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sábado, 13 de dezembro de 2014

E o Vento Levou – Revisitando uma obra prima do Cinema.


“O Filme mais famoso e mais visto na História do cinema.  Foi assim que a Rede Globo exibiu na TV, em 1983, um especial as vésperas de seu lançamento pela televisão intitulado A História de E O VENTO LEVOU. Sem dúvida, sua estreia na TV brasileira (em duas partes) foi um evento inédito por aqui, mas não para aqueles que assistiram a este grande alicerce do cinema na grande tela, visto que este ano, esta grande obra prima da Sétima Arte completou em dezembro de 2013 seus 75 anos de lançamento, em Atlanta, Estados Unidos. Uma retrospectiva deste espetáculo se faz necessária, visto ser um dos mais esplendorosos e importantes filmes de todos os tempos, cuja saga de sua realização é tão épica quanto à própria fita.

Por Paulo Telles.


E O VENTO LEVOU(Gone With The Wind, 1939), superprodução de David O’ Selznick (1902-1965), continua sendo até hoje um dos maiores campeões de bilheteria de todos os tempos. Desde 1939, o ano de seu lançamento, segundo cálculos à base do chamado Dólar Constante (que é corrigido monetariamente), a película já arrecadou o equivalente a 321 milhões de dólares, enquanto que Guerra nas Estrelas, o segundo colocado, aparece abaixo, com 272 milhões, pelo menos até 1983. Provavelmente hoje estes números estão defasados.

David O' Selznick
Ao ser transmitido pela primeira vez na TV americana, pela cadeia NBC de televisão, em 7 e 8 de novembro de 1976, tornou-se também o filme de maior audiência já registrada até então pela TV dos Estados Unidos: 47.7 pontos de rating, o ibope americano.



Ao ser lançado, há 75 anos, era a produção mais cara de sua época (4 milhões e 250 mil dólares) e também o filme mais longo do cinema até aquele momento, com suas 3 horas e 43 minutos de projeção.

MARGARET MITCHELL, a autora do Best Seller E O VENTO LEVOU
Vivien Leigh e Hattie McDaniel, numa cena de E O VENTO LEVOU
HATTIE McDANIEL, a primeira atriz negra indicada e premiada pela Academia de Hollywood.
Arquitetado a partir do estrondoso best seller  de Margaret Mitchell (1900-1949), lançado a 30 de junho de 1936, e vendeu até hoje 28 mil exemplares, sendo traduzido em 28 línguas (o romance foi escrito entre os anos de 1926 a 1929), E O VENTO LEVOU bateu ainda o recorde de Oscars conquistados, no total de oito: melhor filme, melhor atriz (Vivien Leigh, 1913-1967), melhor diretor (Victor Fleming, 1889-1949, sendo o único cineasta creditado, embora tenha dirigido apenas 45%¨das cenas. Os demais que também dirigiram mas não tiveram os créditos devidos foram Sam Wood, George Cukor, e William Cameron Menzies, além também do próprio David O’ Selznick), melhor roteiro adaptado (Sidney Howard, que morreu quatro meses antes do lançamento do filme, sendo o único creditado entre doze roteiristas, entre os quais incluíam F. Scott Fitzgerald), foto a cores, atriz coadjuvante (Hattie McDaniel, 1895-1952, a primeira atriz negra a ser indicada e a receber um premio da Academia de Cinema), melhor cenografia e melhor montagem.


E O VENTO LEVOU ainda ganhou três prêmios da Academia de Hollywood: O prêmio Irving Thalberg Memorial para David O’ Selznick, por sua coordenação para a produção dado a sua empresa, Selznick Internacional; e um premio especial a William Cameron Menzies (1896-1957) pelos desenhos de produção, e um prêmio especial para a britânica Vivien Leigh, recebendo ainda mais um prêmio de melhor atriz pela crítica de Nova York.


Sidney Howard
David O’ Selznick contratou o consagrado escritor Sidney Howard (1891-1939) para condensar as 1.037 páginas do estrondoso livro (precisando da colaboração de outros onze roteiristas), já que o romance é detentor do Prêmio Pulitzer de 1937. Outros membros vieram a compor a equipe: George Cukor, amigo pessoal de Selznick e o desenhista de produção William Cameron Menzies

A ESCOLHA DO ELENCO E A BUSCA PELA SCARLETT



Sellznick já estava martelando as ideias para saber quem poderia interpretar os papéis centrais. Para Rhett Butler, o personagem viril que arrebatava os corações femininos das moças do Sul, ele pensou inicialmente em Gary Cooper, Ronald Colman e Errol Flynn,  enquanto Basil Rathbone era o preferido da autora do livro, Margaret Mitchell. Contudo o escolhido pelo público foi Clark Gable (1901-1960). De fato, nenhum outro ator de sua época se encaixaria melhor do que ele como o cínico aventureiro Rhett Butler, amoral e sedutor, mas que ao mesmo tempo demonstrava humanidade.






Para o papel de Ashley Wilkes, Selznick tinha apenas um ator em mente, Leslie Howard (1893-1943). Howard só aceitou a parte quando lhe foi assegurada uma participação como produtor associado em Intermezzo, uma História de Amor / Intermezzo, a Love Story / 1939. A contratação de uma atriz para Melanie não tardou, pois Olívia de Havilland (a única ainda viva do cast principal) logo ganhou o papel, sucedendo a Maureen O’ Sullivan, Janet Gaynor, Marsha Hunt, Geraldine Fitzgerald, Priscilla Lane, Dorothy Jordan, Frances Dee, Ann Shirley, e a irmã de Olívia, Joan Fontaine, na lista de candidatas.


Faltava apenas escolher a intérprete de Scarlett O’ Hara. A primeira cogitada, Norma Shearer, recusou o convite. A seguir, uma constelação de estrelas (Bette Davis, Tallulah Bankhead, Miriam Hopkins, Joan Crawford, Claudette Colbert, Margaret Sullavan, Carole Lombard, Jean Arthur, Loretta Young, Katharine Hepburn, Ann Sheridan Joan Bennett, e Paulette Goddard, esta quase escolhida), algumas novatas, como Lucille Ball e Doris Davenport, fizeram testes para o papel da indomável personagem.



A fim de conseguir Clark Gable, Selznick teve de entrar em acordo como seu então sogro, Louis B. Mayer. A Metro cederia o seu astro, entraria com uma participação no valor da metade dos dois milhões e 250 mil dólares e, em troca, seria responsável pela distribuição e receberia 50% dos lucros. Em 1944, a marca do leão adquiriu direitos totais sobre o filme.





Para a trilha sonora de E O VENTO LEVOU, Selznick recorreu ao compositor vienense Max Steiner (1888-1971), verdadeiro precursor da utilização de partituras sinfônicas como acompanhamento de diálogos e a ele confiou o departamento musical do seu estúdio. O ano de 1939 foi o mais ativo da carreira de Steiner, pois ele criou nada menos que doze partituras para filmes, inclusive a de…E O Vento Levou, uma das mais longas já concebidas para uma película (apenas 30 dos 222 minutos não possuem comentário musical). Cada personagem mereceu um tema, o mesmo acontecendo com os três relacionamentos amorosos. Algumas canções sulistas e hinos patrióticos foram adicionados mas, predominante, é o “Tema de Tara”, motivo central da trama.



As filmagens começaram bastante tumultuadas a 10 de dezembro de 1938, nos velhos estúdios da RKO-Pathé, em Culver City, mas não havia ainda a atriz para Scarlett O’ Hara. Sob a direção de William Cameron Menzies, encenou-se diante das câmeras Technicolor a sequência do incêndio de Atlanta, com a utilização de antigos cenários (de King Kong / King Kong / 1933, Jardim de Alá / Garden of Allah / 1936, etc.), disfarçados com falsas fachadas. Sete câmeras Technicolor fotografaram os dublês dos personagens de Rhett e Scarlett em planos médio e geral com o fogo ao fundo. Foi necessário filmar esta cena antes do verdadeiro início da produção, a fim de limpar a área para a construção do cenário de Tara, partes de Atlanta e vários outros exteriores.




David O' Selznick, em reunião com Leslie Howard, Vivien Leigh, e Olivia De Havilland
A imprensa e a sociedade local estavam presentes e Selznick aguardava ansioso a vinda do irmão Myron, que chegou acompanhado do ator Laurence Olivier e sua namorada Vivien Leigh, uma jovem e promissora atriz inglesa. A apresentação de Vivien por Myron tornou-se célebre: “Quero que conheça Scarlett O’Hara”. A busca por Scarlett O’ Hara chegara ao fim.




A escolha de Vivien Leigh para o papel não podia ser mais certeira; Scarlett se tornou inesquecível. arrogante, fútil, vaidosa, mas também era uma mulher de uma força inquebrantável, capaz de tudo, até enfrentar soldados inimigos para defender sua família e sua casa da fazenda Tara. Tão corajosa até mesmo de se casar três vezes sem amor. Mas, mesmo sendo tão esperta, chega a ser burra, não sendo capaz de reconhecer e conservar o verdadeiro amor de sua vida, Rhett Butler.

O INÍCIO DAS FILMAGENS
George Cukor
As filmagens propriamente ditas após a escolha da atriz principal começaram a 26 de janeiro de 1939. George Cukor (1900-1983) deu início às filmagens, mas foi dispensado a pedido de Clark Gable, que teria se incomodado com o fato de Cukor ser homossexual e ser conhecido como grande diretor de mulheres, contudo o cineasta continuou assessorando Vivien e Olivia secretamente.




Cukor só dirigiu cerca de 5% do filme, incluindo as seguintes cenas: a de abertura com Scarlett e os gêmeos Tarleton (um deles vivido por George Reeves, o futuro Superman da TV dos anos 50); Mammy amarrando o espartilho de Scarlett antes do churrasco; Rhett visitando Scarlett com o chapéu parisiense; Scarlett ajudando o parto de Melanie; Scarlett enfrentando o desertor nortista; Scarlett sentada na escada ao lado de soldados sulistas sobreviventes dos campos de batalha.
Victor Fleming
Vivien Leigh, Clark Gable, e Victor Fleming
Com a finalidade de agradar Clark Gable, Selznick forneceu-lhe uma lista de nomes de diretores disponíveis para ocupar o lugar de Cukor: King Vidor, Jack Conway, Robert Z. Leonard e Victor Fleming. Sem vacilar, o astro da Metro optou por Fleming, que estava ocupado com O Mágico de Oz / The Wizard of Oz / 1939 e teve de deixar as últimas duas semanas de trabalho aos cuidados de King Vidor, responsável pela sequência de Judy Garland cantando Over the Rainbow.

Sam Wood
Fleming teve um colapso nervoso durante as filmagens e foi substituído por Sam Wood (1883-1949), que assumiu a direção a 1º de maio, iniciando seus 15% de participação no filme. Quando Victor Fleming recuperou-se e voltou, os dois diretores continuaram na direção, mas em horas e sets diferentes.



Somente Fleming recebeu crédito pela direção o que, curiosamente, acarretou-lhe certa antipatia, sobretudo por ter aceitado substituir Cukor.  O roteirista John L. Mahin, um dos colaboradores do Script, desmentiu que eles não se dessem bem, lembrando que ouvira Fleming dizer várias vezes: “George poderia ter realizado um trabalho tão bom quanto o meu. Ele provavelmente faria melhor as cenas intimistas. Acho que me dei bastante bem com o material mais espetaculoso”.




As filmagens terminaram a 1º de julho de 1939, e Selznick tinha diante de si uma montanha de celulóide revelado – cerca de 60.000 metros de filme, equivalente a 28 horas de projeção. Trancado dia e noite com o editor Hal C. Kern e seu assistente James Newcom, o produtor montou o filme sem consultar nenhum dos diretores que nela tomaram parte e ordenou a filmagem de cenas adicionais, como aquela em que Scarlett se esconde debaixo da ponte numa tempestade, enquanto uma tropa da União passa sobre a mesma. Sob o comando de Victor Fleming, a cena de abertura foi mais uma vez encenada. A montagem final redundou em 4 horas e 25 minutos de projeção. Efetuaram-se novos cortes e o filme terminou com a duração de 3 horas e 43 minutos.



Em novembro do mesmo ano, Selznick convenceu o chefe da censura, Will Hays, a deixar passar a famosa frase final de Rhett Butler (“Frankly, my dear, I don’t give a damn” – Francamente querida, eu pouco me importo”). A palavra damn era considerada pesada na época, mas o produtor conseguiu sua liberação.


A Noite de Gala de E O VENTO LEVOU, em sua première a 15 de dezembro de 1939, em Atlanta.

Vivien Leigh, Clark Gable, Margaret Mitchell (autora do romance), David O' Selznick e Olivia De Havilland.
A première teve lugar em Atlanta na noite de 15 de dezembro de 1939, com a frente do cinema Lowe’s Grand decorada como a mansão de Twelve Oaks. O Governador da Geórgia, E. D. Rivers, decretou feriado estadual em virtude do lançamento de um filme. Para não ficar atrás, o Prefeito de Atlanta, William B. Hartsfield, programou três dias de festividades, substancialmente patrocinadas pela Metro. A imprensa estimou em um milhão o número de pessoas aglomeradas na cidade – então habitada por 500 mil cidadãos – no dia da estreia de…E O Vento Levou.



Clark Gable chega a estreia em Atlanta acompanhado por sua bela esposa, a atriz Carole Lombard
Ronald Colman e senhora, acompanhados por Vivien Leigh e seu marido Laurence Olivier.

Clark Gable, Margaret Mitchell (autora do Best Seller) e Vivien Leigh na noite de gala de estreia do grande épico, a 15 de dezembro de 1939.

E O VENTO LEVOU NO BRASIL

Segundo informações do notável Mestre A. C Gomes de Mattos em seu blog HISTÓRIAS DE CINEMA, E O VENTO LEVOU estreou na Cidade Maravilhosa a 12 de setembro de 1940, às 20h45m, no Cine Metro do Rio de Janeiro (na ocasião só existia o da Rua do Passeio), numa avant-première de gala, sob o patrocínio da Sra. Darcy Vargas, em benefício da Cidade das Meninas.

Divulgação de um jornal na época de sua estreia no Brasil.
Com os 1.400 lugares inteiramente ocupados, no único intervalo da sessão, às 23 horas, o príncipe D. João de Orleans e Bragança, auxiliado pelas Srtas. Perla Lucena e Maria da Penha Affonseca e pelo Sr. Carlos de Laet, coordenou o leilão de exemplares da obra de Margareth Mitchell, autografados pelos astros principais e em rica encadernação oferecida pela Casa Vallele.

Na plateia, conforme um jornal da época, “a mais brilhante representação do nosso oficialíssimo Corpo Diplomtático e a elite patriota”, além do galã John Boles que, de passagem pela cidade, fez questão de participar da festa. No mesmo dia, diretamente de Hollywood, numa transmissão da A Hora do Brasil, servindo de locutor Luis Jatobá, Clark Gable, Vivien Leigh, e o produtor Selznick saudaram D. Darcy e contaram alguns detalhes da filmagem.


Relançamento do filme em São Paulo, nos anos de 1970

E O VENTO LEVOU ainda foi levado em cartaz as salas de exibição por quase 40 anos em reprises nos extintos cinemas de rua em todo Brasil, numa época em que ainda não tinhamos videocassetes (ou pelo menos muitos ainda não tinham acesso), locadoras de vídeo, DVDS ou TVS por assinatura.



Sem dúvida, E O VENTO LEVOU É um clássico imortal da antiga Hollywood, o filme mais famoso e o mais popular da história do cinema, símbolo da usina de sonhos em seus dias de fausto e glória, a maior prova viva do poder mágico da Sétima Arte, capaz mesmo de arrebatar multidões até os dias de hoje, conquistando cinéfilos da nova geração. Enfim, uma turbulenta história de amor que enferveceu e vem enfervecendo plateias de todo mundo.


FICHA TÉCNICA
E O VENTO LEVOU-
GONE WITH THE WIND
Pais:  Estados Unidos
Ano: 1939
Gênero: Romance, Guerra Civil
Direção: Victor Fleming
Roteiro: Sidney Howard
Produção:   David O. Selznick
Design Produção: William Cameron Menzies
Música Original:   Max Steiner
Fotografia:  Ernest Haller, Ray Rennahan
Edição: James E. Newcom, Hal C. Kern
Direção de Arte:   Lyle R. Wheeler
Figurino: Walter Plunkett
Guarda-Roupa: Edward P. Lambert, Michi Okubo, Edward Maeder
Maquiagem: Sydney Guilaroff, Monte Westmore
Efeitos Sonoros:   Fred Albin , Arthur Johns, Thomas T. Moulton e outros
Efeitos Especiais: Jack Cosgrove, Lee Zavitz
Efeitos Visuais: Haller Belt, Jack Shaw, Clarence Slifer e outros


ELENCO
Clark Gable- Rhett Butler
Vivien Leigh-Scarlett O'Hara
Olivia de Havilland -Melanie Hamilton
Hattie McDaniel- Mammy
Thomas Mitchell- Gerald O'Hara
Leslie Howard- Ashley Wilkes
Evelyn Keyes - Suellen O'Hara
Jane Darwell -Sra. Dolly Merriwether
Barbara O'Neil- Ellen O'Hara
Ward Bond -Tom, Capitão ianque
Ann Rutherford-Carreen O'Hara
Harry Davenport   Dr. Meade
Victor Jory-  Jonas Wilkerson, o capataz
Lillian Kemble Cooper- Cathleen Calvert
Laura Hope Crews -Tia Pittypat Hamilton
George Reeves- Stuart Tarleton
Ona Munson- Belle Watling
Mary Anderson- Maybelle Merriwether
Leona Roberts- Sra. Meade
Mickey Kuhn- Beau Wilkes
Butterfly McQueen- Prissy
Howard C. Hickman- John Wilkes
Alicia Rhett- India Wilkes
Rand Brooks- Charles Hamilton
Carroll Nye- Frank Kennedy
Cammie King- Bonnie Blue Butler
Fred Crane- Brent Tarleton
Oscar Polk- Pork
Eddie Anderson- Tio Peter
Robert Elliott-Major ianque.

DISTRIBUÍDO PELA METRO GOLDWYN MAYER

Produção e Pesquisa de PAULO TELLES

sábado, 29 de novembro de 2014

A Vida e a Obra de Hedy Lamarr


Hedy Lamarr (1914-2000) foi uma das atrizes mais belas de sua época, sobretudo famosa após seu desempenho no clássico épico bíblico de Cecil B. De Mille Sansão e Dalila, em 1949, no papel da sensual traiçoeira Dalila. Embora uma atriz de talentos limitados (mas carismática), ela foi um símbolo cinematográfico de seu tempo, mas o que poucos ainda sabem que, além de bela, era também uma mulher inteligente, pois inventou um recurso que possibilitou o invento do telefone celular, e por isso, ela é considerada a “mãe da telefonia celular”. Vamos conhecer um pouco da trajetória da bela Hedy, que completou seu centenário de nascimento no ano de 2014. 


Por Paulo Telles.

Hedy Lamarr, cujo verdadeiro nome era Hedvig Eva Maria Kiesler, nasceu em Viena a 9 de novembro de 1914, na Áustria, filha de pais judeus. A mãe, Gertrud  era uma pianista de Budapeste, vinda de uma família burguesa, e o pai Emil Kiesler, um rico banqueiro. Educada nos teores da arte, Hedy estudou bale e piano até os 10 anos de idade.

Hedy aos 9 anos

O interesse de Hedy pela ciência começou na mais tenra idade quando ela, ainda menina,  acompanhava o pai em longas caminhadas, absorvendo explicações sobre como funcionavam prensas de impressão, bondes e outras maravilhas modernas. Mas, em vez de seguir uma carreira técnica ou mesmo ser uma cientista de renome, Hedy preferiu ser atriz.


Lamarr estudou teatro em Berlim com o diretor Max Reinhardt  (1873-1943).  No cinema, usando o nome Hedy Kiesler, estreou em 1930 com o filme alemão Geld auf der Straße. Max Reinhardt considerou Hedy a "mais bela mulher da Europa". Durante a adolescência, Hedy fez diversos papéis em filmes alemães, ao lado de atores como Heinz Rühmann e Hans Moser.


Em agosto de 1933, Hedy casou com Friedrich Mandl, um vienense fabricante de armas 13 anos mais velho, com o qual ficou casada durante 4 anos. Em sua autobiografia, Ecstasy and Me, de 1966, Lamarr descreveu Mandl como um homem extremamente controlador, que tentava mantê-la trancada em sua mansão e com uma ridícula empregada tomando conta da atriz.



Em 1933, ano de seu casamento com Mandi, que Hedy protagonizou seu primeiro filme importante e o mais polêmico de sua carreira: Extase/Ecstasy, dirigido por Gustav Machaty (1901-1963), uma co-produção tcheco-austríaca, filme que chamou a atenção do mundo ao aparecer nua e simulando um orgasmo.  Esse verdadeiro escândalo fez com que seu marido a espancasse, e este gastou mais de US$ 300 mil na tentativa de comprar todas as cópias do filme a fim de incinerá-las, uma tentativa infrutífera e sem sucesso, visto que várias cópias desta película circulam até os nossos dias.  Na época, o casal morava no famoso Castelo de Salzburg onde, anos mais tarde, o filme A Noviça Rebelde foi rodado.

De fato, o filme foi banido na América e várias cópias foram queimadas. Porém a carreira de Hedy Lamarr deslanchou, mas com um atraso de alguns anos.


Lamarr frequentava os encontros técnicos de seu marido e, possuindo aptidão à  matemática, acabou por aprender os princípios de tecnologia militar, principalmente no que dizia respeito ao interesse de seu marido: controlar torpedos por ondas de rádio. Como Mandl era simpatizante do nazi-fascismo (Hitler e Mussolini costumavam frequentar suas festas) e Hedy era de descendência judia (curiosamente Mandl também era), então só lhe restava uma opção: fugir da Áustria. De acordo com sua autobiografia em 1966, em 1937 a atriz persuadiu Mandl a autorizá-la a comparecer a uma festa usando todas as suas joias, depois o drogou e, em seguida também dopou a empregada que costumava vigia-la, roubando suas roupas e assumindo sua indentidade, escapando do país levando consigo as valiosas joias que ganhara do então marido.


FRUTO PROIBÍDO, 1940- Hedy ao lado de Spencer Tracy, Claudette Colbert, e Clark Gable
Fugindo do marido nazista, ciumento e possessivo, fuga de aspectos aventurescos se diga de passagem, ela parte para Paris. Na capital francesa, Hedy não tinha muitas opções, já que ela era judia e não muito tempo depois, a Áustria seria anexada à Alemanha, e não demoraria a eclodir a II Grande Guerra. Depois, Lamarr partiu para Londres, onde conheceu o lendário chefão da Metro Goldwyn Mayer, Louis B Mayer (1884-1957). Mayer chegou a ver o filme Extase, e convidou a inteligente atriz para um teste em Hollywood, onde mudou seu nome para Hedy Lamarr, em homenagem à estrela do cinema mudo Barbara La Marr (1896-1926), que morreu em 1926 de tuberculose.

Hedy com Charles Boyer e Sigrid Gurie: ARGÉLIA (1938)
Sensual: O DEMÔNIO DO CONGO (1942)
Com Robert Taylor: FLOR DOS TÓPICOS (1939)
Divorciada de Mandl em 1937, sua estreia em Hollywood deu-se no ano seguinte com o filme de John Cromwell (1887-1979), Argélia/Algiers, tendo como seu primeiro par romântico nas telas americanas Charles Boyer (1899-1978). Entre seus muitos filmes, destacam-se: Flor dos Tópicos/Lady of the Tropics, 1939, com Robert Taylor (1911-1969) e dirigido por Jack Conway; Fruto Proibido (ou Fruto Maldito na TV)/Boom Town (1940), de Jack Conway (1887-1952) ao lado de Clark Gable (1901-1960) e Spencer Tracy (1900-1967), Demônio do Congo/White Cargo (1942) de Richard Thorpe (1896-1991), e Boêmios Errantes/Tortilla Flat (1942) de Victor Fleming (1889-1949), ao lado novamente de Spencer Tracy, baseado no romance de John Steinbeck (1902-1968).

Com Spencer Tracy e John Garfield: BOÊMIOS ERRANTES (1942)
Ao lado de Judy Garland e Lana Turner: O MUNDO É UM TEATRO (1942)

DIVA DO AMOR E DA BELEZA
White Cargo/Demônio no Congo, um dos maiores sucessos de Lamarr na MGM, contém um de suas citações mais famosas: "I am Tondelayo". Em 1941, atuou ao lado de duas outras belas do cinema, Lana Turner (1920-1995) e Judy Garland (1922-1969) no musical O Mundo é um Teatro/Ziegfeld Girl. Hedy fez 18 filmes entre 1940 e 1949, apesar de ter tido dois filhos durante essa época (em 1945 e 1947). Lamarr deixou a Metro em 1945.


SANSÃO E DALILA – O ÁPICE DA FAMA COMO A ETERNA DALILA DAS TELAS.




O sucesso da bela atriz austríaca veio ao ápice em 1949 quando interpretou a sensual e traiçoeira personagem bíblica Dalila no espetacular épico de Cecil B DeMille (1881-1959) SANSÃO E DALILA/ Samson and Delilah. O fabuloso cineasta veterano gostou da personalidade de Hedy e a convidou para fazer um teste para o papel da perversa mulher que, mesmo apaixonada, trai o forte líder hebreu Sansão, vivido por Victor Mature (que não foi a primeira escolha do diretor para o papel, e sim Burt Lancaster, que recusou, seguido depois do recém-campeão de fisiculturismo Mr. América, Steve Reeves, mas segundo a Paramount, jovem demais para o papel). Acertada a escolha e aprovada no teste, Hedy Lamarr se entregou de corpo e alma a personagem, talvez numa das melhores e inesquecíveis atuações de sua carreira.




A Lux Radio Theatre, popular programa de rádio nos Estados Unidos dirigido e apresentado pelo próprio Cecil B. DeMille, onde transmitiam em versão radiofônica adaptações de grandes clássicos do cinema, transmite também uma adaptação de 60 minutos do seu famoso clássico bíblico, na segunda-feira, dia 19 de novembro de 1951, com Hedy Lamarr e Victor Mature (1913-1999) reprisando seus papéis como haviam feito nas telas. O Imortal Soundtrack de Victor Young (1899-1956) de fundo exuberante, é considerada uma das mais marcantes trilhas musicais para o cinema épico, em seu hino à Canção de Dalila. Sansão e Dalila custou aos cofres de Paramount US $ 3 milhões de dólares , arrecadando US $ 12 milhões brutos só no mercado interno, sendo o maior sucesso comercial do estúdio até aquele momento, só superado por Os Dez Mandamentos, também de DeMille, seis anos depois.


COM OS TRAÇOS DA BRANCA DE NEVE

Walt Disney (1901-1966) lançou em 1937 um dos primeiros grandes clássicos da animação, Branca de Neve e os Sete Anões, baseado no famoso conto dos irmãos Grimm. Para fazer os traços da bela Branca de Neve, Disney se inspirou na beleza de Hedy Lamarr. Recentemente, Anne Hathaway se inspirou também em Hedy para viver A Mulher Gato na mais recente adaptação de Batman para o cinema – Batman, o Cavaleiro das Trevas Ressurge, em 2013.


O DECLÍNIO CINEMATOGRÁFICO


Com Ray Milland no western O VALE DA AMBIÇÃO (1950)
Mesmo com o sucesso retumbante de Sansão e Dalila em 1949, papéis para a estonteante atriz ficavam escassos para o cinema. Ela só fez apenas seis filmes depois do monumental épico de DeMille, entre também outros trabalhos na TV, mas nenhum deles sem muita repercussão. Em 1953, Hedy Lamarr se naturalizou americana.


Como Joana D'Arc em A HISTÓRIA DA HUMANIDADE (1957)
NAUFRÁGIO DE UMA ILUSÃO, seu último filme, em 1958

Entre os filmes deste período de quase ostracismo são: O Vale da Ambicão/Cooper Cannyon, de 1950, faroeste dirigido por John Farrow (1904-1963), ao lado de Ray Milland (1905-1985); A Cigana me Enganou/My Favorite Spy, de 1951, dirigido por Norman Z. McLeod (1895-1964), fraca comédia estrelado também por Bob Hope (1903-2003); A História da Humanidade/The Story of Mankind, em 1957, curioso drama com requintes de ficção dirigido por Irwin Allen (1916-1991) onde Lamarr viveu Joana D’arc; e encerrou sua carreira no cinema com o melodrama Naufrágio de uma Ilusão/The Female Animal, em 1958, onde desempenhava justamente uma atriz decadente que tinha problemas com sua filha alcóolatra, vivida por Jane Powell. 

Hedy com seu filho e um dos maridos, o ator John Loder.
CASAMENTOS E ROMANCES

Hedy com sua filha Denise e seu marido Teddy Staufer.
Além de Fritz Mandl, de quem se divorciou em 1937, Hedy Lamarr casou-se ainda com Gene Markey (05/03/1939 a 03/10/1941), o ator John Loder (27/05/1943 a 17/07/1947), Teddy Stauffer (12/06/1951 a 1952), W. Howard Lee, um magnata do petróleo (22/12/1953 a 1960), e Lewis Bois (04/03/1963 a 21/06/1965).

Hedy com os filhos. Uma excelente mãe.
Hedy ainda teve um breve relacionamento com o ator alemão Fred Doederlein e, posteriormente, com o ator George Montgomery (1916-2000), em 1942.


HEDY E SUA INVENÇÃO

George Antheil
George Antheil (1900-1959) era um músico e inventor que havia ganho certa notoriedade ao experimentar o controle autômato de instrumentos musicais. Ele possuía conhecimentos gerais tão vastos que chegou a escrever um livro sobre endocrinologia. Ele e Hedy Lamarr se conheceram em torno de 1940, quando se tornaram vizinhos em Hollywood: Foi a parceria dos dois que deu origem ao invento que viria a revolucionar mais tarde a possibilidade de criar a telefonia celular e os recursos WI-FI. O curioso é que o que provocou o encontro dessas duas mentes criativas foi um motivo aparentemente fútil. De acordo com a autobiografia de Antheil, Bad Boy of Music, Hedy marcou um jantar depois de ter lido um de seus artigos sobre glândulas. A então considerada “a mulher mais bonita do mundo” estava preocupada com o tamanho dos seios, que não correspondiam ao padrão hollywoodiano.

Planta do projeto de invenção de Hedy e Antheil, em 1942
Durante as conversas, a atriz e o compositor descobriram que tinham outros interesses em comum. Ambos acompanharam de perto os horrores da guerra. George perdeu um irmão no conflito. Hedy, de origem judaica, ficou horrorizada com os ataques nazistas, principalmente quando um submarino alemão afundou um navio que transportava crianças refugiadas.

Hedy Lamarr, que a esta altura já detinha bons conhecimentos de física e eletrônica e tendo visto o trabalho de seu ex-marido, já havia bolado um método de “alternância de frequências” (frequence hooping) que consistia do seguinte: se o emissor e o receptor mudassem constantemente de frequência, somente eles poderiam se comunicar, sem serem interceptados pelo inimigo. Imagine sua estação de rádio mudando de posição constantemente e seu aparelho acompanhando a alternância. Você conseguiria ouvir a transmissão, mas outros rádios não teriam como sintonizar a estação, por não saber qual a posição certa no dial, até porque ela mudaria constantemente. Só havia um detalhe: como fazer isso?


Antheil abraçou o projeto por estar furioso com os nazistas: Hitler havia realizado uma caça à Musica Moderna, e sem ter onde trabalhar na Europa em guerra, ele refugiou-se nos Estados Unidos. A solução que ele trouxe veio justamente de Ballet Mécanique: a sincronização entre emissor e receptor seria feita exatamente como ele fez ao sincronizar 16 pianos no filme, usando rolos perfurados. Transpondo para os transmissores e receptores de rádio, e Antheil e Hedy desenvolveram uma técnica capaz de usar 88 frequências diferentes numa mesma transmissão, o mesmo número das teclas de um piano. A ideia recebeu o nome de “Sistema de Comunicação Secreta”. A versão inicial consistia na troca de 88 frequências e era feito para despistar radares, mas a ideia pareceu difícil de realizar na época.

O lado humano de Hedy, visitando uma criança num hospital durante a Guerra, junto com a atriz Susan Hayward, em 1942.
Hedy e George patentearam o invento em 1942, onde Lamarr assinou como Hedy Kiesler Markey, uma forma americana de seu verdadeiro nome austríaco, Hedivig Maria Kiesler, já prevendo que não seria levada a sério se usasse seu nome artístico de Hedy Lamarr. No caso, nem precisou, pois os militares não gostaram de um sistema adaptado de um instrumento musical, além de naquela época serem muito mais resistentes a mudanças. Frustados, Lamarr e Antheil passaram a usar sua fama para levantar fundos em prol da guerra.

O invento que revolucionaria o mundo
A patente ficou esquecida até 1957, quando engenheiros da Sylvania criaram um sistema usando o mesmo projeto, mas eletrônico ao invés de mecânico, passando a ser utilizada por tropas militares dos EUA em Cuba, quando a patente já havia expirado. A empresa Sylvania adaptou a invenção. Ficou desconhecida, ainda, até 1997, quando a Electronic Frontier Foundation deu a Hedy Lamarr um prêmio por sua contribuição.  


Em 1998, a Ottawa wireless technology desenvolveu Wi-LAN, Inc. adquirindo 49% da patente de Lamarr. George Antheil morrera em 1959. A ideia do aparelho de frequência de Lamarr e Antheil serviu de base para a moderna tecnologia de comunicação, tal como COFDM usada em conexões de Wi-Fi e CDMA usada em telefones celulares.


Apesar de ter patenteado a ideia de uma frequência que fosse variável no percurso entre emissor e receptor, Hedy Lamarr não ganhou dinheiro com isto. Somente em 1997 é que a atriz, aos 83 anos de idade, recebeu do Governo dos Estados Unidos menção honrosa "por abrir novos caminhos nas fronteiras da eletrônica".

ÚLTIMOS ANOS E RECONHECIMENTO


Em 1964, Hedy Lamarr recebeu um convite do diretor Robert Wise (1914-2005) para interpretar a Baronesa em A Noviça Rebelde/Sound of Music, entretanto, ela não aceitou e o papel acabou nas mãos de Eleanor Parker.


Em sua autobiografia publicada em 1966, Hedy Lamarr dizia que considerava sua beleza tão aclamada mundialmente como uma verdadeira maldição. No entanto, nesta época, pouco se sobrava da beleza de outrora, graças às muitas plásticas exageradas.

Uma rara foto de Hedy madura, em 1979. Resultado do excesso de plásticas que deterioram o rosto tão belo, talvez o mais perfeito do cinema
Tristemente ela foi presa duas vezes acusada de furto em lojas de conveniência: uma em janeiro de 1966, e absolvida da acusação, e outra em 1991, onde obteve um ano de liberdade condicional. Nos últimos anos de sua vida, a atriz tornou-se uma pessoa amargurada e solitária, apesar de ter tido três filhos de seus casamentos com Markey e Loder. Por sua contribuição para o cinema, Hedy Lamarr tem uma estrela na Calçada da Fama, no 6247 Hollywood Blvd.


Quando recebeu o prêmio por sua contribuição cientifica em 1997, Lamarr declarou:
O que que eu ganho com isso? Não tenho motivo para estar orgulhosa desse prêmio
Ao longo de sua carreira no cinema, Hedy Lamarr chegou a estrelar mais de 30 filmes. Costumava dizer que “qualquer garota pode ser glamourosa, basta ficar quieta e fazer cara de burra”. Apesar de tardio, o reconhecimento de sua invenção serviu para mostrar que por trás de todo aquele tipo físico e beleza impactante — que era o sinônimo da própria beleza — havia uma MENTE BRILHANTE.


Hedy Lamarr viveu seus últimos dias em Orlando, Florida, morrendo a 19 de janeiro de 2000, aos 85 anos de idade. Conforme seu expresso pedido, ela foi cremada e suas cinzas levadas para sua terra natal, Austria, sendo espalhadas na floresta Wienerwald pelo seu filho, conforme ainda seu desejo.


Hoje, a ideia de alternância de frequência serve como base na técnica moderna de comunicação por espalhamento espectral, que garante a confiabilidade dos dados. Essa técnica é usada hoje nos protocolos Bluetooth, Wi-Fi e CDMA. Portanto, toda vez que você fizer uma ligação, lembre-se: foi uma estrela de Hollywood que tornou isso possível.




Hedy Lamarr entrou para a história não só como uma grande estrela do cinema, mas como personagem importante na Ciência tanto quanto na arte. Ela deixou os livros científicos mais glamorosos, tão glamorosos como o próprio esplendor da Sétima Arte em que ela também se consagrou e deu sua importante contribuição.

Produção e pesquisa de

PAULO TELLES

A mais sensual e inesquecível DALILA das telas
FILMOGRAFIA
1-    Geldd auf der Straße (1930)
2-    Die Blumenfrau von Lindenau (1931)
3-    Die Koffer des Herrn O.F. (1931)
4-    Man braucht kein Geld

Looby Card de ÊXTASE (1933)
Poster de ARGÉLIA (1938)
5-    Êxtase/Ecstasy (1933)
6-    Argélia/Algiers (1938)


7-    Flor dos Tópicos/Lady of the Tropics (1939)
8-    A Mulher que eu Quero/ I Take This Woman (1940)
9-    Fruto Proíbido/Fruto Maldito (TV Brasileira)/Bown Town (1940)

Com Spencer Tracy: A MULHER QUE EU QUERO (1940)
10-Inimigo X/Comrade X (1940)
11-Pede-se um Marido/ Come Live with Me (1941)


12-O Mundo é um Teatro/Ziegfeld Girl (1941)
13-Sol de Outono/ H.M. Pulham, Esq (1941)
14-Boêmios Errantes/Tortilla Flat (1942)
15-Sua Excelência, o Réu/ Crossroads (1942)

Com John Hodiak: CONSPIRADORES (1944)
16-Demonio no Congo/White Cargo (1942)
17- Um Rival nas Alturas/ The Heavenly Body (1944)
18- Conspiradores/ The Conspirators (1944)
19- Idílio Perigoso/ Experiment Perilous (1944)
20- Sua Alteza e o Groom/ Her Highness and the Bellboy (1945)

INIMIGO X (1941), com Clark Gable
21- Flor do Mal/ The Strange Woman (1946)
22- Mulher Caluniada/ Dishonored Lady (1947)
23- Por Causa de um Beijo/ Let's Live a Little (1948)
24-Sansão e Dalila/Samson and Delilah (1949)

Poster espanhol de SANSÃO E DALILA (1949)
Hedy e Victor Mature, durante a exibição de SANSÃO E DALILA no Lux Radio theatre em 1950

25-A Mulher sem nome/ A Lady Without Passport (1950)
26-O Vale da Ambição/Cooper Cannyon (1950)

27-A Cigana me enganou/My Favorite Spy (1951)

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