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sábado, 13 de dezembro de 2014

E o Vento Levou – Revisitando uma obra prima do Cinema.


“O Filme mais famoso e mais visto na História do cinema.  Foi assim que a Rede Globo exibiu na TV, em 1983, um especial as vésperas de seu lançamento pela televisão intitulado A História de E O VENTO LEVOU. Sem dúvida, sua estreia na TV brasileira (em duas partes) foi um evento inédito por aqui, mas não para aqueles que assistiram a este grande alicerce do cinema na grande tela, visto que este ano, esta grande obra prima da Sétima Arte completou em dezembro de 2013 seus 75 anos de lançamento, em Atlanta, Estados Unidos. Uma retrospectiva deste espetáculo se faz necessária, visto ser um dos mais esplendorosos e importantes filmes de todos os tempos, cuja saga de sua realização é tão épica quanto à própria fita.

Por Paulo Telles.


E O VENTO LEVOU(Gone With The Wind, 1939), superprodução de David O’ Selznick (1902-1965), continua sendo até hoje um dos maiores campeões de bilheteria de todos os tempos. Desde 1939, o ano de seu lançamento, segundo cálculos à base do chamado Dólar Constante (que é corrigido monetariamente), a película já arrecadou o equivalente a 321 milhões de dólares, enquanto que Guerra nas Estrelas, o segundo colocado, aparece abaixo, com 272 milhões, pelo menos até 1983. Provavelmente hoje estes números estão defasados.

David O' Selznick
Ao ser transmitido pela primeira vez na TV americana, pela cadeia NBC de televisão, em 7 e 8 de novembro de 1976, tornou-se também o filme de maior audiência já registrada até então pela TV dos Estados Unidos: 47.7 pontos de rating, o ibope americano.



Ao ser lançado, há 75 anos, era a produção mais cara de sua época (4 milhões e 250 mil dólares) e também o filme mais longo do cinema até aquele momento, com suas 3 horas e 43 minutos de projeção.

MARGARET MITCHELL, a autora do Best Seller E O VENTO LEVOU
Vivien Leigh e Hattie McDaniel, numa cena de E O VENTO LEVOU
HATTIE McDANIEL, a primeira atriz negra indicada e premiada pela Academia de Hollywood.
Arquitetado a partir do estrondoso best seller  de Margaret Mitchell (1900-1949), lançado a 30 de junho de 1936, e vendeu até hoje 28 mil exemplares, sendo traduzido em 28 línguas (o romance foi escrito entre os anos de 1926 a 1929), E O VENTO LEVOU bateu ainda o recorde de Oscars conquistados, no total de oito: melhor filme, melhor atriz (Vivien Leigh, 1913-1967), melhor diretor (Victor Fleming, 1889-1949, sendo o único cineasta creditado, embora tenha dirigido apenas 45%¨das cenas. Os demais que também dirigiram mas não tiveram os créditos devidos foram Sam Wood, George Cukor, e William Cameron Menzies, além também do próprio David O’ Selznick), melhor roteiro adaptado (Sidney Howard, que morreu quatro meses antes do lançamento do filme, sendo o único creditado entre doze roteiristas, entre os quais incluíam F. Scott Fitzgerald), foto a cores, atriz coadjuvante (Hattie McDaniel, 1895-1952, a primeira atriz negra a ser indicada e a receber um premio da Academia de Cinema), melhor cenografia e melhor montagem.


E O VENTO LEVOU ainda ganhou três prêmios da Academia de Hollywood: O prêmio Irving Thalberg Memorial para David O’ Selznick, por sua coordenação para a produção dado a sua empresa, Selznick Internacional; e um premio especial a William Cameron Menzies (1896-1957) pelos desenhos de produção, e um prêmio especial para a britânica Vivien Leigh, recebendo ainda mais um prêmio de melhor atriz pela crítica de Nova York.


Sidney Howard
David O’ Selznick contratou o consagrado escritor Sidney Howard (1891-1939) para condensar as 1.037 páginas do estrondoso livro (precisando da colaboração de outros onze roteiristas), já que o romance é detentor do Prêmio Pulitzer de 1937. Outros membros vieram a compor a equipe: George Cukor, amigo pessoal de Selznick e o desenhista de produção William Cameron Menzies

A ESCOLHA DO ELENCO E A BUSCA PELA SCARLETT



Sellznick já estava martelando as ideias para saber quem poderia interpretar os papéis centrais. Para Rhett Butler, o personagem viril que arrebatava os corações femininos das moças do Sul, ele pensou inicialmente em Gary Cooper, Ronald Colman e Errol Flynn,  enquanto Basil Rathbone era o preferido da autora do livro, Margaret Mitchell. Contudo o escolhido pelo público foi Clark Gable (1901-1960). De fato, nenhum outro ator de sua época se encaixaria melhor do que ele como o cínico aventureiro Rhett Butler, amoral e sedutor, mas que ao mesmo tempo demonstrava humanidade.






Para o papel de Ashley Wilkes, Selznick tinha apenas um ator em mente, Leslie Howard (1893-1943). Howard só aceitou a parte quando lhe foi assegurada uma participação como produtor associado em Intermezzo, uma História de Amor / Intermezzo, a Love Story / 1939. A contratação de uma atriz para Melanie não tardou, pois Olívia de Havilland (a única ainda viva do cast principal) logo ganhou o papel, sucedendo a Maureen O’ Sullivan, Janet Gaynor, Marsha Hunt, Geraldine Fitzgerald, Priscilla Lane, Dorothy Jordan, Frances Dee, Ann Shirley, e a irmã de Olívia, Joan Fontaine, na lista de candidatas.


Faltava apenas escolher a intérprete de Scarlett O’ Hara. A primeira cogitada, Norma Shearer, recusou o convite. A seguir, uma constelação de estrelas (Bette Davis, Tallulah Bankhead, Miriam Hopkins, Joan Crawford, Claudette Colbert, Margaret Sullavan, Carole Lombard, Jean Arthur, Loretta Young, Katharine Hepburn, Ann Sheridan Joan Bennett, e Paulette Goddard, esta quase escolhida), algumas novatas, como Lucille Ball e Doris Davenport, fizeram testes para o papel da indomável personagem.



A fim de conseguir Clark Gable, Selznick teve de entrar em acordo como seu então sogro, Louis B. Mayer. A Metro cederia o seu astro, entraria com uma participação no valor da metade dos dois milhões e 250 mil dólares e, em troca, seria responsável pela distribuição e receberia 50% dos lucros. Em 1944, a marca do leão adquiriu direitos totais sobre o filme.





Para a trilha sonora de E O VENTO LEVOU, Selznick recorreu ao compositor vienense Max Steiner (1888-1971), verdadeiro precursor da utilização de partituras sinfônicas como acompanhamento de diálogos e a ele confiou o departamento musical do seu estúdio. O ano de 1939 foi o mais ativo da carreira de Steiner, pois ele criou nada menos que doze partituras para filmes, inclusive a de…E O Vento Levou, uma das mais longas já concebidas para uma película (apenas 30 dos 222 minutos não possuem comentário musical). Cada personagem mereceu um tema, o mesmo acontecendo com os três relacionamentos amorosos. Algumas canções sulistas e hinos patrióticos foram adicionados mas, predominante, é o “Tema de Tara”, motivo central da trama.



As filmagens começaram bastante tumultuadas a 10 de dezembro de 1938, nos velhos estúdios da RKO-Pathé, em Culver City, mas não havia ainda a atriz para Scarlett O’ Hara. Sob a direção de William Cameron Menzies, encenou-se diante das câmeras Technicolor a sequência do incêndio de Atlanta, com a utilização de antigos cenários (de King Kong / King Kong / 1933, Jardim de Alá / Garden of Allah / 1936, etc.), disfarçados com falsas fachadas. Sete câmeras Technicolor fotografaram os dublês dos personagens de Rhett e Scarlett em planos médio e geral com o fogo ao fundo. Foi necessário filmar esta cena antes do verdadeiro início da produção, a fim de limpar a área para a construção do cenário de Tara, partes de Atlanta e vários outros exteriores.




David O' Selznick, em reunião com Leslie Howard, Vivien Leigh, e Olivia De Havilland
A imprensa e a sociedade local estavam presentes e Selznick aguardava ansioso a vinda do irmão Myron, que chegou acompanhado do ator Laurence Olivier e sua namorada Vivien Leigh, uma jovem e promissora atriz inglesa. A apresentação de Vivien por Myron tornou-se célebre: “Quero que conheça Scarlett O’Hara”. A busca por Scarlett O’ Hara chegara ao fim.




A escolha de Vivien Leigh para o papel não podia ser mais certeira; Scarlett se tornou inesquecível. arrogante, fútil, vaidosa, mas também era uma mulher de uma força inquebrantável, capaz de tudo, até enfrentar soldados inimigos para defender sua família e sua casa da fazenda Tara. Tão corajosa até mesmo de se casar três vezes sem amor. Mas, mesmo sendo tão esperta, chega a ser burra, não sendo capaz de reconhecer e conservar o verdadeiro amor de sua vida, Rhett Butler.

O INÍCIO DAS FILMAGENS
George Cukor
As filmagens propriamente ditas após a escolha da atriz principal começaram a 26 de janeiro de 1939. George Cukor (1900-1983) deu início às filmagens, mas foi dispensado a pedido de Clark Gable, que teria se incomodado com o fato de Cukor ser homossexual e ser conhecido como grande diretor de mulheres, contudo o cineasta continuou assessorando Vivien e Olivia secretamente.




Cukor só dirigiu cerca de 5% do filme, incluindo as seguintes cenas: a de abertura com Scarlett e os gêmeos Tarleton (um deles vivido por George Reeves, o futuro Superman da TV dos anos 50); Mammy amarrando o espartilho de Scarlett antes do churrasco; Rhett visitando Scarlett com o chapéu parisiense; Scarlett ajudando o parto de Melanie; Scarlett enfrentando o desertor nortista; Scarlett sentada na escada ao lado de soldados sulistas sobreviventes dos campos de batalha.
Victor Fleming
Vivien Leigh, Clark Gable, e Victor Fleming
Com a finalidade de agradar Clark Gable, Selznick forneceu-lhe uma lista de nomes de diretores disponíveis para ocupar o lugar de Cukor: King Vidor, Jack Conway, Robert Z. Leonard e Victor Fleming. Sem vacilar, o astro da Metro optou por Fleming, que estava ocupado com O Mágico de Oz / The Wizard of Oz / 1939 e teve de deixar as últimas duas semanas de trabalho aos cuidados de King Vidor, responsável pela sequência de Judy Garland cantando Over the Rainbow.

Sam Wood
Fleming teve um colapso nervoso durante as filmagens e foi substituído por Sam Wood (1883-1949), que assumiu a direção a 1º de maio, iniciando seus 15% de participação no filme. Quando Victor Fleming recuperou-se e voltou, os dois diretores continuaram na direção, mas em horas e sets diferentes.



Somente Fleming recebeu crédito pela direção o que, curiosamente, acarretou-lhe certa antipatia, sobretudo por ter aceitado substituir Cukor.  O roteirista John L. Mahin, um dos colaboradores do Script, desmentiu que eles não se dessem bem, lembrando que ouvira Fleming dizer várias vezes: “George poderia ter realizado um trabalho tão bom quanto o meu. Ele provavelmente faria melhor as cenas intimistas. Acho que me dei bastante bem com o material mais espetaculoso”.




As filmagens terminaram a 1º de julho de 1939, e Selznick tinha diante de si uma montanha de celulóide revelado – cerca de 60.000 metros de filme, equivalente a 28 horas de projeção. Trancado dia e noite com o editor Hal C. Kern e seu assistente James Newcom, o produtor montou o filme sem consultar nenhum dos diretores que nela tomaram parte e ordenou a filmagem de cenas adicionais, como aquela em que Scarlett se esconde debaixo da ponte numa tempestade, enquanto uma tropa da União passa sobre a mesma. Sob o comando de Victor Fleming, a cena de abertura foi mais uma vez encenada. A montagem final redundou em 4 horas e 25 minutos de projeção. Efetuaram-se novos cortes e o filme terminou com a duração de 3 horas e 43 minutos.



Em novembro do mesmo ano, Selznick convenceu o chefe da censura, Will Hays, a deixar passar a famosa frase final de Rhett Butler (“Frankly, my dear, I don’t give a damn” – Francamente querida, eu pouco me importo”). A palavra damn era considerada pesada na época, mas o produtor conseguiu sua liberação.


A Noite de Gala de E O VENTO LEVOU, em sua première a 15 de dezembro de 1939, em Atlanta.

Vivien Leigh, Clark Gable, Margaret Mitchell (autora do romance), David O' Selznick e Olivia De Havilland.
A première teve lugar em Atlanta na noite de 15 de dezembro de 1939, com a frente do cinema Lowe’s Grand decorada como a mansão de Twelve Oaks. O Governador da Geórgia, E. D. Rivers, decretou feriado estadual em virtude do lançamento de um filme. Para não ficar atrás, o Prefeito de Atlanta, William B. Hartsfield, programou três dias de festividades, substancialmente patrocinadas pela Metro. A imprensa estimou em um milhão o número de pessoas aglomeradas na cidade – então habitada por 500 mil cidadãos – no dia da estreia de…E O Vento Levou.



Clark Gable chega a estreia em Atlanta acompanhado por sua bela esposa, a atriz Carole Lombard
Ronald Colman e senhora, acompanhados por Vivien Leigh e seu marido Laurence Olivier.

Clark Gable, Margaret Mitchell (autora do Best Seller) e Vivien Leigh na noite de gala de estreia do grande épico, a 15 de dezembro de 1939.

E O VENTO LEVOU NO BRASIL

Segundo informações do notável Mestre A. C Gomes de Mattos em seu blog HISTÓRIAS DE CINEMA, E O VENTO LEVOU estreou na Cidade Maravilhosa a 12 de setembro de 1940, às 20h45m, no Cine Metro do Rio de Janeiro (na ocasião só existia o da Rua do Passeio), numa avant-première de gala, sob o patrocínio da Sra. Darcy Vargas, em benefício da Cidade das Meninas.

Divulgação de um jornal na época de sua estreia no Brasil.
Com os 1.400 lugares inteiramente ocupados, no único intervalo da sessão, às 23 horas, o príncipe D. João de Orleans e Bragança, auxiliado pelas Srtas. Perla Lucena e Maria da Penha Affonseca e pelo Sr. Carlos de Laet, coordenou o leilão de exemplares da obra de Margareth Mitchell, autografados pelos astros principais e em rica encadernação oferecida pela Casa Vallele.

Na plateia, conforme um jornal da época, “a mais brilhante representação do nosso oficialíssimo Corpo Diplomtático e a elite patriota”, além do galã John Boles que, de passagem pela cidade, fez questão de participar da festa. No mesmo dia, diretamente de Hollywood, numa transmissão da A Hora do Brasil, servindo de locutor Luis Jatobá, Clark Gable, Vivien Leigh, e o produtor Selznick saudaram D. Darcy e contaram alguns detalhes da filmagem.


Relançamento do filme em São Paulo, nos anos de 1970

E O VENTO LEVOU ainda foi levado em cartaz as salas de exibição por quase 40 anos em reprises nos extintos cinemas de rua em todo Brasil, numa época em que ainda não tinhamos videocassetes (ou pelo menos muitos ainda não tinham acesso), locadoras de vídeo, DVDS ou TVS por assinatura.



Sem dúvida, E O VENTO LEVOU É um clássico imortal da antiga Hollywood, o filme mais famoso e o mais popular da história do cinema, símbolo da usina de sonhos em seus dias de fausto e glória, a maior prova viva do poder mágico da Sétima Arte, capaz mesmo de arrebatar multidões até os dias de hoje, conquistando cinéfilos da nova geração. Enfim, uma turbulenta história de amor que enferveceu e vem enfervecendo plateias de todo mundo.


FICHA TÉCNICA
E O VENTO LEVOU-
GONE WITH THE WIND
Pais:  Estados Unidos
Ano: 1939
Gênero: Romance, Guerra Civil
Direção: Victor Fleming
Roteiro: Sidney Howard
Produção:   David O. Selznick
Design Produção: William Cameron Menzies
Música Original:   Max Steiner
Fotografia:  Ernest Haller, Ray Rennahan
Edição: James E. Newcom, Hal C. Kern
Direção de Arte:   Lyle R. Wheeler
Figurino: Walter Plunkett
Guarda-Roupa: Edward P. Lambert, Michi Okubo, Edward Maeder
Maquiagem: Sydney Guilaroff, Monte Westmore
Efeitos Sonoros:   Fred Albin , Arthur Johns, Thomas T. Moulton e outros
Efeitos Especiais: Jack Cosgrove, Lee Zavitz
Efeitos Visuais: Haller Belt, Jack Shaw, Clarence Slifer e outros


ELENCO
Clark Gable- Rhett Butler
Vivien Leigh-Scarlett O'Hara
Olivia de Havilland -Melanie Hamilton
Hattie McDaniel- Mammy
Thomas Mitchell- Gerald O'Hara
Leslie Howard- Ashley Wilkes
Evelyn Keyes - Suellen O'Hara
Jane Darwell -Sra. Dolly Merriwether
Barbara O'Neil- Ellen O'Hara
Ward Bond -Tom, Capitão ianque
Ann Rutherford-Carreen O'Hara
Harry Davenport   Dr. Meade
Victor Jory-  Jonas Wilkerson, o capataz
Lillian Kemble Cooper- Cathleen Calvert
Laura Hope Crews -Tia Pittypat Hamilton
George Reeves- Stuart Tarleton
Ona Munson- Belle Watling
Mary Anderson- Maybelle Merriwether
Leona Roberts- Sra. Meade
Mickey Kuhn- Beau Wilkes
Butterfly McQueen- Prissy
Howard C. Hickman- John Wilkes
Alicia Rhett- India Wilkes
Rand Brooks- Charles Hamilton
Carroll Nye- Frank Kennedy
Cammie King- Bonnie Blue Butler
Fred Crane- Brent Tarleton
Oscar Polk- Pork
Eddie Anderson- Tio Peter
Robert Elliott-Major ianque.

DISTRIBUÍDO PELA METRO GOLDWYN MAYER

Produção e Pesquisa de PAULO TELLES

quinta-feira, 9 de janeiro de 2014

George Reeves, o Super-Homem da TV da Década de 1950.


No dia 16 de junho de 1959, o mundo ficou chocado com a morte trágica do ator George Reeves, o intérprete do Super-Homem da televisão na década de 1950.  Sua morte até hoje é um grosso mistério, que já rendeu livros, documentários, e até mesmo um filme. Contudo, crianças que vivenciaram a série de Tv estrelada pelo homenageado de hoje jamais se esqueceram dele, pois ele tinha brilho e carisma suficiente para conquista-las.  Vamos falar um pouco sobre GEORGE REEVES.


George Reeves nasceu a 5 de janeiro de 1914, e seu verdadeiro nome era George Keefer Brewer em Woolstock, Iowa, Estados Unidos, cuja filiação são Don e Helen Lescher Brewer.


Reeves foi crescendo acreditando que sua data de nascimento era em 5 de abril de 1914, mas sua mãe mentiu para ele, já que isto colocaria seu nascimento, nove meses depois de seu casamento. George não descobriu isso até que ele ficasse adulto. Para criar uma confusão maior ainda, sua mãe cometeu um erro em seus dados quando no enterro do ator indicando a data de nascimento como 6 de janeiro em sua pedra tumular, em vez de 5 de janeiro.

Seus pais se divorciaram quando ele era adolescente, e ele foi adotado por seu padrasto, tendo por isso o sobrenome "Bessolo". George foi criado em Pasadena, Califórnia (EUA), e estudou no Junior College Passadena.


Ele se destacou na escola como pugilista amador e músico hábil, sendo que começou sua carreira de ator na Pasadena Playhouse, onde foi descoberto por "caçadores de talento" de Hollywood.


Seu primeiro filme foi Ride, Cowboy Ride, (1939), embora seja no papel de Stuart Tarleton, um dos pretendentes de Scarlet O'Hara  em E o Vento Levou (1939), que ele é mais lembrado em seu início de carreira no cinema. Nos dez anos seguintes, assinou contrato com os estúdios da Warner Brothers, 20ª Century Fox e Paramount.

Casou-se com Ellanora Needles em 1940, permanecendo casado com ela até 1950. O casal não teve filhos.


Reeves teve uma sequência de trabalhos estáveis no período de 1939 à 1943, aparecendo em mais de 40 filmes. Em 1943, quando já conseguia fazer seu nome no estrelato, Reeves foi convocado para o serviço de guerra durante a II Guerra Mundial, tendo que interromper, temporariamente, sua carreira.  Ingressou na Força Aérea Americana, e lá participou de diversos filmes de treinamentos de guerra, chegando ao posto de sargento. Ele também fez uma aparição na tela durante a guerra, no papel do tenente Thompson no filme patrocinado pelo Exército Americano Encontro nos Céus (1944), além de A Legião Branca, (1943), com Claudete Colbert.



Com o fim da Guerra, Reeves voltou a Hollywood, mas sua carreira nunca mais chegou ao mesmo nível de antes. As dificuldades de se auto-afirmar na carreira de ator o fizeram conduzir para Nova York, para participar de programas de televisão ao vivo (não havia naquela ocasião ainda o vídeo tape). Em 1948, Reeves, participou em Jim das Selvas, primeiro filme da série cinematográfica protagonizada por Johnny Weissmuller (1904-1984) e que pouco depois renderia também uma série de TV.





Em 1949, George Reeves teve uma participação no clássico bíblico de Cecil B. DeMille (1881-1959) Sansão e Dalila, interpretando um mensageiro ferido. Aliás, Reeves foi colega de escola de Victor Mature, o protagonista do filme. No mesmo ano também, foi o astro de um seriado de cinema de 15 capítulos intitulado Cavaleiros do Rei Arthur (ou Aventuras de Sir Galahad), dirigido pelo Master dos antigos seriados Spencer Gordon Bennet (1893–1987), que também dirigiu e produziu os dois primeiros filmes do Superman para o cinema: Superman (1948) e Superman contra os Homens Átomos (1950), estes estrelados por Kirk Alyn (1910-1999) no papel do Homem de Aço.


 Em Hollywood, continuou fazendo filmes, até que, em 1951, estrelou no papel-título do filme Super-Homem e os Homens Toupeira.


Devido ao sucesso de seu papel nesse filme lhe foi oferecido o papel-título na série de televisão As Aventuras do Superman (1952-1957), a qual foi transmitida no Brasil nas décadas de 1960 e 1970, ficando bastante conhecida pelo publico brasileiro.


Em 1952, Reeves participou de um grande clássico dirigido pelo lendário Fritz Lang (1890-1976), o western Diabo Feito Mulher (Rancho Notorius), contracenando com Marlene Dietrich, Arthur Kennedy, e Mel Ferrer.



Foi justamente na televisão que George conseguiu definitivamente a fama que quase havia conseguido no cinema, porque foi escolhido para interpretar o fabuloso Homem de Aço das histórias em quadrinhos para a série de TV do Super-Herói da DC Comics, criado em 1938 por Jerry Siegel (1914-1996) e Joe Shuster (1914-1992). Na época da série de TV estrelada por Reeves, os criadores do herói não tiveram creditados seus nomes como autores, já que haviam vendido os direitos do personagem para a DC. Para saber mais sobre Super-Homem, acesse o artigo Super-Homem: O Homem de Aço no Cinema e na TV através dos Tempos, publicado em julho do ano passado.


Reeves lembrava muito os traços executados por desenhistas de quadrinhos do super-herói da década de 1940/50, sobretudo por causa de um leve topete pega-rapaz, e um queixo voluntarioso.


Conseguiu alguns papéis menores em outros filmes clássicos do cinema durante o percorrer da série de TV, como A um Passo da Eternidade, de Fred Zinnemann, em 1953, com Burt Lancaster. Reeves interpretava um sargento que confidenciava ao amigo, o Sargento Milton Warden (Lancaster), que havia sido amante de Karen Holmes (Deborah Kerr), esposa de um capitão e interesse amoroso de Warden.


George Reeves alcançou fama e dinheiro (na época ele ganhava 2.500 dólares por semana). O sucesso era principalmente com as mulheres e crianças. Curiosamente, segundo sua biografia, ele evitava contato com as crianças, porque elas sempre queriam partir para a agressão com a ideia de testar a “invulnerabilidade” do ator. Em um dos eventos em que ele era convidado a se apresentar como Superman, uma criança chegou a ir armada (havia pego a arma do pai, um policial) e ameaçou atirar em Reeves, mas felizmente, este convenceu o menino, assustado, a lhe dar a arma. Mas fora isso os únicos trabalhos que ele conseguia eram comerciais de cereais ou então apresentações de luta-livre. A série de televisão durou até 1957.


Inicialmente, ele foi relutante em assumir o papel de Superman, acreditando que teria mais sucesso como ator, atuando em filmes para o cinema. Só que Reeves ficou surpreso quando o papel se tornou um hit nacional, fazendo sucesso nos Estados Unidos.



Era visto com a roupa de Super-Homem visitando hospitais e dando atenção a crianças vitimadas de câncer. Na Televisão americana, já naquela época havia programas assistencialistas como "A Cidade da Esperança" e "Telethons", e Reeves fazia questão de participar como o Super-Homem. Também participou ainda na TV como convidado especial no seriado I Love Lucy, estrelada por Lucille Ball (1911-1989).


Após o fim da série, Reeves conseguiu alguns papéis em filmes para cinema e televisão, mas havia ficado estigmatizado como Superman, papel que representou durante 5 anos. Devido à isso, os convites para atuação em novos trabalhos diminuíram. Embora Reeves estivesse deprimido por ser estereotipado como Superman, ele levou as características do personagem a sério, mantendo o exemplo do "Super Homem" para as crianças, como deixando de fumar e aparecer com namoradas perto das crianças.


Nas primeiras horas da manhã de 16 de junho de 1959, três dias antes de seu casamento com Lenore Lemmon (1923-1989), um tiro foi ouvido de sua casa, sendo que em seguida George Reeves foi descoberto morto com um tiro na cabeça.

Como resultado do inquérito e investigação policial, foi declarado que George Reeves havia se suicidado, no entanto, desde a sua morte, a informação adicional faz com que muitos acreditem que ele foi assassinado.


Reeves aparentemente teve um caso de longo prazo com Toni Lanier (1906-1983), uma ex-showgirl e esposa do executivo da MGM, Eddie Mannix (1891-1963). Ela era conhecida por sua beleza e apetite sexual lendário, e, aparentemente, o caso teve a aprovação de seu marido, que tinha uma amante.


Cinco meses antes, como Reeves estava para se casar com Lenore Lemmon, ele rompeu o romance com Toni, que a deixou de coração partido. Toni permaneceria dedicada à memória de Reeves para o resto de sua vida.

Sua vida é discutida em detalhes em dois livros, Superman: Serial to Cereal (1976) por Gary Grossman, e Hollywood Kryptonite (1996) por Sam Kashner e Schoenberger Nancy.


A vida e a morte de George Reeves foi tema do filme  Hollywoodland. Ben Affleck faz o papel de George Reeves; Diane Lane como Toni Mannix, a amante de Reeves; Bob Hoskins encarna o executivo da MGM Eddie Mannix, o marido traído de Toni; e Adrien Brody assume o detetive particular Louis Simo, que investiga a misteriosa morte do ator intérprete do Super-Homem. O longa é focado nos anos 1950 e tem direção assinada por Allen Coulter e roteiro de Paul Bernbaum.


Acima de uma investigação de morte, Hollywoodland também traz informações da conturbada vida pessoal de Reeves, que tinha muitos problemas familiares. Os grandes momentos da vida do ator, bem como sua ascensão na televisão, com a estreia da série As Aventuras de Super-Homem, também ganham espaço.


Um argumento que o diretor fez questão de manter no longa foram cenas da homônima série do Super-Homem. Apesar de ter alguns problemas com a Warner Brothers, detentora dos direitos autorais, Coulter pôde utilizar o clássico material da época. Além disso, ele reproduziu aberturas e cenas da série com o rosto de Ben Affleck.


UMA PERGUNTA QUE NÃO QUER CALAR: Será que George Reeves realmente tirou sua própria vida com um único tiro na cabeça ou foi sua morte realizada como um plano sinistro?

Na noite em que morreu, ele teria bebido muito e discutiu abertamente com Leonore Lemmon, como testemunhado por seus amigos Bliss William, o escritor Robert Condon, e Carol Van Ronkel.


Reeves teria subido zangado para seu quarto, sendo que em seguida Lemmon e os convidados disseram ter ouvido um único tiro vindo de seu quarto. O que levantou suspeita a respeito da morte de George Reeves, é que este foi encontrado despido em sua cama por seus vizinhos, durante um pequeno recolhimento por volta das 2 horas da manhã. Os vizinhos levaram 45 minutos para chamar a polícia. Os detetives encontraram furos de balas adicionais no assoalho de sua cama, e algumas contusões foram encontradas no corpo de Reeves, e havia sinais de luta de dentro do seu quarto.

Embora considerado um suicídio, muitas pessoas se recusam a acreditar que ele se matou, pois pelo menos aparentemente, Reeves não era do tipo de alguém que cometeria suicídio. Era alegre, descontraído, e boêmio. Esse é mais um dos inúmeros mistérios que permanecem ocultos nas sombras de Hollywood.



Em seu túmulo, no Mausoléu de Pasadena, localizado no Cemitério do Mountain View, em Altadena, Califórnia, encontra-se a seguinte inscrição: Para meu querido filho, George Bessolo Reeves, o Super-Homem , homenagem feita por seu padrasto.



CONTOS DA CRIPTA
Existem relatos de que a casa onde Reeves se matou (ou teria sido morto), hoje é assombrada com ruídos inexplicáveis ​​no quarto superior (local de sua morte), surgimento de cheiro de pólvora, além de pertences e objetos que são movimentados.

Existem também relatos de que cachorros quando levados à casa, ficam latindo e recusando-se a entrar na sala, bem como luzes ficam piscando ou se apagando sem motivo algum.

Alguns até dizem que George Reeves aparece no pé da cama dos atuais proprietários de vez em quando, vestido como Superman.

Como diria o saudoso Jack Palance: It’s Believe ...or not!


Curiosidades sobre George Reeves

Pessoalmente, defendeu Noel Neill quando esta substituiu Phyllis Coates no papel de Lois Lane, na Segunda temporada da série do Super-Homem, ao vê-la sendo maltratada por um dos diretores. Também defendeu o ator Robert Shayne (1900-1992), que fazia o Inspetor de Polícia Henderson na série, que foi acusado de ser comunista durante o processo de caça as bruxas, promovido pelo Senado Americano da década de 1950, e estava com risco de perder seu emprego. O produtor da série, Whitney Ellsworth (1908-1980), também defendeu Shayne, junto com Reeves.


Fez anúncios da tevê para flocos de milho da Kellogg's durante as temporadas como o Superman, na década de 1950. Em um comercial, George, como Clark Kent, usou sua super-visão para ver através de uma parede, mostrando duas crianças, que discutiam se uma menina poderia ou não ser o Superman, mas para o fim do argumento, as crianças se apaziguaram mutuamente, e cada um comia seus flocos, enquanto Superman surge, e aí quando a câmera se vira para Reeves, este sorri e diz: Vejam, pequeninos podem discutir, mas nunca sobre flocos de milho Kellogg’s.


Embora seu traje de Superman seja acolchoado, Reeves era realmente muito atlético e fazia a maioria de suas próprias cenas de perigo sem dublê em As Aventuras do Super-Homem. Os Episódios requeriam ele saltar das alturas, simulando a aterrissagem do Super-Homem, através de um trampolim. O Dublê só era escalado para George em cenas de entortar barras ou saltar para fora das janelas.


A história de George Reeves tem pontos quase em comum com a de outro intérprete de Superman, Christopher Reeve, que além de terem interpretado o mesmo super-herói, tem sobrenomes parecidos, e também, cada um a sua maneira, um final trágico.

Dizem que George Reeves já tinha tentado o suicídio duas vezes antes do suposto que cometeu, mas isto não é certo, só existem especulações. Seu padrasto veio de fato a se matar anos depois.


Durante os intervalos das filmagens de uma temporada ou outra da série do Superman, Reeves fazia aparições como convidado em feiras ou eventos por toda Estados Unidos. Em 1958, foi escalado para aparecer no parque de Kennywood, em Pittsburgh, que era um dos parques de diversões mais badalados da América do Norte, e foi escalado para aparecer no ano seguinte, 1959. Publicidades e marketings haviam anunciado esse fato, entretanto Reeves havia cometido suicídio naquele ano, e o parque teve que recolocar outra atração para substituir a ausência de Reeves/Superman, e assim, foi escalado Guy Williams, vestido de Zorro, para substituí-lo. Todo o marketing feita em torno do Superman teve logo que ser removida, para dar ênfase a Zorro, mas ainda podiam se ver alguns outdoors do Super-Homem abaixo do anúncio de Zorro.

George Reeves, passados mais de 50 anos após sua trágica morte, jamais foi esquecido por aqueles que o acompanharam pela TV, através do Homem de Aço.

Produção e Pesquisa de Paulo Telles



FILMOGRAFIA PARCIAL
GEORGE REEVES em "SANGUE E AREIA"
1939 - Ride Cowboy, Ride
1939 - Gone with the Wind (br: E o Vento Levou)
1940 - Tear Gas Squad
1940 - Torrid Zone
1940 - Pony Express Days
1941 - The Strawberry Blonde
1941 - Blood and Sand (br: Sangue e Areia)
1942 - Blue, White and Perfect
1943 - So Proudly We Hail!
1944 - Winged Victory
1948 - Thunder in the Pines
1948 - Jungle Jim (br: Jim das Selvas)
1949 - Samson and Delilah (br: Sansão e Dalila)
1949 - The Adventures of Sir Galahad (br: As Aventuras de Sir Galahad)
1949 - The Great Lover
1952 - Rancho Notorious (br: O Diabo Feito Mulher)
1951/1958 - Adventures of Superman ("As Aventuras do Superman") - (104 episódios da série para TV)
1952 - Superman na the Mole-Men (br: Superman contra os Homens Toupeiras)
1953 - The Blue Gardenia (br: A Gardênia Azul)
1953 - From Here to Eternity (br: A Um Passo da Eternidade)
1953 - Forever Female
1956 - Westward Ho, The Wagons!