sábado, 24 de fevereiro de 2018

Da Terra Nascem os Homens (1958): Na Era da TV, O Primeiro Grande Western em Superprodução, Com Rara Temática Pacifista para o Gênero.


Raramente, na década de 1950, época bem recheada de westerns, que Hollywood divulgava o gênero em tons pacifistas, muito embora alguns cineastas mais avançados como Anthony Mann (que dirigiu 5 grandes clássicos com James Stewart) lançavam uma nova leitura ao estilo cinematográfico genuinamente americano. Mas o clássico a ser abordado foi dirigido por outro grande diretor, que ficou muito famoso por ser o portador dos genuínos clássicos do cinema por excelência, cujo nome é sinônimo disso:  William Wyler (1902-1981).

O Cineasta William Wyler
Wyler certamente foi um dos maiores cineastas do século XX, mas  nunca se considerou um autor de filmes e nunca foi esta a sua pretensão, e por isso era ignorado pela turma francesa do Cahiers du Cinéma, legião esta que, justamente, inventou o conceito do “cineasta ser o artesão da obra”. Trabalhava por encomenda sim, muitas vezes para produtores independentes (como Samuel Goldwyn). Não é possível se detectar um estilo de narrativa, um tipo de fotografia, ou sequer um ângulo favorito, em que não haja a participação de Wyler. A única identidade comum entre seus filmes era a excelência, nas palavras de Rubens Ewald Filho. Em verdade, nunca fez um filme ruim, muito embora haja películas umas melhores do que as outras, mas certamente, grandes obras cinematograficamente culturais tem seu legado. 


DA TERRA NASCEM OS HOMENS (The Big Country, 1958) foi o primeiro Western a ser, de fato, uma superprodução, já que, em 1958, a televisão invadia os lares americanos, lançando muitas séries de faroestes, como As Aventuras de Rin Tin Tin, The Lone Ranger (Zorro & Tonto), Paladino do Oeste, Gunsmoke, o Homem do Rifle, entre outros - e no entanto, seria imperioso um investimento alto para não perder a concorrência com a telinha.  Para isto, nada como reunir um cineasta premiado e de renome internacional, atores consagrados, um compositor que pudesse prender o espectador com a trilha sonora (Jerome Moross), e um fotógrafo que pudesse dar todo o panorama que nenhum televisor poderia enquadrar (Franz Planer).
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O resultado deste esforço épico foi uma obra de 165 minutos de duração e que custou cinco milhões de dólares, causando grande impacto e levando o público aos cinemas e definitivamente marcou aqueles que o assistiram por suas cenas de inigualável e impressionante beleza visual. Baseada no conto Ambush at Blanco Canyon de Donald Hamilton (o mesmo autor de  Pecado em Cada Alma e os livros do espião Matt Helm) e adaptada por Jessamyn West (1902-1984, autora Sublime Tentação, obra de Wyler realizada em 1956, com Gary Cooper), Da Terra Nascem os Homens é tido pelo editor do Blog como um dos DEZ MAIORES WESTERNS DE TODOS OS TEMPOS!


Gregory Peck como Jim McKay, o mocinho de DA TERRA NASCEM OS HOMENS (1958)
Mas DA TERRA NASCEM OS HOMENS pretende, de fato, fazer jus ao seu título original. Se a pretensão do cineasta foi realmente fazer um filme estrondoso, valeu o espetáculo, pois levou uma história ao seu final sem provocar irritação irreparável no espectador. Para alguns críticos mais arredios, o fator negativo do filme reside justamente na sua mania de grandeza. Isto porque a temática da trama, que é marcada pela conduta do personagem de Gregory Peck (1916-2003), é interessante e válida. Peck como Jim McKay é o herói que se recusa a agir de acordo com os métodos rudes e ásperos do Velho Oeste, que prova que a razão é mais superior que a violência. Tudo isso esta provado no argumento no personagem principal, às vezes um pouco confuso e cansativo na coordenação dos incidentes da história. 


Jean Simmons como a Professora Julie Maragon
O início e o final da fita seguem a fórmula clássica do gênero, com bastante ação a despertar o interesse do público. Mas o miolo da história se arrasta, assim como que impregnado pela vastidão enfadonha da planície arenosa, onde a escassez de água era o motivo de uma sangrenta e invencível divergência entre dois velhos fazendeiros, vivido respectivamente por Charles Bickford e Burl Ives.


Burl Ives como Rufus Hannessey, e seu inimigo caído ao chão, Major Terrill, vivido por Charles Bickford.
É certo que THE BIG COUNTRY possui, isoladamente, grandes momentos de criação cinematográfica motivadas pela mente de William Wyler. O espectador mais atento poderá observar, por exemplo, que o sentido de vastidão do campo domina toda obra, graças a esplendida fotografia de Franz Planer.


Steve Leach, vivido por Charlton Heston, capataz do rancho do Major Terrill, pai de Patricia (Carroll Baker).
Considerado o primeiro western de efeito esplendoroso nas proporções da tela do Techinirama – a começar pelos títulos de abertura de Saul Bass (1920-1996), ritmados com a música vibrante de Jerome Moross. Obviamente, em uma tela de televisão o efeito causa menos impacto, mas o filme se impõe pelo seu cineasta, pelo elenco, e pela temática pacifista, algo incomum no gênero. 



A TRAMA
O Major Henry Terrill anunciado o noivado de Jim e Patricia...

...enciumando Steve Leach, que gosta da filha de seu patrão.
O pacífico Jim McKay em luta com Steve Leach.
James “Jim” McKay (Gregory Peck), um cavaleiro do leste e ex marinheiro, vai ao Texas visitar a noiva Patricia Terrill (Caroll Baker) e encontra uma região abalada pelo conflito de terras: dois barões do gado, o pai de Patricia, o Major Henry (Charles Bickford, 1889-1967), e Rufus Hannessey (Burl Ives, 1909-1995) disputam um rancho pertencente a Julie Maragon (Jean Simmons, 1929-2010) e que possuí a única fonte de água no território. 


Buck Hannessey (Chuck Connors) se interessa por Julie (Jean Simmons) e em uma noite ele tenta violenta-la...
...mas McKay intervém e agride Buck.


Buck (Chuck Connors) é morto pelo próprio pai (Burl Ives).
McKay se põe ao lado de Julie, e como que não quer nada, vai aos poucos impondo sua política pacifista num ambiente hostil onde impera a lei da força bruta. O cavaleiro do Leste terá que provar seu valor ao tentar montar uma cavalo selvagem, chamar para briga no meio da noite o capataz do rancho dos Terrill, Steve Leech (Charlton Heston) após recuar lutar com ele na frente de Patricia, e também para defender Julie, lutar com Buck Hannessey (Chuck Connors, 1921-1992), filho de Rufus. 
DESTAQUES & CURIOSIDADES

Gregory Peck e Carroll Baker recebendo instruções do diretor William Wyler.
William Wyler e Gregory Peck eram grandes amigos, inclusive é o próprio astro de “A Princesa e o Plebeu” (outra obra de Wyler) que co-produziu este fascinante superespectáculo Western. Porém, durante as filmagens, Peck e Wyler se desentenderam feio. Tudo porque Wyler, um perfeccionista ao extremo, fazia questão de repetir muitas cenas as quais Gregory Peck, como co-produtor, reprovava e achava que estavam perfeitas. O cineasta disse a jornalistas – e fez questão de dizer que estava falando em on, para publicar – que não voltaria a dirigir o ator nem por um milhão de dólares. Com efeito, ambos jamais voltariam a se falar, até Wyler falecer em 1981.

Jean Simmons

CAST de DA TERRA NASCEM OS HOMENS. Notem que Jean Simmons não esta nada sorridente!
Jean Simmons acabou por aceitar o papel de Julie Maragon, mesmo não tendo simpatias por William Wyler. Tudo porque Simmons foi a primeira escolha do diretor para ser a princesa em A Princesa e o Plebeu , mas Wyler voltou atrás e preferiu Audrey Hepburn. Simmons considerou a atitude de Wyler deselegante, mesmo não havendo ainda um contrato firmado. Contudo, por razões profissionais, Jean acabou pegando o papel de Julie, mas nunca reatou amizade com o diretor. A relação era estritamente profissional e ao longo de sua vida sempre se recusou a falar do cineasta.

Jerome Moross, compositor da trilha sonora de
DA TERRA NASCEM OS HOMENS (1958)
O fotógrafo Franz Planer e Gregory Peck
Da Terra Nascem os Homens é um western espetacular, valorizado por marcante comentário musical de Jerome Moross (1913-1983), uma das mais belas trilhas do gênero que segura todo o espetáculo. E é um filme valorizado também pela bela fotografia do austro-húngaro Franz Planer (1894-1963), o mesmo que fotografou Bonequinha de Luxo, A Princesa e o Plebeu, e Rei dos Reis.

Charlton Heston
Charlton Heston, que já era um ator consagrado após o clássico Os Dez Mandamentos, dirigido por Cecil B De Mille, teve que se submeter a um “teste” com Wyler. DeMille sempre gostou de Heston e sugeriu a Wyler que desse ao astro de O Maior Espetáculo da Terra um dos papéis. Até então, Charlton havia feito sempre papéis de heróis, inclusive em westerns, e sem contar que o ator ainda estava estigmatizado pela crítica como canastrão comparado a Victor Mature, no início da carreira.


Wyler deu a Heston o papel do antipático e rude Steve Leach, quase vilão do filme. De início, Charlton queria recusar o papel do capataz, por achar que era pequeno, mas seu agente o convenceu de que valeria a pena pela oportunidade de trabalhar ao lado de Gregory Peck, e sob a direção de William Wyler. Felizmente, Heston aceitou o conselho de seu agente, e para sua felicidade, Wyler gostou tanto de seu desempenho, que o pôs no ano seguinte para seu próximo trabalho e talvez um dos mais importantes do cineasta, Ben-Hur, onde Charlton Heston seria o astro principal e outorgaria grande responsabilidade na superprodução.

O diretor William Wyler e a atriz Carroll Baker.
Carroll Baker chegou a ter também uma carreira longa, e anos depois, confessou que se tornou amante de produtor para subir em Hollywood, mas depois se arrependeu e foi estudar no Actor´s Studio onde encantou Elia Kazan que a usou como Baby Doll (1955), filme polêmico. Teve muitas chances no cinema, foi dirigida por John Ford (Crepúsculo de Uma Raça, 1962) e mesmo pelo nosso Hector Babenco (Ironweed, 1987), Muito estranho porque em Da Terra Nascem os Homensseu personagem fica ausente da luta final.

O ator mexicano Alfonso Bedoya, em seu
último trabalho no cinema.
Destaque também para o ator mexicano  Alfonso Bedoya (1904-1957), falecido aos 53 anos por problemas relacionados ao álcool, que sequer chegou a ver o filme lançado. Bendoya foi o melhor de todos os atores mexicanos fazendo tipos característicos no cinema norte-americano, o primeiro deles em O Tesouro de Sierra Madre (1949, de John Huston), onde roubou muitas cenas até mesmo do astro principal, Humphrey Bogart. Em Da Terra Nascem os Homens, ele faz o papel do empregado dos Tirrell, Ramón Guiteras, que acaba se tornando uma espécie de “Sancho Pança” para o personagem de Gregory Peck.  Ramón abandona os Tirrell para servir a Mckay e lhe avisar dos perigos que corre, e na última cena, ele parte com o herói e Julie, dando a entender que seguirá seu destino com os dois. Nota-se um dublê de costas no lugar de Bendoya, que morreu antes da conclusão das filmagens.

Burl Ives ganhou o Oscar de melhor ator coadjuvante por sua atuação em DA TERRA NASCEM OS HOMENS (1958).
Burl Ives era um ator de múltiplos talentos, pois também era radialista, cantor, escritor, e músico. Começou a vida como esportista, sendo jogador de futebol americano, mas foi inserido no mundo da música, tornando-se um cantor de Folk e baladas, gravando mais de 30 álbuns para Decca e 12 para a gravadora Colúmbia. Sua carreira de ator começou na Broadway, onde é mais lembrado pelo público americano no papel de Big Daddy na versão de Gata em Teto de Zinco Quente, em 1938, papel que repetiria na versão cinematográfica de 1959 com Elizabeth Taylor e Paul Newman - mas somente em 1946 foi introduzido em Hollywood com Furacão Negro (Smoky) com Fred MacMurray e Anne Baxter.


Burl Ives também era cantor e gravou inúmeros Long Plays.
Ives ficou notável como o rústico patriarca Buck Hannassey, o que lhe valeu o Oscar de ator coadjuvante do ano por este precioso western. Nesta época, ele já se encontrava semi-aposentado do  show business, mas com o Oscar conquistado, muitas outras oportunidades se abriram para este gigante em todos os sentidos, seja na estatura física e no talento. Quando em 1989, aos 80 anos de idade, anunciou definitivamente sua aposentadoria, veio a se estabelecer em Anacortes, Washington, com sua família, muito embora fizesse até quase ao fim da vida shows beneficentes. Um ano antes de seu falecimento, foi introduzido no Hall da Fama DeMolay, pois era um Grão Mestre da Maçonaria, grau 33 (o máximo), e toda sua família era vinda de maçons. Assim ele dizia:

Tive a sorte de nascer em uma família de maçons. Na verdade, minha irmã mais velha, Audrey, era matrona Grande da Ordem da Estrela do Oriente, em Illinois. Minha experiência DeMolay veio muito naturalmente por causa do meu pai e irmãos. Assim foi a minha juventude reforçada.

Burl Ives morreu em 14 de abril de 1995 aos 85 anos.


Divulgação do filme nos jornais cariocas, em exibição pelas salas do Rio de Janeiro.


Ficha tecnica

DA TERRA NASCEM OS HOMENS
(The Big Country)
País – Estados Unidos
Ano – 1958
Gênero - WESTERN
Direção – William Wyler
Produção – William Wyler, Robert Wyler e Gregory Peck, em distribuição da United Artists
Roteiro - James R. Webb, Sy Bartlett, Robert Wilder, com adaptação de Jessamyn West e Robert Wyler, com base na história de Donald Hamilton.
Fotografia – Franz Planer, em Cores.
Música – Jerome Moross
Metragem – 165 minutos.



Elenco
Gregory Peck – James McKay
Jean Simmons - Julie Maragon
Carroll Baker - Patricia Terrill
Charlton Heston - Steve Leach
Burl Ives - Rufus Hannassey
Charles Bickford - Major Henry Terrill
Alfonso Bedoya - Ramón Guiteras
Chuck Connors - Buck Hannassey
Chuck Hayward - Rafe Hannassey
Buff Brady - Dude Hannassey
Dorothy Adams- Mulher da família Hannassey
Chuck Roberson - Vaqueiro dos Terrill
Bob Morgan   -  Vaqueiro dos Terrill
John McKee - Vaqueiro dos Terrill
Slim Talbot - Vaqueiro dos Terrill
Jim Burk   - Blackie / Cracker Hannassey
Carey Paul Peck - Garoto de 11 anos
Jonathan Peck - Garoto de 14 anos
Ralph Sanford - Convidado na festa


PRODUÇÃO E PESQUISA:

PAULO TELLES
Observação: O Tema já fora publicado no espaço em 2013. O presente post sobre Da Terra Nascem os Homens agora está mais completo e revisado.
(o editor)

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sábado, 17 de fevereiro de 2018

Editor do Blog “Filmes Antigos Club” Transmitirá o Programa “Cine Vintage” pela Rádio Vintage Na Web.



Aos amigos, leitores, e seguidores do presente espaço FILMES ANTIGOS CLUB – A NOSTALGIA DO CINEMA. Eu, Paulo Telles, editor deste blog, tenho a imensa satisfação de comunicar que estarei comandando a partir deste domingo, 18 de fevereiro de 2018, um programa na WEB RÁDIO VINTAGE (http://webradiovintage.com/), o CINE VINTAGE, que divulgará as maiores trilhas sonoras da história da Sétima Arte e seus inesquecíveis temas, com os imortais compositores que deram seus talentos na música para dar vida as grandes produções do cinema.  

Locutor e apresentador Sérgio Cortêz, proprietário da Web Rádio Vintage, acessado em http://webradiovintage.com/
Tudo isto é possível graças ao convite feito no fim do ano passado por um amigo e colega da ESCOLA DE RÁDIO DO RIO DE JANEIRO (dirigida Mestre Ruy Jobim), Sérgio Cortêz, com quem tive prazer de conhecê-lo durante um curso sobre Web-Rádio administrado por outro grande comunicador da rádio carioca, Carlos Mayrink.  Cortêz é o fundador da “Web Rádio Vintage” e locutor também formado (como eu) pela “Escola de Rádio” do Mestre Ruy. Quem acessar neste instante a “Web Rádio Vintage”, vai se deparar com grandes sucessos do passado, desde as décadas de 1950 e caminhando até os anos de 1990 ou 2000, sempre com músicas de qualidade selecionadas com todo primor e esmero por Cortêz e sua equipe. O editor do blog “Filmes Antigos Club” garante e testifica que o ouvinte vai resgatar grandes emoções vividas e sentidas ao longo da programação através desta nova emissora de rádio pela internet.


Site da Web  Rádio Vintage: http://webradiovintage.com/

A ideia de criar a “Web Rádio Vintage” partiu de duas premissas para Cortêz: Uma era pelo seu idealizador se sentir mal com a qualidade da música atual, achando melhor lançar uma rádio que pudesse dar prioridade aos grandes clássicos da música e seus inesquecíveis cantores e compositores. E depois, como dizia o saudoso Tim Maia, o excesso de “meias cuecas” na programação das emissoras abertas.  A “Web Rádio Vintage” toca “músicas lentas”, mas prioriza canções mais animadas - por essa razão há tanto dos gêneros Disco e Rock espalhados na sua programação.


Beco da Poesia: outro espaço de Sérgio Cortêz, dedicado a poemas e escritos diversos, acessado em http://thaistaranto.blogspot.com.br/


Sérgio Cortêz também é escritor, poeta, e compositor, e além de administrar a “Web Rádio Vintage” (juntamente com sua esposa, Thais Taranto, que é responsável pela arte gráfica da página), ele também tem um blog de poemas e contos, BECO DA POESIA, que pode ser acessado em http://thaistaranto.blogspot.com.br/, merecendo toda a atenção dos leitores, sobretudo para aqueles que amam e curtem escritos poéticos e literatura.

Os maiores compositores do cinema você encontra no Cine Vintage, pela Web Rádio.

Sobre o
Cine Vintage, que já faz parte da programação de Domingo pela “Web Rádio Vintage”, estarei comandando este evento que irá ao ar sempre aos Domingos, a partir das 22 horas, levando para os seus ouvintes trilhas sonoras e temas de grandes filmes que compuseram a história do cinema.  Certamente participarão grandes nomes dos soundtracks, como Ennio Morricone, Elmer Bernstein, Maurice Jarre, Jerry Goldsmith, Nino Rota, Alfred Newman, Victor Young, Miklos Rozsa, e muitos mais! Ao longo da semana, o Cine Vintage terá duas reprises: as Quintas, às 22 horas, e aos Sábados, às 19 horas.


Então, preparem suas pipocas!!! Aguardarei vocês na nova sala de cinema da web rádio, relembrando grandes nomes da música para o cinema e tocando temas inesquecíveis, sempre é claro, com breves comentários. O banner da “Web Rádio Vintage” esta localizado na ala direita deste espaço, e para conhecer mais a sua programação (de qualidade!!!), basta clicar na imagem que abrirá diretamente uma janela para a emissora. Como foi dito anteriormente, o Cine Vintage não seria possível se não fosse o convite do amigo Sérgio Cortêz, que merece nossos sinceros aplausos por levar uma alternativa ao público de entretenimento e qualidade pelas redes virtuais. E meus sinceros agradecimentos por fazer parte do cast desta Web Rádio que tem tudo para florescer e fazer sucesso.Obrigado e espero todos no CINE VINTAGE.


Para acompanhar o programa, acesse na Web Radio Vintage pelo link:



Paulo Telles
Editor do Blog 
FILMES ANTIGOS CLUB – A NOSTALGIA DO CINEMA
Apresentador do Programa da Web Rádio 
CINE VINTAGE
DRT 21959/RJ

domingo, 4 de fevereiro de 2018

Farrapo Humano (1945): Billy Wilder Leva Ray Milland à “Bebedeira” e ao Oscar.


FARRAPO HUMANO (The Lost Weekend), produzido em 1945 e dirigido por Billy Wilder (1906-2002) tinha tudo para fracassar na época de sua realização por conta de um tema polêmico, o vício do álcool. Não era uma temática que o público de outrora tinha interesse ou, pelo menos, queria evitar maiores escândalos. Entretanto, o cineasta Wilder, um gênio bem a frente de seu tempo, ousou assim mesmo levar as telas o deprimente romance de Charles Jackson (1903-1968), sobre um escritor alcoólatra em processo de autodestruição.  Entretanto, não foi fácil o diretor levar a cabo uma de suas grandes realizações. 

O Cineasta Billy Wilder
O Roteirista Charles Brackett, colaborador de Billy Wilder.
O Romance de Charles Jackson no qual baseou o filme.
Viajando para Nova York onde comprou os direitos do livro de Jackson, Wilder se deparou de frente com Frank Freeman, que era chefe de produção da Paramount, estúdio que produziria e faria sua distribuição. Freeman não concordou em nenhum momento em levar o romance para o cinema, mas graças a Barney Balaban, que era presidente da companhia em Nova York, este aprovou o projeto e Wilder pôde levar adiante as filmagens daquele que seria uma de suas gloriosas obras primas de sucesso. 

Billy Wilder dirigindo Ray Milland e Doris Dowling
Ray Milland em sua atuação mais marcante:
FARRAPO HUMANO (1945)
Não fazia muito tempo, Wilder havia testemunhado, sentido e sobrevivido ao alcoolismo de Raymond Chandler, com quem trabalhou no roteiro de Pacto de Sangue (Double Indemnity, 1944). Charles Brackett (1892-1969), parceiro fixo do cineasta e que faria o script para Farrapo Humano, teve uma experiência ainda mais dolorosa: sua esposa e filha eram alcóolatras. A filha morreu ao cair de uma escada, embriagada. Em realidade, o sério e centrado Brackett parecia atrair os literatos alcóolatras de Hollywood. Tinha cuidado de Scott Fitzgerald em muitas de suas várias bebedeiras, e ainda cuidou de Bob Benchley, Dorothy Parker, e Dashiell Hammett.

Ray Milland como Don Birman, escritor arruinado que se submete ao vício do álcool... 
...que tem o apoio do irmão Wick (Phillip Terry) e da namorada Helen (Jane Wyman) para ser livrar da dipsomania.
O assunto era descaradamente cruel e não havia modo de tratar o assunto de forma sutil. Wilder se consagrou ao realizar uma obra em estilo cruel e cínico, opressiva e exasperante, ao retratar a decadência de um escritor falido, Don Birman (Ray Milland, 1905-1986), que caminha nas ruas de uma Nova York deserta aos finais de semana, sem rumo e sem trégua, trajeto que o leva dos bares para os hospitais, e daí a um possível suicídio. Longe por algumas horas da vigilância do irmão Wick (Phillip Terry, 1909-1993), e da namorada Helen St. James (Jane Wyman, 1917-2007), mas também sem dinheiro para comprar bebida, Birman entrega-se a uma busca mais desesperada que acaba por envolver o próprio espectador numa atmosfera de crescente e insuportável dramaticidade.

Como meio de obter bebida, Birman chega ao cúmulo de penhorar sua ferramenta de trabalho...
... e sair em busca de alguma loja de penhores.
Milland durante as filmagens em plena Terceira Avenida, em Nova York, num dia de domingo.

Rodado em locações de Nova York, FARRAPO HUMANO é uma obra noir sem contextos criminais. A atmosfera muitas vezes sinistra da ambientação ao qual o personagem central muitas vezes frequenta realça o clima de decadência a que é submetido. O bar de Nat (Howard da Silva, 1909-1986), que em alguns momentos procura ser paternal com Birman, é frequentado por vários tipos, desde os mais “sociais” até escórias. O elevado da Terceira Avenida, pavor e pesadelo dos doentes da ala psiquiátrica do Hospital  Belleuve, não foi ignorado na trama. 

O Barman Nat (Howard Da Silva), que entende o problema de Birman e as vezes o aconselha a largar o vício.
Doris Dowling é Glória, frequentadora do bar de Nat e de queda por Birman.
Uma cena marcante tem Ray Milland, com barba por fazer, caminhando pela Terceira Avenida tentando penhorar sua máquina de escrever, sem notar que todas as lojas de penhor estão fechadas devido a um feriado (e com Milland realmente se arrastando da famosa Rua 55 até a 110, enquanto a câmera de Wilder o seguia, escondida dentro de um caminhão de padaria. A cena foi filmada num domingo).  Mas é a sequencia de Birman gritando no terror de um delirium tremens, enquanto que um morcego imaginário perseguia uma mosca imaginária na escuridão do apartamento que recebeu maior impacto em FARRAPO HUMANO.  

O Deliriun Tremens de Birman
Helen tenta ajudar o namorado Birman...
... que não consegue largar o vício.
A estreia de FARRAPO HUMANO em Santa Bárbara, Califórnia, foi recebida com risinhos, gargalhadas, e cartões dizendo que o filme era repugnante. O pessimista Frank Freeman, que desde o início não aprovou de levar o livro de Charles Jackson às telas, parecia triunfante e chegou a declarar que deveriam arquivar, abandonar, e “matar” o filme de Wilder. Houve até um boato de que o gangster Frank Costello, representando a indústria de bebidas, pagaria a Paramount a soma de 3 milhões de dólares para destruir o negativo. Mas nenhum apelo contra a obra de Billy Wilder fez efeito, ao contrário. Seis meses depois, Barney Balaban, ardoroso defensor do cineasta, chegou à conclusão de que fazer filmes para depois arquiva-los seria um desperdício, então ordenou a distribuição de FARRAPO HUMANO no outono de 1945, obtendo imediatamente críticas positivas e uma surpreendente acolhida do público.


Mesmo internado em um hospício, Birman não consegue ter paz com Nolan (Frank Finlay), um enfermeiro que mais o prejudica do que ajuda.
A devotada Helen St. James (Jane Wyman) não desiste de Birman e ainda tem esperanças de reabilitar o namorado.
FARRAPO HUMANO conquistou quatro Oscars: Melhor filme de 1945, Melhor Diretor (Billy Wilder), Melhor Roteiro (Charles Brackett), e Melhor Ator (Ray Milland). Milland recebeu merecidamente o prêmio, sua interpretação sustentou todo o filme. O primeiro convidado para fazer o papel foi Jose Ferrer, que não pôde aceitar a parte de Don Birman devido a um contrato com a Broadway. A escolha de Ray Milland para o papel foi considerada ousada, pois o público estava acostumado em vê-lo como galã em comédias leves. Mas Wilder e Brackett já vinham trabalhando com ele, e sabiam de suas grandes possibilidades. Durante algum tempo, o ator estudou o comportamento de bêbados em bares e nas ruas. Entretanto, ganhar a estatueta de Melhor Ator lhe rendeu, durante muitos anos, ser vítima de piadas e brincadeiras sobre alcoólatras. 

Ray Milland e seu Oscar de Melhor Ator de 1945 por FARRAPO HUMANO.
O filme de Wilder, em grande cartaz nos Estados Unidos.
Certamente, FARRAPO HUMANO é o maior impacto que o cinema teve na abordagem na dipsomania, ou da degradação humana que o diretor Billy Wilder voltaria a tratar em Crepúsculo dos Deuses (1950) e A Montanha dos Sete Abutres (1951). O Score musical é do húngaro Miklos Rozsa (1907-1995). FARRAPO HUMANO chegou às salas de cinema do Rio de Janeiro em agosto de 1946.

Miklos Rozsa escreveu a trilha para
FARRAPO HUMANO (1945)



A Obra de Billy Wilder chegou as nossas salas cariocas em agosto de 1946.
FICHA TECNICA
FARRAPO HUMANO
(THE LOST WEEKEND)

País- Estados Unidos
Ano de Produção – 1945
Gênero – Drama
Direção – Billy Wilder
Produção – Charles Brackett, em produção e distribuição da Paramount Pictures.
Roteiro – Charles Brackett e Billy Wilder, baseado no romance de Charles Jackson
Fotografia - John F. Seitz, em Preto & Branco
Música – Miklos Rozsa
Metragem – 101 minutos

ELENCO PRINCIPAL

Ray Milland – Don Birman
Jane Wyman – Helen St. James
Phillip Terry – Wick Birman
Howard Da Silva – Nat, o Barman
Doris Dowlling – Gloria
Frank Faylen – Bim Nolan
Mary Young – Senhora Deveridge
Anita Sharp-Bolster – Senhora Foley
Lilian Fontaine – Senhora St. James
Frank Orth – Atendente do teatro de ópera
Lewis Russell – Senhor St. James

Produção e Pesquisa de

PAULO TELLES
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