Doutor Jivago (Doctor Zhivago), produzido em 1965, tem a fama de ser um dos filmes mais
suntuosos que a Sétima Arte já produziu, e também não foi para menos. Precisou-se de quase três anos de preparos ao
custo de 11 milhões de dólares. Todavia, o filme arrecadou só no mercado
norte-americano 46, 5 milhões de dólares, e ainda arrebatou os Oscars de melhor
roteiro adaptado (Robert Bolt, 1924-1995), melhor foto em cores (Freddie Young, 1902-1998), melhor música (Maurice Jarre, 1924-2009 – com o famoso “Tema
de Lara”), melhor cenografia em cores, e melhor vestuário em cores.
Produzido em
plena Guerra Fria, Doutor Jivago serviu
de propaganda anticomunista por mostrar os horrores da Revolução Bolchevista
que promoveu o povo russo à pobreza e a miséria, sujeitando à frieza e o autoritarismo dos líderes revolucionários.
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| O Cineasta David Lean (1908-1991) |
Sob a
direção do austero cineasta inglês David Lean (1908-1991), este fez questão de
rodar sua superprodução na Espanha (imitando a Russia) e na Finlândia (passando
pela Sibéria). Aliás, a Espanha sempre foi o clássico refúgio dos cineastas e
produtores cinematográficos, pois era mais lucrativo para a contenção de
despesas, assim, a Metro-Goldwyn-Mayer, produtora do filme, escolheu o local
para a rodagem desta grande superprodução.
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| Lean entre Geraldine Chaplin e Julie Christie, as estrelas femininas de DOUTOR JIVAGO (1965) |
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| Geraldine Chaplin e Julie Christie, em uma foto durante intervalo de filmagem. |
Lean escolheu
precisamente a cidade de Sória (Espanha) para o início de seu épico. Daí veio
algumas complicações, pois o local é uma das regiões mais frias do país, muito
embora não fosse problema em obter caracteristicamente neves “russas”. Entretanto,
em fins de janeiro de 1963, frio e inverno como é em toda a Europa, a neve não
resolvia aparecer, e o elenco se sentia desanimado. Nisto, uma bela nevada veio
a ocorrer, dando início, finalmente, as filmagens.
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| Omar Sharif durante uma pausa nas filmagens, em Madrid. |
David Lean
se entregou de corpo e alma ao trabalho, justificando cem por cento sua fama de
extrema meticulosidade e concentração em sua metodologia de trabalho. O cineasta fez questão de recriar o caráter
exato dos personagens de acordo com o livro de Boris Pasternak, partindo do princípio
que os tipos descritos no romance eram gente comum, apanhados dentro da
engrenagem da revolução e sofrendo as consequências dos fatos. Assim, para Lean
personifica-los nas telas de cinema, os atores tinham que ser bem especiais,
para assim confeccionar sua saga soviética com proporções bem épicas a altura
de um grande espetáculo.
O
LIVRO DE BORIS PASTERNAK
O filme de
Lean, em seus 197 minutos de projeção, comprime-se com o volumoso romance
(publicado em 1957) do russo Boris Pasternak (1890-1960), um dos primeiros
escritores dissidentes da União-Soviética. Pasternak começou a escrever o
romance em 1946 e levou dez anos para concluí-lo. Ao terminar, ficou inseguro
se devia publicá-lo, pois a obra contrariava as normas ditadas pelo governo
soviético para a literatura.
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| BORIS PASTERNAK, o autor do romance DOUTOR JIVAGO, iniciado em 1946 e concluído em dez anos depois. |
Sem
condições de publicar seu romance em terras soviéticas, o livro foi publicado
na Itália a 23 de novembro de 1957, conseguindo rápida notoriedade em 1958,
quando lhe foi conferido o Premio Nobel de Literatura. Infelizmente, por
imposição do Kremlin, Pasternak não pôde aceitar a láurea, pois caso fizesse,
isso poderia levá-lo à detenção em um campo de trabalho forçado na Sibéria.
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| Boris Pasternak (1890-1960), poeta e romancista russo, Prêmio Nobel de Literatura em 1958, não pôde aceitar a premiação. |
Na Rússia, Boris é mais conhecido como poeta do que como romancista, em virtude de o livro Doutor Jivago não ter feito sucesso na antiga União Soviética por motivos obviamente políticos. É interessante observar, no entanto, que o personagem principal, homônimo ao livro, é, justamente, um poeta que tem problemas com as autoridades soviéticas, embora simpatizante da causa dos deserdados. Assim, é possível afirmar que Doutor Jovago é o alter-ego do próprio autor do romance, Boris Pasternak.
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| Exemplar americano de uma edição do romance DOUTOR JIVAGO, de Boris Pasternak, publicado durante o embalo do filme, em 1966. |
DAVID LEAN, O SENHOR DOS ESPETÁCULOS
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| David Lean, o diretor de DOUTOR JIVAGO (1965) |
| Robert Bolt, escritor e roteirista, que deu vida ao script de DOUTOR JIVAGO (1965) |
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| O fotógrafo Freddie Young, que realizou um trabalho competente de fotografia para DOUTOR JIVAGO (1965) |
O produtor
Carlo Ponti (1912-2007) adquiriu os direitos do romance de Pasternak para as
filmagens deste grandioso espetáculo, contratando o roteirista Robert Bolt para
editar o script, que o fez em 224
páginas. David Lean se encarregou de concretizar um grande elenco internacional,
sendo Doutor Jivago o terceiro título
da última fase de sua carreira marcada de superproduções espetaculares, desde A Ponte do Rio Kwai (1957), passando por
Lawrence da Arábia (1962), e
culminando com A Filha de Ryan (1970).
Ou seja: foram apenas quatro filmes em 13 anos, todos detentores do Oscar,
muito embora o período de maior prestígio crítico de David Lean seja seus
trabalhos anteriores realizados em sua pátria natal, como Desencanto (1945), Grandes Esperanças
(1947), Oliver Twist (1948), e Sem Barreiras no Céu (1952).
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| O Compositor Maurice Jarre, que escreveu a partitura para DOUTOR JIVAGO (1965), cuja uma das músicas marcantes é o seu "Tema de Lara", que ganhou o Oscar. |
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| David Lean comandando a direção durante as filmagens. |
Com exceção de A Ponte do Rio Kwai, as outras três superproduções dirigidas por Lean contaram com a colaboração do roteirista Robert Bold para o argumento, além do fotógrafo Freddie Young, e do compositor Maurice Jarre. E como os demais superespetáculos dirigidos por Lean, bem assessorados por uma competente equipe onde estão inclusos um inteligente roteirista, um fotógrafo brilhante, e um compositor magistral, também não poderia deixar de ostentar um elenco All Star para dar vida cinematográfica ao romance de Boris Pasternak.
Para
encarnar o papel-título, caracterizado pelo seu desprendimento das coisas,
refinamento e nobreza, a escolha recaiu sobre Omar Sharif (1932-2015), ator de
grande força e presença.
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| Geraldine Chaplin, sensacional como a esposa de Jivago, Tonya. |
Geraldine
Chaplin foi convocada para viver Tonya, esposa de Jivago, mas não demorou,
suscitou imediatamente uma onda de comentários maldosos. Segundo as más línguas
(e infelizes), o único mérito da atriz era por ser filha de Charles Chaplin
(1889-1977) e que toda sua arte resumia-se nisto. Contudo, estes boatos (por
sinal, burros) foram desmentidos violentamente por David Lean, que afirmou
tê-la escolhido pela excelente qualidade de seus testes feitos para o papel
antes do contrato.
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| Julie Christie como Lara, o verdadeiro amor do protagonista. |
O terceiro
papel importante, o de Lara, outro amor de Jivago, coube a Julie Christie,
então nesta época uma atriz muito promissora, com experiência em teatro, e que
não tardaria a ganhar o Oscar como melhor atriz, em 1965, pela sua atuação em Darling, a que Amou Demais/Darling, de John Schlesinger (1926-2003),
onde posteriormente revelou ser uma artista de grande talento através dos anos.
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| Alec Guinness, um dos grandes nomes da película, como o irmão de Jivago. |
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| Sir Ralph Richardson, como o pai adotivo de Jivago. |
| Rod Steiger como o nojento e inescrupuloso negociante Victor Komarovsky |
Assim,
contratando um elenco de primeira grandeza liderado por um ator de grande porte
como Omar Sharif (falecido no ano passado aos 84 anos, seu filho, Tarek Sharif,
faz ponta no filme como Jivago aos 8 anos de idade), dando uma fabulosa
oportunidade a uma atriz como Julie Christie, então quase uma novata – e ainda,
chamando uma artista sem nenhuma experiência prévia no cinema como Geraldine
Chaplin, o diretor David Lean desmentiu por vez o antigo e arraigado conceito
de que só se emprega “rios de dinheiro” num filme que disponha de grandes
nomes, verdadeiros chamarizes de bilheteria. Além de Sharif, Chaplin, e
Christie, Tom Courtenay, Alec Guinness (1914-2000), Ralph Richardson
(1902-1983), Rod Steiger (1925-2002), Siobhan McKenna (1923-1986), Rita
Tushingham, e Klaus Kinski (1926-1991), são alguns outros nomes não menos importantes que despontam
nesta obra prima da Sétima Arte.
Em suas 3 horas
e 17 minutos de duração, Lean descreve a saga de Yuri Jivago (Omar Sharif),
médico que se casa com uma amiga de infância, Tonya (Geraldine Chaplin), na
Moscou do início do século XX, e com ela, vem a ter um filho. Contudo, Jivago se
aproxima de Lara (Julie Christie), jovem estudante ligada a um revolucionário idealista,
Pavel Antipov (Tom Courtenay), apelidado de Pasha. Mas vem o médico, a saber,
que ela é protegida por Victor Komarovsky (Rod Steiger), um nojento e
inescrupuloso negociante.
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| Jivago e Tonya no meio das dificuldades. |
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| Yuri Jivago, um homem idealista. |
Quando Lara
decide se casar com Pasha, ela é humilhada e brutalizada por Komarovsky. Quando
eclode a Primeira Guerra Mundial, Jivago reencontra Lara, que havia se tornado
uma enfermeira voluntária a fim de localizar o marido perdido no front. Com a
Revolução de 1917, Jivago se muda com sua família para o vilarejo de Varykino
nos Montes Urais, onde tem um encontro com Pasha, agora um oficial desumano e
fanático.
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| O negociante Komarovsky, "protegendo" Lara e sua mãe. |
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| Cansada dos abusos, Lara resolve se vingar de Komavosky. |
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| Julie Christie, em um grande desempenho como a sofrida Lara. |
Ainda mais
tarde, o médico reencontrará Lara, e se tornam amantes. Compulsoriamente
convocados pelos partisans, o médico
é liberado, mas descobre que sua esposa Tonya e seu filho voltaram a Moscou. Novamente
o destino colocará Jivago junto a Lara, em Varykino.
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| OS BOLCHEVIQUES - Ao ataque! |
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| A amarga e dura Revolução. |
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| A Guerra Civil entre os exércitos. |
Através da
saga de Yuri Jivago, a plateia viaja pela transição revolucionária. Inicia-se
ainda na Rússia dos Czares, as manifestações populares promovidas pelos
bolcheviques, a repressão feroz aos movimentos, a revolução, e o pós-revolução
com a guerra civil entre exércitos vermelhos e brancos.
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| No meio de tanta dor... |
Podemos
notar também o discurso de crítica ao sistema socialista nas cenas anteriores e
posteriores à revolução. Antes da revolução é mostrada uma Rússia com uma
aristocracia rica, belos salões, culta e, até mesmo, despreocupada.
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| Yuri Jivago e sua amada Lara |
O próprio Jivago
é um médico e poeta aristocrata de sucesso. Após a revolução, todo o cenário e a
sociedade até então elitista, se empobrecem. Inclusive Jivago, que perde as
propriedades e acaba pobre e doente. Este percurso da trama descreve o senso
comum de que o socialismo divide a pobreza e a miséria, corroborando ser um
método político promotor da desgraça.
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| Yevgraf (Alec Guinness), a procura da filha de seu irmão, que pode ser esta garota (Rita Tushingham) |
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| Lara e sua filha com Jivago, depois desaparecida. |
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| Em meio a dor e ao sofrimento das guerras, uma imortal história de amor. |
Mas Doutor Jivago, além de ser uma epopeia
política, denunciando os horrores do socialismo, também se concentra na
história de amor entre o médico e sua amada Lara, um amor que nunca os une em
definitivo, mas sempre em dose de reencontros.
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| Doutor Jivago operando um soldado ferido, tendo Lara como sua ajudante. |
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| DOUTOR JIVAGO, de 1965. Direção de David Lean. Uma das obras primas mais suntuosas de toda a História da Sétima Arte. |
Assim, a
superprodução dirigida majestosamente por David Lean, se propôs com um tremendo
clima dramático recriar um épico em que se expôs ao mundo uma visão ciclópica de
um caos deliberadamente armado. Uma obra cinematográfica pletórica de tempestades de guerra, de revoluções, de paixões humanas, e da natureza em fúria. Enfim, um grande sucesso do cinema mundial.
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| Propaganda de um jornal carioca, a 13 de junho de 1966, com intuito de promover o lançamento do filme nas salas de cinema do Rio de Janeiro, com pompas merecidamente devidas. |
FICHA
TÉCNICA
DOUTOR
JIVAGO
(Doctor Zhivago)
Pais:
Estados Unidos/Inglaterra
Ano:
1965
Gênero:
Drama, Romance, Épico
Direção:
David Lean
Roteiro: Robert Bolt
Produção:
Carlo Ponti, para a Metro Goldwyn Mayer
Trilha
Sonora: Maurice Jarre
Fotografia:
Frederick A. Young
Edição: Norman Savage
Direção
de Arte: Terence Marsh, Dario Simoni
Figurino:
Phyllis Dalton
Maquiagem:
Mario Van Riel, Grazia De Rossi, Anna Cristofani
Efeitos
Sonoros: A.W. Watkins, Franklin Milton, Paddy Cunningham
ELENCO
Omar
Sharif - Dr. Yuri Jivago
Julie
Christie - Lara Antipova
Geraldine Chaplin- Tonya
Rod Steiger -
Victor Komarovsky
Alec Guinness - General Yevgraf Jivago
Tom Courtenay -
Pasha Antipova
Siobhan McKenna - Anna
Ralph Richardson - Alexander Gromeko
Rita Tushingham - Tonya Komarova
Jeffrey Rockland - Sasha
Tarek
Sharif - Yuri, aos 8 anos
Bernard
Kay - Bolshevik
Klaus Kinski - Kostoyed Amourski
Gérard Tichy - Liberius
Noel Willman - Razin
Geoffrey Keen - Boris Kurt
PRÊMIOS
Academia
de Artes Cinematográficas de Hollywood, EUA
Oscar
de Melhor Fotografia a Cores (Freddie Young )
Oscar
de Melhor Trilha Sonora (Maurice Jarre )
Oscar
de Melhor Figurino (Phyllis Dalton )
Oscar
de Melhor Direção de Arte - Decoração de Cenários (John Box, Dario Simoni,
Terence Marsh)
Oscar
de Melhor Roteiro Adaptado (Robert Bolt)
Prêmios
Globo de Ouro, EUA
Prêmio
de Melhor Filme - Drama
Prêmio
de Melhor Trilha Sonora Original (Maurice Jarre)
Prêmio
de Melhor Roteiro (Robert Bolt)
Prêmio
de Melhor Direção (David Lean)
Prêmio
de Melhor Ator em um Drama (Omar Sharif)
Prêmios
David di Donatello, Itália
Prêmio
de Melhor Direção de um Filme Estrangeiro (David Lean )
David
de Melhor Produção Estrangeira (Carlo Ponti)
David
de Melhor Atriz Estrangeira (Julie Christie)
Prêmios
Grammy, EUA
Grammy
de Melhor Trilha Sonora (Maurice Jarre)
Prêmios Laurel, USA
Prêmio
Laurel de Ouro de Melhor Drama
PRODUÇÃO
E PESQUISA:
PAULO TELLES








































