domingo, 11 de setembro de 2016

Paixão dos Fortes (1946): Wyatt Earp na visão Lírica e Romântica do Mestre John Ford.


É sabido que o Marshal, o Homem da Lei Wyatt Earp (1848-1929) é um dos grandes mitos do Velho Oeste americano, cuja figura e história já foram retratadas inúmeras vezes nas telas de cinema, recebendo até mesmo grande exaltação por parte de muitos diretores e produtores. Earp se tornou popular da noite para o dia no ano de 1931, quando o escritor Stuart Lake (1889-1964) publicou o livro “Wyatt Earp, Frontier Marshall” (Wyatt Earp, o Delegado da Fronteira), narrando as “façanhas” do então desconhecido delegado, que dois anos antes apenas havia falecido. Diferente de outros mitos do Oeste americano, cuja fama já havia alcançado ainda em vida, com Wyatt Earp foi o contrário. Ele só ficou famoso mesmo dois anos depois de sua morte, em 1929.


JOHN FORD (1895-1973): Um dos maiores cineastas de todos os tempos!
PAIXÃO DOS FORTES (1946) - As filmagens.
O livro por ser quase inteiramente escrito na primeira pessoa, fez crer a todos que se tratava de uma verdadeira autobiografia. Stuart Lake assegurava aos seus leitores ter transcrito para o papel as palavras que ouvira do próprio Wyatt, sobre si mesmo e os acontecimentos. Mas anos depois, enquanto o livro atingira seu sucesso editorial, Lake declarou que tudo que havia escrito era de sua autoria e de sua inteira responsabilidade. Desmentia sua afirmação anterior, revelando que Wyatt não lhe havia fornecido dado algum e que o livro divulgava apenas boatos, sem fatos comprobatórios. 


Henry Fonda, Linda Darnell, e Victor Mature:
PAIXÃO DOS FORTES (1946).
Henry Fonda é Wyatt Earp, o Implacável
"mocinho" de Tombstone.
Mas produtores de cinema e roteiristas não se importaram com isso, e viu que mesmo sendo “boatos”, as “façanhas” de Wyatt Earp poderiam render uma boa bilheteria. Mas para isso, Hollywood precisou erguer um monumento ao finado “Leão de Tombstone”, como um heroico e implacável lawman e “homem sem máculas”, um “mocinho” ao estilo dos filmes de faroeste que o verdadeiro Earp nunca fora na vida. Foi assim que o cinema investiu na legenda romântica dos verdadeiros mitos do Velho Oeste, e um dos maiores cineastas de todos os tempos colaborou muito para a personificação de muitos destes, onde a lenda sempre é mais impressa do que os verdadeiros eventos.


Fonda é Wyatt Earp - Victor Mature como Doc Holliday, e
Linda Darnell como sua amante 
Chihuahua 

Paixao dos Fortes (My Darling Clementine), de 1946, é uma das versões cinematográficas mais clássicas da “história” do famoso Marshall, derivado justamente do livro de Stuart Lake, cujo enredo já havia sido lançado no cinema em 1939 com Randolph Scott no papel de Earp e Cesar Romero como Doc Holliday, no filme A Lei da Fronteira (Frontier Marshall), e cujo roteiro também serviu de base para Paixão dos Fortes. Sete anos depois o cineasta John Ford (1895-1973) resolveu recontar a saga de Wyatt e seus irmãos, e de suas ligações com o jogador John “Doc” Holliday (1851-1887), sem se preocupar com fatos históricos, mas impondo o lirismo romântico tipicamente fordiano na evocação da legenda.


Victor Mature é Doc Holliday, um médico fracassado que
virou alcoólatra e tuberculoso, mas um dos homens fortes de
Tombstone. 
Wyatt Earp (Fonda) rende "Old Man" Clanton, vivido por
Walter Brennan.
Paixão dos Fortes é uma das obras primas que lançou a mitologia do western no cinema americano, particularmente em torno do famoso confronto de OK Corral, um dos mais célebres tiroteios do Velho Oeste, ocorrido a 26 de outubro de 1881, entre Doc Holliday, Wyatt Earp e seus irmãos, contra os homens de Ike “Old Man” Clanton. Mas o que mais podemos contar a não ser a pretensão do diretor John Ford em contar as lendas e os mitos? Sem dúvida, ele era um bom contador de “causos” das lendas do Oeste Americano, se tornando até mesmo um “Homero” na cultura cinematográfica, e isto porque tal e qual o contador de histórias da Grécia Antiga, Ford criou um imaginário de heróis, mitos, bravura, e moral. Logo, a pretensão do diretor de Paixão dos Fortes não era de contar o que realmente aconteceu e sim em retratar a integridade e a coragem de alguns homens que formaram Oeste americano, que por sua vez, acabou formando os Estados Unidos.


Henry Fonda como Wyatt Earp
Walter Brennan em um desempenho impecável como o vilão
"Old Man" Clanton.
Henry Fonda (1905-1982) vive Wyatt Earp, que acaba aceitando o posto de Xerife de Tombstone, Arizona, a fim de se vingar do assassinato de seu irmão caçula, James (Don Garner, 1923-2012), morto por “Old Man” Clanton (Walter Brennan, 1894-1974) e seus filhos. Para enfrenta-los, Earp conta com a ajuda de seus irmãos Morgan (Ward Bond, 1903-1960) e Virgil (Tim Holt,1918-1973), e ainda do jogador  “Doc” Holliday (Victor Mature, 1913-1999), médico fracassado que acabou se tornando alcoólatra e tuberculoso, que vive tumultuado romance com a mexicana Chihuahua (Linda Darnell, 1921-1965).


Doc Holliday (Mature) e Chihuahua (Linda Darnell) - Um
romance tórrido.
Wyatt e seus irmãos Morgan (Ward Bond) e Virgil (Tim Holt)
Quando Chihuahua e Virgil são eliminados pelo bando dos Clanton, Wyatt parte para a desforra contra “Old Man” e seus filhos, no famoso tiroteio de OK Corral, planejando um futuro pacífico com a doce Clementine Carter (Cathy Downs, 1926-1976), ex-noiva de Holliday, por quem se apaixonou.


Wyatt e Clementine (Cathy Downs), ex-noiva de Doc, que
chega a cidade.
Mesmo sendo um homem da lei, Wyatt é um exímio jogador,
sendo observado por 
Chihuahua 
Paixão dos Fortes marcou a volta de John Ford ao Western, pois desde 1939 quando lançou uma de suas obras máximas do estilo, No Tempo das Diligências, o cineasta não rodava um filme do gênero. Além disso, o filme é seu único Western a focalizar personagens históricos (sem contar um dos episódios que ele dirigiu para A Conquista do Oeste, em 1962), e passados 70 anos de seu lançamento, continua sendo para os críticos uma das mais admiráveis criações do Mestre John Ford.


Chihuahua, a namorada de Doc Holliday, antipatiza com Earp
Doc e Wyatt: amizade selada, confrontos à vista.
Henry Fonda, em magistral atuação, é um Wyatt Earp bem antológico, que não se preocupa em mostrar sua bravura, um ser sensível, mesmo que sem coragem para demonstrar, solitário, mas um amigo fiel e leal até o fim. Victor Mature, sempre considerado um canastrão ao longo de sua carreira, tem aqui o seu melhor papel (junto com outro western, O Tirano da Fronteira, de Anthony Mann, em 1956), graças aos esforços de Ford em lhe arrancar uma sólida interpretação como um decadente Doc Holliday, um médico que veio do mundo refinado do Leste, mas que foi atrás de aventuras no Oeste violento, onde acabou se tornando amigo de Wyatt, e ao lado dele combater os homens de Clanton.  Uma das coisas a fugir dos eventos verdadeiros neste clássico de Ford é ver Holliday como um médico, quando na verdade ele era um dentista formado, e outra que em Paixão dos Fortes, ele acaba morrendo no confronto de Tombstone, quando o verdadeiro Doc Holliday morreu num sanatório seis anos depois acontecimento, a 8 de novembro de 1887, de tuberculose. 


Chihuahua e Doc Holliday
Na "Paixão" de Ford, Doc Holliday perde a vida no confronto
do OK Corral.
Adeus, querida Clementine!
Com roteiro de Samuel G. Engel (1904–1984), que também é o produtor, e Winston Miller (1910–1994), Paixão dos Fortes tem a fotografia em preto & branco de Joseph MacDonald (1906-1968), e musica de Cyril J. Mockridge (1896–1979), com arranjos de Alfred Newman (1901-1970). No Brasil, o filme foi lançado em abril de 1947.


Exibido nas salas cariocas em abril de 1947.
FICHA TECNICA
PAIXAO DOS FORTES

ANO DE PRODUÇÃO: 1946

TÍTULO ORIGINAL: MY DARLING CLEMENTINE

DIREÇÃO: JOHN FORD

PRODUÇÃO: SAMUEL G. ENGEL - PARA 20th CENTURY FOX

ROTEIRO: SAMUEL G.ENGEL, WINSTON MILLER – Baseado em livro de STUART LAKE

FOTOGRAFIA: JOSEPH MACDONALD (PRETO & BRANCO)

MUSICA: CYRIL J. MOCKRIDGE- ARRANJOS DE ALFRED NEWMAN

METRAGEM: 97 MINUTOS

ELENCO

HENRY FONDA – WYATT EARP
LINDA DARNELL – CHIHUAHUA
VICTOR MATURE – DOC HOLLIDAY
CATHY DOWNS – CLEMENTINE CARTER
WALTER BREENAN – OLD MAN CLANTON
TIM HOLT – VIRGIL EARP
WARD BOND – MORGAN EARP
ALAN MOWBRAY – GRENVILLE THORNDYKE
JOHN IRELAND – BILLY CLANTON
ROY ROBERTS – PREFEITO
JANE DARWELL – KATE NELSON
GRANT WITHERS – IKE CLANTON

PRODUÇÃO E PESQUISA DE

PAULO TELLES

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EM TEMPO
IN MEMORIAN 


HUGH O’ BRIAN (1925-2016)

Esta semana o cinema e a televisão perdeu um de seus grandes ícones, Hugh O’ Brian, que participou de centenas de filmes, e foi um nome muito conceituado no gênero Western, participando de inúmeros trabalhos do gênero, tanto que em 1955 estrelou a série de TV Wyatt Earp, em seis temporadas entre 1955 a 1961, onde viveu o legendário Marshall. A série impulsionou a notoriedade de O’ Brian, que já havia feito inúmeros trabalhos no cinema, como em A Lei do Bravo (1955, de Robert D. Webb), A Lança Partida (1954, de Edward Dmytryk), Pacto de Honra (1954, de Raoul Walsh), Tambores da Morte (1954, de Nathan Juran), entre outros.


Hugh O' Brian junto a Earl Holliman, Robert Wagner, Jean
Peters, e Richard Widmark: A LANÇA PARTIDA (1954)
Hugh O' Brian e Jeffrey Hunter, índios Cheyennes em
A LEI DO BRAVO (1955)
Hugh O`Brian, nasceu a 19 de abril de 1925, em Rochester, Nova York. Foi descoberto para a televisão pela atriz e diretora Ida Lupino (1918-1995), que lhe abriu as portas para um contrato com a Universal Studios, mas ficando restrito a papéis secundários. Ao término do contrato com a Universal, em 1955, estabeleceu um grande sucesso na televisão com a série Wyatt Earp por um período de seis anos. Direcionou seus talentos como cantor e atuou em espetáculos da Broadway. 


Hugh O' Brian como Wyatt Earp, na famosa série de 1955 a 1961.
Hugh O' Brian na década de 1980
Em 1976, O’ Brian participou do último filme de John Wayne, O Último Pistoleiro, de Don Siegel, onde interpretou um dos tantos pistoleiros que queriam mata-lo. Em 1994, O' Brian, então com 69 anos, reviveu Wyatt Earp num filme especial para a TV. Na vida particular, permaneceu um solteirão convicto praticamente a vida inteira, até se casar em 2006, quando já contava 81 anos de idade, com Virginia Barber, sua companheira de relacionamento durante 18 anos. O’ Brian, que não atuava desde o ano 2000, estava cotado para participar de um filme esse ano. 


Foto mais recente de Hugh, ao lado de outra lenda
televisiva do faroeste, o gigante Clint Walker.
Hugh O' Brian e Robert Wagner (com quem contracenou em
A LEI DO BRAVO e A LANÇA PARTIDA), em evento de 2015.
Hugh O’ Brian morreu a 5 de setembro em sua casa em Beverly Hills, de causas naturais, aos 91 anos de idade.

PAULO TELLES -  EDITOR

26 comentários:

  1. Um grande filme de Ford. Ele consegue faze coisas simples, sem malabarismos de câmera. Apenas com as luzes. Duas cenas de que me lembro até hoje: 1)Quando Wyatt (Henry Fonda) caminha pensativo do lado de fora do seu gabinete, a cena é tão real como se estivesse sendo feita pelo verdadeiro Wyatt Earp e 2)Quando Doc (Victor Mature) filosofa no bar, depois de ouvir o ator inglês do filme declamar. Duas cenas antológicas que Ford sabia fazer muito bem.

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    1. Olá Valdermir! Com toda certeza o Mestre Ford faz malabarismos com sua câmera, enaltecidos pela bela fotografia em preto & branco, onde ele pode declamar um poema sobre um mito do Velho Oeste. Fonda compreendeu o personagem com base na legenda, e não na personalidade real do delegado, que na vida real estava muito mais para bandido do que para mocinho. Mature conseguiu aqui uma das raras e poucas boas atuações de sua carreira e justamente a cena em que ele filosofa junto com o ator inglês valeu o espetáculo. Sem dúvida PAIXÃO DOS FORTES, juntamente com NO TEMPO DAS DILIGÊNCIAS, e RASTROS DE ÓDIO, são obras máximas do diretor no teor do Western.

      Saudações do editor!

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  2. Quero aqui parabenizar meu amigo Paulo Telles por essa brilhante matéria!
    Ontem à noite resolvi rever esta obra-prima do mestre John Ford e a conclusão que tive é que "Paixão dos Fortes" é daqueles filmes que ficam melhores a cada vez que se assiste. Não por acaso é considerado meu 4º Western favorito, atrás apenas de "Rastros de Ódio" (1956), "Os Brutos Também Amam"(1953) e "No Tempo das Diligências" (1939). Dentre as inúmeras adaptações para o cinema e a TV, esta é, sem a menor sombra de dúvidas, a melhor sobre o famoso delegado Wyatt Earp. E é também importante registrar, que dentre essas inúmeras adaptações e antes mesmo de "A Lei da Fronteira" (1939), houve LEI E ORDEM ("Law and Order", 1932), de Edward L. Cahn, com Warter Huston, Harry Carey, Raymond Hatton, Russell Hopton, Ralph Ince, Andy Devine e Walter Brennan (que fez o vilão em 'Paixão dos Fortes'). Este filme foi o primeiro a abordar acontecimentos e personagens muito parecidos com aqueles que ocorreram em Tombstone e levaram ao mítico duelo no OK Corrall. Huston, Carey, Hatton e Hopton são os homens da lei que limpam a cidade dominada pelos desordeiros, comandados por Ince. Mas voltando a "Paixão dos Fortes", uma das cenas que mai gosto de rever e lembrar é quando os músicos estão tocando no Saloon e são interrompidos pela presença ameaçadora de Doc. Holliday em contraste com Wyatt Earp. Passado esse momento de tensão, Mac, o Barman (J. Farrell MacDonald) dá sinal aos músicos para continuarem tocando. E eles começam a tocar novamente (com cara de assustados) aquela alegre música tradicional do Velho Oeste (https://www.youtube.com/watch?v=Fpht_8VdUdI) como se nada tivesse acontecido. São peculiaridades como estas, tão típicas do Mestre Ford, que fazem de seu cinema uma excelência. Ninguém melhor que Ford para transformar a lenda em verdade!
    Grande Abraço ao editor e amigo Paulo Telles e a todos os leitores deste blog!

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    1. Saudações a vc meu amigo Thomaz, fico imensamente feliz em rever-lhe aqui no espaço. Sem dúvida, PAIXÃO DOS FORTES é a versão lírica de um conto que já deu manga para muitas histórias no cinema baseadas nas “façanhas” do lendário delegado de Tombstone. Certamente é uma obra prima que deve ser revisitada inúmeras vezes pelos peritos e amantes do cinema, com o objetivo de fazer o que vc mesmo acabou de fazer aqui: analisar acuradamente, quando mencionou a cena em que Doc (Victor Mature) chega no salão impondo a todos os frequentadores sua lei e ordem no estabelecimento, fazendo o legítimo delegado (vivido de modo soberbo por Henry Fonda) lembrar ao ex-médico que ele não tem o direito e a moral de exercer tal conduta. Outra peculiaridade é a dança entre o delegado e Clementine na quermesse da Igreja, e Fonda dança com muita elegância.

      Eu não considero a melhor versão ou adaptação sobre as aventuras (?) de Wyatt, prefiro as obras SEM LEI E SEM ALMA (1956) e A HORA DA PISTOLA (1966, esta muito mais realista, que já conta sobre Wyatt e Doc depois do famigerado duelo de OK Corral) e ambos dirigidos por John Sturges, que nunca associou um filme a outro, entretanto, PAIXÃO DOS FORTES tem a estrutura poética de um clássico, conduzido por um poeta que não sabia o que era poesia, segundo as declarações de François Truffaut, que era admirador incondicional do Mestre John Ford. Esse diretor em estilo era mágico, poeta, arquiteto, e viajante, e nenhum cineasta conseguiu contar a história dos Estados Unidos de forma tão homérica como ele. Se são de lendas que as pessoas vivem e se alimentam, então vamos dar a elas grandes histórias, e Ford verdadeiramente foi um contador de histórias, sabendo imprimir como ninguém as legendas bem mais fortes que os fatos...ou mesmo como vc bem disse, transformando-as em verdades.

      Obrigado pela participação, meu amigo! Seus comentários enriqueceram minha resenha. Um grande abraço do editor!

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  3. Também sou grande fã de Sem Lei e Sem Alma , com Burt Lancaster e Kirk Douglas, para a versão de O.K. Corral. Seguem meus westerns favoritos, meus top 7: The Searchers, Ride the High Country, The Big Country, My Darling Clementine, Gunfight at the O.K. Corral, The Wild Bunch e High Noon.
    Mas ninguém conseguiu superar o Mestre Ford em westerns. Ele conseguia unir com maestria uma certa brutalidade em alguns cenas com um grande sentimentalismo em outras. Acho que era um traço da personalidade dele. Por fora ele era meio "grossão" com os atores, mas por dentro ele era um grande sentimental, como pode ser visto em todos os seus filmes.

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    1. Realmente Ford não era gentil, mas isso fazia parte da personalidade irlandesa. Se ele maltratou até John Wayne, imagine o que ele não fez com Ward Bond, Ben Johnson (que quase chegou as vias de fato com o diretor, sendo depois perseguido por ele), e Andy Devine? Ford era um homem de sentimentos variados, capaz de ser benfeitor com quem trabalhasse pra ele, ora um grosseirão de primeira linha. Contudo o que impressa são suas qualidades de diretor, um dos grandes arquitetos da Sétima Arte, construtor de inúmeras obras primas levadas a posteridade.

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  4. Telles,

    Observo ser esta postagem uma das mais visitadas e comentadas, fato que me conduz a procurar corresponder ao que já foi dito por estes excelentes comentaristas. Ótimo isto, muito bom mesmo.

    Certo dia debati com um amigo sobre esta obra de Ford. Aleguei ela não bater com nada que já vira no cinema sobre o mito Earp. Ele respondeu, duro aliás, citando que o cinema é um espaço aberto para se exprimir o que se deseje e que não tem qualquer compromisso com verdades ou o que seja.
    Não aceitei muito sua tese, mas agora vejo que ele tem milhões de razões para dizer o que disse.

    Lendo aqui como nasceu tudo isto tenho que perceber que "ele" tinha era muita razão;

    Tiro de tudo isso, depois que o Lake abriu o bico e externou a verdade de sua obra, que qualquer um pode fazer o que desejar sobre o personagem Wyatt Earp, esta é a verdade.

    Já vi nas telas diversos trabalhos sobre o personagem criado pelo Lake. Até A Lei da Fronteira eu já vi, embora esteja vazio em minha mente. E gosto do filme do craque em faroestes John Ford, como gosto do filme do Kasdan e o do que o Sturges fez com o James Gardner em 1967, A Hora da Pistola.

    No entanto, estarei faltando com a sinceridade para comigo mesmo se não disser que a fita do Sturges, Sem Lei e Sem Alma, de 1956 não se mostra para mim como a melhor coisa já feita sobre o mito, por tudo o que sempre ouvi falar deste homem do Oeste.
    Por melhor e mais clássico que sejam todos os demais, o filme de Sturges nos apresenta mais aplicação interna ao que sabemos da lenda, além de ser uma fita muito coesa e grampeada em todos os detalhes, ou seja, ali tudo tem acesso direto a cada trama da pelicula. Sem falar de interpretações, porque este setor está infalível. Além da criativa condução do tema, dos desfechos da trama, das intercessões que ele, Sturges, acrescenta à fita, além do duelo no OK Curral ter sido mostrado com quase toda a clareza e desfeche que conhecemos.

    O que não desvalida a ótima qualidade de Paixão dos Fortes que, além de ter a mão preciosa do Ford, tem um elenco mágico, perfeito, como se selecionado a dedo para cada papel. Além do mais, onde o Brennan está, tudo sai além do esperado.(vide Rio Bravo e Rio Vermelho, apenas como exemplos)

    A ótima película do Ford é uma fita forte, autônoma e muito diversificativa ao tema conhecido, mas bem criada e dirigida, com cenas até antológicas, como aquela passagem do saloon com um desordeiro lá dentro fazendo e desfazendo sem que ninguém tenha coragem de tomar uma posição. E Earp entra lá na maior simplicidade e logo sai com o valentão arrastado como um trapo inválido.

    É de fato um formidável filme sim, sem duvidas e com o Ford arrancando do Mature tudo que ele tinha escondido e pouco mostrado, fazendo-nos ver que o ator não era o canastrão que se dizia e sim sempre não dirigido condignamente.

    Vamos aguardar o que veremos sobre o apreciado e mediano ator Hugh O'Brian, com quem vi tantos faroestes, todos deliciosos, fazendo-o tornar-se mais um dos nossos ídolos.

    jurandir_lima@bol.com.br

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    1. Saudações amigo Ju!

      Olha, vc me fez refletir num ponto: que Victor Mature talvez não fosse o “canastrão” que tanto ficamos a nos convencer. O que faltava condignamente como vc bem falou fosse uma direção segura que lhe pudesse arrancar um talento que ele mesmo pudesse desconhecer. Nem Cecil B. DeMille em SANSÃO E DALILA conseguiu esta proeza como conseguiu John Ford e Anthony Mann (em O TIRANO DA FRONTEIRA). Mas o fato que mesmo com esta debilidade, Mature se tornou um mito, participando de trabalhos cultuados por todos nós amantes de cinema.

      Sobre PAIXÃO DOS FORTES e as demais versões variadas sobre Wyatt Earp e o duelo de OK CORRAL, acho que não tem como fazer uma comparação devido às diferenças de estilos e dinâmicas de cada diretor. Contudo, a versão de Ford sobre Wyatt é bem lírica aos propósitos do cineasta. SEM LEI E SEM ALMA, apesar de ainda contar a legenda romântica de Wyatt (com Burt Lancaster quase “santificado”, de tão certinho era seu Wyatt), John Sturges não segue o mesmo lirismo de seu xará Ford. A HORA DA PISTOLA, realizado pelo mesmo Sturges em 1966, partindo depois do confronto do OK, já é um filme cuja a legenda romântica esta fora de atuação.

      Walter Brennan (1894-1974) era um dos grandes talentos do cinema, talvez o maior de todos os coadjuvantes talentosos que a Sétima Arte pôde cumprimentar, isto é certo!


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  5. Thomaz,

    Vejo que meu ligeiro e amigo puxão de orelhas o trouxe mesmo para cá. Que bom, que ótimo ler suas cronicas sempre repletas de novos informes e com sua presença de espírito sempre motivada para dar pareceres de grandes validades.

    Observei que dos seus quatro filmes de western preferidos, três são do Ford. Não é mesmo à toa que a velha raposa era o mais perfeito criador de faroestes.

    Vou me intrometer neste típico e dar meu toque nos meus 4 faroestes preferidos;
    1 - Da Terra Nascem Os Homens
    2 - A Árvore dos Enforcados
    3 - Os Brutos Também Amam
    4 - Duelo ao Sol ou mesmo A Face Oculta

    Como o caro amigo observa, nada do Ford entra nos 4, mas entraria algum deles nos 10.
    Peço desculpas a quem ler esta escrita minha por eu escapulir um pouco do tópico da mesma, embora o mais ideal de tudo seja falarmos de cinema e, principalmente de westerns.

    Retornando a Paixão dos Fortes/46, eu não tenho a mesma visão que o jovem Thomaz possui para comentar o filme em pauta. Isso porque não o tenho e não pude vê-lo antes de por minhas palavras. Tudo o que cito ainda é uma guarda que minha mente reserva dos velhos tempos quando vi a película do Ford.

    E digo sempre que o mais adequado seria antes de comentar uma fita assisti-la.
    Infelizmente isso não é possível para muitos, o que pode ser a razão de diversos comentaristas do blog falarem pouco das película postadas.

    Em resumo o fato principal deste toque meu é para externar a minha alegria de ver o caro, querido e muito inteligente amigo deixando um parecer para nossa apreciação e captação de novidades.

    Abraço do bahiano

    jurandir_lima@bol.com.br

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  6. Telles,

    Acabo de ler sua resposta ao jovem Thomaz.

    Fiz minha fala antes de ler qualquer comentário já posto, atitude que preservei sempre. Só depois que escrevo é que vou ler o que já foi dito por nossos companheiros.

    E vejo com entusiasmo o Grande Telles dizendo quase que exatamente o que exaltei no meu comentário o que dizes no segundo parágrafo de sua resposta ao Thomaz. Perfeito.

    O filme do Ford é um clássico meio lírico, feito à maneira visionária do grande diretor e fotografado com maestria, além de ser introduzido na película passagens de efeito. Tudo ficou bom e o Ford, como sempre, fez um ótimo filme.

    Entretanto, tal como falas, os filmes que citas eles se reportam com mais percepção e direção exatamente ao que conhecemos dos episódios da vida do mito Earp.

    Sem Lei e Sem Alma/56 é o mais explicito deles. Acho que sobre o tema nenhum bate no magnifico e muito bem criado filme do Sturges. A Hora da Pistola/66, mesmo se passando após toda a ocorrência do filme de 1956, ainda é um filme muito bom, denso, forte, meio trazido para uma realidade que o Sturges construiu para a fita.
    Acharia necessário que todos passem a conhecer esta pelicula (pois sei muitos poucos o fizeram) para uma melhor avaliação deste.

    Abração do amigo da Bahia

    jurandir_lima@bol.com.br

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    1. Verdade Jurandir! Além do que, embora Sturges tivesse realizado duas versões bem diferentes sobre Wyatt, não há como dizer que A HORA DA PISTOLA é continuação de SEM LEI E SEM ALMA, visto que o diretor visionou Wyatt de maneiras distintas. Só observar Burt Lancaster, que era muito certinho, e ver James Garner, que era mais caladão e vingativo (o que o verdadeiro Earp de fato foi), e todo amargo.

      O que mais fascina em SEM LEI E SEM ALMA, por exemplo, é a ação ao longo do filme, toda regida pela trilha de Dimitri Tiomkin, inesquecível. A HORA DA PISTOLA também não fica atrás, onde Jerry Goldsmith com seus acordes faz a ação aparecer.

      Abraços do editor carioca!


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    2. Ao editor da Cidade Maravilhosa e ao poeta bahiano,
      Somos mesmo fãs do Pappy.
      Estou lendo uma biografia de Katherine Hepburn. Possivelmente, ela vai comentar algo sobre John Ford.
      A música de Dimitri para Sem Lei e sem Alma é fantástica, assim como você elogia. Tenho gravada em meu pendrive, que sempre ouço quando vou andar de carro. Cantada magistralmente por Frankie Laine, diga-se de passagem.
      Já Rastros de Ódio tem a trilha de Max Steiner, se não me engano, e uma canção deliciosa de The Sons of the Pioneers. Também gravei para ouvir no carro. Tudo isso vocês podem conseguir do Youtube.

      Saudações a todos.

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  7. Wlademir,

    Li seu comentário e achei interessante o que dizes do Ford, talvez até seja um traço de sua personalidade como diretor que poucos repararam, que é o caso de após cenas duríssimas ele mostrar momentos dóceis e emocionantes.

    De verdade como ele coloca mesmo cenas brutais em suas fitas, momentos de violência extrema. E aí, ainda na mesma película ela adocica a fita com agradáveis e deliciosos momentos familiares ou mesmo com brigas coletivas ou individuais que, para quem assiste o filme consegue amortizar os momentos drásticos de momentos antes com estas cenas de lirismo e doçura.

    De fato um profissional que sabia lidar com o publico que via seus filmes.

    Sua fala me fez exatamente recordar em Rastros de Ódio, quando Ethan corre atrás da pequena Debbie, de arma em punho com a intenção de mata-la. E, quando ela cai e se vê submissa e entregue aos instintos criminosos do Ethan, ele a fita profundamente, seus olhos se alternam rapidamente de sintonia de ira para um contorno de sensatez, e move o braço armado rumo ao coldre, deita ali a arma, apanha a pequena india, a ergue no ar e diz para aquele rostinho assustado; "Vamos para casa, Debbie". E a aconchega nos seus braços rumando para o lar.

    Uma cena lindíssima e um momento em que vir lágrimas aos olhos não é sinal de debilidade e sim de vívida emoção.

    O amigo foi muito feliz neste seu comentário. Parabéns, pois o Ford era assim mesmo.

    jurandir_lima@bol.com.br

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  8. Jurandir,

    Como muitos dizem, Rastros de Ódio é o maior western de todos os tempos. Eu compartilho desta opinião. Ford conseguia extrair o que desejava. Lembro-me de uma entrevista de James Stewart sobre Ford. Ele dizia que Ford, ou Pappy, como o chamavam, mantinha os atores em constante estado de tensão ou competição, para que isso se transportasse para a tela. Jimmy dizia que os atores não sabiam que cenas ou tomadas viriam a seguir, Ford sempre mantinha a expectativa.
    A cena, que você menciona sobre Ethan, realmente ela é antológica. Desde o começo do filme, você fica com a sensação de que Ethan e a dona da casa tinham algo mais profundo entre si e até suspeito que Debbie poderia ser a filha deles. Por que a obstinação dele em procurá-la por vários anos? E no final, ele reflete e parece se redimir de todo o ódio que sentia pelos índios.
    E o filme é repleto de outras cenas antológicas. Algumas: a cena em que Ethan simula estar dormindo diante da fogueira para surpreender os ladrões; a cena final em que a porta se fecha, depois que Ethan entrega Debbie, a cena em que Ethan fala "That´ll be the day" diante de determinada situação.
    John Wayne merecia o Oscar de melhor ator. Foi uma pena.

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  9. Telles,

    Verdade, pura e exclusiva sobre o comportamento dos Earp's do Sturges.

    Não havia atentado para este detalhe. Mas o Earp do Lancaster é o de um sujeito limpo, puro, correto, quase santo ou um herói sem máculas.
    O que nunca foi o caso do "Homem" Wyatt Earp, segundo conhecemos dele. O cara não era nada limpo, era ganancioso, assassino, perverso, tinha gana de enriquecer com seus irmãos e não era nenhum santo como o Sturges o desenha em seu filme de 1956.

    Mas, por outro lado, e mesmo apesar de ainda concordar quando dizes que vemos diversas faces do Earp em todos estes filmes, claro que estás acima de certo, o Sturges fez um filme para o comercio, uma fita da Cia. do Lancaster para obter lucros e com ele no papel do homem da lei super certinho, dado ao fato de Earp nunca ter sido certinho em nada.

    E A Hora da Pistola não tem nada mesmo a ver com este filme, além de vermos um Earp muito alternativo do Gardner ao de Lancaster. Mas são dois filmes que merecem ser vistos e serem respeitados pelo seu criador e sua categoria.

    jurandir_lima@bol.com.br

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  10. Telles, Juranda e Valdemir,
    Todos os seus comentários e respostas devidamente lidos. Devolvi o puxão de orelhas do baiano com outro puxão de orelhas, paguei na mesma moeda, arrastando-o para cá, para que discernisse sobre esta postagem. E vi, através de tantos comentários, réplicas e tréplicas, que surtiu efeito. Quanto ao top-Four do Juranda, digo que aprecio bastante "Da Terra Nascem os Homens" que não está em meu Top-Ten mas certamente está no meu Top-Twenty. E sobre o recém-finado Hugh O'Brian, não posso escrever nada, pois ainda não tive oportunidade de ver algo dele. Imagino que se recebeu uma homenagem por parte do Paulo, é porque o cara fez mesmo por merecê-la, pelo que fez ao longo de sua carreira.
    Um abraço a todos!

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    1. Saudações novamente Thomaz!

      Hugh O’ Brian no cinema nunca foi um grande astro, mas participou ativamente em muitos filmes que conhecemos e admiramos, como um dos filhos de Spencer Tracy em A LANÇA PARTIDA, e ainda de ter atuado com Alan Ladd em PACTO DE HONRA. Realmente, foi um artista merecedor de minha atenção, e ao saber de seu falecimento, me senti no “dever” de divulgar.

      Quanto aos “puxões de orelha” só peço aos dois para terem cuidado um com o outro, para não terem vossas orelhas muito “quentes”, rsrsrs. Brincadeiras a parte, agradeço de imenso suas participações (Thomaz, Jurandir, Valdemir), pois a interatividade entre o leitor e o editor é muito importante. Abraços para todos e uma semana de produtividade e bênçãos!

      PS- Thomaz! Não deixe de assistir DA TERRA NASCEM OS HOMENS!!!

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  11. Saudações à Gang of Four (Jurandir, Paulo e Thomaz e eu). Já podemos lutar contra os Clantons.
    Sinceramente, só me lembrava mesmo do Hugh na série The Name of the Game, que ele fazia junto com Doug McClure e Tony Franciosa (lembram-se deles?)

    Da Terra Nascem os Homens, para mim está na minha lista Top 10 de Westerns. Aquela trilha é inesquecível (talvez a melhor já feita para um western).
    O William Wyler usou muito a câmera movendo lentamente entre os personagens. Isso deve ter algum nome ou truque especial. Alguém de vocês, saberia dizer qual é? Em vez de a câmera cortar para um personagem que responde a uma pergunta de outro, ele simplesmente desliza a câmera para o personagem. É, dentre outros, um dos motivos pelo que sou grande fã deste filme.

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    1. Valdemir!
      DA TERRA NASCEM OS HOMENS também esta entre meus dez mais no gênero western, aliás, foi o primeiro faroeste em superprodução, com uma tela capaz de mostrar tudo o que em realidade um aparelho de TV nos anos 50 não era capaz. Sem dúvida, uma obra prima do Mestre Wyler, e por tanto gostar, eu o revisito todos os anos.

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  12. Valdemir,

    Não havia visto sua réplica ao meu pequeno comentário sobre o que disse no seu. Somente hoje, por falta de sono, estou vendo isso. E olhe que tenho incomodado o Paulo para me mandar seu email para fazermos, ou tentarmos, contatos. Mas estou com o nome de seu blog.

    Grato pela atenção e digo que este compartilhamento que fazemos é muito bom porque uns passam para os outros algumas coisas que não sabemos ou que não atentamos.

    Gosto de Rastros de Ódio/56, mas não o considero o melhor western. O meu de preferência é The Big Country/58, com tudo de sensacional que existe no seu conteúdo.

    Porém, tudo isso é relativo e terminamos gostando de todos.

    Sobre Rastros de Ódio ainda tem aquela olhada que o Ward Bond dá quando observa a esposa de seu irmão e o Ethan em conversas muito intimas seguida de olhares lânguidos. Ele, o Bond, acho que tomava café e fica com aquele olho de quem fizera uma descoberta inédita, surpreendente e inimaginável. Não esqueço seu olhar sério e sua mente divagando sobre o que viu.

    Sobre o deslizamento das câmeras de uma face para outra em diálogos pode acreditar que nunca percebi isso mesmo no filme de western que mais gosto. Vou revê-lo para observar esta descoberta que fizeste. Já vi isto demais em outros filmes e não sei do que se trata ou como se chama o sistema. No entanto, acredito que é para economizar tempo, pois para se focar em outra face tem de se mudar todo o equipamento de posição e focar na outra face. Acredito ser isso; não perder tempo com tantas movimentações.

    E sobre a musica da fita, criada pelo Jerome Moross, ela é mesmo uma das coisas mais belas que já ouvi. E estoura logo na abertura.

    Mas atente para as musicas de Shane, Rastros de Ódio, Matar ou Morrer dentre mais outros.
    Tenho muitos filmes de faroeste. Se desejar ver algum é só me dar o nome e seu endereço.

    Abração do bahiano

    Jurandir_lima@bol.com.br

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    1. Amigo Ju!

      Só agora pude liberar seu comentário, pois estive sem computador durante estes dias, e ainda não anda nada bem, mas te conto pelo telefone. Espero que nosso amigo Valdemir esteja a ler seu coerente comentário. Abraços do editor carioca!

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  13. Parabéns, Paulo. excelente matéria e de agradável visualização. Você respondeu a alguém que oportunamente abordaria a obra de Nino Rota. Particularmente sinto uma influência de Gustav Mahler na sua obra, no tocante à massa sonora, ritmo, mudança brusca de clima e temas.Como exemplo cito o mov. 3 da Primeira Sinfonia de Mahler. Com o seu conhecimento sobre o assunto, gostaria da sua opinião e se já existe alguma pesquisa sobre Nino Rota com essa abordagem. Desde já agradeço. Tania.

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    1. Cara Tania!

      Primeiramente mil e humildes desculpas, pois só agora estou podendo dar atenção ao seu comentário, pois fiquei sem computador, o que fez também atrasar boa parte dos meus trabalhos.

      Em verdade, falei para uma leitora que abordaria outros compositores do cinema antigo, onde Nino Rota seria despontado, junto a outros maestros da Sétima Arte. Esta matéria estra prevista para novembro e será sequencia de um artigo já abordado em 2013: OS QUINZE MAIORES COMPOSITORES DO CINEMA ANTIGO, cujo link pode ser encontrado na ala direita de matérias especiais.

      Obrigado pela participação e continue acompanhando.

      Abraços do editor!

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  14. Saudações a Jurandir, Paulo e Thomaz.
    Acabei de receber seus comentários, Jurandir. Você tem mesmo razão sobre os olhares de Ward Bond na cena com Ethan e a esposa do seu irmão. Deu para entender o significado. Mais um proeza do Mestre Ford, com aquele sentimentalismo que também lhe era característico. Eu já apontei meus westerns preferidos em um post anterior meu. Acho que nos entendemos entre os 10 mais de todos os tempos. Sempre há um outro que marca mais a gente. Sobre o movimento da câmera, que eu mencionei, vc pode verificar em The Big Country (Da terra nascem os homens). Algumas cenas que me impressionaram no filme (há várias): 1)A do Burl Ives (como Rufus Hannassey) chegando à festa do Major Terrill e fazendo valer a sua voz; 2) a cena dele também segurando e lamentando a perda do filho (Chuck Connors) que levou um tiro, mais ao final do filme, fiquei realmente admirado pelo desempenho daquele corpulento ator e seu olhar penetrante. 3)a cena de luta entre Charlton Heston e Gregory Peck mostrada ao longe pelo mestre Wyler e 4) a cena em que o Major decide ir sozinho para se encontrar com Hannassey (Burl Ives) e Charlton Heston acaba indo segui-lo a cavalo e a magistral trilha iniciando um movimento de acompanhamento. Gostaria de rever o filme, mas em uma tela grande e som estéreo, para, desculpando a gíria, arregaçar a boca do balão!! Sobre meu blog, ele teve mudança de domínio. Agora é www.revistacinetv.com.br

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    1. Olá Valdemir!

      DA TERRA NASCEM OS HOMENS é um daqueles filmes que não canso de rever e sempre estou revisitando todos os anos. Um dos mais grandiosos espetáculos do gênero sem dúvida, orquestrado pelo Mestre Wyler, com sua trilha sonora conduzida por Jerome Moross. Desde 1992 esta entre meus dez westerns favoritos, embora tenha assistido pela primeira vez em 1985.

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  15. Valdemir,

    Quer dizer que formamos um quarteto que já podemos duelar conta os Clantons no OK Curral?

    Legal.
    Bom isso porque terminamos falando muito de cinema e metemos todo mundo no rolo.
    Entraste tu, o Paulo, o Thomaz e eu, que chamaste de bahiano poeta, coisa que não sou e pior: detesto poesias. Lamentavelmente!

    Mas olha a cena de Da Terra... que poucos valorizam e que foi tão bela e emocionante como todas as demais.
    Lembram que o Peck salta do cavalo, lá nos Hannessey, e briga com o Chuck Conners?

    Recorda que antes do duelo, e depois de esmurrar o Conners, ele chega perto da ansiosa Simmons, a fita nos olhos e os dois se abraçam sem sair dali uma palavra sequer?

    Pois eu adoro esta cena, porque foi um amor que nasceu sem palavras de amor, sem juras, sem propostas, sem nada, tudo esclarecido nos olhares, nos movimentos, nas ações.
    Cena para rever e elogiar.

    Vou passar lá no seu blog logo, logo.

    jurandir_lima@bol.com.br

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