A
um longo tempo que um verdadeiro amigo meu, de longa data, me pede para publicar
uma matéria exclusiva sobre um dos mais famosos cowboys do cinema. Talvez ele
não seja tão popular às plateias mais jovens, pois não era tão famoso como John
Wayne, ou Randolph Scott, ícones do faroeste americano. Mas é conhecido pelos
amantes do gênero WESTERN e conquistou fãs pelo mundo todo, inclusive no
Brasil, graças as suas exibições em nossa telinha nas sessões Western e Bang
Bang por aqui, tão reprisadas em nossa televisão brasileira.
O
amigo a quem me refiro se chama Jorge Luis Nascimento, fã de carteirinha deste
cowboy, e o ídolo a ser focado nesta matéria (que terá ainda mais três sequencias) é nada mais do que AUDIE LEON MURPHY (1924-1971), cuja memória nos
Estados Unidos é mais lembrada como Herói americano da II Guerra Mundial, e tão
pouco como cowboy de Hollywood.
É verdade que nunca foi um astro de primeira grandeza na Meca do Cinema, mas fez seu nome na Sétima Arte conseguindo gerar admiradores de seu trabalho e de suas eletrizantes fitas de aventuras. Aliás, aventuras não faltam na vida deste astro, fossem dentro ou fora das telas.
É verdade que nunca foi um astro de primeira grandeza na Meca do Cinema, mas fez seu nome na Sétima Arte conseguindo gerar admiradores de seu trabalho e de suas eletrizantes fitas de aventuras. Aliás, aventuras não faltam na vida deste astro, fossem dentro ou fora das telas.
Vamos
falar de sua vida nos campos do Texas como meeiro de algodão na infância e
adolescência, sua entrada na II Guerra, suas conquistas por bravura, a entrada
em Hollywood, seus dois casamentos, traumas pós-guerras, sua briga num bar onde
foi acusado de tentar matar um homem, tendo que responder processo, e seu trágico fim
num acidente aéreo, que acabou por lhe tirar a vida a 28 de maio de
1971, com apenas 47 anos de idade.
Audie murphy
AUDIE LEON
MURPHY nasceu a 20 de junho de 1924, filho de pobres meeiros de algodão no
Texas, mas ganhou fama nacional como o mais condecorado soldado de combate dos
Estados Unidos da América na Segunda Guerra Mundial. Entre seus 33 prêmios e
condecorações, esta a Medalha de Honra do Congresso Americano, a mais alta
condecoração militar por bravura que pode ser dado a qualquer americano, por "bravura e intrepidez visível com o risco de por sua vida acima e além do
cumprimento do dever".
Ele também
recebeu condecorações fora dos Estados Unidos, incluindo cinco delas da
França e Bélgica. Foi a ele creditado matando mais de 240 inimigos enquanto
ferido e capturando outros mais, se tornando uma lenda dentro da divisão da
3ª infantaria, sua companhia.
Começando
seu serviço como um soldado no Exército, Audie rapidamente subiu para o posto
de Sargento, recebendo uma comissão do "campo de batalha",
como 2 º Tenente, já que foi ferido três vezes, lutando em 9 grandes campanhas
em todo o território europeu, e sobrevivendo à guerra.
Uma fase de transição
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| O PEQUENO AUDIE, AOS CINCO ANOS |
Filho de
Emmet e Josie Bell Murphy, Audie nasceu numa fazenda de agricultores, perto da
pequena cidade de Kingston, no Texas - e nos seus primeiros meses, passava muito
tempo preso à um balanço de bebê enquanto sua mãe trabalhava em um cultivo de
algodão perto de casa. Desde pequeno, ajudava carregando madeira para casa e
caçando animais para que eles pudessem ter o que comer.
Algumas vezes, ele se dava ao luxo de ter um cartucho no seu rifle para trazer comida
para uma família de nove irmãos. Sua precisão em atirar tinha de ser exata ou
eles não teriam o que comer. Isto foi muito importante para sua futura carreira
militar, pois mais tarde, no front da II Guerra, nos piores combates que
travou, a sua precisão em atirar no alvo não somente salvou sua vida, mas
também as vidas de seus companheiros de luta.
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| O PEQUENO AUDIE com seus dois outros irmãos |
A irmã de Audie,
chamada Billie, conta uma história um tanto cômica que ocorreu durante a fase
de crescimento dele. Segundo ela, Audie gostava de fazer piadas e brincadeiras.
Ela se lembrou de que, um dia, Audie ofereceu aos parentes alguns pedaços de
doces. Quando as pessoas provaram, descobriram que era um pedaço de sabão
chamado Lifebowy.
Quando Audie
tinha 12 anos, seu pai abandonou a família, e por isso, teve que deixar a escola,
estudando até o 5º grau, e foi trabalhar nas lavouras. Em 1941, quando Audie
tinha 16 anos, sua mãe faleceu. Isso foi um choque para ele, pois ele adorava
de imenso a Srª Josie Murphy, sua genitora.
Pouco tempo depois, ele foi trabalhar num posto de gasolina onde havia
uma loja de conveniências. Tendo que trabalhar, não tinha ninguém que pudesse
cuidar dos seus três irmãos menores, o que levou Audie a tomar uma extrema
decisão difícil de coloca-los em um orfanato, já que não havia outra opção.
Audie chorou a morte de sua mãe durante toda sua vida. Mas fez uma promessa: que quando tudo se endireitasse, ele tiraria seus irmãos menores do orfanato.
A carreira militar
Murphy nunca
tinha estado a mais de cem milhas longe de casa e ele foi de ônibus para o centro
de iniciação e treinamento de infantaria. Durante uma sessão de treinamento no
acampamento, ele sofreu derrotas e humilhações, chegando mesmo a passar mal ou
a desmaiar. Os comandantes da corporação tentaram transferi-lo para a cozinha e
para o treinamento dos padeiros por causa de sua “cara de bebê tão jovem”, mas Audie insistiu em se tornar um
soldado de batalha.
Depois de 13
semanas de treinamento intensivo básico ele foi enviado para o Forte Meade em Maryland, para um treinamento avançado na infantaria.
Em fevereiro
de 1943, em Casablanca, na África do Norte, ele fez a sua 1ª viagem de missão
como substituto. Ele foi transferido para as respectivas Companhias B, 1º
batalhão, 15º Regimento de Infantaria, e 3ª Divisão de Infantaria do porto
Lyautey. Nesta última, Audie ficou por toda a guerra. Mais ou menos um ano depois, ele
foi promovido comandante de sua unidade.
NO FRONT
Ao chegar a
Sicília, na Italia, ele teve o seu 1º encontro com a morte.
Audie matou
dois soldados italianos que tentavam escapar em magníficos cavalos
brancos. Quando questionado pelo líder do seu pelotão porque ele tinha feito
isso, ele respondeu:
“Isto é meu trabalho!”
Não demorou
muito, Audie contraiu malária quando esteve ainda pela Sicília, e isso foi
muito incomodativo para ele durante toda sua vida. A doença o levou para o
hospital em Salerno e, em algumas ocasiões eventuais durante a guerra que as
sequelas da doença o pegavam de surpresa.
Em agosto de
1944, a divisão de Murphy se mudou para o sul da França como parte da Operação Dragoon. Foi lá que seu melhor
amigo, Lattie Tipton, foi atraído para campo aberto e foi morto por um soldado
alemão que fingia rendição.
Enfurecido
por este ato, Murphy matou o alemão que tinha matado seu amigo. Ele
então comandou uma ação arriscada quando subiu num tanque em chamas e metralhou
todos os soldados alemães (estima-se em 240) que vinham atacar sua companhia.
Por este feito heroico, Murphy recebeu o Distinguished
Service Cross, a primeira de muitas de suas condecorações.
Antes do seu
21º aniversário e depois de mais de 2 anos e meio no mar, a maioria em linha de
missão a frente de combate, Audie Murphy voltou para sua casa no final da II
Guerra Mundial, com todas as condecorações de valor que um país pode conceder a
um soldado.
Audie
testemunhou a morte de centenas de companheiros e soldados inimigos. Dotado de
grande coragem diante desses horrores, ele foi premiado com 33 condecorações
nos Estados Unidos, incluindo três Purple
Hearts – medalhas concedidas pelos Estados Unidos aos seus soldados feridos
em batalha (como no caso de Audie). Murphy participou em nove campanhas de
batalha, incluindo o ataque aos desembarcadores na Sicília e sul da França. A
sua fama lhe deu o título de “o mais condecorado soldado americano da II Guerra
Mundial”.
PÓS-GUERRA
A volta de
Audie para sua casa em Fammersville, Texas, em 1945, foi completamente cheia de
excitação. A família dele e todos os amigos lhe deram boas vindas de herói. Audie
nunca gostou de falar em público e fugiu para não ser o centro das atenções. Em
uma ocasião em um jantar cerimonial, oferecido em sua honra em San Antonio
(Texas), Audie sorrateiramente saiu e se instalou em um hotel local, e dormiu a
noite inteira.
Quando
estava em Nova York, ele teve um dia inteiro de homenagem no Elbet’s field. Ele estava perplexo com
toda gratidão americana. Visitou hospitais e deu apoio aos soldados feridos.
Audie não se sentia confortável junto dos civis e ainda dedicou bastante tempo
para as pessoas que se relacionava. Os soldados e a guerra ainda estavam bem
profundos no coração e na mente de Audie, e isto impregnou por quase toda sua
vida.
Audie
retornou a Europa em 1948 em nome do Exército e ofereceu seus respeitos para
aqueles que tinham morrido. Enquanto ele esteve lá, ele provou emoções
diferentes, estando entristecido pela futilidade da guerra, tudo isso pela
consideração que tinha pelas crianças. Audie amava crianças e demostrava isso.
Aqui uma
pequena nota da irmã mais nova de Audie, pouco tempo depois dele ter voltado da
guerra para casa. Ela relata que Audie adquiriu uma casa de 2 pisos para a irmã
mais velha Corine viver com o marido e seus filhos. Isso possibilitou que os três irmãos mais
novos de Audie fossem tirados do orfanato e voltassem a se reunir com os outros
membros da família. Murphy tinha jurado fazer isso antes de ir para o Exército
e ele conseguiu cumprir a promessa.
Enquanto
Audie esteve na casa dos seus familiares, sua irmã Billie lembra que o irmão
condecorado comprou para ela o seu 1º par de meias de nylon, sapatos de couro
envernizado para os domingos, e o mais bonito vestido do mundo. Isto era uma
coisa que a irmã costumava se lembrar por todos os anos e jamais esqueceu, pois
segundo ela, Audie amava fazer coisas para as outras pessoas.
Audie Murphy
se tornou uma respeitada celebridade. A Life, uma das revistas mais prestigiadas do mundo, homenageou o
soldado com cara de bebê bravo,
colocando-o na capa de sua edição de 16 de julho de 1945. Foi essa fotografia que inspirou o ator James
Cagney (1899-1986) a chamar Murphy e convidá-lo para um teste em Hollywood, e
assim, ingressar na carreira de ator.
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| James Cagney |
INTRODUÇÃO EM HOLLYWOOD
James Cagney
imediatamente percebeu o potencial do jovem herói de guerra como um ídolo do
cinema, e convidou-o para a Hollywood, com a ideia de escala-lo em suas
produções. Audie mudou-se para a
Califórnia no verão de 1945, morando na casa de James Cagney e esposa por
muitas semanas. Como nenhum contrato cinematográfico foi efetuado, ele foi
embora. Depois de partir da casa dos Cagneys, Audie passou muitas noites
dormindo em um ginásio de esportes que pertencia ao seu amigo Terry Hunt, onde
lá mesmo ele se exercitava na arte do boxe.
Somente três
anos depois, que o notável herói de guerra conseguiu seu primeiro papel, embora
pequeno, no filme Código de Honra (Beyond Glory), estrelado por Alan Ladd
(1913-1964) e Donna Reed (1923-1986). Mesmo num diminuto papel, ele conseguiu
sua primeira crítica escrita:
Audie Murphy fez sua estreia e foi
muito boa. Vocês o reconhecerão. Ele é o único com um sotaque do sul.
O casamento com wanda hendrix
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| WANDA HENDRIX |
Um dia,
Audie viu uma foto da atriz Wanda Hendrix (1928-1981) na capa da revista Coronet, de março de 1946. Ela era uma
atriz aspirante despontando sob um contrato com a Paramount. Segundo se conta,
foi ela que pediu para o estúdio das
estrelas que Audie fosse escalado para um papel no filme Código de Honra. Enquanto trabalhava no
seu primeiro filme, Audie conseguiu outra foto de publicidade na revista Life. Desta vez, a manchete da capa era
a estreia de Murphy no cinema, e o seu romance com Wanda. Audie e Wanda se
casaram no dia 8 de janeiro de 1949.
O segundo
filme de Murphy, Viver Sonhando (Texas,
Brooklyn & Heaven), de 1948, e dirigido por William Castle (1914-1977),
foi conseguido graças ao amigo David McClure, que tinha o apelido de “Spec”.
Audie conseguiu um papel através da associação entre “Spec” com a lendária fofoqueira de Hollywood Hedda Hopper
(1885-1966), que foi prestativa em obter um pequeno papel para Murphy no filme.
Audie apreciou muito essa ajuda, mas se sentia frustrado por não conseguir
papéis melhores no cinema. Mais tarde, ele anunciaria que não tiraria mais
nenhuma foto, a menos que tivesse ele um papel principal.
Mais filmes
Em breve, a
sua grande oportunidade aconteceria quando ele, finalmente, estrelou no filme Caminho da Perdição (Bad Boy), dirigido
por Kurt Neumann (1908-1958), e atuando ao lado de Jane Wyatt (1910-1986) e
Lloyd Nolan (1902-1985). Foi seu primeiro papel principal.
Tudo começou
no outono de 1948, quando Audie conseguiu esta oportunidade graças a James “Skipper”
Cherry e ao produtor Paul Short, ambos conectados com a Interstate Theatres Incorporation .
Murphy voltou ao Texas para uma
visita, e como de costume, passou muito tempo com Skipper, seu consultor e
amigo íntimo. Nessa época, Short estava escalando o elenco para Bad Boy em Hollywood. Skipper contactou Short e pediu a ele para
considerar um pedido seu e dar a ele um papel no filme. Apesar de algumas
objeções do presidente da Allied Artist, Audie fez um teste de filmagem e
conseguiu o papel principal.
O lançamento
mundial do filme foi no dia 16 de fevereiro de 1948,
A
SAGA CONTINUA DAQUI A UMA SEMANA. BREVE A SEGUNDA PARTE, ONDE SERÁ FALADO DOS
SEUS PRINCIPAIS FILMES.
COMO O VERDADEIRO HERÓI DE GUERRA SE TORNOU UM DOS “MOCINHOS”
DO FAR-WEST AMERICANO? AS DUAS FITAS
QUE ESTRELOU E DIRIGIDAS POR JOHN HUSTON.
O LIVRO QUE ESCREVEU SOBRE AS SUAS
MEMÓRIAS NO FRONT E QUE ACABOU VIRANDO UM FILME QUE ELE MESMO VEIO A ESTRELAR.
O SEGUNDO CASAMENTO E MUITO MAIS!!! NÃO PERCA A SEGUNDA PARTE DA
A SAGA DE AUDIE MURPHY
Na
próxima semana, nesta mesma sala...neste mesmo cinema!!!!
Capítulos da
Saga a disposição nos links:
PARTE 2
PARTE 3
PARTE 4
Produção
e Pesquisa de Paulo Telles
Colaboração: Jorge Luis Nascimento
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EM
TEMPO
In Memorian de
JAMES GARNER
(1928-2014)
James Garner foi um dos atores que
mais se identificaram com o cinema de aventuras, tendo protagonizado obras
primas como FUGINDO DO INFERNO (1960), DUELO EM DIABLO CANYON (1965), A HORA DA
PISTOLA (1966), entre tantos outros. Mas foi na televisão que conseguiu
certamente maior notoriedade, graças às séries televisivas MAVERICK (1957-1962), e ARQUIVO
CONFIDENCIAL (1974-1980).
Um dos seus últimos trabalhos no cinema de grande
repercussão foi em COWBOYS DO ESPAÇO, em 2000, ao lado de Clint Eastwood e
Donald Sutherland, Garner era casado com Lois Fleishman Clarke Garner desde
1956 e teve dois filhos. Em 1994, participou de uma versão cinematográfica da
série de TV que o consagrou, MAVERICK, atuando com Mel Gibson, que repetiu o
seu papel. James Garner morreu em 19 de julho de 2014, aos 86 anos.





























