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segunda-feira, 20 de maio de 2013

James Stewart, o Ator que Sabia Demais: Uma lenda eternamente viva em nossos corações.


Um dos maiores astros cinematográficos de todos os tempos, esteve em mais clássicos do Cinema Americano do que qualquer outro intérprete, só comparável a Gary Cooper.  Em seu quinto centenário, o Filmes Antigos Club Artigos presta uma homenagem a este amado e querido ator que deixa um legado esplendido na Sétima Arte: JAMES STEWART!

Artigo dedicado a amiga Ethel Maximo, fã de Jimmy.

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JAMES MAITLAND STEWART nasceu em Indiana, Pensylvania, a 20 de maio de 1908. Estudou arquitetura na Universidade de Princeton antes de se juntar ao grupo teatral dirigido por Joshua Logan, ao lado de Henry Fonda (1905-1982) e Margaret Sullavan (1909-1960), que ficaram seus amigos enquanto viveram. Depois de vários trabalhos nos palcos, foi contratado pela Metro Goldwyn mayer em 1935, ano que estreou nas telas em Entre a Honra e a lei/The Murder Man, estrelado por Spencer Tracy (1900-1967).

James Stewart e seu olhar frio em A COMÉDIA DOS ACUSADOS, de 1936
Entre outros papéis vividos por ele em seus dois primeiros anos no cinema, estão Rose Marie/Rose Marie de 1935, onde interpretava o irmão foragido da justiça de Jeannete MacDonald (1905-1965), e em A Comédia dos Acusados/After the Thin, de 1936, onde fazia o assassino desmascarado no final pelo casal de detetives William Powell (1892-1984) & Myrna Loy (1905-1983). Daí em diante, especializou-se em papéis românticos e de rapazes profundamente honestos, cheios de virtude e simplicidade.

Jimmy com Jean Arthur em DO MUNDO NADA SE LEVA, de
Frank Capra, 1938
Com Ginger Rogers: QUE PAPAI NÃO SAIBA.
A partir de 1938, a qualidade de seus filmes melhorou bastante como em Ingratidão/Of Human Hearts, de Clarence Brown (1890-1987), Que Papai não Saiba/Vivacious Lady, de George Stevens (1904-1975), em que Ginger Rogers (1911-1995) tem uma espetacular luta feminina com Frances Mercer (1915-200) por causa de Jimmy, O último beijo/The Shopworn Angel, de H. C. Porter, Do Mundo nada se Leva/You Can’t take It With You, primeiro dos três filmes que rodou com Frank Capra (1897-1991), que ganhou o Oscar de melhor filme e direção.

Com Claudete Colbert: FOLIA DE GELO (1939)
Em 1939, contracenou com grandes estrelas da época, como Carole Lombard (1908-1942), em Nascidos para Casar/Madefor Each Other); Joan Crawford (1908-1977) em Folia de Gelo/Ice Folies of 1939; e Claudete Colbert (1903-1996) em Que Mundo Maravilhoso/It’s a Wondeful World.

Sendo dirigido por Ernst Lubitsch, ao lado de Margaret Sullavan,
em A LOJA DA ESQUINA (1940)
Com Marlene Dietrich, em ATIRE A PRIMEIRA PEDRA (1939)
Jimmy em seu primeiro Western: ATIRE A PRIMEIRA PEDRA.
Não demorou, e logo Capra o chamou novamente para A MULHER FAZ O HOMEM/Mr. Smith Goes to Washington, ainda em 1939, num papel que estava destinado a Gary Coper e que lhe deu o Prêmio dos Críticos de Nova York e a primeira indicação ao Oscar, principalmente pelas cenas finais, quando discursa no Senado por horas a fio até desmaiar; e Atire a Primeira Pedra/Destry Rides Again, também de 1939, seu primeiro Western, dirigido por George Marshall (1891-1975), ao lado de Marlene Dietrich (1901-1992), que tem uma fabulosa luta de saloon com Uma Merkel (1903-1986).  Em 1940, vem A Loja da Esquina/The Shop Around The Corner, onde contracena com sua amiga Margaret Sullavan (que cometeria suicídio em 1960), e são muito bem dirigidos pelo grande Mestre e especialista em comédias de sofisticação Ernst Lubitsch (1892-1947). No mesmo ano, Stewart contracenaria novamente com Sullavan (e pela quarta vez), em Tempestades da Alma/The Mortal Storm, propaganda antinazista dirigida pelo competente Frank Borzage (1894-1962).

Triangulo com Cary Grant e Katharine Hepburn: NUPCIAS DE ESCÂNDALO, filme que lhe deu o Oscar em 1940
Os Campeões do Oscar de 1941: Ginger Rogers e James Stewart.
AINDA EM 1940, UM GRANDE SUCESSO: NÚPCIAS DE ESCÂNDALO/Philadelphia Story, de George Cukor (1899-1983), pelo qual Stewart ganhou o Oscar no papel do jornalista de revista de mexericos, papel este repetido por Frank Sinatra em 1957 na sua versão musical Alta Sociedade/High Society –onde atua com Cary Grant (1904-1986) e Katharine Hepburn (1908-1993) nos personagens vividos depois respectivamente por Bing Crosby e Grace Kelly.  Um Detalhe: A estatueta ganha por Stewart foi guardada durante muito tempo numa caixa de vidro na loja de ferragens de seu pai.

Jimmy com seu "melhor amigo".
MEU AMIGO HARVEY, em 1950
No mesmo ano, um papel na Broadway ajuda a solidificar sua personalidade cinematográfica: o de Elwood P. Dowd, em Harvey, que ele repetiria no cinema em MEU AMIGO HARVEY/Harvey, em 1950 (também repetiu este mesmo papel na televisão).

A mistura de sua fala mansa e arrastada e o desajeitamento físico conquistaram as plateias, fazendo do homem que se diz amigo de um enorme coelho branco, que ele chama de Harvey, e é um dos mais queridos personagens de Stewart.

O oficial americano James Stewart, sendo condecorado.
O piloto James Stewart, durante a Segunda Guerra
O General-Brigadeiro James Stewart, na década de 1960
EM 1941, três filmes sem importância, e depois veio a Guerra. James Stewart foi o primeiro astro de Hollywood a se alistar. Na Força Aérea, como piloto de bombardeiro, chegou ao posto de Coronel, sendo promovido em 1959 a General-Brigadeiro da Reserva.

A FELICIDADE NÃO SE COMPRA: Um dos filmes mais belos
do ator, ao lado de Donna Reed, em 1946.
James Stewart como o altruísta George Bailey: A FELICIDADE NÃO SE COMPRA - último filme dirigido com Frank Capra.
Com o fim da II Guerra, outra indicação ao Oscar, em 1946, com A FELICIDADE NÃO SE COMPRA/It’s a Wondeful Life, pela última vez dirigido por Frank Capra, novamente no típico estilo que consagrava a virtude do homem americano. James brilhou como o homem simples, cujo o suicídio é evitado por um anjo que lhe prova ser a sua vida importante para seus amigos e para seus admiradores. Um filme natalino visto até hoje, e em todos os anos em emissoras de TV durante a época de Natal em todo o mundo, e o filme predileto de Capra, que reunia a família todos os anos nesta época para assistir em sessões privadas na sua mansão. Em 1948, pôde contracenar com o amigo Henry Fonda no filme de episódios No Nosso Alegre Caminho/A Miracle Can Happen, reintitulado On Our Merry Way. Consta que o episódio de Stewart e Fonda foi dirigido, sem créditos, por George Stevens e John Huston. Sublíme Devoção/Call Northside 777, também de 1948, dirigido por Henry Hathaway (1898-1985), em que ele vive um repórter que luta para inocentar um homem preso há mais de 10 anos.


O MESTRE DO SUSPENSE Alfred Hitchcock conversa com Jimmy durante intervalo de FESTIM DIABÓLICO, 1948
Hitch orientando Jimmy, Farley Granger, e John Dall:
FESTIM DIABÓLICO.
Como um esportista em SANGUE DE CAMPEÃO (1949)
EM SEGUIDA, vem o primeiro encontro com Hitchcock na fascinante  experiência de câmera e montagem que foi FESTIM DIABÓLICO/The Rope, em 1948. 1949 foi marcado por seu casamento com Gloria H. Mclean, com quem teve as gêmeas Kelly e Judy. Sangue de Campeão/The Strattion Story, 1949, contracenando pela primeira vez com June Allyson (1917-2006), e Malaia/Malaya, ao lado de Spencer Tracy.

James Stewart, um dos grandes Man of The West no cinema
Ao lado de Millard Mitchell: WINCHESTER 73, em 1950
O primeiro dos cinco filmes que o ator realizou com
o diretor Anthony Mann.
Apontando a arma para Robert Ryan, sob as vistas de Millard Mitchell, Janet Leigh, e Ralph Bellamy:
O PREÇO DE UM HOMEM (1953), de Anthony Mann.
A DÉCADA DE 1950 foi a mais frutífera na carreira de Jimmy (como é carinhosamente chamado pelo público e amigos).  OITO FILMES com o diretor Anthony Mann (1906-1967), dentre as quais cinco ótimos Westerns: WINCHESTER 73/Whinchester 73, 1950; E o Sangue Semeou a Terra/Bend of The River/1952; O Preço de um Homem/The Naked Spur, 1953; Região do ódio/The Far Country, 1955; e Um Certo Capitão Lockhart/The Man From Laramie, 1955. James foi um dos mais vigorosos Man Of The West do cinema.

Magistral como Glenn Miller: MÚSICA E LÁGRIMAS (1954)
PARA ANTHONY MANN atuou no musical cine-biográfico de Glenn Miller (1904-1944), MÚSICA E LÁGRIMAS/The Glenn Miller Story/ em 1954.

JANELA INDISCRETA: com Grace Kelly
Com Doris Day: O HOMEM QUE SABIA DEMAIS
Jimmy se confrontando com as duas personalidades de
Kim Novak em UM CORPO QUE CAI

E AINDA Três realizações importantes para Alfred Hitchcock (1899-1980) : Janela Indiscreta/ Rear Window, 1954, uma homenagem ao cinema num excelente experiência de unidade espacial – O Homem que Sabia Demais/The Man Who Knew Too Much, 1956, refilmagem do Thriller inglês de 1934 do próprio Hitch; e Um Corpo que Cai/Vertigo, em 1958, talvez a maior obra-prima do Mestre do Suspense, onde o nobre Jimmy esta ao lado das três louras consideradas as típicas heroínas do cineasta – Grace Kelly (1928-1982), Doris Day, e Kim Novak respectivamente.

FLECHAS DE FOGO
Como um palhaço em O MAIOR ESPETÁCULO DA TERRA, de
Cecil B. DeMille
ALGUNS OUTROS TRABALHOS DO NOTÁVEL JIMMY: Flechas de Fogo/Broken Arrow, 1950, um dos primeiros Westerns em defesa dos índios, dirigido por Delmer Daves (1904-1977) e O Maior Espetáculo da Terra/Greatest Show on Earth, em 1952, onde interpreta um palhaço que nunca tira sua maquiagem ao fugir da lei, acusado de crime de eutanásia  tema raro nestes tempos. Obra que ganhou o Oscar de Melhor filme do ano e dirigido pelo notável e lendário Cecil B. DeMille (1881-1959).

O ÁGUIA SOLITÁRIA (1957)
A Águia Solitária/The Spirit of St Louis, 1957, biografia de Charles 'Slim' Lindbergh, dirigido por Billy Wilder (1906-2002), e o excelente ANATOMIA DE UM CRIME/Anatomy of a Murder, de 1959, de Otto Preminger (1905-1986), pelo qual ganhou mais uma indicação ao Oscar e os prêmios dos críticos de Nova York e do Festival de Veneza.

Socando John Wayne em O HOMEM QUE MATOU O FACÍNORA,
de John Ford, em 1962.
FOI SOMENTE em fins dos anos de 1950 que ocorreram seus encontros com John Ford (1895-1973), um de seus diretores preferidos e com quem mostraria uma faceta pouco mostrada em seus personagens anteriores – O CINISMO. Juntos fizeram Terra Bruta/Two Rode Togheter, em 1961, O Homem que Matou o Facínora/The Man who Sot Liberty Valance, em 1962, ao lado de John Wayne (1907-1979) e Lee Marvin (1924-1987) e Crepúsculo de uma Raça/Cheyenne Autum, em 1964, último western da filmografia de Ford.

Jimmy num intervalo das filmagens de CHEYEENE, papeando com
Henry Fonda e Gene Kelly, o diretor.
Gene Kelly dirige Jimmy e Henry Fonda em CHEYEENE, em 1970
AINDA NA DÉCADA DE 1960, dois filmes merecem sua menção: O Vôo do Fênix/The Flight of The Phoenix, 1966, de Robert Aldrich (1918-1983), Shenandoah/idem, 1965, de Andrew V. McLaglen.  A partir dos anos de 1970, Jimmy atuou em poucos filmes. Em 1970, um western humorístico dirigido por Gene Kelly (1912-1996), Cheyenne/ Cheyenne Social Club, novamente ao lado do amigo inseparável Henry Fonda; participou em séries televisivas e do último filme de John Wayne, O Último Pistoleiro/The Shootist, em 1976, além de Aeroporto 77/Airport 77, 1977, e A Mágica de Lassie/The Magic of Lassie, em 1978. Em 1983, um de seus últimos trabalhos (este para a TV) foi contracenando com a Lenda Bette Davis (1908-1989), Direito de Morrer/Right of Way. Em 1991, emprestou sua voz para o desenho Um Conto Americano - Fievel Vai para o Oeste/An American Tail: Fievel Goes Wes.

Em momento familiar com a esposa Gloria, com quem foi casado ao longo de quase 50 anos.
Jimmy roda um filme, sob os olhares espantosos de Gloria e das filhas gêmeas. 
Jimmy e sua Senhora, na década de 1980
Em sua vida pessoal, nunca se envolveu em escândalos, muito embora antes de seu casamento com Gloria H. Mclean Stewart ( ex-modelo que depois se tornou uma jornalista e escritora), era um mulherengo que se transformaria num convicto monogâmico, e nunca mais foi visto na companhia de nenhuma outra mulher, sendo uma das mais duradoras e bonitas uniões de Hollywood, até ela falecer a 16 de fevereiro de 1994. Além de ter tido duas filhas com Gloria (nascidas a 7 de maio de 1951, Judy e Kelly), ele também adotou os filhos dela de um casamento anterior, Ronald e Michael. Ronald morreria em 8 de junho de 1969, em combate no Vietnã. Em 1985, Jimmy ganharia um Oscar honorário pelo conjunto de sua obra e atuações, sendo imensamente aplaudido de pé.


Jimmy em 1985
Stewart nunca se recuperou da morte de sua esposa, e ele prometeu que não faria mais  aparições públicas após seu funeral. A partir daí, ele passou a maior parte de seu tempo em seu quarto, saindo apenas por insistência de sua governanta para as suas refeições. Reportagens de jornais sugeriram que Stewart tinha a doença de Alzheimer. Durante o Natal de 1995, ele sofreu um acidente em casa, fraturando a cabeça. Um ano depois, precisou mudar seu marca-passo, mas declarou aos filhos que ele não preferia fazer, pois segundo ele, queria deixar que as coisas seguissem o seu curso natural. No entanto, na sexta-feira, 31 de janeiro de 1997, Stewart tropeçou em um vaso de plantas em seu quarto, e ele cortou a testa. Ele foi levado para o Hospital Saint John, em Santa Monica, na Califórnia, onde recebeu doze pontos de seu ferimento. Algumas semanas mais tarde, ele foi hospitalizado com coágulo de sangue e batimento cardíaco irregular. Ele teve um coágulo de sangue no joelho direito, e um inchaço que logo se espalhou através de sua perna inteira. 

LOCAL DO DESCANSO ETERNO DE JIMMY. NOTEM UM COELHO DE PELÚCIA SOBRE O TÚMULO. O QUE LHE PARECE INDICAR? HARVEY! SUA ESPOSA GLORIA DESCANSA PRÓXIMA A ELE.
Às 11:05  de quarta-feira, dia 2 julho de 1997, James Stewart morreu de parada cardíaca na idade de 89 anos. No funeral, Charlton Heston, que fez o eulogio ao ator, declarou ser ele uma das últimas lendas vivas que se tornou de vez um mito não somente para os americanos, mas para o mundo todo.


FOTO BATIDA E AUTOGRAFADA EM 1986: OS AMIGOS HUGH O' BRIAN, CHARLTON HESTON, BOB HOPE, E JIMMY.


FILMOGRAFIA

1935       - Entre a Honra e a Lei - The Murder Man
1935       -  Rose Marie- Rose Marie
1935       - Ciúmes - Wife vs. Secretary
1936       -  Garota do Interior- Small Town Girl
1936      - No Limite da Velocidade - Speed
1936      - A Comédia dos Acusados- After the Thin Man
1936      - Mulher Sublime - The Gorgeous Hussy
1936      - Amemos Outra Vez - Next Time We Love
1936      - Nascida para Dançar- Born to Dance
1937      - Juventude Valente- Navy Blue and Gold
1937      - O Último Gangster - The Last Gangster
1937      - O Sétimo Céu- Seventh Heaven
1938      - Ingratidão- Of Human Hearts
1938      -Que Papai Não Saiba- Vivacious Lady
1938      - O Último Beijo- The Shopworn Angel
1938      -Do Mundo Nada Se Leva- You Can't Take It With You
1939      - A Mulher Faz o Homem- Mr. Smith Goes to Washington
1939      - Nascida Para Casar- Made for Each Other
1939      - Folia no Gelo - The Ice Follies of 1939
1939      - Atire a Primeira Pedra - Destry Rides Again
1939      -Que Mundo Maravilhoso- It's a Wonderful World
1940      - A Vida é Uma Comédia- No Time for Comedy
1940      - Núpcias de Escândalo - The Philadelphia Story
1940      - A Loja da Esquina- The Shop Around the Corner
1940      - Tempestades d'Alma - The Mortal Storm
1941      -O Mundo É Um Teatro - Ziegfeld Girl
1942      - Pede-se Um Marido - Come Live with Me
1946- A Felicidade Não Se Compra - It's a Wonderful Life
1946      - Cidade Mágica - Magic Town
1948      - Festim Diabólico - Rope
1948      No Nosso Alegre Caminho
1948-    Sublime Devoção - Call Northside 777
1948      - A Conquista da Felicidade - You Gotta Stay Happy
1949      -Sangue de Campeão- The Stratton Story
1949      - Malaia - Malaia
1950      - Winchester 73 – Winchester 73
1950-     Flechas de Fogo – Broken Arrow       
1950      - Meu Amigo Harvey - Harvey     
1950      - Radiomania – Radiomania 
1951      -Na Estrada do Céu   - No Highway
1952      -O Maior Espetáculo da Terra - The Greatest Show on Earth    
1952      -E o Sangue Semeou a Terra  - Bend of The River
1952      - Dupla Redenção – Carbine Williams      
1953      -Borrasca – Thunder Bay      
1953      - O Preço de um Homem - The Naked Spur
1953      - Música e Lágrimas - The Glenn Miller’s Story
1954      -Janela Indiscreta – Rear Window     
1955      - Comandos do Ar     - Strategic Air Command
1955      - Região do Ódio        - The Far Country
1955      -Um Certo Capitão Lockhart  - The Man From Laramie
1956      - O Homem que Sabia Demais/    The Man Who Knew Too Much
1957      A Águia Solitária/     The Spirit of St. Louis
1957      - A Passagem da Noite - Night Passage
1958       - Um Corpo que Cai - Vertigo      
1958      -Sortilégio do Amor - Bell Book and Candle
1959      -  Anatomia de um Crime -    Anatomy of a Murder
1959      -  A História do FBI   - The FBI Story
1960      -O Homem Que Destrói  - The Mountain Road
1961      -Terra Bruta – Two Rode Together    
1962      - O Homem que Matou o Facínora – The Man Who Shot Liberty Valance
1962      - As Férias do Papai - Mr. Hobbs Takes a Vacation
1962      - A Conquista do Oeste    - How The West Was Won
1964      - Crepúsculo de uma Raça      - Cheyeene Autumn
1965      -O Voo da Fênix - The Flight of the Phoenix
1965      -Minha Querida Brigitte - Dear Brigitte
1966      -Raça Brava        - The Rare Breed
1966      -Shenandoah - Shenandoah
1968      -OPreço de um covarde – Bandolero!
1968      -O Último Tiro    - Firecreek
1970      -Cheyenne   - Cheyeene Social Club
1971      -O Olho da Justiça     - Fools' Parade
1976      -O Último Pistoleiro - The Shootist
1977      -Aeroporto 1977       - Airport 1977
1978      -A Arte de Matar        - The Big Sleep
1978     - A Magia de Lassie - The Magic of Lassie
1983     - Direito de Morrer - Right of Way (para TV)
1991     - Um Conto Americano 2 - Fievel Vai ao Oeste (voz)     - An American Tail: Fievel Goes West


Valeu Jimmy! Você é Eterno nos nossos corações e em nossas reprises! Parabéns! 


Produção e Pesquisa: PAULO TELLES
Atualizado em 20 de maio de 2016.

quarta-feira, 7 de dezembro de 2011

Quo Vadis (1951): O Colossal Épico da Marca do Leão.


QUO VADIS (Quo Vadis), de 1951, dirigido por Mervyn LeRoy (1905-1987) iniciou um rosário de épicos religiosos que percorreria quase que toda década de 1950 até meados da década seguinte, produtos como "O Manto Sagrado" (1953), e sua seqüência "Demétrius e os Gladiadores" (1954); "O Cálice Sagrado"(1954), que foi a estréia de Paul Newman, que considerava um "Lixo"; "David e Bethsabé" (1951); "O Filho Pródigo"(1955), estrelado por Lana Turner; "Os Dez Mandamentos"(1956), de Cecil B. DeMille; "Ben-Hur"(1959) de William Wyler, campeão absoluto dos Oscars até empatar com Titanic, em 1999; "Rei dos Reis"(1961), belíssimo filme sobre a Vida de Jesus Cristo dirigido por Nicholas Ray; e entre outros, "Barrabás"(1962), com Anthony Quinn numa impressionante interpretação.



QUO VADIS foi um estrondoso sucesso de bilheteria. No Brasil então, principalmente no Rio de Janeiro, invadiu as salas dos saudosos Cine-Metro durante meses, onde estreou em grande circuito a 25 de fevereiro de 1952. Uma superprodução realizada pouco depois do surgimento da Televisão nos EUA (que ameaçava às salas de cinema e que só veio a ser amenizada com a criação da técnica Cinemascope, para não perder a concorrência).

Henryk Sienkiewicz (1846-1916), o autor da obra literária
Poster da versão de 1924, com Emil Jannings como Nero


Extraído da obra literária publicada em 1897 pelo polonês Henryk Sienkiewicz (1846-1916), prêmio Nobel de Literatura em 1905, e anteriormente levada às telas três vezes na era do cinema mudo, sendo a mais famosa a de 1924, estrelado por Emil Jannings (1884-1950), como Nero. A primeira versão data de 1902, de Ferdinand Zecca (1864-1947), o mesmo pioneiro que dirigiu, em 1905, La vie et la passion de Jésus Christ, mas hoje a película esta perdida e não há maiores informações. A Segunda versão cinematográfica do romance de Sienkiewicz é de 1912.



Peter Ustinov. como o obscuro Nero, numa brilhante
performance do ator na versão de 1951.
Peter Ustinov como Nero (sentado), e seu conselheiro Petronius
(Leo Genn), e o comandante da Guarda Pretoriana Tigelino.
(Ralph Truman)
Na versão de Mervyn Leroy, Nero é interpretado de forma soberba por Sir Peter Ustinov (1921-2004), que foi indicado ao Oscar de ator coadjuvante junto com Leo Genn (1905-1978), que faz a parte de Petronius, seu conselheiro e autor da Obra Satyricon (não mencionada nesta versão a autoria da obra pelo personagem, mas abordado por Federico Fellini num filme homônimo).


Robert Taylor é o comandante e tribuno Marcus Vinicius
Marcus Vinicius (Robert Taylor) e sua amada Ligia (Deborah Kerr)
Na Roma do Século I, o oficial Marcus Vinicius (Robert Taylor, 1911-1969), sobrinho de Petronius (Leo Genn, 1905-1978), conselheiro de Nero (esplêndida performance de Ustinov), apaixona-se por uma ex-escrava cristã, Lygia (Deborah Kerr, 1921-2007), filha adotiva de um general e adepta do cristianismo emergente. Através dela, Marcus acata aos poucos a fé religiosa e indispõe-se com o regime de Nero e o paganismo romano. Sobre os detalhes técnicos, podem parecer muito pueris para os padrões cinematográficos de hoje as seqüências do martírio dos cristãos sendo devorados pelas feras no circo romano, devidamente mal feitas, mas o filme em si ainda consegue prender o espectador se souber também dar asas a sua imaginação, e sem contar aqueles que poderão também assisti-lo sob a ótica religiosa, e se emocionar pelo olhar da fé.


Marcus e Ligia presos nos ergástulos do circo de Nero
Trata-se, antes de qualquer coisa, de uma história de Amor, Intriga, Poder, Loucura, e é claro, Fé e Religião. O Incêndio de Roma e a loucura de Nero são retratados de forma convincente, e é impressionante a Marcha Triunfal do Palácio do Imperador, uma multidão de figurantes e extras bem organizados sob a supervisão dos diretores de Segunda Unidade (que controlavam tudo com tiros de pistola), pois não se sonhava sequer em computação gráfica ou coisas deste tipo que hoje proporcionam truques simples e menos custosos (mas não menos eficientes).

Ursus (Buddy Baer) luta com o touro para salvar sua
ama Ligia.
Destaque também para a luta do Gigante Cristão Ursus (interpretado pelo Lutador Buddy Baer, 1915-1986) contra um touro no Circo romano, para salvar Lygia, sua protegida, amarrada num tronco . Embora fascinante luta entre o gigante e o animal, esta versão de Quo Vadis foi a única a não respeitar o romance de Sienkiewicz, no tocante à cena em que Ursus enfrenta o touro na arena do circo de Roma.

Ligia (Deborah Kerr) em perigo
Ursus (Buddy Baer) preparado para confrontar o touro
na arena de Nero.

Na obra de Sienkiewicz, a amada de Vinícius é amarrada ao corpo do animal, completamente despida. Para defendê-la, Ursus teria que lutar com o touro mas, ao fazê-lo, colocaria em risco a integridade física de sua protegida, o que tornava sua tarefa ainda mais difícil. Aliás, era essa a intenção de Popeia, esposa de Nero (no filme, interpretada pela exuberante inglesa Patricia Laffan) ao planejar o cruel espetáculo.

Nero (Peter Ustinov) e a imperatriz Poppea (Patricia Laffan)
A Imperatriz Poppea (Patricia Laffan)
Todas as demais versões cinematográficas respeitaram esse detalhe (salvo quanto à nudez da personagem, que nem mesmo a versão polonêsa de 2001 ousou adotar), menos a de Mervyn LeRoy, que preferiu colocar Lígia (convenientemente trajada) atada a um tronco fincado na arena, assistindo Ursus enfrentar o touro.


Os Apóstolos Pedro (Finlay Currie) e Paulo (Abraham Sofaer),
realizando uma missa nos arredores do Coliseu.

São Pedro (Finlay Currie) e sua benção urbi et orbi

A expressão Quo Vadis? é latina, e significa uma pergunta: “Aonde Vais?". Quando estavam na Via Appia (principal via de acesso a Roma) já fora da cidade, São Pedro (no filme de LeRoy, interpretado pelo irlandês Finlay Currie, 1878-1968) que estava com seu jovem discípulo Nazarius, avistou um homem que vinha em sentido contrário. Quando este se aproximou, Pedro reconheceu que era Jesus (segundo a tradição, apenas Pedro o viu), e perguntou para Jesus: “Dominus quo vadis”, que quer dizer: “Para onde vais, Senhor?”. Jesus respondeu que estava voltando para Roma para morrer com seu povo e ser crucificado pela segunda vez.

São Pedro (Finlay Currie) abençoa a união de Ligia (Deborah
Kerr) e Vinicius (Robert Taylor), que acaba se convertendo a
fé de Cristo.
Quando Pedro ouviu o que Jesus disse, entendeu que precisava voltar para Roma. Mesmo contrariando a vontade de seus amigos e seguidores, era mais importante atender a vontade do Senhor. Logo depois deste fato, Pedro foi capturado e morto, crucificado de cabeça para baixo na Colina Vaticana. Por curiosidade, esta passagem da visão de Jesus para Pedro se encontra no Evangelho apócrifo “Atos de Pedro”, que é um texto não oficial da Igreja, mas que serviu de base para Henryk Sienkiewicz compor sua obra literária.


Petronio (Leo Genn) exige de Nero que este assine seu
decreto contra os cristão para perpetuar na História.
Destaque também para a cena do incêndio em Roma que não deixa a desejar. Anthony Mann (1906-1967) dirigiu parcialmente esta sequência, infelizmente sem os créditos que lhe eram devidos.


Leo Genn, como o inesquecível Petronius.
Leo Genn dá vida a Petronius (ou Petrônio), em verdade um personagem histórico (Marcus Vinicius e Lygia são fictícios). Seu nome verdadeiro era Caius Petronius, e tinha o título dado pela corte imperial como o “Árbitro da Elegância”, devido ao seus modos refinados e educação esmerada. Petronius era um dos conselheiros do Imperador Nero, mas não nutria de amores pelo tirano.
Petronius e sua amada escrava Eunice (Marina Berti)
Nascido de uma família aristocrática e abastada, mostrou toda sua competência política ao ocupar os cargos de governador e depois o de cônsul da Bitínia, na atual Turquia. Depois ocupou o cargo de conselheiro de Nero, sendo nomeado arbiter elegantiae (árbitro da elegância), em 63. Dois anos mais tarde, acusado de participar na conspiração contra o imperador e caindo em desfavor, acabou com sua estranha vida, uma mistura de atividade e de libertinagem, no ano de 66 d.C., cometendo um lento e relaxado suicídio, abrindo e fechando as veias, enquanto discursava sobre temas joviais, mandando para Nero um documento no qual detalhava seus abomináveis passatempos.
A bela atriz italiana Marina Berti como Eunice
Henryk Sienkiewicz deu a Petronius uma legenda romântica em sua obra. Para ainda mais humaniza-lo, criou uma personagem fictícia, uma escrava das províncias da Espanha chamada Eunice, que no filme de 1951 foi interpretada pela bela atriz italiana Marina Berti (1924-2002), por quem o conselheiro imperial se apaixona. Tanto no romance de Sienkiewicz quanto nas versões cinematográficas da obra, ela comete suicídio junto com seu amado amo e senhor.


Eunice e Petronius, um amor que vai além da vida.
Sobre Petronius, na famosa obra Anais, o historiador Tácito (55 – 120 d.C) traçou uma imagem viva, que vale a pena ser lembrada e transcrita:



Petrônio consagrava o dia ao sono, e a noite aos deveres e aos prazeres. Se outros chegam à fama pelo trabalho, ele adquiriu-a pela sua vida descuidada.



Não tinha a reputação de dissoluto ou de pródigo, como a maioria dos dissipadores, mas a de um voluptuoso refinado em sua arte. A própria incúria, o abandono que se notava nas suas ações e nas suas palavras, davam-lhe um ar de simplicidade, emprestando-lhe um valor novo.



Contudo, procônsul na Bitinia e depois cônsul, deu prova de vigor e de capacidade. Voltando aos seus vícios ou à imitação calculada dos vícios, foi admitido entre os poucos íntimos de Nero e tornou-se na corte o árbitro do bom gosto: nada mais delicado, nada mais agradável do que aquilo que o sufrágio de Petrônio recomendava ao príncipe, sempre embaraçado na escolha.


Nero e sua corte, com uma maquete da "nova Roma".

Nasceu daí a inveja de Tigelino, o prefeito do pretório e poderoso conselheiro de Nero, que receava um concorrente mais hábil do que ele na ciência da volúpia. Conhecendo a crueldade do imperador, sua qualidade dominante, insinuou que Petrônio era amigo do conjurado Flávio Scevino; em seguida comprou um delator entre os escravos do acusado, sendo-lhe vedada qualquer defesa e mandando prender membros da sua família. O imperador encontrava-se então na Campânia e Petrônio tinha-o acompanhado até Cumes, onde recebeu ordem de ficar.



Ele, sabendo que o seu destino já estava marcado, repeliu tanto o temor quanto a esperança, mas não quis se afastar bruscamente da vida. Abriu as veias, fechou-as depois, abrindo-as novamente ao sabor da sua fantasia, falando aos amigos e ouvindo por sua vez, mas nada havia de grave nas suas palavras, nenhuma ostentação de coragem; não quis ouvir reflexões sobre a imortalidade da alma, nem sobre as máximas dos filósofos: pediu que lhe lessem somente versos zombeteiros e poesias ligeiras. Recompensou alguns escravos e mandou castigar outros; chegou a passear, entregou-se ao sono a fim de que sua morte, ainda que provocada, parecesse natural.


Não adulou no seu testamento Nero ou Tigelino ou qualquer outro poderoso do dia, como fazia a maioria dos que pereciam. Mas, em nome de jovens impudicos ou de mulheres perdidas, narrou as davassidões do príncipe e os seus refinamentos; mandou o escrito a Nero, fechado, imprimindo-lhe o sinete de seu anel, que destruiu a fim de que não fizesse vítimas mais tarde.”

Era esse o ambiente da corte de Nero. Porém havia nela um personagem desse mundo cheio de contrastes – Petrônio. A maioria de seus críticos admite que foi ele o “arbiter elegantiarum” da época, o autor do “Satiricon”.



E entre os muitos estudiosos interessados no assunto houve inclusive opiniões divergentes, mas o parecer mais acertado parece ter sido o do estudioso italiano Marchesi: “Petrônio, nos últimos momentos da vida, teria acrescentado alguma página ao seu romance, enviando-a ao imperador, feroz e desequilibrado, como presente de uma vítima aristocrática e refinada.

O filósofo Sêneca enviou alguma página de moral; Petrônio, a pintura e a descrição daquele mundo terrivelmente corrupto”. O Satiricon não nos chegou íntegro e sim fragmentário. Mesmo assim, o que ficou do mesmo basta para considerar as páginas de Petrônio como um monumento literário de incomparável beleza artística e de inestimável valor para a reconstrução da vida particular da antiga Roma.


Elizabeth Taylor chegou a ser Ligia nos primeiros takes de John Huston.
Gregory Peck, já escalado por John Huston, seria Marcus Vinicius.
Rodado nos estúdios de Cinecittá (o primeiro filme colorido saído desse estúdio), em Roma, pela Metro Goldwyn Mayer, então a mais poderosa Empresa de Cinema de Hollywood e a sua “Marca do Leão”, a versão cinematográfica de 1951 levou 12 anos em preparativos e começou a ser filmado em 1949, sob direção de John Huston, e os astros principais eram Gregory Peck (como Marcus Vinicius) e Elizabeth Taylor (como Lygia). Custou no total sete milhões de dólares, o mais caro filme produzido até então (E O Vento Levou, também da MGM, custou 4,5 milhões de dólares em 1939).  Porém, o Chefão da Metro, Louis B. Mayer (1884-1957), não gostou do roteiro, que queria um épico religioso aos moldes de Cecil B. DeMille, e não um tratamento moderno, no então momento, para Nero, assemelhando-o a Adolf Hitler em sua obstinada perseguição aos Cristãos, seu protótipo parceiro de loucura.


O lendário Louis B. Mayer, o chefão da MGM
B.Mayer chamou Huston à casa dele para uma reunião no café da manhã, e já que costumava buscar todos os argumentos nos bons tempos passados, começou a contar a Huston como tinha ensinado a fabulosa atriz e cantora Jeannete MacDonald a cantar “Oh, Sweet Mystery of Life” cantando “Eli, Eli” para ela. Em hebraico. Ela chorou. Mayer entoou aquela triste canção para o cineasta. Mais tarde, John Huston contou que Mayer havia dito que se ele pudesse dirigir Quo Vadis daquela maneira, que ele viria rastejando de joelhos e beijar suas mãos. Huston abandonou a direção, após uma série de diferenças com Louis B. Mayer, e gastos em Roma começaram a ficar dispendiosos (cerca de 2 milhões de dólares já haviam sido gastos e nada). Logo, Gregory Peck também abandonou o barco (acabou contraindo uma infecção nos olhos) e Liz Taylor (que alegou outros projetos mas acabou numa ponta de multidão no filme, com outra atriz que se tornaria famosa, Sophia Loren).


Nero mata sua esposa Poppea
As cenas principais foram todas rodadas em 1950, já com outros atores e diretor (Mervyn LeRoy), entretanto sequências adicionais e a montagem final retardaram a estreia nos cinemas americanos até novembro de 1951. Só Peter Ustinov e seu Nero foram mantidos. Mudados roteiro, diretor e atores centrais, a produção seguiu seu curso em Cinecittá durante 7 meses. 

O Diretor Mervyn LeRoy.
Assumindo Mervyn LeRoy a direção, este contratou 60 mil figurantes e os dirigiu com tiros de pistola, do alto de um guindaste sobre os estúdios de Cinecittá. Arranjou mais de 50 leões, todos que o pessoal da MGM conseguiu nos circos da Europa. LeRoy era um cineasta competente e admirado por Louis B. Mayer, que tinha supervisionado sucessos bem cuidados, como Alma do Lodo (Little Caesar), em 1931, o filme que decolou Edward G. Robinson ao estrelato.


Marcus Vinicius (Robert Taylor) alerta para o povo sobre
a corrupção de Nero.
Os Cristãos na arena, prontos para os leões.
Voltando a parte técnica da produção, foi dito que os efeitos da ação na sequência do martírio dos cristãos na arena sendo devorados pelos leões não é considerada das mais bem realizadas, o que é bem compreensível. O próprio diretor LeRoy, anos mais tarde, admitiu esta falha. Ele não conseguia fazer com que os leões simulassem a carnificina esperada, logo, ele teve que recorrer às mais antigas tradições de tapeação de Hollywood. Assim ele disse: “Enrolei, mandando os homens da equipe rechearem roupas com carne crua, de maneira que parecessem cristãos caídos no chão, então trouxemos os leões à força e eles comeram aqueles ‘corpos’. Reforcei com close-ups falsos de leões, feitos pelos técnicos, pulando sobre as pessoas de verdade. Funcionou, embora eu nunca tenha conseguido a cena exatamente como queria”.

Papa Pio XII
Mervyn LeRoy visitou o Papa Pio XII(1876-1958) e chegou a pedir para que benzesse o roteiro de Quo Vadis, que foi escrito por John Lee Mahin (1902-1984), S. N Behrman (1893-1973), e Sonya Levien (1888-1960)- e que por acaso, tinha levado consigo, e o papa pôs suas mãos sobre o script, murmurou algumas palavras em latim e disse em inglês: “Que seu filme tenha muito sucesso”. E foi profética tal afirmação do Papa.


Ligia (Deborah Kerr), com Ursus (Buddy Baer), Nazarius (Peter
Milles), e sua mãe Miriam (Elspeth March).
Mesmo sendo um tanto opressor para conquistar Ligia, esta ama
Marcus Vinicius.
Um superespetáculo produzido por Sam Zimbalist (1904-1958), que produziria também 8 anos depois outro retumbante épico, Ben-Hur, produção definitiva esta que o talentoso Sam não pôde acompanhar o sucesso e a glória de seus louros, pois pouco antes de terminadas as filmagens do monumental épico de William Wyler (1902-1981) e estrelada por Charlton Heston, Zimbalist teve um fulminante ataque do coração, vindo a falecer, em Roma, a 4 de novembro de 1958.


O Apóstolo Paulo (Abraham Sofaer) e Marcus Vinicius (Robert
Taylor).
Marcus e Ligia: Um amor a desafiar todo o Império Romano.
Peter Ustinov, numa performance imortal como Nero.


A partitura musical célebre de Miklos Rozsa (1907-1995) foi a primeira trilha sonora do cinema que obteve grande vendagem de discos, inclusive no Brasil, e ajudou a garantir a extraordinária popularidade desta refilmagem para o cinema contemporâneo.

QUO VADIS em grande circuito nos cinemas METROS do Rio
de janeiro em 1954.
Indicado para os Oscars de melhor fotografia, figurino, direção de arte, ator coadjuvante (para dois, Leo Genn e Peter Ustinov), montagem, e filme. O Romance ainda seria levado a tela por mais duas vezes. Em 1985, para a RAI, a Tv Italiana, em forma de minissérie, dirigido por Franco Rossi, tendo Klaus Maria Brandauer como o Imperador Nero, e Francesco Quinn, filho do ator Anthony Quinn, como Marcus Vinicius; e em 2001, na Polônia, terra natal do autor da obra literária, numa superprodução cinematográfica dirigida Jerzy Kawalerowicz e fidelíssimo ao livro, com 274 minutos de duração e exibida especialmente para o Papa João Paulo II e sua comitiva quando visitou a Polônia no mesmo ano.




A opulência deste superespetáculo reflete a qualidade do cinema hollywoodiano em seu período de ouro, contendo uma das mais grandiloquentes passagens já  registradas em filme épico, com a marcha triunfal das legiões romanas, os mártires cristãos do circo de Nero (baseado no Coliseu, onde Cinecittá reconstituiu com capacidade para 30.000 extras), e o incêndio de Roma.


FICHA TÉCNICA

QUO VADIS

(Quo Vadis)

País – Estados Unidos (filmado nos estúdios de Cinecittá, em Roma).

Ano: 1951

Gênero - Épico/Religioso

Direção: Mervyn Leroy, Anthony Mann (não creditado)

Produção: Sam Zimbalist, para a Metro Goldwyn Mayer.

Roteiro: John Lee Mahin, Sonya Levien, e S.N. Behrman, com base no romance de Henry Sienkiewicz.

Música: Miklos Rozsa

Fotografia: Robert Surtees, William V. Skall, em cores

Metragem: 168 minutos.

ELENCO:

Robert Taylor – Comandante Marcus Vinicius
Deborah Kerr – Ligia
Leo Genn –Petronius
Peter Ustinov – Nero, o Imperador
Patricia Laffan – Poppea
Finlay Currie – Apóstolo Pedro
Abraham Sofaer – Apóstolo Paulo
Marina Berti – Eunice
Buddy Baer – Ursus
Felix Aylmer – Plautius
Nora Swinburne – Pomponia
Ralph Truman – Tigelinio
Norman Wooland – Nerva
Peter Miles – Nazarius
Nicholas Hannen- Seneca
Rosalie Crutchley – Acte
Arthur Valge – Croton
Elspeth March – Miriam
Pietro Tordi – Galba
Walter Pidgeon – Narrador.

PRODUÇÃO E PESQUISA DE
PAULO TELLES
Matéria atualizada em 11 de fevereiro de 2017.