domingo, 5 de setembro de 2010

A Trajetória de Errol Flynn

Em 2009 o mundo celebrou o centenário de seu nascimento. No dia 20 de junho de 1909, em Hobart, Tasmania, na Austrália, nascia um dos maiores astros do cinema internacional, símbolo de virilidade e heroismo, cuja a imagem é associada aos heróis de Capa & Espada. Errol Leslie Thonson Flynn, ou para o mundo ERROL FLYNN, viria a se tornar uma lenda.

Filho de Theodore Flynn, um respeitado biólogo australiano, e de Marrelle Young, uma jovem mulher descendente de Fletcher Christian e Edward Young, tripulantes do famoso H.M.S. Bounty.

Quando sua família mudou-se para a Inglaterra, seu espírito rebelde e aventureiro fez de tudo para ser expulso das escolas em que seus pais o matriculavam. No final de sua adolescência, decidiu sair à procura de ouro, mas só encontrou pequenos trabalhos como castrador de carneiros, caçador de tesouros, pescador e policial, entre outros.

Um autêntico fanfarrão que desbravou seu próprio caminho e viajou pelo Pacífico (há maus comentários que durante este periodo de sua vida, foi traficante de escravos, mas isto não é provado) antes de aparecer pela primeira vez nas telas do cinema como Fletcher Christian (de quem era descendente) em In The Wake of the Bounty, em 1933.

Após algum tempo no repertório britânico, foi escalado pela Warner Brothers para The case of the Curius Bride, em 1935, com o competente diretor Michael Curtiz (1886-1962), com quem trabalharia em muitas películas.

Errol sabia que não era um grande ator, mas possuía porte atlético e um enorme poder de sedução, tornando-se um notório boêmio conquistador e alvo de maridos ciumentos. Brigas não faltavam em suas arriscadas aventuras (era bom de briga pois era um exímio lutador de boxe, chegou a trocar socos com o diretor John Huston(1908-1987) numa festa em Hollywood nos anos de 1940).

Mas foi em 1936 que a fama bateu à sua porta ao substituir Robert Donat (1905-1958) que iria desempenhar o papel principal em um épico sobre piratas.



Ao lado de Olivia De Havilland, o filme chamava-se "Capitão Blood" e foi um estrondoso sucesso de bilheteria. Com ela, ele contracenaria em nove filmes, entre os quais "As Aventuras de Robin Hood" (1938), talvez no papel pelo qual é mais recordado.

Mais tarde vieram: Meu Reino Por um amor (1939), contracenando com a talentosa e profissional Bette Davis (1908-1989) com quem se desentendeu durante as filmagens, pois Flynn, anti ético e anti-profissional, chegava muitas vezes atrasado para as filmagens depois de noitadas de bebidas e mulheres; O Gavião do Mar (1940); O Intrépido General Custer (1941); Uma Cidade que Surge (1943), onde contracena pela última vez com Olivia de Havilland (uma lenda viva da Sétima Arte), par romântico dele desde Capitão Blood que, segundo sua auto-biografia, nutria realmente paixão pela atriz, mas Olivia não correspondia:

"Sim, nos apaixonamos e acho que isso é evidente na química que mostrávamos nas telas", declarou recentemente a atriz, de 93 anos."Mas as circunstâncias naquele tempo impediram que a relação fosse adiante", afirmou.

Apaixonado pelo mar, comprou um iate, "Siroco", no qual passava grande parte de seu tempo livre. Foi nele, que Errol Flynn passou os últimos anos de sua vida, ancorado num porto da Jamaica, onde escreveu sua biografia que viria a ser publicada após sua morte.

Errol Flynn casou-se três vezes, sendo que os dois primeiros casamentos terminaram em divórcio e o último com sua morte. Em ordem cronológica, foram suas esposas: a atriz Lili Damita (1931 - 1942), com quem teve seu filho Sean Flynn; a atriz Nora Eddington (1943 - 1948), com quem teve os filhos Deirdre (1945) e Rory (1947); e a atriz Patrice Wymore (1950 - 1959), com quem teve a filha Arnella. Seu filho Sean, um fotojornalista, desapareceu com outros jornalistas durante a guerra do Vietnã. Presume-se que tenha sido capturado e morto pelas forças do Kmer Vermelho, quando da invasão do Camboja.

Mulherengo incorrigível, foi mergulhando aos poucos num processo auto-destrutivo de sexo, bebidas e até drogas. Possuia em sua mansão uma terma onde convidava amigos mais chegados para participarem de orgias com mulheres selecionadas pelo próprio ator. Assim, sua reputação foi seriamente abalada após acusações de relacionamento sexual com duas menores, em 1942. Foi inocentado, mas foi enveredando mais nas bebidas e indolência, engordando, e a popularidade de seus ultimos filmes vieram a cair, com exceção de E Agora brilha o Sol, em 1958, onde faz uma personificação de sua própria ruina, do romance de Ernest Hemingway, sob direção de Henry King.

TÚMULO DE ERROL FLYNN
Errol Flynn morreu de um massivo ataque cardíaco em 14 de outubro de 1959, com apenas 50 anos de idade. Flynn não deixou um cadáver bonito. De fato, o legista que fez sua autópsia se surpreendeu com o fato de ele ter chegado aos 50 anos ao comprovar o estado de seus órgãos, praticamente destruídos por seu vício em heroína, cigarros e álcool.

Mas o que restou é a lembrança de um herói que deixou marcas indeléveis nas grandes telas, e nas matinês de todo mundo, e até hoje, passados 100 anos de seu nascimento, e em outubro próximo 50 anos de seu falecimento, é ponto de referência como Herói e ídolo do Cinema. Seus filmes, lançados em DVD ou exibidos na televisão, testificam sua enorme contribuição para a Sétima Arte.

Produção e pesquisa de Paulo Telles

9 comentários:

  1. Errol Flin foi um astro de nossas matinees. Delirava o publico com seus filmes de capa e espada e faroestes, embora limitadissimo em termos de qualidade técnica profissional.
    Nada de sua vida me surpreende, já que andei lendo muito sobre o mesmo. Entretanto duas coisas me surpreendem;
    1 - é sobre seu filho Sean Flinn, de quem vi, acho que dois filmes, por ele dirigidos. Ou então alguém usou seu nome. Como na reportagem fala que ele desapareceu no Vietnam, parece que algo distoa aí. Como pode ser? Onde está a discordancia, já que seus filmes são depois da década de 80 e um deles é com Stallone, portanto bem depois do Vietnam.
    2 - Já ouvi falar mais de uma vez sobre o filme em que ele interpreta Christian Fletcher de 1933, mas jamais o vi passar em lugar algum. O que conheço é O Grande Motim, de 1935, com Gable neste papel. Bem; possa ser que existam os dois. Mas dois filmes com a mesma historia feitos em 2 anos?!
    Agora; sua companheira de vários filmes e por quem foi apaixonado era uma coisa muito linda. Olivia de Havilland era meiga, bela e muito excelente atriz, o que distoava de seu apaixonado e de vida desregrada, o nosso Flin.
    Mas, caro Nery, cada um escolhe a vida que deseja ter. E se ele escolheu aquela, teria, portando, de estar preparado para o retorno de tantas extravagancias.
    jurandir_lima@bol.com.br

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  2. Nery,

    Estou precisando falar contigo e não consigo encontrar um email para tal contato.
    Fineza falar comigo no jurandir_lima@bol.com.br e então lhe respondo no mesmo ou então me mande um email para contato.
    Grato
    jurandir_lima@bol.com.br

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  3. Salve Jurandir. Veja bem, tudo que sei a respeito do filho de Errol, o Sean, que ele fez muitos poucos filmes antes de se engajar no Vietnã e desapareceu por lá em 1971.

    Ele era fotógrafo de Guerra e realizava também documentários. Existe, de fato, outro ator homônimo que em verdade é neto de Errol e sobrinho do Sean original, e que andou fazendo uns filmes dos anos 90 para cá.

    Sobre o papel dele de Christian Fletcher, de fato ele desempenhou. Realmente eu também nunca assisti e teria muita curiosidade, nem sei se chegou ao Brasil ou já passou em alguma emissora de TV, contudo faz parte de sua filmografia uma fita em que ele desempenhou o mesmo papel de Clark Gable.

    A Olivia contrastava com a personalidade de Errol, e a prova disso é que ela ainda vive e é um exemplo de longevidade, uma lenda viva da Sétima Arte.

    Existe o livre arbítrio, para todos. Abraços

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  4. Jurandir, entro em contato com vc. Forte abraço e uma ótima semana de paz e produtividade.

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  5. .
    esqueceram de relatar que foi o melhor espadachin do cinema
    seus golpes eram quase sempre mortais e usava a espada com uma habilidade nata



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    1. Errol foi entre muitos espadachins do cinema, ao lado de Douglas Fairbannks e Stewart Granger, mas certamente, o mais popular deles. Mas uma nota: Basil Rathbone, que foi seu antagonista em AS AVENTURAS DE ROBIN HOOD e CAPITÃO BLOOD, sabia na vida real esgrimar mais que Errol, e ele próprio orientou muitas vezes Flynn para as sequencias de ação.

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  6. Telles,

    Quem diria que já falo neste blog há mais de cinco anos!
    Olha aí um comentário meu, até que bem arregimentado. Afinal, ele é de 5 anos atrás!

    Olha, amigo: os filmes que eram feitos nos EUA eram de imediato lançados em todo o mundo. E no Brasil não era diferente. Se eles faziam um filme em 1940, neste mesmo ano ou, no máximo, ano seguinte, o filme estava em nossas telas.

    Pois bem: eu ainda era muito jovem em 1953/54 quando vi um filme com o Flinn que não gostei dele pelo seu alquebramento físico. Veja como já naquela época eu era buliçoso, atento, sagaz e observador ao extremo.

    Já havia visto alguns bons filmes do Flinn. Não lembro quais exatamente. Mas já o houvera visto jovem, atlético, renhido, esbelto e ativo, como em Blood/Robim Hood/A Carga e mais um outro que acho ter sido O Gavião do Mar. Eram filmes que não vi nos lançamentos, mas peliculas que eram reprisadas a ermo.

    E foi nestes idos de 1953 que percebi o inicio de sua decadência física ao ver a fita "Minha Espada, Minha Lei/53," do William Keyghley. Ele, o Errol, não era nem a sombra do ágil Flinn dos filmes anteriores.

    É. Observei isso no desenrolar do filme e filme que acho que não viste e que poucos cinéfilos o viram. Fraco, bem fraquinho. Mas, tinha o Flinn o que queria dizer tudo.

    Pois é. E aí, logo mais tarde o vejo em "E Agora Brilha o Sol/59", como se uma apologia ao que estaria por vir, com o Mel Ferrer o maltratando e até batendo nele no filme e exprimindo feições de asco por ele só andar bêbado e os seguindo onde iam, pois ele, o Ferrer, estava atrás da Ava e o Flinn não desgrudava.

    E ele, o Errol, de feições grossas, olhos sem cintilância, corpo em robustez e bebendo o filme todo. Era o fim que se aproximava, como de fato terminou por ocorrer naquele mesmo ano. Lamentavelmente!

    Sentimos pela perda de um ator amado e que assistíamos seus filmes com enorme prazer. Mas afundou-se em desregramentos gerais, fator que minou sua saúde e por fim sua vida.

    Abração. E foi uma beleza voltar a falar sobre uma matéria na qual falei 5 anos atrás.

    jurandir_lima@bol.com.br

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    1. Falar na decadência física de Flynn já é um assunto praticamente esgotado, e isso é percebível quando vimos seus últimos trabalhos. Assisti MINHA ESPADA É MINHA LEI e realmente já vemos um Errol desgastado, mas isso já vinha desde AS AVENTURAS DE DON JUAN, onde também se percebe a má forma, onde ele precisou até de dublês como JOCK MAHONEY (que o dublou na cena em que ele pula da escada para saltar sobre o vilão).

      E AGORA BRILHA O SOL: Não sou muito fã de Mel Ferrer. Preferia ver o atlético e em boa forma Charlton Heston naquele papel que lhe caberia como uma luva, mesmo ele surrando Errol e o Ty, já pensou, baiano? Contudo se vc analisar este filme, o personagem de Ferrer era discriminado pelo personagem de Errol, e em um momento de raiva, sobrou pra este. Eu preciso rever este filme, já tem um tempo que não assisto.

      Abraços do editor.

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    2. PS- Agora que vi baiano, o artigo tem 6 anos. Foi logo no inicio, pois o blog nasceu a 8 de junho de 2010. Contudo, Flynn merece uma revisita e em breve publicarei um novo post sobre a vida e a obra (com direito a filmografia) desse grande astro.

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