segunda-feira, 27 de janeiro de 2014

Duelo ao Sol (1947): Um Western de Ousadia e Erotismo.


Quem poderia imaginar que a “sacrossanta “ Jennifer Jones (1919-2009), que encantou os corações religiosos revivendo o milagre de Lourdes em A Canção de Bernadette – pelo qual chegou a ganhar um Oscar de melhor atriz de 1943 – agora escandalizando tanta gente, prevaricando, totalmente lasciva de corpo e alma, nas imagens extravagantes no imortal clássico do Western DUELO AO SOL (Duel In The Sun).


Na estreia do filme, em dezembro de 1946, as ligas da decência americana preferiram denomina-lo Lust in the Sun (traduzindo: Luxúria ao Sol). Era mais do que um Super Western de 5,2 milhões de dólares, a celebração descabelada do erotismo, das paixões encolerizadas, dos pendores sadomasoquistas e da brutalidade glamurizada (adultério, assassinato, violação). 




No afã de superiorizar seu E O Vento Levou (1939), o produtor David O Selznick (1902-1965) ultrapassara os limites do Código Hays – A censura Hollywodiana – e, após muitos arranjos, teve de suprimir três minutos de metragem final, modificando uma cena em que Jennifer Jones, ameaçada por  Gregory Peck (1916-2003) – um cowboy cínico e atrevido- resiste aos avanços sensuais e por fim se rende com visível prazer, ao estupro.




O autor da novela original, Niven Busch (1903-1991, foto), negociava os direitos do seu livro para a RKO, em 1944, e cogitava de produzir o filme, tendo sua mulher, Teresa Wright (1918-2005) no papel que coube a Jennifer Jones, a sensual e selvagem mestiça Pearl (Perla) Chavez. Mas grávida, Teresa ficou de fora do projeto, e a RKO pediu a Selznick que cedesse Jennifer Jones, para contracenar com John Wayne (1907-1979), o primeiro escalado para o papel de Lewt McCanies. Em vez disso, Selznick comprou os direitos do filme e a lançou em uma superprodução, ao seu estilo.


A produção, como no caso de E O Vento Levou, foi atribulada. O próprio Selznick, em parceria com Oliver H.P. Garrett (1894-1952), escrevia e reescrevia o roteiro em plena filmagem, cujas as externas se iniciaram em março de 1945, perto de Tuckson, Arizona, com locações extras rodadas em San Fernando Valley, Califórnia. A 10 de agosto, o diretor King Vidor (1894-1982, foto) irritou-se com as constantes intervenções do produtor e largou o filme no meio. Para completa-lo, Selznick convocou William Dieterle (1893-1972)  -que foi o responsável pela sequencia de abertura da dança de Tilly Losch (1903-1975) num cabaré - William Cameron Menzies (1896-1957), este o planificador da produção, e Josef Von Sternberg (1894-1969), que foi o consultor visual.


Após nove meses de filmagem, foram rodadas 26 horas e meia de filme, afinal, reduzidas para 136 minutos. Ao todo, atuaram 8 cineastas, que além dos citados, os responsáveis pela segunda unidade, Otto Brower (1895-1946), B. Reeves Eason (1886-1956), e Chester Franklin, e o próprio Selznick, que dirigiu pessoalmente quatro cenas. No fim, Vidor ganhou na justiça o direito de figurar nos créditos como o único diretor.


Selznick tudo fez para perpetuar algo como um outro E O Vento Levou, mas desta vez passado no Oeste, mantendo vários elementos da equipe técnica do eterno clássico de 1939- Menzies como o designer, Jack Cosgrove (1902-1965) nos efeitos especiais, Hal C. Kern (1894-1965) na edição, e Ray Rennahan (1896-1980) no acabamento fotográfico.



Sua nova “Scarlett O’ Hara”, Perla Chavez, foi produto de verdadeira paixão: Selznick, que tinha colocado Jennifer Jones em Desde que partiste, em 1943, estava tão interessado na atriz, que acabou se divorciando da mulher Irene para casar com sua nova Estrela, em 1949. Não logrou, como pretendia, projetar Jennifer Jones como mito sexual. Em compensação, DUELO AO SOL ficou na história como o filme que introduziu o chamado “beijo francês” no cinema americano.  Com esta obra, Selznick arrebatou o prêmio especial de melhor conjunto de produção no festival de Veneza de 1948.



A História é a seguinte:

Scott Chávez (Herbert Marshall,1890–1966) mata sua mulher adúltera (Tilly Losch) e o amante. Enquanto aguarda na prisão sua execução por enforcamento, ele conforta sua filha Pearl, dizendo-lhe que já acertou para que ela vá morar com sua prima e ex-noiva, Laura Belle McCanles (Lillian Gish, 1893-1993), agora casada com um senador e rico barão de gado, Jackson McCanles (Lionel Barrymore, 1878-1954).


Assim, após a morte do pai, Pearl viaja até Paradise Flats, no Texas, onde é bem recebida no rancho por Laura Belle e por seu filho mais velho, o advogado Jesse (Joseph Cotten, 1905-1994), e com certa hostilidade pelo senador, preso a uma cadeira de rodas.



Logo ao chegar, Pearl passa a ser o centro de uma luta entre Jesse e seu irmão Lewt (Gregory Peck), ambos atraídos pela bela mestiça.  Certa manhã, ao vê-la nadando nua num pequeno lago, Lewt fica até o fim da tarde esperando que ela saia d'água para vê-la.  Ao chegarem atrasados para o jantar, Laura Belle suspeita, pelos cabelos molhados de Pearl, que os dois estiveram nadando juntos.


Ao tomar conhecimento que a ferrovia pretende se expandir através de suas terras, o senador e outros barões de gado se juntam para tentar impedi-la.  Como Lewt encontra-se fora, em El Paso, Jesse é obrigado a acompanhar o pai.  No encontro com o presidente da ferrovia, Jesse se posiciona contra o pai, sendo por este expulso de casa.


Quando Lewt retorna ao rancho, descobre que Pearl encontra-se sozinha em seu quarto e a estupra.  Mais tarde, ao se preparar para deixar a casa do pai, Jesse ouve a voz do irmão vindo do quarto de Pearl.  Antes de sair, confessa seu amor por ela, embora acredite que seja tarde demais.

Os meses se passam e todos agora admitem que Lewt e Pearl são amantes.  Perguntado se ele se casaria com ela, Lewt responde que sim.  Por trás, entretanto, assegura ao pai que Pearl  é apenas um passatempo.


Durante um baile, Pearl pretende anunciar seu noivado com Lewt, mas este a menospreza.  Ao sair do local em lágrimas, encontra Sam Pierce (Charles Bickford, 1891-1967), um homem bem mais velho com idade para ser seu pai.  Este se diz atraído por ela e lhe propõe usar suas economias para comprar um rancho para eles, caso ela o aceite.  Momentos depois, ela concorda em se casar com Sam, embora admita que não o ame.


Na noite anterior à data do casamento de Pearl, Lewt procura Sam e o mata, tornando-se um fora-da-lei cuja captura será recompensada com US$ 2000.  Embora foragido, Lewt procura Pearl, mas esta inicialmente o rejeita.  Depois, quando ele lhe diz que pretende comprar um rancho no México, ela lhe pede para que a leve consigo.  Desapontando-a, ele lhe diz que não pretende se casar, mas que, uma vez ou outra a procurará como naquela noite.


Laura Belle adoece e morre pouco tempo depois.  Ao tomar conhecimento da doença da mãe, Jesse retorna ao rancho, onde não a encontra mais com vida.  Na ocasião, ele pede à Pearl para que ela vá morar em Austin com ele e com Helen Langford (Joan Tetzel, 1921-1977), a filha do presidente da ferrovia, com quem ele pretende se casar.  Pearl agradece o convite mas não o aceita.


Jesse envia um bilhete para Lewt, propondo um duelo por causa de Pearl.  Lewt encontra-se com ele na rua de Paradise Flats, ferindo à bala seu irmão desarmado.  Pearl cuida de Jesse até a chegada de Helen.


Chocada com o ato praticado por Lewt, e com receio de que mais tarde ele volte para matar o irmão, Pearl decide ir ao seu encontro e enfrentá-lo.  Depois de uma viagem a cavalo de dois dias, ela o encontra.  Ao vê-lo de longe, começa a atirar.  Ele responde da mesma forma.  O duelo continua até que os dois são mortalmente feridos.


Arrastando-se, ela consegue chegar até ele.  Abraçados, os dois confessam seu amor mútuo, morrendo ambos em seguida.


Por este enredo, tão bem elaborado e avançado para sua época, que DUELO AO SOL se tornou um grande clássico, não apenas no gênero Western, mas em geral para o Cinema, capaz de prender a atenção do espectador do começo ao fim, onde inovou ousadia e erotismo como nunca visto antes em Hollywood. A imponente trilha sonora foi magistralmente composta por Dimitri Tiomkin (1894-1979).



O Filme em cartaz nos cinemas do Rio de Janeiro em Setembro de 1961.


FICHA TÉCNICA



DUELO AO SOL
(duel in the sun)
Ano de Produção: 1946
Gênero: Western
Direção: King Vidor
Produção: David O’ Selznick, para os estúdios Selznick e Vanguard Films.
Roteiro: David O’ Selznick, Ben Hecht, Oliver H.P. Garrett, e Niven Busch (baseado em seu livro)
Fotografia: Lee Garmes, Ray Rennahan, Harold Rosson – em cores
Música: Dimitri Tiomkin
Metragem: 144 minutos/ 125 minutos pela TV
ELENCO
Jennifer Jones – Perla Chavez
Joseph Cotten – Jesse McCanles
Gregory Peck – Lewton “Lewt” McCanles
Lionel Barrymore –  Senador Jackson McCanles
Herbert Marshall –  Scott Chavez
Lilian Gish –  Laura Belle McCanles
Walter Huston –  O Pregador
Charles Bickford –  Sam Pierce
Harry Carey -  Lem Smoot
Joan Tetzel –  Helen Langford
Tilly Losch –  Senhora Chavez
                 
Butterfly McQueen – Vashti
Otto Kruger – Sr. Langford
  Scott McCay – Sid
  Sidney Blackmer – O Amante
   Charles Dingle – Xerife Hardy

Produção e Pesquisa de PAULO TELLES.

quinta-feira, 9 de janeiro de 2014

George Reeves, o Super-Homem da TV da Década de 1950.


No dia 16 de junho de 1959, o mundo ficou chocado com a morte trágica do ator George Reeves, o intérprete do Super-Homem da televisão na década de 1950.  Sua morte até hoje é um grosso mistério, que já rendeu livros, documentários, e até mesmo um filme. Contudo, crianças que vivenciaram a série de Tv estrelada pelo homenageado de hoje jamais se esqueceram dele, pois ele tinha brilho e carisma suficiente para conquista-las.  Vamos falar um pouco sobre GEORGE REEVES.


George Reeves nasceu a 5 de janeiro de 1914, e seu verdadeiro nome era George Keefer Brewer em Woolstock, Iowa, Estados Unidos, cuja filiação são Don e Helen Lescher Brewer.


Reeves foi crescendo acreditando que sua data de nascimento era em 5 de abril de 1914, mas sua mãe mentiu para ele, já que isto colocaria seu nascimento, nove meses depois de seu casamento. George não descobriu isso até que ele ficasse adulto. Para criar uma confusão maior ainda, sua mãe cometeu um erro em seus dados quando no enterro do ator indicando a data de nascimento como 6 de janeiro em sua pedra tumular, em vez de 5 de janeiro.

Seus pais se divorciaram quando ele era adolescente, e ele foi adotado por seu padrasto, tendo por isso o sobrenome "Bessolo". George foi criado em Pasadena, Califórnia (EUA), e estudou no Junior College Passadena.


Ele se destacou na escola como pugilista amador e músico hábil, sendo que começou sua carreira de ator na Pasadena Playhouse, onde foi descoberto por "caçadores de talento" de Hollywood.


Seu primeiro filme foi Ride, Cowboy Ride, (1939), embora seja no papel de Stuart Tarleton, um dos pretendentes de Scarlet O'Hara  em E o Vento Levou (1939), que ele é mais lembrado em seu início de carreira no cinema. Nos dez anos seguintes, assinou contrato com os estúdios da Warner Brothers, 20ª Century Fox e Paramount.

Casou-se com Ellanora Needles em 1940, permanecendo casado com ela até 1950. O casal não teve filhos.


Reeves teve uma sequência de trabalhos estáveis no período de 1939 à 1943, aparecendo em mais de 40 filmes. Em 1943, quando já conseguia fazer seu nome no estrelato, Reeves foi convocado para o serviço de guerra durante a II Guerra Mundial, tendo que interromper, temporariamente, sua carreira.  Ingressou na Força Aérea Americana, e lá participou de diversos filmes de treinamentos de guerra, chegando ao posto de sargento. Ele também fez uma aparição na tela durante a guerra, no papel do tenente Thompson no filme patrocinado pelo Exército Americano Encontro nos Céus (1944), além de A Legião Branca, (1943), com Claudete Colbert.



Com o fim da Guerra, Reeves voltou a Hollywood, mas sua carreira nunca mais chegou ao mesmo nível de antes. As dificuldades de se auto-afirmar na carreira de ator o fizeram conduzir para Nova York, para participar de programas de televisão ao vivo (não havia naquela ocasião ainda o vídeo tape). Em 1948, Reeves, participou em Jim das Selvas, primeiro filme da série cinematográfica protagonizada por Johnny Weissmuller (1904-1984) e que pouco depois renderia também uma série de TV.





Em 1949, George Reeves teve uma participação no clássico bíblico de Cecil B. DeMille (1881-1959) Sansão e Dalila, interpretando um mensageiro ferido. Aliás, Reeves foi colega de escola de Victor Mature, o protagonista do filme. No mesmo ano também, foi o astro de um seriado de cinema de 15 capítulos intitulado Cavaleiros do Rei Arthur (ou Aventuras de Sir Galahad), dirigido pelo Master dos antigos seriados Spencer Gordon Bennet (1893–1987), que também dirigiu e produziu os dois primeiros filmes do Superman para o cinema: Superman (1948) e Superman contra os Homens Átomos (1950), estes estrelados por Kirk Alyn (1910-1999) no papel do Homem de Aço.


 Em Hollywood, continuou fazendo filmes, até que, em 1951, estrelou no papel-título do filme Super-Homem e os Homens Toupeira.


Devido ao sucesso de seu papel nesse filme lhe foi oferecido o papel-título na série de televisão As Aventuras do Superman (1952-1957), a qual foi transmitida no Brasil nas décadas de 1960 e 1970, ficando bastante conhecida pelo publico brasileiro.


Em 1952, Reeves participou de um grande clássico dirigido pelo lendário Fritz Lang (1890-1976), o western Diabo Feito Mulher (Rancho Notorius), contracenando com Marlene Dietrich, Arthur Kennedy, e Mel Ferrer.



Foi justamente na televisão que George conseguiu definitivamente a fama que quase havia conseguido no cinema, porque foi escolhido para interpretar o fabuloso Homem de Aço das histórias em quadrinhos para a série de TV do Super-Herói da DC Comics, criado em 1938 por Jerry Siegel (1914-1996) e Joe Shuster (1914-1992). Na época da série de TV estrelada por Reeves, os criadores do herói não tiveram creditados seus nomes como autores, já que haviam vendido os direitos do personagem para a DC. Para saber mais sobre Super-Homem, acesse o artigo Super-Homem: O Homem de Aço no Cinema e na TV através dos Tempos, publicado em julho do ano passado.


Reeves lembrava muito os traços executados por desenhistas de quadrinhos do super-herói da década de 1940/50, sobretudo por causa de um leve topete pega-rapaz, e um queixo voluntarioso.


Conseguiu alguns papéis menores em outros filmes clássicos do cinema durante o percorrer da série de TV, como A um Passo da Eternidade, de Fred Zinnemann, em 1953, com Burt Lancaster. Reeves interpretava um sargento que confidenciava ao amigo, o Sargento Milton Warden (Lancaster), que havia sido amante de Karen Holmes (Deborah Kerr), esposa de um capitão e interesse amoroso de Warden.


George Reeves alcançou fama e dinheiro (na época ele ganhava 2.500 dólares por semana). O sucesso era principalmente com as mulheres e crianças. Curiosamente, segundo sua biografia, ele evitava contato com as crianças, porque elas sempre queriam partir para a agressão com a ideia de testar a “invulnerabilidade” do ator. Em um dos eventos em que ele era convidado a se apresentar como Superman, uma criança chegou a ir armada (havia pego a arma do pai, um policial) e ameaçou atirar em Reeves, mas felizmente, este convenceu o menino, assustado, a lhe dar a arma. Mas fora isso os únicos trabalhos que ele conseguia eram comerciais de cereais ou então apresentações de luta-livre. A série de televisão durou até 1957.


Inicialmente, ele foi relutante em assumir o papel de Superman, acreditando que teria mais sucesso como ator, atuando em filmes para o cinema. Só que Reeves ficou surpreso quando o papel se tornou um hit nacional, fazendo sucesso nos Estados Unidos.



Era visto com a roupa de Super-Homem visitando hospitais e dando atenção a crianças vitimadas de câncer. Na Televisão americana, já naquela época havia programas assistencialistas como "A Cidade da Esperança" e "Telethons", e Reeves fazia questão de participar como o Super-Homem. Também participou ainda na TV como convidado especial no seriado I Love Lucy, estrelada por Lucille Ball (1911-1989).


Após o fim da série, Reeves conseguiu alguns papéis em filmes para cinema e televisão, mas havia ficado estigmatizado como Superman, papel que representou durante 5 anos. Devido à isso, os convites para atuação em novos trabalhos diminuíram. Embora Reeves estivesse deprimido por ser estereotipado como Superman, ele levou as características do personagem a sério, mantendo o exemplo do "Super Homem" para as crianças, como deixando de fumar e aparecer com namoradas perto das crianças.


Nas primeiras horas da manhã de 16 de junho de 1959, três dias antes de seu casamento com Lenore Lemmon (1923-1989), um tiro foi ouvido de sua casa, sendo que em seguida George Reeves foi descoberto morto com um tiro na cabeça.

Como resultado do inquérito e investigação policial, foi declarado que George Reeves havia se suicidado, no entanto, desde a sua morte, a informação adicional faz com que muitos acreditem que ele foi assassinado.


Reeves aparentemente teve um caso de longo prazo com Toni Lanier (1906-1983), uma ex-showgirl e esposa do executivo da MGM, Eddie Mannix (1891-1963). Ela era conhecida por sua beleza e apetite sexual lendário, e, aparentemente, o caso teve a aprovação de seu marido, que tinha uma amante.


Cinco meses antes, como Reeves estava para se casar com Lenore Lemmon, ele rompeu o romance com Toni, que a deixou de coração partido. Toni permaneceria dedicada à memória de Reeves para o resto de sua vida.

Sua vida é discutida em detalhes em dois livros, Superman: Serial to Cereal (1976) por Gary Grossman, e Hollywood Kryptonite (1996) por Sam Kashner e Schoenberger Nancy.


A vida e a morte de George Reeves foi tema do filme  Hollywoodland. Ben Affleck faz o papel de George Reeves; Diane Lane como Toni Mannix, a amante de Reeves; Bob Hoskins encarna o executivo da MGM Eddie Mannix, o marido traído de Toni; e Adrien Brody assume o detetive particular Louis Simo, que investiga a misteriosa morte do ator intérprete do Super-Homem. O longa é focado nos anos 1950 e tem direção assinada por Allen Coulter e roteiro de Paul Bernbaum.


Acima de uma investigação de morte, Hollywoodland também traz informações da conturbada vida pessoal de Reeves, que tinha muitos problemas familiares. Os grandes momentos da vida do ator, bem como sua ascensão na televisão, com a estreia da série As Aventuras de Super-Homem, também ganham espaço.


Um argumento que o diretor fez questão de manter no longa foram cenas da homônima série do Super-Homem. Apesar de ter alguns problemas com a Warner Brothers, detentora dos direitos autorais, Coulter pôde utilizar o clássico material da época. Além disso, ele reproduziu aberturas e cenas da série com o rosto de Ben Affleck.


UMA PERGUNTA QUE NÃO QUER CALAR: Será que George Reeves realmente tirou sua própria vida com um único tiro na cabeça ou foi sua morte realizada como um plano sinistro?

Na noite em que morreu, ele teria bebido muito e discutiu abertamente com Leonore Lemmon, como testemunhado por seus amigos Bliss William, o escritor Robert Condon, e Carol Van Ronkel.


Reeves teria subido zangado para seu quarto, sendo que em seguida Lemmon e os convidados disseram ter ouvido um único tiro vindo de seu quarto. O que levantou suspeita a respeito da morte de George Reeves, é que este foi encontrado despido em sua cama por seus vizinhos, durante um pequeno recolhimento por volta das 2 horas da manhã. Os vizinhos levaram 45 minutos para chamar a polícia. Os detetives encontraram furos de balas adicionais no assoalho de sua cama, e algumas contusões foram encontradas no corpo de Reeves, e havia sinais de luta de dentro do seu quarto.

Embora considerado um suicídio, muitas pessoas se recusam a acreditar que ele se matou, pois pelo menos aparentemente, Reeves não era do tipo de alguém que cometeria suicídio. Era alegre, descontraído, e boêmio. Esse é mais um dos inúmeros mistérios que permanecem ocultos nas sombras de Hollywood.



Em seu túmulo, no Mausoléu de Pasadena, localizado no Cemitério do Mountain View, em Altadena, Califórnia, encontra-se a seguinte inscrição: Para meu querido filho, George Bessolo Reeves, o Super-Homem , homenagem feita por seu padrasto.



CONTOS DA CRIPTA
Existem relatos de que a casa onde Reeves se matou (ou teria sido morto), hoje é assombrada com ruídos inexplicáveis ​​no quarto superior (local de sua morte), surgimento de cheiro de pólvora, além de pertences e objetos que são movimentados.

Existem também relatos de que cachorros quando levados à casa, ficam latindo e recusando-se a entrar na sala, bem como luzes ficam piscando ou se apagando sem motivo algum.

Alguns até dizem que George Reeves aparece no pé da cama dos atuais proprietários de vez em quando, vestido como Superman.

Como diria o saudoso Jack Palance: It’s Believe ...or not!


Curiosidades sobre George Reeves

Pessoalmente, defendeu Noel Neill quando esta substituiu Phyllis Coates no papel de Lois Lane, na Segunda temporada da série do Super-Homem, ao vê-la sendo maltratada por um dos diretores. Também defendeu o ator Robert Shayne (1900-1992), que fazia o Inspetor de Polícia Henderson na série, que foi acusado de ser comunista durante o processo de caça as bruxas, promovido pelo Senado Americano da década de 1950, e estava com risco de perder seu emprego. O produtor da série, Whitney Ellsworth (1908-1980), também defendeu Shayne, junto com Reeves.


Fez anúncios da tevê para flocos de milho da Kellogg's durante as temporadas como o Superman, na década de 1950. Em um comercial, George, como Clark Kent, usou sua super-visão para ver através de uma parede, mostrando duas crianças, que discutiam se uma menina poderia ou não ser o Superman, mas para o fim do argumento, as crianças se apaziguaram mutuamente, e cada um comia seus flocos, enquanto Superman surge, e aí quando a câmera se vira para Reeves, este sorri e diz: Vejam, pequeninos podem discutir, mas nunca sobre flocos de milho Kellogg’s.


Embora seu traje de Superman seja acolchoado, Reeves era realmente muito atlético e fazia a maioria de suas próprias cenas de perigo sem dublê em As Aventuras do Super-Homem. Os Episódios requeriam ele saltar das alturas, simulando a aterrissagem do Super-Homem, através de um trampolim. O Dublê só era escalado para George em cenas de entortar barras ou saltar para fora das janelas.


A história de George Reeves tem pontos quase em comum com a de outro intérprete de Superman, Christopher Reeve, que além de terem interpretado o mesmo super-herói, tem sobrenomes parecidos, e também, cada um a sua maneira, um final trágico.

Dizem que George Reeves já tinha tentado o suicídio duas vezes antes do suposto que cometeu, mas isto não é certo, só existem especulações. Seu padrasto veio de fato a se matar anos depois.


Durante os intervalos das filmagens de uma temporada ou outra da série do Superman, Reeves fazia aparições como convidado em feiras ou eventos por toda Estados Unidos. Em 1958, foi escalado para aparecer no parque de Kennywood, em Pittsburgh, que era um dos parques de diversões mais badalados da América do Norte, e foi escalado para aparecer no ano seguinte, 1959. Publicidades e marketings haviam anunciado esse fato, entretanto Reeves havia cometido suicídio naquele ano, e o parque teve que recolocar outra atração para substituir a ausência de Reeves/Superman, e assim, foi escalado Guy Williams, vestido de Zorro, para substituí-lo. Todo o marketing feita em torno do Superman teve logo que ser removida, para dar ênfase a Zorro, mas ainda podiam se ver alguns outdoors do Super-Homem abaixo do anúncio de Zorro.

George Reeves, passados mais de 50 anos após sua trágica morte, jamais foi esquecido por aqueles que o acompanharam pela TV, através do Homem de Aço.

Produção e Pesquisa de Paulo Telles



FILMOGRAFIA PARCIAL
GEORGE REEVES em "SANGUE E AREIA"
1939 - Ride Cowboy, Ride
1939 - Gone with the Wind (br: E o Vento Levou)
1940 - Tear Gas Squad
1940 - Torrid Zone
1940 - Pony Express Days
1941 - The Strawberry Blonde
1941 - Blood and Sand (br: Sangue e Areia)
1942 - Blue, White and Perfect
1943 - So Proudly We Hail!
1944 - Winged Victory
1948 - Thunder in the Pines
1948 - Jungle Jim (br: Jim das Selvas)
1949 - Samson and Delilah (br: Sansão e Dalila)
1949 - The Adventures of Sir Galahad (br: As Aventuras de Sir Galahad)
1949 - The Great Lover
1952 - Rancho Notorious (br: O Diabo Feito Mulher)
1951/1958 - Adventures of Superman ("As Aventuras do Superman") - (104 episódios da série para TV)
1952 - Superman na the Mole-Men (br: Superman contra os Homens Toupeiras)
1953 - The Blue Gardenia (br: A Gardênia Azul)
1953 - From Here to Eternity (br: A Um Passo da Eternidade)
1953 - Forever Female
1956 - Westward Ho, The Wagons!