domingo, 27 de junho de 2010

O Western Americano e o Western Europeu- Parte 1.

Para todos os cinéfilos bons conhecedores e admiradores do cinema, principalmente do gênero WESTERN (ou faroeste, como chamamos aqui no Brasil), esta categoria é dividida em muitas etapas ao longo de décadas de produções. Gênero estritamente americano por excelência, mas que conseguiu adeptos de fãs em grande parte do mundo, o cinema norte americano levou para todos os costumes dos velhos pioneiros na conquista da terra bravia, caravanas, diligências, salons, homens da lei e bandidos (ou mocinhos e bandidos), e muitas vezes sobrepujando a realidade dos fatos, levando-os as lendas românticas e criando legendas áureas em seus mitos (afinal, o próprio cineasta John Ford, o Mestre dos Westerns norte-americanos, já dizia através de um de seus personagens do seu filme O Homem que matou o fascínora/The man who shot Liberty Valance, de 1962: Quando a lenda é maior que o fato, imprime-se a lenda), mesmo se estes fossem personagens realisticamente famigerados, como Jesse James, Billy the Kid, ou até mesmo o “notável e honrado” homem da lei Wyatt Earp, cuja sua verdadeira história nada tem de honrado, muito menos de romântica.


A Verdade, é que desde que o faroeste surgiu (o primeiro western da história foi O Grande Roubo do Trem/ The Great Train Robbery, em 1903) o cinema norte-americano nunca mostrou a realidade de sua época sem lei, pelo menos como deveria ser. Mas o que isto importava para o público que pagava pelo bilhete para ver as emoções de boas brigas de punhos, o herói salvando a mocinha e beijando-a no final, e principalmente, a característica do herói, sempre limpinho, arrumadinho e barbeado, que nas brigas nunca caía o chapéu? Sim, isto era o contraste dos verdadeiros homens do oeste, que em sua grande parte eram sujos e desalinhados (é mister dizer que muitos só tomavam banho quase que duas vezes ao ano, e criticavam os homens do leste, estes mais civilizados, por tomarem banho todos os dias, intitulando-os de efeminados). Quando víamos cowboys alinhados como Gary Cooper, Randolph Scott, John Wayne, Audie Murphy, George Montgomery, Jock Mahoney, e tantos outros, analisamos o quanto é contrastante para com a realidade do que foi o Velho Oeste e seus contemporâneos.

Entretanto, com o passar dos anos, o western americano foi tomando formas, e apesar dos seus heróis e mocinhos ainda serem bem “limpinhos”, algumas histórias foram se adaptando de conteúdos trágicos, com dramática intensidade, como vemos principalmente nos westerns de Anthony Mann (1906-1967), como Um certo Capitão Lockhart/The Man from Laramie, de 1955, e O Preço de um Homem/The Naked Spur/1953,este quase que uma refilmagem de O Tesouro de Sierra Madre, de John Huston, cujo assunto aborda exatamente sobre a ambição do Homem, e ambos estrelados por James Stewart (1908-1997), mocinho classe A por excelência e um brilhante ator que trabalhou com diretores muitos difíceis. Mas para o Western Americano chegar a esta fase na década de 1950, o público ainda teve que conhecer outras leituras além da legenda romântica de seus personagens.

Os grandes produtores também viram uma oportunidade de trazer o Velho Oeste para o público infantil. Na década de 1930, John Wayne era um ídolo infantil. Pouco depois do fracasso de A Grande Jornada/The Big Trail, de 1932, cuja estréia coincidiu com a época da depressão americana, não restou ao futuro ídolo estrelar faroestes de baixo orçamento, quase que vestindo o mesmo figurino e cavalgar o mesmo cavalo em todos os seus filmes em histórias curtíssimas que não levavam em média 60 minutos. Como o próprio Wayne dizia, era sua época de “vacas magras”, que só acabaria a partir de 1939, quando John Ford o escalou para ser seu astro no épico western No Tempo das Diligências/Stagecoach, que o consagrou definitivamente como um astro de primeira grandeza.

Mas como Wayne, outros também embarcaram nos faroestes infantis, considerados classe B, entretanto sem chegar ao ápice do estrelato como chegou o Duke (como era conhecido Wayne). Entre muitos, estão Charles Starrett (que se tornou o Durango Kid), Allan Rocky Lane, Bill Elliot, Monte Hale (que durou mais que os outros astros de sua época, morreu em 2009 com quase 90 anos), Clayton Moore (o eterno e saudoso Lone Ranger/Zorro & Tonto da TV), Roy Rogers (o cantor cowboy, “Rei dos Cowboys”) William Boyd (o Hopalong Cassidy) e Johnny Mack Brown, este um outrora astro destinado a Primeira Grandeza da Metro Goldwyn Mayer, mas que ao se envolver românticamente com a starlet Marion Davies, amante do Poderoso William Randolph Hearst, chefão do Quarto Poder e das maiores cadeias de jornais e imprensa dos Estados Unidos, foi boicotado graças (ou desgraças) a influência do poderoso Hearst, e os planos para uma carreira mais promissora foram a declínio, e não restou a Mack Brown senão embarcar nos faroestes Classe B (assim como são chamados os westerns de baixo orçamento), pois como bom atleta que era e bom na montaria, Mack Brown foi escalado para ser astro destes filmes, onde conseguiu popularidade e fortuna, o suficiente para que próximo ao fim de sua vida (Johnny Mack Brown faleceu em 1974) garantisse sua aposentadoria e abrisse um restaurante.

No entanto, na década de 1960, os westerns estavam atravessando uma nova linha, já que o formato americano de se ver as coisas já estava consumindo o público. Nesta época, muitas mudanças culturais estavam ingressando na sociedade. Pareciam que os westerns americanos já eram clichês passados, se não fosse a interferência da Itália em realizar também suas próprias produções. Mas por que um país da Europa se interessaria em realizar westerns se este é um gênero somente americano? Simples: somente um cineasta italiano, que era um fã dos westerns americanos, queria apresentar ao mundo o que os americanos nunca ousaram mostrar nas telas, e este cineasta era Sergio Leone (1929-1989). Leone queria mostrar ao público o que era, na realidade, o velho oeste americano, retratando seus “mocinhos e bandidos” sujos, suados, poeirentos, e com barba por fazer, e tramas nada românticas, afastando definitivamente toda legenda áurea que Hollywood mostrou ao longo de quase 50 anos. Doravante, surgia uma nova etapa no gênero, o “western spaghetti”, como era definido o gênero além mar, produzido por cineastas italianos e rodados em alguns lugares na própria Itália, mas precisamente também na Espanha, na região de Alméria, por esta além de ser a região mais pobre da Espanha (que sequer tinha energia elétrica em muitas localidades), lembrava também alguns lugares do deserto do Oeste dos Estados Unidos, como o Monument Valley, no Arizona (Estado de Utha), que é tida como a “Terra de John Ford”, pelo fato do grande Mestre ter dirigido muitas de suas películas westerns neste local

Em breve, veremos na segunda parte deste artigo, reminiscências dos westerns italianos, a competição destes com os novos westerns americanos que foram obrigados a mudar seu formato para não perder seu público, e os principais atores que fizeram muito sucesso (e já outros nem tanto) nas películas do gênero feitas na Europa. E também de atores norte-americanos que resolveram investir nos westerns spaghetti. Até lá.

Produção e pesquisa de Paulo Telles

5 comentários:

  1. Caro amigo, a sua matéria é excelente. Adorei ler sobre esses velhos filmes de westerns. Parabéns pela postagem. Abraços. Roniel.

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  2. Saudações Roniel.

    Agradeço sua visita e pelo comentário.

    Grande abraço

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  3. Muito interessante seu blog, pois resgata a história do cinema...parabéns

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  4. Obrigado Celina, seja bem vinda sempre. Grande Abraço.

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  5. Caros amigos- li com umcerto saudisismo esse artigo sobre os filmes de western.Tenho uma certa admiração por esse gêenro de filmes e ao contrário do que se prega, acho que o veio ainda não está esgotado.Sou da geração que assistina Durango Kif, Bat Masterson, Maverick,etc;. Parabens pelo artigo, muito bem escrito e objetivo--Anselmno M Fontes

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