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quinta-feira, 29 de janeiro de 2015

Beau Geste (1939): De William A. Wellman Um clássico de Aventura e envolvente Mistério.


O amor de um homem e uma mulher diminui como a lua, mas o amor de irmão para irmão é imutável como as estrelas e duradouro como a palavra do Profeta.
Provérbio árabe.


É assim que inicia BEAU GESTE (Beau Geste, 1939), uma referência do cinema de aventura até os dias de hoje, produzido e dirigido pelo renomado William A. Wellman (1896-1975) em 1939 e que se tornou afamado graças a sua tensa e intrigante abertura, bem como uma história de mistério, com tons detetivescos. Tudo começa quando uma coluna de combatentes da Legião Estrangeira se aproxima do Forte Zinderneut, no Saara no início do Século XX e depara com uma estranha cena: centena de legionários mortos dentro do forte, mas ouvem-se tiros e, posteriormente, dois corpos desaparecem. As chaves dos dramáticos e enigmáticos acontecimentos vão se revelando ao longo de toda projeção, um dos mais brilhantes trabalhos do cineasta de Nasce uma Estrela (1ª versão) e Consciências Mortas.

Os Irmãos Geste
Beau Geste: Um verdadeiro Clássico de Aventura e Mistério
A trama vai tomando formato em Flash Back, reportando a história 15 anos antes, quando os irmãos Geste, Michael “Beau” Geste (Gary Cooper, 1901-1961), John (Ray Milland, 1905-1985) e Digby (Robert Preston, 1917-1987) ingressam na Legião Estrangeira para nenhum ser acusado de roubo de uma preciosa safira, a “Água Azul”, pertencente a tia deles, Lady Patricia Hamilton (Heather Thatcher, 1897-1987). 

Quem roubou a "Água Azul"?
Qual dos três furtou a "Água Azul"?
Gary Cooper é Beau Geste
Dentro do quartel da Legião, Rasinoff (J. Carrol Naish, 1896-1973), um opróbrio e infeliz ladrão, acaba tendo ciência dos fatos e procura identificar o ladrão da preciosa safira.  Certa noite enquanto os legionários dormiam, Rasinoff tenta revistar Beau, mas quase se dá mal se não fosse a intervenção do brutal e cruel sargento Markoff (Brian Donlevy, 1901-1972), que por meio de uma confissão de Rasinoff acaba obtendo informações sobre a joia, cobiçando também a “Água Azul”. Markoff proponha a Rasinoff uma sociedade, contudo não existe “honra entre ladrões”, já que a verdadeira intenção do sargento é de ficar com a safira só para ele.

Brian Donlevy como o sádico Sargento Markoff
Markoff e seu aliado, o desprezível ladrão Rasinoff (J. Carrol Naish)
Os Três Irmãos, prestes a se separar
Rasinoff  diz a Markoff que a safira talvez esteja com o irmão mais velho, Beau. Para obter sucesso com o roubo da jóia, Markoff separa os irmãos Geste. Digby, o corneteiro, vai para o Forte Tokotu, e Beau e John ficam no Forte Zinderneut, onde Markoff irá impor sua tirania, provocando um motim e uma rebelião sangrenta, que só será interrompida com o ataque dos tuaregs. Com o ataque ao forte, se inicia uma série de reviravoltas e surpresas que prendem o espectador do começo ao fim. 

O Brutal Markoff impondo sua tirania
John (Ray Milland) e Beau (Gary Cooper) em marcha.
Beau Geste em ação
Acreditando que os irmãos podem levá-lo até a pedra e uma enorme fortuna, Markoff submete seus comandados a um tratamento desumano, mesmo quando centenas de tuaregs cercam o forte. Aliás, um dos grandes fortes do superespetáculo é a interpretação de Donlevy, que mereceu uma indicação ao Oscar como coadjuvante em sua atuação como o sádico sargento Markoff.

O Humanismo literal de um "belo gesto"


Beau Geste é uma visão pictórica da vida dos legionários e mostra o treinamento dos homens de muitas nações que combateram nas areias do Saara. Algumas cenas se tornaram antológicas, como aquela em que legionários mortos são amarrados nas muradas do forte para que os inimigos acreditem ainda haver um bom número de sentinelas. O funeral viking do final da película também é uma cena que chama a atenção, com direito a um cão sob os pés do falecido herói, cuja alcunha significa em português "belo gesto". O cão sob os pés do nosso herói foi nada mais e nada menos que o corpo do desprezível Markoff. Aventura e envolvente mistério são o que não faltam neste exemplar clássico, estilo de filme aventuresco que infelizmente o cinema moderno não produz mais.

Digby (Robert Preston), presta uma última homenagem ao seu  irmão Beau, morto durante o ataque dos tuaregs ao forte.
Conforme os desejos de Beau Geste, seu irmão Digby providencia um "funeral viking"
Baseado no livro de Percival Christopher Wren (1875-1941), a mesma novela havia sido levada as telas em 1926, na era Silent, com Ronald Collman e Noah Berry. Ainda teria, em 1966,uma versão estrelada por Guy Stockwell, Doug McCLure, e Telly Savalas, respectivamente nos papéis que foram de Gary Cooper, Ray Milland, e Brian Donlevy na versão de 1939 e dirigido por Douglas Heyes. Em 1977, uma paródia da história foi dirigida pelo comediante Marty Feldman – As Mais Loucas Aventuras de Beau Geste, estrelado pelo próprio Feldman, Michael York, Ann-Margrett, e Peter Ustinov.

A Versão de 1926, com Ronald Collman
Susan Hayward, na flor de seus 21 anos, no papel de Isabel Rivers, namorada de John Geste (Ray Milland)
Divulgação do filme pelos jornais cariocas em 1939.
O diretor William A. Wellman, com Charles Barton e Gary Cooper durante uma pausa nas filmagens.

O Beau Geste de William A. Wellman foi o segundo filme da carreira de Susan Hayward (1918-1975), então aos 21 anos, no papel de Isabel Rivers, namorada de John Geste. Ainda a destacar, as aparições de Broderick Crawford (1912-1986) e Donald O’ Connor (1925-2003), interpretando Beau quando criança, aos 12 anos. A trilha sonora é de Alfred Newman (1901-1970).



FICHA TÉCNICA
BEAU GESTE
Pais: Estados Unidos
Ano: 1939
Gênero: Ação, Aventura, Guerra
Direção: William A. Wellman
Roteiro: Robert Carson
Produção: William A. Wellman
Música Original: Alfred Newman
Fotografia: Archie Stout, Theodor Sparkuhl
Edição: Thomas Scott
Direção de Arte: Hans Dreier, Robert Odell
Figurino: Edith Head
Efeitos Sonoros: Hugo Grenzbach, Walter Oberst


elenco
Gary Cooper       Michael 'Beau' Geste
Ray Milland John Geste
Robert Preston  Digby Geste
Brian Donlevy    Sgt. Markoff
Susan Hayward  Isabel Rivers
J. Carrol Naish    Rasinoff
Albert Dekker    Legionário Schwartz
Broderick Crawford    Hank Miller
James Stephenson      Major Henri de Beaujolais
Heather Thatcher       Lady Patricia Brandon
James Burke      Tenente Dufour
George Chandler         Legionário
G. P. Huntley     Augustus Brandon
Francis McDonald       Guia Árabe
Stanley Andrews        Legionário Maris
Harvey Stephens        Tenente Martin
Donald O'Connor        Beau aos 12 anos
Henry Brandon  Legionário Renouf
Nestor Paiva      Soldado
George Regas    Guia Árabe
Harry Woods      Legionário Renoir
Charles Barton   Buddy McMonigal

INDICAÇÕES
Academia de Artes Cinematográficas de Hollywood, EUA
Oscar de Melhor Ator Coadjuvante (Brian Donlevy)
Oscar de Melhor Direção de Arte

produção e pesquisa: 
Paulo telles 
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EM TEMPO
IN MEMORIAN
O ano de 2015 começou com uma “subida de estrelas” para as constelações do céu. Um tempo é dedicado a fazer um pequeno tributo para estas estrelas que deram sua contribuição para a Sétima Arte, e que agora de fato estão no rol da imortalidade.


ROD TAYLOR
(1930-2015)
O ator australiano Rod Taylor, famoso por seu papel no filme "Os Pássaros", de Alfred Hitchcock, morreu dia 7 de janeiro, aos 84 anos, em Los Angeles, de um ataque do coração. Taylor atuou em vários filmes ao longo de sua carreira, como "A Máquina do Tempo", "Um Domingo em Nova York", "Os Mercenários" e o clássico do suspense "Os Pássaros". O ator faleceu quatro dias antes de completar 85 anos.

Rod e Tippi Hedren, no clássico Os Pássaros, de Hitchcock
"Rod foi um grande amigo e um enorme apoio. Éramos muito, muito bons amigos", disse Tippi Hedren, que atuou com ele em "Os Pássaros". "Era uma das pessoas mais divertidas que já conheci, tinha classe, tudo era bom neste homem", recordou. 

Rod no clássico de ficção A Máquina do Tempo
Com Doris Day: A Espiã de Calcinha de Rendas
Como o Primeiro-Ministro Winston Churchill, em Bastardos Inglórios, de Tarantino, em 2010
Em 2010, Taylor representou o primeiro-ministro britânico Winston Churchill em "Bastardos Inglórios", o filme de Quentin Tarantino sobre a Segunda Guerra Mundial, papel que lhe deu o prêmio do Sindicato dos Atores. O astro estava rodeado de amigos e familiares quando morreu e deixou a mulher, Carol, e sua filha, Felicia, "Meu pai adorava o seu trabalho. Ser ator foi sua paixão, o que ele chamava de uma arte nobre e algo que não podia viver sem", lembrou a filha, ex-correspondente da CNN, em um comunicado. "Uma vez ele disse: 'Eu sou um estudante pobre sentado aos pés de gigantes, ansiando por sua sabedoria e implorando por lições que poderia um dia me fazer um artista completo, de modo que, se tudo correr bem, eu poderei um dia me sentar ao lado deles'", completou ela. Rod, nascido a 11 de janeiro de 1930, foi astro de inúmeros filmes de ação e western, e participou de séries televisivas, como O CARRO DA MORTE, no início da década de 1970.


ANITA EKBERG
(1931-2015)

A atriz sueca Anita Ekberg, imortalizada por Federico Fellini no filme "A doce vida" (1960), morreu dia 11 de janeiro em Roma, aos 83 anos, confirmou a sua advogada, Patrizia Ubaldi, acrescentando que a artista havia sido hospitalizada após o Natal por conta de uma "série de doenças". Segundo site do jornal "La Repubblica", Anita estava internada em Rocca di Papa, na província da capital italiana. Em "A doce vida", no qual atuou ao lado de Marcello Mastroianni, ela protagonizou a icônica cena em que se banha na Fontana di Trevi. A sequência se transformou numa das mais famosas da história do cinema. Por causa disso, ela também recebeu a alcunha de “deusa do sexo”.

O Clássico A Doce Vida, o filme que consagrou Anita, com Marcello Mastroianni
Filha de médico, Kerstin Anita Marianne Ekberg nasceu a 29 de setembro de 1931 em Malmö, em uma família de oito filhos.  Eleita Miss Suécia 1950, foi para os Estados Unidos participar do Miss Universo. Não venceu, mas ganhou um convite do ator John Wayne para um de seus primeiros papéis no cinema, em "Rota sangrenta" (1955). Em Hollywood, a eterna sex symbol fez filmes como "Guerra e paz" (1956) e "Artistas e modelos" (1955), a dupla Dean Martin e Jerry Lewis. Em 1956, venceu um Globo de Ouro na categoria atriz mais promissora. Seu último trabalho foi na série italiana "Il bello delle donne" (2001–2003).

Anita Ekberg em 2011
Anita manteve uma relação problemática com a Suécia. Ela nunca chegou a atuar numa produção sueca, e era frequentemente criticada pela imprensa local por ter deixado o país.
Ela foi casa com o ator britânico Anthony Steen de 1956 a 1959. Em 1963, casou-se com o ator Rik Van Nutter. Divorciou-se dele em 1975.



Fora das telas, seus romances - entre eles com Errol Flynn, Rod Taylor, e Frank Sinatra -- também eram perseguidos pelos paparazzi, termo criado por Fellini no filme. Após o impacto de "A Doce Vida", Anita participou de outros filmes de Fellini, como o segmento que o italiano dirige em "Bocaccio 70", "Os Palhaços" e "Entrevista". Após a década de 70, se afastou um pouco da atuação. Nos últimos anos de vida, fez papéis em filmes e séries italianas. A atriz foi sepultada na Suécia.

domingo, 10 de fevereiro de 2013

Aventuras das "Mil e Uma Noites" no Cinema Antigo.


Que tal iniciarmos o presente tópico com esta marchinha de carnaval?

Allah-lá-ô, ô ô ô ô ô ô
Mas que calor, ô ô ô ô ô ô
Atravessamos o deserto do Saara
O sol estava quente
Queimou a nossa cara

Viemos do Egito
E muitas vezes
Nós tivemos que rezar
Allah! allah! allah, meu bom allah!
Mande água pra ioiô
Mande água pra iaiá
Allah! meu bom allah

Ao palpitar esta presente matéria, me lembrei desta marchinha de Haroldo Lobo (1910-1965) e Antonio Nassará (1910-1996), e fiquei a visualizar na mente os antigos filmes das mil e uma noites e Ali Babá. Confesso que não sou um perito neste estilo de fita, mas na infância assisti a muitos destes na TV quando a Sessão da Tarde era de qualidade e bom gosto (isso há até 20 anos atrás). Mas como recordar é Reviver, vamos revisitar algumas obras do gênero.



    ALI BABA E OS 40 LADRÕES (1944)

Quando eram pequenos, o príncipe Ali, filho do Califa de Bagdad (Moroni Olsen, 1889-1984) e Amara (Maria Montez, atriz prematuramente falecida em 1951, aos 39 anos, afogada acidentalmente em uma banheira) fazem juras de amor eterno. O exército mongol arrasa a cidade com a ajuda do príncipe Cassin (Frank Puglia, 1892-1975), pai de Amara. O jovem Ali consegue escapar refugiando-se numa gruta mágica onde uns ladrões guardam as riquezas que vão roubando. Integrado no bando, Ali (Jon Hall, 1915-1979) cresce e dispõem-se a vingar a morte dos seus, ao mesmo tempo que procura recuperar a sua amada Amara (Maria Montez) e devolver a liberdade ao seu povo. Dirigido por Arthur Lubin (1898-1995)



      AS MIL E UMA NOITES (1942)

A dançarina Sherazade (Maria Montez, 1912-1951) sonha em se tornar a esposa do califa Haroun (Jon Hall, 1915-1979). Ingênua, ela conta seu desejo ao irmão do califa, Kamar (Leif Erickson, 1911-1986), que logo depois realiza um golpe de estado e assume o poder. Haroun fica ferido e acaba sendo cuidado por Sherazade. Os dois se apaixonam. Mas ela é capturada por Kamar e vendida como escrava. Agora o califa Haroun precisa encontrar Sherazade e criar um plano para recuperar o poder. Dirigido por John Rawlins (1902-1997).


   SIMBAD O MARUJO (1947)

Simbad (Douglas Fairbanks Jr., 1909-2000) é um contador de histórias que tece grandes aventuras sobre si mesmo. Se elas são verdadeiras ou não, ninguém sabe. Em sua oitava peripécia, ele conta sobre o que aconteceu num navio, durante uma viagem diferente e misteriosa. Num dia muito especial, um mapa do tesouro que mostra o caminho para as riquezas de Alexandre, O Grande, desaparece sem deixar pistas. Os suspeitos são, a bela Shireen (Maureen O’ Hara, ainda vivíssima, graças à Deus!!!), a mulher que roubou o coração de Simbad, o diabólico Amir, obcecado pelo valioso artefato, e o mortal Melik, que fará de tudo para chegar ao tesouro, inclusive dar cabo da vida de quem o atrapalhar. Uma viagem perigosa para onde acreditam estar escondida uma das grandes riquezas deixadas pelo maior general da antiguidade. Dirigido por Richard Wallace (1894-1951).


    AS AVENTURAS DE HAJJI BABA (1954)

O galã John Derek (1926-1998) interpreta um príncipe árabe que lhe é dado a missão de escoltar a bela princesa Fakzia (Elaine Stewart, 1930-2011) através de um deserto para seu casamento. Hajji faz aposta com um amigo de que ele terá sucesso em seduzi-la até o final da viagem, até que é capturado pelos ladrões, que por sua vez são capturados por um grupo de amazonas renegadas. Dirigido por Don Weiss (1922-2000)


   O FILHO DE ALI BABÁ (1952)

A história de um príncipe persa, Kashma Baba (Tony Curtis, 1925-2010), filho do famoso Ali Baba, que desafiou a raiva das hordas do Califa, pelos lábios de uma bela mulher. Ele nasceu como um príncipe, mas viveu como um vagabundo. Dirigido por Kurt Neumann (1908–1958).



 A PRINCESA DO NILO (1954)

No Egito de 1249, após sair vitorioso de uma guerra, o Principe Hayde (Jeffrey Hunter, 1926-1969) volta à cidade de Hal-Wan, nas margens do Rio Nilo, para ajudar uma dançarina, Taura (Debra Paget, vivíssima), que na verdade é a Princesa Shalimar, a combater o despótico beduíno Rhama Khan (Michael Rennie, 1909-1971). Direção: Harmon Jones (1911-1972), que mais tarde iria para a TV, onde dirigiu episódios de séries como Tarzan, com Ron Ely, e Terra de Gigantes.


 HOMENS DO DESERTO (1951)

O sargento Mike Kincard (Burt Lancaster, 1913-1994) descobre através de um prisioneiro que o vilão Hussin (Gerald Mohr, 1914–1968) planeja um ataque ao forte de Tarfa. O sargento que faz parte da legião Estrangeira resolve se juntar a nove legendários para impedir o ataque do vilão. Os legionários acabam se envolvendo com odaliscas dos haréns do Saara. Direção de Willis Goldbeck (1898–1979).


           MULHER SATÂNICA (A MULHER COBRA) – (1944)

No dia de seu casamento, a bela Tollea é raptada e levada para a Ilha da Cobra, a fim de substituir no poder sua irmã má e sanguinária, Naja. Mas seu noivo e um jovem amigo vão tentar resgatá-la. Dirigido por Robert Siodmak (1900-1973).

Análise de Rubens Ewald Filho: Fantasia em Technicolor da Universal, exibido originalmente no Brasil como "Mulher Satânica", é hoje um pequeno cult do cinema 'camp', reunindo o casal romântico dos filmes das Mil e Uma Noites Maria Montez (1912-51) e Jon Hall (1915-79), mais o indiano Sabu (1924-63). É um delicioso delírio como só se fazia a sério naquela época, com Montez canastrona como sempre e sua inaptidão para dançar sensualmente que chega a ser cômica. Na trama, ela faz papel duplo, a meiga Tollea e sua irmã gêmea Naja, a cruel sacerdotisa da Ilha da Cobra. Lon Chaney Jr. (1906-73), em um intervalo dos filmes de Drácula, Frankenstein e Lobisomem, é o mudo que rapta Tollea, a mando da velha rainha (Mary Nash), para substituir sua pérfida irmã no poder. Há uma cobra sagrada, um chimpanzé amestrado, sacrifícios humanos e, no clímax, um vulcão em erupção. Ou seja, é um daqueles filmes divertidos de se ver pela total falta de vergonha de ser excessivo e kitsch. A cópia excelente ajuda. O diretor Siodmak (1900-73) seria depois imortalizado como um dos grandes nomes do cinema noir.


      A VÊNUS DE BAGDÁ (ou PRÍNCIPE DE BAGDÁ) – (1953)

Antar (Victor Mature, 1913-1999) é enviado para Bagdá por Suleiman (Guy Rolfe, 1911-2003), dirigente do Império Otomano, para prevenir Hammam, o paxá de Bagdá, de adquirir os serviços do líder local Mustapha, que deverá unir as tribos e derrubar o imperador. Há muitas intrigas e a paixão de Antar pela dançarina Selima (Mari Blanchard, 1923-1970). Dirigido por George Sherman (1908-1991).


O FILHO DE SIMBAD (1955)

Simbad (Dale Robertson, ainda vivo) é prisioneiro do Califa, mas pode ganhar sua liberdade desde que faça um trabalho para ele. Só assim Simbad poderá salvar Bagdá das forças do terrível Tamarlane. Kim Novak faz uma ponta. Direção: Ted Tetzlaff (1903–1995).