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sábado, 13 de dezembro de 2014

E o Vento Levou – Revisitando uma obra prima do Cinema.


“O Filme mais famoso e mais visto na História do cinema.  Foi assim que a Rede Globo exibiu na TV, em 1983, um especial as vésperas de seu lançamento pela televisão intitulado A História de E O VENTO LEVOU. Sem dúvida, sua estreia na TV brasileira (em duas partes) foi um evento inédito por aqui, mas não para aqueles que assistiram a este grande alicerce do cinema na grande tela, visto que este ano, esta grande obra prima da Sétima Arte completou em dezembro de 2013 seus 75 anos de lançamento, em Atlanta, Estados Unidos. Uma retrospectiva deste espetáculo se faz necessária, visto ser um dos mais esplendorosos e importantes filmes de todos os tempos, cuja saga de sua realização é tão épica quanto à própria fita.

Por Paulo Telles.


E O VENTO LEVOU(Gone With The Wind, 1939), superprodução de David O’ Selznick (1902-1965), continua sendo até hoje um dos maiores campeões de bilheteria de todos os tempos. Desde 1939, o ano de seu lançamento, segundo cálculos à base do chamado Dólar Constante (que é corrigido monetariamente), a película já arrecadou o equivalente a 321 milhões de dólares, enquanto que Guerra nas Estrelas, o segundo colocado, aparece abaixo, com 272 milhões, pelo menos até 1983. Provavelmente hoje estes números estão defasados.

David O' Selznick
Ao ser transmitido pela primeira vez na TV americana, pela cadeia NBC de televisão, em 7 e 8 de novembro de 1976, tornou-se também o filme de maior audiência já registrada até então pela TV dos Estados Unidos: 47.7 pontos de rating, o ibope americano.



Ao ser lançado, há 75 anos, era a produção mais cara de sua época (4 milhões e 250 mil dólares) e também o filme mais longo do cinema até aquele momento, com suas 3 horas e 43 minutos de projeção.

MARGARET MITCHELL, a autora do Best Seller E O VENTO LEVOU
Vivien Leigh e Hattie McDaniel, numa cena de E O VENTO LEVOU
HATTIE McDANIEL, a primeira atriz negra indicada e premiada pela Academia de Hollywood.
Arquitetado a partir do estrondoso best seller  de Margaret Mitchell (1900-1949), lançado a 30 de junho de 1936, e vendeu até hoje 28 mil exemplares, sendo traduzido em 28 línguas (o romance foi escrito entre os anos de 1926 a 1929), E O VENTO LEVOU bateu ainda o recorde de Oscars conquistados, no total de oito: melhor filme, melhor atriz (Vivien Leigh, 1913-1967), melhor diretor (Victor Fleming, 1889-1949, sendo o único cineasta creditado, embora tenha dirigido apenas 45%¨das cenas. Os demais que também dirigiram mas não tiveram os créditos devidos foram Sam Wood, George Cukor, e William Cameron Menzies, além também do próprio David O’ Selznick), melhor roteiro adaptado (Sidney Howard, que morreu quatro meses antes do lançamento do filme, sendo o único creditado entre doze roteiristas, entre os quais incluíam F. Scott Fitzgerald), foto a cores, atriz coadjuvante (Hattie McDaniel, 1895-1952, a primeira atriz negra a ser indicada e a receber um premio da Academia de Cinema), melhor cenografia e melhor montagem.


E O VENTO LEVOU ainda ganhou três prêmios da Academia de Hollywood: O prêmio Irving Thalberg Memorial para David O’ Selznick, por sua coordenação para a produção dado a sua empresa, Selznick Internacional; e um premio especial a William Cameron Menzies (1896-1957) pelos desenhos de produção, e um prêmio especial para a britânica Vivien Leigh, recebendo ainda mais um prêmio de melhor atriz pela crítica de Nova York.


Sidney Howard
David O’ Selznick contratou o consagrado escritor Sidney Howard (1891-1939) para condensar as 1.037 páginas do estrondoso livro (precisando da colaboração de outros onze roteiristas), já que o romance é detentor do Prêmio Pulitzer de 1937. Outros membros vieram a compor a equipe: George Cukor, amigo pessoal de Selznick e o desenhista de produção William Cameron Menzies

A ESCOLHA DO ELENCO E A BUSCA PELA SCARLETT



Sellznick já estava martelando as ideias para saber quem poderia interpretar os papéis centrais. Para Rhett Butler, o personagem viril que arrebatava os corações femininos das moças do Sul, ele pensou inicialmente em Gary Cooper, Ronald Colman e Errol Flynn,  enquanto Basil Rathbone era o preferido da autora do livro, Margaret Mitchell. Contudo o escolhido pelo público foi Clark Gable (1901-1960). De fato, nenhum outro ator de sua época se encaixaria melhor do que ele como o cínico aventureiro Rhett Butler, amoral e sedutor, mas que ao mesmo tempo demonstrava humanidade.






Para o papel de Ashley Wilkes, Selznick tinha apenas um ator em mente, Leslie Howard (1893-1943). Howard só aceitou a parte quando lhe foi assegurada uma participação como produtor associado em Intermezzo, uma História de Amor / Intermezzo, a Love Story / 1939. A contratação de uma atriz para Melanie não tardou, pois Olívia de Havilland (a única ainda viva do cast principal) logo ganhou o papel, sucedendo a Maureen O’ Sullivan, Janet Gaynor, Marsha Hunt, Geraldine Fitzgerald, Priscilla Lane, Dorothy Jordan, Frances Dee, Ann Shirley, e a irmã de Olívia, Joan Fontaine, na lista de candidatas.


Faltava apenas escolher a intérprete de Scarlett O’ Hara. A primeira cogitada, Norma Shearer, recusou o convite. A seguir, uma constelação de estrelas (Bette Davis, Tallulah Bankhead, Miriam Hopkins, Joan Crawford, Claudette Colbert, Margaret Sullavan, Carole Lombard, Jean Arthur, Loretta Young, Katharine Hepburn, Ann Sheridan Joan Bennett, e Paulette Goddard, esta quase escolhida), algumas novatas, como Lucille Ball e Doris Davenport, fizeram testes para o papel da indomável personagem.



A fim de conseguir Clark Gable, Selznick teve de entrar em acordo como seu então sogro, Louis B. Mayer. A Metro cederia o seu astro, entraria com uma participação no valor da metade dos dois milhões e 250 mil dólares e, em troca, seria responsável pela distribuição e receberia 50% dos lucros. Em 1944, a marca do leão adquiriu direitos totais sobre o filme.





Para a trilha sonora de E O VENTO LEVOU, Selznick recorreu ao compositor vienense Max Steiner (1888-1971), verdadeiro precursor da utilização de partituras sinfônicas como acompanhamento de diálogos e a ele confiou o departamento musical do seu estúdio. O ano de 1939 foi o mais ativo da carreira de Steiner, pois ele criou nada menos que doze partituras para filmes, inclusive a de…E O Vento Levou, uma das mais longas já concebidas para uma película (apenas 30 dos 222 minutos não possuem comentário musical). Cada personagem mereceu um tema, o mesmo acontecendo com os três relacionamentos amorosos. Algumas canções sulistas e hinos patrióticos foram adicionados mas, predominante, é o “Tema de Tara”, motivo central da trama.



As filmagens começaram bastante tumultuadas a 10 de dezembro de 1938, nos velhos estúdios da RKO-Pathé, em Culver City, mas não havia ainda a atriz para Scarlett O’ Hara. Sob a direção de William Cameron Menzies, encenou-se diante das câmeras Technicolor a sequência do incêndio de Atlanta, com a utilização de antigos cenários (de King Kong / King Kong / 1933, Jardim de Alá / Garden of Allah / 1936, etc.), disfarçados com falsas fachadas. Sete câmeras Technicolor fotografaram os dublês dos personagens de Rhett e Scarlett em planos médio e geral com o fogo ao fundo. Foi necessário filmar esta cena antes do verdadeiro início da produção, a fim de limpar a área para a construção do cenário de Tara, partes de Atlanta e vários outros exteriores.




David O' Selznick, em reunião com Leslie Howard, Vivien Leigh, e Olivia De Havilland
A imprensa e a sociedade local estavam presentes e Selznick aguardava ansioso a vinda do irmão Myron, que chegou acompanhado do ator Laurence Olivier e sua namorada Vivien Leigh, uma jovem e promissora atriz inglesa. A apresentação de Vivien por Myron tornou-se célebre: “Quero que conheça Scarlett O’Hara”. A busca por Scarlett O’ Hara chegara ao fim.




A escolha de Vivien Leigh para o papel não podia ser mais certeira; Scarlett se tornou inesquecível. arrogante, fútil, vaidosa, mas também era uma mulher de uma força inquebrantável, capaz de tudo, até enfrentar soldados inimigos para defender sua família e sua casa da fazenda Tara. Tão corajosa até mesmo de se casar três vezes sem amor. Mas, mesmo sendo tão esperta, chega a ser burra, não sendo capaz de reconhecer e conservar o verdadeiro amor de sua vida, Rhett Butler.

O INÍCIO DAS FILMAGENS
George Cukor
As filmagens propriamente ditas após a escolha da atriz principal começaram a 26 de janeiro de 1939. George Cukor (1900-1983) deu início às filmagens, mas foi dispensado a pedido de Clark Gable, que teria se incomodado com o fato de Cukor ser homossexual e ser conhecido como grande diretor de mulheres, contudo o cineasta continuou assessorando Vivien e Olivia secretamente.




Cukor só dirigiu cerca de 5% do filme, incluindo as seguintes cenas: a de abertura com Scarlett e os gêmeos Tarleton (um deles vivido por George Reeves, o futuro Superman da TV dos anos 50); Mammy amarrando o espartilho de Scarlett antes do churrasco; Rhett visitando Scarlett com o chapéu parisiense; Scarlett ajudando o parto de Melanie; Scarlett enfrentando o desertor nortista; Scarlett sentada na escada ao lado de soldados sulistas sobreviventes dos campos de batalha.
Victor Fleming
Vivien Leigh, Clark Gable, e Victor Fleming
Com a finalidade de agradar Clark Gable, Selznick forneceu-lhe uma lista de nomes de diretores disponíveis para ocupar o lugar de Cukor: King Vidor, Jack Conway, Robert Z. Leonard e Victor Fleming. Sem vacilar, o astro da Metro optou por Fleming, que estava ocupado com O Mágico de Oz / The Wizard of Oz / 1939 e teve de deixar as últimas duas semanas de trabalho aos cuidados de King Vidor, responsável pela sequência de Judy Garland cantando Over the Rainbow.

Sam Wood
Fleming teve um colapso nervoso durante as filmagens e foi substituído por Sam Wood (1883-1949), que assumiu a direção a 1º de maio, iniciando seus 15% de participação no filme. Quando Victor Fleming recuperou-se e voltou, os dois diretores continuaram na direção, mas em horas e sets diferentes.



Somente Fleming recebeu crédito pela direção o que, curiosamente, acarretou-lhe certa antipatia, sobretudo por ter aceitado substituir Cukor.  O roteirista John L. Mahin, um dos colaboradores do Script, desmentiu que eles não se dessem bem, lembrando que ouvira Fleming dizer várias vezes: “George poderia ter realizado um trabalho tão bom quanto o meu. Ele provavelmente faria melhor as cenas intimistas. Acho que me dei bastante bem com o material mais espetaculoso”.




As filmagens terminaram a 1º de julho de 1939, e Selznick tinha diante de si uma montanha de celulóide revelado – cerca de 60.000 metros de filme, equivalente a 28 horas de projeção. Trancado dia e noite com o editor Hal C. Kern e seu assistente James Newcom, o produtor montou o filme sem consultar nenhum dos diretores que nela tomaram parte e ordenou a filmagem de cenas adicionais, como aquela em que Scarlett se esconde debaixo da ponte numa tempestade, enquanto uma tropa da União passa sobre a mesma. Sob o comando de Victor Fleming, a cena de abertura foi mais uma vez encenada. A montagem final redundou em 4 horas e 25 minutos de projeção. Efetuaram-se novos cortes e o filme terminou com a duração de 3 horas e 43 minutos.



Em novembro do mesmo ano, Selznick convenceu o chefe da censura, Will Hays, a deixar passar a famosa frase final de Rhett Butler (“Frankly, my dear, I don’t give a damn” – Francamente querida, eu pouco me importo”). A palavra damn era considerada pesada na época, mas o produtor conseguiu sua liberação.


A Noite de Gala de E O VENTO LEVOU, em sua première a 15 de dezembro de 1939, em Atlanta.

Vivien Leigh, Clark Gable, Margaret Mitchell (autora do romance), David O' Selznick e Olivia De Havilland.
A première teve lugar em Atlanta na noite de 15 de dezembro de 1939, com a frente do cinema Lowe’s Grand decorada como a mansão de Twelve Oaks. O Governador da Geórgia, E. D. Rivers, decretou feriado estadual em virtude do lançamento de um filme. Para não ficar atrás, o Prefeito de Atlanta, William B. Hartsfield, programou três dias de festividades, substancialmente patrocinadas pela Metro. A imprensa estimou em um milhão o número de pessoas aglomeradas na cidade – então habitada por 500 mil cidadãos – no dia da estreia de…E O Vento Levou.



Clark Gable chega a estreia em Atlanta acompanhado por sua bela esposa, a atriz Carole Lombard
Ronald Colman e senhora, acompanhados por Vivien Leigh e seu marido Laurence Olivier.

Clark Gable, Margaret Mitchell (autora do Best Seller) e Vivien Leigh na noite de gala de estreia do grande épico, a 15 de dezembro de 1939.

E O VENTO LEVOU NO BRASIL

Segundo informações do notável Mestre A. C Gomes de Mattos em seu blog HISTÓRIAS DE CINEMA, E O VENTO LEVOU estreou na Cidade Maravilhosa a 12 de setembro de 1940, às 20h45m, no Cine Metro do Rio de Janeiro (na ocasião só existia o da Rua do Passeio), numa avant-première de gala, sob o patrocínio da Sra. Darcy Vargas, em benefício da Cidade das Meninas.

Divulgação de um jornal na época de sua estreia no Brasil.
Com os 1.400 lugares inteiramente ocupados, no único intervalo da sessão, às 23 horas, o príncipe D. João de Orleans e Bragança, auxiliado pelas Srtas. Perla Lucena e Maria da Penha Affonseca e pelo Sr. Carlos de Laet, coordenou o leilão de exemplares da obra de Margareth Mitchell, autografados pelos astros principais e em rica encadernação oferecida pela Casa Vallele.

Na plateia, conforme um jornal da época, “a mais brilhante representação do nosso oficialíssimo Corpo Diplomtático e a elite patriota”, além do galã John Boles que, de passagem pela cidade, fez questão de participar da festa. No mesmo dia, diretamente de Hollywood, numa transmissão da A Hora do Brasil, servindo de locutor Luis Jatobá, Clark Gable, Vivien Leigh, e o produtor Selznick saudaram D. Darcy e contaram alguns detalhes da filmagem.


Relançamento do filme em São Paulo, nos anos de 1970

E O VENTO LEVOU ainda foi levado em cartaz as salas de exibição por quase 40 anos em reprises nos extintos cinemas de rua em todo Brasil, numa época em que ainda não tinhamos videocassetes (ou pelo menos muitos ainda não tinham acesso), locadoras de vídeo, DVDS ou TVS por assinatura.



Sem dúvida, E O VENTO LEVOU É um clássico imortal da antiga Hollywood, o filme mais famoso e o mais popular da história do cinema, símbolo da usina de sonhos em seus dias de fausto e glória, a maior prova viva do poder mágico da Sétima Arte, capaz mesmo de arrebatar multidões até os dias de hoje, conquistando cinéfilos da nova geração. Enfim, uma turbulenta história de amor que enferveceu e vem enfervecendo plateias de todo mundo.


FICHA TÉCNICA
E O VENTO LEVOU-
GONE WITH THE WIND
Pais:  Estados Unidos
Ano: 1939
Gênero: Romance, Guerra Civil
Direção: Victor Fleming
Roteiro: Sidney Howard
Produção:   David O. Selznick
Design Produção: William Cameron Menzies
Música Original:   Max Steiner
Fotografia:  Ernest Haller, Ray Rennahan
Edição: James E. Newcom, Hal C. Kern
Direção de Arte:   Lyle R. Wheeler
Figurino: Walter Plunkett
Guarda-Roupa: Edward P. Lambert, Michi Okubo, Edward Maeder
Maquiagem: Sydney Guilaroff, Monte Westmore
Efeitos Sonoros:   Fred Albin , Arthur Johns, Thomas T. Moulton e outros
Efeitos Especiais: Jack Cosgrove, Lee Zavitz
Efeitos Visuais: Haller Belt, Jack Shaw, Clarence Slifer e outros


ELENCO
Clark Gable- Rhett Butler
Vivien Leigh-Scarlett O'Hara
Olivia de Havilland -Melanie Hamilton
Hattie McDaniel- Mammy
Thomas Mitchell- Gerald O'Hara
Leslie Howard- Ashley Wilkes
Evelyn Keyes - Suellen O'Hara
Jane Darwell -Sra. Dolly Merriwether
Barbara O'Neil- Ellen O'Hara
Ward Bond -Tom, Capitão ianque
Ann Rutherford-Carreen O'Hara
Harry Davenport   Dr. Meade
Victor Jory-  Jonas Wilkerson, o capataz
Lillian Kemble Cooper- Cathleen Calvert
Laura Hope Crews -Tia Pittypat Hamilton
George Reeves- Stuart Tarleton
Ona Munson- Belle Watling
Mary Anderson- Maybelle Merriwether
Leona Roberts- Sra. Meade
Mickey Kuhn- Beau Wilkes
Butterfly McQueen- Prissy
Howard C. Hickman- John Wilkes
Alicia Rhett- India Wilkes
Rand Brooks- Charles Hamilton
Carroll Nye- Frank Kennedy
Cammie King- Bonnie Blue Butler
Fred Crane- Brent Tarleton
Oscar Polk- Pork
Eddie Anderson- Tio Peter
Robert Elliott-Major ianque.

DISTRIBUÍDO PELA METRO GOLDWYN MAYER

Produção e Pesquisa de PAULO TELLES

segunda-feira, 16 de dezembro de 2013

Especial: ...E as Estrelas sobem!


Já faz uma semana que publicamos o último tópico, em homenagem a Eleanor Parker, aqui no espaço, que morreu na Segunda feira dia 9/12, quando soubemos que além dela, partiram na mesma semana, Rossana Podestá, Audrey Totter, Peter O’ Toole, e no domingo, a lenda Joan Fontaine. Fica impossível prestar um tributo individual, considerando que estas estrelas se foram num curto espaço de tempo, uma sequência atras outra. Os textos desta vez são tirados integralmente de sites de notícias, mas o FILMES ANTIGOS CLUB não poderia deixar de homenageá-los, já que é um blog exclusivamente dedicado a estes astros e estrelas do passado.

IN MEMORIAN


ROSSANA PODESTÀ (1934-2013)

Morreu aos 79 anos, a atriz italiana Rossana Podestà, na terça feira, dia 10. Rossana, famosa entre nos anos 1950 e 1970, ficou inicialmente conhecida como "rainha do Peplum", gênero de cinema popular na Itália por se inspirar na história e na mitologia (Por aqui, conhecido como “Espadas & Sandálias”).


A atriz também se destacou como  femme fatale no longa 7 Homens de ouro (1965) e apareceu em comédias eróticas. Muitos de seus filmes, inclusive 7 Homens de ouro, foram dirigidos pelo cineasta e produtor Marco Vicario, com quem foi casada entre 1953 e 1976. Eles tiveram dois filhos, Stefano Vicario e Francesco Vicario, ambos diretores.


Rossana, que também atuou em Ulisses (1955),  Helena de Tróia (1956) e A mansão do homem sem alma (1963), saiu de cena em 1985, passando a viver ao lado do alpinista e escritor Walter Bonatti. Ficaram juntos até a morte dele, em 2011.


Provavelmente, Helena de Tróia seja um de seus trabalhos mais famosos, e os produtores do filme cogitaram outras estrelas para interpretar o papel título, como Lana Turner, Elizabeth Taylor, Rhonda Fleming, Ava Gardner e Yvonne De Carlo.


O diretor Robert Wise, entretanto, arriscou-se ao escolher Rossana, que não era um rosto conhecido fora da Itália e não falava inglês. Wise, então, usou um treinador particular para ajudá-la a decorar as falas. Infelizmente, o filme não aplacou bem nas bilheterias



AUDREY TOTTER (1918-2013)

Morreu aos 95 anos a atriz Audrey Totter, mais conhecida pela participação em alguns clássicos do cinema noir, como O Destino Bate à Porta (1946), A Dama do Lago (1947), Sem Sombra de Suspeita (1947), Muro de Trevas (1947) e Punhos de Campeão (1949).

Segundo a filha da atriz, Mea, em  declarações ao Los Angeles Times, Totter sofreu um AVC e padecia de insuficiência cardíaca, vindo a falecer na quinta feira passada num hospital californiano.


Nascida em Joliet, no estado de Illinois, em 20 de dezembro de 1917, Totter começou sua carreira no rádio e se mudou para Los Angeles em 1944, quando assinou um contrato com a MGM. Sua carreira no cinema foi memorável e incluiu alguns dos maiores clássicos do gênero noir, nos quais geralmente interpretava a bad girl, tirando proveito de situações ruins.

Após diversas figurações, seu primeiro papel de coadjuvante aconteceu em O Destino Bate à Porta (1946), uma das mais famosas histórias criminais já escritas, adaptada do romance de James M. Cain e estrelada por Lana Turner e John Garfield. Totter era a loira que se intrometia no meio do casal assassino, virando brevemente a amante do personagem de Garfield.

É um dia quente e estes são bancos de couro”, ela diz, sobre o conversível em que Garfield vai entrar, antes de acrescentar mais um detalhe: “E minha saia é fina”. Não precisava dizer mais nada.


Hollywood se viu seduzida por sua sexualidade e ela virou protagonista logo em seguida, em outro clássico noir: A Dama do Lago (1947), baseada no livro de Raymond Chandler. Audrey encarnou a editora de revista que contrata o detetive particular Philip Marlowe (Robert Montgomery) para encontrar a esposa desaparecida de seu chefe. Só que, durante a investigação, Marlowe se descobre incriminado num assassinato.

Em Sem Sombra de Suspeita (1947), Audrey foi dirigida pelo mestre Michael Curtiz (“Casablanca”), como a sobrinha interesseira de uma celebridade do rádio (Claude Rains), que, mesmo sendo casada, não pensa duas vezes antes de se atirar nos braços do suposto viúvo (Ted North) de sua irmã (Joan Caulfield) – que, por sinal, não morreu realmente e nem sabe quem é o homem que diz ser seu marido. Por curiosidade, o filme só se tornou cultuado com a passagem do tempo, já que, na época, seu clima de mistério, com alguns homicídios pelo meio, foi muito comparado ao intocável Laura (1944).


Audrey mudou brevemente de lado em Muro de Trevas (1947), como a psiquiatra que ajuda a provar que Robert Taylor não matou sua esposa, e em Punhos de Campeão (1949), obra-prima de Robert Wise como a esposa que tenta fazer um boxeador (Robert Ryan) se aposentar, apenas para testemunhar as consequências de sua última vitória contra apostas de um gângster.

Após se aposentar com 70 anos de idade, ela ainda recebia convites para voltar ao cinema, graças à revalorização do cinema noir. Mas preferiu preservar a lembrança dos fãs como uma loira sexy, gélida e fatal. “Quem eu poderia interpretar?”, ela disse em 2000 numa entrevista ao jornal Toronto Star -  “Uma avó legal? Que tédio! Os críticos sempre disseram que eu interpretava melhor com uma arma na minha mão.”

Ao contrário de suas personagens, Audrey foi casada apenas uma vez, com o professor universitário Leo Fred em 1953, e eles só se separam quando ele morreu em 1995. O casal teve uma única filha.



PETER O’ TOOLE (1932-2013)

O ator irlandês Peter O'Toole morreu aos 81 anos, disse neste domingo, dia 15, seu agente. O motivo da morte não foi divulgado. Ele estrelou o filme Lawrence da Arábia em 1962 e foi indicado oito vezes ao Oscar durante a carreira.

O agente Steve Kenis disse que o ator morreu no sábado, dia 14, em um hospital de Londres. Ele estava doente há muito tempo, disse Kenis, sem especificar a causa-mortis.

O ator também atuou em O Último Imperador, de Bernardo Bertolucci, de 1987,  O leão no inverno, com Katharine Hepburn, de 1968, e diversos outros filmes em quase seis décadas de carreira no cinema.


Nascido em County Galway, a 2 de agosto de 1932, na Irlanda, e criado em Leeds, na Inglaterra, ele começou a carreira no teatro britânico e se consagrou em um da das suas primeiras atuações no cinema, Lawrence da Arábia. O trabalho de 1962, na pele de um militar inglês que lutou no Oriente Médio na Primeira Guerra Mundial, foi o mais marcante do ator e  ajudou a transformar o longa em um clássico do cinema.


Ele recebeu um Oscar honorário em 2003 - uma forma de a Academia de Hollywood compensá-lo por não ganhar nenhuma das outras indicações ao prêmio. Ele foi premiado quatro vezes no Globo de Ouro, uma no Emmy e uma no Bafta, entre outros reconhecimentos.


O filme mais recente pelo qual ele havia sido indicado ao Oscar foi  Venus, de 2006. No ano seguinte, ele fez a voz do personagem Anton Ego, no popular filme de animação Ratatouille. Além de Lawrence da Arábia, os outros filmes que renderam indicações ao Oscar foram Becket, o favorito do rei (1964), O leão no inverno (1968), Adeus, Mr. Chips (1969),  A classe governante (1972), O substituto (1980) e Um cara muito baratinado (1982), onde interpretava um astro de cinema aos moldes de Errol Flynn, e que enfrentava problemas com álcool. Na vida real, O’ Toole chegou a ter problemas com a bebida, e geralmente seu parceiro de copo era o ator galês Richard Burton, que morreu de cirrose hepática em 1984, com apenas 58 anos de idade. Com Burton, atuou em Becket.


Em um comunicado divulgado em julho de 2011, Peter O'Toole disse que iria se aposentar e não mais atuar em filmes e no teatro. "O coração disso [ser ator] saiu de mim", disse, acrescentando que "não iria voltar". Mas o The Guardian disse que ele planejava voltar a atuar em um filme chamado Katherine of Alexandria. O site IMDb diz que ele também estava no elenco de um filme programado para estrear em 2014, Mary..

Ele deixa duas filhas, Pat e Kate O'Toole, de seu casamento com a atriz Siân Phillips, e um filho com Karen Brown, Lorcan O'Toole.



JOAN FONTAINE (1917-2013)

A atriz britânica-americana Joan Fontaine, vencedora de um Oscar por seu papel em Suspeita, morreu neste domingo (15), aos 96 anos de idade, de causas naturais, informou seu assistente ao site da revista The Hollywood Reporter, segundo as agências de notícias Reuters, AP e EFE.



Fontaine, ícone do cinema hollywoodiano nos anos 1940, morreu em sua casa de Carmel, na Califórnia, Estados Unidos, confirmou sua assistente.

Ela foi indicada três vezes ao Oscar de melhor atriz e venceu uma vez, em 1942, com o filme Suspeita, do diretor Alfred Hitchcock, em que contracenou com Cary Grant. Ela foi a única atriz a vencer o prêmio da Academia por um filme do mestre do suspense.



Fontaine também atuou em Rebecca: A mulher inesquecível (1940), De amor também se morre (1943), Carta de uma desconhecida (1948), Alma sem Pudor (1950) e Ivanhoé, o vingador do Rei (1952). Com a carreira cinematográfica em declínio já no fim da década de 1950, Fontaine atuou na televisão e em musicais da Broadway, como O leão no inverno.

Participou em várias produções da Broadway, substituindo Deborah Kerr em Tea and Sympathy, em 1954, e Julie Harris em Forty Carats, no final dos anos 1960.



Joan casou-se e divorciou-se quatro vezes, e divorciou-se do último marido, Alfred Wright, em 1969. Do segundo marido, William Dozier, deixou uma filha, Deborah. Em 1952 adotou uma menina peruana, Martita, que fugiu de casa em 1963.



A assistente da atriz, Susan Pfeiffer, informou ao Hollywood Reporter que a estrela faleceu de causas naturais em sua casa de Carmel, no norte da Califórnia.



JOAN FONTAINE era irmã de OLIVIA DE HAVILAND (que esta com 97 anos). Das duas irmãs, Olivia (um ano mais velha) foi a primeira a se tornar atriz. Quando Joan tentou seguir a mesma profissão, sua mãe, que supostamente favoreceu Olivia, se recusou a deixá-la usar o nome da família. Assim Joan se viu obrigada a inventar um nome, tendo em primeiro Joan Burfield e, posteriormente, Joan Fontaine. Segundo o que conta o biógrafo Charles Higham em sua obra Sisters: The Story of Olivia De Haviland and Joan Fontaine, as irmãs sempre tiveram uma relação difícil, começando na infância, quando Olivia teria rasgado uma roupa de Joan, forçando-a a costurá-la novamente. A rivalidade e o ressentimento entre as irmãs também alegadamente resulta da percepção de Joan em relação ao fato de Olivia ser a filha favorita de sua mãe.



Em 1942 as duas irmãs foram nomeadas para o Oscar de melhor atriz. Fontaine foi indicada pela atuação no filme Suspeita ("Suspicion", 1941), de Alfred Hitchcock, e De Havilland foi indicada pela atuação em A porta de ouro ("Hold Back the Dawn", 1941). Fontaine foi quem acabou levando a estatueta. O biógrafo Charles Higham descreveu os eventos da cerimônia de premiação, afirmando que, como Joan avançou empolgada para receber seu prêmio, ela claramente rejeitou as tentativas de Olivia cumprimentá-la, e que Olivia acabou se ofendendo com essa atitude. Higham também afirmou que, depois, Joan sentiu-se culpada pelo que ocorreu na cerimônia de entrega do prêmio.



Anos mais tarde, seria a vez de Olivia de Havilland ganhar o prêmio, em 1947, pela atuação no filme Só resta uma lágrima ("To Each His Own", 1946). Segundo o biógrafo, na cerimônia de premiação Joan fez um comentário sobre o então marido de Olivia, que ficou ofendida e não quis receber os cumprimentos de sua irmã por este motivo.



A relação entre as irmãs continuou a deteriorar-se após os dois incidentes. Em 1975, aconteceria algo que faria com que elas deixassem de se falar definitivamente: segundo Joan, Olivia não a convidou para um serviço memorial em homenagem a sua mãe, que havia morrido recentemente. Mais tarde, Olivia afirmou que tentou comunicar a Joan, mas ela se encontrava muito ocupada para atendê-la.



Charles Higham também diz que Joan tinha um relacionamento distante com suas próprias filhas, talvez porque tenha descoberto que elas estavam mantendo um relacionamento secreto com a tia Olivia.

A irmãs se recusavam, até recentemente,  a comentar publicamente sobre a sua rivalidade e relacionamento familiar, apesar de Fontaine ter comentado em uma entrevista que muitos boatos a respeito das irmãs surgiram dos "cães de publicidade" do estúdio.

FONTE: http://g1.globo.com/E WILKIPEDIA


COMENTÁRIOS DO EDITOR

Este mês foi que INACREDITÁVEL para os fãs da antiga Sétima Arte, dos saudosos clássicos do cinema, e dos antigos astros e estrelas do passado. Sempre pensamos que, mesmo envelhecidos, vivendo suas vidas, sejam dentro ou fora da mídia, que os artistas que tanto amamos são imortais. Contudo, a IMORTALIDADE ela vem quando o artista deixa seu legado, valoroso cumprimento do dever cumprido perante seus admiradores. Choramos a passagem de Eleanor Parker, Joan Fontaine, Peter O’ Toole, Rossana Podestá, e Audrey Totter, mas nenhum deles morrerá enquanto houver um só apreciador destes ícones das telas, independendo da idade que tenhamos, seja daqui a 10 ou 100 anos. Eles viverão eternamente nos nossos corações, já que tanto amamos o cinema antigo. AS ESTRELAS SOBEM.

Paulo Néry Telles Pereira - Editor