Em 1961,
quando Nicholas Ray lançou Rei dos Reis,
uma das mais famosas versões cinematográficas sobre a vida de Jesus, e
estrelado por Jeffrey Hunter como o Cristo, o cineasta George Stevens
(1904-1975) já estava anunciando que iria também rodar sua versão baseada nos
textos sacros, com um grande elenco e com um grande título, quase que proporcional
a sua metragem: A Maior História de Todos os Tempos (The Greatest Story Ever
Told),lançado em 1965, e que segundo ele, seria a versão definitiva da vida de
Jesus de Nazaré.
 |
| O Cineasta George Stevens, uma legenda da Sétima Arte |
STEVENS, E
A DIFICULDADE EM LEVAR AS TELAS O PROJETO.
O cineasta responsável
por clássicos como Gunga Din, Um Lugar ao Sol, Os Brutos Também Amam, e Assim
Caminha a Humanidade- manifestou interesse em filmar a vida de Jesus Cristo
de forma que pudesse ser a “versão definitiva”. Para isso, Stevens consumiu
cinco anos de produção e fez reunir um grande elenco, com 117 papéis
dialogados, com atores famosos, muitos destes em pequenas pontas.
 |
| A Beleza pictórica e o panorama em forma de cartão postal, um dos grandes tributos do filme |
Stevens se
baseou no romance homônimo do mesmo título, de autoria de Fulton Oursler
(1893–1952), além dos textos do Novo Testamento, e sua intenção era contar a
vida do grande líder da Cristandade com um elenco All-Star, rodada mesmo nos Estados Unidos, em locações do Arizona,
Utha, Nevada, e em estúdios da MGM em Culver City. As locações vieram a fornecer
um panorama ao estilo Cartão Postal, com narrativa hiper- acadêmica, com
conceituação medievo-renascentista. Mas para isso, durante cinco anos, o
diretor tentou obter financiamento para projetar o espetáculo.
 |
| O "Mar da Galileia" na visão de George Stevens. |
Primeiramente,
Stevens recorreu a 20th Century Fox, que ofereceu ao cineasta três milhões de
dólares para financiar o filme, mas como o diretor ainda não tinha iniciado as
filmagens, o estúdio resolveu cortar suas despesas e se retirar da produção.
Mas isso não perturbou Stevens, que resolveu levantar dinheiro com
investidores. Logo, a United Artist, conhecendo a reputação de George Stevens
como grande cineasta, resolveu investir pesadamente no seu novo projeto sem
receios.
 |
| Lobby Card americano do filme |
Como ele
anunciara, Stevens escalou um elenco milionário para sua superprodução bíblica,
movendo o cast e toda a equipe
técnica para os desertos do oeste americano, o que causou um grande problema,
pois, além disso, vários animais que foram precisos para rodar a película
tiveram que ser transportados da África, o que fez aumentar o orçamento estipulado
pela United Artist. O curioso é
ver um filme em superprodução contando a vida e a paixão de Jesus inteiramente rodada em locações que foram cenários para inúmeros westerns, que serviu para muitas
cavalgadas e tiroteios. Um crítico americano chegou a ironizar, pois quem pode
prever o “Príncipe da Paz” e seus discípulos se depararem com malfeitores em
qualquer parada onde The Lone Ranger
(O Cavaleiro Solitário/Zorro) e Tonto também já cavalgaram?
A FIGURA
MÍTICA DO REDENTOR ATRAVÉS DE UM COWBOY.
Por incrível
que pareça, o fato que um dos trabalhos mais edificantes do diretor George
Stevens, Shane (Os Brutos Também Amam,
1952), além de um clássico do cinema de Western, também é uma parábola sobre a luta do bem contra o mal. O pistoleiro
vivido por Alan Ladd é um ser solitário, de origem desconhecida, chega a uma
cidade e liberta uma família de fazendeiros da opressão pecuarista. Nesta obra,
a figura mítica do Messias se
expressa no ato salvador e heroico de Shane, que após se redimir de seu passado
lutando contra e vencendo os opressores daquele local, segue seu destino solitário
de uma maneira melancólica, mas conseguindo operar uma transformação nas
pessoas, de uma forma redentorista. Logo, a figura de Shane já seria considerada uma pré-idealização do cineasta na
concepção de seu Cristo em A Maior
História de Todos os Tempos.
Segundo o
diretor, a história de Jesus é toda concentrada no conflito entre o bem com o
mal, onde o Filho de Deus enfrentou solitariamente
seus inimigos, e por isso, acabou sendo crucificado porque resolveu desafiar o
sistema opressor, promovido pelos romanos e judeus coniventes com a tirania.
 |
| Os discípulos caminhando pelo deserto. |
O EXCESSO
DE PERFECCIONISMO DO DIRETOR.
Não teve
como George Stevens passar do orçamento de um milhão de dólares para recriar a
cidade de Jerusalém. Além disso, empregou centenas de figurantes e técnicos, e
casas pré-fabricadas tiveram que ser construídas para eles nos arredores das
locações. Figurinistas tiveram que trabalhar correndo contra o tempo, com o
relógio a vista de todos, para vestirem grande parte do elenco que viveria os
discípulos e os demais seguidores do Nazareno, segundo um crítico maldoso, “todos
de branco como se fossem adeptos da Ku
Klux Klan em uma reunião de domingo”.
 |
| A "Cidade de Jerusalém" - um cenário suntuoso. |
Todos estes problemas fizeram com que o filme saísse em atraso, devido a
excesso de zelo e perfeccionismo de Stevens, que analisava detalhe por detalhe,
todo o aspecto da produção – desde o script,
que teve apoio de diversos roteiristas, entre os quais o poeta e escritor Carl
Sandburg (1878-1967), redigindo várias vezes, até os desenhos dos figurinos,
que ele mesmo elaborava com todo o primor. Entretanto, todos estes cuidados,
mesmo que impecáveis do cineasta, incomodava o elenco e atrasava o andamento das
filmagens.
 |
| OS DISCÍPULOS: David McCallum (Judas Iscariotes), João (John Considine), Michael Anderson Jr, e Gary Raymond |
O cast se queixava do estilo lento e
trabalhoso de filmar cena após cena do diretor, até que ele achasse que a
perfeição tivesse sido alcançada. Os atores começaram a sofrer queimaduras pelo sol
forte do deserto de Utah, e em uma manhã, uma nevasca atingiu o set de filmagem, deixando Stevens de
dirigir uma das cenas que se passaria na cidade de Jerusalém, onde já haviam
erguido uma cidade cenográfica. Apesar de toda a equipe pegar pá e retirar a
neve no local, foi impossível evitar uma segunda nevasca, ocasionando um atraso
ainda maior nas filmagens.
 |
| Joseph Schildkraut como Nicodemus, entre Victor Buono e Abraham Sofaer |
Por isso,
Stevens, incapaz de dirigir na locação, moveu a produção para seus estúdios, onde algumas
construções enormemente caras foram construídas para compensar a incapacidade
de trabalhar no local. Nesse tempo, teve que lidar com duas grandes perdas: a de
seu diretor de fotografia, William C. Mellor (1903–1963), que morreu de um
ataque do coração fulminante durante as filmagens (seu trabalho foi terminado
por Loyal Griggs, 1906-1978, antigo colaborador do cineasta em Shane); e a morte do ator vienense Joseph
Schildkraut (1896-1964), que atuava como Nicodemos na produção (em 1926, havia
vivido Judas Iscariotes no clássico Silent
“O Rei dos Reis”, de Cecil B.
DeMille). Ambas estas perdas ajudaram a agravar ainda mais o estado de saúde do
diretor, que já sofria de úlcera.
Finalmente,
a fita foi concluída, não sem uma pressão vinda da United. O resultado final
foi fortemente promovido como um espetáculo grandioso e de bom gosto,
visualmente bem requintado. Destaque para a beleza pictórica (consultoria a
cores do mestre Eliot Elisofon) e o esplendor lírico e dramático de uma
encenação suntuosa, ao custo geral de US$ 20 milhões de dólares – uma quantia exorbitante
na época – e recebendo cinco indicações ao Oscar em 1965. Mas isso não bastou
para que o filme se consagrasse como um dos melhores trabalhos de George
Stevens, e muito menos, que viesse a ser a versão definitiva da Vida e da Paixão
de Jesus Cristo segundo os propósitos do cineasta.
Stevens não
poupou esforços para requisitar um grande elenco para contar A Maior História de Todos os Tempos. O
sueco Mas Von Sydow, um dos atores favoritos de Ingmar Bergman e até então
pouco conhecido nos Estados Unidos, estava fazendo sua estreia em Hollywood como
Jesus.
 |
| O sueco Max Von Sydow estreando em Hollywood como Jesus Cristo |
Embora um ótimo ator e prestigiado internacionalmente, não teve carisma
necessário para o personagem. A pergunta que se fazia entre os espectadores nas
salas de cinema é como que os discípulos seguiriam um líder gélido como um
viking através do deserto? Para Von Sydow, é impossível fazer um filme sobre
Jesus:
-Como interpretar uma figura que desperta
tantos sentimentos apaixonados, muitas vezes contraditórios, de ódio, amor, fé,
e esperança? – Declarou Von Sydow, que continuou – Naturalmente é uma história impossível de se contar em um filme. E se
deseja conta-la, não deve agradar a ninguém, exceto a si mesmo. Basta decidir
qual a sua visão pessoal e tentar traduzir para um filme – disse anos
depois o ator Max Von Sydow.
Mas outras
escolhas de elenco vão desde o sublime ao ridículo. A fim de aumentar o apelo
de bilheteria, Stevens cometeu o erro em escalar muitos atores famosos para
papéis cameos (passageiros ou curtos).
A ideia do diretor era causar impacto nas cenas mais importantes do filme,
encenada por atores que certamente as plateias reconheceriam de imediatas. O
dispositivo de Stevens para isso foi usar muitos destes famosos em cenas de
multidão, fossem nos milagres de Jesus, ou na crucificação.
 |
| A Crucificação |
 |
| A entrada de Jesus em Jerusalém, no Domingo de Ramos |
O cineasta
esperava fielmente um retorno, e a reação do público desta forma: "Não é Sidney Poitier no meio da multidão? E
ao lado dele, não é Carroll Baker? Ou é o Pat Boone? " A cena torna-se
uma espécie de "Jesus no barco do
amor", com todas as celebridades envolvidas na multidão para
acompanhar o Redentor em sua jornada.
 |
| A Última Ceia |
 |
| Janet Margolin e Ina Balin são as irmãs de Lázaro |
 |
| Richard Conte é Barrabás |
Em destaque,
a sequência da ressurreição de Lázaro (Michael Tolan, 1925-2011) ao som de Aleluia de Handel, que é um dos grandes
momentos do filme. Ainda no elenco, nomes importantes como: Carroll Baker, como
Verônica, a mulher que enxuga o rosto de Jesus a caminho do Calvário; Richard
Conte (1910-1975) aparece numa única cena como Barrabás na prisão; Jose Ferrer
(1912-1992) como Herodes Antipas; Ina
Balin (1937-1990) e Janet Margolin (1943-1993) são respectivamente Marta e
Maria de Betânia, irmãs de Lázaro.
 |
| Van Heflin, Ed Wynn, e Sal Mineo, são os seguidores de Jesus de Nazaré |
 |
| Martin Landau como o Sumo Sacerdote Caifás |
 |
| Jesus (Max Von Sidow) salva Maria Madalena (Joanna Dunham) do apedrejamento |
O excelente Van
Heflin (1910-1971) como Bar Armand, um personagem retirado do livro de Oursler;
Martin Landau vive o Sumo Sacerdote Caifás; assim como Neremiah Persoff a viver
outro Sumo Sacerdote; Shelley Winters (1922-2006) numa passageira aparição como
a mulher curada por Jesus na multidão; a
inglesa Joanna Dunham (1936-2014) é Maria Madalena.
 |
| A inglesa Joanna Dunham como Maria Madalena |
 |
| Donald Pleseance é o "Demônio" |
 |
| Satã atiçando o povo a crucificar Jesus de Nazaré. |
Donald
Pleasence (1919-1995) vive Satã, que tenta Jesus no meio da noite, em seus 40
dias pelo deserto e que o perseguiria até o seu julgamento. Pleasence ainda
faria parte de outra obra cinematográfica retirada dos textos sacros segundo a
hagiologia cristã, a obra de Franco
Zeffirelli Jesus de Nazaré, de 1977,
onde personificou um dos Reis Magos, Melchior.
 |
| Charlton Heston é João Batista |
 |
| Charlton Heston, o maior destaque entre todas as atuações |
Charlton
Heston, o ícone do cinema épico, como João Batista, sendo o maior destaque de todas
as interpretações, embora não supere a atuação feita por Robert Ryan em Rei dos Reis, de Nick Ray e realizado quatro
anos antes.
 |
| Jose Ferrer é Herodes Antipas |
 |
| Telly Savalas como Poncio Pilatos |
 |
| Roddy McDowall é Mateus. |
Telly
Savalas (1922-1994) que raspou definitivamente o resto de seus poucos cabelos
para viver Pôncio Pilatos; David McCallum, esta sensacional como Judas; a
carismática e talentosa Dorothy McGuire (1916–2001), como Maria, mãe do
Redentor; Roddy McDowall (1928-1998) interpreta o apóstolo e futuro evangelista
Mateus; Victor Buon_____________________________________________________________________________________________________________________o
(1938-1982) como Sorak.
 |
| Dorothy McGuire como a Virgem Maria |
 |
| O fabuloso Claude Rains em seu último trabalho no cinema, como o Rei Herodes. |
 |
| Sidney Poitier como Simão Cirineu |
Angela
Lansbury aparece pouco (ou quase nada)
como Prócula, esposa de Pilatos; Claude Rains (1889-1967) se despedia das telas
de cinema aqui nesta obra, como o Rei Herodes o Grande; o querido Sidney
Poitier interpreta Simão Cireneu; O ídolo da juventude Pat Boone como o Anjo da Ressurreição, assim
como Sal Mineo (1939-1976) a viver um seguidor de Jesus.
 |
| Cirineu (Poitier) ajudando Jesus (Von Sydow) a carregar a cruz. |
 |
| David Hedison é o apóstolo Felipe |
Vale a pena
destacar as presenças de David Hedison (sim,o Capitão Crane da série de TV Viagem ao Fundo do Mar) a interpretar um
dos discípulos de Jesus, Felipe; Michael Ansara (1922-2013), que já vivera
Judas em O Manto Sagrado em 1953, era
agora o Comandante das Guardas de Antipas (José Ferrer), assim como Rodolfo
Acosta (1920-1974) a viver o capitão dos lanceiros do Rei Herodes (Claude Rains);
Robert Blake é Simão Zelotes; Robert Loggia (1930-2015) é São José; Mark Lenard
(1924-1996), Frank Silvera (1914-1970), e Cyril Delevanti (1897-1975) são os
Três Reis Magos; Tom Reese é Tomás, o apóstolo; Gary Raymond (de El Cid) como Simão Pedro.
 |
| Gary Raymond é Simão Pedro |
 |
| Marian Seldes como Herodiades |
Marian
Seldies (1928-2014) é Herodiades, esposa de Antipas; Michael Anderson Jr (filho
do cineasta Michael Anderson), na pele do jovem Jaime; Abraham Sofaer
(1896-1988) que já vivera Paulo de Tarso em Quo
Vadis em 1951, aqui interpreta José de Arimatéia; E Ed Wynn (1886-1966)
vivendo o velho Arão.
 |
| A Agonia do Cristo |
Como pode se perceber, um grande elenco foi escolhido para contar a maior de todas as histórias jamais apresentada em uma superprodução da Sétima Arte, onde Hollywood não voltaria por muito tempo a apostar as fichas em Jesus e investi-lo em altas somas de dinheiro, até o ano de 2004, quando Mel Gibson investiu na Paixão de Cristo, e o cinema americano voltou seu interesse, na forma tradicional, para o mais famoso personagem de todos os tempos.
JOHN WAYNE E O SEU DIÁLOGO PERANTE A CRUZ.
É justamente
na cena da crucificação que John Wayne (1907-1979) faz sua “impiedosa”
aparição. Ele é o centurião romano que supervisiona a crucificação de Cristo
desde o caminho da Via Dolorosa até o Calvário.Parece que
ele não tinha aprendido com sua experiência prévia em Sangue de Bárbaros, realizado em 1956, quando ele cometeu o erro em
fazer o papel de Genghis Khan para depois se arrepender. A visão de Ethan Edwards em empurrar o Príncipe da Paz para seu destino é mais
do que uma promoção para arrecadar na bilheteria e chamar a atenção das
plateias.
 |
| A Via Dolorosa - Jesus cumprindo seu destino, e atrás, supervisionado pelo centurião romano vivido por quem? |
 |
| Sim! John Wayne - um marketing para fins divulgação. Uma tentativa em faturar nas bilheterias, e criar o milagre da "arrecadação". Em vão. |
Mas para
mostrar como o bom e velho Duke é um
“sádico com uma alma de ouro”, finalmente estamos dispostos a assistir Wayne em
um de seus inesquecíveis monólogos na tela em The Greatest Story Ever Told, onde ele tem uma única fala e recita
Mateus (Capítulo 27 versículo 54) perante o Cristo crucificado: “Em Verdade, este Homem era mesmo o Filho de
Deus”.
 |
| Mesmo assim, John Wayne nunca perdeu o humor, onde aqui o vemos conversando com Sidney Poitier num intervalo das filmagens. |
Anos mais
tarde, o crítico John Simon mencionou a recitação inepta de Wayne,
de uma única fala, como prova de que um ator não deve tal agir se não se sente
apto para o papel. Contudo, o “diálogo” de Wayne na obra sacra de Stevens
serviu até mesmo para algumas anedotas em Hollywood. Supõe-se que o cineasta
havia instruído o Duke para repetir
sua fala com um tom de reverência e respeito.
 |
| John Wayne, numa atuação "inepta" segundo a crítica |
Contudo, não
deixa de ser interessante em ver o ícone dos Westerns e legítimo representante da macheza americana, e ídolo de
muitos dos amantes do cinema, em uma ponta diferenciada, afinal, John Wayne, é sempre John Wayne.
OUTROS DETALHES
 |
| Jesus (Max Von Sydow) no horto do Getsemani. |
-Não se trata de um simples espetáculo
bíblico ou variante de interpretação do Livro Sagrado, mas de um novo enfoque
de uma antiga história.
Assim
explicou George Stevens sobre A Maior
História de Todos os Tempos. O cineasta e produtor além de se servir do
famoso poeta, escritor, e historiador Carl Sandburg para a elaboração
do roteiro, ele examinou mais de 30 diferentes edições da Bíblia, consultando
líderes religiosos católicos, protestantes, judaicos, e até budistas.
 |
| Jesus prega para o povo |
Stevens
ainda teve como colaboradores na direção os cineastas David Lean (1908-1991) e
Jean Negulesco (1900-1993) em algumas cenas, mas estes não obtiveram crédito. A
Música também é outro ponto culminante, uma das últimas composições de Alfred
Newman (1901-1970), o mesmo compositor de A
Canção de Bernadette e O Manto
Sagrado, para o cinema.
 |
| Pilatos (Telly Savalas) se reunindo com os membros do Sinédrio. |
A Maior História de Todos os Tempos foi originalmente lançada com 225
minutos de duração (exibida no Brasil com 10 minutos a menos, a versão hoje a
disposição em DVD), mas a metragem original seria de 260, onde se precisaram
fazer alguns cortes. Em alguns países, foi lançado com 141 minutos, inclusive
na época do Vídeo Home System (VHS), foi esta a duração lançada no mercado de
vídeo.
 |
| Jesus e seu julgamento perante Pilatos |
Apesar de
toda sua beleza visual e da tentativa de mostrar uma veracidade histórica que
outros filmes sobre “a Paixão” não
haviam mostrado, acabou sendo prejudicado pelo excesso de personagens e pelo
exacerbado perfeccionismo do diretor, e a película não comoveu e nem foi bem sucedida
comercialmente. Este foi o penúltimo trabalho do cineasta George Stevens, que
encerraria sua primorosa filmografia apenas com mais um filme, em 1970, com Jogo de Paixões (The Only Game in Town).
Contudo, a
carreira deste cineasta foi uma das mais prolificas da Sétima Arte, e que não
teve que se envergonhar deste trabalho que sem dúvida foi singelo e bem intencionado, em face das brilhantes obras que soube
previamente conduzir com maestria para as telas, e que hoje são referências cult na cinematografia mundial, e seus
trabalhos na direção são o legado único e perpétuo de um grande cineasta, que fez História.
A MAIOR HISTÓRIA DE TODOS OS TEMPOS
(THE GREATEST STORY EVER
TOLD, 1965)
FOTOGRAFIA:
LOYAL GRIGGS E WILLIAM C. MELLOR (EM CORES)
ROTEIRO:
GEORGE STEVENS, JAMES L. BARRETT, E CARL SANDBURG, baseado nos Evangelhos e no
livro homônimo de Furlton Oursler.
TEMPO
DE DURAÇÃO: 199 MINUTOS (LANÇADO
ORIGINALMENTE EM 220 NOS ESTADOS UNIDOS)
DISTRIBUIÇÃO: UNITED ARTIST
MAX
VON SYDOW ______JESUS DE NAZARÉ
CHARLTON
HESTON_____JOÃO BATISTA
MICHAEL
ANDERSON JR___JOVEM JAIME
INA
BALIN_________MARTHA DE BETÂNIA
VICTOR
BUONO__________SORAK
RICAHRD
CONTE_________BARRABÁS
JOANNA
DUMHAN_____MARIA MADALENA
JOHN
CONSIDINE – APÓSTOLO JOÃO
JOSÉ
FERRER______HERODES ANTIPAS
VAN
HEFLIN_______BAR ARMAND
MARTIN
LANDAU______CAIFÁS
ANGELA
LANSBURRY_______PRÓCULA
PAT
BOONE__________O ANJO DA RESSURREIÇÃO
JANET
MARGOLIN_________MARIA DE BETÂNIA
DAVID
McCALLUM______JUDAS ISCARIOTES
DOROTHY
McGUIRE____MARIA, MÃE DE JESUS
NEREMIAH
PERSOFF____ SUMO SACERDOTE
DONALD PLEASENCE______SATÃ
SIDNEY POITIER_______SIMÃO CIRINEU
CLAUDE RAINS______ REI HERODES
TELLY
SAVALAS_____ PILATOS
JOSEPH
SCHILDKRAUT_____NICODEMOS
JOHN
WAYNE ___O CENTURIÃO DA CRUCIFICAÇÃO
SHELLEY
WINTERS______A MULHER CURADA
RODOLFO
ACOSTA – CAPITÃO DOS LANCEIROS
MICHAEL
ANSARA – COMANDANTE DE HERODES ANTIPAS
ROBERT
BLAKE – SIMÃO SELOTES
MARK LENARD – MAGO BALTHAZAR
MARIAN
SELDES – HERODIADES
FRANK
SILVERA – MAGO GASPAR
CYRIL
DELEVANTI – MAGO MELCHIOR
ABRAHAM
SOFAER – JOSÉ DE ARIMATÉIA
HAROLD J. STONE – GENERAL VARUS
MICHAEL TOLAN – LÁZARO
 |
| Divulgação do lançamento do filme em um jornal carioca, setembro de 1966. |
PRODUÇÃO
E PESQUISA DE PAULO TELLES
As Maiores Trilhas Sonoras da Sétima Arte, e em todos os tempos!
Você somente encontra no
CINE VINTAGE..
Todos os domingos, às 22 horas.
SINTONIZE A WEB RÁDIO VINTAGE:
REPRISE DO PROGRAMA NAS
QUINTAS FEIRAS (22 horas)
SÁBADOS (17 HORAS)
Telles,
ResponderExcluirAssisti a esta enorme película há pouco tempo, depois de adquiri-la em HD.
Existe muito a dizer sobre este filme, mas ainda acho que o Stevens não deveria ter tido tanto trabalho nesta produção, rica em elenco, porém pobre em muitos detalhes.
Lutei muito, no entanto não consegui ver o Duke por aqui. Sinal de que tantos grandes astros fazendo pequenos personagens não atingiram o ponto desejado pelo excelente diretor de Shane.
Outro fator que não captei foi o cenário do Oeste americano no filme, fato que somente hoje tomei ciencia. Isso, claro, um fator positivo para o mestre Stevens que, de alguma maneira conseguiu camuflar, para leigos em cenários como eu, onde seu filme foi rodado em sua maioria.
A fita enorme de O Mais Longo dos Dias, mesmo tendo diversos diretores e um elenco composto também por um rosários de figurões, obteve mais visualização destes que no filme do Stevens.
O mais ideal e lógico seria ele, ao inves de apresentar tantos rostos conhecidos numa produção deste gênero, fazer justamente ao contrario, o que, de certa forma, daria um contorno de mais originalidade ao que fez.
Não existe como fazer comparações entre o melhor filme dentro do gênero, que foi para mim, sem qualquer sombra de duvidas O Rei dos Reis/61, com a fita do Stevens, mesmo este sendo um bom filme.
A começar pelo personagem básico da historia, que em O Rei dos Reis foi grandemente entregua a J Hunter. E este deu conta perfeita e indiscutivelmente do papel. Fator que não podemos considerar de validade no desempenho gélido e sem sal do Max Von Sydow, embora suas desculpas para o resultado sem tempero de seu Cristo não funcionem.
A verdade mais pura e verdadeira é que ele não tinha mesmo o carisma exato para o papel como o Hunter o teve.
O João Batista do Ryan não se assemelha ao do Heston nunca, apesar deste astro ter tido um desempenho até bem aceito. Porém, não se pode brincar com a arte do velho Ryan interpretar o brigão, intolerante, reclamão e ousado João Batista. Aquilo ali foi papel para Oscar, assim como o do Hunter e até mesmo os de Barrabás e de Herodes Antipas que, dirigidos pelo Nicolas Ray todos funcionaram com brilhantismo.
A fita do Stevens é bem feita em termos de aprimoramento e visão. O homem foi um diretor detalhista e sumariamente exigente naquilo que imaginava e queria que fosse filmado.
Em Shane/53, que tem apenas cerca de 2 horas, somente em uma pequena cena, que foi a que o Ladd atira numa pedra aos olhos do pequeno Joey, esta foi filmada até o esgotamento dos componentes da mesma até o ponto em que o diretor achou que ela ficara perfeita.
Comparemos então com diversas cenas de seu filme biblico de 220 min,o que não penaram os atores para deixarem muitas cenas nos pontos desejados pelo diretor. Podemos aí avaliar a trabalheira que foi criar tão grandioso filme com um perfeccionista diretor como o Stevens.
jurandir_lima@bol.com.br
Fala meu nobre baiano! Finalmente depois de exato um mês, consigo responder a seu comentário!
ExcluirVc tem toda razão em suas linhas. É pertinente mesmo em lembrar o grandioso O MAIS LONGO DOS DIAS, filme de três diretores que foi um projeto faraônico do lendário Darryl F. Zanuck, filme este que concorreu ao Oscar de melhor filme em 1962, mas perdeu para LAWRENCE DA ARÁBIA. Contudo, sua produção foi igualmente beneficiada por uma constelação de estrelas, mas Zanuck sabia que só isso não seria suficiente. Mas com Stevens para elaborar sua versão definitiva para a Vida de Jesus, já foi algo muito mais complicado. Mesmo com sua beleza pictórica e a impecável fotografia, A MAIOR HISTÓRIA DE TODOS OS TEMPOS foi prejudicado pela metragem e pelo excesso de personagens.
Realmente, não dá para ver nem John Wayne. Talvez a maior polêmica sobre o filme em si seja sua participação cameo, onde ele não abre a boca, fica parado feito uma estátua. Isso acabou virando até uma anedota que acompanhou o ator até o fim da vida.
Sem dúvida, Von Sydow não se sobressai como Jesus, apesar dos esforços. Um ator de envergadura em muitos dos filmes de Ingmar Bergman e de grande popularidade em sua terra natal, astro de O SÉTIMO SELO, contudo sua expressão de ternura e carisma necessário para o papel não são espontâneas.
REI DOS REIS, de Nicholas Ray, realizado em 1961, bate de goleada contra a obra de Stevens. Embora com poucos atores conhecidos, como Jeffrey Hunter, Rip Torn, e o mais famoso, Robert Ryan, e ainda tendo os astros espanhóis Carmen Sevilla (como Madalena) e Antonio Mayans (que faz o jovem apóstolo João, e é meu amigo no facebook), ainda assim foi mais BEM AVENTURADA do que The Greatest Storie Ever Told. Em 1977, Franco Zeffirelli realizou o fascinante JESUS DE NAZARÉ, que para o gosto cinematograficamente popular, acabou se tornando para muitos uma versão definitiva dos evangelhos.
O penúltimo filme de Stevens “pecou”, talvez, pelo excesso de grandiosidade.
Abraços, amigo!
Foi o melhor filme de Jesus que ja vi. Achei o interprete maravilhoso, e com detalhes do longa onde nunca tinha visto em outro. Esse filme conta uma historia mais aprofundada de JESUS, e grande atores como do elenco, fazendo papeis menoresnao desmerece ninguem. As criticas sao validas, mas dizer que esse ator nao trabalhou bem, foi no minimo, uma infelicidade muito grande. Grande filme, grande ator, e VIVA SEMPRE, SEMPRE JESUS, NO CORAÇAO DE TODOS.
ExcluirOlá Maurício.
ExcluirTodas as opiniões são válidas. Muito normal creditar que uma interpretação como a de Max Von Sydow seja grandiosa nesta mega-produção, mas em nenhum momento foi dito que ele seja mal ator, muito pelo contrário. Foi o primeiro trabalho dele em Hollywood, saído da Suécia, onde se consagrou como astro dos filmes do diretor Ingmar Bergman. A atuação dele em THE GREATEST STORY EVER TOLD foi prejudicada também pela entonação de seu inglês, sendo ainda bem percebido seu sotaque sueco. Mas o filme, apesar de uma produção caprichosa, bem elaborada, e com uma fotografia suntuosa, teve no início muitos problemas, justamente pelo perfeccionismo exagerado de seu diretor, George Stevens (que foi um dos grandes cineastas do século 20), e tanto excesso de perfeição em sua grande parte não ajuda, só estraga. Sydow nem teve tempo de aperfeiçoar melhor seu inglês (bem mais aprimorado tempos depois quando fez o Padre Merlin em O EXORCISTA).A MAIOR HISTÓRIA DE TODOS OS TEMPOS não teve sucesso nas bilheterias por conta de seu excesso de duração e de personagens.
Obrigado por participar. Saudações do editor.