sexta-feira, 23 de dezembro de 2016

A Felicidade Não Se Compra (1946): O Espírito Natalino de Frank Capra.


É tempo de Natal. Época em que as pessoas costumam presentear aquelas que estimam, decoramos nossas casas com árvores de natal e presépios, e não dispensamos uma ceia. Parece uma época em que as pessoas esquecem um pouco do digladio do dia a dia. Entretanto, o cinema e a TV hoje produzem filmes em maior escala sobre o tema nos últimos vinte anos. Mas há 70 anos, tempo em que foi realizado A Felicidade Não se Compra (It's a Wonderful Life), produzido em 1946 e obra prima de Frank Capra (1897-1991), havia poucas produções a respeito nas telas de cinema. As salas de exibição neste período do ano exibiam produções bíblicas ou histórias ligadas ao cristianismo, algo que também perdurou na televisão por algum tempo. 


O Diretor Frank Capra, o "autor" de
A FELICIDADE NÃO SE COMPRA (1946)
Frank Capra foi um cineasta singelo, que abordou o espírito de boa fé e a integridade do ser humano em suas obras. Basta vermos O Galante Mr Deeds, A Mulher Faz o Homem, Do Mundo nada se Leva, e Adorável Vagabundo, alicerces da cinematografia do grande componente do diretor. Seus heróis creem na bondade e na honestidade humana, onde se caracteriza a luta do bem contra o mal, e mesmo que sofram com isso, eles não abandonam suas convicções. Em A Felicidade Não Se Compra não é exceção, pois se eternizou na memória de muitos apreciadores da Sétima Arte e também daqueles que de forma incessante buscam uma vida mais feliz. E quem não quer ser feliz? É possível ser feliz? estas são algumas das interrogações que fazemos em nossas entrelinhas durante toda a projeção da fita, aliás, a preferida deste grande cineasta. 


O diretor Capra e seu astro, James Stewart, papeando numa pausa das filmagens.
Foi produzido pela firma independente Liberty, de Frank Capra e William Wyler, que faliu justamente porque A Felicidade não se Compra não se deu bem nas bilheterias. Como os direitos autorais não foram renovados, o longa caiu em domínio público em 1974 e, dessa forma, foi exibido inúmeras vezes na TV americana, especialmente na época de Natal, criando uma reputação de clássico. A versão oficial que se tem em DVD e Blu-Ray pertence hoje a Republic (que distribui pelo selo da Paramount). Apesar do fracasso, o filme chegou a ser indicado ao Oscar de melhor filme, diretor (Capra), ator(James Stewart) e montagem (William Hornbeck, 1901-1983).


James Stewart é George Bailey, um
"Boa-Praça" que gosta de ajudar as
pessoas.
Donna Reed é Mary Hatch, sua namorada,
depois esposa.


James Stewart (1908-1997, em seu primeiro filme depois de seu retorno da II Guerra) e Donna Reed (1921-1985) são as estrelas de uma história que, talvez, muitos de nós gostaríamos de viver. Entretanto, nem tudo são flores. Há empecilhos, desvios, provações, erros e problemas como na vida de qualquer mortal. O que fundamenta nesta magnífica obra de Capra é a humanidade nas relações pessoais e sociais, que podem causar danos por interesses de alguns mal intencionados, motivados pela individualidade e o egoísmo. A ambição, que costumeiramente envenenam ambientes, seja na família ou no trabalho, dá espaço para relações mais fraternas, altruístas, e solidárias a partir da ação de pessoas comuns, e em gestos comuns.


George e Mary dançam na pista, prestes
a se abrir e prontos a cair na piscina.
Não é à toa que Capra tinha um carinho todo especial por este filme mais do que os demais que dirigiu. Até quase ao fim de sua vida, em 1991, tinha o costume de convidar amigos pessoais juntando toda a família para assistir no cinema de sua casa ao seu original em 35 mm em toda véspera de Natal. Filmado em preto & branco, o cineasta chegou a enfartar quando viu sua obra sendo colorizada por computador, um modismo que penetrou nos anos de 1980 e que colorizou outros clássicos das décadas de 1940/50 (como Casablanca, por exemplo), e até James Stewart, o astro da película, protestou. De qualquer forma, A Felicidade Não Se Compra não envelheceu, capaz até hoje de fazer com que o espectador se identifique com qualquer um dos personagens ou mesmo com toda a situação do enredo.

Thomas Mitchell, de óculos, é o Sr. Billy, tio de George.
O Policial Bert (Ward Bond) e o motorista Ernie
(Frank Faylen), amigos de George.


O verdadeiro "amor ao próximo" não precisa vir em embalagens vistosas, assim prega a fita. Através de gestos simples de nosso cotidiano, se pudermos ser apenas mais cordiais com as pessoas, já forma por si só uma ação poderosa. Adicionar um pouco de esperança e otimismo no nosso dia a dia pode representar muito para as pessoas que convivem com as outras, seja na família, no trabalho (principalmente), ou nas nossas relações sociais.

Lionel Barrymore (sentado) é o Sr. Potter,
que apesar de estar preso a uma cadeira de
rodas, é um homem avarento e individualista.
Henry Travers é Clarence, anjo de guarda
de George, prestes a ganhar suas asas.
A alegria, a capacidade de superação, a fé e a valorização da vida e de tudo aquilo que somos, e que representamos para outras pessoas, tem que ser o pilar de nossas vidas. E eis que vem uma lição poderosa nesta obra de Capra, onde reside a ideia de nossa importância na vida das pessoas e de nossos amigos, pois ela pode afetar de modo positivo a vida delas. Naturalmente, jamais agradaremos toda a Humanidade, afinal, nem Jesus Cristo agradou a todos. Entretanto, sempre poderemos ser reconhecidos por nossos valores, seja por amigos, parentes e colegas de trabalho, e sem dúvida, a vida de um indivíduo seria bem diferente se não pudesse ele existir e fazer do dom de sua vida toda a diferença.


Gloria Grahame é Violet, ex-namorada
de George.
Todos os amigos de George reunidos na
noite de Natal, prontos para ajuda-lo
em momento crucial.


Um sonho acompanha a trajetória do jovem George Bailey (James Stewart) desde seus anos de infância. Sua vida foi marcada por inúmeros percalços que tendem de tudo para não permitir que suas aspirações se concretizem. Desde cedo, quando ainda era menino, George consolida sua vida como a de uma pessoa que está por perto para ajudar ao próximo. Não de forma totalmente consciente do valor dessa participação fraterna e solidária. Desprovido de qualquer busca de valorização ou reconhecimento em função de suas ações, movido somente pelo belo coração que possui.

Apesar de George ser prestativo com todos,
ele tem momentos de incertezas e dúvidas...
dúvidas estas que logo serão descartadas
quando ele conhecer o espírito da felicidade. O mundo é maravilhoso.
Por esse motivo, George é capaz de ajudar pessoas, como o farmacêutico manipulador de remédios, Sr. Gower (H. B. Warner, 1875-1958), ou ainda salvando a vida de seu irmão mais novo. Sua grandeza é realçada na defesa de pessoas pobres que com dificuldade tentam construir o grande sonho de suas humildes vidas, ter uma casa própria. Nesse sentido, apesar do desconforto dessa situação, George assume a empresa de seu pai, e é deste, inclusive, que ele herda as nobres convicções de justiça e compaixão, abdicando dos lucros em favor de uma vida modesta desde que isso lhe garanta a paz.


Em alguns momentos, George perdeu a fé.
Suas alegrias, apesar de alguns contratempos, ou pela deslealdade e individualidade do homem mais rico da cidade, o senhor Porter (Lionel Barrymore, 1878-1954), são ainda maiores a partir de seu casamento com a fiel Mary (Donna Reed) e com o nascimento dos filhos. Nesse momento tudo parece caminhar para um final feliz. É quando o acaso resolve lhes pregar uma peça e faz com que o dinheiro que garantiria os saldos e o cumprimento dos contratos de sua empresa simplesmente desaparece.


Mas a fé no amor e nas pessoas reacendeu no
espírito de George Bailey nesta noite de Natal.
Acuado pelas dívidas e pela possibilidade de ser preso, George fica desesperado e pensa em tirar sua vida para resgatar um seguro de vida que poderia assegurar a sobrevivência de sua empresa e a reputação de sua família É aí que entram os questionamentos. O que fazer quando sua vida parece não ter valido a pena? E se eu não tivesse nem ao menos existido, tudo seria muito melhor, não seria? Será que a minha vida foi de alguma forma importante para alguém?

A FELICIDADE NÃO SE COMPRA (1946): Obra
de Frank Capra.
Com toda essa inocência terna e sincera, A Felicidade Não Se Compra é até hoje um dos mais belos filmes de todos os tempos, sendo despontado numa lista entre os melhores 45 filmes na categoria "valores humanos" de acordo com o Vaticano (que realizou uma lista de 100 melhores filmes em 1995, ano do Centenário da Sétima Arte), pois trata de temas importantes com simplicidade e de maneira tocante sem nunca parecer piegas ou pueril. Seus personagens perfeitos não caem na chatice ou na antipatia, e sim funcionam como o perfeito exemplo de como uma pessoa altruísta pode ser. Em um mundo capitalista de como era o de 1946 (ano de sua produção), pós-crise de 1929 e o início da reconstrução após a Segunda Guerra Mundial, e num mundo hoje todo que individualista, devíamos refletir em pleno século XXI sobre o que Capra (um verdadeiro visionário) queria nos dizer naquele tempo, sobre os verdadeiros valores da vida e das boas relações com o próximo.


Thomas Mitchell, Dona Reed, Jimmy Stewart, Beulah Bondi: A FELICIDADE NÃO SE COMPRA.
Partindo dessa ideia, a de que nossa existência é fundamental para o equilíbrio e para a felicidade de muitas outras vidas, que Frank Capra consolida um dos mais celebrados clássicos do cinema mundial. No elenco, destaques para Thomas Mitchell (1899-1961), Ward Bond (1903-1960), e Gloria Grahame (1923-1981).No Brasil, o filme estreou a 14 de fevereiro de 1947, fez tanto sucesso em nossas salas que ficou quase 20 anos seguidos em cartaz. Um filme para curtir e apreciar, que consegue sobrepujar as ações do tempo. Afinal, como condiz seu título original, a vida é maravilhosa, apenas depende de nós e de nossas atitudes para com o semelhante. Assim prega o inesquecível diretor Frank Capra.

Divulgação do filme nas salas do Rio de Janeiro
em reprise na década de 1960.


FICHA TÉCNICA
A FELICIDADE NÃO
SE COMPRA

(It's a Wonderful Life)

Ano de Produção: 1946
Direção: Frank Capra
Gênero: Comédia dramática
Roteiro: Frances Goodrich, Albert Hackett, Frank Capra, Jo Swerling, baseado em história de Philip Van Doren Stern.
Produção: Frank Capra, para a RKO
Música: Dimitri Tiomkin
Fotografia: Joseph F. Biroc, Joseph Walker, Victor Milner. Em Preto & Branco.
Metragem: 130 minutos.



ELENCO PRINCIPAL:

James Stewart – George Bailey
Donna Reed – Mary Hatch
Lionel Barrymore – Sr. Porter
Thomas Mitchell – Tio Billy
Henry Travers – Clarence, o anjo
Beulah Bondi – Senhora Bailey, mãe
Frank Faylen – Ernie
Ward Bond – Bert
Gloria Grahame – Violet
H. B. Warner – Sr. Gower
Samuel S. Hinds – Sr. Bailey, pai
Jack Albertson - Sam Wainwright



PRODUÇÃO E PESQUISA DE
PAULO TELLES
FELIZ NATAL!!!
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sexta-feira, 16 de dezembro de 2016

Kirk Douglas: A Vida e a Carreira do Último Durão da Sétima Arte.

Kirk Douglas, lenda da Sétima Arte, completou em 9 de dezembro de 2016 seu centésimo aniversário. Entre os grandes ídolos das telas, Douglas tem incontestável lugar no rol dos grandes astros de Hollywood. Ele conduziu sua carreira vitoriosa graças a força de sua inteligência e tenacidade, obstáculos que teriam derrubado outros mais fortes do que ele. Astro de grandes clássicos da história do cinema, como Sem Lei e Sem AlmaHomem Sem RumoDuelo de TitãsA Montanha dos Sete AbutresGlória Feita de SangueSete Dias de MaioUlyssesChaga de FogoSpartacus, entre outros - foi um ator prolífico que cativou  por mais de seis décadas. Kirk trabalhou com grandes cineastas, como Stanley Kubrick, Billy Wilder, William Wyler, Vincente Minnelli, Raoul Walsh, Anthony Mann, Robert Aldrich, Michael Curtiz, Brian De Palma, entre outros. Ele jamais ganhou um Oscar por suas atuações embora indicado três vezes ao prêmio (exceto um honorário em 1996 agraciado pelo conjunto da obra), mas se tornou um dos maiores campeões de bilheteria de todos os tempos, amado por fãs do mundo inteiro.  Retrospectiva da vida e carreira deste grande ídolo das telas que nos deixou aos 103 anos em 5 de fevereiro de 2020. Com vocês:




KIRK DOUGLAS
Ator, Produtor, Diretor, Escritor. 
Por Paulo Telles
MATÉRIA ATUALIZADA EM 7 DE AGOSTO DE 2020

Issur Danielovitch, que o mundo conhece como KIRK DOUGLAS, nasceu a 9 dezembro de 1916 em Amsterdam, Nova Iorque. Seus pais, lavradores judeus-russos, originários de uma vila ao sul de Moscou, chegaram aos Estados Unidos em 1910. A saga de Kirk é típica da expressão dos farrapos à fortuna, e Amsterdam é o nome de uma pequena cidade onde ele nasceu no Vale de Mohawk, a trinta milhas de Albany, capital do estado de Nova Iorque. Douglas era o único menino entre as seis filhas de um casal de imigrantes analfabetos russos. Por conta das fábricas em Amsterdam não darem empregos para judeus, seu pai passou a vida negociando ferro velho.

O jovem Kirk aos 16 anos.
Douglas lembraria tempos depois: “Quando garoto, eu vendia balas e pipocas aos trabalhadores de moinhos por estas redondezas. Assim eu podia comprar leite e pão para que minha família tivesse sua sobremesa a noite. Tudo que tínhamos para ser consumido não deixávamos sobrar nem um pouquinho, e esse hábito eu preservo até hoje” – Conta Douglas em uma entrevista filmada em 1979. Com a idade de treze anos, Kirk, ou melhor, o menino Issur, começou a trabalhar para poder estudar. Em sua ambição em mudar de vida, contava com o apoio e o encorajamento da mãe, Bryna. E sem dúvida, trabalhou muito para vencer. Em sua infância e juventude, além da pobreza, os inimigos maiores eram a fome e o antissemitismo, e talvez o pior: seu pai, em não encoraja-lo ou salva-lo do afogamento da suavidade e maciez de sua mãe e de suas irmãs. 

Kirk aos 21 anos.
Kirk nos tempos de universidade.
Entretanto, depois de uma fase de muito esforço e tenacidade na St. Lawrence College onde tirou seu diploma é que pôde ingressar na Academia de Arte Dramática de Nova Iorque. Quando ficou adulto, Douglas voltou-se compulsivamente para a sedução. Em 1989, quando lançou sua autobiografia, The Ragman’ Son (no Brasil, O Filho do Trapeiro), ele afirma que se sentia ameaçado e perseguido por ele mesmo desde a infância. Essa imagem aparece grifada o tempo todo em seu livro, onde reafirma sua fraqueza e vulnerabilidade. Contudo, nem só de traumas viveu Kirk em relação a família. Ele sempre admitiu que seus pais lhe deram também armas para vencer na vida e lutar. Douglas possuía coordenação motora que permitiu a ele ser campeão de luta livre na universidade (modalidade esportiva de combate que usou em Ulysses em 1954) e até mesmo lhe possibilitaram ser seu próprio dublê em algumas cenas perigosas para o cinema.  Havia nele o Sex Appeal que o tornava irresistível não apenas para as mulheres (que ele nunca conseguia resistir), mas também para as plateias de todo o mundo que faziam fila para ver suas dezenas de filmes.

Kirk e sua primeira esposa, Diana.

Diana e Kirk, e os filhos Michael e Joel
Depois de sua graduação na Academia de Artes Dramáticas, chegou a Broadway onde apareceu em alguns shows. Em 1943, casou-se com Diana Dill Douglas, quando ambos ainda eram estudantes de Arte Dramática em Nova Iorque. Seu filho, o igualmente futuro astro Michael nasceu em 1944, e em 1947, nasceria Joel. Kirk e Diana se divorciaram em 1951.  Em 1954, Kirk se casa com Anne Douglas, que lhe deu mais dois filhos, Peter (nascido em 1955) e Eric (nascido em 1958 e morto em 2004, por overdose acidental).

Kirk e sua segunda e atual esposa Anne, e os filhos
Nem tudo saiu como Kirk planejava em sua vida. Ele lamenta, por exemplo, de não ter se tornado um “grande astro dos palcos americanos”. Queixa-se de ter sido mal tratado por alguns colegas de trabalho e sempre tentou, frequentemente com sucesso, acertar as contas (em especial, com Burt Lancaster). A vida de Kirk Douglas não é como um roteiro de um filme de segunda classe, mas como seus trabalhos mais duradouros do cinema, sempre em busca de algo tão cheia de energia e compromissos quanto um punho fechado para um soco. 


A ESTRÉIA EM HOLLYWOOD
Os Primeiros Filmes
Kirk em seu primeiro filme: O TEMPO NÃO APAGA (1946),
Antes de ingressar na Marinha durante a II Grande Guerra, Kirk, que já tinha o nome artístico de Izzy Demsky, mudou legalmente para “Kirk Douglas”. Com o fim da Guerra, Douglas voltou para Nova Iorque, onde começou a atuar no rádio e em comerciais de televisão, enquanto tentava entrar para a Broadway.Com a ajuda de sua amiga e colega de St. Lawrence, Lauren Bacall (1924-2014), já estrela em Hollywood e casada com Humphrey Bogart (1899-1957), Kirk consegue seu primeiro papel, no filme O Tempo Não Apaga (The Strange Love of Martha Ivers), de Lewis Millestone (1895-1980), estrelado por Barbara Stanwick e Van Heflin em 1946. Kirk contava com 29 anos de idade. 

Com Barbara Stanwyck e Van Heflin: O TEMPO NÃO APAGA (1946).
Abraçado a Rosalind Russell, observados por Michael Redgrave e Nancy Colleman: 
CONFLITO DE PAIXÕES (1947)
A estreia de Kirk gerou admirações e elogios por parte da crítica e do público, mas até que seu nome fosse definitivamente consagrado pelas plateias, o jovem e iniciante ator partiu para papéis menores, como em Conflito de Paixões (Mourning Becomes Electra), de Dudley Nichols, com Rosalind Russell e Michael Redgrave, em 1947, e Fuga Ao Passado (Out of the Past), noir expressivo dirigido por Jacques Tourneur e estrelado por Robert Mitchum e Jane Greer. Nesta fita, Douglas já era o terceiro nome principal do elenco.

Kirk no primeiro filme em parceria com Burt Lancaster:
ESTRANHA FASCINAÇÃO (1948) - Com Lizabeth Scott.
Com Robert Mitchum: FUGA AO PASSADO (1947)

Com Linda Darnell e Paul Douglas: QUEM É O INFIEL (1949)
Em 1948, Douglas inicia uma parceria com o ator Burt Lancaster (1913-1994), que tornaria seu colega em mais seis filmes, em Estranha Fascinação (I Walk Alone), dirigido por Byron Haskin tendo Lizabeth Scott como a mulher com quem os dois disputam. Ainda no mesmo ano, Kirk investe em uma comédia romântica, Minha Secretária Favorita (My Dear Secretary), de Charles Martin, ao lado de Laraine Day e Keenan Wynn. Em 1949, Douglas encabeça no drama romântico Quem é o Infiel (A Letter to Three Wives), de Joseph L. Mankiewicz, com as beldades Jeanne Crain, Linda Darnell, e Ann Sothern.


O INVENCIVEL (1949)
A consagração em Hollywood e a Primeira Indicação ao Oscar.

Kirk é O INVENCÍVEL (1949): Primeiro papel de consagração.

O nome de Kirk Douglas se consagrou em definitivo nas telas do cinema através de um dos maiores filmes sobre o submundo do Boxe, O INVENCÍVEL (Champion, 1949), dirigido por Mark Robson (1913-1978). Com Douglas, ainda atuam Arthur Kennedy (1914-1990), Marilyn Maxwell (1920-1972) e Ruth Roman (1922-1999). 


Com Marilyn Maxwell: O INVENCÍVEL (1949)

Com Ruth Roman: O INVENCÍVEL (1949)
Baseado em conto de Ring Lardner Jr (1915-2000), o filme levou Douglas ao estrelato e a sua primeira indicação ao Oscar de Melhor Ator em 1949. A ascensão e a glória de um pugilista ambicioso e sem escrúpulos, Midge Kelly (Douglas), em uma linguagem ríspida e não expressionista. 

         A DÉCADA DE 1950
Com Doris Day: ÊXITO FUGAZ (1950)
Após o estrondoso sucesso de O Invencível, Kirk inicia os anos 50 com um sucesso atrás do outro. Êxito Fugaz (Young Man with a Horn) de Michael Curtiz em 1950, como um jovem trompetista dividido no amor entre Lauren Bacall e Doris Day. Em 1951, Douglas estrela seu primeiro Western, Embrutecidos pela Violência (Along the Great Divide), de Raoul Walsh, ao lado de Virginia Mayo e Walter Brennan. 

EMBRUTECIDOS PELA VIOLÊNCIA (1951): O Primeiro
Western de Kirk, com Virginia Mayo.
A MONTANHA DOS SETE ABUTRES (1951) de Billy Wilder.

Ainda em 1951, Kirk estrela o que é considerada uma de suas melhores performances, no clássico A Montanha dos Sete Abutres (The Big Carnival, 1951), do diretor Billy Wilder (1906-2002). Douglas, no papel do jornalista Charles Tatum, ser decadente e irresponsável que é redator de um único jornal da região de Albuquerque, Novo México, que para conseguir um furo de reportagem e resgatar seu prestígio profissional, é capaz de prolongar a agonia de um homem, enterrado vivo numa mina que desabou. 

CHAGA DE FOGO (1951) de William Wyler. Com Eleanor Parker

Ainda em 1951, Douglas se desataca em outro drama clássico, desta vez dirigido pelo mestre William Wyler (1902-1981): Chaga de Fogo (Detective Story, 1951), policial tenso e amargo, extraído da peça de Sidney Kingsley, encenada com sucesso na Broadway. Embora defasado pelo tempo, o filme conserva-se intacto graças as virtudes que fizeram de Willer um dos maiores narradores da Sétima Arte. Douglas vive um policial atormentado com sua profissão, que muda seu código de conduta depois de lidar durante anos com marginais e corruptos, e que ainda sofre com as dúvidas de seu casamento e com o passado da esposa, vivida por Eleanor Parker (1922-2013). 

O RIO DA AVENTURA (1952), com Dewey Martin
Em 1952, Douglas estrela outros dois faroestes:  O Rio da Aventura (The Big Sky, 1952) de Howard Hawks (1899-1977), e A Floresta Maldita (The Big Strees, 1952), de Felix E. Feist. 
Com Lana Turner: ASSIM ESTAVA ESCRITO (1952).

No mesmo ano de 1952, Kirk estrelou um dos maiores dramas sobre os bastidores de Hollywood contada por um dos maiores cineastas da história, Vincente Minnelli (1903-1986), Assim Estava Escrito (The Bad and the Beautiful, 1952), ao lado de Lana Turner (1921-1995). Um dos mais ousados e maiores sucessos na abordagem à Hollywood e ao mundo do cinema foi  corajosamente produzido por John Houseman (1902-1988) e conquistou cinco Oscars, incluindo de melhor atriz coadjuvante para Gloria Grahame (1924-1981).

ULYSSES

Kirk Douglas é ULYSSES (1954)

Superprodução de Dino De Laurentiis (1919-2010) e Carlo Ponti (1912-2007), Ulysses (Ulisse, 1954) foi o primeiro filme que Kirk Douglas atuou fora de Hollywood. Épico mitológico rodado em estúdios de Cinecittá, em Roma, e também em locações no Mediterrâneo, o filme sintetiza os episódios do herói mitológico Ulysses, numa fantasia cinematográfica de grande envergadura espetacular. 

Com Silvana Mangano: ULYSSES (1954)

Enquanto sua esposa Penélope (Silvana Mangano, 1929-1989) permanece em Ítaca, Ulysses passa dez anos combatendo na Guerra de Troia. Após invadir esta cidade com suas tropas ocultas num colossal cavalo de madeira, Ulysses sofre um naufrágio, perde a memória, e é acolhido por uma bela princesa, Nausicca (Rosana Podestà, 1934-2013). No entanto, ele recupera a memória, sua tripulação, e embarca em outras aventuras, inclusive enfrentando o gigantesco Ciclope, o monstro de um olho só. E decididamente, Ulysses volta a Ítaca para salvar a esposa e recuperar suas posses. Dirigido por Mario Camerini (1895-1981), Ulysses foi assinado por seis roteiristas, entre os quais os conceituados Ben Hecht (1894-1964) e Irwin Shaw (1913–1984).

Em combate de Luta Livre com o lutador profissional italiano
Umberto Silvestri em ULYSSES (1954)

 20000 LEGUAS SUBMARINAS 
Walt Disney mostra a Kirk Douglas um modelo em maquete do
famoso Naútilus do Capitão Nemo para divulgação de

20.000 LÉGUAS SUBMARINAS (1954).

Em 1954, Kirk atuou para uma produção dos estúdios Walt Disney (1901-1966), 20.000 Léguas Submarinas (20,000 Leagues Under the Sea, 1954), dirigido por Richard Fleischer (1916-2006), reunindo grandes nomes no cast, como James Mason (1909-1984), Peter Lorre (1904-1964) e Paul Lukas (1891-1971). 

Kirk Douglas como Ned Land, e James Mason, Peter Lorre,
Baseado no célebre romance escrito em 1870 por Júlio Verne (1828-1905), Douglas vive o cínico e destemido Ned Land, que entra em conflito com o Capitão Nemo, vivido por Mason. Uma característica marcante em Kirk no papel é que ele canta e toca banjo, o que ele faria novamente em outro trabalho, o western Homem Sem Rumo, no ano seguinte.


KIRK DOUGLAS:
MAN OF THE WEST
Com William Campbell: HOMEM SEM RUMO (1955).
Um Western Classe A de King Vidor.
Kirk Douglas seria também um dos grandes ícones do gênero western, pois soube incorporar a figura mítica e destemida do cowboy segundo sua legenda romântica. Um bom exemplar é o faroeste Homem sem Rumo (Man Without a Star, 1955), clássico de 1953 dirigido pelo mestre King Vidor (1894-1982) e escrito por Borden Chase (1899-1971). Douglas como o vaqueiro Dempsey Rae, outrora criador de gado, opõe-se as cercas que dividem as terras livres do Oeste. Tendo perdido um irmão caçula, encontra no jovem Jeff Jimson (William Campbell, 1923-2011) um discípulo e com ele se emprega na fazenda de Reed Bowman (Jeanne Crain, 1925-2003), que pretende dominar os pastos do Wyoming, liquidando os pequenos proprietários. 

Tocando Banjo para Claire Trevor: HOMEM SEM RUMO (1955)

Em luta com Richard Boone em HOMEM SEM RUMO (1955)

Rae torna-se capataz do rancho, mas logo percebe que não pode levar seus princípios até o fim, pois Reed vem impedindo que os lavradores cerquem suas terras e é mais justo defender os oprimidos do que os usurpadores de direitos alheios. Ação máscula e humor salutar se combinam em 89 minutos de vigoroso espetáculo, destacando-se a briga final entre Rae e seu velho inimigo Steve Miles, vivido pelo vilanêsco Richard Boone (1917-1981).  

A UM PASSO DA MORTE (1955). Com Elsa Martinelli

A Um Passo da Morte (The Indian Fighter, 1955), foi o primeiro projeto da produtora de Kirk, Bryna (o nome de sua mãe), distribuído originalmente pela United Artists. Douglas caprichou filmando em Cinemascope em belas locações no Oregon, com eficiente roteiro pró-índios de Frank Davis e Ben Hecht, música de primeira linha do mestre Franz Waxman (1906-1967) e a elegante direção de Andre De Toth (1913-2002). O interesse romântico do herói, Johnny Hawks (Douglas), em verdade um ser ambíguo e de caráter duvidoso, é feita pela atriz italiana Elsa Martinelli, em seu primeiro filme no cinema americano. O faroeste ainda traz o excelente Walter Matthau (1920-2000).

SEM LEI E SEM ALMA (1957). Segundo encontro com Burt
Sem Lei e Sem Alma (The Gunfight OK Corral, 1957), releitura do famoso confronto do OK. Corral traz a segunda parceria entre Burt Lancaster e Douglas, respectivamente nos papéis do delegado Wyatt Earp e do jogador alcoólatra e tuberculoso Doc Holliday. Dirigido por John Sturges, tem como destaque a trilha sonora de Dimitri Tiomkin (1894-1979) e a canção “Gunfight of The Ok Corral” interpretada pelo fenomenal Frankie Laine (1913-2007), famoso cantor de baladas ao estilo do Velho Oeste. 

Com Carolyn Jones: DUELO DE TITÃS (1959)
Duelo de Titãs (Last Train from Gun Hill, 1959) registra novamente o encontro de Douglas com outro monstro sagrado das telas, Anthony Quinn (1915-2001), num faroeste cheio de tensão, com Kirk como um delegado que vai de trem a uma cidade para prender os assassinos de sua esposa índia, e vem a descobrir que um deles é filho de seu melhor amigo, hoje um barão do gado, vivido por Quinn. Sob direção também de John Sturges (1910-1992), e trilha de Dimitri Tiomkin, vale destacar as presenças de Carolyn Jones (1930-1983) e Earl Holliman, vivendo o filho de Quinn. 

SEDE DE VIVER
Em sua autobiografia publicada em 1988, Kirk Douglas fala sobre sua atuação como o pintor Vincent Van Gogh (1853-1890) na obra de Vincente Minnelli Sede de Viver (Lust for Life), realizada em 1956:

-Estive perto de me perder no personagem Van Gogh em “Sede de Viver”. Senti que estava passando dos limites, entrando na pele de Van Gogh. Não só me parecia com ele mas também estava com a idade dele quando se matou. As vezes precisava me conter para não levar a mão a orelha e verificar se ainda estava no lugar. Foi uma experiência assustadora. Uma loucura! Só de me lembrar, me faz estremecer. Acho que nunca mais poderia fazer o papel de Van Gogh.

Kirk Douglas como o pintor Vincent Van Gogh. Com Anthony Quinn: SEDE DE VIVER (1956).

SEDE DE VIVER é uma superprodução baseada em livro de Irving Stone, que deu a Douglas sua terceira e última indicação para o Oscar de Melhor Ator de 1956, mas perdeu para Yul Brynner, que havia ganho neste ano por sua interpretação no musical O Rei e Eu.

SEDE DE VIVER (1956): Terceira e última indicação de Kirk ao Oscar

Depois de uma exibição privada de Sede de Viver, seu amigo John Wayne criticou-o com estas palavras:

- Oh Kirk! Como é que você pode fazer um papel como esse? Restam tão pouco de nós! Precisamos representar papéis fortes, personagens duros! E não esses afeminados fraquinhos.

Douglas lembra quando tentou argumentar ao Duke de Hollywood:

-John! Eu sou um ator. Gosto de fazer papéis interessantes. É tudo faz de conta. A coisa não é real. E você mesmo sabe que não é John Wayne.

SEDE DE VIVER ainda tem como destaque a inesquecível trilha de Miklos Rozsa (1907-1995). 

Com o diretor Stanley Kubrick, no set de GLORIA FEITA DE SANGUE
GLORIA FEITA DE SANGUE
Com Adolphe Menjou: GLÓRIA FEITA DE SANGUE (1957)

Ambientado na Primeira Guerra Mundial,
Glória Feita de Sangue (Paths of Glory, 1957) é um verdadeiro manifesto antibelicista. Mais do que isso, é uma passagem para compreensão da subjetividade e da perversidade humana, calcada no utilitarismo e em decisões pragmáticas. O relato traz Kirk Douglas em um papel humanitário. A história versa no ano de 1916, quando Mireau (George MacReady, 1899-1973), um general francês, ordena um ataque suicida e como nem todos os seus soldados puderam se lançar ao ataque ele exige que sua artilharia ataque as próprias trincheiras. Mas não é obedecido neste pedido absurdo, então resolve pedir o julgamento e a execução de todo o regimento por se comportar covardemente no campo de batalha e assim justificar o fracasso de sua estratégia militar. Depois concorda que sejam cem soldados e finalmente é decido que três soldados serão escolhidos para servirem de exemplo, mas o coronel Dax (Douglas) não concorda e decide interceder de todas as formas para tentar suspender esta insana decisão
.

Kirk no sucesso GLÓRIA FEITA DE SANGUE (1957)
Dirigido por Stanley Kubrick (1928-1999), a fita transforma-se em um tenso drama de tribunal, que traz à tona as ações hipócritas e vergonhosas promovida pela dupla de generais franceses. O coronel interpretado por Kirk assume a defesa dos soldados acusados de “covardia”, em um desempenho magistral.

Com Timothy Carey: GLÓRIA FEITA DE SANGUE (1957)

ENCERRANDO A DÉCADA DE 1950 COM DOIS ÉPICOS

Kirk, com Ernest Borgnine, Janet Leigh, e Tony Curtis:
VIKINGS, OS CONQUISTADORES (1958)
Em 1958, Kirk Douglas embarca para a Itália juntamente com Tony Curtis (1925-2010), Janet Leigh (1927-2004), e Ernest Borgnine (1917-2012) para filmar Vikings, Os Conquistadores (The Vikings), sob direção de Richard Fleischer (1916-2006), uma brilhante aventura épica conduzida pela trilha de Mario Nascimbene.

O DISCÍPULO DO DIABO (1959): Burt Lancaster, Laurence Olivier,
No ano seguinte, nova parceria com Burt Lancaster, com O Discípulo do Diabo (The Devil's Disciple), um épico com toques de comédia sob direção de Guy Hamilton, e também estrelado por Laurence Olivier, versando sobre um revolucionário (Douglas) preso por engano, pelos ingleses, no lugar do reverendo de seu povoado durante a Guerra da Independência Americana.

A DÉCADA DE 1960
O NONO MANDAMENTO (1960). Com Kim Novak
Kirk inicia com chave de ouro a década de 1960, começando com o drama O Nono Mandamento (Strangers When We Meet), sob direção de Richard Quine, em 1960, tendo na trama um tórrido romance com Kim Novak. Douglas interpreta um arquiteto casado (sua esposa é vivida por Barbara Rush) que tem um relacionamento fora de seu casamento (com Novak), mas seu vizinho (Walter Matthau) se interessa pela mulher do arquiteto. Uma fita em estilo sensual que já dava grandes avanços contra o código Hays de censura.

    SPARTACUS

Reza a lenda que Kirk Douglas fez grande campanha para ganhar o papel principal do épico Ben-Hur (William Wyler, 1959), sendo preterido por Charlton Heston. Wyler ofereceu a Douglas o papel do vilão Messala (feito por Stephen Boyd), mas o ator se recusou a ser coadjuvante. Baseado no sucesso do filme de Wyler que obteve 11 premiações da Academia, Douglas resolveu produzir seu próprio espetáculo épico.

Kirk Douglas em SPARTACUS (1960)
Sob a égide de sua produtora, Hetch-Hill-Lancaster productions, de Burt Lancaster. A Titanic), Douglas resolveu produzir um épico bem diferente dos que vinham sendo produzidos. Grande parte das produções ao estilo vinham sendo lançadas, geralmente, em teor bíblico. Mas Kirk queria realizar algo que não tivesse teor religioso, mas sim político, que fosse uma alusão aos tempos vividos pelos Estados Unidos naquele presente momento. Daí, em 1960, nasce o projeto para realizar Spartacus (Spartacus, 1960).

A Revolta dos Escravos em SPARTACUS (1960). Com Kirk,
Sendo assim, Douglas e sua produtora negociou os direitos da controversa história da obra literária lançada em 1952, escrita por Howard Fast (1914-2003), que tornou-se uma leitura popular nos meios comunistas. Para adaptar o romance de Fast, Kirk contratou Dalton Trumbo (1905-1976), um dos “Dez de Hollywood”, que havia sido preso por se recusar a cooperar para o Comitê de Atividades Antiamericanas e teve que escrever roteiros sob pseudônimos por mais de uma década. Logo, Kirk Douglas também entrou para a história por ajudar a destruir a lista negra ao permitir que um dos perseguidos pelo "Caça às Bruxas" usasse seu próprio nome nos créditos de Com seus 12 milhões de dólares,

Kirk e Jean Simmons, como a mulher de Spartacus.
O orçamento começou a subir quando o diretor Anthony Mann foi despedido depois das filmagens já iniciadas, após longa discussão com Kirk Douglas. Não demorou e Mann foi substituído por Stanley Kubrick, que havia dirigido Douglas em Glória Feita de Sangue em 1957. Douglas sempre foi conhecido por estar “no pé” dos diretores, e brigou para tê-lo na direção de Spartacus. Há quem dissesse que Kubrick aceitou filmar o épico porque queria se livrar do contrato que tinha com a produtora de Kirk, tanto que renegou o filme por achar que não tinha total controle artístico sobre a obra. Douglas explicou isso, mais tarde, em uma entrevista:

- Eu assisti a “O grande golpe” e achei interessante. Liguei para o diretor, que era o Kubrick, que me ofereceu “Glória feita de sangue”. Adorei o roteiro. Quando nos encontramos, ele tinha rescrito tudo para ficar mais comercial. Insisti para fazermos a primeira versão. Ele estava certo, o filme não foi bem, mas a crítica adorou. Kubrick tinha um talento supremo, mas era um cara muito difícil. Tudo tinha que ser do jeito dele, e mudava as coisas a todo momento. Em “Spartacus”, a cena que ficou mais famosa é aquela em que todos gritam “Eu sou Spartacus”, e Kubrick detestava, mas teve que filmar, já que eu era o produtor e assinava os cheques.

O Cast de SPARTACUS (1960)
Tony Curtis, Jean Simmons, Kirk Douglas.

SPARTACUS foi lançado a 7 de outubro de 1960, em uma pré-estreia em Nova Iorque, e acabou arrebatando quatro Oscars: melhor ator coadjuvante (Peter Ustinov, 1921-2004), melhor direção de arte colorida, melhor fotografia colorida e melhor figurino colorido. O elenco all star constituído por Douglas, Peter Ustinov, Laurence Olivier, Jean Simmons, Charles Laughton (um ídolo de Kirk), e Tony Curtis, ainda realçam mais este valoroso espetáculo.

O ator e produtor Kirk Douglas conversando com o elenco
Kirk comemorando o aniversário de Peter Ustinov, junto a
Jean Simmons e Stanley Kubrick no set de SPARTACUS (1960)
A colunista Hedda Hopper (1885-1966) denunciou Kirk Douglas por contratar Trumbo e a Legião Americana fez piquete na pré-estreia em Los Angeles, no dia 7 de outubro de 1960. O Bom Douglas não se deixou intimidar, e mandou uma resposta para Hedda e seus aliados, contratando Dalton Trumbo para escrever o roteiro de mais dois filmes para ele. Kirk recordou isso em uma recente entrevista para um jornal: 

Foi uma época vergonhosa, especialmente porque éramos todos uns hipócritas. Contratávamos os profissionais que estavam na lista negra e usávamos o talento deles pagando salários menores. Eu já queria Dalton para “Sua última façanha”, mas pedi para escrever “Spartacus” primeiro. “Spartacus” foi muito perseguido pela colunista Hedda Hopper e pela Legião Americana por termos usado o livro de Howard Fast, um comunista, e pelo roteiro de Dalton, que estava na lista negra por ser comunista.

Stanley Kubrick observa Woody Strode e Kirk Douglas
Sobre a direção de Kubrick em Spartacus, o velho astro declarou em recente entrevista para um famoso jornal brasileiro:

- Eu assisti a “O grande golpe” e achei interessante. Liguei para o diretor, que era o Kubrick, que me ofereceu “Glória feita de sangue”. Adorei o roteiro. Quando nos encontramos, ele tinha rescrito tudo para ficar mais comercial. Insisti para fazermos a primeira versão. Ele estava certo, o filme não foi bem, mas a crítica adorou. Kubrick tinha um talento supremo, mas era um cara muito difícil. Tudo tinha que ser do jeito dele, e mudava as coisas a todo momento. Em “Spartacus”, a cena que ficou mais famosa é aquela em que todos gritam “Eu sou Spartacus”, e Kubrick detestava, mas teve que filmar, já que eu era o produtor e assinava os cheques.

O ULTIMO POR DO SOL
Kirk, Carol Lynley, Dorothy Malone, e Rock Hudson:
O ÚLTIMO PÔR DO SOL (1961).
Em 1961, após o sucesso do épico Spartacus, Kirk Douglas atua em um novo western, desta vez sendo o antagonista de Rock Hudson (1925-1985) e entre os dois está a bela Dorothy Malone, em O Último Pôr do Sol (The Last Sunset), sob direção de Robert Aldrich (1918-1983). Um faroeste cheio de ação e tensão ao estilo do cineasta, onde Douglas, um fora da lei, entra em conflito com o lawman vivido por Rock, por causa da esposa deste vivida por Malone, onde a filha dela, vivida por Carol Lynley, nem escapa das investidas de Kirk. O Western teve a colaboração do roteirista Dalton Trumbo.

Kirk e Dorothy Malone em O ÚLTIMO PÔR DO SOL (1961)
Trumbo ainda colaborou em seguida para outro trabalho de Kirk, e um dos mais famosos: Sua Última Façanha (Lonely Are the Brave), dirigido por David Miller, onde evoca a desmistificação do cowboy dos tempos modernos, onde Douglas interpreta um detento que como última façanha de sua vida tenta concretizar sua fuga da penitenciária.Douglas sempre declarou que este foi seu filme preferido, de todos que atuou. 

 TRABALHOS PRINCIPAIS NA DÉCADA DE 1960
Kirk e Edward G. Robinson no set de CIDADE DOS DESILUDIDOS (1962)
Entre 1962 a 1969, Kirk Douglas foi um astro ativo em um dos grandes campeões de bilheteria neste período, trabalhando para grandes cineastas. Reencontrou Vincente Minnelli para fazerem A Cidade dos Desiludidos (Two Weeks in Another Town) em 1962, rodado na Itália, onde novamente entra como tema o mesmo percurso de Assim Estava Escrito, realizado com o mesmo diretor dez anos antes, tendo como pano de fundo o mundo do cinema. Cidade dos Desiludidos contou com os astros Edward G. Robinson, Cyd Charise, Claire Trevor, e George Hamilton. 

A LISTA DE ADRIAN MESSENGER (1963)
Entre 1963 a 1964, Kirk realiza outros dois filmes ao lado do “amigo” Burt Lancaster: A Lista de Adrian Messenger (The List of Adrian Messenger), produção trazendo grandes astros das telas em participações ligeiras, como Tony Curtis, Robert Mitchum, o próprio Burt Lancaster, e Kirk Douglas em quatro papéis diferentes.

Outra vez com Lancaster, em SETE DIAS DE MAIO (1964)
Sete Dias de Maio  (Seven Days in May), realizado em 1964 e dirigido por John Frankenheimer, une novamente Lancaster & Douglas numa história curiosa sobre um Golpe de Estado em Washington contra o Presidente dos EUA (vivido por Fredric March), promovido por um general de cinco estrelas interpretado por Burt Lancaster, mas o amigo e oficial subordinado deste vivido por Douglas, não apoia as iniciativas de seu superior.

Com John Wayne: A PRIMEIRA VITÓRIA (1965)
Entre 1965 e 1967, Kirk atua em três filmes com John Wayne. Amigos muito embora tivessem pensamentos diferentes sobre política, os dois astros exerciam sintonia para as plateias. A Primeira Vitória (In Harm's Way, 1965), drama naval com base no romance de James Bassett e dirigido por Otto Preminger (1905-1986); A Sombra de um Gigante (Cast a Giant Shadow, 1966), filme bélico dirigido por Melville Shavelson e um elenco all-star (Yul Brynner, Senta Berger, Angie Dickinson, Frank Sinatra); Gigantes em Luta (The War Wagon, 1967), faroeste de aventuras com toques de humor dirigido por Burt Kennedy. 

Novamente com John Wayne em GIGANTES EM LUTA (1967)

AVENTURAS DE GUERRA

Com Richard Harris: OS HERÓIS DE TELEMARK (1966)
Como o General Patton em PARIS ESTA EM CHAMAS? (1966)
Entre 1965 e 1966, Douglas participa de dois filmes de guerra. A aventura Os Heróis de Telemark (The Heroes of Telemark), sob direção de Anthony Mann (com quem já havia esquecido os desentendimentos sobre a direção de Spartacus, em 1960) e ao lado de Richard Harris (1930-2002); e no europeu Paris está em Chamas? (Paris brûle-t-il?), direção de René Clément, e constelados por grandes estrelas como Jean Paul-Belmondo, Alain Delon, Leslie Caron, Charles Boyer, Jean-Pierre Cassel, George Chakiris, Gert Fröbe, Glenn Ford, e Kirk Douglas vivendo o General George S. Patton.

MAIS FILMES


Com Robert Mithum e Richard Widmark: DESBRAVANDO O OESTE (1967)
Com Faye Dunaway: MOVIDOS PELO ÓDIO (1969), de Elia Kazan
Encerrando a década de 1960, Douglas faz um western de aventuras para Andrew V. McLaglen, Desbravando o Oeste (The Way West), onde divide as atenções com Robert Mitchum e Richard Widmark; Entre o Desejo e A Morte (A Lovely Way to Die), em 1968, uma aventura a moda 007 de espionagem, contracenando com a bela Sylva Koscina (1933-1994); e uma obra de Elia Kazan, Movidos pelo Ódio (The Arrangement), em 1969, drama familiar sobre um homem que tenta o suicídio e que mesmo sendo um executivo bem sucedido, ele relembra fatos de sua vida, como o envolvimento com uma mulher mais jovem (Faye Dunaway)e os problemas com a esposa (Deborah Kerr).

Com Henry Fonda, no faroeste debochado NINHO DE COBRAS (1970)

TRABALHOS PRINCIPAIS NA DÉCADA DE 1970
O FAROL DO FIM DO MUNDO (1971)
Kirk Douglas abre os anos de 1970 com toda a disposição e vigor, tanto que aparece nu pela primeira vez no cínico e humorístico western Ninho de Cobras (There Was a Crooked Man...), de Joseph L. Mankiewicz, onde atua com Henry Fonda, em 1970. Em 1971, Douglas estrela outra aventura baseada na obra literária de Julio Verne, O Farol do Fim do Mundo (The Light at the Edge of the World), com Yul Brynner e Samantha Eggar e direção de Kevin Billington.

Com Johnny Cash: O DUELO (1971)
Com Florinda Bolkan: UM TOQUE DE MESTRE (1972)
Ainda em 1971, Douglas estrela com o cantor Johnny Cash o faroeste O Duelo (A Gunfight), sob direção de Lamont Johnson. No mesmo ano, roda na França Como Agarrar um Espião (Catch Me a Spy), de Dick Clement, com Marlène Jobert. Ainda na Europa e no ano seguinte, Kirk filma ao lado de Giuliano Gemma e da brasileira Florinda Bolkan Um Toque de Mestre (Un uomo da rispettare), direção de Michele Lupo.

 Kirk Douglas na TV
Kirk como Mr. Hyde, na adaptação televisiva e musical de
O MÉDICO E O MONSTRO (1973)
Os anos de 1970 foram prolíficos para a história da televisão americana, e astros do cinema também queriam fazer investimentos na telinha, e isso não foi exceção para Kirk Douglas. Em 1973, Kirk estreou o telefilme O Médico e o Monstro (Dr. Jekyll and Mr. Hyde), dirigido por David Winters e baseado no célebre livro de Robert Louis Stevenson, em uma versão musical da história, onde Douglas vive o atormentado médico já vivido no cinema por Fredric March e Spencer Tracy.

Kirk em UM ASSASSINO NA CIDADE (1973)
No mesmo ano de 1973, Kirk estrela outro trabalho televisivo, Um Assassino na Cidade (Mousey), sob direção de Daniel Petrie, ao lado de Jean Seberg (1934-1979), onde vive um professor ridicularizado pelos alunos e que vem a se tornar um violento assassino numa pacata cidade após o divórcio da esposa.

VITÓRIA EM ETEBBE (1976)
Em 1976, Kirk participa de Vitória em Etebbe (Victory at Entebbe), sob direção de Marvin J. Chomsky. A dramática história da missão de resgate contraterrorista levada a cabo pelas Forças de Defesa de Israel no Aeroporto Internacional de Entebbe em Uganda no dia 4 de julho de 1976. Com Douglas ainda participam Burt Lancaster, Richard Dreyfuss, Elizabeth Taylor, Linda Blair, e Helmut Berger. A mesma trama foi levada aos cinemas no mesmo ano como Resgate Fantástico (Raid On Entebbe), sob direção de Irvin Kershner e estrelado por Charles Bronson e Peter Finch.

THE MONEYCHANGERS (1976)- MINISÉRIE
Ainda em 1976, Douglas participa da minissérie Arthur Hailey's the Moneychangers, exibida em quatro capítulos e baseada no romance de Arthur Hailey, reunindo uma constelação milionária de estrelas, como Christopher Plummer, Susan Flannery, Anne Baxter, Ralph Bellamy, Joan Collins, Jean Peters, Lorne Greene, entre outros. 

Kirk Douglas, o Diretor
AS AVENTURAS DE UM VELHACO (1973)
Em 1973, Kirk estreia atrás das câmeras (e na frente delas) em As Aventuras de um Velhaco (Scalawag), uma aventura dos sete mares onde tem no elenco Mark Lester, Neville Brand, e Lesley Anne-Down.

AMBIÇÃO ACIMA DA LEI (1975)
Ambição Acima da Lei (Posse), segundo filme para o cinema dirigido pelo ator onde também estrela, é um faroeste que entusiasmou os críticos por seu substrato de alegoria política, justamente quando os EUA, em 1975 (ano em que foi produzido) padecia das agruras recentes do Vietnã e a consciência americana clamava por honra e dignidade.

Rendido por Bruce Dern: AMBIÇÃO ACIMA DA LEI (1975)
Douglas interpreta um delegado que está em campanha para o Senado, e que para conseguir votos e simpatia do eleitorado, caça um foragido da lei muito astuto, vivido por Bruce Dern. Longe de ser o “mocinho”, o delegado vivido por Douglas é o retrato da manipulação e da propaganda enganosa perante um povo acovardado, que aos poucos, percebe que ele não é aquilo que ele diz ser.

Kirk Douglas, ator e diretor de AMBIÇÃO ACIMA DA LEI (1975)
Sobre a arte da direção, Kirk Douglas declarou em uma entrevista realizada em setembro de 1978:

- Esperei demais para enfrentar a direção cinematográfica.Mas foi uma experiência excitante, embora eu não tivesse obtido o sucesso que esperava. O primeiro filme que fiz (As Aventuras de um Velhaco)se destinava as crianças, mas era forte demais para elas e insuficientemente dramático para adultos. Em "Posse" (Ambição Acima da Lei), quis fazer um western diferente, que poderia ser intitulado de "Western Watergate". Aí raciocinei: em todos os filmes de mocinho há sempre um xerife procurando bandidos. E se meu xerife fosse um homem com ambições políticas que desejasse ser Presidente dos EUA? Mas o filme foi um fracasso nos Estados Unidos e fez sucesso na Inglaterra. Por isso me convenci que é mais fácil ser ator do que diretor. E também é mais fácil obter dinheiro quando, além de dirigir um filme, você o interpreta também. Depois de ter experimentado a direção, tenho mais simpatias pelos atores, é uma profissão solitária. A câmera é fria mas ela registra tudo que esta diante dela. Portanto fica fácil dizer: Isto esta bem, isto esta mal, por trás da câmera. Mas quando estamos diante dela, corremos riscos maiores. Hoje sou muito compreensivo com atores, mas não quero mais dirigir filmes. 


OUTROS TRABALHOS IMPORTANTES PARA CINEMA
Com Deborah Raffin: UMA VEZ SÓ NÃO BASTA (1975)
Em 1975, Kirk atua no drama Uma Vez Só não Basta (Once Is Not Enough), sob direção de Guy Green e estrelado por David Janssen, George Hamilton, Alexis Smith, e Deborah Raffin, baseado no último Best Seller de Jacqueline Susann (1918–1974).

HOLOCAUSTO 2000
Em 1977, Douglas investe em uma obra de ficção e horror rodada na Itália, Holocausto 2000 (Holocaust 2000), do diretor Alberto De Martino, contracenando com Agostina Belli. Nessa película, o astro Douglas aparece pela segunda vez nu (a primeira havia sido em Ninho de Cobras,1970)e a cena foi sugerida pelo próprio ator ao diretor italiano, mas conforme Douglas em depoimento, não há nada de pornográfico, mas do anticristo voltando para destruir a humanidade. E tal cena foi feita a uma certa distância estando Kirk de costas.

A FURIA 

Em 1977, Kirk Douglas participa de um dos trabalhos mais cultuados do diretor Brian De Palma, A Fúria (The Fury, 1977), thriller psicológico baseado em livro de John Farris.  Douglas é Peter Sandza, um ex agente secreto de férias com seu filho Robin (Andrew Stevens) num balneário da Palestina quando o local é atacado por um comando árabe, plano este elaborado por um amigo de Peter, Childress (John Cassavetes, 1929-1989). Contudo, Childrees dirige um organismo secreto destinado a usar como arma mortal os poderes parapsicológicos, sequestrando Robin que possui força psíquica sobrenatural. Peter escapa do atentado e tenta resgatar o filho, enquanto Childress se mantém em seu encalço, submetendo Robin a uma lavagem cerebral. Para encontrar Robin, Peter conta com a ajuda de Gillian Bellaver (Amy Irving), também dotada de força paranormal. 

Com Andrew Stevens, em A FÚRIA (1977), de Brian De Palma
Apesar de sua visão antissionista, Douglas sempre se declarou favorável ao Estado de Israel e chegou a se justificar:

- Em outros tempos, eu acreditava que um ator podia e devia usar seu trabalho como veículo de suas ideias e convicções. Hoje não penso mais assim. É uma atitude ingênua e serve para criar certa confusão em torno do trabalho do ator, porque o público acaba confundindo com em uma coisa, só interpretação e engajamento. Mas falando em “The Fury”, devo dizer que não poderia recusar um filme tão interessante, feito por um diretor talentoso. “The Fury” vai provocar reações fortes, ninguém vai ficar indiferente. Vi as reações da plateia quando fui ao lançamento em Tóquio.  


A FÚRIA de Kirk Douglas
Para Kirk, trabalhar com o diretor Brian De Palma foi um prazer e declarou em uma entrevista na época do lançamento: 

- Trabalhar com Brian De Palma foi um prazer. Foi o mesmo como trabalhar com meus filhos, muito estimulante. Além disso, estes diretores tem muito respeito pelo trabalho que fizemos outrora. De Palma brincava comigo durante as filmagens de "The Fury" me fazendo adivinhar de cenas de velhos filmes que interpretei. Ele representava pra mim cenas de velhos filmes que eu mesmo já havia esquecido há muito tempo. 

 CACTUS JACK – O VILAO
Com Ann-Margret e Arnold Schwarzenegger em
CACTUS JACK, O VILÃO (1979)
Paródia dos filmes de faroeste com gags de desenhos animados, pela primeira vez em sua longa e rica carreira, Kirk Douglas interpreta um papel mais do que cômico no western humorístico Cactus Jack, o Vilão (The Villain), realizado em 1979 e dirigido por um especialista em ação, Hal Needham, ex dublê e ator. 


Douglas interpreta o fora da lei Cactus Jack Slade, que espera a chegada de um trem para atacar, mas ao invés disso, resolver perseguir uma bela mulher (Ann-Margret) e seu “protetor” musculoso (Arnold Schwarzenegger). O “Vilão” do título original se afronta com a bela e o fortão no cenário do grandioso Monument Valley, terra dos heroicos pioneiros da grande América. Entretanto, o "duelo" é cercado de ironias e paródias digna dos grandes Cartoons. Com a baixa dos faroestes nas bilheterias (o gênero praticamente estava se extinguindo no final da década de 1970) e a ideia de ver Douglas num papel não muito digno de sua personalidade e talento não tiveram a aprovação do grande público.

OS ANOS DE 1980
Com Farrah Fawcett em SATURNO 3 (1980)

A década de 1980 continua sendo uma das mais produtivas na carreira de Kirk Douglas. Em 1980, estrelou com a pantera Farrah Fawcett (1947-2009) a ficção com tons de erotismo Saturno 3 (Saturn 3), sob direção de Stanley Donen. No mesmo ano, estrelou Nimitz - De Volta ao Inferno (The Final Countdown), sob direção de Don Taylor, uma mistura de filme de guerra com ficção científica, ao narrar sobre um porta-aviões moderno que se desloca misteriosamente para o ano de 1941, próximo ao Havaí, poucas horas antes do ataque japonês a Pearl Harbor.

Com John Schneider: CAÇADA IMPIEDOSA (1983)
Abraçando Pat Morrita, ao lado de Dorothy McGuire, e
Elizabeth Montgomery sentada: AMOS (1985)

Em 1983, Kirk estrela com o ídolo televisivo do momento, John Schneider (astro da série Os Gatões, 1979-1985)o policial Caçada Impiedosa (Eddie Macon's Run), sob direção de Jeff Kanew, onde interpreta um implacável detetive que persegue um jovem presidiário, vivido por Schneider. Em 1985, Douglas estrela um trabalho para a televisão, ao lado da “feiticeira” Elizabeth Montgomery (1933-1995) o drama Amos (Amos), baseado no romance de Stanley Gordon West, sobre um idoso que perde sua esposa em um acidente e sem parentes próximos por perto acaba indo para um asilo, onde sofre maus tratos da enfermeira vivida por Montgomery, contudo não se deixando abalar pelas agressões. Na época, Douglas, aos 68 anos,  fez uma campanha massiva perante o Senado Americano contra o abuso e o abandono de idosos.


BURT LANCASTER E
OS  ÚLTIMOS DURÕES
O RELACIONAMENTO ENTRE KIRK & BURT.
Burt Lancaster & Kirk Douglas. "Grandes Amigos" perante a

Hoje, sabe-se que a relação entre estes dois titãs da cinematografia mundial, Burt Lancaster e Kirk Douglas, fora das telas não era das melhores. Poderia se imaginar grandes bons amigos por atuarem juntos em sete filmes - Vitória em Entebbe (1976) (TV), Os Últimos Durões (1986), Sete Dias de maio (1964), A Lista de Adrian Messenger (1963), Estranha Fascinação (1948), Sem Lei e Sem Alma (1957), e O Discípulo do Diabo (1959), devido em grande parte ao fascínio que os dois grandes astros exerciam nas telas. Contudo, o elo entre os dois não passava apenas de uma grande jogada publicitária promovida pelo agente de Kirk Douglas. Muitas vezes, Burt tratava Douglas com ironia, algumas vezes com crueldade, e as vezes indiferença. Contudo, houve poucos momentos que os dois pudessem realmente se entender.
SEM LEI E SEM ALMA (1957) de John Sturges.
Recentemente, numa entrevista concedida ao jornal

- Em “Sem lei e sem alma”, o nome do Burt Lancaster era o primeiro, mas ganhei o dobro do salário dele, porque Burt tinha contrato com o estúdio, e eu não. Interessante que fiz sete filmes com ele, e as pessoas acham que éramos superamigos. Não tínhamos uma relação de amizade fora do ciclo de trabalho. Nos respeitávamos, mas nunca fomos grandes amigos. E a gente até competia bastante. Num outro exemplo, fiz quatro filmes com o John Wayne, e a gente discutia política o tempo todo. Mas sinto falta deles todos.

OS ÚLTIMOS DURÕES (1986): O Último encontro de duas inegáveis
lendas do cinema internacional: Burt Lancaster e Kirk Douglas.
OS ÚLTIMOS DURÕES (1986)
Burt e Kirk se reencontraram pela última vez nas telas em 1986, em Os Últimos Durões (Tough Guys, 1986), do diretor Jeff Kanew. Um criminal humorístico com os veteranos Lancaster (então com 73 anos) e Douglas (então com 70) nos papéis respectivamente de Harry Doyle e Archie Long, presos em 1956 por terem cometido o último assalto de trem nos Estados Unidos, obtendo liberdade condicional trinta anos depois. Verdadeiros anacronismos, os dois deparam fora das grades com uma Los Angeles completamente diferente de que conheciam. Sentindo que são tratados como inválidos na sociedade moderna, os dois planejam voltar a ação e provar que são os durões dos velhos tempos. Uma verdadeira crítica social. 
OUTROS TRABALHOS
Com Mia Sara: QUEENIE (1987) - Para a TV
Kirk encerrou com estilo o fim da década de 1980, realizando alguns poucos trabalhos para televisão, como a minissérie Queenie, realizada em 1987.

Em aparição
VERAZ (1991)
Em 1991, Kirk é convidado a viver por poucos momentos (e sem créditos) o pai de Sylvester Stallone na comédia Oscar, Minha Filha quer Casar (Oscar), sob direção de John Landis. Douglas aceitou o papel após a recusa de Victor Mature. No mesmo ano, Douglas embarca para a França e estrela uma produção local, Veraz, sob direção de Xavier Castano, nunca exibido no Brasil.

Com Michael J. Fox: OS PUXA SACOS (1994)
Com Lauren Bacall, em EM BUSCA DOS DIAMANTES (1999)

Reminiscências de Midge Kelly em EM BUSCA DOS DIAMANTES(1999), filme para a Miramax.
Em 1994, Douglas vira “tio” de Michael J. Fox na comédia Os Puxa Sacos (Greedy), de Jonnathan Lynn. Em 1999, se une a amiga e benfeitora Lauren Bacall em outra comédia para a Miramax, Em Busca dos Diamantes (Diamonds), sob direção de John Asher, co-estrelado por Dan Aykroyd. Um boxeador aposentado convence filho e neto a irem como ele para Nevada para procurar 13 diamantes que ele ganhou como prêmio em uma luta anos atrás. As pedras preciosas estão escondidas em algum lugar em Las Vegas. Douglas vive o velho boxeador, e reminiscências de seu personagem Midge Kelly em O Invencível de 1949 são retratadas no filme. 

Kirk com seu filho Michael e seu neto Cameron:
Com sua ex-esposa na vida real, Diana Douglas:
ACONTECE NAS MELHORES FAMÍLIAS (2003)
Em 2003, Kirk Douglas realiza o sonho de trabalhar ao lado do filho Michael Douglas, do neto Cameron Douglas, e ainda de soma, a ex-mulher do ator (e amiga), Diana Douglas, mãe de Michael, na comédia Acontece nas Melhores Famílias (It Runs in the Family), do diretor Fred Schepisi. Diana Douglas viria a falecer em 2015. 

CASAMENTO E FAMÍLIA
Kirk e Diana Douglas. Diana era mãe do ator
Como se sabe, Diana Douglas foi a primeira esposa de Kirk Douglas. Se conheceram quando ela estudava arte dramática em Nova Iorque e se divorciaram em 1951. 

Kirk e sua segunda esposa - Anne Buydens Douglas.
Kirk e Anne

Kirk e Anne Douglas.
Em 1954, durante o Festival de Cinema em Cannes, conheceu Anne Buydens, de origem belga. Se apaixonaram e se casaram 29 de maio de 1954, e desde então, Anne Douglas tem formado com o marido Kirk um dos mais extraordinários casais de Hollywood, uma coisa muito rara, ao longo de mais de 60 anos de união.

Kirk e os filhos Peter e Eric.
Anne e Kirk em 2006
Anne deu mais dois filhos para Kirk: Peter (nascido em 1955) e Eric (nascido em 1958). Eric viria a falecer em 2004, por abuso de barbitúricos. Kirk Douglas ainda é avô de sete netos: Cameron Douglas (nascido em 13 Dezembro de 1978), Dylan Michael Douglas (nascido em 8 de agosto de 2000), Carys Zeta Douglas (nascido a 20 de abril de 2003)- filhos Michael Douglas; e Kelsey (nascido em 1992), Tyler (nascido em 1996), Ryan (nascido em 2000) e Jason (nascido em 2003)- filhos de seu outro filho, Peter Douglas.

Na França, onde Kirk recebeu a Legião de Honra, em 1985.
Kirk, cercado da nora Catherine Zeta-Jones, da esposa Anne e
Kirk declarou há alguns dias quando perguntado sobre a relação com os filhos:

- Michael e Joel são filhos do meu primeiro casamento, que não durou muito. Eu chegava a fazer três filmes por ano e nunca estava em casa. Fui um pai ausente. Joel se tornou produtor. Michael ganhou dois Oscars (produtor e ator) antes de mim. Só ganhei pelo reconhecimento da minha obra cinematográfica. No meu segundo casamento tive mais dois filhos: Peter e Eric. Eu estava muito mais presente, mas acabei perdendo o mais novo, Eric, de overdose, em 2004. Ele era um comediante de stand up tentando encontrar seu lugar no mundo. Infelizmente não aguentou a pressão de ter pai e irmão famosos e bem-sucedidos.


KIRK DOUGLAS, O FILHO DO TRAPEIRO

Em 1978, Kirk Douglas almejava escrever sua autobiografia. Contudo, seus projetos literários não ficariam apenas com um único livro. Kirk declarou em entrevista neste mesmo ano o que achava de sua carreira como escritor:

- Tenho dois livros em projeto: o primeiro é um romance e o segundo é a história da minha vida.  Este último pode parecer banal, mas está na moda os atores  contarem suas vidas assim. Mas o meu livro seria diferente.  porque meu proposito é escrever aos meus quatro filhos certos fatos da minha vida que eles desconhecem. Creio também que represento o último ator de certa época, a do filho de imigrantes que chega ao auge do sucesso e da celebridade graças ao esforço pessoal. Meus pais eram pobres e analfabetos, minha m,ãe aprendeu a ler comigo. Dei o salto da Idade Média  - representada pelo obscurantismo da minha família - para a época moderna, porque  pude frequentar a universidade e aprender esta profissão. 

O FILHO DO TRAPEIRO - Livro autobiográfico de Kirk Douglas.
Edição lançada no Brasil.
Certa vez indo em seu carro para Palm Springs, na Califórnia, Kirk deu carona para um jovem marinheiro. O rapaz, quando entrou no carro, acabou reconhecendo o famoso motorista, e exclamou surpreso:

- Meu Deus!!! Você sabe quem é você?

Para Douglas refletir sobre isso não foi piada. Foi uma pergunta que ele diversas vezes fez ao longo da vida. 

Anne e Kirk: Uma união de mais de 60 anos.
Kirk levou 25 anos para escrever sua autobiografia. Entre outros detalhes, ele admite que era um sedutor incorrigível, fato talvez que levou a sua separação da esposa Diana. A se levar a sério a sinceridade de Douglas, estaríamos diante de um garanhão soberbo, de inesgotável vitalidade e infinita capacidade de se interessar por qualquer espécie de saias.Renunciando ao relato de casos menos importantes, o ator esmiúça com a alegria de um fauno empedernido suas performances sexuais com algum dos grandes mitos do cinema.

Kirk e Rita Hayworth: Um breve namoro!
Com Rita Hayworth, por exemplo, sugere que não buscou a famosa Gilda, mas a mulher despida do mito, o que parece tê-la envaidecido. Com Joan Crawford, a experiência foi traumática. Porém, segundo Douglas, a experiência mais traumática foi por conta de seu longo noivado com Pier Angeli, a quem considerava como um modelo de virtude até o dia em que ela o traía com uma constância verdadeiramente espantosa.

Kirk e Pier Angeli
Num balanço geral do livro, mesmo que Douglas aborde alguns assuntos pertinentes, como o Macarthismo, a hipocrisia dos agentes cinematográficos, e o despotismo dos grandes estúdios, a impressão que fica é a de um autor muito preso as minúcias, empenhado em relatar, de modo cronológico, seus trabalhos.

Kirk e Anne, em evento beneficente, saboreando guloseimas.
Ainda assim, mantém uma atividade literária invejável até hoje e vai lançar seu 12º livro em abril de 2017: “Kirk and Anne: a Hollywood life”, sobre as mais de seis décadas de seu casamento com Anne Douglas, também atriz, de 97 anos.

Capa da Revista Manchete de 1963.
KIRK DOUGLAS E O BRASIL
Kirk em folia no Theatro Municipal do Rio de Janeiro, fantasiado
Kirk Douglas já visitou nosso país. Já esteve em São Paulo, Rio de Janeiro, e em Brasília. No Rio de Janeiro, passou o carnaval de 1963, e ele e sua esposa Anne ficaram hospedados no famoso Copacabana-Palace. Douglas ainda brincou o carnaval fantasiado de gladiador, bem ao estilo Spartacus, no Teatro Municipal.

PROBLEMAS DE SAÚDE
Kirk de braços dados com seu filho Michael, saindo de uma
No início da década de 1980, Kirk Douglas já enfrentava alguns problemas cardíacos, o que fez com que implantassem no ator um marca-passo. Em 1991, escapou vivo de um acidente de helicóptero, no qual dois tripulantes morreram. Teve o corpo todo queimado, mas se recuperou. Em 1996 um derrame afetou parcialmente sua capacidade de falar, mas veio a se recuperar com o auxílio de uma fonoaudióloga, que inclusive o preparou para o discurso de agradecimento à premiação do Oscar, quando recebeu das mãos de seus filhos uma estatueta em honra a sua obra cinematográfica.

Kirk e Michael Douglas
Kirk Douglas também se arrepende de ter feito muitas cenas de ação em seus filmes sem dublês. Por conta disso, ele hoje tem uma grave crise na coluna e seus joelhos são próteses. 

POLÍTICA
O roteirista Dalton Trumbo
Inimigo figadal das políticas de opressão, Kirk Douglas sempre foi membro do Partido Democrata Americano e foi extremo opositor da perseguição promovida pelo Senador Joseph McCarthy aos “comunistas” de Hollywood. Recuperou o escritor Dalton Trumbo, um dos banidos pelo comitê de Atividades Antiamericanas, e foi defensor incessante de inúmeras causas.

Em 2015, foi lançado o filme Trumbo - A Lista Negra (Trumbo), do diretor Jay Roach, onde o roteirista é vivido por Bryan Cranston, e Dean O' Gorman interpreta Kirk Douglas, com Helen Mirren vivendo a grotesca Hedda Hopper, Michael Stuhlbarg no papel de Edward G. Robinson, e David James Elliott como John Wayne. 

Kirk e Anne - 2013


A estrela de Kirk no Calçadão da Fama.

Recebeu do Presidente Bill Clinton a mais alta condecoração civil dos Estados Unidos, a President Medal of Freedom, em 1994. Em 2016, prestes a completar seu centenário, foi questionado sobre a polêmica eleição americana e em quem votaria, se em Hillary Clinton ou em Donald Trump:

-Não quero opinar sobre esta eleição, não tenho mais idade para polêmicas, mas eu sempre fui membro do Partido Democrata.




O CINEMA MODERNO

Kirk Douglas sempre foi considerado uma pessoa gentil para com os jornalistas e fãs. Uma vez ele foi questionado, no fim dos anos de 1970, sobre a nova geração de atores que tomava conta do mercado americano no então período, como Dustin Hofmann, Robert De Niro, e Al Pacino:

- Todos muito talentosos. O único defeito deles é serem parecidos uns com os outros.  Isto os limita. Um ator tem que variar sua interpretação. 


Sobre a moda dos “filmes-disco”, no fim dos anos 70, como Os Embalos de Sábado a Noite, frisou Kirk Douglas: 

-Primeiro foi a voga dos filmes catástrofe. Depois veio a moda dos filmes de efeitos especiais. Finalmente entramos na fase do “filme disco”. Tudo isto é mau para o cinema, porque diminui a qualidade da arte cinematográfica. É preciso lutar contra os filmes que não ajudam a levantar o nível da produção e realização. 

Sobre qual o diretor com quem mais gostou de trabalhar, Kirk respondeu:

- Todos foram muito bons. Não tenho nenhum preferido, e cada um tinha suas qualidades e estilos.

Quando recentemente questionado neste ano de 2016, sobre que tipo de cinema o fascinava, Kirk respondeu:

- Não vou mais ao cinema, só vejo o que o Michael faz. E tem um fato curioso: fui convidado para fazer o Coronel Trautman, amigo do Rambo, no primeiro filme. Sugeri que meu personagem matasse o Rambo no final, não concordaram, acabei desistindo. E quase evitei que o (Sylvester) Stallone faturasse milhões com todas aquelas sequências. Já me encontrei com ele e rimos muito disso.


CEM ANOS DE UM MITO 
DAS TELAS
O Patriarca Kirk Douglas, cercado pela família, para comemorar
Kirk Douglas comemorou dia 9 de dezembro de 2016 seu centésimo aniversário! A festa de 100 anos de idade do ator foi organizada por seu filho, Michael Douglas e sua nora, Catherine Zeta-Jones.

Kirk recebendo beijos de seu filho Michael e de sua nora
Kirk cercado pelos amigos, em celebração de seu centenário.


Quando Kirk foi questionado sobre sua longevidade, se ele teria algum segredo para chegar aos cem anos, ele respondeu:

- Sempre me pedem conselhos sobre viver uma vida longa e saudável. Eu não tenho nenhum. Eu acredito, no entanto, que temos um propósito para estar aqui. Eu fui poupado depois de um acidente de helicóptero e um derrame para fazer mais bem no mundo antes de deixá-lo.



KIRK DOUGLAS foi uma das maiores lendas do cinema, que proporcionou para as plateias do mundo toda sua arte e estilo.  Suas performances serão eternas: Midge Kelly, Ricky Martin, Chuck Tatum, Detetive James McLeod, Van Gogh, Jonathan Shields, Ulysses, Ned Land, Dempsey Rae, Coronel Dax, Doc Holliday, Marechal Matt Morgan, Spartacus...e tantos outros que cativaram os amantes da Sétima Arte ao longo de sete décadas.  Kirk Douglas morreu a 5 de fevereiro de 2020, aos 103 anos de idade.


kirk douglas
(1916-2020)


Filmografia 

Como Ator

1946 – O TEMPO NÃO APAGA (The Strange Love of Martha Ivers). Direção: Lewis Milestone.
1947 – CONFLITO DE PAIXÕES (Mourning Becomes Electra).
Direção: Dudley Nichols.
1947 – FUGA AO PASSADO (Out of the Past).
Direção: Jacques Tourneur

ESTRANHA FASCINAÇÃO (1948): O Primeiro Filme de Kirk com Burt.
1948 – ESTRANHA FASCINAÇÃO (I Walk Alone).
Direção: Byron Haskin
1948- AS MURALHAS DE JERICÓ (The Walls of Jericho).
Direção: John M. Stahl
1948 – MINHA SECRETÁRIA FAVORITA (My Dear Secretary).
Direção: Charles Martin.

Com Marilyn Maxwell: O INVENCÍVEL (1949)
1949- QUEM É O INFIEL? (A Letter to Three Wives).
Direção: Joseph L. Mankiewicz
1949- O INVENCÍVEL (Champion).
Direção: Mark Robson.
1950- ÊXITO FUGAZ (Young Man with a Horn)
Direção: Michael Curtiz.
1950- ALGEMAS DE CRISTAL (The Glass Menagerie)
Direção: Irving Rapper
1951 – EMBRUTECIDOS PELA VIOLÊNCIA (Along the Great Divide).
Direção: Raoul Walsh
1951 – A MONTANHA DOS SETE ABUTRES (Ace in the Hole).
Direção: Billy Wilder.

CHAGA DE FOGO (1951), de William Wyler
1951- CHAGA DE FOGO (Detective Story)
Direção: William Wyler.
1951- FLORESTA MALDITA (The Big Trees).
Direção: Felix E. Feist
1952- O RIO DA AVENTURA (The Big Sky).
Direção: Howard Hawks
1952 – ASSIM ESTAVA ESCRITO (The Bad and the Beautiful)
Direção: Vincente Minnelli

Como palhaço em O MALABARISTA (1953)
1953- A HISTÓRIA DE TRÊS AMORES (The Story of Three Loves)
Direção: Vincente Minnelli, Gottfried Reinhardt
1953- O MALABARISTA (The Juggler)
Direção: Edward Dmytryk
1953- MAIS FORTE QUE A MORTE (Un acte d'amour)
Direção: Anatole Litvak

Com Rossana Podesta: ULYSSES (1954)
1954- ULYSSES (Ulisse).
Direção: Mario Camerini
1954- 20.000 LÉGUAS SUBMARINAS (20,000 Leagues Under the Sea)
Direção: Richard Fleischer

Com Bella Darvi: CAMINHO SEM VOLTA (1955)
1955 – CAMINHO SEM VOLTA (The Racers)
Direção: Henry Hathaway
1955- HOMEM SEM RUMO (Man Without a Star)
Direção: King Vidor
1955- A UM PASSO DA MORTE (The Indian Fighter)
Direção: Andre De Toth.


SEDE DE VIVER (1957): Anthony Quinn e Kirk Douglas.
1956 – SEDE DE VIVER (Lust for Life)
Direção: Vincente Minnelli
1957- LÁBIOS SELADOS (Top Secret Affair)
Direção: H.C.Porter
1957- SEM LEI E SEM ALMA (Gunfight OK Corral)
Direção: John Sturges
1957- GLÓRIA FEITA DE SANGUE (Paths of Glory)
Direção: Stanley Kubrick

Com Janet Leigh: VIKINGS, OS CONQUISTADORES (1958)
1958- VIKINGS, OS CONQUISTADORES (The Vikings)
Direção: Richard Fleischer
1959- DUELO DE TITÃS (Last Train from Gun Hill)
Direção: John Sturges
1959- O DISCÍPULO DO DIABO (The Devil's Disciple)
Direção: Guy Hamilton
1960- O NONO MANDAMENTO (Strangers When We Meet)
Direção: Richard Quine

Lançamento de SPARTACUS nas salas cariocas, em 1961.
SUA ÚLTIMA FAÇANHA (1962): O Filme predileto de Kirk.
1960- SPARTACUS (Spartacus).
Direção: Stanley Kubrick
1961- CIDADE SEM COMPAIXÃO (Town Without Pity)
Direção: Gottfried Reinhardt
1962- SUA ÚLTIMA FAÇANHA (Lonely Are the Brave)
Direção: David Miller

Com Cyd Charise: CIDADE DOS DESILUDIDOS (1962)
1962- A CIDADE DOS DESILUDIDOS (Two Weeks in Another Town)
Direção: Vincente Minnelli.
1963- SEDE DE VINGANÇA (The Hook)
Direção: George Seaton;
1963- A LISTA DE ADRIAN MESSENGER (The List of Adrian Messenger)
Direção: John Huston
1963- POR AMOR OU POR DINHEIRO (For Love or Money)
Direção: Michael Gordon

SETE DIAS DE MAIO (1964) - Lancaster e Douglas
1964- SETE DIAS DE MAIO (Seven Days in May)
Direção: John Frankenheimer
1965- A PRIMEIRA VITÓRIA (n Harm's Way)
Direção: Otto Preminger
1966- OS HERÓIS DE TELEMARK (The Heroes of Telemark)
Direção: Anthony Mann.
1966-  A SOMBRA DE UM GIGANTE (Cast a Giant Shadow)
Direção: Melville Shavelson

A SOMBRA DE UM GIGANTE (1966): Com John Wayne
1966- PARIS ESTA EM CHAMAS? (Paris brûle-t-il?)
Direção: Rene Clement
1967- DESBRAVANDO O OESTE (The Way West)
Direção: Andrew V. Mclaglen
1967- GIGANTES EM LUTA (The War Wagon)
Direção: Burt Kennedy
1968- ENTRE O DESEJO E A MORTE (A Lovely Way to Die)
Direção: David Lowell Rich
1968- SANGUE DE IRMÃOS (The Brotherhood)
Direção: Martin Ritt
1969- MOVIDOS PELO ÓDIO (The Arrangement)
Direção: Elia Kazan
1970-NINHO DE COBRAS (There Was a Crooked Man...)
Direção: Joseph L. Mankiewicz

Capa de DVD em edição americana do filme
1971- O FAROL DO FIM DO MUNDO (The Light at the Edge of the World)
Direção: Kevin Billington
1971-O DUELO (A Gunfight)
Direcão: Lamont Johnson
1971- COMO AGARRAR UM ESPIÃO (Catch Me a Spy)
Direção: Dick Clement
1972 – UM TOQUE DE MESTRE (Un uomo da rispettare)
Direção: Michele Lupo
1973- AS AVENTURAS DE UM VELHACO (Scalawag)
Direção: Kirk Douglas

NINHO DE COBRAS (1970)
1975- AMBIÇÃO ACIMA DA LEI (Posse)
Direção: Kirk Douglas
1975- UMA VEZ SÓ NÃO BASTA (Once Is Not Enough)
Direção: Guy Green
1977- HOLOCAUSTO 2000 (Holocaust 2000)
Direção: Alberto De Martino
1977- A FÚRIA (The Fury)
Direção: Brian De Palma
1979- CACTUS JACK, O VILÃO (The Villain)
Direção: Hal Needham
1979- TERAPIA DE DOIDOS (Home Movies)
Direção: Brian De Palma

Com Farrah Fawcett: SATURNO 3 (1980)
1980- SATURNO 3 (Saturn 3)
Direção: Stanley Donen
1980- NIMITZ, DE VOLTA AO INFERNO (The Final Countdown)
Direção: Don Taylor
1982- HERANÇA DE UM VALENTE (The Man from Snowy River)
Direção: George Miller
1983- CAÇADA IMPIEDOSA (Eddie Macon's Run)
Direção: Jeff Kanew
1986- OS ÚLTIMOS DURÕES (Tough Guys)
Direção: Jeff Kanew
1991- OSCAR, MINHA FILHA QUER CASAR (Oscar)
Direção: John Landis

VERAZ (1991) -Não exibido no Brasil e inédito aqui.
1991 – VERAZ (Veraz)
Direção: Xavier Castano
1994- OS PUXA SACOS (Greedy)
Direção: Jonathan Lynn
1999- EM BUSCA DOS DIAMANTES (Diamonds)
Direção: John Asher
2003- ACONTECE NAS MELHORES FAMÍLIAS (It Runs in the Family)
Direção: Fred Schepisi

PARA TELEVISÃO

1954- THE JACK BENNY SHOW – Levado ao ar em 17 de outubro de 1954. Direção: Ralph Levy
1973- O MÉDICO E O MONSTRO (Dr. Jekyll and Mr. Hyde)
Direção: David Winters
1973- UM ASSASSINO NA CIDADE (Mousey)
Direção: Daniel Petrie
1976- VITÓRIA EM ETEBBE (Victory at Entebbe)
Direção: Marvin J. Chomsky
1976- THE MONEYCHANGERS
Direção: Sem Informação
1982- LEMBRANÇAS DE UM AMOR (Remembrance of Love)
Direção: Jack Smight
1984- DUELO DE AMIGOS (Draw!)
Direção: Steven Hilliard Stern
1985- AMOS (Amos)
Direção: Michael Tuchner
1987- QUEENIE (Queenie)
Direção:  Sem Informação

Com Jason Robards, na adaptação televisiva de
O VENTO SERÁ TUA HERANÇA (1988-TV). Kirk
no personagem que foi de Fredric March no
cinema.
1988- O VENTO SERÁ TUA HERANÇA (Inherit the Wind)
Direção: David Greene.
1991- CONTOS DA CRIPTA – Episódio: Yellow – Levado ao ar em 28 de agosto de 1991. Direção: Robert Zemeckis
1992- O SEGREDO (The Secret)
Direção: Karen Arthur
1996- OS SIMPSONS –Episódio: The Day the Violence Died. Levado ao ar em 17 de março de 1996. Apenas dublagem.
Direção: Wesley Archer
2000- O TOQUE DE UM ANJO: Episódio: Bar Mitzvah. Levado ao ar em 12 de março de 2000.
Direção: Jeff Kanew
2008- Meurtres à l'Empire State Building. Direção: William Karel.

Um verdadeiro Mestre.
COMO PRODUTOR
 1975- Ambição Acima da Lei
 1971- O Duelo
 1971- O Farol do Fim do Mundo
 1971- Árvore da Solidão
 1968- Sangue de Irmãos
 1966- Grand Prix
 1960- Spartacus
 1960- O Nono Mandamento
1957- Glória Feita de Sangue
COMO DIRETOR
1973- As Aventuras de Um Velhaco
1975- Ambição Acima da Lei

Matéria escrita originalmente em 16 de dezembro de 2016
Atualizada em 5 de fevereiro de 2020
Por Paulo Telles
5 de fevereiro de 2020 


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