

Com a queda da Bolsa de Valores do ano seguinte (1929), a situação da família e do seu patriarca, William Brooks, ficou muito abalada, mas a mãe de Monty estava decidida a fazer outra viagem pela Europa, e conseguiu meios de poder realizar, desta vez para a França e Alemanha, onde ficaram de junho a novembro de 1930. Antes de terminar 1931, o pai de Monty estava completamente falido e sem emprego, e foi obrigado a vender até sua casa em Highland Park e a maioria dos móveis que a guarneciam. E a família for morar num quarto mobiliado em Greenwich Village, tendo a mãe que trabalhar em dois empregos para sustento dela e dos filhos. Quando William finalmente encontrou emprego, era tarde: a família estava desagregada, morando na Flórida, onde a vida era mais barata. Moraram em Sarasota até 1933.


HOLLYWOOD estava de olho em Montgomery Clift desde 1941, e o belíssimo filme da Metro Goldwyn Mayer, com Greer Garson, Walter Pidgeon e Teresa Wright, sob inspirada direção do sempre competente William Wyler (1902-1981), Rosa da Esperança (Mrs. Miniver), poderia ter marcado sua estréia cinematográfica. Durante uma excursão de Monty com uma de suas peças teatrais, Louis B. Mayer (1884-1957) lhe ofereceu um papel no filme prestes a entrar em produção. Ele teria aceitado, se Mayer não insistisse no então contrato-padrão de sete anos. Receberia, a princípio, 750 dólares por semana, com aumentos progressivos automáticos. O pai de Monty quis se meter na negociação, insistindo que o filho assinasse o contrato, dizendo: “Você nunca mais terá outra oportunidade como esta”. Mas sabiamente, Monty acreditava que tudo era uma simples questão de tempo os estúdios lhe darem o que desejava. E o papel em Mrs. Miniver foi confiado a Richard Ney. Seu agente, Leland Hayward (1902-1971), sempre dizia que Clift era orgulhoso demais para ficar em Hollywood nas condições que ele queria. Hayward lhe pediu que ficassem em Los Angeles por alguns meses a fim de ter encontros com os chefões dos grandes estúdios. Com muita astúcia, lhe conseguiu um contrato de 6 meses com a MGM, apenas para que permanecesse na Califórnia. Os Big Bosses não podiam entender o desejo de Monty em manter sua independência, avisando-o que poderia “cometer enganos” se o fizesse. Monty respondia a eles: “Vocês não entendem. Quero ser livre para fazer isso”.

Para o público, o début cinematográfico de Montgomery Clift ocorreu com Perdidos na Tormenta, feito em 1948. Em 1947, porém, convidado por Howard Hawks (1896-1977), fez o papel do impetuoso jovem Matthew Garth, filho adotivo de Thomas Dunson (John Wayne, 1907-1979), em Rio Vermelho, seu primeiro filme, e terminado no mesmo ano.
Ao iniciar a produção do filme, Hawks assinara contrato de distribuição com a United Artist. Com o orçamento estourado em mais de um milhão de dólares, o diretor-produtor preocupou-se com as possíveis rendas do filme, e atrasou o lançamento por quase um ano, na esperança de conseguir outro distribuidor que pudesse lhe dar as garantias de rendas compensadoras.
Conseguiu, mas a United recusou-se a liberar o contrato, certa de que poderia trabalhar o filme de maneira satisfatória para Hawks, e lançado somente em 1948, depois de Perdidos na Tormenta- os lucros internos de quatro milhões de dólares provaram que ela estava certa.

A interpretação que Montgomery Clift deu ao personagem foi extremamente sincera e feliz, valendo-lhe a primeira indicação para o prêmio da Academia, na categoria de melhor ator. E Ivan Jandi (que faleceu em 1987, aos 50 anos, por complicações do diabete) ganhou um Oscar na categoria especial de ator juvenil, pela destacada performance que teve no filme.

Unanimemente considerado como a mais nova sensação masculina das telas, Monty foi escolhido por William Wyler, em 1949, para a parte de Morris Townsend, o namorado sem escrúpulos da rica herdeira Catharine Sioper (Olivia de Havilland), na adaptação cinematográfica da peça de Ruth e Augustos Goetz The Heiress, baseado no romance Washington Square, de Henry James- que no Brasil se chamou Tarde Demais. E ele foi um convincente caça dotes, um jovem charmoso e irresistível que subjuga a herdeira tímida, recatada e reprimida.
No ano seguinte, Clift quase que repete praticamente o mesmo papel que fizera de Tarde Damais, pois ele foi seriamente indicado para interpretar Joe Gillis em Crepúsculo dos Deuses (Sunset Boulevard), mas acabou indo para William Holden (1918-1981), que declarou: “Não consegui o papel pelo fato de Billy Wilder estar louco de que eu trabalhasse no filme. Consegui porque Montgomery o recusou”.
Billy Wilder (1906-2002) recordou anos depois certos fatos sobre Montgomery Clift e sua recusa de estrelar Sunset Boulevard: “A Parte do roteirista Joe Gillis, que se torna gigolô, foi escrita para Montgomery Clift. Duas semanas antes do início das filmagens, nos chega o agente de Monty, nos informando que não faria o filme, com receio do que poderia pensar suas fãs se ele tivesse um caso com uma mulher com duas vezes a idade dele? Bom, eu esperava isso de um ator de Hollywood, mas não de um ator sério que julguei acreditar. Diante disso, William Holden foi escolhido, e ele teve sua primeira indicação pela Academia como melhor ator”.
Baseado na obra prima de Theodore Dreiser (1871-1945), An American Tragedy – que já havia sido filmado em 1931 pela mesma Paramount, e dirigido por Josef Von Sternberg (que substituiu Sergei Eisenstein), com Sylvia Sidney, Phillip Holmes e Frances Dee e quando lançado no Brasil recebeu o título literal de Uma Tragédia Americana.
Um Lugar ao Sol foi dirigido pelo grandioso George Stevens (1904-1975), e é um dos dois filmes definitivos de Montgomery Clift, junto com A Um Passo da Eternidade.
George Eastman (Clift) nega-se a oportunidade da escolha. Ele é impelido pela sociedade, pelo materialismo americano, pelas mulheres, e por quaisquer outras razões. Ambicioso e impulsivo, é este impulso que o encoraja, até que sua namorada grávida (Shelley Winters, 1920-2006) morre, e perde para sempre a mulher que verdadeiramente ama (Elizabeth Taylor, 1932-2011), acabando penalizado pela lei.
Mas George age por motivos que ele mesmo próprio não compreende. Durante o julgamento, tenta justificar seus atos, mas é tarde demais. Simpático, gentil, enigmático- como se desejável por essas razões, como Ângela Vickers (Elizabeth Taylor) o é por sua beleza e riqueza- chega as raias de incorporar a personalidade cinematográfica de Clift.
UM LUGAR AO SOL ganhou 6 prêmios da Academia, mas Montgomery Clift, na categoria de melhor ator, não ganhou o Oscar, perdendo para Humphrey Bogart (1899-1957) por Uma Aventura na África/The África Queen. Segundo palavras de Charlie Chaplin (1889-1977), Um Lugar ao Sol é "o melhor filme jamais saído de Hollywood". Este filme inspirou a novelista brasileira Janete Clair (1925-1983) a escrever SELVA DE PEDRA, lançado em 1972 na TV brasileira, onde o personagem de Francisco Cuoco, Cristiano Vilhena, era um facsimile do personagem feito por Monty.

MONTGOMERY CLIFT foi uma escolha perfeita de Alfred Hitchcock (1899-1980) para o papel do Padre Michael William Logan em I Confess, roteiro de George Tabori e William Archbald, baseado na peça Nos Deux Consciences, escrita em 1902.
Otto Keller (O.E. Hasse, 1903-1978) confessa ao Padre Logan (Clift) que havia cometido um homicídio, na pessoa do advogado corrupto Villete (Ovila Legare, 1901-1978). Para praticar o crime, Keller tinha usado uma batina, obtida na igreja do Padre Logan, em Quebeck, onde ele era sacristão. Logan e uma mulher casada, Ruth Grandfort (Anne Baxter, 1923-1985), tiveram um love affair antes de ele ter se ordenado padre e estavam sendo chantageados pela vítima do crime, que sabia do caso. Por isso, recaíram sobre ele a suspeita e a acusação da autoria do crime.

Pelos direitos de filmagem do Best Seller de James Jones (1921-1977), sobre a vida na base militar em Pearl Harbor às vésperas da entrada dos Estados Unidos na II Guerra Mundial, Harry Cohn (1891-1958) pagou 82.000 dólares, sabendo que resultaria num grande filme para a sua Colúmbia Pictures. Mas ele não tinha idéias dos problemas terríveis que enfrentaria para levar adiante seu projeto de levá-lo as Telas. O livro de Jones se estendia pelas 860 páginas, e adaptá-lo sem ferir o espírito da obra não era tarefa nada fácil. Além disso, o romance de Jones guarda elementos quase impossíveis de serem filmados, sem ofender os brios do Exército ou ferir o vigente hiper Código de Produção de Hollywood, o famoso Código Hays, ainda bem vigente em 1952.
Finalmente, quando Daniel Taradash (1913-2003) o presenteou com um roteiro, Cohn sentiu que não era só exeqüível como também fiel ao espírito do romance From Here to Eternity.Para o papel do soldado Robert Lee Prewitt, um corneteiro que é boxeador, o big shot da Colúmbia queria John Derek ou Aldo Ray, ambos contratados pelo estúdio. Mas Fred Zinnemann queria Montgomery Clift, que foi contratado por 150.000 dólares.
Eli Wallach originalmente foi escolhido para ser o tenaz e sofrido Ângelo Maggio, mas devido a outros compromissos assumidos na Broadway, ele acabou desistindo. Frank Sinatra (1915-1998), com a carreira em declínio, se interessou pelo papel, e embora endividado, ofereceu-se em fazer, trabalhando praticamente de graça. De início, Cohn nem queria saber dele, nem mesmo com uma falada interferência da Cosa Nostra. Somente depois, que Ava Gardner (1922-1990), então mulher de Sinatra, fez uma súplica pessoal por ele que o relutante magnata acabou concordando em testar o ídolo romântico de outros tempos e ex-astro da Metro.O teste impressionou Zinnemann, e a carreira de Sinatra, então em declínio, voltou a espeta, recuperada por menos de 8.000 dólares. E de quebra, ganhou o Oscar de melhor ator coadjuvante pelo seu papel.
O resultado de todo o trabalho de produção, o restante do elenco- Burt Lancaster (1913-1994) no papel do complacente Sargento Milton Warden; Ernest Borgnine (1917-2012) como o sádico sargento “Fatso” Judson, que fez do pobre Ângelo Maggio como vítima de sua perversidade; Deborah Kerr (1921-2007), na pele da pouco recatada esposa do comandante da base, Karen Holmes (papel que estava destinado para Rita Hayworth, que recusou, seguida de Joan Crawford) cujo aparente frescor e serena delicadeza britânica intensificaram a colisão das ondas que se encresparam pelas telas dos cinemas do mundo, quando ela e Lancaster usam a praia para uma das mais famosas cenas de amor jamais vistas num filme, ousadíssima para época;
E Donna Reed (1921-1985), no papel da prostituta Alma Lorene, interesse amoroso de Prewitt (Clift), que apesar de não ter sido a primeira escolha de Zinnemann (que queria Julie Harris, mas Harry Cohn achou a aparência da atriz muito “Família” para um papel que exigia muita sensualidade) é uma das grandes responsáveis pelo sucesso do filme que vem atravessando décadas, ganhando 8 Oscars - todo elenco, todos os atores desempenhando muito bem seus papéis.Mas...e Montgomery Clift?
Mais uma vez, como tantas e tantas outras (e sempre será, afinal, nada é perfeito), a Academia falhou em não premiar Monty como melhor ator, na sua terceira indicação, e talvez, pela melhor performance de esta carreira.

Monty e Liz ficaram muito amigos, e durante as filmagens de Um Lugar ao Sol, Monty sempre desabafava com Liz. Houve sempre entre os dois uma amizade mútua, baseado sobretudo na confiança.
Na noite de 12 de maio de 1956, Liz, então casada com o ator Michael Wilding (1912-1979), seu segundo marido, ligou para Monty, que morava bem próximo a casa dela, a fim de convidá-lo para jantar. Kevin McCarthy (1914-2010) estaria presente, assim como Rock Hudson (1925-1985- outro homossexual muito amigo de Liz, amizade esta que durou até a morte do ator), e secretária Phyllis Gates.Monty aceitou o convite. Ele havia tomado decisão de não dirigir mais carro, pois ele ficava amedrontado no volante, e por isto, tinha contratado um motorista particular. Nesta noite, ele estava tão cansado que decidira ficar em casa, dando noite livre para o motorista. Não dirigia a meses, mas, assim mesmo, pegou o carro e tomou o rumo da casa de Liz, aonde chegaria em 4 a 5 minutos.
Durante o jantar, apenas tomou um pouco de vinho e nada mais bebeu durante toda noite. Por volta da meia noite e meia, despediu-se e saiu com McCarthy, deixando a luxuosa mansão, localizada bem do alto de uma colina, com a expressa recomendação de Liz para que seguisse de perto o carro de Kevin, para sua maior segurança. E ele prometeu que assim ele faria, para ela não se preocupar.
“De repente, ouvi um terrível estrondo”, contou Kevin (foto). “Parei meu carro e dei marcha a ré dentro da noite, para encontrar o dele, destruído contra um posto telefônico. Senti cheiro de gasolina e procurei desligar a ignição, mas estava tãoescuro que não podia ver nada, nem mesmo Monty. Aterrorizado, voltei rápido para a casa dos Wildings, batendo forte na porta e gritando para que chamassem uma ambulância, sem saber se Monty estava vivo ou morto”.Tanto Kevin como Michael tentaram impedir Elizabeth Taylor de descer a colina e ir até o local do acidente em eles, mas, como acrescentou Kevin: “Ela estava desesperada, ela lutou conosco como um tigre e desceu correndo a colina”.
E LIZ TAYLOR diria: “O rosto de Monty escorria sangue e mal podia vê-lo. Mas me arrastei para dentro do carro e coloquei-lhe a cabeça no meu colo. Finalmente, ele voltou a si e começou a tentar puxar um dente solto. E Pediu-me para puxar outro e eu o atendi. Tive que me controlar para não passar mal”.Chega o Dr. Rex Kennamer, que auxiliado por Rock Hudson, consegue retirá-lo do carro. Liz entrou na ambulância com ele, e chegaram ao Hospital Cedros do Líbano. Quando Clift foi levado para a sala de operações, Liz entou em forte crise de histerismo.
O Dr. Kennamer detalhou os estragos na face e no corpo de Monty: lacerações no lado esquerdo da face, com um nervo cortado, deixando aquele lado entesado e a boca torta; nariz quebrado e esmagamento da cavidade óssea; ambos os lados do maxilar quebrados, três dentes frontais perdidos; grave concussão cerebral; deslocamento do pescoço.
Clift recuperou-se por algum tempo no hospital, onde depois de três semanas, os médicos descobriram que um lado do maxilar havia sido engastado incorretamente. Tiveram de quebrá-lo e reengastá-lo.
Com o rosto sensivelmente desfigurado, evitaram de lhe dar papéis que pediam rostos bonitos e perfeitos, e desde aquele momento ele passou a fazer personagens sofridos, que iam de acordo com seus novos traços faciais, seu novo visual. Montgomery Clift, que já tinha tendências depressivas, nunca mais foi o mesmo. A alma também fora profundamente atingida e ele se transformou num homem amargurado e triste. Um homem torturado.Em abril de 1956, a MGM havia iniciado a produção de A Árvore da Vida, com status de superprodução, tendo como principais destaques do enorme elenco Montgomery Clift, Elizabeth Taylor, e Eva Marie Saint. Preocupado de Clift estar bebendo exageradamente (mesmo antes do acidente), o produtor (e depois chefe da MGM) Dore Schary (1905-1980) fez um seguro do filme, o que nunca havia acontecido antes por 500.000 dólares, para cobrir qualquer problema que pudesse ocorrer durante a produção. Estavam as filmagens em meio quando aconteceu o acidente com o carro do ator, e elas foram interrompidas por nove semanas.
Recebendo alta dos médicos, Clift apresentou-se prontamente aos estúdios para o reinício das filmagens. Em dores constantes e tomando regularmente codeína e um sortimento de pílulas que trazia numa sacola. Clift sentia que devia aos colegas e ao estúdio a imediata volta ao trabalho. Era cedo ainda, mas os sensos de responsabilidade e coleguismo prevaleceram. O rosto ainda estava inflamado. O perfil direito foi menos danificado e, assim, ele foi mais fotografado por este ângulo, com mais freqüência. Os olhos- sempre o melhor de sua imagem- nem sempre estavam claros e limpos. Mesmo com o uso contínuo de colírios, mostravam-se muito irritados e vermelhos, redobrando os cuidados de Robert Surtees (1906-1985), diretor de fotografia (Ben-Hur).
Embora Nell e John sejam namorados, ele se casa com a bela Susanna Drake (Liz Taylor), quando ela lhe revela esperar um filho dele. Susanna mentia para forçá-lo ao casamento. Em visita ao Sul, John fica sabendo do confuso estado mental de Susanna, envolvendo temores de miscigenação e um mistério cercando a morte dos pais num incêndio. Nasce um filho do casal. Irrompe a Guerra Civil Americana (1861-1865), e John fica em casa, dando aulas e cuidando de seu filho Jimmy e de sua esposa cada vez mais perturbada.
Um dia Susanna foge de casa com o menino e John se alista no Exército da União para tentar encontrar vestígios deles. Acaba por descobrir Jimmy abrigado por antigos escravos de Susanna e o leva consigo. Terminada a Guerra, localiza Susanna num hospício e volta para Indiana.Aparentemente recuperada, mas acreditando que seu comportamento vem impedindo John de buscar a árvore fabulosa, Susanna foge uma noite à procura dela, sendo seguida por Johnny, que dera sua falta. No dia seguinte, é encontrada morta no pântano, e John e Nell, reunidos finalmente, encontram Jimmy (Mickey Maga) ao sopé de uma árvore dourada.
De 1959, Por um pouco de Amor, fazendo um colunista sentimental, contracenando com Robert Ryan (1909-1973), a veteraníssima Myrna Loy (1905-1993, em 115º filme) e Dolores Hart. De Repente no Último Verão, baseado na peça de Tennessee Williams (1911-1993), roteiro de Gore Vidal e do próprio Williams, pela terceira e última vez contracenando com sua grande amiga Elizabeth Taylor, e pela primeira (e única) vez com a Diva Katharine Hepburn (1907-2003). 1960, um encontro com Elia Kazan (1909-2003) em Rio Violento, que dirigiu Clift em um drama estranhamente perturbador, contracenando com Lee Remick (1935-1991), Albert Salmi (1928-1990), e Jo Van Fleet (1914-1996).
No mesmo ano, John Huston (1906-1987) dirigiu Clift e um elenco all star no que é considerado um de seus piores filmes- Os Desajustados. Só elenco era de primeira, trazendo Clark Gable em seu último filme (ele morreria em novembro de 1960), e Marilyn Monroe (1926-1962), que como Clift, também andava dando problemas durante as filmagens, e como Gable, também se despediu das telas com este filme.
Julgamento em Nuremberg, como o esterilizado deficiente mental Rudolf Petersen, papel de 7 minutos. Stanley Kramer ofereceu 50.000 dólares (pelo filme Os Desajustados, Clift recebeu 200.000), mas os agentes do ator aconselharam a não aceitar, para não abrir um precedente, mas Kramer insistiu pessoalmente com ele e o contrato foi assinado por uma quantia mínima, a título simbólico, mas despesas. Pelos 7 minutos de presença na tela, teve pela quarta e última vez o nome indicado pela Academia para suas premiações anuais, desta vez como melhor ator coadjuvante. Dele disse Stanley Kramer (1913-2001): “Clift é um dos três ou quatro maiores atores que existem".
Voltou a ser dirigido por John Huston em Freud, além da Alma, filme difícil, de cujo elenco também participou Susannah York, Larry Parks (1914-1975), Susan Kohner e David McCalum. Do seu trabalho, Huston se recordaria: “Ao fim, penso que ele deu uma interpretação extraordinária. Freud era um homem torturado. Ao menos, conseguiu um ator torturado.”
Em outubro de 1965, foi recomendado pelo escritor Salka Viertel ao produtor-diretor Raoul Lévi (1922-1966) para fazer o papel principal de um thriller de espionagem que ele havia escrito com base num romance de Paul Thomas – The Defector. Inteiramente filmado em locações na Alemanha, o filme foi lançado em 1966 e marcou a despedida de Clift das telas.As condições de saúde de Montgomery Clift se deterioravam ano após ano. Em janeiro de 1962, foi operado de uma hérnia e veias varicosas. Em dezembro do mesmo ano, à primeira de duas operações de catarata. O trabalho no Cinema, cada vez mais escasso, e com problemas de saúde e de bebida, tornou-se um ator pouco confiável. A memória, sempre considerada excelente, já não era a mesma.
Na manhã de 23 de junho de 1966, Montgomery Clift foi encontrado morto, às 6 horas da manha, por um amigo que cuidava dele em seus últimos anos. Levado para o necrotério da cidade, o legista fez a necropsia, e declarou que o ator tinha morrido de explosão da artéria coronariana. O ator esta sepultado em um cemitério Quaker, em Broklyn, Nova York(foto).
“Não tenho medo de ser estereotipado. O maior perigo é demonstrar segurança, ser digno de confiança. A Mais forte motivação, em um ator é a prova, o experimento. Tudo o que nos desenvolve é digno de ser interpretado, mesmo se for um fracasso.”
“Em muitos aspectos, a tela é um meio mais satisfatório do que o palco. A sinceridade chega melhor ao ator e há mais oportunidade para sutilezas, porque a câmara nos esta em cima o tempo todo”.
E SE CONTRADIZ:
“O desafio de interpretar nos palcos é maior no que nos filmes. Não há policiamento diante de uma personalidade isolada. Se você tem um papel extenso, tem que agüentá-lo, e bem.
Criticado pela escassez do guarda-roupa, disse: “Tenho um terno de que gosto muito e pretendo mantê-lo enquanto as boas traças o pouparem”.
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Belo texto, Clif foi um ótimo e carismático ator que faleceu cedo.
ResponderExcluirAbraço
É verdade Hugo. Uma perda irreparável para o mundo das artes. Abraço do editor.
ResponderExcluirSEMPRE E SEMPRE ELABORANDO UM GRANDE TRABALHO!PARABÉNS, NOBRE AMIGO!
ResponderExcluirCONCERNENTE AO MONTGOMERY CLIFT, PENSO SE TRATAR DE UM DOS GRANDES ASTROS DA SÉTIMA ARTE;SENDO CERTO QUE O O SEU MELHOR DESEMPENHO FOI A UM PASSO DA ETERNIDADE.
COMO ADENDO POSSO ACRESCENTAR QUE MONT, ALÉM DOS PROBLEMAS, JÁ CITADOS POR VOCÊ, FOI REJEITADO PELO EXCÉRCITO, POIS TINHA DIARRÉIA CRÔNICA E TAMBÉM ERA ALCOOLÁTRA. MONT GASTOU PARTE DE SUA FORTUNA EM PSIQUIATRIA.
FOI COGITADO PARA FAZER O PAPEL DO MARSHAL WILL KANE, EM MATAR OU MORRER,MAS RECUSOU O PAPEL.
DEVIDO A SUA HOSSEXUALIDADE JOHN WAYNE TORÇEU O NARIZ QUANDO SOUBE QUE TERIA DE CONTRACENAR COM ELE. ALIÁS, MUITOS CRÍTICOS, ENTENDEM COM SENDO UMA INSINUAÇÃO HOMESSEXUAL NA CENA QUE ELE E JOHN IRELAND COMPARAM O TAMANHO DE SUAS PISTOLAS, NO GRANDE WESTERN - RIO VERMELHO!
MONTGOMERY ENTENDE QUE SUA MELHOR PAPEL FOI EM DEUSES VENCIDOS!
Edivaldo, teríamos em Monty uma presença marcante para o papel de Will Kane, talvez o herói mais humano do cinema que eu tenha conhecimento. Contudo, faltaria uma ponta de vitalidade necessária, que vemos no Gary Cooper, que podia se amedrontar e enfrentar aquela situação que tão bem conhecemos sem perder sua vitalidade.
ExcluirSoube de muitos problemas que Monty enfrentou durante a produção de RIO VERMELHO (que foi seu único Western). Ele não gostou do ambiente e de contracenar com Wayne, tanto que Hawks ofereceu o papel do bêbado que acabou sendo de Dean Martin em ONDE COMEÇA O INFERNO e não aceitou. Infelizmente, um ídolo torturado pelos traumas e neuras. Mas indubitavelmente, um ótimo ator!
Gosto muito dos filmes dele. Pena que era uma pessoa tão tortura e sofreu tanto até sua morte.
ResponderExcluirVerdade Gilberto. E Monty foi um dos astros que mais participou de clássicos da Sétima Arte.
ExcluirOlá Paulo,
ResponderExcluirSou leitor do Filmes Antigos Club Artigos e sou cinéfilo de carteirinha. Eu estou mandando esse email porque estou trabalhando numa empresa que desenvolveu um portal sobre cinema - o Cinema Total (www.cinematotal.com). Um dos atrativos do site é que você cria uma página dentro do site, podendo escrever textos de blog e críticas de filmes. Então, gostaria de sugerir que você também passasse a publicar seus textos no Cinema Total - assim você também atinge o público que acessa o Cinema Total e não conhece o Filmes Antigos Club Artigos.
Se você gostar do site, também peço que coloque um link para ele no Filmes Antigos Club Artigos.
Se você quiser, me mande um email quando criar sua conta que eu verifico se está tudo ok.
Um abraço,
Marcos
www.cinematotal.com
marcos@cinematotal.com
Breve entro em contato com vc Marcos, obrigado.
ResponderExcluirUm ator destinado ao sucesso passageiro, a uma vida breve e a muitos sofrimentos.
ResponderExcluirSina, chamo isso do Monty, de sina. Um caminho pre determinado para que o percorramos na vida. Esta, normalmente pontuada de tragégias, dores e muito sofrimento, após ligeira brisa de sucesso e bem estar.
Sua carga pessoal foi arrastada as custas de muitas intercessões do próprio destino, num calvário notoriamente tipico, pelo qual deveria cruzar na passagem por este plano.
Um formidável ator, dono de um rosto invejável, de um talento nato e que nos presenteou com muitos e muitos filmes de altissimas qualidade.
Não podemos reclamar dos caminhos que estão traçados para nós e nem conhece-los antecipadamente, muito menos modifica-los.
O Monty era belo, talentoso, querido e muito mais. Desfrutou de um sucesso quase que apocaliptico, de tão rápido.
Um Lugar ao Sol, A Um Passo da Eternidade, Rio Vermelho e A Arvore da Vida (fita menor entre as quatro citadas) são marcas de que um futuro acima de promissor o esperava.
Mas surgiu a intervenção superior em seu destino, dando um talho fortissimo na revirada de sua vida, o arrastando a males, doenças, acidentes, vicios e, por fim, um desaparecimento prematuro.
Aliás, em Hollywood, muito casos mais ou menos parecidos se suscederam ao deste formidável ator, como o Steve MacQuenn, que se foi aos 50 anos, o proprio Bogart, que mesmo aos 57 anos, porém vitima fatídica de vicios como o do fumo e do alcool, o Errol Flinn, que já aos 49 anos (como o vi em E Agora Brilha o Sol), nos apresentava uma face derrotada pelo incessável uso do alcool.
Enquanto alguns têm vida médias, como Gary Cooper e Gable, por exemplo, outros vivem bem e muito, como o Mickey Rooney, o Rex Harrison, o Burt Lancaster e o nosso tão querido Kirk Douglas, por exemplo..
Não tem como se fazer alterações neste aspecto, pois não temos assim tanto poder ou ingerencias sobre nossas vidas.
Resta-nos apenas aceitar, embora com dores a nos aflorar a alma.
jurandir_lima@bol.com.br
E Kirk caminha para os 100, meu nobre baiano!
ExcluirUm exemplo de vida e saúde, com longas e divertidas histórias para contar.
Telles,
ResponderExcluirÉ lendo este blog e aprendendo cada vez mais.
Conhecia os problemas que o Monty cruzou, principalmente com o Duke, durante as filmagens de Rio Vermelho.
Porém, desconhecia que fora convidado para ser o bebado de Onde Começa o Inferno por Hawks, e que este se negou a aceitar a oferta.
Claro que em vista de ter de voltar a passar por tudo o quanto passou com o Wayne no seu faroeste de 10 anos antes.
Valeu pela informação e pela captação deste novo conhecimento, que já posso começar a espalhar com meus camaradas amantes desta mesma arte.
jurandir_lima@bol.com.br
Ele é um dos atores mais bonitos do cinema ,um ótimo ator, e escolhia filmes muito bons pra participar. Amo sua interpretação em A tortura do silêncio. Ele faz o personagem do padre Logan com uma profundidade, dignidade e talento que faz a gente se envolver completamente com a história. Desculpe a empolgação kkkk mas sou fá desse filme; acho um dos melhores de HItchcock. Já li em algum lugar que ele achava que esse filme não deveria ter sido feito, mas sinceramente não acho que tenha dito isso de verdade. Mas enfim...
ResponderExcluirPaulo,sou fã do blog. Você escreve de um jeito apaixonado e eu gosto muito!
Obrigado Yara. Não duvidaria desta opinião de Monty quanto ao filme de Hitch, conhecendo seu ser um tanto imprevisível. Mas a verdade, é que se tornou obra prima graças a sua magnífica interpretação, e dificilmente outro ator de seu tempo poderia incorporar com tanta dignidade o papel do Padre Logan. Pena que não veio outros filmes com Monty e Hitch, seria uma tremenda parceria e certamente faria história.
ResponderExcluirAbraços do editor.