVS por assinatura.



Sem dúvida, E O VENTO LEVOU É um clássico imortal da antiga Hollywood, o filme mais famoso e o mais popular da história do cinema, símbolo da usina de sonhos em seus dias de fausto e glória, a maior prova viva do poder mágico da Sétima Arte, capaz mesmo de arrebatar multidões até os dias de hoje, conquistando cinéfilos da nova geração. Enfim, uma turbulenta história de amor que enferveceu e vem enfervecendo plateias de todo mundo.


FICHA TÉCNICA
E O VENTO LEVOU-
GONE WITH THE WIND
Pais:  Estados Unidos
Ano: 1939
Gênero: Romance, Guerra Civil
Direção: Victor Fleming
Roteiro: Sidney Howard
Produção:   David O. Selznick
Design Produção: William Cameron Menzies
Música Original:   Max Steiner
Fotografia:  Ernest Haller, Ray Rennahan
Edição: James E. Newcom, Hal C. Kern
Direção de Arte:   Lyle R. Wheeler
Figurino: Walter Plunkett
Guarda-Roupa: Edward P. Lambert, Michi Okubo, Edward Maeder
Maquiagem: Sydney Guilaroff, Monte Westmore
Efeitos Sonoros:   Fred Albin , Arthur Johns, Thomas T. Moulton e outros
Efeitos Especiais: Jack Cosgrove, Lee Zavitz
Efeitos Visuais: Haller Belt, Jack Shaw, Clarence Slifer e outros


ELENCO
Clark Gable- Rhett Butler
Vivien Leigh-Scarlett O'Hara
Olivia de Havilland -Melanie Hamilton
Hattie McDaniel- Mammy
Thomas Mitchell- Gerald O'Hara
Leslie Howard- Ashley Wilkes
Evelyn Keyes - Suellen O'Hara
Jane Darwell -Sra. Dolly Merriwether
Barbara O'Neil- Ellen O'Hara
Ward Bond -Tom, Capitão ianque
Ann Rutherford-Carreen O'Hara
Harry Davenport   Dr. Meade
Victor Jory-  Jonas Wilkerson, o capataz
Lillian Kemble Cooper- Cathleen Calvert
Laura Hope Crews -Tia Pittypat Hamilton
George Reeves- Stuart Tarleton
Ona Munson- Belle Watling
Mary Anderson- Maybelle Merriwether
Leona Roberts- Sra. Meade
Mickey Kuhn- Beau Wilkes
Butterfly McQueen- Prissy
Howard C. Hickman- John Wilkes
Alicia Rhett- India Wilkes
Rand Brooks- Charles Hamilton
Carroll Nye- Frank Kennedy
Cammie King- Bonnie Blue Butler
Fred Crane- Brent Tarleton
Oscar Polk- Pork
Eddie Anderson- Tio Peter
Robert Elliott-Major ianque.

DISTRIBUÍDO PELA METRO GOLDWYN MAYER

Produção e Pesquisa de PAULO TELLES

quinta-feira, 12 de dezembro de 2013

Beleza Majestosa e Sublime Talento: Eleanor Parker (1922-2013)



"Eleanor Parker foi uma das mais belas mulheres que já conheci, como pessoa também era bela. Eu mal acredito nessa triste notícia, tinha certeza que ela era encantada e viveria para sempre." Christopher Plummer, ator e seu colega em “A Noviça Rebelde”


A Notícia impactou os fãs e saudosistas da Sétima Arte. Eleanor Parker, que havia saído da ativa já fazia mais de 20 anos, ficou fora da mídia, mas não ficou fora do coração de seus fãs e admiradores do cinema. Possuída de uma beleza majestosa, era também uma ótima atriz, e foi indicada três vezes ao Oscar. O Blog vai prestar uma homenagem a esta artista que atuou em muitos filmes nas décadas de 1950 e 1960 e que faleceu aos 91 anos na última segunda feira, dia 9 de dezembro de 2013.


Eleanor Jean Parker nasceu a 26 de junho de 1922, em Cedarville, Ohio, EUA, caçula de três filhos de um professor de matemática e sua esposa. Ela começou a atuar cedo em peças da escola, o que despertou o interesse dela, tão tenro, em se tornar atriz. Aos 15 anos de idade, participou do Teatro de Verão no vinhedo de Martha, em Massachusetts. A ela foi oferecida seu primeiro teste de cinema por um caçador de talentos da 20th Century-Fox, enquanto a jovem participava de uma de suas incursões teatrais, mas declinou do convite porque Eleanor tinha mais interesse em adquirir experiência profissional no palco de Cleveland depois de se formar no ensino médio. Ela mudou-se para a Califórnia para continuar seus estudos de atuação no Pasadena Playhouse.


Um empresário estava sentado na plateia de uma peça que Eleanor participaria no Playhouse, quando ele a convidou para um novo teste cinematográfico, mas desta vez oferecido pela Warner Brothers, mas novamente, teve que declinar, alegando que queria terminar seu primeiro ano no Playhouse.  No ano seguinte, Eleanor foi informada que a Warner Brothers estava oferecendo mais um teste para ela, que acabou por fim aceitando e foi aprovada. Logo, ela foi contratada pelo estúdio, e ela já estava no elenco na obra dirigida por Raoul Walsh (1887-1980) O intrépido General Custer (1941 ), mas sua participação acabou sendo cortada.


Ela foi então lançada em filmes de curta-metragem e dada a ela outras atribuições, praticamente em filmes estudantis, algo que foi capacitando a novata atriz para aprender o ofício, e  mesmo servindo de âncora para outros testes com atores novatos, como ela mesma. Assinando com a Warner, ela foi atuando em pequenos trabalhos e papéis menores até que o estúdio reconheceu sua profundidade dramática e a colocou como Mildred Rogers em 1946 no remake de Servidão Humana (Of Human Bondage). A história, baseada no dramático livro de W. Somerset Maugham (1884-1965) tinha feito de Bette Davis (1908-1989) uma estrela 12 anos antes, na primeira versão cinematográfica do livro. No primeiro dia de filmagem de Eleanor, Davis mandou flores e um bilhete para a atriz "Espero que Mildred faça tanto pela sua carreira como ela fez pela minha.”


Mas o filme fracassou (que ainda teria mais uma versão, em 1964, com Kim Novak), e muito embora Parker estivesse ganhando elogios e indicações ao Oscar até o início da próxima década, sua caraterização como a mundana e meretriz Mildred era fraco em comparação com o desempenho dinâmico de Bette Davis. Destarte, Parker foi novamente relegada a papéis medíocres até que seu desempenho inovador como uma presidiária numa brutal cadeia feminina em A Margem da Vida (Caged), em 1950, rendeu a talentosa e jovem atriz sua primeira indicação ao Oscar.



Ela não ganhou a estatueta dourada, mas ganhou o prêmio de melhor atriz no Festival de Cinema de Veneza. Eleanor também foi indicada no ano seguinte interpretando  a esposa do policial interpretado por Kirk Douglas, que acaba contando um segredo ao marido (sobre aborto, tema considerado um tabu nos anos de 1950) no clássico noir de William Wyler (1902-1981), Chaga de Fogo (Detective Storie), em 1951. Sua terceira e última indicação ao Oscar veio por Melodia Interrompida (Interrupted Melody) um musical dramático baseado em uma história real, e produzida em 1955, onde Eleanor interpreta a cantora de ópera Marjorie Lawrence (1907-1979), que no auge do sucesso foi acometida pela poliomielite. Eleanor confrontou um desafio e tanto ao treinar nove árias em três idiomas, ela se refugiou em uma cabana de Lake Arrowhead durante duas semanas, treinando de oito a dez horas por dia.



Sua carreira totalmente floresceu atuando em filmes de sucesso, como Scaramouche com Stewart Granger (1952), Seu nome e Sua Honra, com Robert Taylor (1951), A Fera do Forte Bravo com William Holden (1953), O Vale dos Reis,  novamente com Robert Taylor (com quem teve um affair), em 1953, e Selva Nua, com Charlton Heston, em 1953.


Eleanor Parker poderia facilmente ter sido indicada naquele mesmo ano por sua interpretação como a esposa que finge ser aleijada de Frank Sinatra (1915-1998) na Obra Prima O Homem do Braço de Ouro,  de  Otto Preminger (1905-1986) adaptado do romance de Nelson Algren (1909-1981). Parker provou ser uma atriz extremamente talentosa e muito versátil. A versatilidade era provavelmente uma das razões por ela nunca se tornar uma estrela de primeira grandeza. Contudo, Eleanor é mais lembrada por grande parte do público, como a Baronesa em A Noviça Rebelde/The Sound of Music (1965).


Apesar do sucesso de A Noviça Rebelde (1965), que foi totalmente atribuída a sensação Nº 1 do então momento,  Julie Andrews,  é provavelmente o papel mais lembrado de Parker no cinema (parte esta que foi, antes, oferecida a Hedy Lamarr).


Ela apareceu em Confidências de Hollywood (Oscar), de 1966, estrelado por Stephen Boyd (1931-1977), como a empresária artística que se torna amante do gigolô e aventureiro interpretado por Boyd. O Filme, dirigido pelo roteirista Russel Rouse (1913-1987), teve um elenco all star, que além de Eleanor e Boyd, também despontaram, Elke Sommer, Jill St John, Broderick Crawford, Joseph Cotten, Ernest Borgnine, e até o cantor Tony Bennett. A revista Playboy maldosamente criticou a atuação de Eleanor (que de fato, teve uma ponta sensual no filme, numa cena de amor com Stephen Boyd), como “uma mulher acabada”, o que nós, fãs desta diva, não concordamos, pois mesmo aos 44 anos de idade, ela era ainda uma mulher muito atraente e bela.

ELEANOR PARKER, no seriado de TV O BARCO DO AMOR, em 1977
ELEANOR PARKER num episódio do seriado de TV HOTEL (1984)

Seu último filme para o cinema foi o criminal A Morte Ronda a Pantera em 1979, estrelada por Farrah Fawcett (1947-2009). Posteriormente, ela apareceu um pouco mais na TV. Participou de várias séries de TV, como O Barco do Amor, Havaí 5-0, Veja$, A Ilha da Fantasia, Hotel, e Assassinato por Escrito.

O último trabalho de Miss Parker foi  Dead on the Money, filme para a TV, em 1991. Desde então se retirou e viveu aposentada e tranquila com sua família em Palm Springs, Califórnia.


VIDA PESSOAL, CASAMENTOS E UM GRANDE AMOR

Eleanor Parker foi casada quatro vezes: com Fred Losee, entre 21 de março de 1943 a 5 dezembro  1944; com Bert E. Friedlob, entre 5 janeiro de 1946 a 10 de novembro de 1953, com quem teve três filhos; Paul Clemens, entre 25 novembro de 1954 a 9 de março  1965, com quem teve um filho; e com Raymond Hirsch, com quem casou em 17 de abril de 1966 e com quem ficou casada até 14 de setembro de 2001, quando ele morreu.

Ela foi mãe de Susan Eleanor Friedlob (nascida em 7 março de 1948), Sharon Anne Friedlob (nascida em 18 de abril de 1950), Richard Parker Friedlob (nascido em 8 de outubro de 1952) e Paul Clemens Jr (nascido em 7 de janeiro de 1958, como Paul Day Clemens). Todos nasceram no condado de Los Angeles, Califórnia.


Em maio de 1950, ela foi escolhida como "Mãe do Ano" pelos floristas americanos. A 6 de março de 1951, Parker teve que abandonar seu leito de doente e fugir com os dois filhos pequenos quando um incêndio em sua casa em Beverly Hills se alastrou. Ela estava na cama com gripe quando foi despertada pelo cheiro de fumaça. Ela levou suas filhas, Susan, com três anos, e Sharon, de um, e deixou a casa em chamas. O incêndio destruiu uma escada e uma parede com  danos que estimaram em US $ 500. Na política, Eleanor era democrata, e sua atriz favorita, era Carole Lombard (1908-1942).


Em 1953, Eleanor conheceu o ator Robert Taylor (1911-1969). Ele já tinha 43 anos, ela, 31. Durante as filmagens de Seu Nome e Sua Honra/Above and Beyond, dirigido por Melvin Frank e Norman Panama, um romance floresceu entre os dois, contudo ambos informaram que nunca se casariam porque Taylor sentia que Eleanor tinha muito de Barbara Stanwyck, sua primeira esposa, e que ele havia alcançado um patamar em que já não necessitava e nem queria uma mulher assim na vida real.


O Vale dos Reis/Valley of the Kings, 1954 e Sangue Aventureiro/Many Rivers to Cross, de 1955, foram outros dois filmes que Taylor e Parker atuaram juntos. Foi durante as filmagens de Sangue Aventureiro que Bob Taylor se casou com Ursula Thiess (1924-2010), atriz e ex-modelo. Eleanor recebeu a notícia com decepção e muita tristeza, uma vez que ainda estava de amores com Bob e nutria esperanças de casar com ele, mesmo que fosse rotulada, pelo próprio ator, como “quase outra Barbara Stanwyck”.


ENTRANDO PARA A IMORTALIDADE

Em junho deste ano, Eleanor Parker foi homenageada pela emissora americana Turner Classic Movies, como a “ Estrela do Mês”, em celebração aos 91 anos da atriz. A 9 de dezembro, Eleanor morreu vítima de pneumonia. Após a sua morte, ela foi prontamente cremada e suas cinzas espalhadas no Oceano Pacífico, conforme seus últimos desejos.



Obrigado, bela e majestosa ELEANOR PARKER, Descanse em paz, com os anjos...como você.

Produção e Pesquisa: 
PAULO TELLES.


FILMOGRAFIA

1941 - They Died with Their Boots On6 (br: O intrépido general Custer)
1942 - Soldiers in White (Documentário)
1942 - Busses Roar
1943 - Mysterious Doctor
1943 - Mission to Moscow (br: Missão em Moscou)
1944 - Between Two Worlds (br: Um Passo Além da Vida)
1944 - Crime by Night (br: Uma Noite Trágica)
1944 - The Last Ride


1944 - The Very Thought of You (br: Pensando Sempre em Você)
1944 - Hollywood Canteen (br: Um Sonho em Hollywood)
1945 - Pride of the Marines (br; Uma Luz nas Trevas)
1946 - Of Human Bondage (br: Escravo de uma paixão)
1946 - Never Say Goodbye (br: Nunca me Diga Adeus)
1947 - The Voice of the Turtle (br: Centelha de amor)


1948 - The Woman in White (br: A Mulher de Branco)
1950 - Chain Lightning (br: A morte não é o fim)
1950 - Caged (br: À margem da vida)
1950 - Three Secrets (br: Três Segredos)
1951 - Detective Story (br: Chaga de fogo)
1951 - Valentino (br: Rodolfo Valentino)
1951 - A Millionaire for Christy (br: Quero Um Milionário)

TOTALMENTE INSINUANTE em SCARAMOUCHE (1952)
1952 - Scaramouche (br: Scaramouche)
1952 - Above and Beyond (br: Seu nome e sua honra)
1953 - Escape from Fort Bravo (br: A fera do Forte Bravo)
1954 - The Naked Jungle (br: A Selva Nua)
1954 - Valley of the Kings (br: O vale dos reis)
1955 - Interrupted Melody (br: Melodia interrompida)
1955 - The Man with the Golden Arm (O homem do braço de ouro)

Com WILLIAM HOLDEN: A FERA DO FORTE BRAVO (1953)
1955 - Many Rivers to Cross (br: Sangue aventureiro)
1956 - The King and Four Queens (Esse homem é meu)
1957 - The Seventh Sin (br: O sétimo pecado)
1957 - Lizzie (br: Desejos Ocultos)
1959 - A Hole in the Head (br: Os Viúvos Também Sonham)
1960 - Home from the Hill (br: A herança da carne)
1961 - Return to Peyton Place (br: De volta à caldeira do diabo)
1962 - Madison Avenue (br: Os Propagandistas)
1964 - Panic Button (br: Suave é o Amor)

Com CHRISTOPHER PLUMMER: A NOVIÇA REBELDE (1965)
1965 - The Sound of Music (br: A noviça rebelde)
1966 - The Oscar (br: Confidências de Hollywood)
1966 - An American Dream (br: Eu Te Verei no Inferno, Querida)
1979 - Sunburn (br: A Morte Ronda a Pantera)
1979 - Hans Brinker
1991 - Dead on the Money