terça-feira, 8 de junho de 2010

O Cinema e a Televisão- antigos rivais

Foi no final do século XIX, em 1895 (para ser mais exato, no dia 28 de dezembro), na França, os irmãos Louis e Auguste Lumière inventaram o cinema. Na primeira metade deste século a fotografia já havia sido inventada por Louis-Jacques Daguerre e Joseph Nicéphore Niepce, possibilitando esta criação revolucionária no mundo das artes e da indústria cultural: o cinema. O público que assistiu a primeira sessão de cinema se espantou e se cativou com as imagens em movimento.Desde então, tornou-se além de uma arte (considerada a Sétima Arte) um dos entretenimentos mais acessíveis ao público. Para isto, a nova arte teve que passar por processos evolutivos de transformação, como as melhorias técnicas e a qualidade das imagens. Com a chegada do filme sonoro, a inclusão do som foi o ápice da revolução tecnológica do Cinema.

Durante as primeiras quatro décadas após o surgimento do cinema, esta se manteve no topo das diversões. Assim como hoje entendemos o que faz um amante pelo futebol pagar um ingresso para ver o jogo do fla-flu, os americanos, e de um modo geral quase que o mundo todo, não se importavam em pagar um ingresso para ver seus filmes preferidos, e talvez mais ainda, ver seus astros e estrelas nas grandes telas. Qual a mulher nos anos de 1920 não faria de tudo para assistir a Rudolph Valentino em “O Sheik”? e como Valentino, que morreu prematuramente em 1926 com apenas 31 anos de idade, seguiriam outros astros viris e galantes que seduziam não somente as mulheres, mas o público em geral, como Clark Gable, Robert Taylor, Gary Cooper, Tyrone Power, e tantos outros que com encanto e carisma conseguiam manter seus topos nas bilheterias, também mantendo assim, o prestígio da Sétima Arte.
E por falas nas grandes estrelas? Elas também com sua beleza e sensualidade magnetizavam as platéias, como Jean Harlow, Joan Crawford, Carole Lombard, Bette Davis, Barbara Stanwyck e Lana Turner.

Mas enquanto isto, outra modalidade de transmissão de imagens em movimento estavasendo projetada: a Televisão. Tudo começou em 1817, quando o cientista sueco Jakob Berzelius descobriu e isolou o selênio, observando a fotossensibilidade do elemento químico que desprendia elétrons quando exposto à luz. Mas a tese de que o selênio possuía a propriedade de transformar a energia luminosa em energia elétrica foi comprovada apenas 56 anos depois, em 1873, pelo inglês Willoughby Smith. Em 1884, o alemão Paul Nipkow patenteou uma proposta de transmissão de imagens à distância, e foi chamado de o "fundador da técnica de TV". Em 1892, Juluis Elster e Hans Getbel inventaram a célula fotoelétrica.

A palavra televisão foi inventada em 1900, pelo francês Constantin Perskyi. Vem da junção das palavras tele (longe, em grego) e videre (ver, em latim). Perskyi apresentou uma tese no Congresso Internacional de Eletricidade, em Paris cujo título era "Televisão". A tese descrevia um equipamento baseado nas propriedades fotocondutoras do selênio, que transmitia imagens à distância. Em 1906, Arbwhnett desenvolveu o sistema de televisão por raios catódicos, que empregava a exploração mecânica de espelhos somada ao tubo de raios catódicos. O mesmo seria feito na Rússia, por Boris Rosing. Por isso não se pode atribuir a invenção da televisão a uma única pessoa. Os novos equipamentos eram construídos a partir de experiências anteriores de outros pesquisadores.

Em março de 1935, a Alemanha, primeiro país a oferecer um serviço de televisão pública, emitiu oficialmente a televisão, adotando um padrão de média definição: 180 linhas e 25 quadros por segundo. A BBC foi inaugurada em 1936, na Inglaterra, com imagem composta por 240 linhas, padrão mínimo que os técnicos chamavam de "alta definição", por garantir boa qualidade e nitidez. Em três meses seu sistema oficial já era de 405 linhas. No ano seguinte, três câmeras eletrônicas transmitiram a cerimônia da Coroação de Jorge VI, com cerca de 50 mil telespectadores. Na Rússia, a televisão começou a funcionar em 1938 e, um ano depois, nos Estados Unidos, sendo este o país que melhor entendeu e absorveu a nova mídia. A NBC estreou em 1941, com anunciantes e patrocinadores sustentando a programação. Lworykin encabeçou a equipe da RCA que produziu o primeiro tubo de televisão, chamado orticon, e que passou a ser produzido em escala industrial a partir de 1945.


Voltando ao Cinema, para entreter mais as platéias, superproduções foram sendo investidas, mas estava ficando cada vez mais caro produzir um filme, mesmo os faroestes B, aqueles de baixo orçamento, que estavam ficando cinco vezes mais caro. Assim, para não falirem, os produtores foram obrigados a reduzir os custos ao mínimo. Entretanto, uma ameaça surge por volta desta mesma época, uma nova forma de diversão que já estava invadindo os lares de centenas de americanos, nada mais nada menos que a televisão. Não demorou, e grandes estúdios de TV (as iniciais de Tele – Visão) começaram também a produzir filmes. Se nos áureos de 1930 e 1940 havia produções do cinema em série, os chamados SERIADOS DE CINEMA, que eram filmes exibidos nas matinês semanalmente, geralmente com 12 a 15 capítulos (como “A Mulher Tigre”, “Perigos de Nyoka”, “O Fantasma Voador”, “Império Submarino”, e tantos outros) eram assistidos pela maioria público infanto-juvenil, a televisão, pouco tempo depois, começou a produzir séries televisivas, similares aos moldes destes seriados das grandes telas. Podemos dizer que os seriados de cinema, involuntariamente, se tornaram precursora das chamadas séries de televisão.

O público de cinema foi diminuindo com o advento da Televisão. Produtores e cineastas se preocupavam com os rumos (quase incerto) que a Sétima Arte tramitava. Entretanto, graças ao talento de seus engenheiros e técnicos, o cinema não se tornaria algo extinto.



A crise dos anos de 1950, como declínio da afluência aos cinemas pelo êxodo das multidões para a casa , a fim de se robotizarem assistindo TV, fez a Indústria cinematográfica reagir. Os engenheiros americanos ressuscitam antigos sistemas arquivados em 1930, de recursos de telas amplas. Em 1952, é lançado o CINERAMA, cuja tela côncava e o som estereofônico de sete canais produzem efeito semitridimensional. O filme é captado por uma câmara de três objetivas convergentes. Três projetores sincronizados jogam o filme numa tela de três vezes maior que a tradicional, feitas de lâminas de aço justapostas. As o Cinerama era dispendioso, exigia drásticas inovações na filmagem e na exibição, e as linhas divisórias das imagens incomodavam os espectadores (nota-se bem isso no filme “A Conquista do Oeste”/”How the West Was Won”, de 1962). O uso dos óculos polaróides de 3-D causava dor de cabeça e trazia riscos a saúde.



Mas é em 1953, que a 20ªth Century-Fox desenterrou o processo anamórfico do francês Henri Chréstien, sendo rebatizado de CINESMACOPE, para projeção em tela côncava na proporção de 1 x 2,55, vitrificada para garantir mais brilho e nitidez. Este é gravado em quatro faixas ou canais. Na reprodução por sistema de alto falantes distribuídos na platéia (em média, doze). O Cinemascope exige adaptações caras no projetor. Inconveniente: o som pode ser desmagnetizado, apagado. O primeiro filme por este processo de tela foi “O Manto Sagrado”/”The Robe”, de 1953, e obteve enormes êxitos de bilheteria, e um ano depois, boa parte das salas exibidoras do mundo inteiro estavam equipadas para o processo. Logo mais, iriam surgir outros sistemas estereoscópicos e estereofônicos que contribuíram para a volta das grandes platéias as salas de cinema. Nem por isso a televisão foi ignorada e jogada para escanteio, pois ela também, além de produzir filmes (diferentemente do cinema), poderia transmitir telejornais, ou seja, a TV veio para ser tornar também um grande veículo de comunicação.

Mesmo passada esta ameaça de perder o seu público, profissionais da área da Sétima Arte, em sua grande maioria, desprezava a Televisão. Todavia, eram poucos os visionários, como atores, diretores, e técnicos, que viam na telinha algo inovador, e não foram poucos os profissionais de cinema que também foram para TV. Contudo, isto não era bem visto pelos profissionais mais tradicionais no ramo cinematográfico. O astro Clark Gable, por exemplo, apostava as fichas que a Televisão não iria vigorar e que era algo “passageiro”, e ainda, em sua visão, eram considerados “traidores” da Sétima Arte os atores e que aderissem a ela. Gable jamais apareceu na TV durante sua carreira, e sempre recusou convites, mesmo para entrevistas.

Tanto o cinema quanto a TV geraram inovações ao longo dos anos, e hoje a disputa já não é tão acirrada como nos anos de 1950, pois hoje se sabe que cada uma presta um serviço em comum, embora por modalidades bem diferentes: a do entretenimento público, e ambas são grandes veículos de comunicação. Aqui se encerra esta breve disputa de IMAGENS.

Paulo Néry Telles Pereira.

3 comentários:

  1. Muito legal essa postagem, detalhes sobre TV e cinema interessantíssimos. Bom ter um blog assim, aumenta até a qualidade do meu papo! rs

    Abraços, amigo!

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  2. Olá Bruno, satisfação tê-lo aqui. Agradeço de imenso seu comentário. Forte abraço e um ótimo dia.

    Paulo Néry

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  3. Como admirador da sétima arte, foi uma sorte, ter descoberto esse blog.

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