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sábado, 20 de dezembro de 2014

Revisitando "Os Dez Mandamentos", o esplendor de um clássico bíblico do mestre De Mille.


Uma revisita a grande obra prima de Cecil B. De Mille, realizada há  mais de 60 anos, que de fato, levou multidões as salas de cinema em todo mundo.

OS DEZ MANDAMENTOS (1956)
Uma das maiores superproduções da Sétima Arte dirigida por um dos grandes cineastas do século XX, ganhadora do Oscar de efeitos especiais, e com direito a curiosidades nunca antes reveladas.

Por Paulo Telles
“Um outro filme...ou outro mundo.”

Cecil B. DeMille
O diretor Cecil B. DeMille (1881-1959)
Por que gosto de filmar dramas bíblicos? Bom, a Bíblia sempre foi um Best Seller ao longo dos séculos, logo, por que eu iria desperdiçar dois mil anos de publicidade gratuíta?” – de fato, Cecil B. DeMille (1881-1959) não estava blefando quando divulgou isso em suas memórias. Seu último grande espetáculo épico, OS DEZ MANDAMENTOS (The Ten Commandments), em 1956, arrecadou somente nas bilheterias americanas 43 milhões de dólares.

A Primeira versão de OS DEZ MANDAMENTOS, dirigida pelo mesmo cineasta CECIL B. DeMILLE, em 1923
É correto dizer que com o cinema de Cecil B. De Mille, a Sétima Arte descobriu como a fé além de remover montanhas, também poderia produzir o milagre da multiplicação de renda. Em verdade, o mesmo diretor em 1923 já havia produzido e dirigido a mesma saga da libertação dos hebreus rumo a Terra Prometida, com Theodore Roberts (1861-1928) no papel de Moisés. Entretanto, esta versão era mais voltada para o tema moral do título, tanto que é dividida em duas partes: um prólogo contando brevemente a história de Moisés, desde as pragas do Egito, a morte do primogênito do Faraó, até o recebimento das Tábuas da Lei, e tudo isso num espaço de uma hora de filme; e um conto moral nos tempos contemporâneos, uma parábola sobre o bem e o mal, personificado por dois irmãos, numa clara alusão de Caim e Abel da Bíblia.


DeMille entrou para a História como sinônimo de espetáculo no sentido literal da palavra. Há muito, o cineasta sonhava em realizar o remake de Os Dez Mandamentos de maneira esplendorosa, mas para isso, precisava de ajuda dos executivos da própria Paramount, estúdio este que o próprio diretor ajudara a fundar. Um belo dia, DeMille se dirigiu à mesa dos “cartolas” da Paramount, e disse: “Vejam bem, eu faço o que me pedem durante anos. Já trouxe boa bilheteria para esta empresa, e agora é minha vez de vocês me ajudarem. Vou fazer um novo filme sobre os Dez Mandamentos e será filmado no Egito, e não sei quanto vai custar, mas quero que me deem cada centavo a investir ou nunca mais faço um filme para este estúdio”.



E novamente, o veterano cineasta não estava blefando. Cumprido o trato por parte da Paramount, DeMille começou a por mãos na massa, superando seus habituais excessos. Tornou-se o filme mais caro da história da Paramount, custando 13,5 milhões de dólares, mas acabou se tornando o maior êxito comercial do estúdio, que faturou 43 milhões de dólares só no mercado norte-americano.


Tornou-se também o mais longo filme da carreira de DeMille, 220 minutos (a versão de 1923 tinha 136 minutos), e o último de sua longa trajetória. E de quebra, o remake concorreu a sete Oscars (inclusive de melhor filme), mas acabou somente ganhando por efeitos especiais, obra do competente John P. Fulton (1902-1966), que curiosamente, já havia colaborado com  DeMille na versão de 1923, onde repetiu com os mais modernos efeitos especiais possíveis para 1956 a proeza de dividir o Mar Vermelho para que o grande líder Moisés (Charlton Heston) pudesse escapar com seu povo do exército do faraó Ramsés (Yul Brynner, 1915-1985) e atingir o Monte Sinai.



No seu “canto de cisne”, Cecil B. DeMille, contando com mais de 70 anos de idade, investiu em uma grande aventura ao ingressar pelos escaldantes desertos do Egito e escalar montanhas com seu superelenco e seus 25 mil extras. Durante a filmagem de uma das cenas no deserto, o cineasta sofreu um enfarte, mas não largou a produção. Em verdade, foi o sucesso de outro espetáculo bíblico do diretor, Sansão e Dalila, realizado em 1949 que motivou DeMille a uma remontagem da saga de Moisés.



Charlton Heston, sua esposa Lydia, e o pequeno Fraser, filho do ator, brincando com Cecil B. DeMille.
A primeira escolha para interpretar Moisés na segunda versão de DeMille foi o astro cowboy William Boyd (1895-1972), velho amigo do diretor e famoso por ser o destemido herói cowboy Hopalong Cassidy em dezenas de faroestes B das décadas de 1930 a 1950, entretanto ele recusou. Logo, veio a ideia do diretor em escolher um jovem e promissor ator com quem trabalhara dois anos antes, em um outro espetáculo que rendeu a ele não somente boa bilheteria, mas também o Oscar de melhor filme de 1952: O Maior Espetáculo da Terra (The Greatest Show on Earth). Este jovem era Charlton Heston, no esplendor de sua forma física aos 30 anos, casado e com um filho recém-nascido (que fez participação no filme como sendo o "bebê Moisés" encontrado pela filha do faraó, e que se tornaria o diretor Fraser Clark Heston). Além disso, Heston já era um ator contratado pela Paramount.


DeMille e o compositor ELMER BERNSTEIN
Inicialmente, o responsável pela trilha sonora de Os Dez Mandamentos seria Victor Young (1899-1956), que trabalhava com Cecil B. DeMille desde 1940, e para ele, compôs a bela trilha de Sansão e Dalila, em 1949. Entretanto, Young não pôde aceitar o convite para este novo trabalho, por motivos de saúde (pouco tempo depois, ele morreria por problemas de um acidente vascular cerebral), o que abriu espaço para a contratação do jovem Elmer Bernstein (1922-2004), que ficaria célebre em muitas outras composições para a Sétima Arte.



CHARLTON HESTON é MOISÉS

DeMille e sua equipe fez um estrondoso trabalho de estudo e pesquisa para a elevação desta obra cinematográfica, pois foram analisados 1.900 livros, colecionando 3.000 fotos, além de pesquisas em mais de 30 bibliotecas nos Estados Unidos, Europa, África e Austrália. DeMille ainda visitou o Vaticano para algumas pesquisas e avistou a famosa estátua de Moisés, de autoria de Michelangelo. Ele viu uma ligeira semelhança entre a famosa escultura renascentista com a fisionomia do ator Charlton Heston, e de fato, chega a ser verdadeiramente impressionante.


O Príncipe Moisés (Heston) e seu irmão adotivo, e inimigo, o Príncipe Ramsés (Yul Brynner)
Teste de visual de Heston para compor Moisés em sua fase de Príncipe do Egito. DeMille sugeriu que fosse raspada a cabeça do ator conforme a cultura egípcia, contudo não foi avante.
"Chuck" levantando seu filho Fraser, que se prepara para viver o bebê Moisés aos três meses de idade
Rodado no Egito e em estúdios de Paris e Hollywood, a também no México, as filmagens começaram em outubro de 1954 no Sinai e a montagem consumiu nove meses. Só um ano foi à preparação do roteiro, escrito a seis mãos. O fotógrafo Lloyal Griggs (1906-1978), o mesmo de Shane (Os Brutos Também Amam, de George Stevens, 1953), movimentou quatro câmeras Panavision frente a doze mil extras para a sequência do Êxodo. Além disso, foram usados doze estúdios em Paris e outros dezoito em Hollywood antes que todo filme rodado ainda ficasse nove meses nas salas de montagem até que pudesse estrear, enfim, a 5 de outubro de 1956, nos Estados Unidos.
A Noite de Estreia de OS DEZ MANDAMENTOS, em outubro de 1956- Charlton Heston e Cecil B. DeMille recepcionam Clark Gable e Senhora.
CECIL B. DeMille junto a seus dois astros principais: Yul Brynner e Charlton Heston.
SAL MINEO visita Yul Brynner no set de filmagem, em Hollywood
OS DEZ MANDAMENTOS foi uma ocasião de grande evento em seu lançamento nos Estados Unidos. Os jornalistas ansiosos e extasiados perante tal monumento a cinematografia mundial logo perguntaram a DeMille qual seria seu próximo projeto. O diretor, de 75 anos de idade, respondeu: “Um outro filme...ou outro mundo!”.

Debra Paget e um..."extra"
DONALD O' CONNOR visita Charlton Heston durante as filmagens em Hollywood
John Derek e Charlton Heston, malhando num academia aos fundos do estúdio em Hollywood, durante as filmagens.
De fato, De Mille projetava em 1958 realizar o remake de um de seus grandes sucessos, Lafite, o Corsário (1938, com Fredric March), mas problemas cardíacos impediram-no de prosseguir, entregando a direção da refilmagem ao seu então genro, o ator Anthony Quinn.  Cecil B. DeMille morreria a 21 de janeiro de 1959, aos 77 anos de idade, e sua história mesmo se confunde com a própria origem do cinema.


Moisés (Charlton Heston) ainda na côrte egípcia
Ramsés, já como o Faraó, numa brilhante e imortal atuação de Yul Brynner
Este grande espetáculo se inicia quando o Faraó Ramsés I (Ian Keith, 1899-1960), ordena a matança dos meninos recém-nascidos para evitar o nascimento de um libertador. Uma mulher, Yochabel (Martha Scott, 1912-2003) salva seu filho que é adotado pela irmã do faraó, Bitiah (Nina Foch, 1924-2008), e cresce como herdeiro do trono.


Sentado, o faraó Sethi (Sir Cedric Hardwicke) observa os filhos em competição.
Sephora (Yvonne DeCarlo), a esposa de Moisés
Moisés e seu sogro, o pastor e sacerdote Jethro (Eduard Franz)
Moisés enfrenta Ramsés
Torna-se este menino Moisés (Charlton Heston), braço-direito de Sethi (Cedric Hardwicke, 1893-1964), enciumando o filho legítimo deste, Ramsés (Yul Brynner, em um desempenho fantástico). Descoberta sua origem hebraica graças às conspirações de Ramsés, Moisés é banido da corte. Casa-se com Séphora (Yvonne De Carlo, 1922-2007), filha do pastor Jethro (Eduard Franz, 1902-1983). Anos depois, Moisés recebe do Sinai a missão divina de voltar ao Egito e libertar o povo hebreu da escravidão.

A Rainha Nefretiri e o Faraó Ramsés

Moisés, o Legislador
H. B. Warner
A Abertura do Mar Vermelho - Oscar de efeitos especiais
Apesar de todas as excentricidades, DeMille era generoso com colegas e amigos de profissão, e chamou muitos deles para participar da refilmagem de seu filme, como a atriz Julia Faye (1893-1966), que participou na primeira versão no papel desempenhado por Anne Baxter  na segunda – como também o ator H.B.Warner (1876-1958), que desponta em seu último filme. Warner interpreta um senhor de idade que pede para morrer durante a sequência do êxodo dos hebreus pelo deserto. Ele foi o Cristo de O Rei dos Reis (The King of Kings), outra obra do cineasta realizada em 1926.

Edward G. Robinson é Dathan, o vilanesco renegado hebreu
Nefretiri (Anne Baxter) - apaixonada por Moisés
Josué (John Derek) e sua amada Liliam (Debra Paget)
Vincent Price é Baka, engenheiro egípcio, morto por Moisés
Woody Strode, como o Rei da Etiópia
Elenco all-star em que despontam ainda Edward G. Robinson (1893-1973) como o renegado Dathan; Vincent Price (1911-1993) como Baka, que é morto por Moisés; Anne Baxter (1923-1985) como a Rainha Nefretiri; John Derek (1924-1998), no papel de Josué;  Debra Paget, como Liliam, esposa de Josué; A Dama do Teatro americano Judith Anderson (1897- 1972), como Memnet; John Carradine (1906-1988) como o irmão de Moisés, Aaron; Douglass Drumbille (1889-1974) como o sacerdote egípcio Jannes; e Olive Deering (1918-1986) no papel de Miriam, irmã de Moisés. Detalhes para as participações de Woody Strode (1914-1994, este em dois papéis, um como o Rei da Etiópia e outro como um escravo), Robert Vaughn e Clint Walker.

Dathan pronto a sacrificar Liliam no "Bezerro de Ouro"
Anúncio de OS DEZ MANDAMENTOS num jornal carioca
No Brasil, OS DEZ MANDAMENTOS ficou em cartaz por quase 20 anos seguidos em salas de cinema por todo o Brasil (estreou no Brasil a 4 de janeiro de 1957 e em 1983 foi exibido no extinto Cine Vitória, no centro do Rio de janeiro), sempre em reprises nas épocas de Semana Santa, Páscoa ou Natal. Uma fita eletrizante que chama a atenção até os dias de hoje, graças ao esplendor de um grande cineasta, um roteiro inteligente, e um elenco que celebra o glamour da época dourada de Hollywood.


Ficha tecnicA

OS DEZ MANDAMENTOS 
(The Ten Commandments)

Pais: Estados Unidos

Ano: 1956

Gênero: Épico Bíblico

Direção: Cecil B. DeMille

Roteiro: Aeneas MacKenzie, Jesse Lasky Jr., Jack Gariss, Fredric Frank

Produção: Cecil B. DeMille, para a Paramount Pictures

Música: Elmer Bernstein

Coreografia: LeRoy Prinz, Ruth Godfrey

Fotografia: Loyal Griggs

Edição: Anne Bauchens

Direção de Arte: Hal Pereira, Walter H. Tyler, Albert Nozaki

Guarda-Roupa: Edith Head, Charles Davies e outros

Maquiagem:  Wally Westmore, Frank McCoy, Frank Westmore

Efeitos Sonoros:  Harry Lindgren, Gene Garvin, Louis Mesenkop

Efeitos Especiais: William Sapp, Charles Davies e outros

Efeitos Visuais: Farciot Edouart, John P. Fulton

ELENCO
Charlton Heston - Moisés
Yul Brynner - Ramsés II
Anne Baxter - Nefretiri
Edward G. Robinson - Datã
Yvonne De Carlo - Séfora, filha de Jetro e esposa de Moisés
Debra Paget - Lilia
John Derek - Josué
Cedric Hardwicke - Seth
John Carradine - Aarão, irmão de Moisés
Nina Foch - Bítia, filha do faraó que adota Moisés
Martha Scott - Jocabed, mãe de Moisés e Aarão
Judith Anderson - Memnet, serva de Bítia
Vincent Price - Baka
Olive Deering - Miriam, filha de Jocabed
Eduard Franz - Jetro, sogro de Moisés
Lisa Mitchell - Filha de Jetro
Noelle Williams - Filha de Jetro
Joanna Merlin - Filha de Jetro
Pat Richard - Filha de Jetro
Tommy Duran - Gershom
Ian Keith - Ramsés I
Woody Strode - Rei da Etiópia/escravo
Donald Curtis - Mered
Lawrence Dobkin - Caleb
H.B. Warner - Aminadab
Julia Faye- Elisheba
Kathy Garver- Raquel
Francis McDonald – Simão
Douglass Dumbrille - Jannes
Henry Wilcoxon - Pentaur
Frank Wilcox - Wazir
Robert Vaughn - Hebreu
Frank DeKova - Abiron
Paul De Rolf - Eleazar
Ramsay Hill - Korah
PREMIOS

Academia de Artes Cinematográficas de Hollywood.

Oscar de Melhores Efeitos Especiais
  
INDICAÇÕES

Academia de Artes Cinematográficas de Hollywood, EUA

Oscar de Melhor Fotografia

Oscar de Melhor Filme

Oscar de Melhor Direção de Arte

Oscar de Melhor Edição

Oscar de Melhor Figurino

Oscar de Melhor Gravação de Som

Prêmios Globo de Ouro, EUA

Prêmio de Melhor Ator em um Drama 
(Charlton Heston)
  
Círculo dos Críticos de Cinema de Nova York, EUA

Distribuído pela PARAMOUNT PICTURES- a Marca das Estrelas.

Paulo Telles
Produção e Pesquisa
Revisto em 2 de outubro de 2018

sábado, 29 de novembro de 2014

A Vida e a Obra de Hedy Lamarr


Hedy Lamarr (1914-2000) foi uma das atrizes mais belas de sua época, sobretudo famosa após seu desempenho no clássico épico bíblico de Cecil B. De Mille Sansão e Dalila, em 1949, no papel da sensual traiçoeira Dalila. Embora uma atriz de talentos limitados (mas carismática), ela foi um símbolo cinematográfico de seu tempo, mas o que poucos ainda sabem que, além de bela, era também uma mulher inteligente, pois inventou um recurso que possibilitou o invento do telefone celular, e por isso, ela é considerada a “mãe da telefonia celular”. Vamos conhecer um pouco da trajetória da bela Hedy, que completou seu centenário de nascimento no ano de 2014. 


Por Paulo Telles.

Hedy Lamarr, cujo verdadeiro nome era Hedvig Eva Maria Kiesler, nasceu em Viena a 9 de novembro de 1914, na Áustria, filha de pais judeus. A mãe, Gertrud  era uma pianista de Budapeste, vinda de uma família burguesa, e o pai Emil Kiesler, um rico banqueiro. Educada nos teores da arte, Hedy estudou bale e piano até os 10 anos de idade.

Hedy aos 9 anos

O interesse de Hedy pela ciência começou na mais tenra idade quando ela, ainda menina,  acompanhava o pai em longas caminhadas, absorvendo explicações sobre como funcionavam prensas de impressão, bondes e outras maravilhas modernas. Mas, em vez de seguir uma carreira técnica ou mesmo ser uma cientista de renome, Hedy preferiu ser atriz.


Lamarr estudou teatro em Berlim com o diretor Max Reinhardt  (1873-1943).  No cinema, usando o nome Hedy Kiesler, estreou em 1930 com o filme alemão Geld auf der Straße. Max Reinhardt considerou Hedy a "mais bela mulher da Europa". Durante a adolescência, Hedy fez diversos papéis em filmes alemães, ao lado de atores como Heinz Rühmann e Hans Moser.


Em agosto de 1933, Hedy casou com Friedrich Mandl, um vienense fabricante de armas 13 anos mais velho, com o qual ficou casada durante 4 anos. Em sua autobiografia, Ecstasy and Me, de 1966, Lamarr descreveu Mandl como um homem extremamente controlador, que tentava mantê-la trancada em sua mansão e com uma ridícula empregada tomando conta da atriz.



Em 1933, ano de seu casamento com Mandi, que Hedy protagonizou seu primeiro filme importante e o mais polêmico de sua carreira: Extase/Ecstasy, dirigido por Gustav Machaty (1901-1963), uma co-produção tcheco-austríaca, filme que chamou a atenção do mundo ao aparecer nua e simulando um orgasmo.  Esse verdadeiro escândalo fez com que seu marido a espancasse, e este gastou mais de US$ 300 mil na tentativa de comprar todas as cópias do filme a fim de incinerá-las, uma tentativa infrutífera e sem sucesso, visto que várias cópias desta película circulam até os nossos dias.  Na época, o casal morava no famoso Castelo de Salzburg onde, anos mais tarde, o filme A Noviça Rebelde foi rodado.

De fato, o filme foi banido na América e várias cópias foram queimadas. Porém a carreira de Hedy Lamarr deslanchou, mas com um atraso de alguns anos.


Lamarr frequentava os encontros técnicos de seu marido e, possuindo aptidão à  matemática, acabou por aprender os princípios de tecnologia militar, principalmente no que dizia respeito ao interesse de seu marido: controlar torpedos por ondas de rádio. Como Mandl era simpatizante do nazi-fascismo (Hitler e Mussolini costumavam frequentar suas festas) e Hedy era de descendência judia (curiosamente Mandl também era), então só lhe restava uma opção: fugir da Áustria. De acordo com sua autobiografia em 1966, em 1937 a atriz persuadiu Mandl a autorizá-la a comparecer a uma festa usando todas as suas joias, depois o drogou e, em seguida também dopou a empregada que costumava vigia-la, roubando suas roupas e assumindo sua indentidade, escapando do país levando consigo as valiosas joias que ganhara do então marido.


FRUTO PROIBÍDO, 1940- Hedy ao lado de Spencer Tracy, Claudette Colbert, e Clark Gable
Fugindo do marido nazista, ciumento e possessivo, fuga de aspectos aventurescos se diga de passagem, ela parte para Paris. Na capital francesa, Hedy não tinha muitas opções, já que ela era judia e não muito tempo depois, a Áustria seria anexada à Alemanha, e não demoraria a eclodir a II Grande Guerra. Depois, Lamarr partiu para Londres, onde conheceu o lendário chefão da Metro Goldwyn Mayer, Louis B Mayer (1884-1957). Mayer chegou a ver o filme Extase, e convidou a inteligente atriz para um teste em Hollywood, onde mudou seu nome para Hedy Lamarr, em homenagem à estrela do cinema mudo Barbara La Marr (1896-1926), que morreu em 1926 de tuberculose.

Hedy com Charles Boyer e Sigrid Gurie: ARGÉLIA (1938)
Sensual: O DEMÔNIO DO CONGO (1942)
Com Robert Taylor: FLOR DOS TÓPICOS (1939)
Divorciada de Mandl em 1937, sua estreia em Hollywood deu-se no ano seguinte com o filme de John Cromwell (1887-1979), Argélia/Algiers, tendo como seu primeiro par romântico nas telas americanas Charles Boyer (1899-1978). Entre seus muitos filmes, destacam-se: Flor dos Tópicos/Lady of the Tropics, 1939, com Robert Taylor (1911-1969) e dirigido por Jack Conway; Fruto Proibido (ou Fruto Maldito na TV)/Boom Town (1940), de Jack Conway (1887-1952) ao lado de Clark Gable (1901-1960) e Spencer Tracy (1900-1967), Demônio do Congo/White Cargo (1942) de Richard Thorpe (1896-1991), e Boêmios Errantes/Tortilla Flat (1942) de Victor Fleming (1889-1949), ao lado novamente de Spencer Tracy, baseado no romance de John Steinbeck (1902-1968).

Com Spencer Tracy e John Garfield: BOÊMIOS ERRANTES (1942)
Ao lado de Judy Garland e Lana Turner: O MUNDO É UM TEATRO (1942)

DIVA DO AMOR E DA BELEZA
White Cargo/Demônio no Congo, um dos maiores sucessos de Lamarr na MGM, contém um de suas citações mais famosas: "I am Tondelayo". Em 1941, atuou ao lado de duas outras belas do cinema, Lana Turner (1920-1995) e Judy Garland (1922-1969) no musical O Mundo é um Teatro/Ziegfeld Girl. Hedy fez 18 filmes entre 1940 e 1949, apesar de ter tido dois filhos durante essa época (em 1945 e 1947). Lamarr deixou a Metro em 1945.


SANSÃO E DALILA – O ÁPICE DA FAMA COMO A ETERNA DALILA DAS TELAS.




O sucesso da bela atriz austríaca veio ao ápice em 1949 quando interpretou a sensual e traiçoeira personagem bíblica Dalila no espetacular épico de Cecil B DeMille (1881-1959) SANSÃO E DALILA/ Samson and Delilah. O fabuloso cineasta veterano gostou da personalidade de Hedy e a convidou para fazer um teste para o papel da perversa mulher que, mesmo apaixonada, trai o forte líder hebreu Sansão, vivido por Victor Mature (que não foi a primeira escolha do diretor para o papel, e sim Burt Lancaster, que recusou, seguido depois do recém-campeão de fisiculturismo Mr. América, Steve Reeves, mas segundo a Paramount, jovem demais para o papel). Acertada a escolha e aprovada no teste, Hedy Lamarr se entregou de corpo e alma a personagem, talvez numa das melhores e inesquecíveis atuações de sua carreira.




A Lux Radio Theatre, popular programa de rádio nos Estados Unidos dirigido e apresentado pelo próprio Cecil B. DeMille, onde transmitiam em versão radiofônica adaptações de grandes clássicos do cinema, transmite também uma adaptação de 60 minutos do seu famoso clássico bíblico, na segunda-feira, dia 19 de novembro de 1951, com Hedy Lamarr e Victor Mature (1913-1999) reprisando seus papéis como haviam feito nas telas. O Imortal Soundtrack de Victor Young (1899-1956) de fundo exuberante, é considerada uma das mais marcantes trilhas musicais para o cinema épico, em seu hino à Canção de Dalila. Sansão e Dalila custou aos cofres de Paramount US $ 3 milhões de dólares , arrecadando US $ 12 milhões brutos só no mercado interno, sendo o maior sucesso comercial do estúdio até aquele momento, só superado por Os Dez Mandamentos, também de DeMille, seis anos depois.


COM OS TRAÇOS DA BRANCA DE NEVE

Walt Disney (1901-1966) lançou em 1937 um dos primeiros grandes clássicos da animação, Branca de Neve e os Sete Anões, baseado no famoso conto dos irmãos Grimm. Para fazer os traços da bela Branca de Neve, Disney se inspirou na beleza de Hedy Lamarr. Recentemente, Anne Hathaway se inspirou também em Hedy para viver A Mulher Gato na mais recente adaptação de Batman para o cinema – Batman, o Cavaleiro das Trevas Ressurge, em 2013.


O DECLÍNIO CINEMATOGRÁFICO


Com Ray Milland no western O VALE DA AMBIÇÃO (1950)
Mesmo com o sucesso retumbante de Sansão e Dalila em 1949, papéis para a estonteante atriz ficavam escassos para o cinema. Ela só fez apenas seis filmes depois do monumental épico de DeMille, entre também outros trabalhos na TV, mas nenhum deles sem muita repercussão. Em 1953, Hedy Lamarr se naturalizou americana.


Como Joana D'Arc em A HISTÓRIA DA HUMANIDADE (1957)
NAUFRÁGIO DE UMA ILUSÃO, seu último filme, em 1958

Entre os filmes deste período de quase ostracismo são: O Vale da Ambicão/Cooper Cannyon, de 1950, faroeste dirigido por John Farrow (1904-1963), ao lado de Ray Milland (1905-1985); A Cigana me Enganou/My Favorite Spy, de 1951, dirigido por Norman Z. McLeod (1895-1964), fraca comédia estrelado também por Bob Hope (1903-2003); A História da Humanidade/The Story of Mankind, em 1957, curioso drama com requintes de ficção dirigido por Irwin Allen (1916-1991) onde Lamarr viveu Joana D’arc; e encerrou sua carreira no cinema com o melodrama Naufrágio de uma Ilusão/The Female Animal, em 1958, onde desempenhava justamente uma atriz decadente que tinha problemas com sua filha alcóolatra, vivida por Jane Powell. 

Hedy com seu filho e um dos maridos, o ator John Loder.
CASAMENTOS E ROMANCES

Hedy com sua filha Denise e seu marido Teddy Staufer.
Além de Fritz Mandl, de quem se divorciou em 1937, Hedy Lamarr casou-se ainda com Gene Markey (05/03/1939 a 03/10/1941), o ator John Loder (27/05/1943 a 17/07/1947), Teddy Stauffer (12/06/1951 a 1952), W. Howard Lee, um magnata do petróleo (22/12/1953 a 1960), e Lewis Bois (04/03/1963 a 21/06/1965).

Hedy com os filhos. Uma excelente mãe.
Hedy ainda teve um breve relacionamento com o ator alemão Fred Doederlein e, posteriormente, com o ator George Montgomery (1916-2000), em 1942.


HEDY E SUA INVENÇÃO

George Antheil
George Antheil (1900-1959) era um músico e inventor que havia ganho certa notoriedade ao experimentar o controle autômato de instrumentos musicais. Ele possuía conhecimentos gerais tão vastos que chegou a escrever um livro sobre endocrinologia. Ele e Hedy Lamarr se conheceram em torno de 1940, quando se tornaram vizinhos em Hollywood: Foi a parceria dos dois que deu origem ao invento que viria a revolucionar mais tarde a possibilidade de criar a telefonia celular e os recursos WI-FI. O curioso é que o que provocou o encontro dessas duas mentes criativas foi um motivo aparentemente fútil. De acordo com a autobiografia de Antheil, Bad Boy of Music, Hedy marcou um jantar depois de ter lido um de seus artigos sobre glândulas. A então considerada “a mulher mais bonita do mundo” estava preocupada com o tamanho dos seios, que não correspondiam ao padrão hollywoodiano.

Planta do projeto de invenção de Hedy e Antheil, em 1942
Durante as conversas, a atriz e o compositor descobriram que tinham outros interesses em comum. Ambos acompanharam de perto os horrores da guerra. George perdeu um irmão no conflito. Hedy, de origem judaica, ficou horrorizada com os ataques nazistas, principalmente quando um submarino alemão afundou um navio que transportava crianças refugiadas.

Hedy Lamarr, que a esta altura já detinha bons conhecimentos de física e eletrônica e tendo visto o trabalho de seu ex-marido, já havia bolado um método de “alternância de frequências” (frequence hooping) que consistia do seguinte: se o emissor e o receptor mudassem constantemente de frequência, somente eles poderiam se comunicar, sem serem interceptados pelo inimigo. Imagine sua estação de rádio mudando de posição constantemente e seu aparelho acompanhando a alternância. Você conseguiria ouvir a transmissão, mas outros rádios não teriam como sintonizar a estação, por não saber qual a posição certa no dial, até porque ela mudaria constantemente. Só havia um detalhe: como fazer isso?


Antheil abraçou o projeto por estar furioso com os nazistas: Hitler havia realizado uma caça à Musica Moderna, e sem ter onde trabalhar na Europa em guerra, ele refugiou-se nos Estados Unidos. A solução que ele trouxe veio justamente de Ballet Mécanique: a sincronização entre emissor e receptor seria feita exatamente como ele fez ao sincronizar 16 pianos no filme, usando rolos perfurados. Transpondo para os transmissores e receptores de rádio, e Antheil e Hedy desenvolveram uma técnica capaz de usar 88 frequências diferentes numa mesma transmissão, o mesmo número das teclas de um piano. A ideia recebeu o nome de “Sistema de Comunicação Secreta”. A versão inicial consistia na troca de 88 frequências e era feito para despistar radares, mas a ideia pareceu difícil de realizar na época.

O lado humano de Hedy, visitando uma criança num hospital durante a Guerra, junto com a atriz Susan Hayward, em 1942.
Hedy e George patentearam o invento em 1942, onde Lamarr assinou como Hedy Kiesler Markey, uma forma americana de seu verdadeiro nome austríaco, Hedivig Maria Kiesler, já prevendo que não seria levada a sério se usasse seu nome artístico de Hedy Lamarr. No caso, nem precisou, pois os militares não gostaram de um sistema adaptado de um instrumento musical, além de naquela época serem muito mais resistentes a mudanças. Frustados, Lamarr e Antheil passaram a usar sua fama para levantar fundos em prol da guerra.

O invento que revolucionaria o mundo
A patente ficou esquecida até 1957, quando engenheiros da Sylvania criaram um sistema usando o mesmo projeto, mas eletrônico ao invés de mecânico, passando a ser utilizada por tropas militares dos EUA em Cuba, quando a patente já havia expirado. A empresa Sylvania adaptou a invenção. Ficou desconhecida, ainda, até 1997, quando a Electronic Frontier Foundation deu a Hedy Lamarr um prêmio por sua contribuição.  


Em 1998, a Ottawa wireless technology desenvolveu Wi-LAN, Inc. adquirindo 49% da patente de Lamarr. George Antheil morrera em 1959. A ideia do aparelho de frequência de Lamarr e Antheil serviu de base para a moderna tecnologia de comunicação, tal como COFDM usada em conexões de Wi-Fi e CDMA usada em telefones celulares.


Apesar de ter patenteado a ideia de uma frequência que fosse variável no percurso entre emissor e receptor, Hedy Lamarr não ganhou dinheiro com isto. Somente em 1997 é que a atriz, aos 83 anos de idade, recebeu do Governo dos Estados Unidos menção honrosa "por abrir novos caminhos nas fronteiras da eletrônica".

ÚLTIMOS ANOS E RECONHECIMENTO


Em 1964, Hedy Lamarr recebeu um convite do diretor Robert Wise (1914-2005) para interpretar a Baronesa em A Noviça Rebelde/Sound of Music, entretanto, ela não aceitou e o papel acabou nas mãos de Eleanor Parker.


Em sua autobiografia publicada em 1966, Hedy Lamarr dizia que considerava sua beleza tão aclamada mundialmente como uma verdadeira maldição. No entanto, nesta época, pouco se sobrava da beleza de outrora, graças às muitas plásticas exageradas.

Uma rara foto de Hedy madura, em 1979. Resultado do excesso de plásticas que deterioram o rosto tão belo, talvez o mais perfeito do cinema
Tristemente ela foi presa duas vezes acusada de furto em lojas de conveniência: uma em janeiro de 1966, e absolvida da acusação, e outra em 1991, onde obteve um ano de liberdade condicional. Nos últimos anos de sua vida, a atriz tornou-se uma pessoa amargurada e solitária, apesar de ter tido três filhos de seus casamentos com Markey e Loder. Por sua contribuição para o cinema, Hedy Lamarr tem uma estrela na Calçada da Fama, no 6247 Hollywood Blvd.


Quando recebeu o prêmio por sua contribuição cientifica em 1997, Lamarr declarou:
O que que eu ganho com isso? Não tenho motivo para estar orgulhosa desse prêmio
Ao longo de sua carreira no cinema, Hedy Lamarr chegou a estrelar mais de 30 filmes. Costumava dizer que “qualquer garota pode ser glamourosa, basta ficar quieta e fazer cara de burra”. Apesar de tardio, o reconhecimento de sua invenção serviu para mostrar que por trás de todo aquele tipo físico e beleza impactante — que era o sinônimo da própria beleza — havia uma MENTE BRILHANTE.


Hedy Lamarr viveu seus últimos dias em Orlando, Florida, morrendo a 19 de janeiro de 2000, aos 85 anos de idade. Conforme seu expresso pedido, ela foi cremada e suas cinzas levadas para sua terra natal, Austria, sendo espalhadas na floresta Wienerwald pelo seu filho, conforme ainda seu desejo.


Hoje, a ideia de alternância de frequência serve como base na técnica moderna de comunicação por espalhamento espectral, que garante a confiabilidade dos dados. Essa técnica é usada hoje nos protocolos Bluetooth, Wi-Fi e CDMA. Portanto, toda vez que você fizer uma ligação, lembre-se: foi uma estrela de Hollywood que tornou isso possível.




Hedy Lamarr entrou para a história não só como uma grande estrela do cinema, mas como personagem importante na Ciência tanto quanto na arte. Ela deixou os livros científicos mais glamorosos, tão glamorosos como o próprio esplendor da Sétima Arte em que ela também se consagrou e deu sua importante contribuição.

Produção e pesquisa de

PAULO TELLES

A mais sensual e inesquecível DALILA das telas
FILMOGRAFIA
1-    Geldd auf der Straße (1930)
2-    Die Blumenfrau von Lindenau (1931)
3-    Die Koffer des Herrn O.F. (1931)
4-    Man braucht kein Geld

Looby Card de ÊXTASE (1933)
Poster de ARGÉLIA (1938)
5-    Êxtase/Ecstasy (1933)
6-    Argélia/Algiers (1938)


7-    Flor dos Tópicos/Lady of the Tropics (1939)
8-    A Mulher que eu Quero/ I Take This Woman (1940)
9-    Fruto Proíbido/Fruto Maldito (TV Brasileira)/Bown Town (1940)

Com Spencer Tracy: A MULHER QUE EU QUERO (1940)
10-Inimigo X/Comrade X (1940)
11-Pede-se um Marido/ Come Live with Me (1941)


12-O Mundo é um Teatro/Ziegfeld Girl (1941)
13-Sol de Outono/ H.M. Pulham, Esq (1941)
14-Boêmios Errantes/Tortilla Flat (1942)
15-Sua Excelência, o Réu/ Crossroads (1942)

Com John Hodiak: CONSPIRADORES (1944)
16-Demonio no Congo/White Cargo (1942)
17- Um Rival nas Alturas/ The Heavenly Body (1944)
18- Conspiradores/ The Conspirators (1944)
19- Idílio Perigoso/ Experiment Perilous (1944)
20- Sua Alteza e o Groom/ Her Highness and the Bellboy (1945)

INIMIGO X (1941), com Clark Gable
21- Flor do Mal/ The Strange Woman (1946)
22- Mulher Caluniada/ Dishonored Lady (1947)
23- Por Causa de um Beijo/ Let's Live a Little (1948)
24-Sansão e Dalila/Samson and Delilah (1949)

Poster espanhol de SANSÃO E DALILA (1949)
Hedy e Victor Mature, durante a exibição de SANSÃO E DALILA no Lux Radio theatre em 1950

25-A Mulher sem nome/ A Lady Without Passport (1950)
26-O Vale da Ambição/Cooper Cannyon (1950)

27-A Cigana me enganou/My Favorite Spy (1951)

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