terça-feira, 28 de dezembro de 2010

Um Conto sobre "Casablanca": Emoção e Solidariedade

Em matéria de Cinema, um assunto não se esgota: Casablanca/Idem, 1942, sucesso internacional lançado pela Warner, e que desde seu lançamento nos Estados Unidos, ocorrido a 26 de novembro de 1942, tornou-se através dos tempos um clássico da Sétima Arte, o cult-movie por excelência, devido principalmente a magistral direção do lendário e competente Michael Curtiz (1886-1962), cineasta de As Aventuras de Robin Hood e Capitão Blood (ambos estrelados por Errol Flynn), e entre inúmeras grandes obras - e também graças às magníficas interpretações de Humphrey Bogart (1899-1957), Ingrid Bergman (1915-1982), Paul Henreid (1908-1992), Claude Rains (1889-1967), e o vilânesco Conrad Veidt (1893-1943), além de um perfeito elenco de apoio muito comum nos filmes produzidos pela antiga Warner, nos anos de 1930/40.

Aqui no Rio de janeiro, seu lançamento foi feito nos Cinemas São Luiz e Vitória (em Copacabana, Tijuca, e outros bairros, entraria depois), em 2 de setembro de 1943. Na época, o São Luiz- que era a "menina dos olhos" do exibidor e empresário cearense Luiz Severiano Ribeiro (1886-1974, foto) - era o cinema preferido dos cariocas.

E repetiu-se aqui o sucesso de Nova York, Los Angeles, Chicago, Londres, Paris, e outras grandes cidades do Mundo, com exceção natural daqueles países do Eixo e seus simpatizantes.

Falou-se muito que na cena em que A Marselhesa era executada no Rick's muita gente chorava na platéia. Entretanto, a história não é bem essa...

Eis a verídica informação: quando a pedido de Victor Lazlo (Paul Henreid) e com total apoio e consentimento de Rick Blaine (Humphrey Bogart), o proprietário do estabelecimento, eis que a orquestra ataca La Marseillaise para abafar o som de uma canção alemã de guerra entoada pelo Major Strasseir (Conrad Veidt) e seus oficiais. Lazlo e Yvonne (interpretada pela francesa Madeleine LeBeau- foto- ainda viva e talvez a única sobrevivente do Cast), que era uma namoradinha "passa-tempo" de Rick, acabou chorando DE VERDADE na cena, pois o script não pedia isso, o que acabou contagiando o público ali presente, que fez coro com os dois e mais a cantora-guitarrista Andreya (Corrina Mura, 1909-1965), que cantava os versos de Rouget de Lisle. Este mesmo contágio acabou também acontecendo na platéia do São Luiz aqui no Rio de Janeiro, que aplaude entusiásticamente a cena, ouvindo-se emocionados "Vive La France!" por todos os lados, manifestação espontânea que se repetia a cada sessão do clássico de Curtiz, e que seria exibida todos os dias, o que levou Severiano Ribeiro a manter o filme em cartaz por uma segunda semana no São Luiz.

Jamais havia acontecido tal coisa antes, quebrando um tabu que o grande exibidor vinha mantendo desde a inauguração da casa em 22 de setembro de 1937.

Palmas de emoção e solidariedade, afinal eram períodos conturbados aqueles, a II Guerra Mundial.


BIBLIOGRAFIA: Revista Cinemin, nº 55, pag 32, Sessão ISTO NÃO É FITA, É FATO,com base em artigo escrito pelo saudoso e competente João Lepiane.


Produção e pesquisa de Paulo Telles
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10 comentários:

  1. Feliz 2011 pra você também Paulo. Muita saúde, paz, amor e prosperidade.
    Abraços.

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  2. Nossa, mt legal saber que Casablanca foi iniciado no meu bairro aqui no Rio. Casablanca é realmente inesquecível ! Postei sobre a tragédia da morte de Jayne Mansfield. Se quiser conferir... Beijos, boa noite, e feliz 2011 !

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  3. As Prezadas Jenifer e C.M

    Agradecendo a visita e o apoio. Que o ano vindouro seja repleto PARA NÓS TODOS, cheios de FÉ, AMOR, SAÚDE E PAZ. E que possamos continuar a contribuir sempre com informações para os internautas apaixonados pelo Cinema.

    Abraços.

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  4. Boa noite prezado Paulo,
    quero parabeniza-lo pelo excelente trabalho realizai aqui no blog, sou um fã dos filmes antigos desde tods os tarzan`s aos western`s enfim, eu já recomendo seu blog em m eu humilde blog, www.alipiofisio.blogspot.com , desejo td sucesso do mundo pra vc sempre, abs !!

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  5. Prezado Alípio, tudo jóia?

    Eu que tenho que te agradecer pelo apoio. Vou estar incluindo seu espaço no meu blog (só não vai poder ser em área destinada a filmes e afins, já que o tema do seu difere). Já estou seguindo também seu espaço. Grande abraço e bom ano pra vc.

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  6. qta honra tenho em receber este atencioso espaço , caro Paulo, qto ao apoio, pode contar sempre comigo, estarei te recomendando tb via TWITTER, gosto de verdade do teu blog, adorei o post fAROESTE AMERICANO E O EUROPEU ... nOVAMENTE TE AGRDEÇO PELA ATENÇÃO E ADOREI SEU COMENTARIO EM MEU BLOG, SUCESSO SEMPRE

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  7. Querido Paulo,
    Muito interessante essa postagem com curiosidades referentes aos filme Casablanca. Sem dúvidas, é um filme que será lembrado para sempre, tamanha sua magnitude. O Cine São Luiz faz parte da história da minha cidade e nós cearenses temos muito orgulho de sua existência e lutamos para que ele não fosse extinto. Agora ele não tem mais a mesma expressão em nível de bilheteria que tinha por aqui, mas com certeza, representa no imaginário do fortalezense um espaço onde todos nos vivemos bons momentos e temos lembranças felizes.
    Obrigada por me fazer reviver um pouco disso com sua postagem.
    Beijos, e obrigada por sempre estar presente no meu blog.

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  8. Querida e minha jovem amiga Dadylla.

    Salientando, a título de curiosidade, sou filho de cearense. Já estive ha muitos anos em Fortaleza e confesso que me apaixonei pelo local, praias e pessoas. Meu pai já é falecido.

    Quanto ao Cinema São Luiz, ignorava que tinha também em sua cidade e me orgulho que vc e seus concidadãos tenham lutado pela sua preservação.

    Infelizmente aqui, a coisa não se sucedeu por mais força que nós cariocas tenhamos tentado para mantê-lo erguido, mas a década de 1970 foi o período da construção do Metrô no Rio de Janeiro, de maneira que muitos de nossos cinemas foram fechando (muitos dando lugares a igrejas evangélicas) e pior, outros patrimônios históricos sacrilegamente demolidos, como o Palácio Monroe, que foi a sede do Senado nos períodos áureos da república quando o Rio de Janeiro ainda era a Capital Federal.

    O Nosso São Luiz, que fez a estréia aqui no Rio deste sensacional clássico CASABLANCA, foi demolido, e em seu lugar foi construído um prédio com lojas que preservaram o nome de São Luiz e, no andar superior, 4 modernas salas de cinema com o mesmo nome, isto é, ao menos o nome foi preservado, e deram um ar de nostalgia nestas 4 salas com pinturas de atores clássicos, como Bette Davis, Edward G. Robinson, o próprio Bogart, entre outros. Entretanto, não é a mesma coisa.

    Fiquei imensamente feliz com sua visita e comentários, e é um enorme prazer em estar também em seu espaço, que em verdade sincera e absoluta, tem muito a oferecer. Vc é uma Luz a brilhar, acredite.

    Beijos e um grande abraço

    Paulo Néry

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  9. Duas gratas surpresas ! um blog de excelente qualidade ! Casablanca, um dos filmes que considero no topo juntamente com Cidadão Kane, na minha lista pessoal dos 100 melhores filmes.

    Parabéns pelo espaço ! já salvei em favoritos

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  10. Saudações Antonio Carlos. Agradeço seus comentários e seja muito bem vindo. Forte abraço.

    Paulo Néry

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