Exatamente
hoje, dia 13 de maio, é o aniversário de falecimento de um dos Reis de
Hollywood, o incomparável Gary Cooper (1901-1961). Sua carreira na meca
cinematográfica se estendeu por 35 anos, despontando numa fascinante lista de
clássicos, como Matar ou Morrer (Fred
Zinnemman, 1952), Por quem os Sinos
Dobram (Sam Wood, 1947), Beau Geste
(William Wellman,1938), Sargento York
(Howard “Falcão” Hawks, 1941), O Galante
Mr Deeds (Frank Capra, 1936), entre outros, diversificando sua parceria com
os mais notáveis cineastas de seu tempo.
Cooper também
teve numerosos casos dentro e fora das telas, sendo que o mais famoso foi com a
atriz Patricia Neal (1926-2010), 25 anos
mais nova do que ele. Cooper era casado e tinha uma filha, mas chegou a sair de
sua casa para viver com Patricia, mesmo enfrentando as barreiras morais de seu
tempo e arriscando sua bela estampa de um herói íntegro com destacada
honestidade. Afinal, Cooper jamais interpretou um vilão em sua carreira e era
contra seus princípios. Ganhador de dois Oscars da Academia, foi o ator mais
bem pago de Hollywood, chegando inclusive a ganhar até mais que o próprio
presidente dos Estados Unidos, Franklin D. Roosevelt.
Contudo, com
o avançar dos anos, e com os primeiros problemas de saúde com o peso da idade
chegando, o veterano ator passou a ter reflexões em sua vida. Não se sabe
exatamente como se deu o passo definitivo para Gary entrar para a Igreja
Católica, muito embora sua esposa, Veronica Balfe (1913-2000) fosse católica
extremosa, o fato que Cooper dispensou Patricia Neal para voltar para mulher e
a filha, Maria. Fazia anos que Cooper era amigo de Bing Crosby e Irene Dunne,
que eram católicos e membros do movimento intitulado The Christophers, cuja finalidade era introduzir o catolicismo no
ambiente de Hollywood. Afinal, não devemos esquecer que os EUA tem como
religião predominante o protestantismo.
A conversão
de Cooper ao catolicismo abriu uma grande onda de comentários dentro da capital
do cinema, muito embora Cooper antes de abraçar a religião já demostrava
interesse em assuntos religiosos, e o apoio e a vida exemplar de sua esposa o
ajudaram a tomar o passo decisivo e entrar na Igreja Católica. No ano de 1953
foi recebido em audiência, por Pio XII, e pouco depois, no ano de sua
conversão, foi de novo recebido em audiência pelo Papa, juntamente com sua
esposa e filha. Ele mesmo admitiu que antes de tomar a decisão tinha refletido
longamente.
Gary Cooper
não era grande somente como cowboy e
como ator querido e amado pelo público em Hollywood, mas pelas plateias dos
quatro cantos do Universo, e mostrou-se grande pela maneira especial como
enfrentou o câncer que o acometera. Quando o médico lhe fez os testes, Gary
Cooper lhe disse: “Doutor, não fique
escondendo; eu sou homem suficientemente vivido para ter a coragem de enfrentar
os problemas da vida. Minha esperança não repousa neste mundo; eu tenho uma fé
que me dá claras convicções acerca da vida futura, futuro que não pertence a
esta vida”.
Durante sua convalescença,
ele recebeu diversas vezes os sacramentos conforme os ritos litúrgicos. Nos
últimos dias de sua vida, quando recebeu seu terceiro Oscar, um Oscar especial,
ele acompanhou a cerimônia pela TV, em sua casa, e viu James Stewart
homenageá-lo, muito comovidamente. Cooper disse: “Eu tive muitas satisfações em minha vida; agora só uma coisa almejo:
‘ter uma boa morte’”. Depois virou para sua mulher e lhe disse: “Gostaria de morrer uma morte boa, seja como
homem, seja como cristão”.
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| FUNERAL DE GARY COOPER. NA FOTO, A VIÚVA, VERONICA BALFE, E A FILHA DO ATOR, MARIA. |
Três dias
antes de morrer, pediu e recebeu a Extrema Unção (hoje, Unção dos Enfermos).
Quando viu o Padre Sullivan perto de sua cama, apesar do atroz sofrimento que
tinha, abriu seus lábios num sorriso tímido: quando era feliz por ter um
sacerdote para assisti-lo. Um pouco antes de morrer, completamente conformado,
disse: “Seja feita a vontade de Deus”.
Nos momentos finais, com as poucas forças que sobraram, mexeu com seus lábios e
rezou: “Senhor ajuda-me a morrer sem medo”.
Cary Cooper
havia completado 60 anos de idade apenas 6 dias antes, e entregou sua alma,
deixando multidões de admiradores pelo mundo, que choraram com sua passagem. No
cemitério de Holy Cross, uma quantidade
de fãs, fora autoridades e colegas de Hollywood, foram prestar suas últimas
homenagens não somente ao verdadeiro campeão e galã que sobrepujava o mal nas
telas e seduzia as mulheres, mas ao se despedir também do homem, que tal qual
grande parte de seus personagens, enfrentou tudo com igual coragem e
integridade.
Em 1974, o
corpo de Cooper foi trasladado do cemitério de Holy Cross, California, para o
cemitério Sacred Hearts of Jesus & Mary R.C. Cemetery, em Southampton, Long
Island (Cemitério do Sagrado Coração de Jesus e Maria).
Paulo
Telles.
Baseado
em trecho do do livro “Itinerário a Deus do homem moderno” de Don Giovanni
Barra (Edições Paulinas) p. 206. Lehen is-Sewwa, 19 de outubro de 2002, Malta.






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