No dia 16 de junho de 1959, o mundo
ficou chocado com a morte trágica do ator George Reeves, o intérprete do
Super-Homem da televisão na década de 1950.
Sua morte até hoje é um grosso mistério, que já rendeu livros,
documentários, e até mesmo um filme. Contudo, crianças que vivenciaram a série
de Tv estrelada pelo homenageado de hoje jamais se esqueceram dele, pois ele
tinha brilho e carisma suficiente para conquista-las. Vamos falar um pouco sobre GEORGE REEVES.
George
Reeves nasceu a 5 de janeiro de 1914, e seu verdadeiro nome era George Keefer
Brewer em Woolstock, Iowa, Estados Unidos, cuja filiação são Don e Helen
Lescher Brewer.
Reeves foi
crescendo acreditando que sua data de nascimento era em 5 de abril de 1914, mas
sua mãe mentiu para ele, já que isto colocaria seu nascimento, nove meses
depois de seu casamento. George não descobriu isso até que ele ficasse adulto. Para
criar uma confusão maior ainda, sua mãe cometeu um erro em seus dados quando no
enterro do ator indicando a data de nascimento como 6 de janeiro em sua pedra tumular, em vez de 5 de janeiro.
Seus pais se
divorciaram quando ele era adolescente, e ele foi adotado por seu padrasto,
tendo por isso o sobrenome "Bessolo". George foi criado em Pasadena,
Califórnia (EUA), e estudou no Junior
College Passadena.
Ele se
destacou na escola como pugilista amador e músico hábil, sendo que começou sua
carreira de ator na Pasadena Playhouse,
onde foi descoberto por "caçadores de talento" de Hollywood.
Seu primeiro
filme foi Ride, Cowboy Ride, (1939), embora seja no papel de Stuart
Tarleton, um dos pretendentes de Scarlet O'Hara em E o Vento Levou (1939), que ele é
mais lembrado em seu início de carreira no cinema. Nos dez anos seguintes, assinou contrato com os estúdios da Warner Brothers, 20ª Century Fox e Paramount.
Casou-se com
Ellanora Needles em 1940, permanecendo casado com ela até 1950. O casal não
teve filhos.
Reeves teve
uma sequência de trabalhos estáveis no período de 1939 à 1943, aparecendo em
mais de 40 filmes. Em 1943, quando já conseguia fazer seu nome no estrelato,
Reeves foi convocado para o serviço de guerra durante a II Guerra Mundial,
tendo que interromper, temporariamente, sua carreira. Ingressou na Força Aérea Americana, e lá
participou de diversos filmes de treinamentos de guerra, chegando ao posto de
sargento. Ele também fez uma aparição na tela durante a guerra, no papel do
tenente Thompson no filme patrocinado pelo Exército Americano Encontro
nos Céus (1944), além de A
Legião Branca, (1943), com Claudete Colbert.
Com o fim da
Guerra, Reeves voltou a Hollywood, mas sua carreira nunca mais chegou ao mesmo
nível de antes. As dificuldades de se auto-afirmar na carreira de ator o
fizeram conduzir para Nova York, para participar de programas de televisão ao
vivo (não havia naquela ocasião ainda o vídeo tape). Em 1948, Reeves,
participou em Jim das Selvas, primeiro filme da série cinematográfica
protagonizada por Johnny Weissmuller (1904-1984) e que pouco depois renderia
também uma série de TV.
Em 1949,
George Reeves teve uma participação no clássico bíblico de Cecil B. DeMille (1881-1959) Sansão e Dalila, interpretando um
mensageiro ferido. Aliás, Reeves foi colega de escola de Victor Mature, o
protagonista do filme. No mesmo ano também, foi o astro de um seriado de cinema
de 15 capítulos intitulado Cavaleiros do Rei Arthur (ou Aventuras de Sir Galahad), dirigido
pelo Master dos antigos seriados Spencer
Gordon Bennet (1893–1987), que também dirigiu e produziu os dois primeiros
filmes do Superman para o cinema: Superman (1948) e Superman contra os Homens Átomos (1950), estes estrelados por Kirk
Alyn (1910-1999) no papel do Homem de Aço.
Em
Hollywood, continuou fazendo filmes, até que, em 1951, estrelou no papel-título
do filme Super-Homem e os Homens Toupeira.
Devido ao
sucesso de seu papel nesse filme lhe foi oferecido o papel-título na série de
televisão As Aventuras do Superman (1952-1957), a qual foi transmitida
no Brasil nas décadas de 1960 e 1970, ficando bastante conhecida pelo publico
brasileiro.
Em 1952,
Reeves participou de um grande clássico dirigido pelo lendário Fritz Lang
(1890-1976), o western Diabo Feito Mulher (Rancho Notorius), contracenando
com Marlene Dietrich, Arthur Kennedy, e Mel Ferrer.
Foi
justamente na televisão que George conseguiu definitivamente a fama que quase
havia conseguido no cinema, porque foi escolhido para interpretar o fabuloso Homem de Aço das histórias em quadrinhos
para a série de TV do Super-Herói da DC
Comics, criado em 1938 por Jerry Siegel (1914-1996) e Joe Shuster
(1914-1992). Na época da série de TV estrelada por Reeves, os criadores do
herói não tiveram creditados seus nomes como autores, já que haviam
vendido os direitos do personagem para a DC.
Para saber mais sobre Super-Homem,
acesse o artigo Super-Homem: O Homem de Aço no Cinema e na TV através dos Tempos, publicado em julho do ano passado.
Reeves
lembrava muito os traços executados por desenhistas de quadrinhos do
super-herói da década de 1940/50, sobretudo por causa de um leve topete pega-rapaz, e um queixo voluntarioso.
Conseguiu
alguns papéis menores em outros filmes clássicos do cinema durante o percorrer
da série de TV, como A um Passo da Eternidade, de Fred
Zinnemann, em 1953, com Burt Lancaster. Reeves interpretava um sargento que confidenciava ao amigo, o Sargento Milton Warden (Lancaster), que havia sido amante de Karen Holmes (Deborah Kerr), esposa de um capitão e interesse amoroso de Warden.
George
Reeves alcançou fama e dinheiro (na época ele ganhava 2.500 dólares por
semana). O sucesso era principalmente com as mulheres e crianças. Curiosamente,
segundo sua biografia, ele evitava contato com as crianças, porque elas sempre
queriam partir para a agressão com a ideia de testar a “invulnerabilidade” do
ator. Em um dos eventos em que ele era convidado a se apresentar como Superman, uma criança chegou a ir armada
(havia pego a arma do pai, um policial) e ameaçou atirar em Reeves, mas
felizmente, este convenceu o menino, assustado, a lhe dar a arma. Mas fora isso os únicos trabalhos que ele conseguia eram comerciais de
cereais ou então apresentações de luta-livre. A série de televisão durou até
1957.
Inicialmente,
ele foi relutante em assumir o papel de Superman,
acreditando que teria mais sucesso como ator, atuando em filmes para o cinema. Só
que Reeves ficou surpreso quando o papel se tornou um hit nacional, fazendo
sucesso nos Estados Unidos.
Era visto
com a roupa de Super-Homem visitando
hospitais e dando atenção a crianças vitimadas de câncer. Na Televisão
americana, já naquela época havia programas assistencialistas como "A Cidade da Esperança" e "Telethons", e Reeves fazia questão
de participar como o Super-Homem. Também participou ainda na TV como convidado
especial no seriado I Love Lucy, estrelada por Lucille Ball (1911-1989).
Após o fim
da série, Reeves conseguiu alguns papéis em filmes para cinema e televisão, mas havia ficado estigmatizado como
Superman, papel que representou durante 5 anos. Devido à isso, os
convites para atuação em novos trabalhos diminuíram. Embora
Reeves estivesse deprimido por ser estereotipado como Superman, ele levou as características do personagem a sério,
mantendo o exemplo do "Super Homem" para as crianças, como deixando
de fumar e aparecer com namoradas perto das crianças.
Nas
primeiras horas da manhã de 16 de junho de 1959, três dias antes de seu
casamento com Lenore Lemmon (1923-1989), um tiro foi ouvido de sua casa, sendo que em seguida George Reeves foi descoberto morto
com um tiro na cabeça.
Como
resultado do inquérito e investigação policial, foi declarado que George Reeves
havia se suicidado, no entanto, desde a sua morte, a informação adicional faz
com que muitos acreditem que ele foi assassinado.
Reeves
aparentemente teve um caso de longo prazo com Toni Lanier (1906-1983), uma ex-showgirl e esposa do executivo da MGM, Eddie
Mannix (1891-1963). Ela era conhecida por sua beleza e apetite sexual lendário,
e, aparentemente, o caso teve a aprovação de seu marido, que tinha
uma amante.
Cinco meses
antes, como Reeves estava para se casar com Lenore Lemmon, ele rompeu o romance
com Toni, que a deixou de coração partido. Toni permaneceria dedicada à memória
de Reeves para o resto de sua vida.
Sua vida é
discutida em detalhes em dois livros, Superman:
Serial to Cereal (1976) por Gary Grossman, e Hollywood Kryptonite (1996) por Sam Kashner e Schoenberger Nancy.
A vida e a
morte de George Reeves foi tema do filme Hollywoodland. Ben Affleck faz o papel
de George Reeves; Diane Lane como Toni Mannix, a amante de Reeves; Bob Hoskins
encarna o executivo da MGM Eddie Mannix, o marido traído de Toni; e Adrien
Brody assume o detetive particular Louis Simo, que investiga a misteriosa morte
do ator intérprete do Super-Homem. O longa é focado nos anos 1950 e tem direção assinada por
Allen Coulter e roteiro de Paul Bernbaum.
Acima de uma
investigação de morte, Hollywoodland
também traz informações da conturbada vida pessoal de Reeves, que tinha muitos
problemas familiares. Os grandes momentos da vida do ator, bem como sua ascensão
na televisão, com a estreia da série As Aventuras de Super-Homem, também
ganham espaço.
Um argumento
que o diretor fez questão de manter no longa foram cenas da homônima série do
Super-Homem. Apesar de ter alguns problemas com a Warner Brothers, detentora
dos direitos autorais, Coulter pôde utilizar o clássico material da época. Além
disso, ele reproduziu aberturas e cenas da série com o rosto de Ben Affleck.
UMA PERGUNTA
QUE NÃO QUER CALAR: Será que George Reeves realmente tirou sua própria vida com
um único tiro na cabeça ou foi sua morte realizada como um plano sinistro?
Na noite em
que morreu, ele teria bebido muito e discutiu abertamente com Leonore Lemmon,
como testemunhado por seus amigos Bliss William, o escritor Robert Condon, e
Carol Van Ronkel.
Reeves teria
subido zangado para seu quarto, sendo que em seguida Lemmon e os convidados
disseram ter ouvido um único tiro vindo de seu quarto. O que levantou suspeita
a respeito da morte de George Reeves, é que este foi encontrado despido em sua
cama por seus vizinhos, durante um pequeno recolhimento por volta das 2 horas
da manhã. Os vizinhos levaram 45 minutos para chamar a polícia. Os detetives
encontraram furos de balas adicionais no assoalho de sua cama, e algumas
contusões foram encontradas no corpo de Reeves, e havia sinais de luta de
dentro do seu quarto.
Embora
considerado um suicídio, muitas pessoas se recusam a acreditar que ele se
matou, pois pelo menos aparentemente, Reeves não era do tipo de alguém que
cometeria suicídio. Era alegre, descontraído, e boêmio. Esse é mais
um dos inúmeros mistérios que permanecem ocultos nas sombras de Hollywood.
Em seu
túmulo, no Mausoléu de Pasadena, localizado no Cemitério do Mountain View, em
Altadena, Califórnia, encontra-se a seguinte inscrição: Para meu querido filho, George
Bessolo Reeves, o Super-Homem , homenagem feita por seu padrasto.
CONTOS DA
CRIPTA
Existem
relatos de que a casa onde Reeves se matou (ou teria sido morto), hoje é assombrada com ruídos
inexplicáveis no quarto superior (local de sua morte), surgimento de cheiro
de pólvora, além de pertences e objetos que são movimentados.
Existem
também relatos de que cachorros quando levados à casa, ficam latindo e
recusando-se a entrar na sala, bem como luzes ficam piscando ou se apagando sem
motivo algum.
Alguns até
dizem que George Reeves aparece no pé da cama dos atuais proprietários de vez
em quando, vestido como Superman.
Como diria o
saudoso Jack Palance: It’s Believe ...or
not!
Curiosidades
sobre George Reeves
Pessoalmente,
defendeu Noel Neill quando esta substituiu Phyllis Coates no papel de Lois
Lane, na Segunda temporada da série do Super-Homem, ao vê-la sendo maltratada
por um dos diretores. Também defendeu o ator Robert Shayne (1900-1992), que
fazia o Inspetor de Polícia Henderson na série, que foi acusado de ser
comunista durante o processo de caça as
bruxas, promovido pelo Senado Americano da década de 1950, e estava com
risco de perder seu emprego. O produtor da série, Whitney Ellsworth (1908-1980), também
defendeu Shayne, junto com Reeves.
Fez anúncios
da tevê para flocos de milho da Kellogg's durante as temporadas como o Superman, na década de 1950. Em um
comercial, George, como Clark Kent, usou sua super-visão para ver através de uma parede, mostrando duas
crianças, que discutiam se uma menina poderia ou não ser o Superman, mas para o fim do argumento, as crianças se apaziguaram
mutuamente, e cada um comia seus flocos, enquanto Superman surge, e aí quando a câmera se vira para Reeves, este
sorri e diz: Vejam, pequeninos podem
discutir, mas nunca sobre flocos de milho Kellogg’s.
Embora seu
traje de Superman seja acolchoado,
Reeves era realmente muito atlético e fazia a maioria de suas próprias cenas de
perigo sem dublê em As Aventuras do Super-Homem. Os Episódios requeriam ele saltar
das alturas, simulando a aterrissagem do Super-Homem, através de um trampolim.
O Dublê só era escalado para George em cenas de entortar barras ou saltar para
fora das janelas.
A história
de George Reeves tem pontos quase em comum com a de outro intérprete de Superman, Christopher Reeve, que além de
terem interpretado o mesmo super-herói, tem sobrenomes parecidos, e também,
cada um a sua maneira, um final trágico.
Dizem que George
Reeves já tinha tentado o suicídio duas vezes antes do suposto que cometeu, mas isto não é certo, só existem especulações. Seu padrasto veio de fato a se matar anos depois.
Durante os
intervalos das filmagens de uma temporada ou outra da série do Superman, Reeves
fazia aparições como convidado em feiras ou eventos por toda Estados Unidos. Em
1958, foi escalado para aparecer no parque de Kennywood, em Pittsburgh, que era
um dos parques de diversões mais badalados da América do Norte, e foi escalado
para aparecer no ano seguinte, 1959. Publicidades e marketings haviam anunciado
esse fato, entretanto Reeves havia cometido suicídio naquele ano, e o parque
teve que recolocar outra atração para substituir a ausência de Reeves/Superman,
e assim, foi escalado Guy Williams, vestido de Zorro, para substituí-lo. Todo o
marketing feita em torno do Superman teve logo que ser removida,
para dar ênfase a Zorro, mas ainda podiam se ver alguns outdoors do Super-Homem abaixo do anúncio de Zorro.
George Reeves, passados mais de 50 anos após sua trágica morte, jamais foi esquecido por aqueles que o acompanharam pela TV, através do Homem de Aço.
Produção e Pesquisa de Paulo Telles
FILMOGRAFIA
PARCIAL
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| GEORGE REEVES em "SANGUE E AREIA" |
1939 - Ride
Cowboy, Ride
1939 - Gone
with the Wind (br: E o Vento Levou)
1940 - Tear
Gas Squad
1940 - Torrid
Zone
1940 - Pony
Express Days
1941 - The
Strawberry Blonde
1941 - Blood
and Sand (br: Sangue e Areia)
1942 - Blue,
White and Perfect
1943 - So
Proudly We Hail!
1944 - Winged
Victory
1948 -
Thunder in the Pines
1948 - Jungle Jim (br: Jim das
Selvas)
1949 - Samson
and Delilah (br: Sansão e Dalila)
1949 - The
Adventures of Sir Galahad (br: As Aventuras de Sir Galahad)
1949 - The Great Lover
1952 - Rancho Notorious (br: O Diabo
Feito Mulher)
1951/1958 - Adventures of Superman
("As Aventuras do Superman") - (104 episódios da série para TV)
1952 - Superman na the Mole-Men (br:
Superman contra os Homens Toupeiras)
1953 - The Blue Gardenia (br: A
Gardênia Azul)
1953 - From Here to Eternity (br: A
Um Passo da Eternidade)
1953 -
Forever Female
1956
- Westward Ho, The Wagons!

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