segunda-feira, 17 de agosto de 2015

Espaço "Encontros: Encontro com Saulo Adami – Um bate papo durante a sessão de autógrafos de seu novo livro.


Não é de desconhecimento por grande parte dos leitores do blog FILMES ANTIGOS CLUB que seu editor tem profunda admiração por um dos mais notáveis escritores deste país, o catarinense SAULO ADAMI.  Nas décadas de 1980 e 1990, Saulo colaborou para uma das mais conceituadas revistas de cinema do Brasil, a saudosa CINEMIN, publicada pela Editora Brasil-América durante muitos anos, onde escreveu primorosos artigos dividindo a honra entre outros grandes nomes da comunicação social, como João Lepiane, Gil Araújo, A.C Gomes de Mattos, etc.


SAULO ADAMI, e o editor deste espaço PAULO TELLES, que  recepcionou o escritor em sua chegada ao Rio de Janeiro.

Mas, além disso, o que chama a atenção é que Saulo é um notório admirador da franquia PLANETA DOS MACACOS, desde o primeiro filme de 1968 dirigido por Franklin J. Scheafner, até o último filme lançado ano passado, incluindo também uma série de TV (Live Action, 14 episódios) e dos desenhos animados. E isso fez com que escrevesse diversos livros a respeito desta grande saga, que vem cativando um enorme público por quase 50 anos.

Vamos conhecer um pouco de SAULO ADAMI, falar um pouco de sua trajetória como escritor, próximos projetos, e claro, como começou sua fascinação por uma das franquias mais bem sucedidas no cinema. Tudo isso em um bate papo com o editor do blog e o escritor.

Reportagem de Paulo Telles, Rio de Janeiro/RJ 

O editor recebe autografado uma das matérias publicadas na revista Cinemin pelo escritor. Edição de Cinemin pertencente a coleção pessoal de Paulo Telles.

     PAULO TELLES - Saulo, é um prazer de tê-lo conosco aqui na “Cidade Maravilhosa”, seja bem vindo! É uma honra para os leitores do blog FILMES ANTIGOS CLUB conhecer ainda mais o seu trabalho, tendo em vista o evento realizado no Planetário da Gávea para a sessão de autógrafos de seu mais recente livro – “Homem não entende nada - arquivos secretos do Planeta dos Macacos”, publicado pela Editora Estronho. Mas você já escreveu outros livros a respeito do tema, e também já publicou um artigo em duas partes sobre PLANETA DOS MACACOS na saudosa revista “Cinemin”. Fale-nos, Saulo, um pouco de sua “saga” nesta saudosa revista, e o trabalho com grandes nomes que deram sua contribuição neste “magazine”, como o Professor A.C Gomes de Mattos, e os falecidos Gil Araujo e João Lepiane?



Saulo Adami


 SAULO ADAMI - Escrever para a revista “Cinemin” foi uma das experiências mais marcantes da minha vida! De tanto enviar cartas para o editor Fernando Albagli cobrando uma reportagem sobre as séries de cinema e TV “O Planeta dos Macacos”, ele um dia me escreveu devolvendo a pergunta: “E por que você não escreve um artigo e envia para a gente, então?”. O desafio foi aceito, e lá fui eu, para a máquina de escrever, com o colo cheio de material de pesquisa sobre o tema, e escrevi um artigo. Na verdade, um artigo tão grande que eles publicaram em duas edições da revista, em 1990. Começava assim a minha trajetória na “Cinemin”. Talvez eu decepcione aos leitores desta entrevista, mas nunca tive contato direto com Antonio Carlos Gomes de Mattos, Gil Araújo ou João Lepiane. Teria gostado de conhecê-los, mas isso nunca aconteceu. Meu contato foi com o Albagli, que um dia conheci durante uma viagem ao Rio de Janeiro, na década de 1990, pouco antes do fim das atividades da “Cinemin”. Ele foi gentil, me convidou para conhecer o museu que a EBAL – Editora Brasil-América Limitada mantinha em sua sede, inclusive me apresentou as revistas “Cinemin” de todas as séries, os gibis do “Tarzan” e de tantos outros heróis, e o chapéu do Cabo Rusty de “Rin-Tin-Tin”. Fiquei triste com a morte do Albagli e com o encerramento das atividades da revista. Foi uma honra e um privilégio contribuir com a “Cinemin”. Ela me aproximou de muitos dos leitores dos meus futuros livros sobre “O Planeta dos Macacos”.





Charlton Heston em ação no Planetário da Gávea. Sessão em tela grande de "O Planeta dos Macacos", de 1968.



PAULO TELLES - Quando você começou a se interessar pelo Planeta dos Macacos? Você viu o filme estrelado por Charlton Heston no cinema quando estreou no Brasil?

Saulo Adami - Assisti pela primeira vez “O Planeta dos Macacos” (1968), de Franklin J. Schaffner, na televisão, em 1975. Em preto e branco, dublado em português. Apenas agora, durante este evento no Rio de Janeiro, 40 anos depois que iniciei minhas pesquisas, terei a oportunidade de assistir ao filme do cinema do Planetário da Gávea!


Cartaz original ao período de seu lançamento em 1968 no Brasil
PAULO TELLES - Qual foi sua impressão no primeiro filme? Você ficou impactado?

Saulo Adami - Eu tinha 10 anos de idade, e naquela noite quase não dormi: eu queria descobrir como tudo havia sido feito. Maquiagem, figurino, efeitos especiais, aquela cidade cenográfica, o roteiro, o livro que havia inspirado aquela história extraordinária. Mais do que impactado pela história e pelo filme, eu fiquei encantado por encontrar, todos juntos em um só filme, os meus favoritos: os atores Roddy McDowall e Charlton Heston, a atriz Kim Hunter, o músico Jerry Goldsmith e o diretor Franklin J. Schaffner, cujos filmes e seriados de TV eu já conhecia.


O Livro de Pierre Boule
PAULO TELLES - Chegou a ler o livro de Pierre Boule?

Saulo Adami - Li o livro de Pierre Boulle apenas na década de 1980, a princípio em uma versão em francês, presenteada por meu amigo Haroldo Esteves, do Rio de Janeiro, depois em espanhol... e finalmente em língua portuguesa, uma edição publicada em Portugal nos anos 1960.

PAULO TELLES - O impacto que você sentiu foi o mesmo que se sucedeu em relação ao primeiro filme?

Saulo Adami - O livro é diferente do filme, são dois “veículos” distintos, não faço comparação entre estas obras. Gosto dos dois, cada um ao seu modo! Mas, pessoalmente, prefiro o filme.


Edward G. Robinson - O Dr. Zaius que ninguém viu nas telas.

PAULO TELLES - Sabemos, por exemplo, que Edward G. Robinson foi a primeira escolha (e talvez a mais acertada, já que era um ótimo ator) para o papel de Dr. Zaius, contudo ele não se adaptou as maquiagens e foi substituído por Maurice Evans.

Saulo Adami - Sim, Edward G. Robinson era um excelente ator, e teria dado um Dr. Zaius sensacional. Mas não teria sobrevivido ao papel, do qual ele abriu mão por indicação do seu cardiologista. Quem tiver a oportunidade de assistir ao curta-metragem que fizeram com Edward G. Robinson no papel de Zaius e Charlton Heston no papel de Thomas (primeiro nome criado para o personagem do astronauta) verá que ele tem dificuldades para falar debaixo da maquiagem primitiva criada por Bem Nye para o teste de cena, em 1966. Ele certamente teria morrido dentro da maquiagem. Independentemente disso, Robinson pediu US$ 150 mil para viver Zaius, enquanto Maurice Evans – que ficou com o papel e também era um ator extraordinário, oriundo do teatro – assinou contrato por US$ 25 mil. Ou seja, com o dinheiro economizado com Robinson, foi possível pagar os salários dos atores Maurice Evans (US$ 25 mil), Roddy McDowall (US$ 40 mil), da atriz Kim Hunter (US$ 25 mil) e do diretor Franklin J. Schaffner (US$ 75 mil).


Charlton Heston

PAULO TELLES - Charlton Heston já havia sido a primeira e definitiva escolha para o papel do Astronauta Taylor, ou os produtores já haviam pensado em algum outro ator  para a caracterização deste personagem?

Saulo Adami - O produtor Arthur P. Jacobs tinha a mania de fazer lista de possíveis escolhidos para os papeis que seus filmes teriam. Quando ele pensou no personagem Taylor, a sua lista tinha vários nomes: Marlon Brando, Paul Newman, Burt Lancaster, Steve McQueen, George Peppard, Rod Taylor, Jack Lemmon, James Garner, Stuart Whitman e Cliff Robertson. Mas sua escolha recaiu sobre Charlton Heston porque Heston era um nome de grande destaque na Hollywood dos anos 1960, um ator conhecido pela participação em filmes épicos, como “Os Dez Mandamentos”, “Ben-Hur”, “El Cid”, “O Senhor da Guerra”, e neste último ele havia trabalhado com o diretor Schaffner. Heston gostou do personagem e assumiu compromisso com Jacobs para interpretá-lo, desde que o diretor fosse Schaffner. Fiel aos acordos que assumia, Jacobs manteve este, também.



PAULO TELLES - Falando agora um pouco de você e sua vida pessoal. Você é casado? Tem filhos? Onde nasceu? Fique a vontade!

Saulo Adami- Meu nome completo é Luiz Saulo Adami, foi assim que eu assinei o meu primeiro livro sobre este tema, “O único humano bom é aquele que está morto!” (1996). Nasci em 21 de fevereiro de 1965, em Brusque, Santa Catarina. Sou filho de um casal de comerciantes – Luís Avaní Adami e Teresa Conte Adami – estabelecidos na comunidade rural do Arraial dos Cunhas, em Itajaí, Santa Catarina, e tenho uma irmã chamada Karina Adami, que é formada em Direito. Em 2011, depois do divórcio – primeiro casamento durou 25 anos –, eu me casei com a psicóloga paranaense Jeanine Wandratsch Adami, e desde então moramos em Curitiba. Não tive filhos, por opção minha.


Exemplares de "Homem não Entende Nada - Arquivos Secretos de Planeta dos Macacos" em exposição no Planetário da Gávea. Uma obra primorosa, com quase 40 anos dedicadas à pesquisas sobre o tema.

PAULO TELLES - Quando começou sua carreira de escritor e qual foi seu primeiro livro, Adami?

Saulo Adami - Aos 10 anos de idade, eu escrevia crônicas e contos, e montei meu primeiro texto para teatro, uma comédia encenada com ajuda de colegas da Escola Municipal Luiz Silvério Vieira, do Arraial dos Cunhas, em 1975: “Show do Riso”. O primeiro livro, “Cicatrizes” foi publicado em 1982, reunindo conto, crônica e poesia.


Junto a seus fiéis colaboradores, o escritor Saulo Adami, autor de "Homem não Entende Nada - Arquivos Secretos de O Planeta dos Macacos", em evento realizado a 15 de agosto de 2015 no Planetário da Gávea, Rio de janeiro. Venda do livro, Sessão de Autógrafos, Sessão de Cinema, e Palestras.

PAULO TELLES - Já esteve envolvido no Rádio ou na TV?

Saulo Adami - No rádio. Participei como convidado da sessão “Bastidores da Sétima Arte”, no programa “A Tarde é Nossa”, de Luiz Augusto Wippel Filho, na Sociedade Rádio Araguaia de Brusque, em 1984. Este trabalho me levou a ser convidado para fazer dois programas: “O Artista da Terra Pede Passagem” e “Geração Jovem Guarda”. Ficaram no ar por seis meses, eu era roteirista, co-apresentador e co-produtor com Tina Rosa, com quem fui casado de 1985 a 2011.


Sessão de Autógrafos 

PAULO TELLES - Quantos livros de sua autoria já foram publicados?

Saulo Adami - Desde 1982, já foram publicados 78 livros de minha autoria. São obras nas áreas de literatura, como poesia, conto, crônica, novela e romance. Também tenho obras nas áreas de ensaio, história e biografia. Agora, aguardo oportunidade para lançar livros com minhas peças teatrais e roteiros para documentários de cinema. Desde 2004, tenho publicado em média quatro a seis livros por ano.



PAULO TELLES - Sabemos que do final da década de 1960 até o início de 1970, se prolongando um pouco, a primeira franquia se tornou um enorme sucesso no cinema, originando depois uma série Live Action de 14 episódios e desenhos animados, e claro, histórias em quadrinhos. Em sua opinião Adami, como você vê o sucesso de Planet of the apes e a que se deve tamanho êxito?

Saulo Adami - O que existe move as pessoas a ler um livro, assistir a um filme ou comprar uma revista em quadrinhos? Cada um de nós tem pelo menos duas respostas para esta pergunta. Mas, acima de tudo, independentemente dos interesses individuais ou coletivos do público, acredito que o grande trunfo destas séries – cinema, TV, quadrinhos... – foi a forma como provocou a reflexão do público, nas décadas de 1960 e 1970: quem somos nós, e o que estamos fazendo na Terra? E se, de repente, a Terra não fosse um planeta exclusivamente regido por humanos? Fora isso, o produtor Arthur P. Jacobs era um homem de publicidade: relações públicas experiente, acostumado a lidar com as maiores estrelas de Hollywood – Marilyn Monroe, James Stewart e dezenas de outras estrelas eram clientes do seu escritório –, ele sabia como transformar uma ideia em um produtor conhecido.


O Editor recebendo seu exemplar

PAULO TELLES - O PLANETA DOS MACACOS com sua abordagem pessimista, ao tratar da regressão do ser humano e o holocausto da humanidade, ela de alguma maneira serviu de reflexão ou objeto de estudos para alguns acadêmicos da área filosófica?

Saulo Adami - Sim, sempre há autores interessados. Não faz muito tempo, saiu nos Estados Unidos um livro dedicado à filosofia no Planeta dos Macacos, escrito por acadêmicos. Auxiliei alguns formandos na área de comunicação social a fazer seus TCCs sobre as mensagens dos filmes e seriados de TV. Enfim, é um tema abrangente, importante e curioso para quem lida com áreas como filosofia, antropologia, religião, evolução...

Saulo Adami em ação!

PAULO TELLES - Você viajou para os Estados Unidos e visitou Hollywood, conhecendo celebridades envolvidas em o “Planeta dos Macacos” tanto nos trabalhos cinematográficos quanto na série de TV. Fale-nos de atores e atrizes que chegou a conhecer, como Ron Harper, por exemplo? Você já entrevistou Roddy McDowall ou Charlton Heston? Fale-nos de sua emoção ao conhecer de perto algumas destas celebridades.

Saulo Adami - Em 1998, tive oportunidade de participar da convenção “Starcon”, reunindo atores e técnicos que participaram de séries e filmes de ficção científica, horror e fantasia. Havia um grande grupo de pessoas ligadas ao “Planeta dos Macacos”, como Booth Colman, Linda Harrison, Ron Harper, Jeff Corey, Buck Kartalian, William Smith, Don Pedro Colley e Lee Delano. Durante este evento, gravei entrevistas com Colman, Harper, Kartalian e Colley, que foram muito gentis. Inclusive, Colman me levou para conhecer seu apartamento e o acervo da biblioteca da Academia de Artes e Ciências Cinematográficas de Hollywood, onde pude conhecer vários roteiros de filmes da série e os Oscars recebidos pelo ator, diretor e roteirista John Huston, o Legislador do quinto filme da série e um dos legendários do cinema. Jamais tive acesso a Roddy McDowall, embora tenha encaminhado meu primeiro livro para ele pelo menos seis vezes: o livro sempre voltava, por endereço incorreto ou destinatário não encontrado. Quando finalmente o livro não retornou, soube que ele havia morrido, e até hoje desconheço se ele teve acesso à obra. Charlton Heston não respondeu através de carta, mas enviou uma fotografia autografada. Em 1999, retornei aos Estados Unidos, e conheci Natalie Trundy, viúva de Jacobs, que me levou à biblioteca da Universidade de Marymouth, Beverly Hills, onde tive acesso a todos os arquivos do produtor da saga cinematográfica (1968-1973). Conheci também o maquiador Bill Blake, que me convidou para fazer a experiência da maquiagem de Cornélius, usando apliques e figurinos que pertenceram a Roddy McDowall. E o maquiador John Chambers, que foi muito gentil em me receber no seu apartamento, permitindo-se fotografar ao meu lado e ao lado do Oscar que ele recebeu em 1969 pela criação do desenho da maquiagem dos chimpanzés, gorilas e orangotangos que povoaram a Cidade dos Macacos no primeiro filme da série.


PAULO TELLES - Quando resolveram fazer um Remake em 2001, dirigido por Tim Burton, a crítica e o público não deram uma boa recepção. Em sua opinião, o que faltou para ser bem sucedido, mesmo tendo na regência um cineasta no porte de Tim Burton?

Saulo Adami - Faltou história. O roteiro, escrito a seis mãos, ficou confuso. O ator que fez o astronauta é inexpressivo. A Ari parecia uma caricatura do Michael Jackson. O Tim Burton atirou no próprio pé, o que acontece com bons diretores. E com os maus, também.

PAULO TELLES - Nos fale do futuro da franquia “Planeta dos Macacos” no cinema, e os projetos de Hollywood para o próximo ano, se houver.

Saulo Adami - Espero que a franquia se perpetue e se aperfeiçoe filme após filme. Público para isso tem. E se o público prestigia a produção não para, a não ser que o estúdio decida parar de produzir. É preciso cuidar mais e melhor dos roteiros. E se por um lado não há mais o transtorno da maquiagem dos macacos, por outro lado há o desafio da criação e da execução dos novos e detalhes efeitos especiais visuais. Em 14 de julho de 2017, teremos a estreia de “Planeta dos Macacos: A Guerra”, terceiro episódio do reboot. Espero que tenhamos outros filmes, talvez mais duas trilogias, como alguns amigos americanos deixaram escapar a informação. Considerando que cada episódio da nova franquia precisa de três anos para ser produzido. Teremos filmes do “Planeta dos Macacos” no cinema pelos próximos 21 anos. Estou achando ótimo, pois estarei “empregado” até meus 71 anos de idade! E lançando uma edição revista e ampliada de “Homem não entende nada!” a cada filme. Espero que venham, também, novos seriados de TV e telefilmes, e um dia gostaria de ver nas telonas uma adaptação fiel do livro de Pierre Boulle. Com a tecnologia de hoje em dia, é bastante provável que ficasse convincente!

"HOMEM NÃO ENTENDE NADA! ARQUIVOS SECRETOS DE O PLANETA DOS MACACOS" - Editora Estronho (2015)- Uma obra prima destinada ao Sucesso.

PAULO TELLES - O seu mais recente livro, que tem 612 páginas, “Homem não entende Nada- Arquivos Secretos do Planeta dos Macacos” enquadra quase 40 anos de pesquisa e estudo a respeito de uma das franquias mais bem sucedidas de todos os tempos, pois sua mais recente obra promete ir além das fronteiras. Há quase 40 anos atrás você já tinha um projeto para juntar todos estes estudos e pesquisas e colocar tudo num livro, ou foi idealizando isso de uns tempos para cá?

Saulo Adami- “Homem não entende nada! Arquivos secretos do Planeta dos Macacos” começou a ser escrito em 1978, pois ele reúne todos os conteúdos dos livros anteriores: “O único humano bom é aquele que está morto!” (1996), “Diários de Hollywood: Um brasileiro no Planeta dos Macacos” 2008) e “Perdidos no Planeta dos Macacos” (2013), este em parceria com o quadrinista Angelo Junior. É a mais completa obra já publicada sobre o universo Planeta dos Macacos no mundo, sem exagero, sem pretensões: é a mais pura verdade. Conta a história do livro de Pierre Boulle aos filmes de Arthur P. Jacobs, com entrevistas exclusivas com atores e técnicos que fizeram parte destas produções, desde a criação e aplicação da maquiagem até a criação de figurinos, construção de cidades cenográficas e outras histórias jamais contadas. Este livro é resultado de 40 anos de pesquisas e da colaboração de mais de 450 pessoas espalhas pela América do Sul, América Central, América do Norte, Europa, Oceania e Ásia. Tem mais de 200 fotografias, a maioria inédita no Brasil. “Homem não entende nada! Arquivos secretos do Planeta dos Macacos” é o livro que eu sempre quis publicar, a contribuição definitiva à memória destas séries e das pessoas que fizeram sua história.


PAULO TELLES - Fale-nos de seus projetos futuros. Outros livros em andamento?

Saulo Adami - Desde 2003, minha vida é só escrever e publicar livros. Escrevo obras por encomenda, também: histórias de empresas, entidades, famílias, biografias... Sim, tenho algumas obras em andamento, neste sentido, e planos para pelo menos mais dois ou três livros a respeito de “O Planeta dos Macacos”. Hoje, há muito mais campo para isso do que em 1996, pois os filmes estão vivos no cinema. E os fãs estão interessados em saber tudo o que puderes. Graças a Deus!

PAULO TELLES - Saulo quero agradecer-te imensamente por conceder um tempinho para mim e para os leitores do blog. Que seu livro seja um estrondoso sucesso e que leitores de todo o Brasil possam conhecer seu brilhante trabalho. Parabéns e que venham outros livros pela frente.

Saulo Adami - Sou eu quem te agradece! Que assim seja! Obrigado e um abraço para todos os leitores do Blog Filmes Antigos Club.

Saulo Adami e Paulo Telles
Esta entrevista foi realizada antes do grande evento realizado no Planetário da Gávea, no Rio de Janeiro, onde o escritor Saulo Adami, além de autografar seu mais recente livro, também promoveu uma brilhante palestra a respeito de “Planeta dos Macacos” em todo o seu conteúdo. Este editor teve o imenso prazer de conhecer pessoalmente este catarinense simpático, que dedica sua vida a escrever e a dividir o que sabe com seus leitores, e muito emocionado, o editor pediu que autografasse três exemplares da revista Cinemin de sua coleção, onde foram publicadas três matérias de sua autoria – dois artigos intitulados Perdidos no Planeta dos Macacos, nos números 60 e 61 de 1990, e uma matéria dedicada ao grande ator Charlton Heston, publicada em julho de 1993 (com dedicatória para Haroldo Esteves, um carioca amigo muito querido do escritor). A emoção do editor foi ainda maior (e em dose dupla) quando ganhou de Saulo um exemplar de “Homem não Entende Nada...” e de quebra, ainda descobrir que seu nome estava listado entre os agradecimentos do autor. Haja coração!!!

Muito obrigado Saulo, parabéns pelo seu novo trabalho, pois o primor e a dedicação com que se empenhou por anos para levar a luz esta obra merece o reconhecimento geral não somente dos leitores brasileiros, mas para os leitores do mundo todo.  Vamos em frente, meu amigo.

Paulo Néry Telles – Editor do Blog Filmes Antigos Club.



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segunda-feira, 10 de agosto de 2015

“Os Cowboys” de Mark Rydell – John Wayne como a Alma do Oeste e a Reminiscência de uma Era.


Durante uma entrevista concedida em 1972 em ocasião do lançamento de seu mais recente filme, Os Cowboys (The Cowboys), John Wayne (1907-1979) declarou “A morte pode chegar a qualquer hora e em qualquer lugar. Mas se o homem, na sua vida, procurou realizar o melhor de si, ele esta preparado para recebê-la”. Tal declaração poderia figurar no testamento do grande herói que tantas provas de bravura concedeu nas telas através de seus inesquecíveis clássicos westerns, principalmente os dirigido por John Ford e Howard Hawks.

O MITO DO WESTERN - JOHN WAYNE (1907-1979)
No filme Os Cowboys, realizado em 1971, esta afirmação do Duke soa quase que uma profecia, já que na época de sua produção, o grande astro em seus 65 anos de vida e mais de 40 de carreira, estava lutando ainda contra o temível "Big C", era assim que ele chamava o câncer que acabaria por mata-lo a 11 de junho de 1979. Contudo, um paralelo existe entre Wayne e seu personagem nesta obra, o veterano vaqueiro Will Andersen. Wayne sabia que seus dias de glória já haviam passado, e tal quais seus personagens em Bravura Indômita (1969, como Rooster Cogburn, direção Henry Hathaway) e Jake Grandão (1970, como Jake McCandalls, direção George Sherman), ele trata de igual seu personagem em Os Cowboys, praticamente como uma caricatura de si mesmo, como um deprimente monumento à nostalgia.

John Wayne é Will Andersen
Finalmente, Will contrata onze meninos para serem Os Cowboys
Enquanto o cozinheiro de Will, o Sr Nigthlinger, não chega, é a Senhora Anderson que prepara a comida para toda esta galera.
A epopeia de Will Andersen (Wayne) aparentemente é a mesma de seu Thomas Dunson em Rio Vermelho, de Howard Hawks, realizado em 1947 – um herói a frente de sua boiada e ao seu lado rudes cowboys a quem ele ensina a maneira implacável de se viver segundo as leis do Velho Oeste. Só que ao contrário de Rio Vermelho, o vaqueiro Will Andersen (diferente de Thomas Dunson) não passa de um velho impertinente, tentando resgatar suas façanhas de outrora. Mas a diferença não para por aí: os cowboys de Will Andersen são crianças, crianças desajeitadas tentando imitar as proezas de seu ídolo, do “mocinho” de verdade.

Wayne, junto ao jovem diretor Mark Rydell. No carro, a lenda JOHN FORD
O Cineasta Rydell orientando Wayne nas filmagens
Algumas vezes, Will tem que apartar as brigas de alguns Cowboys
O cineasta Mark Rydell, que nutria por John Wayne grande admiração, faz ao mesmo tempo um elogio ao mito do Western e ao seu passado lendário. Os Cowboys seria dirigido por Peter Bogdanovich, que não pôde pegar a direção, assumindo o jovem Rydell, que havia saído de trabalhos em séries de TV, onde dirigiu alguns episódios de James West, Gunsmoke, e Os Destemidos. Mas caso Bogdanovich tivesse realizado esta fita, Will Andersen, nas palavras do crítico de cinema brasileiro Paulo Perdigão, provavelmente iria constituir uma segunda versão do Sam The Lion (vivido por Ben Johnson) de “A Ultima Sessão de Cinema”. Como Sam, o personagem de John Wayne também morre, mas o seu fim não significa necessariamente o crepúsculo de uma era. Isso porque onze meninos que ele transformou em cowboys e a quem ele vê como filhos, faz com que no coração dele ocupe o lugar de dois filhos legítimos que morreram quando ainda eram crianças.

"Desapareçam de minhas terras" - Will dá o recado para quem não quer trabalhar.
Will e um cowboy mirim em ação
Will, como bom pai e mentor, as vezes precisa ser duro
A falta de vaqueiros disponíveis, mais interessados na corrida do ouro, faz com que o velho criador de gados Will Andersen contrate onze meninos para ajudar a transportar 1200 cabeças de gado ao longo de 400 milhas até o mercado de Beele Fourche. A saga de 400 milhas percorridas pelo gado das planícies de Montana, faz com que estas crianças amadureçam, transformando-as de então desajeitadas, muitos filhinhos de papai e mamãe, em cowboys de verdade. E entenderão porque Will Andersen reconhece a severidade de seus princípios. “Eu sou um homem rude porque a própria vida é rude”.

Apesar do peso da idade, Will demonstra que ainda sabe lutar
O Bandido Long Hair, vivido por Bruce Dern
Derrotado na briga, não resta ao verme Long Hair atirar em Will pelas costas
Quando Will morre, covardemente alvejado a tiros nas costas pelo bandido Long Hair (Bruce Dern) após uma briga, os Cowboys mirins além de irem atrás do assassino de seu mentor, vão executar tudo o que aprenderam, levando todo o gado até o seu destino, o mercado Beele Fourche. Cumprida a missão, só resta o filme de Rydell prestar uma homenagem à legenda do faroeste americano, o ícone do Wild West representada por John Wayne, onde os meninos colocam uma lápide na sepultura de Will Andersen. Não podemos esquecer do elenco, que além de contar com as presenças de Wayne e Bruce Dern (o único ator que “conseguiu matar John Wayne”), também contam com as presenças de Roscoe Lee Browne (1925-2007), Colleen Dewhurst (1924-1991), e Slim Pikens (1919-1983).

Os Cowboys mirins não estão para brincadeiras e nem poupam o cozinheiro de Will, o Sr. Nigthlinger.
O Cozinheiro de Will, o Sr. Nitghlinger, vivido pelo falecido Roscoe Lee Browne.
Mentor, professor, e ídolo. Onde o personagem e o ator se confundem.
OS COWBOYS é um modelo perfeito de fidelidade às fontes clássicas do Western, além de Rydell fazer deste trabalho um conto de fadas a respeito da inocência das crianças”. Em 128 minutos de projeção, em narração bem ritmada, a película nem sempre consegue justificar a exagerada padronização dos tipos, ou deixar claro que a aventura é mais uma alegoria poética do que uma sequencia de episódios realistas e inverossímeis. Mas isso absolutamente não impede que, ao fim da fita, a obra ganhe uma estatura de elegia – o túmulo de Will Andersen, coberto pela vegetação, se confunde com a paisagem, e os meninos decidem cravar a lápide no alto de uma montanha, porque entendem que John Wayne (ou Will Andersen, ambos o ator e sua caracterização se confundem!) é a alma do Oeste americano que estará em toda parte, e a reminiscência de uma era de sonhos, onde a figura do cowboy era estilizada por lirismos e lendas, que só Hollywood em seus tempos dourados soube confeccionar.



FICHA TÉCNICA
OS COWBOYS
Título Original – The Cowboys
Ano de Produção – 1971
Direção – Mark Rydell
Gênero – Western
Roteiro - William Dale Jennings e Irving
Produção – Mark Rydell e Tim Zinnemann
Ravetch, baseado em romance de William Dale Jennings
Trilha Sonora – John Williams

ELENCO
John Wayne - Will Andersen
 Roscoe Lee Browne - Jebediah Nightlinger
 Bruce Dern- Long Hair
  Colleen Dewhurst – Kate
  Slim Pickens – Anse
A.Martinez – Cimarron, o Cowboy
Clay O'Brien - Hardy Fimps, Cowboy
 Sam O'Brien  - Sam, Cowboy
  Homer Weems - Cowboy

Producao & pesquisa

Paulo telles

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