sábado, 22 de janeiro de 2011

Cecil B. DeMille: O perfil de um Diretor.

CECIL BLOUNT DeMILLE nasceu a 12 de agosto de 1881, em Ashfield, Massachussett,EUA, filho de um sacerdote dramaturgo (que poderia lhe ter influenciado futuramente em suas produções bíblicas) e de uma atriz de companhia itinerante. Ainda jovem, estudou na Academia de Artes dramáticas de Nova York, e com 19 anos, estreou na Broadway como ator, ofício que exerceu por muitos anos, enquanto gerenciava a companhia teatral da mãe.

Também colaborou com o irmão mais velho, William, escrevendo inúmeras peças, e trabalhava com Jesse Lasky (1880-1958), em vários espetáculos musicais. Em 1913, o mesmo Lasky lhe ofereceu sociedade com ele e com Samuel Goldfich, um outrora vendedor de luvas (conhecido, mais tarde, como Samuel Goldwyn), numa nova companhia cinematográfica.

DeMille logo aceitou, porque estava casado, com uma filha pequena, não tinha dinheiro, e os sócios é que iriam financiar o empreendimento. Assim, se formou a Jesse L. Lasky Feature Play Company, cujo primeiro filme foi enorme sucesso - O Amor que Sofre/The Squaw Man/1913, western adaptado de uma peça teatral de Dustin Farnum, dirigida por DeMille e Oscar Apfel.

No fim de 1914, a companhia tinha como empregados, trabalhando, cinco diretores e cinco cameramen. Mesmo assim, Cecil DeMille fazia questão de manter-se como diretor principal e produtor supervisor dos filmes que não dirigia. Para os próprios filmes, chamou uma ótima equipe de colaboradores -o irmão William (que passaria a ser roteirista e diretor), Alvin Wyckoff (câmera), Claire West (figurinos) e Wilfred Buckland (desenho de produção).

Um bom exemplo de produto dessa associação de colaboradores é A Ferreteada/The Cheat/1915, refilmado em 1923 e 1931. Outros filmes de época são: Maria Rosa/Amor Vingado/Maria Rosa/1915, Carmen/Carmen/1915, Joana D'Arc/Joan The Woman/1916 (o primeiro filme histórico do Diretor), A Mulher que Deus esqueceu/The Woman God Forgot/1919.

Nesse tempo, a empresa de Lasky se juntou à de Adolph Zuckor(1883-1976), formando a Paramount. Após o fim da Primeira Guerra Mundial, DeMille passou a selecionar mais o que fazia, lançando apenas duas ou três produções por ano. Na década de 20, dirigiu comédias levemente sociais em que satirizava os "novos-ricos" e as classes mais altas. Desse período é Macho e Fêmea/Male and Female/1919 (adaptada de uma peça de J.M. Barrie), com Glória Swanson (atriz principal desta e de praticamente de todas as comédias do diretor).

Em 1923, fez o primeiro filme de um tipo de espetáculo a que seu nome ficaria para sempre associado, como sinônimo de Superprodução - Os Dez Mandamentos/The Ten Commandments. Logo depois, em 1925, largou a Paramount,por causa de mais uma briga com Adolph Zukor, e então, ele comprou os velhos Ince Stúdios e organizou o PDC- Producers' Distributing Corp. O empreendimento teve prejuízo com alguns filmes, mas que acabou culminando, em 1926, com outro projeto bíblico ambicioso, longamente acalentado- O Rei dos Reis-The King of Kings, cujo produto final foi monótano e convencional, acarretando mais prejuízos.

Entre fatos e lendas, DeMille também era conhecido por seu domínio (as vezes meio opressor) sobre seus atores e equipe. Nesta produção religiosa, por exemplo, ele obrigava os atores e toda a equipe técnica a participarem de cultos religiosos antes das filmagens, e filmou a crucificação de Cristo em plena noite de Natal. Apresentava contratos para que seus atores não fumassem ou bebessem em público, ou dirigissem carros caríssimos, para que não comprometessem com suas "sagradas imagens" no filme. Um fato é que o intérprete de Jesus, H.B.Warner (1876-1959) durante a produção do filme, se envolveu em escândalos com uma mulher que ameaçou arruinar sua carreira e a própria reputação do trabalho de DeMille caso Warner não a assumisse. Acredita-se que para evitar maiores problemas, DeMille teria pago a esta mulher para que ela deixasse Warner em paz e saísse dos Estados Unidos.

Em 1928, com o advento do som, DeMille foi contratado pela Metro Goldwyn Mayer para dirigir três filmes - Bonecas de Lama/Dynamite/1928 (seu primeiro filme sonoro), Madame Satã/Madame Satan/1931 (primeiro e único musical de sua filmografia)e a refilmagem de The Squaw Man/1931, que no Brasil teve o nome de O Exilado - três grandes fracassos atribuídos, na época, ao fato de serem sonoros.

Em 1932, a Paramount chamou-o novamente, para dirigir outra superprodução religiosa, o épico O Sinal da Cruz/The Sign of the Cross, que ao contrário de O Rei dos Reis, se tornou um grande sucesso, estrelado por Claudette Colbert (1903-1996), Fredric March (1899-1975), Elissa Landi (1904-1948) e Charles Laughton (1899-1962).

A partir em diante, DeMille se fixou de vez na Paramount até o fim de sua vida.


EM 1934, dirigiu Cléopatra/Cleopatra, com Claudete Colbert, que foi sua primeira indicação ao Oscar de Melhor filme. Nos anos seguintes, dirigiu westerns ou aventuras sobre a colonização dos Estados Unidos, como Os Inconquistáveis/Uncomquered/1947, com Gary Cooper (1901-1961) e Paulette Goddard (uma das atrizes prediletas do cineasta, na década de 1940), e tendo como vilões, Howard da Silva (1909-1986) e Boris Karloff (1887-1969).

Desse período, podemos também destacar Jornadas Heróicas/The Plainsman/1936 com Jean Arthur (1900-1991) e Gary Cooper, e Aliança de Aço/Union Pacific/1939, com Barbara Stanwyck (1908-1990) e Joel McCrea (1905-1990).

Em 1949, outro espetáculo grandioso baseado na Bíblia - Sansão e Dalila/Samson and Delilah, com Victor Mature (1913-1999) e Hedy Lamarr (1914-2000), filme reprisado por muito anos nos antigos cineminhas "poeiras" e na televisão. Conta-se que DeMille pediu ao próprio Victor Mature, o intérprete de Sansão, que lutasse com o leão vez de um dublê. Mature prontamente recusou, mas DeMille insistiu que o fizesse, pois o leão estava "drogado e sem dentes". Não restou senão a Mature replicar, dizendo: "Cecil, o que você espera? que eu seja mascado até morrer?"

Antes de Mature ser escalado para o papel do juíz e guerreiro do Antigo Testamento, DeMille pensou em Burt Lancaster (1913-1994), que recusou, e no jovem e estreante Steve Reeves (1926-2000, foto), o fisiculturista norte-americano ganhador de vários troféus da modalidade, mas a Paramount o achou jovem demais para o papel. Mais tarde, Reeves faria sucesso em filmes épicos produzidos na Europa, o estilo "Sandálias & Espadas", sendo que o mais famoso deles é interpretando outro herói de força física, e mitológico, Hércules, em 1958.
Em 1952, O Maior Espetáculo da Terra/The greatest Show on Earth, a única produção sua a ganhar o Oscar de melhor filme e a ser indicada para o de Melhor Diretor, com excelente bilheteria, estrelado por Charlton Heston, Cornel Wilde (1915-1999), Betty Hutton (1922-2007), e James Stewart (1908-1997).

Em 1956, a refilmagem de Os Dez Mandamentos/The Ten Commandments, também de ótima bilheteria. Foi o filme mais caro do diretor e o mais longo (220 minutos), custando 13,5 milhões de dólares, mobilizando 25 mil extras, tornando-se o maior êxito comercial de sua carreira e da história da Paramount (43 milhões de dólares só arrecadados no mercado norte-americano).

Foi indicado para o Oscar de Melhor Filme, e DeMille cercou-se de tudo que o cinema moderno de então poderia lhe oferecer, com a elaboração dos efeitos especiais, fimagens em locação (no Egito) e também em estúdios de Paris e Hollywood, em Techinicolor e em Vista-Vision (processo criado pela Paramount para exibição em tela larga), além de astros consagrados, como Charlton Heston, Yul Brynner (1915-1985), Anne Baxter (1923-1985), Edward G. Robinson (1892-1972), Vincent Price (1911-1993), Yvonne De Carlo, John Derek (1925-1998), e Debra Paget.

DEMILLE jamais ganhou um Oscar de melhor diretor, mas em 1949, recebeu o Oscar especial pelos 37 anos de dedicação ao Cinema, e em 1952, o prêmio Irving Thalberg.

Cecil B. DeMille morreu em 21 de janeiro de 1959, aos 77 anos.

Produção e pesquisa de Paulo Telles

BIBLIOGRAFIA: Revista Os Dez Mandamentos- Cinemin Nistalgia.Sinopses de Paulo Perdigão- Jornal o Globo- 1988.

13 comentários:

  1. Talvez D. W. Griffith com "O Nascimento de um Nação" tenha iniciado o que chamamos de superprodução, mas com certeza DeMille era craque nesse tipo de filme e deixou uma carreira repleta de grandes trabalhos.

    Você escreveu bem, era outro época, mas mesmo assim seus filmes ainda tem grande importância e não deixam de ser uma boa diversão.

    Abraço

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  2. Olá Hugo

    Bem lembrado, havia esquecido de Griffith. Certamente ele iniciou este processo das "superproduções" cinematográficas, mas não há como lembrar de DeMille, que ficou bem mais popularmente ligado. Claro que sua contribuição ao Cinema foi muito importante.

    Grande abraço

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  3. Para as duas Danis

    Agradeço de imenso o selo e já estou pegando. Abraços para as duas.

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  4. Olá Antonio

    Apareço em seu blog e ja te respondo. Abraços

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  5. Sem dúvida, um dos grandes construtores da Hollywood que conhecemos hoje: para o bem e para o mal - grandes filmes ou bobagens cheias de espetáculo... Bela postagem e ótima lembrança/homenagem!

    E ainda mais bela a trilha de fundo: está entre minhas 50 melhores!

    Abração e apareça!

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  6. Oi, paulo
    achei seu blog por acaso é gostei muito do que vi

    ganhou mais um leitor!

    se que isso é cara-de-pau já que é a primeira vez que acesso aqui, mas dá uma passada no meu blog que criei faz pouco tempo


    http://outrocertoolhar.blogspot.com/

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  7. Ola Paulo,
    Sempre passo por aqui, mas nunca deixo comentários, fico um pouco constrangida, só tem gente fera e não sou uma especialista em cinema.
    Hoje criei coragem pra deixar um oi e dizer que adoro o que você posta.
    Abraços
    Parabéns

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  8. DeMille foi um genio, a arte no cinema.

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  9. Nossa!
    Encontrei teu blog através do Grupo de Blogs de Cinema Clássico e me encantei com o conteúdo, tanto que estou seguindo. Sabia muito pouco sobre DeMille, e achei uma injustiça ele não ter ganho o Oscar. Quanto aos filmes, adoro Cleopatra, Claudette Colbert é uma das minhas atrizes preferidas.

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  10. O cinema Éíco surgiu das mãos deste pioneiro do cinema. Isso é inegável. No entanto, inegável também é que De Mille era sim, um diretor artificial. Talvez a palavra certa não seja artificial e sim artesanal. Isso porque seus filmes eram feitos, ao menos em epocas mais remotas, em poucos cenários. Ele criava um cenário e nele rodava quase que 1/5 dos filmes. Chegava a cansar ter que ler tantos diálogos dentro de um mesmo clima ou set.
    Nada disso tira o mérito do grande homem da Paramont nem do grande homem do cinema. O nome de Mille era um respeito e admiração só. Meio egocentrico e com manias insistentes, era essa a forma que ele encontrava para que seu trabalho fosse levado a sério e que seus empregados deixassem de passar por situações que poderiam por em cheque o que ele fazia com tanta classe, sacrificio, desmedimento e uma dedicação infernal.
    Sabia o que queria o homem. Tinha seus defeitos? Tinha. Entretanto suas virtudes, criando classicos épicos domo Aa Cruzadas, O Rei dos Reis, Os Dez Mandamentos, O sinal da Cruz, Cleópatra dentre outros é inegável. Sem falar em Sansão e Dalila, fita que até hoje ainda é reprisada nos canais de TV, e é um filme de 1949.
    Jornadas Heroicas e Aliança de Aço foram fitas que mostravam que este gigante do cinema não se atinha apenas em Épicos.
    E como naquela época os filmes de aventuras eram o clima do momento, ele criou Legião de Herois, Os Inconquistáveis, Laffite, O Corsário, Vendaval de Paixões dentre mais umas dezenas de sucessos.
    Ele deixou sua raiz plantada no seio da Sétima Arte e ela ainda vive muito do legado de Cecil B de Mille.
    jurandir_lima@bol.com.br

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  11. Jurandir, ninguém é perfeito, e DeMille evidentemente tinha suas excêntricidades. Muito compreensível que um crítico de cinema de hoje, jovem, não entenda bem este cineasta, mas o importante é que ele não somente deu contribuições que deixaram marcas e exemplos até mesmo para futuros diretores.

    Difícil ver um cineasta daqueles tempos e mesmo hoje, que saiba dirigir e coordenar tão bem multidões de figurantes, SEM DIRETORES DE SEGUNDA UNIDADE. Dirigir cenas de multidão era com ele mesmo. Logo, entre outros atributos, CECIL B DEMILLE é um nome a ser respeitado e reconhecido no mundo da Sétima Arte.

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