Esta é a história real de Frank Morris (1926-1962?), que
chegou a Prisão de Alcatraz (na ilha de mesmo nome, próximo à baia de São
Francisco) a 18 de janeiro de 1960, condenado como ladrão de bancos. Morris foi
criado em orfanatos e aos 14 anos cometeu seus primeiros delitos, incluindo
porte de entorpecentes e assalto com arma de fogo. Possuidor de uma
inteligência acima da média (tinha Q.I. de 133) foi condenado à prisão, e
depois de passar por várias prisões federais dos Estados Unidos, terminou em
Alcatraz, cuja fama era de ser uma penitenciária "impossível" de se
escapar.
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| O verdadeiro Frank Morris |
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| Clint Eastwood no papel de Frank Morris |
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| A Ilha de Alcatraz e seu famoso presídio |
A ação de ALCATRAZ, FUGA IMPOSSÍVEL (Escape From Alcatraz) começa justamente com a chegada de Morris (Clint Eastwood), depois de sentenciado à prisão perpétua. Realizado em 1979 e dirigido por Don Siegel (1912-1991), o filme também é baseado no livro de J. Campbell Bruce (1906-1996), escritor e pesquisador que durante anos estudou sobre a Prisão de Alcatraz, que segundo ele, houve 14 tentativas de fuga durante os 20 anos de existência do presídio. Dos 39 prisioneiros que escaparam, 26 foram recapturados, sete baleados, três morreram afogados – e os três restantes (entre eles o próprio Morris), simplesmente desapareceram. Não se sabe, até hoje, se foram tragados pelo mar, ou se realmente conseguiram recuperar a liberdade.
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| A chegada de Frank Morris à Alcatraz |
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| Frank Morris não é um preso comum, e não demora ele se tornará líder de uma fuga ousada. |
A
verdade é que a obra de Siegel, mais do que um filme de ação protagonizado por um
ícone do gênero, é um estudo sobre a condição dos detentos e o conceito de
aprisionamento. Com bem afirmou um crítico, “é menos um filme sobre prisão do
que a ideia de estar preso”. A trama do
filme é a seguinte. Em 1960, condenado à prisão perpétua, Morris (Eastwood) é
transferido de Atlanta para Alcatraz, sendo vigiado pelo diretor do presídio, o
cínico e frio Warden (Patrick McGoohan, 1928-2009), que em sua gestão se
orgulha de seus métodos e se vangloria de nunca ter havido uma fuga em
Alcatraz. Warden acredita que enquanto for diretor do presídio, jamais se
registrará uma fuga bem sucedida.
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| Morris tem atrito com um dos presos, Wolf, o que o leva a ficar confinado em uma solitária por algum tempo. |
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| Quando sai da solitária, Morris começa a armar um plano de fuga, tendo como aliados e amigos Litmus (Frank Ronzio)... |
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| ...e o pintor Doc (Roberts Blossom) |
Mas as coisas para Morris não são fáceis. Após uma briga com
Mastodonte Wolf (Bruce M. Fischer), que tenta submete-lo a seus desejos
sexuais, Morris é confinado numa solitária escura. De volta à cela, trava
contato com outros presos já adaptados ao regime. São eles: Litmus (Frank
Ronzio, 1920-1989), que possui um camundongo de estimação; Chester 'Doc' Dalton
(Roberts Blossom, 1924-2011), que dispõe do privilégio de pintar; e o negro
English (Paul Benjamin), sentenciado a 99 anos de prisão. Com a chegada de dois
ex-companheiros de Atlanta, os irmãos John (Fred Ward) e Clarence Anglin (Jack Thibeau),
Morris começa a elaborar um plano de fuga.
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| Morris tem no negro English (Paul Benjamin) uma espécie de conselheiro. |
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| Morris e outro presidiário, o ingênuo Charley Butts (Larry Hankin) |
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| Butts, Morris, e Litmus |
Embora a ação esteja centrada na longa e detalhada operação chefiada por Frank Morris, o script (de Richard Tuggle), sem perder de vista este foco, denuncia a crueldade do sistema penitenciário, sem, entretanto perder o vigor cinematográfico de outras fitas do gênero. ALCATRAZ, FUGA IMPOSSÍVEL, embora um ótimo filme, não oferece maiores novidades. Não possui, por exemplo, o impacto de uma rebelião, como aquela que demonstrada por Jules Dassin em Brutalidade, obra prima do diretor realizada em 1947 e estrelada por Burt Lancaster. Mas apesar desta falha, ALCATRAZ, FUGA IMPOSSÍVEL consegue, sem sombras de dúvidas, manter de pé o interesse do espectador.
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| Morris começar a armar o plano da fuga... |
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| ...mas todo o cuidado é pouco, pois os guardas de Alcatraz estão em severa vigilância. |
O
maior mérito do filme advém diretamente de sua direção, promovida por um
artesão ultra - experiente e de comprovada eficiência artesanal como Don
Siegel, que mesmo sem perder o brilho evidenciado em outros trabalhos, consegue
neutralizar as limitações geográficas e psicológicas da história. Siegel ainda
reservou talvez uma das cenas mais violentas da película e difícil de esquecer:
a de um dos prisioneiros, Doc (Roberts Blossom) cortar seus próprios dedos com
uma machadinha, por lhe ter sido revogada a licença de pintar pelo diretor de
Alcatraz. Quanto a Clint Eastwood, o ator se limitou a executar o que o papel
lhe exigia no plano da ação exterior, contudo com seu estilo inconfundível que
o viria a caracterizar como um dos grandes durões das telas.
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| Morris começa a fazer sua parte na elaboração da fuga |
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| O cruel e desumano diretor do presídio, Warden, vivido por Patrick McGoohan. |
| Foto da verdadeira cela onde Morris ficou preso, e as evidências de sua fuga espetacular. |
Os
três homens que conseguiram fugir de Alcatraz em 11 de junho de 1962, e certamente
comprometeram a reputação de Alcatraz como a prisão “impossível de escapar". Morris e seus dois comparsas cavaram túneis em suas celas e navegaram até a costa em uma balsa feita
com capas de chuva roubadas. Para enganar os guardas, fizeram cabeças em
tamanho real de papier-mâché e colocaram nas camas, como se desse a impressão
de estarem dormindo.
Mas em 1963, um ano depois da escapada espetacular de Morris, o governo federal resolveu fechar o presídio, que hoje é um dos pontos de atração turística do Estado da Califórnia. Os corpos de Morris e dos irmãos Anglin nunca foram localizados. Somente algumas provas foram encontradas, e elas levam a crer que os prisioneiros morreram, mas, oficialmente, ainda estão listados como desaparecidos e provavelmente afogados. No filme de Siegel, encampa (de certo modo) a tese de que os fugitivos lograram escapar com vida, tese esta nem comprovada e nem desmentida pelo FBI. Em outubro de 2015, um documentário do canal "History" foi divulgado, onde foram apresentadas novas evidências que indicam que os irmãos Anglin não somente sobreviveram, como mantiveram contato com sua família e teriam fugido para o Brasil.
Mas em 1963, um ano depois da escapada espetacular de Morris, o governo federal resolveu fechar o presídio, que hoje é um dos pontos de atração turística do Estado da Califórnia. Os corpos de Morris e dos irmãos Anglin nunca foram localizados. Somente algumas provas foram encontradas, e elas levam a crer que os prisioneiros morreram, mas, oficialmente, ainda estão listados como desaparecidos e provavelmente afogados. No filme de Siegel, encampa (de certo modo) a tese de que os fugitivos lograram escapar com vida, tese esta nem comprovada e nem desmentida pelo FBI. Em outubro de 2015, um documentário do canal "History" foi divulgado, onde foram apresentadas novas evidências que indicam que os irmãos Anglin não somente sobreviveram, como mantiveram contato com sua família e teriam fugido para o Brasil.
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| Modelo de cabeça feita pelo próprio Morris, de acordo com suas semelhanças físicas, que fez enganar os guardas de Alcatraz durante a fuga. |
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| Divulgação do filme pelos jornais cariocas, em setembro de 1979. |
ALCATRAZ,
FUGA IMPOSSÍVEL, em seus 112 minutos de projeção, estreou nas salas de cinema
do Rio de Janeiro, em grande circuito, em setembro de 1979. A fotografia é de
Bruce Surtess (1937-2012), e trilha sonora de Jerry “Meu ódio Será Sua Herança” Fielding (1922-1980).
ALCATRAZ
– FUGA IMPOSSIVEL
(ESCAPE
FROM ALCATRAZ)
Ano de
Produção: 1979
País:
Estados Unidos
Gênero:
Drama/Criminal
Direção: Don
Siegel
Produção:
Don Siegel, Robert Daley, e Fritz Manes, para Malpaso, distribuído pela Paramount
Roteiro: Richard Tuggle e J. Campbell Bruce (com base em seu livro)
Fotografia: Bruce Surtees, em cores
Música: Jerry Fielding
Metragem: 112 minutos
Elenco
Clint Eastwood – Frank Morris
Patrick McGoohan – Warden, diretor de Alcatraz
Roberts Blossom - Chester 'Doc' Dalton
Jack Thibeau - Clarence Anglin
Fred Ward - John Anglin
Paul Benjamin – English
Larry Hankin – Charley Butts
Bruce M. Fischer – Mastodonte Wolf
Frank Ronzio – Litmus
Fred Stuthman – Johnson
David Cryer – Wagner
Regina Balf – Lucy
Madison Arnold – Zimmerman
Denis Berkfeldt – Guarda
Jim Haynie – Guarda 2
Lloyd Nelson – Guarda 3
Danny Glover – Detento
Candace
Bowen – Filha de English
PAULO
TELLES
Produção
e Pesquisa.
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IN
MEMORIAN
SIR
ROGER MOORE (1927-2017)
O Blog não poderia deixar de prestar uma singela lembrança a um astro que nos proporcionou grande entretenimento. Na última terça feira, dia 23, morreu na Suíça o ator Roger Moore, aos 89 anos, em decorrência de um câncer contra o qual o ator lutava havia poucos anos. A informação foi confirmada por familiares em um comunicado oficial divulgado nas redes sociais do artista. Moore teve um funeral privado em Mônaco. Roger Moore ficou internacionalmente conhecido por ser um dos intérpretes mais populares do agente James Bond, papel que assumiu após a saída de Sean Connery da franquia. Ele foi o terceiro ator a dar vida ao personagem e também o que mais vezes representou o agente britânico.
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| Roger Moore, um dos mais famosos intérpretes do agente 007-James Bond |
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| Com Christopher Lee em duelo em 007, O HOMEM COM A PISTOLA DE OURO (1974) |
Moore atuou nos filmes Com 007 Viva E Deixe Morrer (1973), 007
Contra O Homem Com A Pistola De Ouro (1974), 007 – O Espião Que Me Amava (1977), 007 Contra O Foguete Da Morte (1979), 007 – Somente Para Seus Olhos (1981), 007 Contra Octopussy (1983), 007
– Na Mira Dos Assassinos (1985). Em 007
Contra O Foguete da Morte, mostrou o espião no Brasil, travando uma luta
espetacular em cima do bondinho do Pão de Açúcar, no Rio de Janeiro, contra o
vilão Jaws, O Dente de Aço (vivido pelo já falecido Richard Kiel).
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| Com as Bond Girls Maud Adams e Britt Ekland |
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| Com Carroll Baker em O MILAGRE (1959) |
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| IVANHOÉ (série de TV, 1958-1959) |
Embora
tenha feito diversos trabalhos no cinema e na TV, Moore nunca conseguiu se
desvencilhar da sua imagem como 007. No cinema, atuou marcantemente em
clássicos como O Milagre (The
Miracle), de Irving Rapper em 1959, onde foi o galã de Carroll Baker. Em 1978, já
consagrado como 007, Moore atou ao lado de dois grandes astros, os já falecidos
Richard Burton e Richard Harris, no espetáculo de ação Selvagens Cães de Guerra (The Wild Geese), de Andrew V. McLaglen.
Na TV, estreou como o herói épico na série Ivanhoé
(1958-1959), revivendo o personagem já interpretado por Robert Taylor no cinema
em filme homônimo de 1953. Integrou o elenco de Maverick (1959-1961), interpretando o primo inglês do personagem
principal vivido pelo saudoso James Garner.
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| Com James Garner, em MAVERICK (1959-1961) |
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| Como Simon Templar em O SANTO (1962-1969) |
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| Com Richard Harris, no espetacular SELVAGENS CÃES DE GUERRA (1978) |
Mas a partir de 1962, Roger Moore foi o astro da série de TV O Santo, onde viveu o astuto espião
Simon Templar, personagem já vivido no cinema nos anos de 1940 por George
Sanders, e em um remake de 1997 por
Val Kilmer. O programa deixou Moore ocupado demais até 1969 quando a série saiu
do ar, tendo que recusar inúmeros convites para o cinema – inclusive deixando
de aceitar a oferta de viver, na ocasião, o agente James Bond. Com a recusa inicial
de Moore, Sean Connery foi o beneficiado, entrando para a história como o
primeiro intérprete do espião britânico nas telas de cinema.
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| Com Richard Kiley, em foto publicitária para 007 CONTRA O FOGUETE DA MORTE (1979) |
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| Com Tony Curtis, na série de TV THE PERSUADERS (1971-1972) |
Antes de encarnar o agente mais famoso do cinema a partir de
1973, Moore ainda realizou mais uma série televisiva entre 1971 e 1972, The Persuaders, show muito popular onde
o ator dividiu o estrelato ao lado de outro astro de cinema, Tony Curtis. The Persuaders fez enorme sucesso, mas
os altos custos da produção fizeram que o programa fosse logo cancelado, não
passando de uma primeira temporada.
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| 007 com Roger Moore em ação. |
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| Roger Moore, com seu charuto, e Barbara Bach durante premiere de 007, O ESPIÃO QUE ME AMAVA (1976) |
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| Roger e sua esposa Kristina, em trabalho na UNICEF em 2005. |
Roger Moore casou-se quatro vezes e teve três filhos. Aos 85
anos descobriu um câncer de próstata e vivia em Mônaco com sua esposa, a socialite
dinamarquesa Kristina Tholstrup, com quem estava junto desde 2002. Na vida
pessoal, Moore dedicou boa parte de seu tempo à carreira de embaixador do
Unicef (Fundo das Nações Unidas para a Infância). Em 1999, por seu trabalho na
ONU, o ator foi condecorado pela rainha Elizabeth II como Cavaleiro do Império
Britânico.
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| Roger Moore em seus últimos anos |
PAULO TELLES - EDITOR
Próxima semana - Uma Retrospectiva dos filmes de 007 estrelados por Roger Moore.
Próxima semana - Uma Retrospectiva dos filmes de 007 estrelados por Roger Moore.






































