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quarta-feira, 2 de outubro de 2013

Adios, Amigo: Giuliano Gemma (1938-2013)



Herói dos Westerns a Italiana e dos épicos titânicos, mas vale lembrar também como um intérprete de grandes cineastas como Luchino Visconti a Valerio Zurlini. O espanto, logo na primeira impressão ao se saber da notícia, é que tinhamos conhecimento que este herói, que tão bem desempenhou o cowboy protótipo do mocinho simpático e correto, que tantas emoções nos proporcionou nas telas nas décadas de 1960 e 70, que ainda gozava de boa saúde e estava em plena atividade artística, veio a falecer brutalmente. Giuliano Gemma morreu aos 75 anos, após um grave acidente de carro em Cerveteri, perto de Roma na noite de ontem, 1º de outubro. O ator ainda foi socorrido e levado para um hospital, mas não resistiu. Outros dois passageiros também se feriram no acidente.

Seu funeral será realizado na próxima segunda-feira, dia 7,  às 10 horas (horário de Roma), em Santa Maria dos Milagres, na Piazza del Popolo, em Roma. No domingo, esta prevista um evento religioso (ainda não confirmado). Para o funeral do ator, deve aguardar os resultados da autópsia  que já foi solicitado pelo magistrado do local, e que será realizada na sexta-feira. 


Nascido 02 de setembro de 1938 em Roma, Gemma incursionou no cinema ainda muito jovem, e por acaso, graças a sua dedicação aos esportes, como o Boxe e a Ginástica Olímpica, e seu porte de 1m84 foi chamando a atenção dos produtores italianos.  Contudo, apareceu sem muito brilho em comédias que exploravam mais sua aparência física, incluindo duas de diretores importantes: Veneza, a Lua e Você, de Dino Risi (1916-2008), e A Casa Intolerante, de Mauro Bolognini (1922-2001)




Foi extra MARCANTE na superprodução retumbante de William Wyler (1902-1981), Ben-Hur, de 1959, onde se destaca em pelo menos duas cenas importantes no épico clássico estrelado por Charlton Heston:  Quando Ben-Hur invade os aposentos de Messala (Stephen Boyd, 1931-1977) e o ameaça com a lança, e nos banhos romanos onde o Xeque Iderim (Hugh Grifhit, 1912-1980) lança as apostas nas corridas de quadrigas contra os romanos.


 Mas sua primeira grande oportunidade foi em 1962, quando Duccio Tessari (1926-1994) fez Arrivano I Titani, que no Brasil se chamou Os Filhos do Trovão. Vale lembrar sobre cinema italiano da época. Havia os grandes autores, como Federico Fellini, Luchino Visconti e Michelangelo Antonioni, mas no fim dos anos 1950 e início dos 60, a tendência dominante na indústria italiana eram os épicos mitológicos, os Espadas & Sandálias, ou  Peplum.  Tudo não passava de uma grande paródia, transformando o jovem e atlético Gemma (nas cenas que exigiam mais ação, como saltos e cenas de luta, ele não precisou de dublês) em uma revelação no papel de Krios, que os deuses do Olimpo enviam a Creta para derrotar tirano que está acabando com a população. A fita de Tessari era bem-humorada, ritimada, e criativa.


Em 1963, Luchino Visconti (1906-1976), precisando de um ator belo e carismático para encarnar o jovem Garibaldi, chamou Gemma para atuar em O Leopardo, mas a participação dele foi reduzida a quase nada na versão hollywoodiana, cortada e remontada, que circulou em todo o mundo.


Quando a moda dos épicos mitológicos saiu em cartaz, Gemma se instalou num novo gênero que o caracterizaria como um Rei: os Westerns Spaghetti, faroestes italianos rodados geralmente na Espanha (mas especificamente, região de Alméria). Com a moda em plena difusão, e com muitos atores norte-americanos até mesmo indo para a Europa para incursionar no novo gênero, Giuliano não fez por menos: adotou um nome artístico americano, MONTEGOMERY WOOD, como era de praxe por grande parte dos atores e atrizes europeus, com a finalidade de atrair o público americano e aumentar as rendas nas bilheterias internacionais. 



Com o novo nome americano, Gemma estrelou o que se tornou um grande clássico do gênero, ao lado da Trilogia de Sergio Leone (Por um Punhado de Dólares, Uns Dólares a Mais, e Três Homens em Conflito) – o filme é O Dólar Furado, de 1965, dirigido por Giorgio Ferroni (1908–1981), dando brecha a sua carreira, e sobretudo, se impondo como um astro absoluto dos westerns europeus, chegando até a ser equiparado como um novo Randolph Scott para os italianos. Logo não tardou, Giuliano estrelou outras obras do gênero, como Uma Pistola para Ringo e Dias de Ira.


Giuliano Gemma também, atuou em outros estilos: comédias, aventuras, dramas, criminais, e trabalhou durante sua carreira com atores como Kirk Douglas, Rita Hayworth, Henry Fonda, Florinda Bolkan, Liv Ullman, Philippe Noiret e Catherine Deneuve.


Foi em 1965, quando filmava Uma Pistola para Ringo, que conheceu a mulher, Natália Roberti. Foi uma união feliz por 30 anos, até a morte dela em 1995. Da união, nasceram duas filhas, sendo uma delas a atriz Vera Gemma. Se casou depois pela segunda vez com Baba Richerme. Nos últimos anos, ele ainda estava em plena atividade, principalmente na TV, onde chegou a atuar num filme sobre a vida do Papa João Paulo II, interpretando o seu porta-voz, em 2005. Quando o cinema já não encontrava mais espaço, além de se dedicar a televisão, acabou aderindo à outra arte: a escultura, onde dizia ter descoberto seu talento de escultor, e acabou recebendo elogios de críticos por sua nova atividade.


Em 2012, ele fez uma participação em Para Roma Com Amor, de Woody Allen, que acabou sendo seu último filme.




Giuliano esteve em duas ocasiões no Rio de janeiro. Uma, em 1969, quando O Rei do Gatilho a Italiana conheceu o Rei da Música Brasileira, Roberto Carlos, visitando as praias cariocas e as ruas do centro carioca junto com o cantor Wilson Simonal (1939-2000). A Segunda foi em abril de 1986, a convite de um amigo italiano casado com uma brasileira.


Contudo, Giuliano Gemma será sempre eterno não apenas nas reprises de seus filmes (ao menos, nas nossas reprises pessoais na nossa Sala Vip, pois temos o DVD e o Blu-Ray) mas também na mente e nos corações dos seus fãs, amigos do cinema, amantes da Sétima Arte, que apreciam os bons momentos de ação e aventura, e isto, com certeza, o imortal Giuliano nos legou em cheio, como um dos mais brilhantes e belos mocinhos que as plateias do mundo inteiro conheceu.


Produção e Pesquisa: Paulo Telles.




FILMOGRAFIA DE GIULIANO GEMMA

Venezia, la luna e tu (1958) – Dir. Dino Risi
Arrangiatevi! (1959)
Io amo...tu ami (1961)
Il nemico di mia moglie (1959)
Ben-Hur (film 1959)|Ben-Hur (1959) (não creditato)
A qualcuno piace calvo (1960) (não creditato)
Messalina venere imperatrice (1960)
I cosacchi (1960)
Il pianeta degli uomini spenti (1961)
Arrivano i titani (1962)
Il Gattopardo (“O Leopardo”) (1962) – Dir. Visconti
Il giorno più corto (1963)
Maciste l'eroe più grande del mondo (1963)
La schiava di Bagdad (1963)
I due gladiatori (1963)
Ercole contro i figli del sole (1964)
Angelica (1964)
La rivolta dei pretoriani (1964)
Una pistola per Ringo (“Uma Pistola para Ringo”) (1965)
Erik il vikingo (1965)
La meravigliosa Angelica (1965)



Adiós gringo (“Adeus, Gringo”) (1965)
Angelica alla corte del re (1965)
Un dollaro bucato (“O Dólar Furado”) (1965)
La ragazzola (1965)
Il ritorno di Ringo (1965)
Arizona Colt (“Arizona Colt”) (1966)
Per pochi dollari ancora (1966)
Kiss kiss....bang bang (1967)
I lunghi giorni della vendetta (“Dias de Vingança”) (1967)
Wanted (“Minha Lei é Matar ou Morrer”) (1967)



I giorni dell'ira (“Dias de Ira”) (1967)
Violenza al sole (1968)
... e per tetto un cielo di stelle (1968)
I bastardi (1968)
Sons of Satan (1968)
Vivi o, preferibilmente, morti (1969)
Il prezzo del potere (1969)
Quando le Donne Avevono la Coda (“Quando as Mulheres Tinham Rabo”) (1971)
L'arciere di Sherwood (1971)
Corbari (“A Guerra Subterrânea”) (1971)
Amico, stammi lontano almeno un palmo (1972)
Un uomo da rispettare (1972)
L’amante dell’Orsa Maggiore (“Código Ursa”) (1972)
Troppo Rischio per um Uomo Suolo (“Velocidade, Caminho da Morte”) (1973)
Il maschio ruspante (1973)
Anche gli angeli mangiano fagioli (Dois Anjos da Pesada) (1973)
Delitto d' amore (1973)



Il bianco, il giallo, il nero (“Três Homens, Uma Lei”) – Dir. Sergio Corbucci (1974)
Anche gli angeli tirano di destro (“Os Anjos Batem Melhor com a Direita”) (1974)
Africa Express (1975)
Safari Express (1976)
Il deserto dei Tartari (1976)
Il prefetto di ferro (“Prefeito de Ferro”) (1977)
California (1977)
Corleone (“Reunião da Máfia”) (1978)
Il grande attacco (“A Grande Batalha”) (1978)
Um Uomo in Ginochio (“Poderes da Máfia”) (1978)
Sella d'argento (“Sela de Prata”) (1978)
Commando d' assalto (1980)
L'avvertimento (“Advertência”) (1980)
La baraonda (1981)
Ciao Nemico (1981)
Tenebre (1982)
Senza un attimo di respiro (1983)
Le Cercle des passions (1983)
Claretta (1983)


Com Quentin Tarantino

Tex e il signore degli abissi- Tex e o Senhor do Abismo (1985)
Qualcuno pagherà? (1986)
Speriamo che sia femmina (1986)
Rally (1986)
Il padre americano (1987)
L' agguato (1988)
Melancholy of Florence (1990)
Ya no hay hombres (1991)
Firenze no kaze ni dakarete (1991, Cinema japonês)
Non ci sono più uomini (1991)
Un bel di' vedremo (1996)
Un uomo per bene (1999)
La donna del delitto (2000)
Giovanna la pazza (2001)
L' inchiesta (2006)
Para Roma com Amor (2012)



Televisão:
Circuito chiuso (1978)
Caccia al ladro d' autore (1985-1986) (7 episódios)
Rally (1988)
Prigioniera di una vendetta (1990)
I promessi sposi (1990)
Dagli appenini alle ande (1990)
Non aprite all' uomo nero (1990)
La moglie nella cornice (1991)
Una storia italiana (1992)
Le Chinois (1992) (um episódio)
Jewels (1992)
Maximum Exposure (1995)
Deserto di fuoco (1997)
Marseille (1998)
Game over (1999)
Premier de cordée (1999)
L'uomo che piaceva alle donne-Bel Ami (2001)
Angelo il custode (2001)
La bambina dalle mani sporce (2005)
Giovanni Paolo II (2005)
Butta la luna (2006) (série TV)
Pompei (2007)
Il Capitano (série TV) (2005-2007) (14 episódios)

sábado, 13 de novembro de 2010

O Western Americano e o Western Europeu- Conclusão

Terminando esta série de artigos sobre as diferenças entre o gênero estritamente feito nos EUA, mas que os europeus (italianos e espanhóis) moldaram que um pouco mais que realisticamente, vou falar sobre como os americanos reagiram ao sucesso dos europeus, o fim dos “faroestes spaghetti”, e a decadência do gênero nos EUA, embora com um “leve retorno” ao gênero no início dos anos de 1990.

Todo aquele sucesso dos westerns europeus acabou de fato provocando uma nova onda de faroestes americanos, pois aparentemente enciumados, Hollywood voltou a dar atenção ao gênero, mas desta vez, todos os clichês e moldes mitológicos do tema, e a legenda áurea de seus cowboys, eram substituídos por assuntos mais sérios e polêmicos dentro do Velho Oeste.
Nos Estados Unidos, a partir de 1964, foi feito faroestes quase que similares aos europeus, pois seus “mocinhos” já não eram os mocinhos dos áureos tempos, mas sim personagens perturbados, sofridos, e muitas vezes traumatizados, ou como outras vezes, pessoas frias que impunham o medo dentro de comunidades, como foi o caso de Yul Brynner (1915-1985) em Convite a um Pistoleiro (Invitation to a Gunfighter), que foi uma produção de Stanley Kramer. Já o diretor Martin Ritt resolveu seguir os passos de Sergio Leone, em Quatro Confissões (The Outrage), um western violento abordando estupro e assassinato, algo nada visto anteriormente nos faroestes americanos. No elenco, Paul Newman, Claire Bloom, Laurence Harvey e Edward G. Robinson.

O outro, dos bons mas ignorado Rio Conchos (idem), dirigido por Gordon Douglas, de estrelado por Stuart Whitman e Richard Boone; e Crepúsculo de uma Raça (Cheyenne Autumm), último western dirigido pelo Mestre John Ford (1895-1973), onde ele defendeu a causa dos índios e procurava se redimir pela matança deles durante toda sua carreira. Como ele mesmo disse: “Matei mais índios no cinema do que o General Custer nos campos de batalha!”. O filme, com locações no Monument Valley – como grande parte dos westerns do diretor que faleceu em 1973- resultou lento e cansativo em seus quase 160 minutos de projeção, e nem o elenco all-star, como Richard Widmark (grande mocinho dos faroestes americanos da década de 1950), Carroll Baker, Ricardo Montalban, Gilbert Roland, Edward G. Robinson, Dolores Del Rio, e numa participação, James Stewart.


Mas nem todos em Hollywood queriam aceitar estas mudanças. Os heróis dos faroestes Classe B americanos (conforme explicado na parte 1), ainda representados por Rory Calhoun, Audie Murphy, e Dale Robertson (este ainda vivo), ainda preferiram ser os mocinhos “limpinhos e barbeados”, muito embora Murphy (que morreu em maio de 1971 num acidente aéreo) foi o mais assíduo e aproveitou o embalo dos westerns spaghetti e protagonizou Bandoleiro Temerário (The Texican), dirigido por Sidney Salkow e rodado na Espanha, onde ainda tinha no elenco (e como vilão) um ator ganhador do Oscar (e com a carreira em declínio) – Broderick Crawford (1911-1986).


Em 1969, Elvis Presley (1935-1977) também estrelou um western americano com moldes “Spaghetti”, Charro (idem). Elvis, cujo seu primeiro filme era um western (Ama-me com Ternura/Love-me Tender, 1956) e em 1960 foi o astro de Estrela de Fogo (Flaming Star), em papel reservado para Marlon Brando, não ficou nada mal como um pistoleiro a lá Django, com barba por fazer e tudo mais.

Ainda na década de 60, e em seus meados, a disputa continuava cada vez mais acirrada entre os americanos e europeus, e por isto, alguns diretores hollywoodianos deixaram o orgulho de lado e passaram a imitar os Spaghetti, como é o caso de A Marca do Vingador (Ride Beyond), estrelado pelo astro da série de TV O Homem do Rifle, Chuck Connors (1921-1992), e contando ainda com Michael Rennie, Bill Bixby (da série O Incrível Hulk), e Claude Akins, com quem tem com Connors uma sensacional cena de luta num saloon, onde é explícito a violência e o tema da vingança, muito comum nos faroestes italianos.


OS PROFISSIONAIS (The Professionals), de Richard Brooks, situou esta obra no México como a maioria dos concorrentes latinos, e estrelado por um elenco de primeira grandeza: Burt Lancaster, Lee Marvin, Robert Ryan, Jack Palance, e não por coincidência, uma atriz italiana, se não mais que a bella Claudia Cardinale.
SANGUE EM SONORA (Appaloosa), em 1966, dirigido por Sidney J. Furie, também utilizou locações mexicanas. Western racista e muito violento, estrelado por Marlon Brando e John Saxon.


E quem diria, o MAIS SPAGHETTI WESTERN AMERICANO DE TODOS: A MARCA DA FORCA (Hang em High), em 1968, produzido e estrelado por Clint Eastwood, já consagrado, que tão logo voltou ao Estados Unidos resolveu projetar uma película aos moldes de seu grande Mestre, Sergio Leone. Para dirigi-lo, Clint chamou Ted Post, um velho conhecido dos tempos em que ele estrelava a série de TV Couro Cru (Rawhide). A boa acolhida da maioria desses filmes deixou claro que o público agora dava preferência a faroestes mais realistas, e que aqueles “cowboys imaculados” portando revólveres reluzentes de coronha de marfim, estavam com seus dias contados.

Apesar daquela nova tendência, John Wayne (1907-1979), com seus faroestes tradicionais, ainda continuava sendo sinônimo de bilheteria. Com o sucesso estrondoso de Meu ódio será sua Herança (The Wild Bunch), em 1969, de Sam Peckimpah (1928-1983), os produtores acharam que era o momento oportuno para o veterano ator de 62 anos voltar ao seu habitat e experimentar o novo estilo. Wayne concordou, mas com uma condição: teria que ser a sua maneira.





O resultado foi Bravura Indômita (True Grit), dirigido por Henry Hathaway, não era propriamente um western desmistificador e nem muito violento, mas certamente, era diferente dos filmes que o velho Duke vinha fazendo por quase 40 anos. Seja como for, Wayne ficou perfeito no papel do delegado gordo, bêbado e falastrão, usando um tapa-olho, tão perfeito que acabou ganhando o Oscar de melhor ator do ano (que mereceria muito mais por Rastros de ódio/The Searchers, 1956 caso fosse indicado). Uma nova versão de Bravura Indômita em breve chegará aos nossos cinemas, com Jeff Bridges no papel que foi de Wayne.


A PARTIR DA DÉCADA DE 1970, Hollywood mergulhou de cabeça no Western violento e desmistificador (algo que não agradava John Wayne, este um tradicional e devoto admirador da legenda áurea do gênero), para competir com os europeus. Um bom exemplo disso é um western dirigido por Michael Winner (o mesmo de “Desejo de Matar”, com Charles Bronson), que escolheu a dedo dois dos maiores atores que o cinema já teve: Burt Lancaster (1913-1994) e Robert Ryan (1909-1973), amigos na vida real e que pela segunda vez voltavam a trabalhar juntos (a primeira foi também no Western “Os Profissionais” (1966), e a terceira e última no drama político “O assassinato de um Presidente” (1973), que foi o último filme de Ryan, que morreu em julho de 1973), em MATO EM NOME DA LEI/Lawman , em 1970. Lancaster ainda participaria em Quando os Bravos se encontram e A Vingança de Ulzana, que abusaram da violência ao extremo, temperando o filme com psicologia e racismo.

E OS FAROESTES ITALIANOS?


Enquanto isso, na Europa, os últimos cineastas a explorarem o estilo “tradicional” (que eles já consideravam violento), davam uma releitura em um estilo cômico (como nas séries de “Trinity”, com Terence Hill e Bud Spencer), mas depois de uma dúzia de filmes como estes, já mostravam sinais de extremo desgaste, e o tradicional Bang Bang à Italiana, apesar de ter durado bem, estava com seus dias contados como o gênero em geral (mesmo os americanos). Mas mesmo assim, os faroestes spaghetti poderiam contar com diretores como Sergio Corbucci, Sergio Leone, Duccio Tessari, entre outros, e mocinhos europeus como Franco Nero (que para quem não sabe, recentemente participou de uma minisérie sobre a vida de Santo Agostinho, interpretando o religioso na fase da velhice), Giuliano Gemma, Tomas Milian, Terence Hill, entre outros.
Entre 1963 a 1978, foram produzidos cerca de 600 westerns europeus. E foi nesse ano de 1978 que veio a acabar definitivamente a munição do Bang Bang à Italiana. Sella D’ Argento (Sela de Prata- 1978), dirigido por Lucio Fulci, e estrelado por Giuliano Gemma e Ettore Manni, é considerado oficialmente o último faroeste europeu do cinema.

Odiado pelos puristas e considerado trash pela crítica, mas queira ou não, os westerns spaghettis foram responsáveis pelo revigoramento dos faroestes de Hollywood, que não saíam dos mitos, e deram uma retomada. Se não fosse pelos europeus, teríamos sido privados de obras como “Meu ódio Será sua Herança”, “Josey Wales”, e “O Pequeno Grande Homem”.

CONTUDO, a retirada dos Westerns europeus não significou a vitória dos americanos. O premiado diretor Michael Cimino (5 Oscars por Franco-Atirador, incluindo melhor diretor) tinha a plena convicção que o western em estilo épico que estava prestes a dirigir para a United Artist seria um dos grandes ápices de sua carreira. O Portal do Paraíso, entretanto, não conseguiu repercussão nos Estados Unidos, embora os franceses tenham gostado. Isto motivou a expulsão de Cimino em Hollywood e o início da falência da United Artist. A maioria dos estúdios evitavam o gênero, e com isto, o Western, gênero americano por excelência, parecia estar com seus dias contados.


Em 1985, Clint Eastwood produziu e dirigiu O Cavaleiro Solitário” (Pale Rider), onde estrelou como um “Pistoleiro sem nome e sobrenatural”, mas um pistoleiro do bem. O roteiro escolhido por Eastwood era uma mistura de Shane e Matar ou Morrer, dois clássicos por excelência do gênero, mas nem por isso, fez tanto sucesso. Eastwood voltaria novamente ao gênero em 1992, dessa vez em um tema psicológico e desmistificador, em Os Imperdoáveis (Unforgiven), onde estrelou e dirigiu. No elenco, Gene Hackman como um bom vilão, Morgan Freeman, e o talentoso Richard Harris.


Aqui, Eastwood fazia o papel de um ex-pistoleiro frio e sanguinário perseguido pelos fantasmas do passado, que embora regenerado, volta a empregar em armas para ajudar uma prostituta que foi estraçalhada. O filme foi um grande sucesso de crítica e público, e possibilitou uma pequena volta ao gênero na década de 1990 aos cinemas (Wyatt Earp, Tombstone- A Justiça esta Chegando, Quatro Mulheres e um Destino, Rápida e Mortal, este estrelado por Sharon Stone), principalmente, graças aos 4 (quatro) Oscars conquistados, onde Clint Eastwood, então com mais de 30 anos em Hollywood, subiu ao palco para receber a estatueta de melhor diretor; Gene Hackman foi o melhor ator coadjuvante; OS IMPERDOÁVEIS ganhou o Oscar de melhor filme de 1992, além de quebra, ter ganho também um Oscar de melhor edição.



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BIBLIOGRAFIA: 100 ANOS DE WESTERN- Autor: Primaggio Mantovi- Editora Opera Graphica.


Produção e pesquisa de Paulo Telles