Herói dos
Westerns a Italiana e dos épicos titânicos, mas vale lembrar também como um
intérprete de grandes cineastas como Luchino Visconti a Valerio Zurlini. O
espanto, logo na primeira impressão ao se saber da notícia, é que tinhamos conhecimento que este
herói, que tão bem desempenhou o cowboy protótipo do mocinho simpático e correto,
que tantas emoções nos proporcionou nas telas nas décadas de 1960 e 70, que
ainda gozava de boa saúde e estava em plena atividade artística, veio a falecer
brutalmente. Giuliano Gemma morreu aos 75 anos, após um grave acidente de carro
em Cerveteri, perto de Roma na noite de ontem, 1º de outubro. O ator ainda foi
socorrido e levado para um hospital, mas não resistiu. Outros dois passageiros
também se feriram no acidente.
Seu funeral
será realizado na próxima segunda-feira, dia 7, às 10 horas (horário de Roma), em Santa Maria
dos Milagres, na Piazza del Popolo, em Roma. No domingo, esta prevista um
evento religioso (ainda não confirmado). Para o funeral do ator, deve aguardar
os resultados da autópsia que já foi solicitado
pelo magistrado do local, e que será realizada na sexta-feira.
Nascido 02
de setembro de 1938 em Roma, Gemma incursionou no cinema ainda muito jovem, e
por acaso, graças a sua dedicação aos esportes, como o Boxe e a Ginástica
Olímpica, e seu porte de 1m84 foi chamando a atenção dos produtores italianos. Contudo, apareceu sem muito brilho em comédias
que exploravam mais sua aparência física, incluindo duas de diretores
importantes: Veneza, a Lua e Você, de
Dino Risi (1916-2008), e A Casa Intolerante, de Mauro Bolognini (1922-2001)
Foi extra
MARCANTE na superprodução retumbante de William Wyler (1902-1981), Ben-Hur, de 1959, onde se destaca em
pelo menos duas cenas importantes no épico clássico estrelado por Charlton
Heston: Quando Ben-Hur invade os
aposentos de Messala (Stephen Boyd, 1931-1977) e o ameaça com a lança, e nos
banhos romanos onde o Xeque Iderim (Hugh Grifhit, 1912-1980) lança as apostas
nas corridas de quadrigas contra os romanos.
Mas sua
primeira grande oportunidade foi em 1962, quando Duccio Tessari (1926-1994) fez
Arrivano I Titani, que no Brasil se
chamou Os Filhos do Trovão. Vale lembrar
sobre cinema italiano da época. Havia os grandes autores, como Federico
Fellini, Luchino Visconti e Michelangelo Antonioni, mas no fim dos anos 1950 e
início dos 60, a tendência dominante na indústria italiana eram os épicos
mitológicos, os Espadas & Sandálias, ou
Peplum.
Tudo não passava de uma grande paródia,
transformando o jovem e atlético Gemma (nas cenas que exigiam mais ação, como
saltos e cenas de luta, ele não precisou de dublês) em uma revelação no papel
de Krios, que os deuses do Olimpo enviam a Creta para derrotar tirano que está
acabando com a população. A fita de Tessari era bem-humorada, ritimada, e
criativa.
Em 1963,
Luchino Visconti (1906-1976), precisando de um ator belo e carismático para
encarnar o jovem Garibaldi, chamou Gemma para atuar em O Leopardo, mas a participação dele foi reduzida a quase nada na
versão hollywoodiana, cortada e remontada, que circulou em todo o mundo.
Quando a
moda dos épicos mitológicos saiu em cartaz, Gemma se instalou num novo gênero
que o caracterizaria como um Rei: os Westerns
Spaghetti, faroestes italianos rodados geralmente na Espanha (mas
especificamente, região de Alméria). Com a moda em plena difusão, e com muitos
atores norte-americanos até mesmo indo para a Europa para incursionar no novo
gênero, Giuliano não fez por menos: adotou um nome artístico americano, MONTEGOMERY
WOOD, como era de praxe por grande parte dos atores e atrizes europeus, com a
finalidade de atrair o público americano e aumentar as rendas nas bilheterias
internacionais.
Com o novo nome americano, Gemma estrelou o que se tornou um grande clássico do gênero, ao lado da Trilogia de Sergio Leone (Por um Punhado de Dólares, Uns Dólares a Mais, e Três Homens em Conflito) – o filme é O Dólar Furado, de 1965, dirigido por Giorgio Ferroni (1908–1981), dando brecha a sua carreira, e sobretudo, se impondo como um astro absoluto dos westerns europeus, chegando até a ser equiparado como um novo Randolph Scott para os italianos. Logo não tardou, Giuliano estrelou outras obras do gênero, como Uma Pistola para Ringo e Dias de Ira.
Com o novo nome americano, Gemma estrelou o que se tornou um grande clássico do gênero, ao lado da Trilogia de Sergio Leone (Por um Punhado de Dólares, Uns Dólares a Mais, e Três Homens em Conflito) – o filme é O Dólar Furado, de 1965, dirigido por Giorgio Ferroni (1908–1981), dando brecha a sua carreira, e sobretudo, se impondo como um astro absoluto dos westerns europeus, chegando até a ser equiparado como um novo Randolph Scott para os italianos. Logo não tardou, Giuliano estrelou outras obras do gênero, como Uma Pistola para Ringo e Dias de Ira.
Giuliano
Gemma também, atuou em outros estilos: comédias, aventuras, dramas, criminais,
e trabalhou durante sua carreira com atores como Kirk Douglas, Rita Hayworth,
Henry Fonda, Florinda Bolkan, Liv Ullman, Philippe Noiret e Catherine Deneuve.
Foi em 1965,
quando filmava Uma Pistola para Ringo,
que conheceu a mulher, Natália Roberti. Foi uma união feliz por 30 anos, até a
morte dela em 1995. Da união, nasceram duas filhas, sendo uma delas a atriz
Vera Gemma. Se casou depois pela segunda vez com Baba Richerme. Nos últimos
anos, ele ainda estava em plena atividade, principalmente na TV, onde chegou a
atuar num filme sobre a vida do Papa João Paulo II, interpretando o seu
porta-voz, em 2005. Quando o cinema já não encontrava mais espaço, além de se
dedicar a televisão, acabou aderindo à outra arte: a escultura, onde dizia ter
descoberto seu talento de escultor, e acabou recebendo elogios de críticos por
sua nova atividade.
Em 2012, ele
fez uma participação em Para Roma Com
Amor, de Woody Allen, que acabou sendo seu último filme.
Giuliano esteve
em duas ocasiões no Rio de janeiro. Uma, em 1969, quando O Rei do Gatilho a Italiana conheceu o Rei da Música Brasileira, Roberto Carlos, visitando as praias
cariocas e as ruas do centro carioca junto com o cantor Wilson
Simonal (1939-2000). A Segunda foi em abril de 1986, a convite de um amigo
italiano casado com uma brasileira.
Contudo,
Giuliano Gemma será sempre eterno não apenas nas reprises de seus filmes (ao
menos, nas nossas reprises pessoais na nossa Sala Vip, pois temos o DVD e o
Blu-Ray) mas também na mente e nos corações dos seus fãs, amigos do cinema, amantes da Sétima Arte, que apreciam os bons momentos de ação e aventura, e isto, com
certeza, o imortal Giuliano nos legou em cheio, como um dos mais brilhantes e
belos mocinhos que as plateias do mundo inteiro conheceu.
Produção e
Pesquisa: Paulo Telles.
FILMOGRAFIA DE GIULIANO GEMMA
Venezia, la luna e tu
(1958) – Dir. Dino Risi
Arrangiatevi! (1959)
Io amo...tu ami (1961)
Il nemico di mia moglie
(1959)
Ben-Hur (film 1959)|Ben-Hur (1959) (não creditato)
A qualcuno piace calvo
(1960) (não creditato)
Messalina venere
imperatrice (1960)
I cosacchi (1960)
Il pianeta degli uomini
spenti (1961)
Arrivano i titani
(1962)
Il Gattopardo (“O
Leopardo”) (1962) – Dir. Visconti
Il giorno più corto
(1963)
Maciste l'eroe più
grande del mondo (1963)
La schiava di Bagdad
(1963)
I due gladiatori (1963)
Ercole contro i figli
del sole (1964)
Angelica (1964)
La rivolta dei
pretoriani (1964)
Una pistola per Ringo
(“Uma Pistola para Ringo”) (1965)
Erik il vikingo (1965)
Adiós gringo (“Adeus,
Gringo”) (1965)
Angelica alla corte del
re (1965)
Un dollaro bucato (“O
Dólar Furado”) (1965)
La ragazzola (1965)
Il ritorno di Ringo
(1965)
Arizona Colt (“Arizona Colt”) (1966)
Per pochi dollari ancora (1966)
Kiss kiss....bang bang (1967)
I lunghi giorni della
vendetta (“Dias de Vingança”) (1967)
I giorni dell'ira
(“Dias de Ira”) (1967)
Violenza al sole (1968)
... e per tetto un
cielo di stelle (1968)
I bastardi (1968)
Sons of Satan (1968)
Vivi o,
preferibilmente, morti (1969)
Il prezzo del potere
(1969)
Quando le Donne Avevono
la Coda (“Quando as Mulheres Tinham Rabo”) (1971)
L'arciere di Sherwood
(1971)
Corbari (“A Guerra
Subterrânea”) (1971)
Amico, stammi lontano
almeno un palmo (1972)
Un uomo da rispettare
(1972)
L’amante dell’Orsa
Maggiore (“Código Ursa”) (1972)
Troppo Rischio per um
Uomo Suolo (“Velocidade, Caminho da Morte”) (1973)
Il maschio ruspante
(1973)
Anche gli angeli
mangiano fagioli (Dois Anjos da Pesada) (1973)
Il bianco, il giallo,
il nero (“Três Homens, Uma Lei”) – Dir. Sergio Corbucci (1974)
Anche gli angeli tirano
di destro (“Os Anjos Batem Melhor com a Direita”) (1974)
Africa Express (1975)
Safari Express (1976)
Il deserto dei Tartari
(1976)
Il prefetto di ferro
(“Prefeito de Ferro”) (1977)
California (1977)
Corleone (“Reunião da
Máfia”) (1978)
Il grande attacco (“A
Grande Batalha”) (1978)
Um Uomo in Ginochio
(“Poderes da Máfia”) (1978)
Sella d'argento (“Sela
de Prata”) (1978)
Commando d' assalto
(1980)
L'avvertimento
(“Advertência”) (1980)
La baraonda (1981)
Ciao Nemico (1981)
Tenebre (1982)
Senza un attimo di
respiro (1983)
Le Cercle des passions
(1983)
Tex e il signore degli
abissi- Tex e o Senhor do Abismo (1985)
Qualcuno pagherà?
(1986)
Speriamo che sia
femmina (1986)
Rally (1986)
Il padre americano
(1987)
L' agguato (1988)
Melancholy of Florence (1990)
Ya no hay hombres
(1991)
Firenze no kaze ni
dakarete (1991, Cinema japonês)
Non ci sono più uomini
(1991)
Un bel di' vedremo
(1996)
Un uomo per bene (1999)
La donna del delitto
(2000)
Giovanna la pazza
(2001)
L' inchiesta (2006)
Televisão:
Circuito chiuso (1978)
Caccia al ladro d'
autore (1985-1986) (7 episódios)
Rally (1988)
Prigioniera di una vendetta (1990)
I promessi sposi (1990)
Dagli appenini alle ande (1990)
Non aprite all' uomo nero (1990)
La moglie nella cornice
(1991)
Una storia italiana
(1992)
Le Chinois (1992) (um
episódio)
Jewels (1992)
Maximum Exposure (1995)
Deserto di fuoco (1997)
Marseille (1998)
Game over (1999)
Premier de cordée
(1999)
L'uomo che piaceva alle
donne-Bel Ami (2001)
Angelo il custode
(2001)
La bambina dalle mani
sporce (2005)
Giovanni Paolo II
(2005)
Butta la luna (2006)
(série TV)
Pompei (2007)
Il
Capitano (série TV) (2005-2007) (14 episódios)

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