sábado, 7 de agosto de 2010

O Western Americano e o Western Europeu- Parte 2.

Continuando o artigo do link http://articlesfilmesantigosclub.blogspot.com/2010/06/o-western-americano-e-o-western-europeu.html, elaboraremos mais adiante a importância dos dois gêneros de faroestes na Sétima Arte.
De uma forma ou de outra, o Diretor John Ford (1895-1973) dos clássicos westerns norte-americanos influenciou o Faroeste Spaghetti. Este se tornou um subgênero conhecido graças ao cineasta Sergio Leone (1929-1989), que imortalizou o western italiano através de sua trilogia (Por um punhado de dólares, por uns dólares a mais, Três Homens em Conflito). Tais filmes são baseados nas vidas de caçadores de recompensas do velho oeste, e neles Leone atribuiu certos realismos que faltavam nos faroestes norte-americanos.
Não havia a exaltação romântica e nem a legenda áurea dos foras da lei, e muito menos eram limpinhos e barbeados como os cowboys interpretados por John Wayne, Randolph Scott, Audie Murphy, Joel McCrea, entre outros. Agora os heróis (ou anti-heróis) eram interpretados por Clint Eastwood, Franco Nero, Giuliano Gemma, Anthony Stefen, Klaus Kinski, entre outros, embora o primeiro mencionado fosse um norte-americano (saído de uma série de TV norte americana intitulada Rawhide, aqui no Brasil Couro Cru, e Leone assistiu algum dos episódios e gostou do trabalho de Eastwood), ele foi o pioneiro dos “heróis” retratados pela nova visão realista deste gênero, sem noção de moral e escrúpulos, cujo o único objetivo era o dinheiro.
Como explicado no primeiro artigo desta matéria, o gênero Western Spaghetti tinham este nome por serem produzidos na Itália e na Espanha (cuja grande parte das filmagens eram rodadas na região da Alméria, que lembrava muito os desertos norte-americanos).


Em 1968, Sergio Leone lançou Era uma vez no Oeste, com Charles Bronson, Claudia Cardinale, e Henry Fonda (cowboy Hollywoodiano por excelência que já tinha mais de 30 anos de experiência, que aos 63 anos interpreta o único vilão de sua carreira. Leone era fã deste grande e saudoso astro falecido em 1982). Na época do lançamento, foi um fracasso de bilheteria, mas com o passar dos anos, elevou a obra prima do gênero. O mesmo se sucedeu com o clássico norte-americano Rastros de ódio, de John Ford, que ao ser lançado em 1956 não teve boa repercussão de crítica e de público, mas foi reconhecido como obra magistral da Sétima Arte tempos depois.
Retrocedendo um pouco, por volta de 1964 os faroestes italianos estavam ganhando espaço na mídia da época, sobrepujando os aparentemente batidos westerns americanos. Estes já estavam sendo levados a televisão, em séries como Paladino do Oeste, Bat Masterson, Rin Tin Tin, Bonanza, Homem do Rifle, Homem de Virgínia, entre outros. Não parecia haver novidades no gênero, mas isto parece ter empolgado alguns atores norte-americanos a irem para a Europa e trabalharem (assim como Eastwood) no gênero Western europeu emergente.
Além de Clint Eastwood, que como falamos saiu de uma das séries de televisão como Rawhide que era um tema western, saiu dos States em direção a Itália para protagonizar a obra triológica que o consagrou definitivamente, outros o seguiram, como Guy Madison, Lex Barker (ex-Tarzan), Van Heflin, Gordon Scott (ex-Tarzan também), Adam West (O Batman da TV), Jeffrey Hunter, Richard Harrison, George Hamilton, Richard Harris, Chuck Connors (astro da série televisiva O Homem do Rifle), Rod Steiger, Richard Boone (da série de TV Paladino do Oeste), Lee Van Cleef (o mais bem sucedido depois de Clint Eastwood), Rod Cameron, Sterling Hayden, Joseph Cotten, Van Johnson, Broderick Crawford, John Saxon, Clint Walker (da Série Cheyenne), entre outros. Grande parte destes atores americanos seguiram o exemplo de Eastwood e migraram para a “terra prometida” do novo gênero de westerns, muito deles com o objetivo de revitalizarem suas carreiras.



Além de Lee Van Cleef (1925-1989), quem mais chegou perto do sucesso de Clint Eastwood foi Burt Reynolds, que como Clint havia começado sua carreira na TV em uma série televisiva. Sergio Corbucci, outro grande cineasta do gênero, viu algum de seus trabalho na TV e ficou impressionado, e sem pestanejar, o convidou para estrelar Navajo Joe .



Além dos americanos, o Western europeu contou também com atores de outros países, como a Inglaterra (Stewart Granger); França (Philippe Leroy e Johnny Halliday); Alemanhã (Klaus Kinski); Espanha (Fernando Sancho, um dos bandidos mais feiosos requisitados nos Westerns Europeus); e o BRASIL não estava menos representado sem a presença de Anthony Steffen, ou melhor, ANTONIO DE TEFFÉ (nascido em 1930, falecido no Rio de Janeiro em 2004) , que fez muito sucesso em território europeu.

NA ALEMANHÃ, o ex-Tarzan nos Estados Unidos LEX BARKER (1919-1973, que havia substituído Johnny Weissmuller no papel do Rei das Selvas) atuou em sete filmes da série WINNETOU, um índio herói criado nos romances do escritor alemão Karl May (1842-1912) interpretado pelo francês PIERRE BRICE (ainda vivo e na ativa), tendo Barker no papel de Old Shatterhand, personagem igualmente criado por May em seus romances.





NORMA BENGELL, nossa atriz brasileira, também participou de um Spaghetti Western: Os cruéis (I Crudelli), em 1966. O filme dirigido por Sergio Corbucci e estrelado pelo veterano Joseph Cotten (1905-1994).

Mas a margem das afinidades de diretores como Leone e Corbucci, surgiram outros diretores do gênero Spaghetti nos faroestes italianos, como Duccio Tessari, que dirigiu Uma Pistola Para Ringo, ou Giorgio Ferroni, com o Dólar Furado, ambos estrelados pelo galã Giuliano Gemma, outro herói dos faroestes europeus, talvez o menos "sujo" dentre eles.


Ainda temos Franco Nero, italiano legítimo (Nero havia sido ator de fotonovelas) estrelando Django, de Sergio Corbucci, em 1966, e Nero fez tanto sucesso que foi um dos atores mais requisitados para o gênero spaghetti nos 10 anos seguintes.
Não percam na terceira e última parte deste artigo: A RESPOSTA AMERICANA aos faroestes europeus e a chegada dos anos 90. Até lá.
BIBLIOGRAFIA:100 ANOS DE WESTERN- Autor: Primagio Mantovi- Editora Opera Graphica.
Documentários sobre os Westerns.

Produção e pesquisa de Paulo Telles

Um comentário:

  1. Muito bom este trabalho.
    Realmente não conhecia e vai ser mais um na minha lista de leitura e pesquisa.
    Estaremos juntos na estrada até o próximo Saloon forasteiro.

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