domingo, 9 de abril de 2017

Barrabás (1961): Anthony Quinn e Uma Análise Acurada da Fé e do Ceticismo, Através do Famoso Personagem Bíblico.


Em 1951, o renomado escritor sueco Par Lagerkvist (1891-1974) foi laureado com o Prêmio Nobel de Literatura pela publicação de seu Best-Seller Barrabás, lançado no ano anterior. A primeira vista, Lagerkvist não quis apresentar uma história bíblica, mas demonstrar como a fé e o ceticismo podem muito bem andarem em lados paralelos da sociedade. 

O escritor sueco Par Largkevist, o autor do romance BARRABÁS (1950), livro que o consagrou e lhe outorgou o Prêmio Nobel de Literatura em 1951.
Ilustração "Dá-nos Barrabás", de autor desconhecido - 1910

Barrabás é um personagem citado breve e exclusivamente no Novo Testamento, no contexto do julgamento de Jesus Cristo. Ele seria um criminoso condenado à morte pela justiça romana, que acaba libertado por vontade do povo judeu, posto a escolher entre ele e o Cristo, no célebre julgamento promovido por Pilatos. Historicamente, nada se sabe a seu respeito e mesmo se supõe que talvez nem tenha existido. Alguns historiadores o associam como um um integrante do partido judeu que lutava contra a dominação romana, nascido em Jopa, ao sul da Judeia. Entretanto, seja um personagem imaginário, simbólico, ou autêntico, o fato que Barrabás concebeu muitas interpretações ao longo do cinema.

Anthony Quinn, magistral e perfeito como BARRABÁS (1961)

O Cineasta Richard Fleischer
O romance de Par Largkevist já havia tido uma adaptação cinematográfica em 1953, na Suécia, sob direção de Alf Sjöberg, com Ulf Palmer no papel principal. Mas oito anos depois, o cineasta Richard Fleischer (1916-2006), juntamente com o produtor Dino De Laurentiis (1919-2010) realizaram basicamente a versão cinematográfica definitiva do livro, BARRABÁS (Barabbas), em 1961. Ainda haveria uma terceira versão, em 2012, desta vez para a televisão, dirigida por Roger Young e em formato de minissérie produzida na Itália, com Billy Zane no papel do condenado liberto no lugar de Jesus. Entretanto, esta adaptação é esquecível, não superando em hipótese alguma o trabalho realizado em 1961 por Fleischer e tendo o lendário Anthony Quinn (1915-2001) interpretando de modo soberbo e com muita propriedade e realismo um dos mais famigerados personagens bíblicos de que se tem notícia.  


Barrabás (Anthony Quinn) é libertado no lugar de Jesus...
E o vê carregando a cruz.
Quinn dá um show de interpretação como Barrabás, e seu desempenho ajuda intensamente na elaboração da história e de sua mensagem, onde o personagem expressa suas dúvidas diante dos mistérios da vida, dos ensinamentos de Jesus, e da morte. Um épico bíblico que acaba escapando do desleixo e das superficialidades muito costumeiras nas fitas do gênero. Quando foi lançada, a crítica estrangeira chegou a malhar “tão certo como a Judas”, acusando-o de sonolento e monótono.  No entanto, mesmo passados mais de cinquenta anos de seu lançamento, a obra estrelada por Quinn continua de pé, devido à seriedade com que foi realizado e, sobretudo, ao envolvimento reflexivo e aventuresco que leva o espectador.


Graças a um julgamento popular promovido pelo Procurador romano Pôncio Pilatos (Arthur Kennedy), Barrabás é libertado, e Jesus condenado. 


Adaptado por Christopher Fry (1907-2005), conforme o espírito do romance de Largkevist, o roteirista eleva Barrabás como um homem marcado pela figura de Cristo. O protagonista é submetido a um julgamento popular ao lado de Jesus. A plebe preferiu o desordeiro e criminoso sem escrúpulos para ser salvo da pena de morte na cruz, aliás, um dos grandes motivos a se suspeitar da ação popular, que tende sempre a julgar e condenar os justos e inocentes, e vangloriar os culpados e criminosos.  Aquele que lhes trazia mensagem de amor e fraternidade, e a certeza de uma vida sem sofrimentos, guerras, e infelicidades, é condenado.



Barrabás volta para casa, desejando atenção de sua mulher Rachel, vivida por Silvana Mangano.
Porém, foi justamente esse o estigma do criminoso que foi posto em liberdade no lugar de Jesus de Nazaré.  É exatamente o conflito interior de Barrabás que o diretor Richard Fleischer retrata em sua obra, já que o personagem começa a sofrer crise de consciência.  É inegável que o perfil psicológico de Barrabás traçado na fita possui um sentido muito peculiar, coisa muito rara neste estilo de filme. Por outro lado, o cineasta soube dosar (e muito bem) os elementos de competição e aventura que compõem o entrecho, que inexiste no romance original, o que facilitou a aceitação de grande parte dos espectadores (as cenas de combate entre gladiadores no Coliseu são das mais bem realizadas no cinema, capaz de atrair a atenção até hoje).



A impressionante cena da Crucificação, filmada em pleno eclipse solar.




Alguns críticos chegam a apontar, no entanto, que certas sequencias de ação desequilibram o ritmo, criando inclusive tempos monótonos que poderiam ser perfeitamente evitados, ao longo de 135 minutos de projeção.

Silvana Mangano é Rachel, a mulher de Barrabás...
que adere aos ensinamentos de Jesus Cristo...
e por conta disso, acaba perdendo a vida nas mãos do Poder do Sinédrio. 
A procura, a ânsia de Barrabás, que se demora em Jerusalém, quando após a crucificação de Jesus “nada mais tinha que fazer” e tudo lhe era indiferente, é bem característica. O protagonista passa por várias situações críticas. Acaba perdendo a mulher que amava, Rachel (Silvana Mangano, 1930-1989), que se converte ao cristianismo e acaba martirizada pelos sacerdotes  do Sinédrio. Como vingança, Barrabás organiza um grupo de ladrões para roubar o tesouro dos sacerdotes, mas acaba preso e enviado para as minas da Sardenha pelo Procurador Pôncio Pilatos (Arthur Kennedy, 1914-1990), o mesmo juiz que o havia libertado no lugar de Cristo pela vontade popular.


Barrabás nas minas da Sardenha.
Nas minas, Barrabás acaba conhecendo um cristão grego, Sahak (Vittorio Gassman), e acabam se tornando amigos.
Barrabás e Sahak, que sobrevivem aos serviços das minas para se tornarem escravos de um nobre romano.
Seja como escravo-mineiro, ou como gladiador em plena capital do Império Romano, em todas elas, a lembrança de Jesus Cristo (interpretado por Roy Mangano, irmão de Silvana Mangano) parece persegui-lo através de outros personagens, como o seu companheiro de infortúnio, o cristão grego Sahak (Vittorio Gassman, 1922-2000), que se torna seu melhor amigo e o ensina sobre os princípios da fé cristã - e um servo, Lucius (Ernest Borgnine, 1917-2012), em realidade, um pseudo líder cristão mais preocupado em julgar suas atitudes do que em ajuda-lo e instruí-lo na fé do Redentor.  Entretanto, Barrabás e Sahak são enviados ao Coliseu para serem gladiadores e lutarem por suas vidas.


Já como gladiadores na Capital do Império Romano, Barrabás e Sahak conhecem Lúcius (Ernest Borgnine), um líder cristão que serve como ajudante no Coliseu.
A crença de Sahak é descoberta, e logo será enviado para a morte pelas mãos de...
Torvald (Jack Palance), o campeão da arena, capitão dos gladiadores.
Após a morte de Sahak pelas mãos de Torvald (Jack Palance, 1919-2006), campeão dos gladiadores, Barrabás resolve vingar, mesmo sabendo que tal atitude seria contrária ao pensamento de seu finado amigo cristão.  Tendo matado Torvald na arena, Barrabás consegue sua liberdade depois de muitos anos, e sendo um homem livre, ele acaba assistindo o famoso incêndio de Roma, provocado pelo imperador Nero (Ivan Triesault, 1898-1980), e acaba interpretando isso como um prenúncio do advento de uma nova era, prometida pelo Cristo. Até no fim, ele se mantem atado a Jesus, posto que também morre no suplício da cruz. Mas se o Nazareno expira dizendo: "Pai, em Tuas mãos entrego o meu espírito!", Barrabás, que apesar de tudo não conseguiu converter-se a nenhum deus, encerra sua vida murmurando para a noite: "Escuridão, entrego-me à tua guarda! Eu...BARRABÁS!".


Sahak (Vittorio Gassman) e Lúcius (Ernest Borgnine) - dois cristãos a seguirem a mesma doutrina, mas com atitudes bem diferentes de amor e tolerância pelo próximo.
Sahak (Vittorio Gassman) pronto para liquidar seu oponente na arena. Mas mesmo ovacionado pelo clamor popular dos espectadores do Coliseu, ele se recusa a tirar a vida de seu semelhante, conforme suas convicções. 
Sahak, um dos primeiros mártires da Igreja
BARRABÁS vale ainda como testemunho de um homem que transformou sua vida a partir do momento que sua consciência se esclareceu. Seu gesto final tem evidentemente dois sentidos que se complementam. De um lado a opressão dos romanos, e de outro a divulgação de um mundo novo anunciado pelo Salvador.


Torvald (Jack Palance), prestes a receber as palmas da vingança...
pelas mãos de Barrabás, decidido vingar a morte de Sahak.


Derrotado por Barrabás, Torvald pede clemência do povo para que o deixem viver. O povo não atende a seus apelos, e Barrabás executa, por fim, sua vingança.
A tentativa de conversão de Barrabás não esta, portanto, desligada na nossa realidade. A aceitação das doutrinas de Jesus se faz as duras penas e na própria experiência de homem marginalizado e marcado pelo episódio que lhe fez um homem liberto pelo populacho. É justamente este enfoque que dá ao filme estrelado por Anthony Quinn uma categoria que raramente se encontra em outros filmes épicos religiosos. Aliás, o astro principal soube como ninguém entender com perfeição a figura que seu personagem foi idealizado na imaginação de Richard Fleischer. Todos os demais intérpretes se sobressaem bem em suas partes, como a mexicana Katy Jurado (1924-2002), como Sara, a prostituta amante de Barrabás, e o inglês Harry Andrews (1911-1989), como São Pedro. Um épico com um elenco internacional para nenhum cinéfilo botar defeito. Entre os espectadores do anfiteatro, encontra-se a novata Sharon Tate (1943-1969), em figuração.  O espetáculo teve locações em Roma, Lazio, e Itália, e também nos famosos estúdios de Cinecittà.


O cenário do Coliseu (na verdade, o circo de Nero) segundo o filme BARRABÁS (1961), de Richard Fleischer - entre animais e gladiadores lutando por suas vidas.
O filme ainda conta com a participação de Katy Jurado, como Sara, uma amante de Barrabás.
Harry Andrews é Pedro, o líder dos apóstolos.
A trilha sonora de Mario Nascimbene (1913 - 2002) foi notada pela sua originalidade à frente de seu tempo, com o uso de sons eletrônicos provenientes da gravação de notas em velocidades diferentes nas fitas de áudio. Um dos efeitos especiais mais interessantes acontece na cena de crucificação de Cristo, filmada durante um verdadeiro eclipse solar. A primorosa fotografia de Aldo Tonti (1910-1988) é um dos grandes destaques da superprodução. 


Barrabás consegue resgatar o corpo de seu amigo Sahak, para lhe dar sepultura nas catacumbas.
A liberdade de Barrabás não durará muito...
acusado de incendiar Roma com outros cristãos, Barrabás sofre pela fé...sem ter fé.
O evangelho do amor não tinha nenhum significado para este ladrão e assassino liberto, pois apesar de suas dúvidas, considerava ignóbil, servil, e fabulosa a fé dos seguidores de Cristo. Não obstante, se sente perseguido pela lembrança da Cruz e daquele que morreu em seu lugar nela. O filme Barrabás é um extraordinário estudo de crença, ceticismo, e fé, centralizado num personagem de interesse universal – o criminoso que assistiu ao nascimento do Cristianismo, e sem saber, deu testemunho do poder do Cristo sobre o seu próprio espírito rebelde. Barrabás estreou nos cinemas cariocas em agosto de 1963, sendo reprisada nas mesmas salas em outubro de 1969. Pela TV brasileira, estreou em 23 de setembro de 1973, pela sessão "Domingo Maior", pela Rede Globo.



Divulgação do filme nos cinemas do Rio de Janeiro.
Programação de estreia do filme pela televisão, em 1973.




Ficha técnica
BARRABÁS

(BARABBAS)

ANO DE PRODUÇÃO: 1961

PAÍS: ITÁLIA

gênero: épico religioso/aventura

DIREÇÃO: RICHARD FLEISCHER

PRODUÇÃO: DINO DE LAURENTIIS, para a COLUMBIA PICTURES

ROTEIRO: CHRISTOPHER FRY, baseado no romance de PAR LARGKEVIST

FOTOGRAFIA: ALDO TONTI, EM CORES

MÚSICA: MARIO NASCIMBENE

METRAGEM: 135 MINUTOS


ELENCO

ANTHONY QUINN – BARRABÁS

SILVANA MANGANO – RACHEL

Arthur kennedy – pôncio Pilatos

Katy jurado – sara

Harry Andrews – Pedro, o apóstolo

Vittorio gassman – sahak

Valentina cortese – julia

Morgan wooland – rufio

Jack palance – torvald

Ernest borgnine – Lucius

Arnold foá – josé de arimatéia

Michael gwynn – lázaro

Douglas fowley – vasasio

Joe Robinson – gladiador

Salvatore borghese – gladiador

Roger Browne – gladiador

Sharon tate – patrícia romana na PLATEIA

Paola pitagora – maria Madalena

Piero pastore – nicodemus

Burt nelson – escravo nas minas

Vanoye aikens – escravo nas minas

Harold bradley – gladiador

Alfio Caltabiano – treinados dos gladiadores

Roy mangano – jesus cristo


PRODUÇÃO E PESQUISA
PAULO TELLES 

8 comentários:

  1. Bom dia Paulo,

    Este é um daqueles filmes que, após aparecer THE END, inicia-se dentro de nós uma série de questionamentos e profundas reflexões, afinal, nos tira de nossa zona de conforto e vai de encontro aos nossos princípios religiosos. Barrabás e Judas são nomes execráveis na sociedade cristã, tanto que nenhum pai batiza seu filho com eles.Em nossa educação, Barrabás não foi o responsável direto mas se tornou indiretamente o fator determinante para a crucificação de JESUS CRISTO. Era o mal vencendo o bem. Era o assassino, rebelde e agitador confesso escolhido no lugar do Nosso Salvador, do Filho de DEUS. O certo é que naquele jogo de poder, ganância e traição, Barrabás foi apenas uma peça, posto que qualquer preso seria ovacionado no lugar de Jesus pela turba inflamada pelos escribas.

    BARRABÁS, o filme, em para nos mostrar o homem que era um assassino e um bandido mas que muito desta crueldade era fruto de sua rebeldia contra a opressão de Roma; que nem mesmo ele entendeu como o mais perigoso e maior agitador ganhou a liberdade diante de um inexpressivo agitadorzinho que sequer empunhava uma espada. Quem era este Jesus? Porque Ele e não eu? Em que Jesus era melhor ou pior do que ele? Estas e outras dúvidas perseguem Barrabás ao longo do filme e, não por acaso, tudo o que acontece com ele a partir de sua liberdade traz a imagem do nazareno, Jesus Cristo. E, então, nos damos conta de que ele não é o responsável, mas se sente O RESPONSÁVEL, pois, quando o bandido sarcástico e cético é posto de lado, aparece o homem que carrega com si a CULPA como uma sombra em sua alma e a persegui-lo.

    BARRABÁS é um épico extraordinário com um elenco de primeira grandeza e que conquistou um lugar junto ás outras grandes obras primas bíblicas do cinema, como :
    --- BEN HUR
    --- OS DEZ MANDAMENTOS
    --- O MANTO SAGRADO
    --- QUO VADIS
    --- BARRABÁS
    e mais recentemente :
    --- A ÚLTIMA TENTAÇÃO DE CRISTO
    --- A PAIXÃO DE CRISTO ( sobre CRISTO é inigualável, a obra prima definitiva)

    Grande abraço, Paulo,

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    1. Boa tarde, Ovídio!

      É exatamente isso! Barrabás, o personagem, ganha sua liberdade, liberdade essa que lhe vem a ser cara, justamente pelas dúvidas que o cercam em seu íntimo, tanto sobre Jesus quanto pelo próprio significado da vida e dos ensinamentos do Redentor. Não tem como um espectador, por um momento, se deixar entrar em seu lugar e ter as mesmas dúvidas e os mesmos questionamentos.

      No filme de Fleischer, não parece demonstrar um lado político para Barrabás, apresentando-o apenas como um ladrão, assassino, e escória da sociedade hebraica da época, que estava preso, e por pouco, não foi sentenciado a morte. Um párea que sobreviveu a crucificação, mas ao saber quem era Jesus de Nazaré e os verdadeiros motivos que o levaram a morte, ele passa a ter a crise de consciência como bem sabemos.

      Sem dúvida, eu mesmo depois do THE END, assim que vi pela primeira vez, comecei a refletir sobre o personagem, reflexão esta que graças a grande atuação de Anthony Quinn no papel principal eu pude aprofundar.

      Abraços e uma ótima semana!

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  2. Paulo, para dizer a verdade eu não gosto de Barrabás. Nunca me empolgou. A parte inicial do filme é realmente chata, apesar do ótimo Tony Quinn. Richard Fleischer não é um mau diretor, mas acho que não acertou a mão aqui. Tony Quinn está muito velho para o papel (46 anos). Como um gladiador pode aguentar com essa idade? A atmosfera do filme parece barroca com os sets não muito bem elaborados. Tudo parece muito barato. É muito longo e a história não é interessante. O que salva é apenas o post do Paulo, sempre bem elaborado.

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    1. Olá Val!

      Acredito que vc seja minoria, mas o importante é respeitar as diferenças de opinião, que bem prezo aqui no espaço. Mas devo concordar com vc numa coisa: se levarmos em conta a idade de Barrabás através de Quinn, e passados trinta anos de trajetória, Barrabás já teria 76 anos quando era um gladiador, não é isso? É muito SURREAL! No entanto, se percebeu ao longo do filme, os próprios gladiadores se espantam com a vitalidade do velho Barrabás. Tanto que Nero ao conceder sua liberdade comenta sua “persistência em viver”, e lhe joga o bastão da liberdade. Por mim, acho interessante, mas não nego que o roteirista (Christopher Fry) e o diretor Fleischer tentaram sob seu ponto de vista fazer um filme de aventura, já que o livro não libera essa emoção (o romance é apenas narrativas e sem diálogos, eu já li!).

      Abraços do editor!

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  3. Telles,

    Já se passaram 50 anos que vi esta pelicula. De fato ela é longa demais e chega até a ser monótona em alguns pontos. Poderia ser mais curta.

    No entanto, o cerne da historia de Par tem muitos pontos positivos de créditos. Não que eu esteja com tudo aqui na mente, mas recordo de algumas passagens e do desempenho magistral (como sempre) do Quinn e do Vitório, com quem nunca havia visto uma fita sequer. Sequer me recordava da Silvana ou do Palance no filme, muito menos do Kennedy, que já havia feito A Caldeiora do Diabo/57 e que eu já vira.

    Há de se observar um ponto cruxial quando o povo preferiu a liberdade de Barrabas ao invés da de Cristo.
    O Barrabás era figura conhecidissima de todos, um lutador contra o regime Romano imposto em seus dominios, enquanto o Cristo ou do Cristo, pouco ou quase nada se donhecia. Alguns crentes mais fervorosos iam aos seus sermões, seguiam-lhes, porém eram muitos poucos que mantinham Nele a fé e esperança de uma possivel Libertação de Roma, enquanto com o Barrabás a coisa era atual, presente, diferente. O povo o conhecia por demais e o que aconteceu na sua absolvição poderia muito bem ocorrer nos dias de hoje. O povo queria a liberdade que Roma os privava. E Jesus, apenas com palavras não iria resolver a situação que eles emergenciavam. Então, solicitaram pela soltura de Barrabas, que terminou pagando espiritualmente por isso vida inteira.

    A minha falta de fé em tudo isto me indica que nada disso ocorreu, assim como muitas outras coisas das quais o povo se agarra com unhas e dentes e até se inimizando com quem não dá a tudo isto o valor que dão. Afinal, que eu conheça, quase tudo escrito sobre Jesus Cristo foi escrito cerca de 80 anos de sua morte. Então, sem desejar ferir brios de fervorosos católicos, fatos, ou alguns fatos, andaram correndo de boca em boca por todo este tempo até que resolveu-se escrever alguma coisa. Vejo assim, o que não enseja de ninguem deixar de ter sua fervorosa fá. O que cito é de meu livre efeito de captar as coisa com mais mais ciencia do que outra coisa.

    A Fé é uma caracteristica extremamente positiva. O homem que não tem fé em alguma coisa não sei do que ele vive, pois sempre miramos algo em que pormos nossas crenças. Isto nos fortalece e nos energiza sem sombras de duvidas.

    Eu, no entanto, sou mais acomodado em muito do que oucço falar. Filmes? Adoro ve-lo, principalmente se um Épico como este, muito bem feito, com uma produção extradordinária e com tudo no desenrolar da fita (do que recordo) que segura-nos de olhos na tela.

    Por outro lado eu não condeno quem acredita piamente nestas historias todas, porque sempre acredito que tem-se de ter fé em alguma coisa na vida. E como tudo é dentro deste ponto de vista da FÉ, vamos levando a vida e até pondo valores extraordinários em quem até se mortifica por pontos tão vagos na historia que não se pode classifica-los de ignorantes ou não. O que está em validade é a FÉ que carregam.

    Lembro-me também da amizade que o Quimm e o Gassman fizeram. E tenho certeza que que trabalhavamnuma mina de enxofre.

    Entretanto, não posso acrescentar mais nada da fita porque o tempo apagou muito do que assisti. Afinal são meio século de distancia. Mas fizeste bem em emoldurar esta boa fita do Aldrich, diretor de qualidade e que soube administrar um romance que não era bem o todo que a fita mostrou,conforme citaste, inserindo pontos de meis interesses a uma historia que contava,

    E parabens pelo trabalho de "Plena Iluminação" deste clássico, mesmo porque o titulo do blog já diz para que ele foi criado.

    Só não entendo porque ele somente veio às telas 10 anos depois de seu livro pronto. Veio então Quo Vadis/51, O Cálice Sagrado e Demétrius/53/54, Os 10 Mandamentos/56, Ben Hur/59, Spartacus e o Rei dos Reis em /1960/61, para então resolverem fazer Barrabás, que poderia ter vindo na intermediária de todos estes filmes, como em 1956 ou 1957.

    jurandir_lima@bol.com.br

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    1. Saudações Ju!

      É como ressaltei no texto. Não se sabe sequer se Barrabás tenha realmente existido, mas uma coisa pode ter certeza: homens como ele sempre existiram e sempre vão existir quando passar Céu e Terra. Assim como sempre existirão aqueles que, de um modo ou de outro, sofrerão com crise em suas consciências. Mas falemos dos propósitos do filme e do personagem segundo a concepção da trama aqui engendrada.

      No filme de Richard Fleischer e no livro de Par Largkevist, não tem um Barrabás líder nacionalista como é encontrado, por exemplo, no filme REI DOS REIS (1961), de Nicholas Ray, cujo post será publicado amanhã, Domingo de Páscoa, neste blog. O Barrabás vivido por Anthony Quinn esta muito mais para um párea e infeliz, um autêntico marginal. Entretanto, em nosso debate, é irrelevante questionar a existência real desse personagem bíblico, isso é para o terreno dos historiadores e demais autoridades, meu amigo. Eu e você falamos da Sétima Arte e amamos o cinema, que tem magia e poder de “inventar” as situações dos personagens em suas histórias, onde o Barrabás de Quinn vive um conflito interno. É isso que merece ser analisado dentro do contexto do filme.

      Vc mencionou o fato do filme não ter sido filmado antes. Conforme falo no texto, logo no começo, o livro de Pargkevist já havia sido filmado em 1953, uma produção sueca sob direção de Alf Sjöberg, com Ulf Palmer no papel principal, tendo ainda outra versão (ruim por sinal) em 2012, uma minissérie estrelada por Billy Zane, o “Fantasma”. Mas a melhor versão, sem dúvida (e na minha opinião supera até o romance) é sem dúvida a que é estrelado por Quinn, Gassman, Palance, e um elenco de primeira grandeza, dirigido por Richard Fleischer (20.000 Léguas Submarinas).

      Abraços do Editor!




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  4. Telles,

    Calma, jovem amigo, calma.

    Catei apenas algo que eu poderia dizer do filme pois, logo de inicio eu salientei que pouco restava em mente de uma fita que vi 50 anos atrás.

    Recordo sim que o Barrabás do Quinn é mais um sofredor do que o heroi do povo da fita de Ray, relembrando algumas cenas dele com o Gassmann nas minas de enxofre, mas não tinha coisas mais frescas em mente para dizer sobre o filme do Richard.

    Sabia que era um bom filme, porque consta de meus alfarrábio esta informação porém, poder ir citando coisas que não recordava de verdade seria pior do que dizer o que disse.

    Falar de Barrabás como falei de O Maior Espet. da Terra (que tinha revisto), de Queimadas que o tenho e revi e de Os Imperdoáveis foi muito mais fácil, porque estavam todos à risca da memória e então...

    O bom mesmo é falar da pelicula, sei disso. Entretanto, mesmo assim, falei um pouco dela sim, e li seus escritos das duas versões que citaste anteriormente. No entanto, nunca ouvira falar delas ou se passou em SSA. Se foi assim não houve propagandas, além de eu deveria ser jovem demais para atentar para um filme sueco ou um seriado que não assisto.

    Porém, não nego que o filme do bom Fleisher poideria ter saído mais cedo, embora ainda que o mesmo viesse a publico em meio a Spartacus, El Cid e A Queda do Imperio Romano e do incomparável O Rei dos Reis.

    Assim, achei melhor dizer qualquer coisa do que me ausentar de participar da postagem.

    Abração

    Jurandir_lima@bol.com.br

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    1. Saudações Ju!

      Estamos todos calmos meu nobre , rsrsrs.
      Depois das festividades do coelho de Páscoa, o mundo anda lindo e maravilhoso, não acha? Rs

      Não tenho informações se BARRABÁS de 1953, a versão sueca, foi lançada no Brasil, mas se foi, foram em alguns cinemas e em pouca divulgação. Entretanto você pode encontrar a disposição no Youtube, sem legendas e som original. Só por curiosidade mesmo.

      Quanto a versão de 1961, a clássica com Anthony Quinn, merece mesmo uma revisita de sua parte. Se puder, revisite, baiano!

      Abraços do editor!

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