Não é
novidade dizer que o notável Burt Lancaster (1913-1994) além de um ator
inigualável a altura de seu próprio talento, também em seus bons tempos foi um
notável atleta, e não foi à toa que em seus primeiros papéis veio a
desempenhar heróis de porte viril, como o atleta
campeão olímpico Jim Thorpe em O Homem de Bronze (Jim Thorpe – All American), de Michael
Curtiz, em 1952.
Burt viveu
sua infância no Spanish Harlem, um bairro pobre da cidade de Nova York e os
seus pais eram descendentes de protestantes Irlandeses. Seus dotes atléticos
certamente vieram na juventude, quando foi craque no basquete e tinha um físico
musculoso e 1m88 de altura. Mais tarde,
como é sabido por muitos, começou no picadeiro como acrobata e durante dez anos
se apresentou em feiras, circos e em shows de variedades com o Ringling Brothers.
Estreou no
cinema em 1946, trabalhando com o diretor Robert Siodmak (1900-1973), com quem
faria ao todo três filmes. Atuando em filmes de ação, thrillers e westerns, e movendo-se
gradualmente para papéis mais exigentes e sérios, sendo introduzido
brilhantemente para o cinema europeu, à medida que ia ganhando prestígio.
Participou em dezenas de filmes dos anos 1940 aos anos 1980 e seu talento foi
reconhecido quando ganhou o Oscar de melhor ator em 1960 pela interpretação de
um caixeiro-viajante e ex-estudante de Teologia no filme Entre Deus e o Pecado. Nesse mesmo ano, trabalhou com John
Huston em O Passado não Perdoa.
Mas como o
assunto são as três performances atléticas mais notáveis de Burt Lancaster no
cinema, quero dizer que nestas três películas o nobre astro não precisou de
dublês para as cenas de acrobacias e nas lutas, muito embora não demostrou ser
um bom espadachim em O Gavião e a Flecha.
Em todas as três atuações, Lancaster demonstra sagacidade, virilidade, e ousadias
combinadas, seguidas de um sorriso mercenário e convidativo para as mulheres. O
físico privilegiado seguido de muita malhação (onde o termo sequer existia em
seu tempo), combinando com seu talento nato de ator, revelaram neste grandioso
ator seu merecido reconhecimento e respeito artístico.
Vamos lá
O GAVIÃO E A FLECHA (1950)
The Flame and
the Arrow- Dir: Jacques Tourneur
Dardo (Burt
Lancaster) lidera os camponeses na luta para encontrar o filho raptado pelos
invasores do rei Frederico. Dono de uma flecha certeira, Dardo faz de tudo para
vencer seu principal inimigo, o Conde Ulrich (Frank Allenby, 1898- 1953),
chamado de Gavião e responsável pelo rapto de seu filho. Entre uma batalha e
outra, Dardo também anseia conquistar a linda donzela Anne (Virginia Mayo,
1920-2005), que está aprisionada no castelo do inescrupuloso Conde.
Com seu
humor inigualável e acrobacias malucas, Dardo e sua trupe deixam o inimigo
completamente enlouquecido. Neste ambiente heróico, repleto de grandes
batalhas, cenários gigantescos e palácios colossais, Dardo revive as aventuras
de capa-e-espada de um modo mais irreverente.
Destaque
para o ator e também acrobata Nick Cravat (1912-1994) amigo de longa data de
Lancaster, amizade esta conservada até a morte de ambos, em 1994, e juntos
vieram do picadeiro. Cravat media apenas 1m63 de altura, mas era forte como um
touro, e quando perdia do sério, levava muitos homens para segura-lo. Burt
convidou o amigo a desempenhar Piccolo, o amigo mudo de Dardo.
Dirigido por
Jacques Tourneur (1904-1977), notável cineasta de "Sangue de Pantera" e "Farsa Trágica”.
O PIRATA SANGRENTO (1952)
The Crimson Pirate- Dir:
Robert Siodmak
Mais um
exemplar de capa & espada, desta vez em ritmo contagiante e humorístico,
considerado um dos mais sensacionais espetáculos do gênero que Hollywood produziu.
Com ele, o diretor Robert Siodmak (1900-1973) explorou o filão aberto por O Gavião e a Flecha em 1950, além de repetir a dupla Burt
Lancaster & Nick Cravat numa aventura de pirataria acrobática e tom de
comédia pastelão.
Cravat novamente desempenha um parceiro mudo, chamado Ojo.
Isto porque Nick tinha um sotaque fortemente carregado do Brooklyn, e para não
abalar uma trama de época, resolveram novamente “calar a boca” de Cravat.
Lancaster é
Vallo, um pirata audaz que, auxiliado por um acrobata surdo-mudo (Cravat)
desafia as forças de um tirânico agente do Rei de Espanha, o Barão Gruda
(Lesley Bradley, 1907-1974), apoiando assim o revolucionário Sebastian
(Frederick Leister 1885–1970) e sua filha Consuelo (Eva Bartok, 1927- 1998),
numa ilha do Caribe, em 1750. O próprio Lancaster, com sua arte circense,
concebeu e encenou muitas das cenas atléticas de perseguição e combate em
galeras, verdadeiramente antológicas, nesta produção rodada em locação na
Itália. Uma obra prima do gênero.
SUA MAJESTADE O AVENTUREIRO (1953)
His Majesty O’
Keefe – Dir: Byron Haskin
O capitão
David O'Keefe (Lancaster) parte em busca de uma fortuna no século 19 em terras
do Pacífico Sul. Decide alistar nativos da ilha para a missão, mas enfrenta
vários problemas culturais. A aventura foi rodada boa parte em locações no sul
do Pacífico. Outra parte na Austrália, e contou com atores locais no elenco.
Nas cenas, o
aventureiro tenta seduzir a população com presentes. A história mostra a ação
de um colonialista simpático, que conta com o auxílio de um dentista chinês
para conseguir que os nativos trabalhem barato para extrair óleo de copra. Mais
um exemplar de cinema aventura protagonizada por Lancaster, que não só
demonstra ser um verdadeiro artista, como também demonstra ser um autêntico galante
herói das telas, aos moldes de Douglas Fairbanks. Destaque para a luta entre Lancaster e Charles
Horvath (1920–1978), que interpreta o lendário e real pirata dos 7 mares Bully Hayes. Dirigido por Byron Haskin
(1899-1984)
Todos estes
três exemplares são, sem dúvida, protagonizadas por Burt Lancaster em boa forma
física e artística, caracterizando uma de suas fases mais marcantes nas telas.













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