sábado, 13 de junho de 2020

Blog Filmes Antigos Club Completa 10 anos.


Já faz muito tempo. Dez anos é uma vida em atividade, e o espaço BLOG FILMES ANTIGO CLUB – A NOSTALGIA DO CINEMA, não poderia ser exceção.  Criado durante o evento da Copa do Mundo da África do Sul em 8 de junho de  2010, era na realidade adjunto a outro espaço hoje extinto, que era reservado para compra, venda e troca de DVDS de filmes antigos e raros entre colecionadores, e no começo era chamado de Filmes Antigos Club Artigos. O espaço que originou este blog era destinado para ser uma página sobre meras e curtas curiosidades acerca do cinema antigo, mas ao longo do tempo foi se transformando em um espaço amplo de interatividade e conhecimento sobre o assunto, postando sobre resenha de filmes famosos, biografias de astros e diretores, e claro, tentando preservar a memória e a cultura cinematográfica. Ao longo destes últimos dez anos, o blog e eu como redator fomos renovando de acordo com a interatividade de parceiros que prestigiam o espaço aqui presente. Vieram novas oportunidades, novos leitores, novos críticos, e novos apoiadores que vem ajudando a preservar de um modo ou de outro a página aqui homenageada.


Fac -Simile da primeira postagem em 8 de junho de 2010

O Blog
FILMES ANTIGOS CLUB – A NOSTALGIA DO CINEMA, bem como seu idealizador, não se contentou apenas a contar histórias e resenhas, bastidores e curiosidades, mas também ser interativo perante seus leitores. E não bastando apenas dividir opiniões e informações através de suas postagens, também vem colaborando e contribuindo para outras mídias. A web rádio e a literatura nos últimos anos vêm sendo um vínculo especial para com o espaço.  Ambas as mídias tem dado seu figadal apoio ao cinema através de suas respectivas empresas com seus mais fiéis amigos e colaboradores. Por isso, em celebração aos dez anos do blog FILMES ANTIGOS CLUB – A NOSTALGIA DO CINEMA, como editor presto um tributo a alguns destes apoiadores que nos últimos anos vem valorizando o blog e interagindo para preservação e memória da Sétima Arte. 

O editor com os amigos e companheiros, os escritores Carlos Gomes e Saulo Adami. Curitiba 2018.
Não é de desconhecimento por parte dos leitores minha estima e admiração pelo escritor catarinense Saulo Adami, que em 2014 colaborou para o artigo PLANETA DOS MACACOS – COMO TUDO COMEÇOU (publicado em 27 de outubro de 2014), e desde então fixamos parceria que foi se estendendo também nos livros. Foi graças a ele que em 2018 lancei meu primeiro livro em coautoria, PALADINO DO OESTE (Editora Estronho, São José dos Pinhais, 2018), na verdade um item da coleção “de Fã para Fã”, voltado à memória dos grandes clássicos da televisão. O livro remete na estruturação da cultuada série de TV Paladino do Oeste (Have Gun Will Travel), do gênero Western, que foi ao ar originalmente entre 1957 e 1963 e que era estrelada pelo inesquecível Richard Boone (1917-1981). Estive no lançamento em Curitiba durante a Literatiba 2018, onde voltei a encontrar outro grande amigo das letras, o escritor Carlos Gomes, que estava lançando outra obra da coleção, O Vigilante Rodoviário. Ainda interagindo na literatura sobre cinema e TV, eu e Saulo lançaremos breve TARZAN VAI AO CINEMA, pela mesma Editora Estronho (presidida por Marcelo Amado) e ainda um ensaio sobre a série televisiva estrelada por Ron Ely para a coleção “De Fã para Fã”. Meus agradecimentos a você, Saulo Adami, parceiro e irmão de jornada, muito obrigado!

Fac -simile da apresentação do artigo PLANETA DOS MACACOS - COMO TUDO COMEÇOU, com a colaboração de Saulo Adami, em 2014.
PALADINO DO OESTE - meu primeiro livro, escrito com Saulo Adami,
para a Editora Estronho.
O livro PALADINO DO OESTE pode ser encontrado pelo site da loja da Editora Estronho(https://www.lojaestronho.com.br/) ou diretamente por este blog. Mais informações acessar em: http://articlesfilmesantigosclub.blogspot.com/p/livro-paladino-do-oeste-paulo-telles.html


Locutor Sérgio Cortêz, outro amigo e parceiro do blog
Outro amigo e parceiro que não pode ficar de fora dessa homenagem de uma década de blog é o radialista, escritor e professor Sérgio Cortez, que foi meu colega da Escola de Rádio (ER) e me fez o convite para produzir o Cine Vintage – A Sala de Cinema das Noites de Domingo, programa pela web rádio que já está em sua terceira temporada e que desde 2018 vai ao ar todos os domingos às 22 horas (com reprise nas quintas feiras, às 22 horas, e sábados, às 16h50) pela WEB RÁDIO VINTAGE (https://webradiovintage.com/). O Cine Vintage é voltado para apresentação das maiores trilhas sonoras da história do cinema, assinadas pelos mais célebres mestres da composição cinematográfica, como Alfred Newman, Bernard Herrmann, Jerry Goldsmith, John Barry, Miklos Rozsa, Dimitri Tiomkin, entre outros. Através do Cine Vintage, minha parceria com Sérgio se tornou permanente e nossos espaços interagem entre si tanto pelo amor ao cinema e a música (quem ainda não acessou o site da Web Rádio Vintage não sabe o que está perdendo, pois é uma programação de qualidade ao longo de 24 horas direto pela internet). Com Sérgio ainda colaboro com muito gosto na coluna Cine Rádio, para a revista digital e gratuita NOVA REVISTA DO RÁDIO, cuja publicação pode ser acessada aqui mesmo neste espaço (http://articlesfilmesantigosclub.blogspot.com/p/nova-revista-do-radio-cine-radio.html) e que oferece para seus leitores matérias e reportagens com primeiríssima qualidade, e também no setor de notícias da rádio. Muito obrigado Sérgio por esta sociedade que certamente renderá sempre frutos para nossos respectivos projetos. 

Página da Web Rádio Vintage, que pode ser acessada em: https://webradiovintage.com/

Paulo Telles e Sérgio Cortêz na Escola de Rádio. Rio de Janeiro, 2015.
Aproveitando o ensejo para expressar meus totais agradecimentos também a outros espaços e blogueiros que escrevem sobre cinema e que são parceiros nas divulgações desses espaço. E por que não se lembrar daqueles que comentam e leem nossos artigos, leitores e seguidores que vem contribuindo com suas opiniões ao longo destes dez anos de BLOG FILMES ANTIGOS CLUB – A NOSTALGIA DO CINEMA? A TODOS os meus mais sinceros agradecimentos por suas participações e interatividade.

 MATÉRIAS A SEREM REEDITADAS EM 2020
Matéria em homenagem a Clint Eastwood para julho, atualizada e reeditada.
Além de produzir novas resenhas de filmes clássicos e biografias de estrelas do cinema, o blog FILMES ANTIGOS CLUB também irá reeditar e atualizar alguns tópicos que foram publicados ao longo desses dez anos de existência. Matérias sobre os filmes Matar ou Morrer (1952, de Fred Zinnemann), A Grande Ilusão (1949, de Robert Rossen), Rastros de Ódio (1956, de John Ford), O Último Hurrah (1958, de Ford), e A Marca da Maldade (1958, de Orson Welles) serão revistas e atualizadas no blog. Para o mês de julho, retomaremos a vida, carreira e obra de Clint Eastwood, que completou 90 anos no último dia 31 de maio, sendo relembrada em novo tópico, em tributo a esta legenda da Sétima Arte.

ARTIGOS MAIS LIDOS E VISITADOS AO LONGO DE DEZ ANOS ON LINE
Fac-simile do artigo O WESTERN AMERICANO E O WESTERN EUROPEU, publicado em 3 partes. Uma das primeiras matérias do espaço, em 2010.
Vale ressaltar que as matérias mais lidas e comentadas ao longo destes dez anos não nos fogem do registro. Uma das primeiras matérias do espaço publicadas entre junho e novembro de 2010 resgatava as lembranças dos faroestes: O Western Americano e o Western Europeu. Também relembramos alguns dos épicos mitológicos através do herói Hércules no cinema: O Mitológico Hércules no Cinema e Seus Principais Intérpretes. Foi falado sobre a saída do ator Pernell Roberts na série de Tv Bonanza, publicado em 2012, todas merecedoras de excesso de comentários e visita de leitores. Entre as biografias, a mais comentada e visitada é a de Jerry Lewis, publicada em 2016 em ocasião do aniversário de 90 anos do comediante, que morreu no ano seguinte, aos 91 anos em agosto de 2017. 

Canal no instagran


O FILMES ANTIGOS CLUB – A NOSTALGIA DO CINEMA, agora tem mais um espaço para sua divulgação. Para ficar a par das matérias e tópicos já publicados ou ainda aqueles que estão para serem publicados.  https://www.instagram.com/blogfilmesantigosclub/
Vida longa e Próspera ao Blog Filmes Antigos Club – A Nostalgia do Cinema.
Paulo Telles
Redator/Editor do Blog Filmes Antigos Club - A Nostalgia do Cinema



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sábado, 14 de março de 2020

A Última Esperança da Terra (1971): Charlton Heston como o “Homem Omega” que Tenta Salvar a Terra.



Charlton Heston (1923-2008) mais uma vez é o representante final da espécie humana. Como fora em O Planeta dos Macacos (1968) e depois em No Mundo de 2020 (1973), Heston no papel do cientista militar - Dr. Robert Neville – acredita ser o único sobrevivente de uma guerra bacteriológica entre a União Soviética e a China em 1975. Encontramos o Dr. Neville em 1977 numa Los Angeles deserta, vivendo em seu apartamento de cobertura, cercado de luxo e de um verdadeiro arsenal. As armas tem função de desafiar os mutantes que sobreviveram à fúria nuclear e agem como vampiros, que sofrem de fotofobia e saem pela escuridão da noite para queimar tudo que restou da cultura humana e fazer guerra contra a herança tecnológica representada pela presença de Neville.  Todas as noites, os mutantes reaparecem para queimar livros, destruir pinacotecas e vestígios de progresso, numa verdadeira orgia de encenação medieval contra tudo que significou o apogeu da ciência e do progresso.

Edição especial e americana do livro I Am Legend, de Richard Matheson, com base na produção A ÚLTIMA ESPERANÇA DA TERRA (1971)

O escritor Richard Matheson. 
Assim é o enredo de A ÚLTIMA ESPERANÇA DA TERRA (The Omega Man), realizado em 1971 pelo diretor Boris Sagal (1923-1981), cujo argumento foi adaptado da novela I Am Legend (Eu sou a Lenda), de Richard Matheson (1926-2013), com a qual esse celebrado escritor de ficção científica conquistou a medalha de ouro de literatura nos Estados Unidos em 1954.  Em realidade, THE OMEGA MAN é remake do livro de Matheson, pois a mesma trama havia sido levada ao cinema em 1963 por Sidney Salkow, com o título de Mortos que Matam (The Last Man on Earth), com Vincent Price. E mais tarde, em 2007, refilmado como Eu Sou a Lenda (I am Legend), de   Francis Lawrence, com Will Smith.

Charlton Heston como o Dr. Robert Neville, o único sobrevivente de um ataque bacteriológico que dizimou a Terra...
... sozinho em uma Los Angeles deserta...
...mas será que está mesmo só?
Os mutantes/vampiros (conhecidos como “A Família”) desaparecem nas horas do dia, enquanto Neville busca seus meios de subsistência nas lojas semidestruídas de alimentos, nas farmácias e nas butiques de elegância masculina, isto é, o cientista tem tudo a sua disposição quando bem quer, desde as lojas, os hotéis, e até mesmo as salas de cinema, onde ele mesmo próprio projeta os filmes que assiste. São nessas ocasiões em que ele procura descobrir o esconderijo do líder dos mutantes, Matthias (Anthony Zerbe), cujos seguidores reaparecem à noite para tentar atacar Neville e tudo que sobrou da ciência. Para Matthias, todo progresso foi responsável pela ruína da Terra e o único representante ainda vivo da ciência (no caso, Neville) precisa ser exterminado.  O cientista tem tudo registrado em seu gravador portátil e anota em seu diário todos os movimentos dos mutantes.  Na descrição desta atmosfera, A Última Esperança da Terra se aproxima dos clássicos Os Últimos Cinco (1951, de Arch Oboler) e O Diabo, a Carne e o Mundo (1959, de Ranald MacDougall), que estampavam a solidão dos remanescentes da raça humana.
Neville rastreia os mutantes/vampiros, que agem a noite.
Neville em luta constante contra os mutantes.
Matthias (Antony Zerbe), o líder dos mutantes/vampiros (a "Família"). Ao seu lado, Zachary (Lincoln Kilpatrick), seu segundo em comando.
Entretanto, a narrativa logo se perde nos labirintos das aventuras mais padronizadas do gênero Sci-Fi, quando Neville acaba por descobrir outros sobreviventes humanos como ele. São o caso de Lisa (Rosalind Cash, 1938-1995) e Dutch (Paul Koslo, 1944-2019), que se mantinham as escondidas sem o conhecimento de Neville. Uma noite, o cientista é capturado pelos mutantes, e Lisa e Dutch salvam sua vida. Em contribuição, Neville cuida do irmão caçula de Lisa, Richie (Eric Laneuville), afetado pela bactéria e com risco de virar um dos mutantes. O médico e cientista explica a Lisa que pode salvar a vida do irmão, já que ele conserva uma vacina. Sendo imune, seu próprio sangue pode servir de soro para evitar a propagação da bactéria. Breve, Lisa, que é negra, tem um romance com Neville, numa óbvia mensagem antirracista.

O tribunal dos mutantes, também conhecido como "A Família".
Solitário, não resta a Neville "conversar" e "jogar xadrez" com um busto...
...até conhecer Lisa (Rosalind Cash) uma forte aliada de Neville contra os mutantes.
Paul Koslo é Dutch, um dos sobreviventes e aliados de Neville
A ÚLTIMA ESPERANÇA DA TERRA tem uma fascinante história, e o script de John William Corrington (1932-1988) e Joyce Hooper Corrington, apesar das concessões ou facilidades com o romântico e o suspense – indecisas entre a defesa de Neville, a relação entre este e Lisa, e a posição dos mutantes contra os perigos do passado, mesmo cometendo várias incoerências ou imprecisões, The Omega Man é um filme atraente, envolvida pela futurística trilha sonora do australiano Ron Grainer (1922-1981) e a fotografia de Russell Metty (1906–1978). Produção de Walter Seltzer (1914-2011).
Neville e Lisa enfrentarão os terrores do fim do mundo...
... e se apaixonarão.

A direção do renomado Boris Sagal , embora eficiente e segura, jamais consegue elevar o nível do romance de Richard Matheson, cuja técnica narrativa obtém nos seus melhores livros uma coerência entre mentes críveis e aceitáveis os argumentos fantasia e realidade torna-os perfeitamente fantásticos e metafóricos em suas histórias. O cineasta e os roteiristas não se aprofundaram bem no comportamento de Neville – o Homem Ômega do título original, começo e fim, que ao se fazer uma alusão a Jesus, acaba “crucificado” doando seu sangue não contaminado para a salvação da humanidade. 

Neville dominado pelos inimigos.

Seu sacrifício não foi em vão.

O diretor Boris Sagal
Talvez tenha interessado ao diretor mais a aventura (que não deixa de ser eletrizante) do que a reflexão, enquanto que no livro de Matheson a aventura serve a reflexão e é esta que dá sentido a aventura. O resultado é um filme com elementos atrativos, mas não muito convincente, apesar dos esforços do diretor e dos cuidados da produção. Charlton Heston, desempenhando mais uma vez o herói que se sacrifica pela humanidade, está ótimo como o Dr. Robert Neville, o Omega Man. A talentosa atriz Rosalind Cash perfeita como Lisa, mas quem mesmo rouba as cenas é o fantástico Anthony Zerbe como Matthias, o fanático mutante convencido de sua missão carismática. Sem dúvida, A ÚLTIMA ESPERANÇA DA TERRA é um verdadeiro clássico da década de 1970. 

Divulgação do filme no Brasil
FICHA TÉCNICA
A ULTIMA
ESPERANCA DA TERRA

(THE OMEGA MAN)
País – Estados Unidos
Ano de Produção – 1971
Gênero – Ficção Científica
Produção - Walter Seltzer, para a Warner Bros (em distribuição)
Roteiro - John William Corrington e Joyce Hooper Corrington, com base no livro I Am Legend, de Richard Matheson.
Música – Ron Grainer
Fotografia - Russell Metty (em cores)
Metragem – 98 minutos

ELENCO
Charlton Heston – Dr. Robert Neville
Rosalind Cash – Lisa
Anthony Zerbe – Matthias
Paul Koslo – Dutch
Eric Laneuville – Richie
Lincoln Kilpatrick – Zachary
Jill Giraldi – Pequena menina
Brian Tochi – Tommy
DeVeren Bookwalter – mutante
John Dierkes – mutante
Monika Henreid – mutante
Linda Redfearn – mutante
Forrest Wood – mutante
PAULO TELLES
Produção e Pesquisa


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sábado, 25 de janeiro de 2020

Uma Aventura na África (1951): John Huston e sua Exaltação aos Valores Humanos, em uma História de Amor e Aventura.



Em 1950, o cineasta John Huston (1906-1988) planejou a adaptação do livro The African Queen, do escritor C.S Forester (1899-1966). Para isso, o diretor teve a brilhante e oportuna ideia de chamar o romancista e crítico James Agee (1909-1955). Agee havia comentado sobre um trabalho de Huston, o documentário The Battle of San Pietro para a revista Time. Huston mandou-lhe um bilhete de agradecimento, e, mais tarde, Agee dedicou ao diretor um penetrante artigo na revista Life.


C. S. Forester: O autor do romance que originou o filme 
UMA AVENTURA NA ÁFRICA (1951)
James Agee, um dos roteiristas de UMA AVENTURA NA ÁFRICA (1951).
De início, o livro de Forester fora adquirido pela Columbia Pictures, que pretendia filma-lo com Charles Laughton e Elsa Lanchester. Depois a Warner comprou o material de veículo para Bette Davis e Humphrey Bogart. Finalmente, Huston e Sam Spiegel (1901-1985) pagaram 50.000 dólares, obtendo os direitos para a Horizon. Assim, UMA AVENTURA NA ÁFRICA (The African Queen, 1951) reverteu numa obra deliciosa cheia de espírito sardônico, mas, ao mesmo tempo, de contagiante alegria, fé, e otimismo.

Humphrey Bogart, um dos astros principais, e o diretor John Huston.
A saúde precária de Agee o impediu de ir a África e Huston solicitou Peter Viertel (1920-2007) ajuda para o roteiro final. Tempos depois, o cineasta declarou:

- C.S Forester disse-me que nunca ficou satisfeito com o final de sua novela. Ele escreveu dois finais: um sudado na edição americana; o outro, na inglesa. Nenhum dos dois lhe agradou plenamente. Achei que o filme deveria ter um final feliz. Viertel e eu escrevemos juntos o meu final, que acabamos filmando.

Viertel escreveu um livro sobre os bastidores de UMA AVENTURA NA ÁFRICA, que inspirou Clint Eastwood a dirigir e estrelar em 1990 o filme CORAÇÃO DE CAÇADOR (White Hunter Black Heart), interpretando o cineasta John Huston, intitulado na fita como John Wilson.

A história começa quando Rose (Katharine Hepburn) perde seu irmão, o missionário Samuel Sayer (Robert Morley), morto pelos alemães durante a I Guerra Mundial.
Com a morte do irmão, Rose une-se ao aventureiro Charlie Allnut (Humphrey Bogart). Mas os dois descobrem entre si muitas diferenças.
Em Setembro de 1914, no raiar da Primeira Guerra Mundial (1914-1918), alemães dizimam uma aldeia africana e matam o missionário inglês protestante Samuel Sayer (Robert Morley, 1908-1992), cuja irmã, a solteirona Rose (Katharine Hepburn, 1907-2003), foge com o aventureiro canadense Charlie Allnut (Humphrey Bogart, 1899-1957) em seu barco, The African Queen. 

Charlie e Rose precisarão superar suas diferenças, se quiserem sobreviver a perigosa África.
O casal de heróis, apesar de suas inúmeras diferenças de opinião sobre os valores, enfrentam corajosamente o sol e a chuva, a fadiga, mosquitos, cascatas, corredeiras, o perigo de jacarés, e claro, o ataque do famigerado exército alemão. É nessa convivência tumultuada que os dois descobrem o significado da amizade e do amor. De formação autoritária e puritana, Rose manifesta, inicialmente, certa discriminação pelos modos rústicos e vulgares do canadense Charlie. Indiferente aos seus problemas e sentimentos, procura impor seus projetos e pontos de vista ao companheiro de viagem. Este, por sua vez, se sente cada vez mais deprimido e solitário, o que faz com que ele recorra a bebida com intuito de afogar suas frustrações.

E a aventura só está apenas começando!
Enquanto Rose, com um comportamento insensível e recatado, controla de forma rígida suas manifestações de feminilidade, Charlie por sua vez mostra pouco apreço por sua dignidade pessoal. A inglesa almeja uma conduta angelicalmente superior; o canadense, por sua vez, deprecia seus valores humanos. Entretanto, na convivência do dia a dia, Rose vai aprendendo a respeitar o homem que se empenhara em auxiliá-la, dispondo-se a dividir com ele todas as tarefas, mesmo as mais rudes. Por seu turno, a constante presença feminina funciona como um estímulo para que Charlie recupere progressivamente a autoestima e passe a ter um comportamento mais digno.

Mas mesmo com as dificuldades, os dois superam suas diferenças.
Estimulado pela companheira Rose, ele enfrenta com coragem os riscos e encontra os meios adequados para vencer todas as dificuldades. Os dois acabam sendo beneficiados por esta convivência diária. O encontro acidental, resultantes de circunstâncias adversas, vai transformando a viagem numa experiência e compreensão cada vez mais profunda para ambos.

Por fim, Charlie e Rose se apaixonam, e pelo amor, os dois conseguem sobrepujar todos os obstáculos.
Ao longo de toda a odisseia, os dois vão se sentindo estimulados a lutarem juntos pela sobrevivência, confiantes no amparo recíproco e confortados pelos laços de amizade plena e mútua. Por isso, UMA AVENTURA NA ÁFRICA faz um convite à reflexão, através de uma exaltação aos valores humanos de solidariedade, apreço, respeito, e amor recíproco.

Durante as filmagens, John Huston explica como usar um rifle, observado por Humphrey Bogart e sua esposa Lauren Bacall.
Luz, Câmera, Ação! Bogart e Katie Hepburn prontos para mais um Take.
UMA AVENTURA NA ÁFRICA foi rodado em árduas condições no rio Ruky, no Congo Belga, e na Uganda Inglesa, descrevendo com cativante senso de humor a acidentada jornada dos dois protagonistas por rios perigosos, enfrentando malárias, corredeiras, insetos e sanguessugas até o objetivo final, que é por a pique um navio alemão com dois torpedos improvisados.  Essa apaixonante história de aventura e amor conta com a belíssima fotografia de Jack Cardiff (1914-2009), que tão bem consegue captar as belezas naturais do continente africano, tanto fauna quanto flora.  A música de Allan Gray (1904-1973) é outro ponto alto do filme.

Bogart e Huston
Bogart, Huston, Bacall, e o restante da equipe técnica: UMA AVENTURA NA ÁFRICA (1951).

Vale ainda destacar que UMA AVENTURA NA ÁFRICA foi o primeiro filme a cores de Katharine Hepburn. Este grande clássico do cinema de aventura, já imortalizado em listas e antologias como “um dos melhores de todos os tempos”, proporcionou ao mito Bogart o seu único Oscar como Melhor Ator. Até seu falecimento em 1988, o cineasta John Huston costumava declarar que de todos os filmes que realizou, UMA AVENTURA NA ÁFRICA era seu favorito, embora tenha realizado obras de mesmo porte, como O Tesouro de Sierra Madre (1948), Relíquia Macabra (1941), e O Segredo das Joias (1950).


FICHA TÉCNICA
Uma Aventura Na África

(The African Queen)

País Estados Unidos/Inglaterra
Ano de Produção – 1951
Gênero – Aventura
Direção – John Huston
Produção – Sam Spiegel, para a Horizon Pictures, e distribuição pela United Artists (mais tarde para Columbia Pictures)
Música – Alan Gray
Fotografia – Jack Cardiff, em Cores
Metragem – 105 minutos.

ELENCO
Humphrey Bogart – Charlie Allnut
Katharine Hepburn – Rose Sayer
Robert Morley – Reverendo Samuel Sayer
Peter Bull – Capitão do “Louise”
Theodore Bikel – Primeiro Ofical
Walter Gottel – Segundo Oficial
Peter Swanwick – Primeiro oficial do “Shona”
Richard Marner – Segundo oficial do “Shona”

Produção e Pesquisa
Paulo Telles


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EM MARÇO, 3ª TEMPORADA! AGUARDEM!!!