segunda-feira, 29 de novembro de 2021

Um Novo Espaço Cultural Chega para os Amantes do Cinema e da Literatura: CINEMA COM POESIA.

 

Saudações aos leitores do blog Filmes Antigos Club – A Nostalgia do Cinema.

É com imensa satisfação que este espaço anuncia um novo canto de entretenimento cultural pela internet, voltada para o cinema e a literatura. Chama-se CINEMA COM POESIA, um site sobre jornalismo cultural, relacionado com cinema, televisão, livros, e muito mais.

No site CINEMA COM POESIA você encontra os lançamentos nas salas de cinema e nas plataformas de streaming, e também os clássicos de todas as épocas porque o cinema é a melhor diversão. CINEMA É TUDO DE BOM!


A proposta do site é de levar para seus leitores e seguidores informações acerca do cinema e da televisão, como matérias, notícias, indicação de livros, e um espaço cultural sobre quadrinhos, literatura e poesia. Para que isso se concretizasse, foi preciso reunir quatro mentes pensantes para o projeto, que tem finalidade de entreter culturalmente quem curte as artes, projeto este idealizado por ADILSON CARVALHO, professor de Português, Literatura & Inglês, além de crítico de cinema.


Adilson trabalhou ao lado do saudoso crítico Rubens Ewald Filho por nove anos, e foi um dos autores/colaboradores da Revista “Conhecimentos Práticos: Literatura” publicado pela Editora Escala. Além desses trabalhos, Adilson é constante colaborador do jornal “Tribuna do Espírito Santo” através do site “Tribunaonline” e colunista do site “dvdmagazine“. Criou o canal do youtube “Adilson Cinema”. no qual opina sobre as estreias no circuito. No CINEMA COM POESIA , Adilson trata dos lançamentos nas telas do cinema e no streaming em sua coluna Filmes da Semana.

Outros três integrantes elencam a coordenação do site Cinema Com Poesia

SÉRGIO CORTÊZ é Professor, radialista, cronista e poeta, autor dos livros “Ovo à Milanesa” (1994, em coautoria com o poeta Demétrio Sena) e “57 Poemas Brasileiros” (1997). Além desses dois trabalhos impressos, Sérgio Cortêz publicou os e-books “Rosa Colete À Prova De Balas” (Romance) e a compilação poética “Manual da Poesia Fajuta” – as duas obras podem ser acessadas de forma gratuita no Wattpad. Em 2017 criou a Rádio Vintage, através da qual busca preservar a memória dos grandes comunicadores do passado, proporcionando também entretenimento e boa música aos internautas visitantes. No CINEMA COM POESIA, Sérgio assina a coluna Prelo e Película.

SÉRGIO JUNIOR é Técnico Contábil, cartunista criador do personagem Fécum em 1979, tendo publicado em diversos fanzines e tablóides. Editor de diversas publicações independentes, entre elas, Cemitério de Ilusões (poemas ), Controle Marvel e Cine +, sobre filmes. Colaborou com diversas outras publicações, como Canibal Produções, do cineasta Petter Baiestorff e Super 8, com a coluna Cine B, sobre filmes de baixo orçamento. Colaborou também com o fanzine ENPE, sobre séries de TV. Colecionador de séries de TV, desenhos animados e filmes, é vice-presidente do Fã Clube do Capitão Aza, criando em 1998. Hoje, mantém as páginas e canais no youtube, Momento Nostalgia e Cine Sofá. No CINEMA COM POESIA, Junior assina a coluna Memória Televisiva.

PAULO TELLES é crítico de cinema carioca, escritor e editor-chefe do Cinema com Poesia. Radialista (DRT 21959) e apresentador do programa Cine Vintage, apresentado pela Rádio Vintage (https://webradiovintage.com/), voltado para trilhas sonoras do cinema. Formado em marketing pela Unigranrio, é também redator (desde 2010) do blog Filmes Antigos Club – A Nostalgia do Cinema e autor de dois livros: Paladino do Oeste (Ed. Estronho, 2018), sobre a série de TV americana estrelada por Richard Boone – e Tarzan Vai ao Cinema (Ed. Estrada de Papel, 2021), ambos com Saulo Adami. Palestrou sobre Tarzan no Santos Film Fest – Festival Internacional de Cinema de Santos, em março de 2021 e um dos 51 jurados do Fenacin – Festival Nacional de Cinema Independente em novembro de 2021. Paulo também é colunista do Cine Rádio na Rádio Vintage. No CINEMA COM POESIA, Paulo assina a coluna Cine Retro Boavista, onde abordará sobre os grandes clássicos da Sétima Arte e em todos os tempos. É também responsável pela coluna Gibi Memorial, e de compor as páginas Saudosas Reminiscências Poesias e Campanha “Seja Educado, Cinema é Lugar Sagrado”.


O site Cinema com Poesia está no ar online desde 18 de novembro último e está apenas começando, na esperança que o projeto se torne cada vez mais evoluído com o tempo. Para conhecer o espaço, só acessar no endereço do site: https://cinemacompoesia.wordpress.com/

Sejam bem vindos ao CINEMA COM POESIA. Cinema, TV, quadrinhos, literatura, arte e muito mais!!!











sábado, 14 de agosto de 2021

Ivanhoé, O Vingador do Rei (1952): A Obra de Sir Walter Scott Recontada Com Requintes de Grandiosidade Por Hollywood.

Sir Walter Scott (1771-1832) é um dos mais notáveis escritores da arte literária, em grande parte a tecer aventuras em torno de episódios históricos, muitas vezes misturando com dosagem de lenda, repovoando de sombras antigas os velhos castelos da Escócia (sua terra natal) e encantando a juventude e adolescência de muitas gerações. É admirável que este escritor, poeta e historiador escocês elaborasse com garbo e perfeição belos romances históricos premido pelos credores pela necessidade de saldar dívidas.

Sir Walter Scott (1771-1832) - o autor do livro IVANHOÉ, publicado em 1819.
Edição brasileira e ilustrada do romance de Sir Walter Scott. Acervo do editor.

Em 1825, uma crise na banca do Reino Unido levou à falência a editora Ballantyne, na qual Scott era o único sócio que investia financeiramente. As dívidas levaram-no à ruína. Em vez de se declarar falido, ou aceitar qualquer tipo de apoio financeiro dos seus muitos apoiadores (que incluíam o próprio Rei da Escócia), Scott colocou a sua casa e rendimentos num fundo que pertencia aos seus credores e estava determinado a pagar as suas dívidas com o seu trabalho.  Entre suas obras imortais, estão: A Dama do Lago (1810), Rob Roy (1817), Ivanhoé (1819) e Uma Lenda de Motrose (1819). Juntamente com Alexandre Dumas (autor de Os Três Mosqueteiros e O Conde de Monte Cristo) Sir Walter Scott foi um dos maiores cultores do folhetim histórico romanesco.

Richard Thorpe, o diretor de IVANHOÉ, O VINGADOR DO REI (1952).

O cineasta Thorpe com Robert Taylor e Joan Fontaine durante pausa nas filmagens de IVANHOÉ, O VINGADOR DO REI (1952).
Entre as obras de Scott, a história do cavalheiro Wilfred Ivanhoe (publicada em 1819) se destaca tanto pelo seu lado histórico quanto pela feição idílica, havendo um grande equilíbrio entre estas duas paralelas que prendem o leitor que se deleita emocionado quando o herói parte para as justas sangrentas, ou quando marejam de lágrimas os olhos tristes da doce judia Rebeca. E eis que em 1952, o cineasta Richard Thorpe (1896-1991) realizou IVANHOÉ, O VINGADOR DO REI (Ivanhoe, 1952), tornando materializar para a telona, em alto e bom nível, toda epopeia do romance original. Sequências épicas ganham extraordinário relevo, e o romancismo é de inigualável atitude poética. Os intérpretes assumem seus papéis de modo fidedigno a obra literária, tornando o filme de Thorpe um grande espetáculo. Todo o elenco atua de grande linha sem comprometimentos pelo ridículo (coisa que facilmente pode ocorrer no gênero épico), dando dignidade e caráter ao livro de Scott.

George Sanders em atuação impecável como o vilão De Bois-Guilbert em IVANHOÉ, O VINGADOR DO REI (1952).

Robert Taylor em um de seus papéis de maior destaque como o herói de Sir Walter Scott.
George Sanders (1906-1972), ator de grande imensidão dramática e que no cinema muitas vezes personificou vilões (em grande parte vilões sofisticados) é um retrato vivo de De Bois-Guilbert de acordo com o romance. Talvez a maior de todas as interpretações em IVANHOÉ, O VINGADOR DO REI.  Robert Taylor (1911-1969) estrela seu segundo épico depois de Quo Vadis (1951), em atuação madura e eficaz como Wilfred Ivanhoe, em desempenho a altura das exigências, sendo uma das atuações mais memoráveis do ator. Sua encarnação como o herói de Sir Scott foi tão elogiada e convincente que Thorpe o escalou no ano seguinte para outros épicos aos moldes de Ivanhoé, em Os Cavalheiros da Távola Redonda (1953) e As Aventuras de Quentin Durward (1955). As duas heroínas, Lady Rowena, interpretada por Joan Fontaine (1917-2013) e a judia Rebeca, vivida por Elizabeth Taylor (1932-2011) então na flor de seus 20 anos, são as mulheres apaixonadas pelo herói que sevem muito bem de ilustração e suporte na composição da trama. 

A bela Joan Fontaine como Lady Rowena...

...a amada e prometida de Ivanhoé (Robert Taylor), entretanto...


... a bela judia Rebeca (Elizabeth Taylor) também ama o herói.
Produzido por Pandro S. Berman (1905-1996), com roteiro de Noel Langley (1911-1980) e adaptação de Æneas MacKenzie (1889–1962) e rodado na Inglaterra, IVANHOÉ – O VINGADOR DO REI é um dos maiores espetáculos que Hollywood soube, de fato, captar a atmosfera medieval, sabendo ao mesmo tempo conciliar as exigências comerciais do gênero com acurado espírito de aventura. O filme transcorre na Inglaterra durante o conflito entre normandos e saxões. Ivanhoé é um cavaleiro e trovador que luta contra os adeptos do príncipe João Sem Terra (Guy Rolfe, 1911-2003), usurpador do trono de seu irmão Ricardo Coração de Leão (Norman Wooland, 1905-1989), que está preso na Áustria. 

Finlay Currie como Cedric, o pai de Ivanhoé.

Felix Aylmer como Isaac de York, pai da jovem Rebeca (Elizabeth Taylor) ...

... aprisionada em um castelo e pressionada pelas atenções de De Bois-Guilbert (George Sanders).
Enquanto reúne fundos para o resgate do rei Ricardo, Ivanhoé alia-se aos saxões e aos judeus representados por Isaac de York (Felix Aylmer, 1889-1979), desafiando o braço direito do príncipe João, o cavalheiro De Bois-Guilbert, vivido por George Sanders. Quando este aprisiona os judeus num castelo, inclusive a amada do herói, Lady Rowena (Joan Fontaine) e seu pai Cedric (Finlay Currie, 1878-1868), Ivanhoé entrega-se como refém.  A aventura culmina com o ataque dos arqueiros de Robin Hood (Harold Warrender, 1903-1953) e a luta decisiva entre o herói e De Bois - Guilbert no campo das justas para salvar Rebeca (Elizabeth Taylor), condenada a fogueira injustamente como feiticeira. Rebeca ama Ivanhoé, mas como judia e impedida pelas tradições de ama-lo, ela se afasta deixando espaço para Lady Rowena.

De Bois-Guilbert (George Sanders) lutará contra Ivanhoé para ter as atenções de Rebeca...

... prestes a morrer na fogueira como bruxa. Mas o cavalheiro Ivanhoé (Robert Taylor) aceita a incumbência de proteger a jovem judia...

... que abre mão do homem que ama por Lady Rowena (Joan Fontaine).
IVANHOÉ, O VINGADOR DO REI é um espetáculo que serviu de modelo para a série homônima da TV (1958-1959) estrelada por Roger Moore (1927-2017) e até mesmo para imitações (como A Vingança de Ivanhoé/La Rivincita di Ivanhoe, de 1964, produção italiana). A primeira versão cinematográfica do romance de Sir Scott ocorreu ainda em 1913, sob a direção de Herbert Brenon, com King Baggot no papel de Ivanhoé. Ainda haveria outras versões, como a minissérie televisiva de 1981 dirigida por Douglas Camfield e estrelada por Anthony Andrews (Ivanhoé) James Mason (Isaac de York) e Olivia Hussey (Rebeca), além de outra minissérie para TV inglesa em 1997. 

Cedric (Finlay Currie) e seu filho Wilfred Ivanhoé (Robert Taylor).

Sir De Bois-Guilbert (George Sanders) e seu aliado, o boçal Front De Boeuf (Francis De Wolff).

Cartaz da 1ª versão cinematográfica do romance de Sir Walter Scott realizada em 1913.
IVANHOÉ, O VINGADOR DO REI é até hoje uma referência de superespectáculo passados 70 anos de seu lançamento, ainda mais valorizado pela trilha sonora composta pelo mestre Miklos Rozsa (1907-1995), agigantando esta obra prima dirigida por Richard Thorpe, que chegou as salas cariocas em 1953. 

O Célebre compositor Miklos Rozsa assinou a trilha sonora.

DIVULGAÇÃO DO FILME PELOS JORNAIS 






Ficha Tecnica


IVANHOÉ

O VINGADOR DO REI

(Ivanhoe)

País – Inglaterra/Estados Unidos

Gênero – Épico - Capa & Espada

Ano de Produção – 1952

Direção – Richard Thorpe

Produção – Pandro S. Berman, para Metro Goldwyn Mayer.

Roteiro - Æneas MacKenzie e Noel Langley, com base no livro de Sir Walter Scott.

Música – Miklos Rozsa

Fotografia - Freddie Young, em Cores (Tehcnicolor)

Edição – Frank Clarke

Metragem – 106 minutos

ELENCO

Robert Taylor – Wilfred Ivanhoe

Elizabeth Taylor – Rebeca

Joan Fontaine – Lady Rowena

George Sanders – De Bois-Guilbert

Emliyn Williams – Wamba

Robert Souglas – Sir Hugh de Braci

Finlay Currie – Cedric

Felix Aylmer – Isaac de York

Francis De Wolff – Fronte de Boeuf

Harold Warrender – Locksley/Robin Hood

Sebastian Cabot - Clerk

Encarte do VHS lançado no Brasil pela extinta Video Arte, por volta de 1991/92.
Produção e Pesquisa

PAULO TELLES


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sábado, 24 de julho de 2021

Josey Wales – O Fora da Lei (1976): Influenciado Por Sergio Leone, Clint Eastwood Infunde e Aperfeiçoa seu Personagem ao Dimensionamento Humano.


Desde 1964 que Clint Eastwood, como ator, vinha protagonizando uma linhagem de heróis monossilábicos e lacônicos ao definir a configuração física do homem sem nome nos três trabalhos que fez para os faroestes do diretor Sergio Leone - Por Um Punhado de Dólares (1964), Por Uns Dólares a Mais (1965), Três Homens em Conflito (1966) – coisa que se estenderia nos demais westerns estrelados pelo astro e que viria tempos depois com Os Imperdoáveis em 1992, obra que lhe deu reconhecimento de causa entre os grandes cineastas de Hollywood, detentora de nove Oscars da Academia.

O diretor e astro do filme Clint Eastwood
Contudo, se William Munny, personagem vivido por Clint em Os Imperdoáveis era um pistoleiro regenerado que volta a empunhar armas pela necessidade do dinheiro, em JOSEY WALES – O FORA DA LEI (Outlaw Josey Wales, 1976), faroeste que o ator dirigira e estrelara em 1976, a figura central era um homem pacato que empunhava armas pela vingança. Ao contrário de William Munny de Os Imperdoáveis, que era abatido pelo xerife corrupto vivido por Gene Hackman, Josey Wales era um soturno imbatível com uma fumegante automática de seis tiros em cada mão, tendo nas veias o sangue e no corpo fechado a mística postura dos personagens vividos por Clint nos westerns de Sergio Leone. Mas com uma inovação única, a abonançar seu tradicional jogo de retesada imobilidade rompida por crises de violência espasmódicas, emergindo um tique escatológico de galhofeiros propósitos: a perícia de Wales em fulminar seus desafetos com certeiras doses de humor segregado pelas glândulas bucais. Numa cena, tão ousado cuspinhador, recebe justo epiteto: “Você parece ter sido criado num chiqueiro!”. Ao longo da projeção, veremos um herói não somente a dar tiros e eliminar seus inimigos, mas a mastigar tabaco e cuspir o tempo todo, como nenhum outro personagem dos filmes de cowboy. 

Clint Eastwood é Josey Wales
Em JOSEY WALES – O FORA DA LEI, quinto filme com Clint Eastwood na direção, é abordado o período que se segue a Guerra Civil Americana ou Guerra da Secessão (1861-1865), aproximando-se ao máximo da realidade possível dos costumes e acontecimentos ao invocar o Velho Oeste sujo e decadente, uma terra de ninguém povoada por uma seleta e anti-higiênica alcateia, similar ao que já fora traçado por Robert Altman em Quando os Homens São Homens (1971). Em Josey Wales, os infortúnios padecidos pelo herói buscam refletir a horda de brutalidade, boçalidade e insensatez que varreu os Estados Unidos durante sua Guerra Civil, e ao longo de seus 134 minutos de narração, chegam-se ao alarmante índice de mortalidade de uma vítima a cada 90 segundos. E algumas (ou muitas delas) vítimas inteiramente inocentes que não estariam de nenhum dos lados do confronto. É o caso do próprio Wales, de início um pacato fazendeiro, e sua família. 

Após ter esposa e filho assassinados durante a Guerra Civil Americana, Wales parte para vingança, cujo seu maior alvo é...

... o desprezível Capitão Terrill, vivido por Bill McKinney.
A mulher de Wales e seu filho pequeno são mortos quando uma horda de selvagens nortistas invade sua modesta fazenda no Missouri, deixando um rastro de sangue e escombros. Josey nada pôde fazer contra os selvagens liderados pelo Capitão Terrill (Bill McKinney, 1931-2011), sendo abatido por um de seus homens. Ao se restabelecer, Wales abandona o arado, parte em sua montaria e executa a mesma missão de outros justiceiros, a exemplo de Ben Brigade, personagem vivido por Randolph Scott em O Homem Que Luta Só (1959) de Budd Boeticher, que não descansaram antes de lavar a alma ao termo de fatigantes jornadas por horizontes crepusculares em busca de justiça e vingança. Josey Wales se torna uma assombração ambulante, desencadeando terror e reverência em suas cavalgadas pelo Oeste decrépito e sem glória.

John Vernon é o Capitão Fletcher, líder sulista outrora apoiador de Wales, mas com o fim da guerra, busca sua cabeça a prêmio.

Josey Wales: Um soturno imbatível com uma fumegante automática de seis tiros em cada mão.
Buscando vingança, Wales alia-se aos guerrilheiros sulistas do Capitão Fletcher (John Vernon, 1932-2005), mas finda a guerra, os confederados se rendem a União, enquanto que Wales, rebelando-se contra os nortistas, inicia sozinho uma longa e acidentada jornada, matando soldados, caçadores de recompensa e renegados. Acaba fazendo amizade com um velho índio cherokee, Lone Watie (Chief Dan George, 1899-1981) no rumo da fronteira mexicana, e ambos salvam uma jovem pele vermelha, Litltle Monlight (Geraldine Keams), de ser violentada por sulistas renegados.

Eventualmente, Wales conhece o índio cherokee Lone Watie. Apesar da cena, os dois acabam se tornando amigos e companheiros de jornada.

Chief Dan George, autêntico índio aborígene australiano
Ao rebelar-se contra os vencedores da Guerra e pactuar com os Peles Vermelhas, Wales passa a seguir os passos do desconsolado sulista vivido por Rod Steiger em Renegando meu Sangue (1957), western de curiosos eflúvios políticos dirigido por Samuel Fuller. Muito embora o diretor Eastwood evoque reminiscências ou comparações com outros personagens ou mesmo situações já abordadas em outros westerns americanos, ele preferiu remoer modismos, aderindo herança dos faroestes italianos que estrelou como ator e desconversar sobre a essência do gênero. Para arrematar a extensa e olvidável cavalgada, Eastwood providencia o encontro de Wales com a paz na terra prometida, um amor lírico com Laura Lee (Sondra Locke, 1944-2018), moça prestes a ser violentada e morta pelos comancheros e que salvara a vida, e a misericórdia trégua com os inimigos. Em face deste lenitivo conformismo, conclui-se mais uma vez que a inércia silenciosa com que Eastwood traja seus personagens não representa necessariamente um abrigo para densas reflexões, mas apenas um toque de estilo, o bastante para os admiradores do astro e diretor. 

Sondra Locke é Laura Lee, uma jovem prestes a ser violentada pelos comancheros, mas salva por Josey Wales.

Laura e Josey se envolvem num amor lírico

Sondra Locke e Clint Eastwood

Segundo o crítico Guido Bilharinho em seu livro O Filme de Faroeste (Instituto Triangulino de Cultura, Uberaba, 2001), incidem e subsistem duas orientações antagônicas, por contraditório e paradoxal que pode parecer, visto que irreconciliáveis e não misturáveis como água e óleo. Mas são justamente essas propriedades e possibilidades de convivência inassimiláveis que singularizam a obra de Clint Eastwood. De um lado, é espetaculoso, maniqueísta e repleto de estereótipos e clichês, e pelo outro se caracteriza naturalista ou mimético. 

Wales faz tratado de paz com o líder dos Corvos, Chefe Dez Ursus (Will Sampson). 

Wales e Lonie Watie em mais uma cavalgada olvidável
Ainda muito influenciado pelos faroestes italianos (o bang bang a italiana ou Western Spaghetti)  aos os quais estrelou para Sergio Leone, Eastwood se baseia num enredo (ou a simplifica)  em que os atos criminosos mais nefandos estão desvinculados de qualquer de qualquer casualidade ensejadora e impulsionadora, não se justificando, objetivamente no filme, por sua inutilidade ou necessidade, os crimes que se cometem. Circunscrevem-se ou esgotam em si próprios, deixando certo travo de gratuidade, quando não de espetaculosidade e pretexto para composição da trama.



O confronto final entre Wales e o Capitão Terrill
Segundo o crítico Bilharinho, é imperativo destacar os perfis dos personagens índios, feitos pelos atores Chief Dan George e Geraldine Keams, e a idosa mulher branca que, mesmo atuando pouco, resta perfeitamente caracterizada, não se podendo notar o viés racista de índio com índia e branco com branca, quando o dado inicial do encontro da indígena com o herói propiciaria desenvolvimento diverso do adotado se não fosse sua depreciação humana.

Sondra Locke e Clint Eastwood em intervalo de filmagem.

Chief Dan George, Sondra Locke e Clint Eastwood num encontro descontraído depois das filmagens.
JOSEY WALES – O FORA DA LEI apresenta-se autoral a partir do momento em que promove linha diretiva comum a outros trabalhos do ator e diretor Clint Eastwood na construção do cowboy solitário, vingador e justiceiro, implacável e eficaz no seu propósito, sendo gizado conforme os protótipos dos personagens que idealizou para o gênero, tal qual em O Estranho Sem Nome (1972), O Cavaleiro Solitário (1985), e finalmente em Os Imperdoáveis (1992), herança direta recebida por Clint pelo mestre Leone dos heróis espetaculosos do faroeste europeu, mas que o cineasta/ator aperfeiçoa e infunde dimensionamento humano.

JOSEY WALES, O FORA DA LEI rendeu nas bilheterias americanas nada menos que 13 milhões e meio de dólares, e ao estrear na TV americana alcançou o índice de 25.7 de audiência. No Brasil, o filme chegou as nossas salas em março de 1977.

Divulgação do filme de um grande jornal do Rio de Janeiro, em exibição pelas suas salas em março de 1977.

Ficha Tecnica

JOSEY WALES

O FORA DA LEI

(THE OUTLAW JOSEY WALES)

Ano – 1976

País – Estados Unidos

Gênero – Western

Direção – Clint Eastwood

Produção – Robert Dale, James Fargo e John G. Wilson, em produção e distribuição para Warner

Roteiro – Forrest Carter (livro “Gone To Texas”), Philip Kaufman e Sonia Chernus

Música – Jerry Fielding

Fotografia – Bruce Surtees

Edição – Ferris Webster

Metragem – 134 minutos


ELENCO

Clint Eastwood – Josey Wales

Chief Dan George – Lone Watie

Sondra Locke – Laura Lee

Bill McKinney – Capitão Terrill

John Vernon – Capitão Fletcher

Paula Trueman – Grandma Sarah

Sam Bottoms – Jamie

Geraldine Keams – Litle Monlight

Woodrow Parfrey – Carpinteiro

Joyce Jameson – Rosa

Sheb Wooley – Travis Cobb

Royal Dano – Ten Spot

Matt Clark – Kelly

Will Sampson – Dez Ursus

John Quade – Comanchero

Dough McGrath – Lige

John Russell – Bloody Bill Anderson

Charles Tyner – Zukie Limmer

John Mitchum – Al

John Davis Chandler – Caçador de Recompensa

PAULO TELLES

Produção e Pesquisa


CINE VINTAGE

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