sábado, 14 de agosto de 2021

Ivanhoé, O Vingador do Rei (1952): A Obra de Sir Walter Scott Recontada Com Requintes de Grandiosidade Por Hollywood.

Sir Walter Scott (1771-1832) é um dos mais notáveis escritores da arte literária, em grande parte a tecer aventuras em torno de episódios históricos, muitas vezes misturando com dosagem de lenda, repovoando de sombras antigas os velhos castelos da Escócia (sua terra natal) e encantando a juventude e adolescência de muitas gerações. É admirável que este escritor, poeta e historiador escocês elaborasse com garbo e perfeição belos romances históricos premido pelos credores pela necessidade de saldar dívidas.

Sir Walter Scott (1771-1832) - o autor do livro IVANHOÉ, publicado em 1819.
Edição brasileira e ilustrada do romance de Sir Walter Scott. Acervo do editor.

Em 1825, uma crise na banca do Reino Unido levou à falência a editora Ballantyne, na qual Scott era o único sócio que investia financeiramente. As dívidas levaram-no à ruína. Em vez de se declarar falido, ou aceitar qualquer tipo de apoio financeiro dos seus muitos apoiadores (que incluíam o próprio Rei da Escócia), Scott colocou a sua casa e rendimentos num fundo que pertencia aos seus credores e estava determinado a pagar as suas dívidas com o seu trabalho.  Entre suas obras imortais, estão: A Dama do Lago (1810), Rob Roy (1817), Ivanhoé (1819) e Uma Lenda de Motrose (1819). Juntamente com Alexandre Dumas (autor de Os Três Mosqueteiros e O Conde de Monte Cristo) Sir Walter Scott foi um dos maiores cultores do folhetim histórico romanesco.

Richard Thorpe, o diretor de IVANHOÉ, O VINGADOR DO REI (1952).

O cineasta Thorpe com Robert Taylor e Joan Fontaine durante pausa nas filmagens de IVANHOÉ, O VINGADOR DO REI (1952).
Entre as obras de Scott, a história do cavalheiro Wilfred Ivanhoe (publicada em 1819) se destaca tanto pelo seu lado histórico quanto pela feição idílica, havendo um grande equilíbrio entre estas duas paralelas que prendem o leitor que se deleita emocionado quando o herói parte para as justas sangrentas, ou quando marejam de lágrimas os olhos tristes da doce judia Rebeca. E eis que em 1952, o cineasta Richard Thorpe (1896-1991) realizou IVANHOÉ, O VINGADOR DO REI (Ivanhoe, 1952), tornando materializar para a telona, em alto e bom nível, toda epopeia do romance original. Sequências épicas ganham extraordinário relevo, e o romancismo é de inigualável atitude poética. Os intérpretes assumem seus papéis de modo fidedigno a obra literária, tornando o filme de Thorpe um grande espetáculo. Todo o elenco atua de grande linha sem comprometimentos pelo ridículo (coisa que facilmente pode ocorrer no gênero épico), dando dignidade e caráter ao livro de Scott.

George Sanders em atuação impecável como o vilão De Bois-Guilbert em IVANHOÉ, O VINGADOR DO REI (1952).

Robert Taylor em um de seus papéis de maior destaque como o herói de Sir Walter Scott.
George Sanders (1906-1972), ator de grande imensidão dramática e que no cinema muitas vezes personificou vilões (em grande parte vilões sofisticados) é um retrato vivo de De Bois-Guilbert de acordo com o romance. Talvez a maior de todas as interpretações em IVANHOÉ, O VINGADOR DO REI.  Robert Taylor (1911-1969) estrela seu segundo épico depois de Quo Vadis (1951), em atuação madura e eficaz como Wilfred Ivanhoe, em desempenho a altura das exigências, sendo uma das atuações mais memoráveis do ator. Sua encarnação como o herói de Sir Scott foi tão elogiada e convincente que Thorpe o escalou no ano seguinte para outros épicos aos moldes de Ivanhoé, em Os Cavalheiros da Távola Redonda (1953) e As Aventuras de Quentin Durward (1955). As duas heroínas, Lady Rowena, interpretada por Joan Fontaine (1917-2013) e a judia Rebeca, vivida por Elizabeth Taylor (1932-2011) então na flor de seus 20 anos, são as mulheres apaixonadas pelo herói que sevem muito bem de ilustração e suporte na composição da trama. 

A bela Joan Fontaine como Lady Rowena...

...a amada e prometida de Ivanhoé (Robert Taylor), entretanto...


... a bela judia Rebeca (Elizabeth Taylor) também ama o herói.
Produzido por Pandro S. Berman (1905-1996), com roteiro de Noel Langley (1911-1980) e adaptação de Æneas MacKenzie (1889–1962) e rodado na Inglaterra, IVANHOÉ – O VINGADOR DO REI é um dos maiores espetáculos que Hollywood soube, de fato, captar a atmosfera medieval, sabendo ao mesmo tempo conciliar as exigências comerciais do gênero com acurado espírito de aventura. O filme transcorre na Inglaterra durante o conflito entre normandos e saxões. Ivanhoé é um cavaleiro e trovador que luta contra os adeptos do príncipe João Sem Terra (Guy Rolfe, 1911-2003), usurpador do trono de seu irmão Ricardo Coração de Leão (Norman Wooland, 1905-1989), que está preso na Áustria. 

Finlay Currie como Cedric, o pai de Ivanhoé.

Felix Aylmer como Isaac de York, pai da jovem Rebeca (Elizabeth Taylor) ...

... aprisionada em um castelo e pressionada pelas atenções de De Bois-Guilbert (George Sanders).
Enquanto reúne fundos para o resgate do rei Ricardo, Ivanhoé alia-se aos saxões e aos judeus representados por Isaac de York (Felix Aylmer, 1889-1979), desafiando o braço direito do príncipe João, o cavalheiro De Bois-Guilbert, vivido por George Sanders. Quando este aprisiona os judeus num castelo, inclusive a amada do herói, Lady Rowena (Joan Fontaine) e seu pai Cedric (Finlay Currie, 1878-1868), Ivanhoé entrega-se como refém.  A aventura culmina com o ataque dos arqueiros de Robin Hood (Harold Warrender, 1903-1953) e a luta decisiva entre o herói e De Bois - Guilbert no campo das justas para salvar Rebeca (Elizabeth Taylor), condenada a fogueira injustamente como feiticeira. Rebeca ama Ivanhoé, mas como judia e impedida pelas tradições de ama-lo, ela se afasta deixando espaço para Lady Rowena.

De Bois-Guilbert (George Sanders) lutará contra Ivanhoé para ter as atenções de Rebeca...

... prestes a morrer na fogueira como bruxa. Mas o cavalheiro Ivanhoé (Robert Taylor) aceita a incumbência de proteger a jovem judia...

... que abre mão do homem que ama por Lady Rowena (Joan Fontaine).
IVANHOÉ, O VINGADOR DO REI é um espetáculo que serviu de modelo para a série homônima da TV (1958-1959) estrelada por Roger Moore (1927-2017) e até mesmo para imitações (como A Vingança de Ivanhoé/La Rivincita di Ivanhoe, de 1964, produção italiana). A primeira versão cinematográfica do romance de Sir Scott ocorreu ainda em 1913, sob a direção de Herbert Brenon, com King Baggot no papel de Ivanhoé. Ainda haveria outras versões, como a minissérie televisiva de 1981 dirigida por Douglas Camfield e estrelada por Anthony Andrews (Ivanhoé) James Mason (Isaac de York) e Olivia Hussey (Rebeca), além de outra minissérie para TV inglesa em 1997. 

Cedric (Finlay Currie) e seu filho Wilfred Ivanhoé (Robert Taylor).

Sir De Bois-Guilbert (George Sanders) e seu aliado, o boçal Front De Boeuf (Francis De Wolff).

Cartaz da 1ª versão cinematográfica do romance de Sir Walter Scott realizada em 1913.
IVANHOÉ, O VINGADOR DO REI é até hoje uma referência de superespectáculo passados 70 anos de seu lançamento, ainda mais valorizado pela trilha sonora composta pelo mestre Miklos Rozsa (1907-1995), agigantando esta obra prima dirigida por Richard Thorpe, que chegou as salas cariocas em 1953. 

O Célebre compositor Miklos Rozsa assinou a trilha sonora.

DIVULGAÇÃO DO FILME PELOS JORNAIS 






Ficha Tecnica


IVANHOÉ

O VINGADOR DO REI

(Ivanhoe)

País – Inglaterra/Estados Unidos

Gênero – Épico - Capa & Espada

Ano de Produção – 1952

Direção – Richard Thorpe

Produção – Pandro S. Berman, para Metro Goldwyn Mayer.

Roteiro - Æneas MacKenzie e Noel Langley, com base no livro de Sir Walter Scott.

Música – Miklos Rozsa

Fotografia - Freddie Young, em Cores (Tehcnicolor)

Edição – Frank Clarke

Metragem – 106 minutos

ELENCO

Robert Taylor – Wilfred Ivanhoe

Elizabeth Taylor – Rebeca

Joan Fontaine – Lady Rowena

George Sanders – De Bois-Guilbert

Emliyn Williams – Wamba

Robert Souglas – Sir Hugh de Braci

Finlay Currie – Cedric

Felix Aylmer – Isaac de York

Francis De Wolff – Fronte de Boeuf

Harold Warrender – Locksley/Robin Hood

Sebastian Cabot - Clerk

Encarte do VHS lançado no Brasil pela extinta Video Arte, por volta de 1991/92.
Produção e Pesquisa

PAULO TELLES


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