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quinta-feira, 23 de fevereiro de 2012

A Marca da Maldade: Orson Welles e o Último dos Clássicos "Noir" do Cinema.


Um magnífico estudo acurado sobre a natureza perversa do ser humano. Orson Welles (1915-1985) realiza de forma inteligente uma palestra em seus 106 minutos de projeção (versão remontada) na obra A Marca da Maldade (Touch of Evil) de 1958. Aliás, atuando também como ator no papel de Hank Quinlan, um policial pungente e corrupto que ele interpreta de forma soberba, traduzindo um resumo de tudo que Welles tem a pretensão de sugerir ao espectador, mais especificamente em relação às incoerências, hipocrisias, e contradições, que envolvem a natureza humana. Também assinala o retorno deste big cineasta a Hollywood após nove anos de ausência. A fita teve cenas acrescentadas e montagem adulterada pela Universal à revelia do diretor.

Em 1999, foi realizada uma remontagem segundo as intenções do cineasta (que falecera em 1985) e deixadas para herdeira do diretor, Rebecca Welles*1. Charlton Heston e Janet Leigh (na foto acima) estiveram presentes na cerimônia de lançamento que foi exibida especialmente por ocasião dos 40 anos da estréia da obra. Foi o próprio astro de Ben-Hur e Os Dez Mandamentos, quem sugeriu a Universal Pictures para que Welles assumisse a direção (anteriormente, Welles só atuaria como ator)*2. Em verdade, o estúdio teve medo, mas Welles cumpriu o tratado e realizou a obra no tempo certo dentro do orçamento estabelecido. Mas mesmo assim, a Universal mexeu no filme. Amigos de longa data de Welles participam da fita, alguns até não creditados. Participam Zsa Zsa Gabor como a dona do bordel, Keenan Wynn, Jospeph Cotten, e despontando Dennis Weaver (1924-2006) improvisadamente por instigação de Charlton Heston, no papel do atrapalhado e bitolado empregado do hotel.

Welles tinha apenas 41 anos quando desempenhou o papel do obeso policial Hank Quillan, e como se não bastasse, ainda usou uma maquiagem bem pesada. Numa das ultimas cenas, justamente em que seu personagem morre, Welles sofre um real acidente ao cair do rio e fraturar o braço. Janet Leigh também não teve tanta sorte, pois filmou Touch of Evil quando havia quebrado o braço esquerdo durante um programa de TV e passou grande parte da filmagem escondendo o problema.


Numa pequena cidade de fronteira mexicana, um vulto coloca uma bomba-relógio na mala de um conversível, fugindo em seguida. Um insuspeito e rico americano, Rudi Linnekar, e sua namorada, uma dançarina de strip-tease, entram no conversível e se dirigem à fronteira com os EUA.

Quando o conversível para no Posto de Fiscalização, chega também, a pé, Ramon Miguel 'Mike' Vargas (Charlton Heston), um honrado e incorruptível investigador mexicano do Departamento de Narcóticos, em companhia de sua bela mulher americana, Susan Vargas (Janet Leigh, 1927-2004), casados há poucos dias, que estão naquele momento curtindo a lua de mel.

Pouco depois de entrar em território americano, o conversível explode, matando seus ocupantes. Mike, Susan e outras testemunhas correm, juntamente com a polícia, até o local da explosão. O promotor Adair (Ray Collins,1899-1965) também chega naquele momento, criticando o fato de Hank Quinlan (Welles, sempre magistral!), um gordo policial malquisto da corporação e considerado um corrupto capitão de polícia texana, não ter aparecido. Vargas pede à esposa que para o hotel, e oferece seu apoio não oficial ao caso, como testemunha. Assim, planeja ir à Cidade do México como testemunha de acusação no julgamento de Grandi, um traficante de drogas que ajudara a colocar na prisão.


Enquanto isso, Susan é abordada por Pancho (Valentim de Vargas), um criminoso que a leva à presença do irmão de Grandi, “Tio” Joe Grandi (Akim Tamiroff, 1899–1972). Este a ameaça, com uma arma e um charuto aceso que quase a queima na boca, dizendo-lhe que o marido tem que ficar de fora do julgamento do irmão. Ela o lembra que, a essa altura, seu marido já deve estar à sua procura.

De volta ao hotel, Vargas encontra Susan, que acabara de chegar de seu encontro com “Tio” Grandi. Por questões de segurança, sugere que ela siga logo para a Cidade do México, onde ficará a aguardar pelo marido. Ao sair do hotel, Vargas é atacado por um jovem da gangue de “Tio” Grandi, que tenta lhe jogar ácido no rosto, mas Vargas se defende e sai ileso.


Quinlan e seu parceiro “sócio”, o Sargento Pete Menzies (Joseph Calleia, 1897–1975), juntamente com outros policiais, sob o pretexto de investigarem a explosão, vão até o Clube de Strip-Tease, onde conversam com a proprietária. Ao sair de lá, Quinlan vai ao bordel de Tanya (Marlene Dietrich, 1901-1992), sua antiga amante, onde lhe pergunta se ouviu alguma coisa a respeito do atentado à bomba, prometendo-lhe voltar mais tarde.

Na manhã seguinte, “Tio” Grandi planeja envolver Susan num crime de sexo e drogas, a fim de forçar Vargas a desistir de testemunhar contra seu irmão preso. Quinlan sugere a investigador mexicano que Susan estará mais segura no Motel Mirador, no México. Logo, Vargas aceita a sugestão sem saber que o Motel é de propriedade de Grandi.

Juntamente com Vargas, Quinlan procura Manolo Sanchez (Victor Millan, 1920-2009), um antigo empregado de Linnekar e amante da filha deste, Marcia (Joanna Moore, 1934-1997). Quinlan diz que Sanchez tinha motivos para acabar com a vida de Linnekar. Assim, Vargas sai por um instante, a fim de telefonar para Susan e, ao voltar, percebe que Quinlan forjou evidências que podem incriminar Sanchez.


Ao verificar que Vargas percebeu que as evidências foram forjadas, Quinlan procura “Tio” Grandi, já que ambos querem vê-lo longe do caso.

Enviados por “Tio”Grandi e sob a orientação de Quinlan, Pancho e seu grupo chegam ao Motel para aterrorizar Susan. Depois de cortarem sua linha telefônica, uma das líderes do grupo (Mercedes McCambridge, numa participação não creditada, no papel de lésbica) ameaça abrir a porta com uma chave-mestra para uma noite de orgias com drogas.



Vargas começa, por conta própria, a investigar Hank Quinlan, determinado a mostrar que ele forjou evidências contra Sanchez. Menzies procura Quinlan para lhe falar das intenções do investigador mexicano. Com isso, Quinlan corre até o hotel onde Vargas conversa com o promotor, e ao chegar lá, zomba do investigador mexicano, ao mesmo tempo em que o promotor, possivelmente com medo e ponta de puxa-saquismo, diz ter certeza de que Quinlan é um policial correto.

No Motel, Susan é drogada. Como parte do plano de “Tio” Grandi, ela é raptada e levada inconsciente para um apartamento do Hotel Ritz, de sua propriedade, onde é deixada semi-nua numa cama, ao lado dos restos de entorpecentes. Quinlan força “Tio” Grandi a telefonar para a polícia e dizer a Menzies que as autoridades podem encontrar Susan, a esposa do honesto policial Ramon Vargas, drogada no Hotel Ritz, com intenção de desmoralizar tanto a conduta do investigador mexicano quanto a integridade moral de sua esposa. Em seguida, o corrupto Quinlan mata o asqueroso “Tio” Grandi.


Al Schwartz (Mort Mills, 1919-2003) avisa Vargas que sua esposa encontra-se presa, acusada de envolvimento com drogas e de ter cometido um assassinato. Por outro lado, convencido de que Hank Quinlan tem a ver com o ocorrido, Menzies alia-se a Vargas para desmascará-lo.

O plano de Vargas consiste em Menzies usar um microfone escondido para gravar uma conversa com Quinlan que possa definitivamente incriminá-lo. Menzies consegue gravar a conversa, como planejado, mas é descoberto por Quinlan, que até aquele momento havia sido seu melhor amigo, e é morto por ele.


Vargas que vinha seguindo os dois, aparece de repente para capturar o gordo Quinlan, mas este aponta a arma em direção ao investigador mexicano, mas, embora mortalmente ferido, o ex "sócio" Menzies consegue matar o capitão de polícia corrupto. Schwartz chega com Susan num carro e corre para o local onde se acham Menzies e Quinlan, já jazigos ao chão. Vargas abraça sua mulher dizendo-lhe que, afinal, está tudo acabado. No último momento, chega ao local também Tanya, que já pressentindo o final de seu ex-amante, de certa forma vem a lamentar seu fim ao promotor Schwartz.

Num primeiro plano, o filme parece seguir algumas das mais básicas características dos filmes policiais noir da RKO: fotografia com ampla definição de claro e escuro; um crime como ponto de partida o desenrolar da trama e as investigações que se desenvolvem acerca delas; ambientes decadentes e imundos; imoralidade e corrupção; e cenas preferencialmente noturnas, permeiam toda a composição estética da obra.

Mas contrapondo entre outros clássicos noir, esta magnífica obra de Welles tem como protagonista um policial mexicano honesto que coloca a lei acima de tudo e interpretado muito bem por Charlton Heston, contudo um herói clássico que inexiste em outras produções ao estilo onde os “mocinhos” interpretados por Robert Mitchum, Humphrey Bogart, ou Robert Ryan, eram heróis atormentados que ainda assim desafiavam o sistema. Outro detalhe muito interessante de praxe nas fitas policiais noir são as femme fatale, a mulher que acaba seduzindo e atrapalhando a vida do personagem principal, onde aqui em A Marca da Maldade não existe. Mesmo assim, é considerado o último dos clássicos noir de Hollywood.


A Trilha Sonora de Henry Mancini (1924-1994) que veio até a se tornar um referencial ao estilo dos velhos filmes policiais, tem papel fundamental, uma vez que ela molda algumas cenas, participando delas ativamente, atuando como uma importante ferramenta de continuidade que claramente situa o espectador na trama.

Um filme sem dúvida com diálogo inovador para o público do final da década de 1950, que eram consideradas até então um tabu para o cinema norte-americano, mesmo com o Código Hayes estando já naquele tempo perdendo sua eficácia. Vemos palavras como baseado, entorpecentes, picada, entre outras que fazem parte do vocabulário dos viciados.

A versão proposta por Welles talvez seja um pouco mais direta e clara (onde não contava a trilha de Henry Mancini, introduzida pelo estúdio, que não sai nada mal), além da fotografia claro-escuro quase expressionista, os cortes abruptos, e o uso de câmera na mão. Com todos estes recursos dentro do baixo orçamento previsto para produção, Welles oferece ao mundo uma obra B de primeira (B = baixo orçamento) com requintes de produção Classe A, que se tornou uma das películas mais admiradas e assistidas em todos os tempos ao longo de mais de 50 anos de seu lançamento, com um tema bem pertinente ainda nos dias de hoje. Uma fita de referencia até mesmos para cineastas e críticos modernos, que consideram A MARCA DA MALDADE como um dos melhores trabalhos de Orson Welles, que se impõe como uma de suas obras de impacto técnico estarrecedor, reveladora de rara volúpia criativa em seus efeitos de câmera, som, e edição. Sem dúvida, um dos filmes capitais da moderna linguagem do cinema.



*1-No canal Telecine Cult foi exibida o Making Of do filme, ao contrário do lançamento em DVD, que foi proibido pela filha de Welles, Rebecca (com Rita Hayworth), herdeira do cineasta.
*2- Segundo site IMDB

A MARCA DA MALDADE – FICHA TÉCNICA
Título original: (Touch of Evil)
Lançamento: 1958 (EUA)
Direção: Orson Welles
Elenco
Orson Welles .... Capitão Hank Quinlan
Charlton Heston .... Ramon Miguel Vargas
Janet Leigh .... Susan Vargas
Joseph Calleia .... Sargento Pete Menzies
Akim Tamiroff .... "Uncle Joe" Grandi
Joanna Cook Moore .... Marcia Linnekar
Marlene Dietrich .... Tanya
Victor Millan .... Manelo Sanchez.
Duração: 95 min (lançamento em 1958)- 106 minutos (versão do diretor lançado em 1999 e lançado em DVD)
Gênero: Policial/Noir

sexta-feira, 1 de outubro de 2010

Tributo a Tony Curtis (1925-2010)

Alguém conhece Bernard Schwartz? Talvez não por este nome, mas decerto que você conhece Tony Curtis, um dos grandes ícones do cinema, que chamou a atenção de muitas mulheres graças a sua beleza e porte físico, e mais do que isto, também ao seu carisma e bom humor, e mesmo ao longo dos anos que se seguiriam ele nunca perdeu seu charme, muito obstante ele enfrentou problemas sérios de álcool e drogas, mas tudo isto ele superou.

Filho de um ex-ator amador que se tornou mais tarde um alfaiate no Bronx, em Nova York, que Tony (ou melhor, Bernard) nasceu a 3 de junho de 1925. Após problemas com a lei aos 12 anos, serviu em submarinos durante a II Guerra.


Curtis serviu na marinha durante a Segunda Guerra Mundial e foi um espectador privilegiado da rendição japonesa na Baía de Tóquio em 1945. De volta aos Estados Unidos, passou a estudar teatro, e em 1948, devido a sua bela aparência e aos olhos marcantes que o tornariam ídolo do público feminino nos anos seguintes, foi contratado pelo estúdio Universal de Hollywood, que lhe colocou em aulas de esgrima, boxe, e montaria.
A sua estréia no cinema dá-se em 1949 num pequeníssimo papel no «film noir» Baixeza/Criss Cross, ao lado de Burt Lancaster (1913-1994). Nos anos seguintes foi ganhando tarimba em papéis de vilão e comprovando o talento em filmes como Serras Sangrentas/Sierra (com Audie Murphy, de quem era amigo e não aceitou a retratá-lo em um filme sobre suas experiências na II Guerra, Terrível como o Inferno/To Hell and Back, em 1955, com Audie retratando ele mesmo seu próprio papel) e, principalmente, Winchester 73, faroeste Classe A dirigido pelo excelente Anthony Mann (1906-1967) e estrelado por James Stewart.



O próprio Bernard assumia que foi a sua visível beleza que lhe valeu o primeiro contrato com a Universal Pictures, onde adotaria o nome artístico de Tony Curtis. O olhar azul e o rosto de feições perfeitas foram uma vantagem que o intérprete sempre soube usar a seu favor, tanto em papéis de galã como, muitas vezes, em comédias que parodiavam o próprio estereótipo.
A vida toda ele nunca perdeu um sotaque muito forte do bairro onde nascera, mesmo quando fazia filmes de época, como Spartacus. Quando foi para Hollywood, para a Universal, lhe mudaram o nome, primeiro Anthony, depois Tony Curtis, dando-lhe pontinhas que serviram como treinamento. O curioso é que foi o público, as fãs que os descobriram, enviaram cartazes para o estúdio e assim o transformaram em astro. Por uns tempos, foi o pretty boy por excelência, de olhos claros, cílios marcantes, e bom físico.





Fez fama como astro fanfarrão e musculoso em películas como O Príncipe Ladrão/The Prince Who was a Thief , em 1951, após ter recebido uma avalanche de cartas de inúmeras fãs, o que levou a Universal a reconhecer seu potencial. Mas com isto, o ego de Tony começava também a florescer. Mulherengo, ele transava com todas as mulheres possíveis, o que se tornou um problema quando se casou com a estrela da Metro, Janet Leigh (1927-2004) - entre 1951 a 1962, era o casamento perfeito para as revistas de cinema.

Mas nem tanto. Ele a deixaria por uma atriz alemã, Christine Kaufman, que conheceu no set na Argentina de Taras Bulba, e do primeiro casamento (com Janet) resultaria a filha Jamie Lee Curtis (de Halloween e outros filmes) que também virou estrela de cinema, mas que sempre teve com o pai uma relação tumultuada.O ator teve mais dois filhos com Leslie Allen, sendo que um deles, Nicholas, morreu de overdose de heroína em 1994. Ele se casou seis vezes e a última, com Jill Vanderberg, em 1998.

O primeiro filme em que Curtis teve realmente impacto enquanto protagonista surgiu em 1953 com Houdini, no papel do mítico ilusionista, na que foi a primeira das cinco películas em que contracenou com a sua então esposa Janet Leigh.




Mas foi trabalhando com atores de peso como Burt Lancaster (1913-1994) em A Embriaguez do Sucesso/Sweet Smell of Success, em 1957, que ele finalmente teve o devido reconhecimento de uma grande parte da crítica, o que o levou no ano seguinte a ser indicado ao Oscar por seu papel como um racista preso junto com Sidney Poitier em Acorrentados/The Defiant Ones, em 1958.

Seus melhores desempenhos incluem Quanto mais quente melhor/Some Like It Hot, de Billy Wilder (1906-2002), uma sublime comédia em que Curtis e Jack Lemmon (1925-2001) para fugir de gangsters se vestem de mulher e acabam se encontrando com Marilyn Monroe (1926-1962).
Ele era amigo íntimo de Frank Sinatra, Dean Martin e Sammy Davies Jr, de John Kennedy, de Kirk Douglas e Burt Lancaster, também produtores que o ajudaram quando preciso. Kirk em fitas como Spartacus, Burt dando-lhe o salto para o estrelato sério que foi Trapézio.
Como ator dramático, ele foi sempre subestimado e certamente isso o magoou. Fez ótimos trabalhos que a Academia desprezou ou ignorou, como em O Sexto Homem, onde fez um herói índio, como assassino em O Homem que Odiava as Mulheres, tendo apenas uma indicação como melhor ator por Acorrentados, aliás, merecida. Mas hoje todos concordam que seu melhor momento foi no filme A Embriaguês do Sucesso, onde era um agente sem escrúpulos que trabalhava para um colunista corrupto (Lancaster).
Ele também fez diversos trabalhos na televisão, o mais bem sucedido deles na série The Persuaders, com Roger Moore, bastante popular no início dos anos 70, que terminou porque Moore foi escolhido para fazer James Bond no cinema.
Tony tornou-se pintor nos anos 80 e conseguiu grande sucesso nesta segunda atividade, que segundo ele era o seu principal interesse há anos, com seus quadros sendo vendidos por até U$50.000 e um deles exposto no Metropolitan Museum of Art de Nova York.

Curtis lamentava nunca ter ganho um Oscar e considera que o mundo do cinema jamais reconheceu verdadeiramente seu trabalho, mas conquistou diversas honrarias e tem uma estrela na Calçada da Fama de Hollywood, o que é uma recompensa para seus admiradores.
A popularidade pública de Curtis, porém, nunca diminuiu, quer pela relevante carreira como pintor que iniciou a sério no início dos anos 80, quer pelas várias relações amorosas que sempre foi tendo, dentro e fora dos seus seis casamentos. A sua última esposa, Jill Vandenberg Curtis, com quem casara em 1998, era 42 anos mais nova que ele.

Tony Curtis se despediu das telas em 2005, após fazer uma participação especial na série de TV CSI. Nos últimos anos de vida, cultivou uma de suas grandes paixões, a pintura. Em 2008, expôs uma coleção de 35 quadros nas lojas de departamento londrinas Harrods.


Tony Curtis, o eterno galã de todas as reprises de sessão da tarde (pelo menos a “sessão da tarde" ou matinê particular de cada um, graças ao DVD), herói, vilão, conquistador, engraçado, audacioso – tantos e tantos- morreu em sua casa em Las Vegas na noite de quarta feira, ao lado de sua esposa, Jill Vandebenger, de parada cardio-respiratória, depois de uma batalha longa contra uma doença pulmonar (em 2006, teve pneumonia muito grave que quase o matou) e em julho deste ano já havia sido hospitalizado. Tinha 85 anos. Mais uma lenda do cinema que morre, mas que se imortaliza para sempre na memória e no coração de seus fãs.


FILMOGRAFIA


Como Anthony Curtis: 1949 - How to Smuggle a Hernia Across the Border de Jerry Lewis (filme desconhecido sem confirmação). Almas Abandonadas (City Across the River, de Maxwell Shane). A Viciada (The Lady Gambles, de Michael Gordon). Baixeza (Criss Cross, de Robert Siodmak), Traficantes da Morte (Johnny Stool Pigeon de William Castle).

1950 - Entre o Amor e a Morte (Woman in Hiding, de M. Gordon. Só voz). E o Mulo Falou (Francis de Arthur Lubin). I Was a Shoplifter de Charles Lamont. Serras Sangrentas Sierra de Alfred E. Green. Winchester 73 (Idem) de Anthony Mann.

Como Tony Curtis em diante: Os Cavaleiros da Bandeira Negra(Kansas Raiders, de Ray Enright).

1951 - O Príncipe Ladrão (The Prince Who Was a Thief, de Rudolf Maté).

1952 - Tormento da Carne. Flesh and Fury de Joseph Pevney). E o Noivo Voltou (No Room for the Groom de Douglas Sirk). O Filho de Ali Baba(Son of Ali Baba de Kurt Neumann).

1953 - Houdini, o Homem Miraculoso (Houdini, de Rudolph Maté). Alma Invencível. (The All American de Jesse Hibbs). Lábios que Mentem(Forbidden, de Rudolph Maté). Cabeça de Praia (Beachhead de Stuart Heisler ).


1954 - A Um Passo da Derrota (Johnny Dark, de George Sherman). O Escudo Negro de Falworth (The Black Shield of Farworth, de Douglas Sirk).
1955 - Dominado Pelo Crime (Six Bridges to Cross, de Joseph Pevney).Três Marujos em Paris (So This is Paris de Richard Quine). No Reinado da Guilhotina (The Purple Mask de Bruce Humberstone). O Vício Singra o Mississipi (The Rawhide Years de Rudolph Maté). Brutos em Fúria (The Square Jungle, de Jerry Hopper).

1956 - Trapézio (Trapeze de Carol Reed).


1957- Hienas do Pano Verde (Mister Cory, de Blake Edwards). A Embriaguês do Sucesso (Sweet Smell of Sucess, de Alexander McKendrick). Os Olhos do Padre Tomasino (The Midnight Story, de Joseph Pevney).


1958 - Vikings, Os Conquistadores (The Vikings, de Richard Fleischer). Só Ficou a Saudade (Kings Go Forth, de Delmer Daves. Acorrentados (The Defiant Ones, de Stanley Kramer). De Folga Para Amar (The Perfect Furlough, de Blake Edwards)


1959 - Quanto Mais Quente Melhor (Some Like it Hot, de Billy Wilder).Anáguas a Bordo (Operation Pettitcoat, de Blake Edwards).

1960 - Quem Era Aquela Pequena? (Who Was That Lady? de George Sidney). A Taberna das Ilusões Perdidas (The Rat Race, de Robert Mulligan). Spartacus (Idem de Stanley Kubrick).


1961 - O Grande Impostor (The Great Impostor, de Robert Mulligan). O Sexto Homem(The Outsider, de Delbert Mann).

1962 - Taras Bulba (Idem, de J. Lee Thompson). Vinte Quilos de Confusão (40 Pounds of Trouble, de Norman Jewison).


1963 - A Lista de Adrian Messenger (The List of Adrian Messenger, de John Huston). Pavilhão 7 (Captain Newman M.D. de David Miller).

1964 - Quando Paris Alucina (Paris When it Sizzles de Richard Quine, sem crédito). Monsieur Cognac (Wild and Wonderful, de Michael Anderson).Um Amor do Outro Mundo (Goodbye, Charlie, de Vincente Minnelli).Médica, Rica e Solteira (Sex and the Single Girl, de Richard Quine).


1965 - A Corrida do Século (The Great Race, de Blake Edwards). Boeing Boeing (Idem de John Rich).


1966 - A Câmara dos Horrores (Chamber of Horrors, de Hy Averback , sem crédito). Com Minha Mulher, não Senhor (Not With My Wife, You Don’t , de Norman Panama). Um Marido de Morte (Arriverdeci , Baby! ouDrop Dead Darling, de Ken Hughes).




1967 - Não Faça Ondas (Don’t Make Waves, de Alexander MacKendrick)


1968 - O Cinturão da Castidade (La Cintura di Castitá, de Pasquale Festa Campanile). O Bebê de Rosemary (Rosemary’s Baby, de Polanski, só voz). O Homem que Odiava as Mulheres (The Boston Strangler, deRichard Fleischer).


1969 - Os Intrépidos Homens e seus Calhambeques Maravilhosos (Monte Carlo or Bust, de Ken Annakin).


1970 - Corruptos e Sanguinários (You Can’t Win’em All, de Peter Collinson). Vamos Fazer a Guerra (Suppose they Gave a War and Nobody Came, de Hy Averback).


1971/72 - The Persuaders (série de TV).


1973 - A Terceira Garota da Esquerda (The Third Girl on the Left, TV, de Peter Medak).


1975 - O Conde de Monte Cristo (The Count of Monte Cristo, de David Greene, TV). Lepke, o Assassino (Lepke, de Monahem Golan).


1976 - O Último Magnata (The Last Tycoon, de Elia Kazan).


1977 - Casanova & Cia (Idem, de Franz Antel).


1978 - Sextette a Grande Estrela (Sextette, de Ken Hughes). Manitou - O Espírito do Mal (The Manitou, de William Girdler). A Garotada vai ao Japão(The Bad News Bears Go to Japan, de John Berry).


1979 - Erro Fatal (Title Shot, de Les Rose). 1980 - Tremenda Enrascada(It Rained All Night the Night I Left, de Nicolas Gessner). A Maldição do Espelho (The Mirror Crack’d, de Guy Hamilton).

1978/81 - Vegas (série de TV).


1982 - Othello, El Comando Negro, de Max Boulolis.


1983 - Where is Parsifal?, de Henri Belman. Brainwaves, de Ulli Lommel.


1985 - Malicia Atômica (Insignificance, de Nicolas Roeg).


1986 - Balboa (Idem), de James Polakof. A Princesa da Máfia (The Mafia Princess, TV, de Robert E. Collins). O Rei da Cidade (Club Life, de Norman Vane). Banter, de Hervé Achuel. Tragédia em Três Atos (Murder in Three Acts, de Gary Nelson, TV).


1987 - O Piano Mágico, de Sparky (Sparky’s Magic Piano, só voz).


1988 - Der Passagier - Welcome to Germany de Thomas Brasch.


1989 - Charlie (TV, de Jack Bender). O Fim do Planeta Marte (Lobsterman from Outer Space, de Stanley Sheff). As Aventuras de Tarzan em Nova York (Tarzan in Manhattan, TV, de Michael Schultz). Midnight, de Norman Vane. Walter & Carlo I Amerika, de Stephensen e Mikkelsen.


1990 - Thanksgiving Day (TV), de Gino Tanascecu.


1991 - Alvo Mortal (Prime Target, de Heavener e Phillip J. Roth).


1992 - Um Natal Diferente (Christmas in Connecticut, de Arnold Schwarzenegger, TV). Trama da Lei (Center of the Web, de David A. Prior).


1993 - Vingança Eterna (The Mummy Lives, de Gerry O’Hara). Nu em Nova York (Naked in New York, de Daniel Algrant).


1994 - Bandit contra o Crime Organizado (Bandit: Beauty and the Bandit, TV, de Hal Needham),


1995 - Os Imortais (The Immortals, de Brian Grant).


1997 - Brittle Glory, de Stewart Schill. Caçadores de Perigo (Hardball, de George Eschbamer).


1998 - Stargames, de Greydon Clark. Lois & Frank, de Alexander Rockwell.


1999 - Por uma Boa Briga (Play it to the Bone, de Ron Shelton).


2002 - Reflections of Evil, de Damon Packard. 2007 - The Blacksmith and the Carpenter (so voz).


2008 - David and Fatima, de Alain Zaloum.


2011 - Morella


Produção e pesquisa de Paulo Telles