O amor de um homem e uma mulher
diminui como a lua, mas o amor de irmão para irmão é imutável como as estrelas
e duradouro como a palavra do Profeta.
Provérbio
árabe.
É assim que
inicia BEAU GESTE (Beau Geste, 1939), uma referência do cinema de aventura até os dias de
hoje, produzido e dirigido pelo renomado William A. Wellman (1896-1975) em 1939 e que se tornou afamado graças a sua tensa e intrigante abertura, bem como uma
história de mistério, com tons detetivescos. Tudo começa quando uma coluna de
combatentes da Legião Estrangeira se aproxima do Forte Zinderneut, no Saara no
início do Século XX e depara com uma estranha cena: centena de legionários
mortos dentro do forte, mas ouvem-se tiros e, posteriormente, dois corpos
desaparecem. As chaves dos dramáticos e enigmáticos acontecimentos vão se
revelando ao longo de toda projeção, um dos mais brilhantes trabalhos do
cineasta de Nasce uma Estrela (1ª versão) e Consciências Mortas.
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| Os Irmãos Geste |
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| Beau Geste: Um verdadeiro Clássico de Aventura e Mistério |
A trama vai
tomando formato em Flash Back, reportando
a história 15 anos antes, quando os irmãos Geste, Michael “Beau” Geste (Gary
Cooper, 1901-1961), John (Ray Milland, 1905-1985) e Digby (Robert Preston,
1917-1987) ingressam na Legião Estrangeira para nenhum ser acusado de roubo de
uma preciosa safira, a “Água Azul”, pertencente a tia deles, Lady Patricia
Hamilton (Heather Thatcher, 1897-1987).
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| Quem roubou a "Água Azul"? |
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| Qual dos três furtou a "Água Azul"? |
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| Gary Cooper é Beau Geste |
Dentro do quartel da Legião, Rasinoff
(J. Carrol Naish, 1896-1973), um opróbrio e infeliz ladrão, acaba tendo ciência
dos fatos e procura identificar o ladrão da preciosa safira. Certa noite enquanto os legionários dormiam,
Rasinoff tenta revistar Beau, mas quase se dá mal se não fosse a intervenção do
brutal e cruel sargento Markoff (Brian Donlevy, 1901-1972), que por meio de uma
confissão de Rasinoff acaba obtendo informações sobre a joia, cobiçando também
a “Água Azul”. Markoff proponha a Rasinoff uma sociedade, contudo não existe
“honra entre ladrões”, já que a verdadeira intenção do sargento é de ficar com
a safira só para ele.
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| Brian Donlevy como o sádico Sargento Markoff |
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| Markoff e seu aliado, o desprezível ladrão Rasinoff (J. Carrol Naish) |
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| Os Três Irmãos, prestes a se separar |
Rasinoff diz a Markoff que a safira talvez esteja com
o irmão mais velho, Beau. Para obter sucesso com o roubo da jóia, Markoff
separa os irmãos Geste. Digby, o corneteiro, vai para o Forte Tokotu, e Beau e
John ficam no Forte Zinderneut, onde Markoff irá impor sua tirania, provocando
um motim e uma rebelião sangrenta, que só será interrompida com o ataque dos
tuaregs. Com o ataque ao forte, se inicia uma série de reviravoltas e surpresas
que prendem o espectador do começo ao fim.
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| O Brutal Markoff impondo sua tirania |
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| John (Ray Milland) e Beau (Gary Cooper) em marcha. |
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| Beau Geste em ação |
Acreditando que os irmãos podem
levá-lo até a pedra e uma enorme fortuna, Markoff submete seus comandados a um
tratamento desumano, mesmo quando centenas de tuaregs cercam o forte. Aliás, um
dos grandes fortes do superespetáculo é a interpretação de Donlevy, que
mereceu uma indicação ao Oscar como coadjuvante em sua atuação como o sádico
sargento Markoff.
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| O Humanismo literal de um "belo gesto" |
Beau Geste é uma visão pictórica da vida dos
legionários e mostra o treinamento dos homens de muitas nações que combateram
nas areias do Saara. Algumas cenas se tornaram antológicas, como aquela em que
legionários mortos são amarrados nas muradas do forte para que os inimigos
acreditem ainda haver um bom número de sentinelas. O funeral viking do final da película também é uma cena que chama a atenção, com direito a um cão sob os pés do falecido herói, cuja alcunha significa em português "belo gesto". O cão sob os pés do nosso herói foi nada mais e nada menos que o corpo do desprezível Markoff. Aventura e envolvente mistério são o que não
faltam neste exemplar clássico, estilo de filme aventuresco que infelizmente o
cinema moderno não produz mais.
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| Digby (Robert Preston), presta uma última homenagem ao seu irmão Beau, morto durante o ataque dos tuaregs ao forte. |
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| Conforme os desejos de Beau Geste, seu irmão Digby providencia um "funeral viking" |
Baseado no
livro de Percival Christopher Wren (1875-1941), a mesma novela havia sido
levada as telas em 1926, na era Silent, com
Ronald Collman e Noah Berry. Ainda teria, em 1966,uma versão estrelada por Guy
Stockwell, Doug McCLure, e Telly Savalas, respectivamente nos papéis que foram
de Gary Cooper, Ray Milland, e Brian Donlevy na versão de 1939 e dirigido por
Douglas Heyes. Em 1977, uma paródia da história foi dirigida pelo comediante
Marty Feldman – As Mais Loucas Aventuras
de Beau Geste, estrelado pelo próprio Feldman, Michael York, Ann-Margrett,
e Peter Ustinov.
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| A Versão de 1926, com Ronald Collman |
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| Susan Hayward, na flor de seus 21 anos, no papel de Isabel Rivers, namorada de John Geste (Ray Milland) |
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| Divulgação do filme pelos jornais cariocas em 1939. |
O Beau Geste de William A. Wellman foi o segundo filme da
carreira de Susan Hayward (1918-1975), então aos 21 anos, no papel de Isabel
Rivers, namorada de John Geste. Ainda a destacar, as aparições de Broderick
Crawford (1912-1986) e Donald O’ Connor (1925-2003), interpretando Beau quando
criança, aos 12 anos. A trilha sonora é de Alfred Newman (1901-1970).
FICHA
TÉCNICA
BEAU
GESTE
Pais: Estados Unidos
Ano: 1939
Gênero: Ação, Aventura,
Guerra
Direção: William A. Wellman
Roteiro: Robert Carson
Produção: William A. Wellman
Música Original: Alfred Newman
Fotografia: Archie Stout, Theodor Sparkuhl
Edição: Thomas Scott
Direção de Arte: Hans Dreier, Robert Odell
Figurino: Edith Head
Efeitos Sonoros: Hugo Grenzbach,
Walter Oberst
elenco
Gary Cooper Michael 'Beau'
Geste
Ray Milland John Geste
Robert Preston Digby Geste
Brian Donlevy Sgt. Markoff
Susan Hayward Isabel Rivers
J. Carrol Naish Rasinoff
Albert Dekker Legionário
Schwartz
Broderick Crawford Hank Miller
James Stephenson Major Henri
de Beaujolais
Heather Thatcher Lady
Patricia Brandon
James Burke Tenente Dufour
George Chandler Legionário
G. P. Huntley Augustus Brandon
Francis McDonald Guia Árabe
Stanley Andrews Legionário
Maris
Harvey Stephens Tenente
Martin
Donald O'Connor Beau aos 12
anos
Henry Brandon Legionário Renouf
Nestor Paiva Soldado
George Regas Guia Árabe
Harry Woods Legionário Renoir
Charles Barton Buddy McMonigal
INDICAÇÕES
Academia de Artes
Cinematográficas de Hollywood, EUA
Oscar de Melhor Ator
Coadjuvante (Brian Donlevy)
Oscar de Melhor Direção de Arte
produção e pesquisa:
Paulo
telles
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EM
TEMPO
IN
MEMORIAN
†
O ano de 2015 começou com uma “subida
de estrelas” para as constelações do céu. Um tempo é dedicado a fazer um
pequeno tributo para estas estrelas que deram sua contribuição para a Sétima
Arte, e que agora de fato estão no rol da imortalidade.
ROD
TAYLOR
(1930-2015)
O ator
australiano Rod Taylor, famoso por seu papel no filme "Os Pássaros", de Alfred Hitchcock, morreu dia 7 de
janeiro, aos 84 anos, em Los Angeles, de um ataque do coração. Taylor atuou em
vários filmes ao longo de sua carreira, como "A Máquina do Tempo",
"Um Domingo em Nova York", "Os Mercenários" e o clássico do
suspense "Os Pássaros". O ator faleceu quatro dias antes de completar
85 anos.
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| Rod e Tippi Hedren, no clássico Os Pássaros, de Hitchcock |
"Rod foi um grande amigo e um enorme
apoio. Éramos muito, muito bons amigos", disse Tippi Hedren, que atuou
com ele em "Os Pássaros". "Era uma das pessoas mais divertidas
que já conheci, tinha classe, tudo era bom neste homem", recordou.
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| Rod no clássico de ficção A Máquina do Tempo |
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| Com Doris Day: A Espiã de Calcinha de Rendas |
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| Como o Primeiro-Ministro Winston Churchill, em Bastardos Inglórios, de Tarantino, em 2010 |
Em 2010, Taylor representou o primeiro-ministro britânico Winston
Churchill em "Bastardos Inglórios", o filme de Quentin Tarantino
sobre a Segunda Guerra Mundial, papel que lhe deu o prêmio do Sindicato dos
Atores. O astro estava rodeado de amigos e familiares quando morreu e deixou a
mulher, Carol, e sua filha, Felicia, "Meu
pai adorava o seu trabalho. Ser ator foi sua paixão, o que ele chamava de uma
arte nobre e algo que não podia viver sem", lembrou a filha,
ex-correspondente da CNN, em um comunicado. "Uma vez ele disse: 'Eu sou um estudante pobre sentado aos pés de
gigantes, ansiando por sua sabedoria e implorando por lições que poderia um dia
me fazer um artista completo, de modo que, se tudo correr bem, eu poderei um
dia me sentar ao lado deles'", completou ela. Rod, nascido a 11 de
janeiro de 1930, foi astro de inúmeros filmes de ação e western, e participou
de séries televisivas, como O CARRO DA MORTE, no início da década de 1970.
ANITA
EKBERG
(1931-2015)
A atriz
sueca Anita Ekberg, imortalizada por Federico Fellini no filme "A doce vida" (1960), morreu dia 11
de janeiro em Roma, aos 83 anos, confirmou a sua advogada, Patrizia Ubaldi,
acrescentando que a artista havia sido hospitalizada após o Natal por conta de
uma "série de doenças". Segundo site do jornal "La
Repubblica", Anita estava internada em Rocca di Papa, na província da
capital italiana. Em "A doce vida", no qual atuou ao lado de Marcello
Mastroianni, ela protagonizou a icônica cena em que se banha na Fontana di
Trevi. A sequência se transformou numa das mais famosas da história do cinema.
Por causa disso, ela também recebeu a alcunha de “deusa do sexo”.
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| O Clássico A Doce Vida, o filme que consagrou Anita, com Marcello Mastroianni |
Filha de
médico, Kerstin Anita Marianne Ekberg nasceu a 29 de setembro de 1931 em Malmö,
em uma família de oito filhos. Eleita
Miss Suécia 1950, foi para os Estados Unidos participar do Miss Universo. Não
venceu, mas ganhou um convite do ator John Wayne para um de seus primeiros
papéis no cinema, em "Rota
sangrenta" (1955). Em Hollywood, a eterna sex symbol fez filmes como "Guerra e paz" (1956) e "Artistas e modelos" (1955), a
dupla Dean Martin e Jerry Lewis. Em 1956, venceu um Globo de Ouro na categoria
atriz mais promissora. Seu último trabalho foi na série italiana "Il bello delle donne"
(2001–2003).
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| Anita Ekberg em 2011 |
Anita
manteve uma relação problemática com a Suécia. Ela nunca chegou a atuar numa
produção sueca, e era frequentemente criticada pela imprensa local por ter
deixado o país.
Ela foi casa
com o ator britânico Anthony Steen de 1956 a 1959. Em 1963, casou-se com o ator
Rik Van Nutter. Divorciou-se dele em 1975.
Fora das telas, seus romances - entre eles com Errol Flynn,
Rod Taylor, e Frank Sinatra -- também eram perseguidos pelos paparazzi, termo
criado por Fellini no filme. Após o impacto de "A Doce Vida", Anita participou de outros filmes de
Fellini, como o segmento que o italiano dirige em "Bocaccio 70",
"Os Palhaços" e "Entrevista". Após a década de 70, se
afastou um pouco da atuação. Nos últimos anos de vida, fez papéis em filmes e
séries italianas. A atriz foi sepultada na Suécia.






















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