No último dia 1º de julho, Olivia de
Havilland completou cem anos de vida. Uma das poucas reminiscências vivas dos anos
dourados do cinema, Olivia foi participante ativa de diversos clássicos das
telas, celebrados por inúmeros fãs da Sétima Arte. As Aventuras de Robin Hood talvez seja o mais lembrado de todos por
uma geração mais jovem, junto à outra obra prima, E o Vento Levou. No primeiro se consagrou como a parceria romântica
do galã e aventureiro Errol Flynn (1909-1959), com quem atuou oito vezes, e no
segundo, ela é a única atriz viva do elenco principal do que é considerado “o maior filme de todos os tempos”,
realizado em 1939 e onde viveu a doce e gentil Melanie. Mas não foi só de canduras que viveu esta grande
atriz dentro e fora das telas. Ela se
impôs como mulher e artista, desafiando o sistema hollywoodiano de estúdios e
com isso, conquistando o respeito de seus amigos e colegas de profissão (entre
os quais, se destaca Bette Davis), sendo premiada pela Academia em duas
ocasiões. Notório também são as desavenças com a irmã, a também atriz e
igualmente premiada Joan Fontaine (1917-2013). Celebrando o aniversário desta
Legenda Viva do cinema radicada hoje na França, vamos fazer uma retrospectiva
sobre sua vida e sua obra cinematográfica.
Parabéns Para OLIVIA
DE HAVILLAND.
Por Paulo Telles
Olivia Mary de Havilland nasceu a 1º de julho de 1916, em
Tóquio, Japão, Filha de pais naturais do Reino Unido. Seu pai, Walter Augustus
de Havilland (1872 —1968), um Procurador, era filho do Reverendo Charles Richard
de Havilland, que viera de uma família de Guernsey, nas Ilhas do Canal. A mãe, a atriz Lilian Augusta de Havilland,
que adotou o nome artístico de Lillian Fontaine (1886-1975), estudou na
Academia Real de Artes Dramáticas, em Londres, tornando-se atriz de teatro,
deixando a carreira após ir para Tóquio com o marido. Sua mãe voltaria a
trabalhar com o nome artístico de Lillian Fontaine na década de 1940.
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| Olivia aos cinco meses, com seus pais. |
Lilian saíra da Inglaterra para o Japão a fim de visitar
um irmão que trabalhava como professor na Universidade de Tóquio. Foi quando
acabou conhecendo o futuro marido, então professor na mesma Universidade, com quem se
casou em 1914. Mas não foi uma união feliz, devido às infidelidades de Walter. Da
união do casal nasceram Olivia, em 1916, e Joan de Beauvoir de Havilland, que o
mundo a conheceria como Joan Fontaine, em 1917 (e falecida em 2013).
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| A Mãe de Olivia de Havilland e Joan Fontaine: Lillian Fontaine (1886-1975) |
Em fevereiro de 1919, Lilian convenceu o marido a levar a
família de volta à Inglaterra, pois lá encontrariam um clima mais adequado para
a saúde das filhas. A família parou na Califórnia, nos Estados Unidos, para
tratar Olivia, com saúde fragilizada devido a uma bronquite. Quando Joan
contraiu pneumonia, Lilian decidiu permanecer com as filhas na Califórnia, onde
se estabeleceram na cidade de Saratoga, a cerca de 80 km ao sul de San
Francisco. Seu pai abandonou a família e voltou para a amante japonesa, que se
tornaria a segunda esposa dele. O divórcio só aconteceu de fato em fevereiro de
1925.
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| Olivia de Havilland em sua juventude |
Embora tivesse abandonado a carreira de atriz, Lilian
ensinava as filhas a apreciarem as artes, sempre lendo Shakespeare para as
crianças (o próprio nome de Olivia fora escolhido por causa da personagem Lady
Olivia, da peça Noite de reis, de
Shakespeare), e também lhes ensinando música e declamação. Em abril de 1925,
depois de o divórcio com Walter ter sido finalizado, Lilian casou-se novamente,
desta vez com um proprietário de uma loja de departamentos chamado George Milan.
Fontaine, um homem severo e detestado por ambas as garotas. O sobrenome deste,
que fora adotado por Lilian em razão de seu segundo casamento, seria usado por
Joan quando, ao virar atriz, decidira criar um nome artístico. A infância de
Joan e Olivia seria marcada por desentendimentos entre ambas, desentendimentos
estes que por sua vez gerariam uma rivalidade entre as irmãs que se estenderia
ao longo de suas vidas.
ENSAIO PARA O CINEMA
Olivia de Havilland frequentou a Saratoga Grammar School, o Convento de Garotas Católicas de
Notre-Dame, em Belmont, e a Los Gatos
High School, em Los Gatos. Hoje a
escola de Los Gatos oferece um prêmio com o nome de Olivia para jovens
atores. No colégio, ela se destacou na oratória e no hóquei em campo, além de
ter participado do clube dramático da escola.
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| Olivia aos 17 anos, personificando Alice na peça ALICE NO PAÍS DAS MARAVILHAS, em 1933 |
Em 1933, aos 17 anos de idade, participou da montagem teatral
de Alice no País das Maravilhas, obra
imortal de Lewis Carroll (1832-1898) interpretando o papel principal. Tempos e
tempos depois, a atriz faria uma declaração sobre seu desempenho como Alice e
suas primeiras experiências na atuação:
“Pela
primeira vez eu vivi a mágica experiência de sentir-me tomada pela personagem
que eu estava interpretando. Eu realmente senti que eu era Alice e que, quando
atravessei o palco, eu estava me movendo para o encantado país das maravilhas
de Alice. E assim, pela primeira vez, senti não apenas o prazer em atuar, mas o
amor por estar atuando também.”
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| Olivia como Hermia na versão cinematográfica de SONHOS DE UMA NOITE DE VERÃO (1935) |
Assim que terminou o colegial no ano seguinte, Olivia ganhou
o papel de Puck na produção teatral Sonho de uma noite de verão, inspirada
na obra de William Shakespeare. Naquele verão, o cineasta austríaco Max
Reinhardt (1873-1943) veio para a Califórnia para assistir a peça no Hollywood Bowl. Depois de um
dos assistentes de Reinhardt terem assistido Olivia em sua atuação, foi
proposta a ela fazer o papel de Hermia na versão cinematográfica que o diretor
iria rodar da mesma obra. Ela prontamente aceitou.
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| Olivia no auge da beleza e da forma física. |
Aceitar o papel de Hermia alterou todos os planos que a
jovem atriz reservou para si: excelente aluna, ela havia ganhado uma bolsa na
Universidade de Mills, onde iniciaria seus estudos no outono de 1934 com o
objetivo de tornar-se professora de inglês. Após Reinhardt tê-la convencido a
aceitar o seu convite, ela entendeu que essa era a grande chance de sua vida, e
que não poderia deixá-la passar.
O COMEÇO EM HOLLYWOOD
A versão cinematográfica de Sonhos de uma noite de verão, produzida pela Warner, marcaria a primeira aparição da novata Olivia de Havilland no cinema. Curiosamente, o filme só seria lançado no final de 1935, depois dos lançamentos de outros dois filmes em que Olivia atuaria depois de concluídas as gravações de seu primeiro trabalho cinematográfico.
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| Olivia em ESFARRAPANDO DESCULPAS (1935), com Joe E. Brown |
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| Com James Cagney: O FILHINHO DA MAMÃE (1935) |
São eles: Esfarrapando Desculpas/Alibi Ike, em 1935, dirigido por Ray Enright (1896-1965), uma comédia onde ela atuou ao lado do lendário “boca larga”, Joe E. Brown (1892-1973), e ainda no mesmo ano, O Filhinho da Mamãe/The Irish in Us, de Lloyd Bacon (1889-1955), outra comédia onde contracena com James Cagney (1899-1986) e Pat O’Brien (1899-1983).
ERROL FLYNN: O PARCEIRO ROMÂNTICO PERFEITO NAS TELAS
A jovem Olivia começava a se destacar em Hollywood. A
delicadeza e o charme comum entre as estrelas do cinema, e uma dicção perfeita
impressionavam o público, os cineastas, e os produtores. Sua forma de atuar delicada e ao
mesmo tempo profunda e verdadeira causou uma impressão muito agradável,
resultando em um contrato de sete anos com a Warner Brothers.
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| Olivia com seu mais famoso par romântico, Errol Flynn, em CAPITÃO BLOOD (1936) |
O auge do sucesso, entretanto viria com a sua associação com o
ator Errol Flynn (1909-1959), onde ela seria sua parceira romântica em oito
filmes, entre 1936 a 1941. Flynn, na época, era o astro mais promissor (e com o
melhor salário) do estúdio Warner, já se firmando como um dos grandes campeões
de bilheteria da década de 1930.
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| Olivia de Havilland e Errol Flynn, no primeiro clássico em parceria: CAPITÃO BLOOD. |
Capitão
Blood/Captain Blood, produzido em 1935 e dirigido por
Michael Curtiz (1886-1962) foi a primeira união entre Errol e Olivia, um capa
& espada baseado no célebre romance de aventuras de Rafael Sabatini
(1875-1950), o mesmo autor de Scaramouche. Foi um estrondoso sucesso graças à química
perfeita entre os dois astros, que se tornaria também uma das duplas românticas mais famosas do cinema.
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| A CARGA DA BRIGADA LIGEIRA (1936). |
No ano seguinte os dois voltariam as telas com Carga da Brigada Ligeira/ The Charge of the Light Brigade,
também dirigido pelo notável Curtiz, muito embora seus personagens não eram
precisamente um par romântico, já que a parte de Olivia, Elsa Vickers, não
correspondia ao amor do personagem vivido por Flynn, o major Geoffrey Vickers
da Brigada Ligeira. Um sucesso que
decolou e que ajudou a firmar ainda mais os nomes de seus astros principais.
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| AS AVENTURAS DE ROBIN HOOD (1936): Olivia e Errol no filme mais popular da dupla. |
A 16 de setembro de 1936, a extremamente bem sucedida
parceria de Olivia com Errol em Capitão
Blood e A Carga da Brigada Ligeira
leva a Warner a decidir-se por Olivia para o papel de Lady Marian, em As Aventuras de Robin Hood/ The Adventures of Robin Hood.
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| A beleza de Olivia de Havilland, como Lady Marian. |
O papel de Lady Marian foi antes oferecido à atriz Anita
Louise (1915-1970), sendo a fita dirigida também por Curtiz em parceria com William Keighley
(1889-1984). As Aventuras de Robin Hood se incluiu no privilegiado grupo de filmes
aonde chega a perfeição interpretativa. Olivia de Havilland, com a suavidade de
sua beleza e ao seu talentoso charme, dá um fascínio especial às cenas de que
participa, pois sua Lady Marian parece sair de um livro de histórias de um
conto de fadas.
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| Olivia beijando Errol, sob o olhar despeitado de Patric Knowles: AMANDO SEM SABER (1938) |
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| Olivia e Errol: UMA CIDADE QUE SURGE (1939) - O Primeiro Faroeste da dupla. |
Em 1938, Flynn e Olivia voltariam em Amando sem Saber/ Four's a
Crowd, também dirigido por Michael Curtiz, uma comédia romântica
com os dois novamente fazendo suspirar as plateias.Em 1939, os dois se encontram novamente, desta vez num
Western, Uma Cidade que Surge/ Dodge City,
novamente sob a batuta de Curtiz.
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| MEU REINO POR UM AMOR (1939): Olivia e Errol, e no meio... |
No mesmo ano, Michael Curtiz coloca Bette
Davis (1908-1989) no meio dos dois astros no fascinante Meu Reino Por Um Amor/ The
Private Lives of Elizabeth and Essex. Davis (no
papel da Rainha Elizabeth) então na época a atriz mais importante da Warner,
foi também o interesse romântico de Flynn que vivia o aventureiro Earl de
Essex.
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| A lendária BETTE DAVIS. Mas a Grande Estrela foi apoiada por Olivia de Havilland. |
Olivia era o terceiro nome creditado do elenco, ofuscada pelo brilho de Davis, mas isso não a invejou, pelo contrário, pois as duas atrizes se entendiam perfeitamente bem. Clima agitado durante as filmagens, pois já nessa época, Flynn, graças às farras e bebedeiras noturnas se atrasava as gravações, pondo as disciplinadas Olivia e Bette (que se tornaram amigas), bem como o diretor, Michael Curtiz, fora do sério.
E O VENTO LEVOU
“Eu
diria que Melanie foi a pessoa que eu gostaria de ser... mas também a pessoa
que eu nunca consegui ser”.
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| Olivia como Melanie Hamilton, em E O VENTO LEVOU (1939) |
Assim Olivia de Havilland definiu a sua personagem,
Malanie Hamilton Wilkes, em E O Vento
Levou/Gone With The Wind, em uma entrevista realizada em 2009. Com 22 anos
de idade, ela desempenhou magistralmente o papel da gentil cunhada da
determinada Scarlett O'Hara, interpretada por Vivien Leigh (1913-1967).
De Havilland e Leigh ameaçaram dominar o filme, tanto que
o “machão” Clark Gable (1901-1960), o astro que vivia Rhett Buttler, protestou,
e o diretor George Cukor (1900-1983) teve de ser despedido por esta razão.
Cukor, que era homossexual, era conhecido por ser um “diretor de mulheres” por
se relacionar muito bem profissionalmente com elas e sentir o que elas
precisavam obter em uma interpretação. Mesmo assim, tanto Olivia e Vivien foram
instruídas por este grande diretor às escondidas.
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| Com o lendário Leslie Howard: E O VENTO LEVOU (1939) |
A escolha para viver Melanie também mereceu uma busca
antes da escolha definitiva para De Havilland. Maureen O’ Sullivan (a inesquecível Jane dos filmes de Tarzan com Johnny Weissmuller), Janet
Gaynor, Marsha Hunt, Geraldine Fitzgerald, Priscilla Lane, Dorothy Jordan,
Frances Dee, Ann Shirley, e até a irmã de Olívia, Joan Fontaine, estavam na lista
de candidatas para o papel.
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| David O' Selznick com Leslie Howard, Vivien Leigh, e Olivia de Havilland, em reunião para decidir os trâmites de E O VENTO LEVOU (1939) |
Malanie era uma mulher gentil, delicada, e frágil, o
oposto de sua cunhada Scarlett, que na verdade amava seu marido, Ashley Wilkes, vivido por Leslie Howard (1893-1943), mas este só tinha olhos para esposa Melanie. As filmagens deste grandioso filme (baseado no Best Seller de Margaret Mitchell,1900-1949) começaram bastante
tumultuadas a 10 de dezembro de 1938, nos velhos estúdios da RKO-Pathé, em
Culver City, mas não havia ainda a atriz para Scarlett O’ Hara. Sob a direção
de William Cameron Menzies (1896-1957), encenou-se diante das câmeras
Technicolor a sequência do incêndio de Atlanta, com a utilização de antigos
cenários (de King Kong / King Kong /
1933, Jardim de Alá / Garden of Allah
/ 1936, etc.), disfarçados com falsas fachadas.
Sete câmeras Technicolor fotografaram os dublês dos
personagens de Rhett e Scarlett em planos médio e geral com o fogo ao fundo.
Foi necessário filmar esta cena antes do verdadeiro início da produção, a fim
de limpar a área para a construção do cenário de Tara, partes de Atlanta e
vários outros exteriores.
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| Hattie McDaniel, com Olivia e Vivien Leigh: E O VENTO LEVOU. |
As filmagens terminaram a 1º de julho de 1939, e Selznick
tinha diante de si uma montanha de celulóide revelado – cerca de 60.000 metros
de filme, equivalente a 28 horas de projeção. Trancado dia e noite com o editor
Hal C. Kern e seu assistente James Newcom, o produtor montou o filme sem
consultar nenhum dos diretores que nela tomaram parte e ordenou a filmagem de
cenas adicionais, como aquela em que Scarlett se esconde debaixo da ponte numa
tempestade, enquanto uma tropa da União passa sobre a mesma. Sob o comando de
Victor Fleming, a cena de abertura foi mais uma vez encenada. A montagem final redundou
em 4 horas e 25 minutos de projeção. Efetuaram-se novos cortes e o filme
terminou com a duração de 3 horas e 43 minutos.
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| A noite de estreia em Atlanta: Vivien Leigh, Clark Gable, David O' Selznick, Margaret Mitchell (autora do livro), e Olivia |
A première teve lugar em Atlanta na noite de 15 de
dezembro de 1939, com a frente do cinema Lowe’s Grand decorada como a mansão de
Twelve Oaks. O Governador da Geórgia, E. D. Rivers, decretou feriado estadual
em virtude do lançamento de um filme. Para não ficar atrás, o Prefeito de
Atlanta, William B. Hartsfield, programou três dias de festividades,
substancialmente patrocinadas pela Metro. A imprensa estimou em um milhão o
número de pessoas aglomeradas na cidade – então habitada por 500 mil cidadãos –
no dia da estreia de…E O Vento Levou.
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| Vivien Leigh e Olivia de Havilland, numa cena excluída na versão original (Olivia segurando uma edição do romance de Margaret Mitchell). |
Pelo desempenho em E
O Vento Levou, Olivia De Havilland recebeu a primeira de suas cinco indicações
ao Oscar - a única na categoria de Melhor atriz coadjuvante - embora tenha
perdido o prêmio para a amiga Hattie McDaniel (1895-1952), que o levou pela
atuação como Mammy, no mesmo trabalho. Dos quatro atores principais do filme
(os outros: Vivien Leigh, Clark Gable e Leslie Howard), De Havilland é a única
ainda viva. Ironicamente, sua personagem Melanie é a única das quatro a morrer
no filme.
ÚLTIMOS FILMES COM FLYNN
Após o estrondoso sucesso mundial de E O Vento Levou, que consagrou firmemente os nomes dos seus astros
principais, entre os quais se destacava Olivia De Havilland, esta ainda
atuou em dois últimos trabalhos com o colega Errol Flynn, em dois faroestes: A Estrada de Santa Fé/ Santa Fe Trail, em 1940, e O Intrépido General Custer/ They Died with Their Boots On, em
1941.
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| Olivia e Errol: A ESTRADA DE SANTA FÉ (1940) |
A
Estrada de Santa Fé foi o último filme que Michael
Curtiz dirigiu com a dupla, um western sem algum compromisso com a
história, onde mostra a questão da validade ou não de se usar o terrorismo para
promover uma causa tida como boa para os yankees (os nortistas): a abolição da
escravatura. Durante todo o filme, os oficiais do exército norte-americano se
mantêm neutros na disputa política entre sulistas e nortistas. O filme termina
com uma mensagem de esperança, que as disputas políticas não dividissem a
nação.
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| A ESTRADA DE SANTA FÉ |
O filme segue, de forma livre, a vida de J. E. B. Stuart
(vivido por Flynn), antes que irrompesse a guerra civil dos EUA. Também fala do
seu romance com a fictícia Kit Carson Hollyday (Olivia de Havilland), da sua
amizade com o famoso General Custer, aqui vivido por Ronald Reagan (1911-2004),
e de batalhas contra o abolicionista John Brown, vivido por Raymond Massey
(1896-1986). Curiosamente, Massey repetiria o papel de Brown em 1957, no
faroeste Sete Homens Enfurecidos/ Seven Angry Men, dirigido por Charles
Marquis Warren (1912–1990).
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| O INTRÉPIDO GENERAL CUSTER (1942): Olivia de Havilland e Errol Flynn |
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| O INTRÉPIDO GENERAL CUSTER: Errol Flynn, e Hattie McDaniel novamente com Olivia, depois de "E O Vento Levou". |
AS LEMBRANÇAS DE OLIVIA SOBRE ERROL
Na autobiografia de Errol Flynn, My Wicked, Wicked Ways (lançado postumamente pouco depois da morte
do astro, em 1959), ele afirma que durante muito tempo foi apaixonado por Olivia de
Havilland. Mas a atriz, segundo o ator, nunca correspondeu ao seu amor, e mesmo
porque ele era casado com a atriz (ciumenta e temperamental) Lili Damita
(1904-1994). Mesmo sendo casado, Flynn
pulou várias vezes a “cerca”, e suas bebedeiras e outras atitudes eram
consideradas folclóricas em Hollywood.
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| Errol com sua esposa, a atriz Lili Damita. |
Embora conhecidos como um dos mais famosos casais do
cinema (estrelaram oito filmes juntos), De Havilland e Errol Flynn nunca
estiveram ligados romanticamente. A respeito de seus sentimentos sobre Errol, Olivia
observou que, mesmo se sentindo atraída por Flynn, recusou todas as investidas
do galã com o receio de se tornar apenas mais uma dentre as inúmeras aventuras
amorosas de um homem comprometido.
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| Olivia e Errol, em foto publicitária. |
Mas em 2009, por ocasião da celebração do centenário de nascimento
de Flynn, Olivia de Havilland fez uma declaração que surpreendeu a todos:
"Sim, nos
apaixonamos e acho que isso é evidente na química que mostrávamos nas telas. Mas
as circunstâncias naquele tempo impediram que a relação fosse adiante",
afirmou Olivia.
Em outra declaração, ela também disse:
“Eu
tive de fato uma queda por Errol Flynn durante as filmagens de “Capitão Blood”.
Eu o achava absolutamente sensacional, durante três anos contínuos, sem ele
sequer imaginar. Então ele começou a me cortejar, mas não deu em nada. Eu não
me arrependo disso; ele poderia ter arruinado minha vida”
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| ERROL FLYNN: Sempre nas lembranças eternas de Olivia de Havilland. |
FILMES EM DESTAQUE NA DÉCADA DE 1940.
A partir de E O
Vento Levou, em 1939, a carreira de Olivia de Havilland sofreu uma guinada
positiva. No mesmo ano, ela contracenou com David Niven (1909-1983) em Raffles, onde foi emprestada para United
Artist. Entretanto, A Porta de Ouro/ Hold Back the Dawn, dirigido por
Mitchell Leisen (1898–1972) em 1941, exigiu extrema dedicação da atriz para a
personagem, Emmy Brown, uma mulher que se confronta com os esquemas políticos
sociais para colocar o homem que ama nas alturas, contudo ela é traída por ele.
O homem amado por Olivia é vivido por Charles Boyer (1899-1978) e a amante
deste é interpretada por Paulette Goddard (1911-1990), e ambos arquitetam para
usar e abusar da sofrida mulher vivida por De Havilland.
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| A PORTA DE OURO (1939): Paulette Goddard, Charles Boyer, e Olivia de Havilland. |
Olivia foi indicada pela segunda vez ao Oscar de melhor
atriz pelo papel em A Porta de Ouro
em 1941, mas perdeu para a irmã Joan Fontaine, que concorreu na mesma categoria
em 1941 por Suspeita, de Alfred Htichcock. Há quem fale que entre outras
coisas, a rivalidade das duas irmãs não só derivam de problemas familiares,
como também veio a se estender dentro da Meca cinematográfica.
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| Olivia com Henry Fonda: ASSIM QUE ELAS GOSTAM (1942) |
No ano seguinte, em 1942, Olivia embarca na comédia Assim que elas Gostam/ The Male Animal, dirigido por Elliott
Nugent (1896–1980), e com Henry Fonda (1905-1982) como um professor
universitário as voltas com greves e marxismo. O filme aqui no Brasil só foi
exibido 1945, pouco depois do fim da II Guerra, por determinação do “Estado
Novo”.
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| Com Bette Davis: NASCIDA PARA O MAL (1942) |
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| SUA ALTEZA QUER CASAR (1943) |
Em 1942 ainda, Olivia viveu a irmã sofrida de Bette Davis
e totalmente manipulada por ela em Nascida
para o Mal/ In This Our Life,
dirigido pelo lendário John Huston (1906-1987).
Em 1943, uma comédia, Sua Alteza quer casar/ Princess O'Rourke, dirigido por
Norman Krasna (1909–1984), onde Olivia vive uma Cinderela disfarçada nos tempos
modernos.
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| DEZ PEQUENAS PARA UM HOMEM (1943) |
Em Dez Pequenas
para um Homem/ Government Girl,
no mesmo ano, dirigido por Dudley Nichols (1895–1960), Olivia interpreta uma
funcionária de Washington que tenta reverter à escassez de homens.
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| Olivia com Ida Lupino e Nancy Coleman: DEVOÇÃO (1946) |
Em 1946, De Havilland brilharia como uma das irmãs Bronte
na cinebiografia das famosas novelistas em Devoção/ Devotion, dirigido por Curtis
Bernhardt (1899–1981), onde ela disputou rasgos dramáticos com a sensacional
Ida Lupino (1918-1995) que interpretava sua irmã.
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| CHAMPANHE PARA DOIS (1946): Ray Milland e Olivia de Havilland. |
O PRIMEIRO OSCAR
Ao aceitar atuar em Só
resta uma lágrima/ To Each His Own,
em 1946, Olivia de Havilland mostrou que realmente queria algo que lhe
permitisse uma oportunidade maior para brilhar como atriz.
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| SÓ RESTA UMA LÁGRIMA (1946): Olivia de Havilland e John Lund |
Neste filme ela interpreta Josephine "Jody"
Norris, uma garota de uma cidade pequena durante a Primeira Guerra Mundial, que
engravida de um piloto de avião morto em combate. Decidida a levar sua gravidez
adiante, mas sem querer se tornar vítima de um escândalo por ser mãe solteira,
ela entrega o seu bebê para que uma família o adote; à medida que o tempo
passa, ela acompanha o crescimento do seu filho de longe e, ao se afeiçoar à
criança, sofre pelo fato de não poder revelar que é sua mãe.
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| Amadurecida em SÓ RESTA UMA LÁGRIMA (1946) |
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| O Primeiro Oscar. |
OUTROS FILMES
A seguir, mais três grandes interpretações: Espelho da Alma/ The Dark Mirror, de Robert Siodmak
(1900-1973), com Lew Ayres (1908-1996), em 1946.
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| ESPELHO DA ALMA (1946) |
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| A COVA DA SERPENTE (1948) |
A Cova das Serpentes/ The Snake Pit, de 1948, onde Olivia interpretou uma psicopata internada num hospício cujos métodos só agravavam o seu estado. Direção de Anatole Litvak (1902–1974). Novamente, De Havilland receberia uma indicação para o Oscar, mas Jane Wyman ganhou naquele ano por Belinda.
TARDE DEMAIS
Tarde
Demais/ The
Heiress , produzido em
1949, é baseado em peça teatral que a própria Olivia assistiu na Broadway, sugerindo
ao diretor William Wyler (1902-1981) que a história poderia render um ótimo filme.
Ele concordou e propôs o filme aos executivos da Paramount, que logo procuraram
adquirir os direitos autorais da peça. Por sua vez, o auto teatral foi baseado no romance A Herdeira, de Henry James (1843-1916).
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| Olivia e o jovem e belo Montgomery Clift: TARDE DEMAIS (1949) |
De Havilland interpreta Catherine Sloper, uma mulher
ingênua e sem graça, cujo pai, Dr. Austin Sloper (Sir Ralph Richardson,
1902-1983, ator inglês que fazia aqui sua estreia no cinema americano), não a
aprecia.
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| Monty, Olivia, e Ralph Richardson: TARDE DEMAIS |
Num baile, ela é cortejada por Morris Townsend
(Montgomery Clift, 1920-1966), não aprovado pelo pai, que o considera um
caça-dotes. O Dr. Austin ameaça Catherine de deserda-la se ela continuar o
romance, mas o rapaz sim é que se afasta. Após a morte do pai, Morris tenta recomeçar o namoro, e Catherine finge aceita-lo. Mas quando ele vem busca-la, encontra a porta fechada, para sempre. A trama é um retrato da classe alta de Nova York da metade do século XIX. Novamente, Olivia recebia mais uma indicação da Academia, para o Oscar de 1949.
O SEGUNDO OSCAR
A 23 de março de 1950, os prêmios distribuídos na noite foram
os esperados. A festa se realizou no RKO Pan Tages Theatre, em Hollywood, com
2.812 lugares.
Olivia de Havilland concorria pelo seu desempenho em Tarde Demais/The Heiress. A forma como ela retratou a personagem, Catherine Sloper, a
princípio uma jovem ingênua e sem atrativos que se torna uma amarga e cruel
herdeira, tornou-se memorável graças a sua brilhante atuação, que desde então
passou a ser apontado como uma das melhores performances dentre as premiadas
com o Oscar.
Olivia teve como concorrentes na ocasião as atrizes
Jeanne Crain (Por O que a Carne
herda/Pinky), Susan Hayward (Por Meu
Maior Amor/My Foolish Heart), Deborah Kerr (Por Meu Filho/Edward My Son) e Loretta Young (Por Falam os Sinos/Come to the Stable). De Havilland foi a ganhadora da noite. Ao contrário da vez anterior em que ela ganhou seu primeiro Oscar, Olivia não fez discursos longos, mesmo porque o da vez foi redigido pelo marido, o escritor Marcus Goodrich. Contudo foi criticado pela imprensa devido à frieza.
A DÉCADA DE 1950
Depois da conquista em 1950 de seu segundo Oscar de
melhor atriz, Olivia foi convidada para o papel de Blanche DuBois para Uma
rua Chamada pecado, com Marlon Brando, mas recusou e o papel foi para
Vivien Leigh (sua colega de E o vento
levou). Por curiosidade, o filme conferiu à Leigh um segundo Oscar de
melhor atriz. De Havilland negou numa entrevista em 2006 que recusou o trabalho
pelo fato de a natureza desagradável de alguns elementos do roteiro serem o
principal motivo de sua recusa. Segundo ela, a recusa se deu pelo fato de ela
ter um filho recém-nascido, Benjamin, que precisava de seus cuidados, e isso a
tornou incapaz de se relacionar com o material.
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| EU TE MATAREI QUERIDA (1952): Olivia no primeiro filme de Richard Burton no cinema americano. |
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| Olivia de Havilland e Richard Burton: EU TE MATAREI, QUERIDA. |
Em 1952 ela estrelou Eu
Te Matarei, Querida/My Cousin Rachel, dirigido por Henry Koster (1905-1988).
O filme é um misto de drama, romance e mistério, onde Olivia interpreta uma
mulher de caráter duvidoso. Inspirado no livro de título original homônimo
escrito por Daphne Du Maurier (o livro teve o título de Minha prima Rachel no Brasil), a obra cinematográfica registrou a
estreia do ator galês Richard Burton (1925-1984) em Hollywood.
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| Olivia de Havilland e o segundo marido, Pierre Galante, chegando ao aeroporto de Copenhague, a 13 de agosto de 1957. |
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| Olivia e Pierre, desfrutando do nascimento da filha do casal, Gisele, em julho de 1956. |
Em 1953 a atriz viajou para Paris, a capital francesa.
Divorciada do seu primeiro marido, Marcos Goodrich, foi durante essa viagem que
ela conheceu o jornalista francês Pierre Galante, com quem se casaria em 1955.
Olivia vive em Paris desde então.
O novo casamento gerou outro filho, desta vez uma menina,
Gisele, nascida em julho de 1956, quando a atriz já estava com 40 anos de idade. Aceitando papéis em filmes apenas quando
interessada, suas aparições no cinema passaram a ser cada vez menos frequentes,
em ordem do crescimento de seus filhos.
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| Olivia em A FAVORITA DE FELIPE II (1955) |
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| Olivia com Mirna Loy: A FILHA DO EMBAIXADOR (1956) |
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| Olivia e Robert Mitchum: NÃO SERÁS UM ESTRANHO (1955) |
Na década de 1950, ainda são trabalhos dela: A Favorita de Felipe II/That Lady (1955, dirigido por Terence Young, com Gilbert Roland); Não Serás um Estranho/Not a Stranger (1955, de Stanley Kramer, com Frank Sinatra, Robert Mitchum e Broderick Crawford); e A Filha do Embaixador/ The Ambassador's Daughter (1956, de Norma Krasna, com Mirna Loy e John Forsythe).
O
REBELDE ORGULHOSO
Western
com Alan Ladd
Em 1958, Olivia de Havilland atuou ao lado de Alan Ladd
(1913-1964) e de seu filho, David Ladd, no faroeste O Rebelde Orgulhoso/ The
Proud Rebel, dirigido por Michael Curtiz, que
não dirigia a atriz desde A Estrada de
Santa Fé, com Errol Flynn em 1941.
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| Olivia com David e Alan Ladd: O REBELDE ORGULHOSO (1958) |
O filho de Alan Ladd, David, foi muito elogiado pela
critica, mas o protagonista de Os Brutos
Também Amam/Shane encontrava-se numa fase péssima de sua carreira e
entregue a bebida. Há quem diga que Alan bebia durante as filmagens, mas isto
foi desmentido pelo filho do produtor, Samuel Goldwyn Jr, que garante que o
ator não pôs nem um gole de álcool durante a produção do filme, e Olivia também
nunca percebeu.
O RELACIONAMENTO COM A IRMÃ JOAN FONTAINE.
Olivia de Havilland era irmã mais velha de Joan Fontaine
(com diferença de um ano). Das duas irmãs, Olivia foi a primeira a se tornar
atriz. Quando Joan tentou seguir a mesma profissão, sua mãe, que supostamente
favoreceu Olivia, se recusou a deixá-la usar o nome da família. Assim Joan se
viu obrigada a inventar um nome, tendo em primeiro Joan Burfield e,
posteriormente, Joan Fontaine. Segundo o que conta o biógrafo Charles Higham em
sua obra Sisters: The Story of Olivia De
Haviland and Joan Fontaine, as irmãs sempre tiveram uma relação difícil,
começando na infância, quando Olivia teria rasgado uma roupa de Joan,
forçando-a a costurá-la novamente. A rivalidade e o ressentimento entre as
irmãs também alegadamente resulta da percepção de Joan em relação ao fato de
Olivia ser a filha favorita de sua mãe.
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| Joan Fontaine cumprimentando Olivia de Havilland em um jantar, sob os olhares do ator Burgess Meredith, quando Joan ganhou o Oscar por "Suspeita". |
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| O mesmo evento em foto colorida. |
Em 1942 as duas irmãs foram nomeadas para o Oscar de
melhor atriz. Fontaine foi indicada pela atuação no filme Suspeita/Suspicion, em 1941, de Alfred Hitchcock, e De Havilland
foi indicada pela atuação em A porta de
ouro/ Hold Back the Dawn, no
mesmo ano. Fontaine foi quem acabou levando a estatueta.
O biógrafo Charles Higham descreveu os eventos da
cerimônia de premiação, afirmando que, como Joan avançou empolgada para receber
seu prêmio, ela claramente rejeitou as tentativas de Olivia cumprimentá-la, e
que Olivia acabou se ofendendo com essa atitude. Higham também afirmou que,
depois, Joan sentiu-se culpada pelo que ocorreu na cerimônia de entrega do
prêmio. Anos
mais tarde, seria a vez de Olivia ganhar o prêmio, em 1947, pela atuação no
filme Só resta uma lágrima/To Each His Own. Segundo o biógrafo, na
cerimônia de premiação Joan fez um comentário sobre o então marido de Olivia,
que ficou ofendida e não quis receber os cumprimentos de sua irmã por este
motivo.
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| Joan Fontaine (1917-2013) |
A relação entre as irmãs continuou a deteriorar-se após
os dois incidentes. Em 1975, aconteceria algo que faria com que elas deixassem
de se falar definitivamente: segundo Joan, Olivia não a convidou para um
serviço memorial da mãe, que havia morrido recentemente. Mais tarde, Olivia
afirmou que tentou comunicar a Joan, mas ela se encontrava muito ocupada para
atendê-la.
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| Joan Fontaine e Olivia de Havilland, em foto de 2012 |
As irmãs se recusavam (até pouco antes do falecimento de
Joan no final de 2013 aos 96 anos de idade) a comentar publicamente sobre a rivalidade
e relacionamento familiar, apesar de Fontaine ter comentado em uma entrevista que
muitos boatos a respeito delas surgiram dos "cães de publicidade" dos
estúdios. Entretanto, certamente como todos os irmãos ou irmãs, Joan e Olivia tiveram altos e baixos, mas no fundo, se amavam, e Olivia certamente lamentou a morte da irmã.
VIDA FAMILIAR
Olivia de Havilland casou-se duas vezes. O primeiro
marido foi o escritor Marcus Goodrich (1897-1991), com quem casou em 1946 e
ambos se divorciaram em 1953. Da união entre o casal nasceu o filho, Benjamin
(nascido em 1949), que se tornou um matemático e morreu em 1991 após uma longa
batalha contra o linfoma de Hodgkin.
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| O Primeiro marido de Olivia, o escritor Marcus Goodrich |
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| O primeiro filho de Olivia com Marcus, Benjamin, que faleceria em 1991. |
Após divorciar-se de Goodrich em 1953, Olivia fez uma
viagem a Paris, onde conheceu o jornalista francês e editor da Paris Match Pierre Galante (1909-1998).
De Havilland e Galante se casaram em 1955. A filha do casal, Gísele, nasceu em
julho de 1956, quando De Havilland tinha 40 anos de idade.
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| Olivia e a filha Gisele, num evento em fins da década de 1970 |
RELACIONAMENTOS ANTES DO CASAMENTO
De dezembro 1939 a março 1942, Olivia esteve
romanticamente envolvida com o ator solteiro James Stewart (1908-1997). A
pedido de Irene Mayer Selznick, o agente de Stewart o informou para
acompanhá-la durante a premiére de E o vento levou em Nova York, no Astor Theater a 19 de dezembro de 1939.
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| Olivia e o namorado James Stewart: ambos solteiros. |
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| Olivia e Jimmy Stewart. |
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| Olivia, Jimmy, e Bette Davis |
Ao longo dos próximos dias, Stewart sempre seria visto acompanhado De Havilland
a passeios, idas a teatros e também ao famoso 21 Club. Eles continuariam juntos depois do retorno a Los Angeles,
onde Stewart tinha aulas de voo. De acordo com Olivia, Stewart de
fato propôs casamento a ela em 1940, mas ela sentia que ele não estava pronto
para se estabelecer. O relacionamento entre ambos foi interrompido quando do
alistamento militar dele, em março de 1941, mas somente um ano mais tarde,
quando De Havilland se apaixonaria pelo diretor John Huston, eles terminaram de
vez o seu relacionamento.
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| Olivia e John Huston |
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| O Cineasta Emilio Fernandez |
O cineasta e ator mexicano Emilio Fernandez (1904-1986) se apaixonou profundamente por Olivia de
Havilland, mas ambos nunca se conheceram. Fernandez pediu ao então presidente
do México Miguel Alemán Valdés para que a rua onde se localizava a mansão dele
em Coyoacán, Cidade do México, recebesse o nome de Dulce Olivia ("Doce Olivia", em português). Segundo ele,
essa seria uma maneira de estar sempre com aquela que era a sua paixão, mesmo
que fosse platônica.
FILMES NA DÉCADA DE 1960
Após um intervalo de três anos, Olivia volta as telas em Luz na Praça/ Light in the Piazza, em 1962 e
dirigido por Guy Green (1913-2005), estrelado pelo galã italiano Rossano Brazzi
(1916-1994), George Hamilton, e a novata Yvette Mimieux. Olivia interpreta a
mãe de uma jovem de 26 anos que sofreu um acidente na infância e, como
resultado, tem a mentalidade de uma criança de 10 anos de idade, e que agora se
apaixona por um rapaz com quem quer se casar.
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| LUZ NA PRAÇA (1962): Olivia e Yvette Mimieux |
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| A DAMA ENJAULADA (1964) |
A Dama Enjaulada/Lady in a Cage, de 1964, é um trabalho polêmico e controverso com misto de suspense e terror dirigido por Walter Grauman (1922–2015), onde Olivia vive uma rica viúva que, devido a uma deficiência numa de suas pernas, deverá utilizar um elevador pessoal sempre que desejar se direcionar ao andar de cima de sua casa, ao invés das escadas. Tudo vai bem até que ela fica fora de si quando percebe que agora está correndo perigo, e, para piorar a situação, seu desespero acaba chamando a atenção de uma gangue psicótica, liderada por um jovem delinquente, vivido pelo iniciante James Caan.
COM A MALDADE DA ALMA: O ÚLTIMO FILME COM BETTE DAVIS
Quando Bette Davis e Joan Crawford viram suas respectivas
carreiras serem ressuscitadas após estrelarem o filme de suspense (quase
terror) O que terá acontecido a Baby
Jane? /What Ever Happened to Baby
Jane? em 1962, não demorou muito para que outras atrizes de meia-idade,
como Olivia de Havilland, tentassem uma segunda carreira estrelando filmes do
gênero.
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| Bette Davis e Olivia de Havilland: amigas fora das telas, e inimigas em COM A MALDADE NA ALMA (1964) |
Nessa época o cineasta Robert Aldrich (1918-1983),
diretor de O que terá acontecido a Baby
Jane?, estava à procura de uma atriz que pudesse ao lado de Bette Davis
estrelar o suspense Com a maldade na
alma/Hush… Hush, Sweet Charlotte, produzido em 1964, no papel antes oferecido
a Joan Crawford, que se retirou do projeto alegando doença. Antes de Olivia, Aldrich
ainda ofereceu o papel de Miriam Deering (uma mulher cruel que manipula
criminosamente Bette Davis), as atrizes Katharine Hepburn, Vivien Leigh,
Barbara Stanwyck e Loretta Young, que recusaram a oferta. Para convencer Olivia
a ficar com o papel, o diretor teve de viajar até a Suíça, onde a atriz então
se encontrava.
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| Olivia aterrorizando Bette em COM A MALDADE NA ALMA. |
Olivia teve a oportunidade de novamente (e pela última
vez), contracenar com a amiga Bette Davis. As filmagens de Com a maldade na alma passaram a ser feitas em clima de paz, pois
ao contrário do que acontecia com Joan Crawford e Bette Davis, Olivia e Bette,
como sempre, se entendiam muito bem. Quando lançado em 1964, o filme chamou a
atenção principalmente por seu elenco de veteranos, que também inclui os nomes
de Joseph Cotten (1905-1994) e Agnes Moorehead (1900-1974), co-estrelas de Cidadão Kane/Citizen Kane, em 1941.
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| Olivia brutalizando Bette o quanto pode em COM A MALDADE NA ALMA |
Sucesso de bilheteria, mesmo não tendo obtido a mesma que
a de O que terá acontecido a Baby Jane?,
o filme dividiu opiniões. Ao passo que alguns o achavam inferior a O que terá acontecido a Baby Jane?,
outros já achavam Com a Maldade na Alma
superior O filme recebeu nada menos que sete indicações ao Oscar. Olivia de
Havilland, em sua performance, chegou a ser apontada por muitos como mais
atraente do que Bette Davis.
| Olivia de Havilland em COM A MALDADE NA ALMA (1964) |
Olivia interpreta Miriam Deering, a prima astuta da
estranha ricaça Charlotte Hollis (Bette Davis). Miriam é chamada para ajudar
Charlotte, que vive a quase 40 anos reclusa em uma velha mansão na Louisiana,
obcecada com a ideia que o fantasma de seu amante anda rondando a casa,
deixando, assim, todos a sua volta apavorados.
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| As duas grandes estrelas em um momento de descontração saboreando comida chinesa durante um intervalo de filmagem. |
FILMES DA DÉCADA DE 1970 e 80
Cada vez trabalhando menos, vivendo uma quase
aposentadoria em Paris, Olivia de Havilland aparecia menos nas telas. Em 1970,
ela aceitou partcipar numa superprodução dirigida por Lewis Gilbert baseado no Best Seller de Harold Robbins (1916-1997) – O Mundo dos Aventureiros/The Adventurers.
Apesar dos requintes da produção e rodada em várias locações (Itália, Colômbia,
Porto Rico e Estados Unidos), a fita de longa duração não foi um sucesso
comercial, mesmo com um elenco all-star onde
além da querida Olivia despontam Candice Bergen, o cantor Charles Aznavour,
Ernest Borgnine (1917-2012), e Fernando Rey (1917-1994).
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| A madura Olivia em uma cena sensual com Bekim Fehmiu: O MUNDO DOS AVENTUREIROS (1970) |
| Olivia com Liv Ullmann: JOANA, A MULHER QUE FOI PAPA (1972) |
Em 1972, De Havilland aparece num grande épico inglês, Joana, a mulher que foi Papa/Pope Joan, dirigido
por Michael Anderson, onde a sensacional Liv Ullmann viveu a papisa que
provocou escândalo na Igreja. Olivia, aos 57 anos, interpreta uma bondosa madre
superior.
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| Olivia com Brenda Vaccaro: AEROPORTO 1977 (1977) |
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| Olivia salva por Jack Lemmon: AEROPORTO 1977 |
Em 1977, De Havilland se juntou ao elenco de Aeroporto 1977/Airport 1977, dirigido
por Jerry Jameson, onde um grande cast
reunido é o seu maior mérito: Jack Lemmon (1925-2001), Lee Grant, Brenda
Vaccaro, George Kennedy (1925-2016), Christopher Lee (1922-2015), Robert
Foxworth, Joseph Cotten (1905-1994), e James Stewart (1908-1997).
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| Agarrada a Fred MacMurray e Ben Johnson, em O ENXAME (1978) |
Em 1978, Olivia participou do fiasco de Irwin Allen
(1916-1991) O Enxame/The Swarm, o
filme que encerrou a moda do cinema-catástrofe (e de modo catastrófico no
sentido literal!), comercialmente um fracasso de bilheteria que nem Olivia de
Havilland, nem Michael Caine, nem Katharine Ross, nem Richard Widmark (1914-2008),
ou ainda Richard Chamberlain, Ben Johnson (1918-1996), Fred MacMurray
(1908-1991), Henry Fonda (1905-1982), Cameron Mitchell (1919-1994), e Bradford
Dillman – e um contingente de astros e
estrelas – puderam salvar.
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| Olivia de Havilland em O QUINTO MOSQUETEIRO (1979) |
Em 1979, Olivia atua no filme O Quinto Mosqueteiro/The Fifth Musketee, dirigido por Ken Annakin
(1914–2009) e baseado na obra literária de Alexandre Dumas (1802-1870), onde
retorna as histórias dos Três
Mosqueteiros já maduros, com Cornel Wilde (1915-1989) interpretando
D’Artagnan, Lloyd Bridges (1913-1998) vivendo Aramis, Jose Ferrer (1912-1992)
como Athos, e Alan Hale Jr (1921-1990) como Phortos. De Havilland vive a Rainha
Mãe.
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| Olivia em ANASTASIA, em 1986. |
Olivia atuou até a década de 1980, sobretudo em televisão
nos últimos anos. Em 1982, participou do telefilme O Romance Real do Príncipe Charles e da Princesa Diana/The Royal
Romance of Charles and Diana, dirigido por Peter Levin, onde ela interpreta
de modo majestoso a Rainha Elizabeth, a Rainha Mãe.
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| Olivia de Havilland no Globo de Ouro de 1986. |
Em 1986, a veterana atriz então com 70 anos de idade
conquistou um Globo de Ouro e uma
indicação ao Emmy por sua atuação
como a Imperatriz Maria Feodorovna no filme para a TV Anastásia - o mistério de Ana /Anastasia:
The Mystery of Anna.
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| THE WOMAN HE LOVED (1988) - Olivia num filme televisivo. |
O RECONHECIMENTO ARTÍSTICO –
A LEI DE HAVILLAND
A 28 de novembro de 1941, Olivia adquiriu a cidadania
americana. Assim
como qualquer outro ator ou atriz de Hollywood das décadas de 1930 e de 1940,
De Havilland era uma escrava do sistema dos estúdios, sendo obrigada a fazer o
filme que o estúdio mandasse e sem ter o direito de recusar.
Seus desempenhos haviam começado a render nomeações ao
Oscar, e isso a deixou esperançosa em relação à possibilidade de a Warner
considerar o seu desejo de interpretar papéis por meio dos quais ela pudesse
mostrar todo o seu potencial artístico. Olivia, no entanto, tornava-se cada vez
mais frustrada com os papéis que continuavam a lhe ser dados. Cansada de
interpretar moças ingênuas e recatadas e dos papéis de donzelas em perigo, a
doce Olivia tornou-se uma rebelde estrela, passando a recusar os papéis cujos
perfis não correspondessem ao que ela visava interpretar e solicitando ao seu
estúdio aqueles que pudessem oferecê-la a chance de destacar-se e realizar-se
artística e profissionalmente.
A resposta do estúdio foi seis meses de suspensão
contratual. Como a própria lei era quem permitia que os estúdios suspendessem o
contrato de atores que recusassem filmes, ela realmente não pode fazer nada
durante este meio tempo. Na teoria, essa ordem permitia que os estúdios
mantivessem controle indefinido sobre um contrato não corporativo. Muitos
aceitavam essa situação, enquanto poucos tentavam mudar o sistema (o caso mais
notável sendo o de Bette Davis, que abriu um processo mal sucedido contra a
Warner na década de 1930).
Com interesse em trabalhar para outros estúdios, pois
sabia que fora da Warner receberia melhores ofertas de papéis, a atriz não via
a hora de seu contrato terminar. Quando isso finalmente ocorreu, em 1943, ela
ainda foi informada de que deveria continuar a trabalhar para a produtora por
mais seis meses para compensar o período em que esteve suspensa. Olivia, cujo
pai era advogado e ela mesma tinha noções de leis, sabia que não era certo que
tais contratos excedessem sete anos; portanto não se via obrigada a pagar pelo
período em que esteve suspensa, uma vez que os sete anos de contrato com a
produtora já haviam terminado.
Apoiada pelo Screen
Actors Guild, abriu um processo contra a Warner. Durante a batalha
judicial, ela ficou fora de Hollywood durante cerca de dois anos, fazendo tours para entreter feridos na guerra. E
acabou sendo bem sucedida na ação judicial, reduzindo o poder dos grandes
estúdios e prorrogando maior liberdade aos atores, tendo podido rescindir o seu
contrato, estando agora livre para fazer filmes em qualquer outro estúdio. A
Warner, porém, nunca prometeu contratá-la novamente. A decisão judicial,
conhecida como Decisão De Havilland,
por meio da qual se originou a Lei De
Havilland, foi uma das mais significativas e de grande alcance em
Hollywood. Com isso, tornou-se uma defensora pioneira dos direitos trabalhistas
dos atores. Sua vitória lhe valeu o respeito e admiração de seus colegas, entre
eles a sua própria irmã, Joan Fontaine, que certa vez comentou: Hollywood
deve muito a Olivia.
OLIVIA DE HAVILLAND HOJE
De acordo com o Wikipedia, Olivia de Havilland reside em
Paris desde 1960, e a atriz ocasionalmente faz aparições públicas. Ela compareceu à
75ª cerimônia do Oscar, em 2003. Na cerimônia estiveram presentes os também
legendários Kirk Douglas, Karl Malden, Luise Rainer, Jack Palance, Ernest
Borgnine, Jennifer Jones, Teresa Wright, Julie Andrews, entre outros.
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| Olivia no Oscar de 2003. |
Em 2004, por ocasião do 65º aniversário do lançamento
original do filme E o vento levou, o Turner Classic Movies realizou um
documentário chamado Melanie Remembers:
Reflections by Olivia de Havilland, no qual Olivia, a única viva dentre os
quatro atores que protagonizaram o filme, relembra cada momento das filmagens.
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| Olivia e o Presidente Bush |
Em 2008, a atriz compareceu ao Tributo do Centenário da atriz Bette Davis. De
Havilland foi uma das poucas estrelas com quem Bette manteve uma boa amizade.
Elas apareceram em cinco filmes juntas. No mesmo ano, aos 92 anos, Olivia
recebeu a Medalha Nacional das Artes,
a maior honra conferida a um artista individual, em nome do povo dos Estados
Unidos. A medalha foi entregue a ela pelo então presidente americano George W.
Bush. Assim agraciou Bush a veterana atriz:
“Pela sua
habilidade persuasiva e convincente como atriz em papéis que iam desde a Hermia
de Shakespeare à Melanie de Margaret Mitchell; sua independência, integridade e
graça garantiram liberdade criativa para ela e seus colegas atores de cinema”.
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| De Havilland em sua saca em Paris |
A 9 de setembro de 2010, com a idade de 94 anos, De
Havilland recebeu do presidente francês Nicolas Sarkozy a mais alta condecoração
da França, a Legião de Honra, que é
uma ordem de decoração de Cavalaria entregue pelo Presidente da República
Francesa. Declarou Sarkozy durante a condecoração:
"Você honra a
França por ter escolhido a nós “
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| Olivia junto a Julie Andrews e o ex-jogador de basquete Kareem Abdul-Jabbar, em evento de 2008 |
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| Olivia com Angelina Jolie em 2008 |
Em fevereiro de 2011, De Havilland apareceu na cerimônia
de gala dos Prêmios César, na França.
Jodie Foster, presidente da cerimônia, apresentou-a, e Olivia foi longa e
fortemente aplaudida de pé.
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| A legendária atriz pronta para comemorar seu centenário. Atrás, suas duas estatuetas conquistadas. |
Assim, em 2016, Olivia de Havilland chega aos cem anos de
idade, sendo um dos poucos mitos vivos da época áurea do cinema. Uma atriz que
deixou registrado grandes desempenhos, já imortalizados por todos os
admiradores da Sétima Arte, e que, além disso, em sua vida fora das telas
empenhou em conquistar seus direitos e respeito como artista, exemplo para seus
colegas de profissão, ontem, hoje, e sempre!
E todos as personagens que ela encarnou de maneira
sublime e magistral estão a parabenizar o dom da vida para esta grande atriz:
Hermia, Lady Marian, Arabella Bishop, Marcia West, Elsa Campbell, Lady
Penelope, Melanie Hamilton, Roy Timberlake, Emmy Brown, Miss Josephine Norris,
Catherine Sloper, Kristina Hedvigson, Meg Johnson, Miriam Deering…e tantas e
tantas outras que brilharam graças ao talento,
carisma, e charme de Olivia de Havilland. Parabéns, longa vida para ela, com
muita saúde e muita paz!
FILMOGRAFIA
1935- Esfarrapando
Desculpas (Alibi
Ike). Direção: Ray Enright
1935- O Filhinho da Mamãe
(The Irish in Us). Direção: Lloyd Bacon
1935- Sonhos de uma Noite
de Verão (A Midsummer Night's Dream). Direção: William Dieterle e Max Reinhardt
1936- Adversidade (Anthony
Adverse). Direção: Mervyn LeRoy.
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| A CARGA DA BRIGADA LIGEIRA: Errol Flynn e Olivia de Havilland |
1936- A Carga da Brigada
Ligeira (The Charge of the Light Brigade). Direção: Michael Curtiz.
1937- Vamos brincar de
Amor? (Call It a Day). Direção: Archie Mayo
1937-Somos do Amor (It's Love I'm After). Direção:
Archie Mayo
1937- O Grande Garrick (The Great Garrick). Direção:
James Whale
1938-Onde o Ouro se Esconde (Gold Is Where You Find
It). Direção:
Michael Curtiz.
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| AS AVENTURAS DE ROBIN HOOD |
1938- As Aventuras de Robin Hood (The Adventures of
Robin Hood ). Direção: Michael Curtiz e William Keighley.
1938-Amando sem Saber
(Four's a Crowd). Direção: Michael Curtiz.
1938- Difícil de Apanhar (Hard
to Get). Direção: Ray Enright.
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| UMA CIDADE QUE SURGE - Faroeste com Olivia e Errol. |
1939-Asas da Esquadra (Wings of the Navy). Direção:
Lloyd Bacon.
1939-Uma Cidade que Surge
(Dodge City). Direção: Michael Curtiz.
1939-Meu Reino por um Amor
(The Private Lives of Elizabeth and Essex). Direção: Michael Curtiz.
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| RAFFLES: Olivia com David Niven |
1939-Raffles (Raffles).
Direção: Sam Wood
1939-E O Vento Levou (Gone With The Wind). Direção:
Victor Fleming.
1940- A Estrada de Santa
Fé (Santa Fe Trail). Direção: Michael Curtiz.
1941- Uma Loura com Açúcar
(The Strawberry Blonde). Direção: Raoul Walsh.
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| Olivia em E O VENTO LEVOU, como Malanie Hamilton. |
1941- A Porta de Ouro (Hold Back the Dawn). Direção:
Mitchell Leisen.
1941 – O Intrépido General Custer (They Died with
Their Boots On). Direção: Raoul Walsh.
1942- Assim que elas
gostam (The Male Animal). Direção: Elliott Nugent.
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| O INTRÉPIDO GENERAL CUSTER: O último filme de Olivia com Errol Flynn. |
1942- Nascida para o Mal (In
This Our Life). Direção: John Huston
1943-Graças à Minha Boa
Estrela (Thank Your Lucky Stars). Direção: David Butler.
1943- Sua Alteza Quer
Casar (Princess O'Rourke). Direção: Norman Krasna.
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| DEZ PEQUENAS PARA UM HOMEM |
1943- Dez Pequenas para um
Homem (Government Girl). Direção: Dudley Nichols.
1946- Só Resta uma Lágrima
(To Each His Own). Direção: Mitchell Leisen
1946-Champanhe Para Dois (The Well-Groomed Bride). Direção:
Sidney Lanfield.
1946- Espelho d'Alma (The
Dark Mirror). Direção: Robert Siodmak.
1948-A Cova da Serpente (The
Snake Pit). Direção: Anatole Litvak
1949- Tarde Demais (The Heiress). Direção: William
Wyler.
1952-Eu Te Matarei,
Querida! (My Cousin Rachel).
Direção: Henry Koster
1955- A Favorita de Felipe
II (That Lady). Direção: Terence Young
1955- Não Serás um
Estranho (Not as a Stranger). Direção: Stanley Kramer
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| Como Ana de Mendoza, em A FAVORITA DE FELIPE II |
1956- A Filha do
Embaixador (The Ambassador's Daughter). Direção: Norman Krasna
1958- O Rebelde Orgulhoso
(The Proud Rabel). Direção: Michael Curtiz.
1959- A Noite é Minha
Inimiga (Libel). Direção: Anthony Asquith
1962- Luz na Praça (Light in the Piazza). Direção: Guy
Green
1964- A Dama Enjaulada
(Lady in a Cage). Direção: Walter Grauman.
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| Olivia, COM A MALDADE NA ALMA. |
1964- Com a Maldade na
Alma (Hush...Hush, Sweet Charlotte). Direção: Robert Aldrich.
1970- O Mundo dos
Aventureiros (The Adventurers). Direção: Lewis Gilbert.
1972- Joana, a Mulher que
Foi Papa (Pope Joan). Direção: Michael Anderson
1977- Aeroporto 1977
(Airport 77). Direção: Jerry Jameson
1978- O Enxame (The Swarm). Direção: Irwin Allen
1979- O Quinto Mosqueteiro (The Fifth Musketeer).
Direção: Ken Annakin.
1982- O Real Romance do Príncipe Charles e da Princesa
Diana (The Royal Romance of Charles and Diana). Direção: Peter Levin (Para TV)
1986- Anastasia: The Mystery of Anna (Para TV) –
Direção: Marvin J. Chomsky
1988- The Woman He Loved (Para TV). Direção:
Charles Jarrott.
Participações na Televisão
1965-The Big Valley
(episódio: Winner Lose All. Direção: Richard C. Sarafian
). Exibido
originalmente em 27 de outubro de 1965.
1967- ABC Stage 67 (episódio: Noon Wine. Direção:
Sam Peckinpah). Exibido Originalmente em 23 de novembro de 1966
1981 – O Barco do Amor (Episódio: The
Duel/Two for Julie/Aunt Hilly. Direção: Ray Austin). Exibido originalmente em
14 de março de 1981.
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| OLIVIA DE HAVILLAND: Ontem, hoje, e sempre!
Produção e
Pesquisa:
PAULO
TELLES |



















































































































