domingo, 5 de março de 2017

A Hora da Pistola (1967): John Sturges Revisitando Wyatt Earp, em uma Revisão Desmistificadora da Lenda.



Em 1957, o cineasta John Sturges (1910-1992) realizou o clássico Sem Lei e Sem Alma (Gunfight Ok Corral), que recontou com romantismo a saga do delegado de Tombstone, Arizona, Wyatt Earp (1848-1929), e do confronto do OK.Corral (fato ocorrido a 26 de outubro de 1881), envolvendo Earp e seus irmãos Morgan e Virgil, ao lado de John “Doc” Holliday (1851-1887), contra o bando comandado por Ike “Old Man” Clanton (1847-1887). O tema já havia sido abordado também de forma romantizada por John Ford em Paixão dos Fortes (My Darling Clementine, 1946), com Henry Fonda no papel do correto e incorruptível delegado. Em Sem Lei e Sem Alma, Wyatt foi vivido por Burt Lancaster, tendo Kirk Douglas como seu amigo e parceiro Doc Holliday. Na ocasião, o diretor Sturges , como outros cineastas antes dele, resolveu alterar a realidade dos fatos, optando por uma versão romântica da lenda sem qualquer compromisso com fatos históricos, com o auxílio do roteirista Leon Uris. O Earp feito por Lancaster era até mais educado e social do que o feito por Henry Fonda no clássico de Ford, e sem contar que em muita sequencias no filme de 1957, Wyatt parecia agir como um verdadeiro “paladino” da moralidade, quase que um ser santificado.

O Cineasta John Sturges
James Garner como um amargo, vingativo
e desmitificante Wyatt Earp
Entretanto, dez anos depois, em 1967, o mesmo cineasta Sturges resolveu revisitar Wyatt Earp ao dirigir e produzir A HORA DA PISTOLA (Hour of The Gun), dessa vez deixando de lado toda a áurea romântica da mitologia do Velho Oeste, apresentando o delegado de Tombstone como um Homem da Lei vingativo e amargo. Aqui, Earp é interpretado pelo ótimo James Garner (1928-2014), que soube dar ao papel a sobriedade necessária para compor um autêntico personagem. Contudo, ao contrário de como pensa o público, A Hora da Pistola e Sem Lei e Sem Alma, apesar de serem dirigidas pelo mesmo cineasta, são obras desvinculadas uma da outra. Isto porque o filme de 1966 não é sequencia do filme de 1957. Em Sem Lei e Sem Alma, Wyatt  e Doc Holliday vencem o bando de Clanton no confronto do OK. Corral. Earp se despede de Doc no Saloon, e volta para Dodge City na esperança de reencontrar a mulher que ama (vivida por Rhonda Fleming). Fim de Gunfight Ok Corral

Wyatt Earp (James Garner) e Doc Holliday (Jason Robards), prontos para o combate de OK. Corral.
Doc Holliday (Jason Robards), ex-dentista, agora um jogador inveterado e alcoólatra, que esta na luta ao lado de Wyatt. 
O "civilizado" Ike "Old Man" Clanton, inimigo dos Earp, em soberba interpretação de Robert Ryan.

Em Hour of The Gun, a fita se inicia com o famigerado e célebre tiroteio, sem lei e sem esperanças para os personagens. De um lado estão os homens de Wyatt Earp, seus irmãos Morgan (Sam Melville, 1936-1989) e Virgil (Frank Converse), e o amigo jogador, tuberculoso, e bêbado inveterado, Dr. John " Doc" Holliday (Jason Robards, 1922-2000). De outro esta Ike “Old Man” Clanton (Robert Ryan, 1909-1973) e seu bando, mas diferentemente de Sem Lei e Sem Alma, Ike sobrevive ao conflito no Corral Ok e parte em busca de vingança. Ryan personifica Clanton de forma sofisticada e cínica. Não é o “bronco” vivido pelo ótimo Walter Brennan em My Darling Clementine de John Ford, que para enfrentar Wyatt e seus irmãos recorria à força bruta. Em A Hora da Pistola, Ike “Old Man” Clanton, interpretado por um ator de recursos magistrais como Robert Ryan, usava de seu cinismo e esperteza para combater o inimigo, e o faz de maneira lícita quando consegue levar os irmãos Earp e Doc Holliday para um tribunal e serem julgados por assassinato. 

Wyatt e Doc, absolvidos das acusações de assassinato
Wyatt Earp no encalço de seu grande inimigo...
Ike "Old Man" Clanton.
Contudo, o plano de “Old Man” Clanton não dá certo, pois Wyatt e seus irmãos juntamente com Holliday são absolvidos das acusações de assassinato em OK. Corral. Como o covarde que é, e não gostando de perder, Ike se vinga mandando matar um irmão de Wyatt e aleijando o outro. Isso tornará o delegado longe de qualquer personificação até então tratado no cinema para com o mito. Amargo e com sede de justiça e vingança, ele parte junto com Doc Holliday na busca de Clanton e de seu bando, mas para isso ele precisará de uma licença autorizada legalmente, o que ele consegue.  Tão logo os captura, um por um, o implacável Wyatt Earp passa a liquidar seus adversários com fúria homicida, até chegar a Ike Clanton em território mexicano, onde o confronto entre o delegado e Clanton será decisivo

Doc Holliday, igualmente implacável, em busca do bando de Ike.
Em algumas ocasiões, mesmo sendo parceiros num propósito em comum, Doc e Wyatt tem suas divergências em se fazer justiça.
Indubitavelmente, A Hora da Pistola tem o mérito de ser uma obra documental e sóbria. A fita já abre com o seguinte alerta: Este filme é baseado em fatos reais. O que aqui se conta, é a verdade. Neste ponto, se distanciou de filmes antecessores ao tema, principalmente Paixão dos Fortes, de Ford, realizado em 1946. Desta vez, a preocupação de John Sturges foi tanta de narrar o que foi o mais próximo dos fatos verídicos que até o visual de Wyatt Earp foi ao ponto de se aproximar o mais realisticamente possível do verdadeiro delegado. James Garner se aproximou o quanto pôde para se parecer fisicamente com Earp, através dos retratos que o mundo todo os conhece, com seus longos bigodes e o cabelo partido lateralmente, e o rosto quadrado.  

Doc e Wyatt traçam plano de ação para capturar a quadrilha de Ike Clanton.
Enfim, o duelo decisivo entre Ike Clanton e...
Wyatt Earp!
Ao realizar esta revisita a este mito do Velho Oeste, Sturges acabou desmistificando a legenda romântica que ao longo dos primeiros anos de cinema acabou levantando um altar para Wyatt Earp, lhe erguendo um monumento que o mundo até então admirou. Mas vale lembrar que em 1967, os faroestes europeus tomavam conta no mercado cinematográfico, e diferentemente dos americanos, os italianos e espanhóis não investiam em mocinhos de acordo com os padrões de Hollywood. Assim, os próprios americanos tiveram que se reinventar, e a produção do gênero Western teve que abandonar de vez o lirismo que tanta vezes promoveu em suas obras.  


O Earp vivido por James Garner é um homem frio que se vale da Lei. A vingança móvel de tantos contos do Western perdeu aqui um tanto da aura de fé, que tanto se viu no gênero (inclusive em Sem Lei e Sem Alma, onde Burt Lancaster viveu um Wyatt Earp quase "imaculado"). Em A Hora da Pistola, Wyatt e seus irmãos não são as pessoas mais comportáveis da sociedade. Eles estão empenhados em campanha política, aliados a um grupo influente que, no final, decide vencer de qualquer forma, mesmo que no suborno. Entretanto, o outro lado comandado por Ike “Old Man” Clanton e seus sequazes não age diferente. 

O diretor Sturges brinca com Jason Robards num intervalo das filmagens.
O excelente Bob Ryan, em mais um papel vilânesco de sua brilhante carreira.


Como um dos grandes nomes da cinematografia e realizador de grandes faroestes, John Sturges pode aqui não ter feito o seu melhor filme, mas fez um bom documento narrado com todo vigor. As melhores qualidades da fita valem o que valem os bons filmes que Sturges já fez sobre o Velho Oeste. Sua descrição da comunidade de Tombstone e dos personagens por ela condicionados é vinculada da que se viu em outras obras do diretor, como A Fera do Forte Bravo (1954), Sem Lei e Sem Alma (1957), Duelo na Cidade Fantasma (1958), e Duelo de Titãs (1959). E seus intérpretes rendem o que lhes pode proporcionar uma direção segura e amadurecida (especialmente Robert Ryan e Jason Robards, este um excelente retrato do decadente Doc Holliday). Vale destacar a antológica trilha de Jerry Goldsmith (1920-2004), que serviu até de fundo para algumas cenas da novela Irmãos Coragem, de Janete Clair, em 1970. A fotografia é de Lucien Ballard (1904-1988), e roteiro de Edward Anhalt (1914–2000). Em início de carreira, vemos Jon Voight como um dos capangas de Ike Clanton. A Hora da Pistola chegou às salas cariocas em outubro de 1968.



A HORA DA PISTOLA
(HOUR OF THE GUN)
País – Estados Unidos
Ano: 1967
Gênero: Western
Direção: John Sturges
Produção: John Sturges, para a United Artists.
Roteiro: Edward Anhalt
Música: Jerry Goldsmith
Fotografia: Lucien Ballard- A cores
Montagem: Ferris Webster
Metragem: 100 minutos

ELENCO
James Garner – Wyatt Earp
Jason Robards – Doc Holliday
Robert Ryan – Ike “Old Man” Clanton
Albert Salmi – Octavius Roy
Charles Aidman – Horace Sullivan
Steve Ihnat – Andy Warshaw
Michael Tolan – Pete Spence
Larry Gates – John P. Clum
Karl Swenson - Dr. Charles Goodfellow
Lonny Chapman - Turkey Creek Johnson
William Windom - Texas Jack Vermillion
Richard Bull - Thomas Fitch
Monte Markham - Sherman McMasters
Sam Melville – Morgan Earp
Frank Converse – Virgil Earp
Jon Voight - Curly Bill Brocius



Paulo tellEs

Produção e Pesquisa

6 comentários:

  1. Olá, Paulo. Eu não cheguei a assistir a "Hora da Pistola", mas um grande elenco com Jason Robards, Robert Ryan e James Garner e com a direção de Sturges, já vale assistir.
    Realmente uma revisitada de Sturges para sua primeira versão com Kirk Douglas e Burt Lancaster.
    Saudades de James Garner e o "The Rockford Files", de Robert Ryan em "The Wild Bunch" e Jason Robards, em All the President´s Men.

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    1. Olá Val!

      Recomendo que quando puder assista A HORA DA PISTOLA. Não desmerecendo as versões anteriores sobre Wyatt e o confronto do OK. Corral, mas realmente foi a versão que impulsionou a desmistificação do mito do Velho Oeste, onde no meio dos tiroteios tudo parecia poesia.

      Realmente, o trio principal é um elenco de peso.

      Abraços do editor!

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  2. Telles,

    Não vamos aqui por elogios demais numa fita muito comum e que deixa os cinéfilos que seguem as sagas mostradas sobre Earp como isso e como aquilo na cabeça, ou seja, sem saber onde reside, de fato, a essencia de tudo que já vimos sobre o Delegado.

    A verdade é que não se sabe ao certo se nada do que vimos no cinema ocorreu de verdade ou não, já que cada filme mostra um Delegado Earp com uma personalidade e ficamos nós aqui a tentar desconectar um do outro e, por fim, fiamos sem definir quem foi o verdadeiro Wyatt.

    O que mais andei sabendo e que eram um bando de aventureiros correndo atrás de riqueza e assim rixas e mais rixas foram criados com outros como eles.

    Se a coisa é como um amigo meu diz, que cada diretor tem o direito de mostrar o personagem como bem deseje (o que não é nada mentira dado aos tres filmes que são citados aqui) como podemos então por em nossa mente quem foi o sujeito de quem so se contam aventuras e mais aventuras sempre do lado da lei e sempre ganhando seus conflitos.

    O Sturges é sim um formidável diretor de westerns, o que está fora de discussão e não estou aqui depedrando sua bem feita fita. Mas ele foi tão bom como o foi o Mann, o Daves, o Ford, o Hathaway, o Walsh e muitos mais. Esta não é a questão. A questão que o cinéfilo, ou pelo menos eu, pergunto é; onde está a verdade de tudo isso? Quem era de fato o Earp? Ocorreu mesmo tudo isto que contam sobre ele e seus irmãoos e tudo o mais a respeito deles ou se criou um mito do quase nada?

    Termina não se sabendo NADA dele, já que, como o Sturges fez, dizendo que esta era a historia verdadeira do famoso Delegado não me parece bem dita. Isto sim é o que, ao menos a mim, intriga.

    Não quero aqui falar mal da qualidade da fita. Claro que não. Onde o Sturges mete a mão nada sai sem qualidade. O que quero e gostaria de saber é onde está a verdade de tudo isto que vemos em tantos filmes.

    O Kasdan fez, acho que em 1994, o belo e muito bem feito Wyatt Earp que, de longe me parece ser a mais real narrativa do Delegado. Porém estragou o filme com aquele inicio de coisa de uma hora querendo ser o mais fiel possivel. Fato que também não se tem provas ou documentos que comprove tudo aquilo.

    Agora: uma fita de Sturges, com o Gardner novinho e que por si só já era um grande astro, o Jason de quem nada mais presicamos falar e o grande e quase inigualável Ryan, nunca poderia sair algo sem beleza e qualidades não somente interpretativas e sim algo feito com esmero e perfeição, como são os trabalhos do velho diretor.

    No entanto, ainda sobre o ficticio Delegado, fico com o muito bem feito filme do Kasdan, que narra em um sério e bem feito filme muito do que não vemos em outros.

    jurandir_lima@bol.com.br

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    1. Prezado e querido amigo baiano!

      Não sei se vc lembram, mas há cerca de seis anos (só o blog aqui já tem sete, que serão completados em junho) eu redigi uma matéria (que na verdade foi um trabalho de pesquisa), sobre Wyatt Earp, e não é difícil de desmascarar o mito. O título da matéria é WYATT EARP: FICÇÃO E REALIDADE, onde utilizei de dois livros que tenho sobre o “cara”. Aconselho que vá até a esta matéria, que sei que é longa, mas ele fala do verdadeiro “mito”, sem qualquer compromisso com a lei, o verdadeiro “171” daqueles tempos, que vão deixa-lo de cabelo em pé.

      O CINEMA é isto meu caro bom amigo e melhor crítico. Esta arte permite vc retratar qualquer personalidade da maneira que bem lhe apraz. Permite adaptar um livro da mesma forma. Como vc bem disse, cada diretor tem uma ótica que lhe permite levar para as câmeras aquilo que ele visiona. Um filme que talvez tenha chegado mais perto do “honrado” lawman foi O MASSACRE DOS PISTOLEIROS, mas ainda assim com suas reservas de ficção. Não nos cabe aqui julgar sobre o que foram fatos ou não, mas sim apreciar o bom cinema, e se falamos de um fato ou outro, apenas será como um item ou outro de informação.

      Todos os cineastas que vc bem citou são monumentos não somente do Western, mas também de toda a Sétima Arte. Mas certamente, Sturges fez apenas um filme considerado de bom pra excelente, que estou certo, se aproxima mais dos fatos verídicos do que SEM LEI E SEM ALMA, em 1957, com a mesma temática. Neste, percebemos ainda a aura romântica e um Earp quase que imaculado de tão certinho com a lei e a ordem, vivido por Burt Lancaster. Em A HORA DA PISTOLA, o diretor dessa vez desmistificou de vez Wyatt Earp, que esta para um “anjo vingador”, mas sabemos que este homem não era nem uma coisa e nem outra, mas sim, um aventureiro demagogo assim como seus irmãos, que em verdade se aproveitou dos Clanton, que foram na verdade suas maiores vítimas. Aí vc me pergunta: mas como o cinema veio a mistificar um velhaco como esses fazendo dele um herói? Simples: leia minha matéria sobre WYATT EARP, FICÇÃO E REALIDADE, que vc entenderá, e não é uma figura fictícia, ele existiu de fato.

      Vc mencionou o cansativo longa WYATT EARP de Kevin Costner, que ele produziu e Lawrence Kasdan dirigiu. Eu assisti no cinema e sai “mareado” da sala, pois foi uma mistura tamanha com o mito e sua verdadeira personalidade, com um trabalho de pesquisa que mais se preocupou com quantidade do que qualidade. Aliás na mesma época, foi lançado TOMBSTONE, com Kurt Russell no papel do delegado, e contando com uma pequena aparição de Charlton Heston. TOMBSTONE foi muito melhor na minha opinião, e igualmente assisti no cinema, onde já sai da sala com uma impressão bem melhor.

      Grande abraço do editor carioca.




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  3. Telles,

    Caramba, homem! Já trabalhamos juntos há uns 6 anos!!! Só acreditei vendo a matéria que falei onde me orientaste, que acho ser de 2011.

    Vou dizer mais uma vez para ti;NÃO EXISTE ISSO DE PUXÃO DE ORELHAS, DE IR CONTRA MINHA OPINIÃO, DE CACETE NENHUM. Estamos falando de cinema e tudo isso é bom demais para, até voltarmos a matérias atrás e relermos o que escrevemos. Sinta-se à vontade neste parâmetro

    Já haviam me falado diversas vezes que o cinema é uma obra aberta para quem desejar por ou tirar isso e aquilo daqui ou dali fazer isto com toda liberdade, cabendo a nós apenas apreciarmos o espetáculo.

    Você vai e vê Noé, do e com o Huston, e vem e vê Noé do Crowe. Você vê os 10 Mandamentos do De Mille e aí vem o mesmo filme do Scott, e assim sucessivamente.

    Sobre o Forte Álamo já não conto quantas versoões diferentes da outra nós vimos. Mas, cito para ti sem medo de errar (amcho que já te disse isso); A ULTIMA BARRICADA/55, De Frank Lloyd bate em todos os demais. Principalmente no besteirol do Duke. Vejam e me digam.

    Só resta pra gente, que ama cinema, ir vendo o filme e o que eles desejarem aderir ou tirar de bom ou ruim, porque a verdadeira historia dos temas surgem diferentes, alterados, sem nos dar uma planta mais viva ou real de onde caminha a verdade.

    Você tem toda razão quanto comentei o filme do Sturges me referindo ao mesmo tema ao qual me referi na postagem de 2011. E eu mantinha no fundo da memória que já havia tocado no mesmo assunto algum dia neste blog. Mas...catei, catei e catei. Não podia achar, pois estava a seis mil anos luz.

    De qualquer maneira não deixei de dar um toque aqui ou outro ali no filme de 1967, onde, além da materia já dizer tudo. E tem mais: o verdadeiro dono do filme é o Ryan, mesmo com o Gardner como protagonista. O cara é demais! Porém o próprio Sturges derrubou sua qualidade em Conspiração do Silencio/55, onde até o Borgnine está à frente dele, vindo a faze-lo recupara-la 12 anos depois.

    Jurandir_lima@bol.com.br


    Como cinema temos de ver e aceitar, mesmo porque nada podemos fazer. No entanto, ainda acho que deveria haver alguma lei que proibisse de se criar cinema não sendo leal à realidade da historia, O QUE NUNCA VAI OCORRER.

    Me espantei com o Ford fazendo aquele filme sobre o Earp com o Fonda. Tudo completamente dirente. Depois vem Sem Lei e Sem Alma, unde vemos o Sturges mostrar um Earp agradável,duro mas simpático, até bom em determinados momentos.

    Vem então Kasdan e nos dá aquela imensidão de filme contando algo que eu nunca havia conhecido em qualquer outro filme sobre o Personagem. Gostei pela beleza plástica do filme, pela sua boa direção e pelo papel que o Kostner interpreta, apesar de muitos não gostarem. Entretanto, o diretor coloca mais de uma hora de filme antes do tema cental, nos desgastando a todos mas que no decorrer da pelicula ela é bem climatizada.

    Vem a Hora da Pistola com outra cara e dizendo que aquela era a verdadeira historia de tudo.
    O que fazer. E tudo isto me intrigou e, como é um tema que muitos amariam conhecer a pura verdade, ficamos frustados. Porém, é como disseste: quem iria ao cinema ver um Heroi tão falado e famoso agindo da forma como ele poderia mesmo ter agito.



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    1. Olá Ju!

      Vou contar um fato sobre o diretor Kevin Reynolds, que em 2002 dirigiu a melhor adaptação cinematográfica do romance de Alexandre Dumas O CONDE DE MONTE CRISTO, levado inúmeras vezes as telas, que me parece que só perdeu para outras adaptações de outro clássico de Dumas, OS TRES MOSQUETEIROS.

      Reynolds dirigiu uma obra prima, e ótimos atores como Jim Caviezel (que faria Jesus em A PAIXÃO DE CRISTO, de Gibson), Guy Pearce, e Richard Harris em uma de suas últimas aparições. Ao ser questionado por um repórter o que ele achava sobre os críticos em censura-lo por adaptar um romance que não era fiel ao livro, ele respondeu:
      - Agradeço todas as criticas, mas minha intenção não era RECONTAR o livro, e sim FAZER UM FILME.

      Então baiano...

      Vc mesmo disse, e muito bem, que o cinema é uma obra aberta, seja para recontar uma história ou mesmo de aumenta-la, e ainda digo mais: REINVENTA-LA.

      Mas veja, amigo, “criar uma lei” que proibisse de “criar cinema” não sendo real a realidade da história? Se tal lei existisse, seria a mais profunda incoerência pela liberdade de expressão, e por isso que geralmente algumas novelas e outras produções alertam que “esta obra é uma ficção, e qualquer semelhança entre nomes e situações, terá sido mera coincidência”.

      Isto é cinema.

      Sobre os filmes que mencionou sobre Earp, vc releu a matéria publicada a seis mil anos luzes sobre este degenerado da vida real que o cinema tão bem lhe ergueu um pedestal a moralidade e conduta, que ele mesmo nunca teve.

      Todos os celerados do Velho Oeste (e falo isso brevemente no meu livro que será lançado em maio ou junho, se o Céu permitir) tiveram suas vidas ROMANCEADAS, mas isso se deveu mesmo antes do cinema investir neles, já que havia escritores de folhetim contando as “sagas” dos grandes pistoleiros.

      Isso nós vimos no clássico OS IMPERDOÁVEIS, do grande Clint, onde o personagem de Richard Harris, o Inglês Bob, um matador de aluguel, tinha o seu “biógrafo” que chegaram aquela pequena cidade, e não querendo entregar suas armas para o xerife vivido por Gene Hackman, leva deste uma surra daquelas. Pois bem, este tipo de “biógrafo” que inventou as lendas, lendas estas que o cinema mais tarde exaltaria.

      Abraços do editor.

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