domingo, 25 de novembro de 2018

Nunca Houve Uma Mulher como Gilda. E nem como Rita Hayworth. Vida e Carreira da “Deusa do Amor”.


Nas Telas, Rita Hayworth (1918-1987) foi a mais sensual das estrelas dos anos de 1940, fazendo plateias delirarem com um simples gesto de mão. Na vida real, a atriz foi de fato uma mulher ardente, vivendo grandes romances, mas também um ser humano humilde que sabia valorizar as amizades, e também esplendida mãe. No fim de seus dias, travou batalha sem esperança contra o Mal de Alzheimer, fazendo com que a outrora diva do amor e da beleza perdesse sua identidade. O importante é lembrarmos Rita por suas imortais atuações no cinema, como em Gilda (1947, Direção Charles Vidor), onde exalou ao mesmo tempo uma beleza clássica, agressiva, sexual e exuberante.  O FILMES ANTIGOS CLUB – A NOSTALGIA DO CINEMA, tem o prazer de levar a vida e a obra de uma das grandes deusas da Sétima Arte, não só lembrada por provocante beleza e sensualidade, mas também como versátil atriz, cantora, e dançarina. Celebrando o centenário de nascimento de Rita Hayworth (ocorrido em outubro de 2018), um tributo especial para este grande mito do cinema, com retrospectiva de sua vida e carreira.


RITA HAYWORTH

Por Paulo Telles

A Sétima Arte angariou grandes e expressivas “Deusas do Amor” nas telas de cinema. Só na década de 1940, a telona se beneficiou com beldades como Lana Turner, Hedy Lamarr, Ava Gardner, e Ingrid Bergman (esta a mais talentosa das atrizes), e todas rotuladas como divinas, Deusas do Amor, e símbolo sexual.

Rita, aos sete anos, com os irmãos.
No caso de Rita Hayworth, grande atriz nunca foi, mas era capaz de se comunicar com as plateias exercendo não somente sua beleza e charme, mas versatilidade dinâmica nos papéis que fazia. O talento de Rita estava na dança, já que desde a tenra infância já se apresentava como dançarina, pois os pais e avós eram também dançarinos. Assim começa a vida de Margarita Carmen Cansino, que o mundo a conheceria pelo nome artístico de Rita Hayworth, nascida a 17 de outubro de 1918, em West Side, Nova York, primogênita de Volga Haworth, corista das famosas Ziegfield Follies, e de Eduardo Cansino, dançarino espanhol profissional, de origem judaica, que foi filho de outro dançarino famoso, Antonio Cansino, que foi muito popular em Sevilha.

O dançarino Eduardo Cansino, pai de Rita.
Logo após o nascimento de Margarita (Rita), o casal mudou-se para um apartamento no Brooklyn, passando em seguida a residir em Jackson Heights, uma seção do Queens, onde por algum tempo ela frequentou escola pública.  Mas Margarita revelou-se uma criança precoce. Aos quatro anos de idade, já sabia cantar e dançar. Aos seis, estreia em Baltimore, num espetáculo que Os Cansinos apareciam como destaque. Foi o início de uma carreira pelos palcos dos Estados Unidos, mas infelizmente, esta situação não permitia que Margarita tivesse tempo e condições de frequentar uma escola, e sua educação foi muito prejudicada.

A jovem Rita, fazendo par com o pai na dança.
Aos catorze anos, Margarita substitui a tia Elisa como dançarina, passando a fazer dupla com o pai nas danças, uma solução perfeita para uma família que vive segundo os valores da tradicional moral espanhola, pois a menina é jovem demais para iniciar a carreira sozinha e Eduardo que dançou durante muito tempo com a irmã, não poderia troca-la por uma desconhecida. É nesta circunstância que a jovem abrevia seu nome de Margarita para Rita, conservando o sobrenome do pai, decidindo desde então que passaria a viver no mundo dos espetáculos e chegar a ser um dia uma grande estrela.

A futura Rita Hayworth com 14 anos, bem desenvolvida para idade.
Mesmo com catorze anos, Rita já era fisicamente evoluída demais para uma adolescente, e seus primeiros anos não foram fáceis. Os Estados Unidos viviam a época da Depressão econômica, e a família Cansino é obrigada a se apresentar no México. Isto porque Rita, apesar do estilo mulherão, era ainda menor de idade, e os estados norte-americanos proibiam a presença de menores em lugares que vendiam bebidas alcoólicas. Por ironia do destino, é justamente no México que Hollywood vai descobrir um dos seus maiores mitos de todos os tempos.

OS PRIMEIROS ANOS EM HOLLYWOOD


Os Cansinos se apresentaram por 18 meses nos palcos do México, principalmente no Foreign Club, em Tia Juana, chegando às pistas do luxuoso Hotel Agua Caliente, frequentado por executivos de Hollywood. Por sua beleza, sensualidade, e desenvoltura no palco, Rita chama a atenção de Joseph M. Schenck, Presidente da 20th Century Pictures, ali presente, tendo como convidado Winfield R. Sheehan, Vice Presidente e chefe de produção da Fox Film Corporation. Entusiasmado com a dança e presença cênica da jovem, Sheelan diz a Schenck que esta pensando em leva-la para Hollywood para ser aproveitada em filmes de língua espanhola. Para isso, os dois empresários falam com os Cansinos e os convence a permitir que Rita assine um contrato para sua Companhia.


Rita Cansino, seu verdadeiro nome como artístico.
A estreia oficial de Rita no cinema ocorreu em 1935, aos 17 anos, fazendo um número de dança com Gary Leon, em A Nave de Satã (Dante’s Inferno, 1935), com Spencer Tracy e Claire Trevor, pela Fox. Pela mesma companhia, vieram outros pequenos papéis para a atriz iniciante, como em Sob o Luar dos Pampas, Charlie Chan no Egito, Perdida na Metrópole, Carga Humana, e Mensagem a Garcia, esse último um papel tão insignificante que Sheehan preferiu eliminar na montagem final, pois em nada iria beneficiar a carreira de sua contratada, para qual tinha planos mais ambiciosos.  




Foi ainda no ano de 1935 que houve a fundição das companhias 20th Century Pictures com a tradicional e decadente Fox Film Corporation. Darryl F. Zanuck (1902-1979) substituiu Winfield Sheelan na chefia da produção da nova organização – a 20th Century Fox, a 23 de maio do mesmo ano. Um dos primeiros atos de Zanuck foi cancelar o contrato de Rita e incinerar os testes do filme Ramona, que seria o primeiro filme estrelado por Rita e previsto como o primeiro filme da antiga Fox de Sheelan todo em Techinicolor. Ignorando completamente Rita, Zanuck quis segundo suas palavras modernizar a nova empresa, deletando antigas lembranças ou qualquer ligação com Sheelan. Este por sua vez não deixou barato: processou Zanuck e recebeu US$ 420 mil dólares de indenização.

Rita em seus primeiros anos em Hollywood.
Quanto a Rita, ela havia gasto uma pequena fortuna com um novo guarda-roupa pessoal, procurando investir em si mesma, confiante no futuro como atriz. Mas ao saber de sua desventura por um assistente de Zanuck, que friamente, lhe deu a má notícia pelo telefone, dizendo simplesmente que o contrato havia sido cancelado e que não precisava mais voltar ao estúdio, ela se entristeceu. Mais tarde, a atriz declarou sobre a atitude do chefão:

- Zanuck não teve tempo ou coragem para me encontrar cara a cara e me comunicar a decisão. Chorei muito, naturalmente, gritei, esperneei, e jurei que iria mostrar aquela gente que tinham cometido um engano terrível. Prometi a mim mesma que iria me tornar famosa e bem sucedida e que iriam lamentar o que tinham feito comigo


O NOVO COMEÇO

Com o término de seu contrato com a antiga Fox Film (agora 20th Century Fox), e superada a fase depressiva resultante da decepção sofrida, Rita tinha certeza que de modo ou de outro seu futuro estava no cinema. Ousada, a jovem começou a se aproximar de executivos e descobridores de talentos de Hollywood. Um deles era Edward C. Judson, um vendedor de carros europeus, muito ligado à indústria cinematográfica. Judson havia acompanhado os testes de Rita para Ramona ao visitar Winfield Sheelan e ficou impressionado com ela. Judson pediu a Sheelan para apresenta-la pessoalmente, e quando enfim se conheceram, foi afeição mútua. Os dois se apaixonaram, sob as bênçãos do pai de Rita, Eduardo Cansino.

Edward C. Judson, o primeiro marido de Rita e seu agente.
Com Rita desligada da Fox, Judson procurou outro amigo, Harry Cohn (1891-1958), chefão da Columbia Pictures e conseguiu para Rita o segundo papel feminino em A Astúcia de Nero Wolfe (Meet Nero Wolfe, 1936), um filme de baixo orçamento no qual Joan Perry – a futura Senhora Cohn – era a estrela. Com outros produtores indfependentes seus amigos, Judson conseguiu introduzir Rita em faroestes B de Tom Keene e Tex Ritter, entre os anos de 1936 e 37. Mas Judson não estava satisfeito com o próprio trabalho e nem com os papéis que eram dados à Rita. Assim começou a esquematizar planos. Primeiro, propôs casamento a Rita, e ela aceita sem hesitação, mesmo sabendo que Judson era 25 anos mais velho do que ela. A 29 de maio de 1937, se casam. Para o Sr. Cansino, o pai de Rita, o casamento é perfeito. Em sua moral, ele acha que o melhor para Rita é casar com um cavaleiro respeitável, maduro e com profissão digna.

Harry Cohn, chefe da Columbia Pictures.
A seguir, a segunda providência a se cumprir logo após o casamento é americanizar o nome da futura estrela, introduzindo um “Y” no sobrenome da mãe, para melhorar a sonoridade. Assim, Rita Cansino vira Rita Hayworth. Mas não bastou apenas mudar o nome. Por causa do rosto latino e do sangue quente, Rita esta destinada a viver papéis mais ou menos exóticos. Judson a submeteu a um regime para emagrecer. Logo depois, uma eletrólise, fazendo com que o cabelo, que antes crescia muito junto as sobrancelhas, passe a crescer mais para cima, aumentando a testa. E finalmente, os cabelos outrora escuros viram ruivos, a marca registrada de Rita Hayworth. Destarte, Judson convenceu Harry Cohn a contratar Rita por sete anos, com salário inicial de 150 dólares semanais, chegando até 1.750 nos anos seguintes.

Já creditada como Rita Hayworth, com Cary Grant em PARAISO INFERNAL (1939), de Howard Hawks.
Como a nova starlet da Columbia, ganhou papéis que poderiam ser de Joan Perry, Rosalind Keith, Julie Bishop, entre outras estrelas dos filmes B do estúdio. O primeiro deles foi Criminosos do Ar (Criminals of the Air, 1937), aqui creditada pela primeira vez como Rita Hayworth. Mas a confirmação do talento da atriz vem quando consegue um bom papel em Paraíso Infernal (Only Angels Have Wings, 1939), dirigido por Howard Hawks (1899-1977), competindo com os já consagrados Cary Grant (1904-1986) e Jean Arthur (1900-1991). O filme foi grande sucesso de bilheteria, e o produtor Cohn fica boquiaberto com a quantidade de cartas que Rita passa a receber. Mas Judson pressiona Cohn para que aumente a publicidade de sua estrela, e o produtor decide ir em frente. Já era hora da Columbia começar a lançar suas próprias estrelas em vez de se contentar com as sobras dos outros estúdios.

A CARREIRA FLORESCE, O CASAMENTO DESMORONA.

Quando a Columbia recoloca Rita Hayworth em fitas de baixo orçamento, outros estúdios começam a pedi-la emprestada. A Metro lhe dá o segundo papel feminino em Uma Mulher Original (Susan and God, 1940), ao lado de Joan Crawford (1908-1977). O diretor do filme, George Cukor (1900-1983) apostou no talento de Rita e diria tempos depois:

- Rita era uma verdadeira criatura do cinema. Como as Grandes Estrelas, ela tinha a capacidade de fazer com que o público se interessasse por seus problemas.

Com Joan Crawford em UMA MULHER ORIGINAL (1940), para a MGM.
Em 1941, Rita foi ainda emprestada para Warner, em Uma Loura com Açúcar, dirigido por Raoul Walsh (1887-1980), com James Cagney (1899-1986) e Olivia de Havilland, onde viveu a chamativa Virginia Brush – a tal loura com açúcar do título. Foi justamente este papel, primeira manifestação de seu poder de sedução e revelação de símbolo sexual que levou o diretor Rouben Mamoulian (1897-1987) a pensar nela para fazer Doña Sol em Sangue e Areia, sob protesto de Darryl Zanuck, que por fim acabou aceitando, desde que Mamoulian se responsabilizasse pelos resultados. O cineasta tinha à sua disposição pelo menos 17 outras atrizes selecionadas, entre elas Carole Landis, Lynn Bari, e Maria Montez. Mas o grande diretor sabiamente fixou-se em Rita Hayworth, e os resultados foram acima de qualquer expectativa. Mais tarde, Mamoulian se recordou da escolha de Rita para o papel:


O dia em que Maria Montez entrou no meu escritório é inesquecível. Sentou-se logo na minha mesa e puxou a saia pra cima, mostrou-me as belas pernas, piscou-me sugestivamente e fez uma cena vamp de primeira classe. Mas para ela, infelizmente, o teste que fez não foi assim tão bom. Mas, no momento em que vi Rita Hayworth caminhar, compreendi que tinha minha Doña Sol. Ela era dançarina, e por isso mesmo esperava naturalmente que fosse muito graciosa e elegante no andar, e ela era assim e muito mais! Um tipo felino de movimentos sutil e insinuante, exatamente a maneira de movimentar-se que eu imaginava que a Doña Sol deveria possuir. Devo dizer que Rita superou amplamente todas as minhas expectativas. E não foi menor minha reação quando, mais tarde, se transformou numa das maiores sereias da tela

Rita como a provocante Doña Sol, seduzindo Tyrone Power no clássico SANGUE E AREIA (1941) de Rouben Mamoulian.
Com dois sucessos seguidos fora da Columbia, Rita volta a Companhia já uma estrela feita por esforço próprio, e exige do estúdio de Cohn um tratamento a altura. O chefão reconhece seu valor e coloca-a formando par com o genial Fred Astaire (1899-1987) em dois musicais: Ao Compasso do Amor (You’ll Never Get Rich, 1941) e Bonita como Nunca (You Were Never Lovelier, 1942). Os argumentos de ambos os filmes não são dos melhores, mas o bom resultado do contraste entre o charme de Astaire e a força sensual de Rita compensa tudo. Logo, o estúdio de Cohn admite finalmente que Rita é o maior trunfo da empresa.

Rita e Fred Astaire no musical AO COMPASSO DO AMOR (1941).
Mas se a carreira de Rita Hayworth lanchava com êxito fugaz, seu casamento desmoronava. A atriz percebia que seu marido Judson se preocupava muito mais em investir nela (e nele) do com a vida conjugal. Sentindo-se abandonada, foi procurar consolo nos braços de Victor Mature (1913-1999) durante as filmagens de Minha Namorada Favorita (My Gal Sal, 1941). Victor, notório conquistador, era recém-casado. E Rita agora dava um salto definitivo, desfazendo o último elo que tinha com o passado – o casamento com Judson. Ele exige 30 mil dólares para concordar com o divórcio, que sai em 7 de setembro de 1943. A atriz diria mais tarde:
- Casei com ele por amor, mas ele se casou comigo para fazer um investimento.

MODELOS (1941) –
O RESGATE DA DANÇA

Modelos (Cover Girl, 1944) foi um dos mais famosos e bem sucedidos filmes da história da Columbia. Rita Hayworth já tinha se consolidado como estrela absoluta do estúdio, que realizou uma produção caprichada (segundo filme em Technicolor da empresa), apresentando Rita cantando com a voz de Martha Mears e fazendo números dançantes solos e outros com novo par, o inovativo, eficiente, e sensacional Gene Kelly (1912-1996), revelando novas e imensuráveis facetas do seu brilhante talento, quando estava no máximo de sua forma como a melhor dançarina do cinema. Modelos chegou aos cinemas americanos durante o terceiro ano da entrada dos Estados Unidos na Segunda Guerra Mundial, com imortais canções de Ira Gershwin e Jerome Kern. O sucesso foi maior do que esperava e é considerado um precursor do clássico Cantando na Chuva (1952), futuramente estrelado por Kelly na Metro, na medida que leva a dança e as canções para as ruas, integrando-as à ação.

Com Gene Kelly em MODELOS (1941).
Em Coração de Uma Cidade (Tonight and Every Night, 1945), outro musical, cuja ação se passa na Inglaterra durante a II Guerra, Rita também interpreta alguns de seus melhores e mais excitantes números musicais. Um deles, You Excite Me, é considerado tão provocador que na cópia espanhola é suprimido do filme. 

O CASAMENTO COM ORSON WELLES –
A DAMA DE SHANGHAI (1947)


Em 1943, Rita Hayworth conhece num jantar o enfant terrible do cinema Orson Welles (1915-1985). Jovem (apenas três anos mais velho que Rita), atraente, rebelde, Welles era o oposto de Judson. Era o homem capaz de fazer o que Rita não ousa. Welles era um intelectual, o gênio que filmou o clássico Cidadão Kane (1941). No mesmo dia que sai a sentença de seu divórcio, Rita se casa com Welles. A imprensa diz que é a “união do talento com a beleza”.

Rita e o segundo marido, o cineasta e ator Orson Welles.
Fascinada pela personalidade forte do novo marido, Rita o acompanha pelas turnês onde faz shows de mágica. Além das mágicas, Welles toca seus projetos na rádio. No cinema, as coisas andavam meio paradas para o cineasta, pois os Estados Unidos estava na Segunda Guerra.

Rita e Orson, com a única filha do casal, Rebecca, nascida em 1944 (e falecida em 2004).
Quando nasce Rebecca, a única filha do casal, a 17 de dezembro de 1944, o relacionamento dos dois já não era das melhores. E Rita passa a ter um relacionamento com o cantor Tony Martin, futuro marido da atriz Cyd Charisse.  O chefão da Columbia, Harry Cohn, percebe que vem um escândalo que pode arruinar a vida da estrela, e decide aproveitar uma breve reconciliação de Welles com Rita. Coloca dinheiro numa peça de Welles (que fracassa na Broadway), e exige que ele escreva e dirija um filme para ser estrelado por Rita. 

Já divorciados, Welles dirige e atua ao lado de Rita em A DAMA DE SHANGAI (1948).
O filme é A Dama de Shangai (The Lady from Shanghai, 1947), baseado no livro If I Die Before I Wake, de Sherwood King. Cohn não previu que a aceitação de Welles para dirigir e escrever o roteiro não era nenhuma submissão, e o cineasta realizou a trama a sua revelia. De certo modo, A Dama de Shangai destruiu a imagem estabelecida de Rita Hayworth. A excitante e provocante Elsa Bannister do filme resulta numa personagem odiável, sem os atributos que tinham transformado Rita num mito cinematográfico, quando Welles exigiu que Rita cortasse o cabelo e tingisse de louro. O filme é um excelente suspense noir, mas apavorou os chefões da Columbia, tanto que só é lançado no natal de 1947, quase dois anos depois de ficar pronto, mas a essa altura, Rita e Orson já estavam divorciados definitivamente: Não era possível suportar aquele gênio 24 horas por dia – Dizia Rita.

O próprio Welles considerou A Dama de Shangai como “uma experiência naquilo que não se deve fazer”. 

GILDA (1946)-
RITA COMO O MAIOR SÍMBOLO SEXUAL DO MUNDO.

A maior consagração de Rita Hayworth veio em 1946 com o clássico Gilda, dirigido por Charles Vidor (1900-1959), como o mito erótico e maior símbolo sexual da história do cinema. O slogan usado para o lançamento do filme: “Nunca Houve Uma Mulher Como Gilda...e Nem Um Filme como Gilda!”. No Brasil, deu até samba, interpretado por Silvio Caldas (1908-1998), o Poeta da Voz, que gravou no carnaval de 1947, com música de Erasmo Silva (1911-1985) sonorizando os versos de Mario Lago (1911-2002):


Nunca Houve Mulher Igual a Gilda
Oh Gilda, meu bem, não me faça esperar
Ela sai, esquece de voltar
E quando volta não dá confiança de se explicar...

Com amigo Glenn Ford durante intervalo de filmagem de GILDA (1946). Ford foi par romântico de Rita em 5 filmes.
Gilda é um filme de produção modesta em preto & branco, e o impacto que ele causou dentro e fora dos Estados Unidos surpreendeu até os produtores. Rita ocupa o vértice de um triangulo amoroso com um tom erótico irresistível. Glenn Ford (1916-2006) explora ao máximo o tipo de galã durão como Johnny Farrell. Numa cena antológica, ele dá uma bofetada no rosto de Rita. E pela primeira vez no cinema americano, um filme sugere um relacionamento gay, voltado para os personagens de Ford e George MacReady (1899-1973).

Rita e Glenn Ford: GILDA (1946).
Acima de tudo, Gilda tem o brilho, a presença sensual, explosiva e forte de Rita Hayworth. O cinema talvez não tenha produzido uma cena de erotismo tão deslumbrante como aquela que Rita canta Put The Blame on Mame, Boys! Rita não recorreu ao recurso da dublagem, usando sua própria voz de cantora. Muito bem ensaiada, Rita mostrou-se melodiosa, afinada, e bastante agradável. Com um vestido de cetim negro, ela dança e vai tirando lentamente as luvas, também negras, que cobrem quase totalmente seus braços. É um strip-tease sutil, apenas sugerido. Com um olhar, um movimento, Rita insinua uma carga de erotismo muito maior do que cenas mais explícitas.

Com Larry Parks: QUANDO OS DEUSES AMAM (1947).
QUANDO OS DEUSES AMAM (1947)


A carreira de Rita prossegue com Quando os Deuses Amam, remake musical de uma das melhores e mais rentáveis comédias da Columbia em todos os tempos – Que Espere o Céu/Here Comes Mr. Jordan/1941, de Alexander Hall, com Robert Montgomery, Claude Rains e Evelyn Keyes – que deu a Rita Hayworth, a Deusa do Amor das telas, a chance de representar Terpsicore, a deusa grega da Dança e de estrelar com o mais bem sucedido ator do estúdio na ocasião, Larry Parks (1914-1975), saído de fenomenal triunfo em Sonhos Dourados/The Al Jolson Story.

ALI KHAN – O TERCEIRO MARIDO

Muito embora a carreira alavancasse, Rita Hayworth, por outro lado, se sentia deprimida depois do divórcio com Orson Welles. Frustrada e ansiosa para constituir um lar e uma família, Rita se lança cada vez mais na descoberta de sua própria personalidade. Viaja para a Europa, por conta da Columbia, á procura de mundos diferentes da asfixiante Hollywood.

Rita com o milionário Ali Khan, seu terceiro marido.
Em férias em Cannes, em 1949, foi homenageada pela amiga Elza Maxwell com uma festa na tentativa de ameniza-la da depressão, sendo convidados uns poucos amigos e celebridades para abrilhanta-la. Entre as personalidades ilustres, o Príncipe Ali Khan, o playboy de sangue real. Simpático e riquíssimo, um dos mais disputados homens do mundo, estava separado da esposa Joan Yarde-Buller, herdeira inglesa dos milhões da Cervejaria Guinness. Rita achou que, finalmente, tinha conseguido atrair a atenção de um homem que não a considerava uma cobaia e nem um investimento para experiências intelectuais e artísticas. E logo ela e Ali se tornam inseparáveis.

OS AMORES DE CARMEM (1948): Novamente com Glenn Ford.
Quando viajou para a Espanha, de carro, para assistir as corridas de touros em Madri, Rita foi com ele. Ficaram em Madri, e não demorou para as agências de notícias encherem o mundo, transmitindo informações e reportagens sobre o romance e as aventuras dos dois, que ansiavam estar completamente esquecidos do mundo. De Hollywood, quem não estava nada satisfeito era Harry Cohn, que havia telegrafado para Rita diversas vezes, ordenando-lhe que voltasse com urgência para iniciar um novo filme em fase de produção. Sem resposta, a equipe da Columbia voou para a Espanha e convenceu-a a voltar, pois Os Amores de Carmem (The Loves of Carmen) a esperava.

Rita e o futuro marido Ali num passeio de férias em Madrid.
Quando a estrela chegou em Nova York, foi cercada pelos repórteres com perguntas sobre o futuro e os planos de casamento com o Príncipe Ali. Fria e irônica, respondeu:
- Ainda não estou legalmente livre pra casar com ele e ele tem uma esposa. Vocês não sabiam disso?

O casamento de Rita e Ali, em 27 de maio de 1949.
A rica herdeira inglesa deve ter ouvido ou lido muita coisa sobre o romance, e quando o Príncipe a visitou para solicitar-lhe a liberdade a fim de se casar com Rita, ela imediatamente iniciou os trâmites para o divórcio. Tão logo as filmagens de Carmen terminaram, a atriz voltou para a Europa e para seu Príncipe. Em 27 de maio de 1949, Rita e Ali se casam numa pequena cidade ao sul da França. Para a imprensa era o “casamento do século”. No dia 28 de dezembro do mesmo ano, nasce numa clínica da Suíça a filha do casal, Yasmin, mas infelizmente ao mesmo tempo começam os desentendimentos conjugais. Rita queria um “lar de verdade”, mas as verdadeiras paixões de Ali Khan são o jogo e os cavalos.

Rita com a filha recém nascida Yasmin, fruto de seu casamento com Ali Khan.
Em 1950, o casal saiu para uma viagem à África com o objetivo de se tornar uma “segunda lua de mel”, com o produtor Jackson Leighter convidado para filmar e fotografar em cores o casal real no romântico safari. Depois de poucas semanas, Rita abandonou o safari e voltou para a França com as filhas Rebecca e Yasmin. No ano seguinte, a atriz volta para os Estados Unidos e dá início ao divórcio, exigindo 3 milhões de dólares para Yasmin – e nada para ela mesma.

NOVOS FILMES

As coisas não andavam bem para Rita Hayworth. E as relações antes nada amistosas com Harry Cohn tinha tudo para piorar. Isto porque o chefão da Columbia foi a Paris propor para a estrela que trabalhasse pelo menos seis meses ao ano, mas ela recusou com sonoro “não”. Agora, em 1952, com o terceiro casamento desfeito e praticamente com a carreira arruinada, a estrela estava de volta a Hollywood. Cohn queria recuperar o prestígio da atriz (lógico, não por ela, mas pelo estúdio) e fez com que Rita voltasse para as telas com um filme que seguia a linha de seu maior sucesso, Gilda (1946). O amigo Glenn Ford novamente seria seu galã, e nem faltariam danças sensuais e nem as bofetadas como no clássico de Charles Vidor. Mas justamente por isso que Uma Viúva em Trinidad (Affair in Trinidad, 1952) fracassou nas bilheterias, considerada uma lamentável cópia de Gilda.

Novamente com Glenn Ford em UMA VIÚVA EM TRINIDAD (1952), fac-simile infeliz de GILDA.
A próxima tentativa foi Salomé (1953), fita a seguir o modismo das produções bíblicas desde Sansão e Dalila (1949) e Quo Vadis (1951), dirigida por William Dieterle (1893-1972) com base no Novo Testamento e em peça de Oscar Wilde, retomando a personagem interpretada anteriormente por Theda Bara (1918) e Nazimova (1922). As filmagens foram tumultuadas por constantes atritos entre Rita e Harry Cohn. Cenários espetaculares, cenas com multidões de coadjuvantes, o elenco (Charles Laughton, Stewart Granger, Judith Anderson, Alan Badel, Cedric Hardwicke), e a “dança dos sete véus” para justificar a performance sedutora de Rita não foram suficientes para recuperar o prestígio que a estrela tanto precisava.

Com Stewart Granger em SALOMÉ (1953).
Como a Columbia continuasse sem nenhuma outra estrela sexy que pudesse competir com as demais de estúdios concorrentes, ainda no ano de 1953 o estúdio prepara outro filme para sua estrela. Desta vez, a Columbia recorre a um texto de Somerset Maugham (1874-1965) que já tinha dado certo no teatro e no cinema, consagrando Joan Crawford e Gloria Swanson. É a história de uma mulher de passado duvidoso que seduz um pastor puritano numa Ilha do Pacífico. Mas por causa do Código Hays de censura, o tema precisou ser abandonado, e o religioso passou a ser um leigo, a história ficou meio incompreensível, e o filme A Mulher de Satã (Miss Sadie Thompson, 1953) o que valeu mesmo foi Rita Hayworth, que aos 35 anos ainda conservava a boa forma e o fabuloso magnetismo sensual. Mas o rosto já começa a revelar as marcas do tempo, além de sinais de cansaço e frustração.

A MULHER DE SATÃ (1953).
Como a pecadora Sadie Thompson, Rita teve um excelente desempenho, muito elogiado, sem porém ser comparado a de Gloria Swanson (1927) e Joan Crawford (1932), muito embora o autor do texto considerasse a atuação de Rita superior a das duas. 

MEUS DOIS CARINHOS e LÁBIOS DE FOGO

Rita estrelou duas produções de destaque em 1957: Lábios de Fogo (Fire Down Below) e Meus Dois Carinhos (Pal Joey).

Entre Robert Mitchum e Jack Lemmon: LÁBIOS DE FOGO (1957).
Lábios de Fogo, dirigido por Robert Parrish (1916-1995) traz Rita num triangulo amoroso entre Robert Mitchum (1917-1997) e Jack Lemmon (1925-2001), onde no papel da enigmática Irena, aos 39 anos esbanja mais uma vez sensualidade com seus números de dança.

Entre Frank Sinatra e Kim Novak: MEUS DOIS CARINHOS (1957).
Em Meus Dois Carinhos (Pal Joey, 1957), Rita Hayworth dividiu as honras estrelares com Frank Sinatra (1915-1998) e Kim Novak, duas grandes atrações de bilheteria em 1957, com Novak já realçada como a nova Rainha da Columbia, assumindo o trono ocupado pela própria Rita, após o espetacular debut em Férias de Amor (Picnic, 1955), ao lado de William Holden, sob a direção de Joshua Logan (1908-1988).

Entretanto, com a escolha de Frank Sinatra para o papel de Joey Evans, surgiu um problema: qual dos três espetaculares nomes famosos encabeçaria o elenco? O próprio The Voice deu a solução declarando:
- O direito de ter o nome em primeiro lugar pertence à Rita Hayworth. Ela é a Columbia Pictures e sempre será. Ninguém desconhece que o estúdio tornou-a uma estrela, mas é bom lembrar que foi ela quem deu à Columbia seu atual status.

Com MEUS DOIS CARINHOS (1957), terminou a fase "Deusa do Amor" de Rita Hayworth.
O filme constituiu-se um grande sucesso. O número musical Bewtiched, Bothered and Bewildered foi deliberadamente montado para recordar ao público a famosa pin-up-girl Rita, mostrando-a reclinada numa cama, dançando no banheiro e livrando-se das dúvidas tomando um banho de chuveiro.Com Meus Dois Carinhos, encerrou-se a fase “Deusa do Amor” de Rita Hayworth, iniciada em 1941, com Ao Compasso do Amor

MAIS DOIS CASAMENTOS

Após o divórcio com Ali Khan (morto num grave acidente de carro na França em 1960), a vida afetiva de Rita Hayworth foi envolvida com inúmeros romances e casos passageiros, entre os quais com o ator Kirk Douglas e o cantor Bob Savage. Então conhece Dick Haymes, veterano cantor que fazia sucesso no rádio e no cinema, de origem argentina. Ele já havia se casado três vezes e era mal visto como gigolô. Argentino de nascimento, Haymes enfrentava sérios problemas com a justiça americana por não ter prestado o serviço militar, e com risco de ser deportado. Muitos acharam que em má situação financeira, Haymes seria sustentado por Rita, que imediatamente repeliu os comentários: “Meu marido me sustenta e as minhas filhas, além de cumprir as suas obrigações. Tenho cara a de quem chegou ao ponto de ter que sustentar um homem?

Rita durante o casamento com Dick Haymes, seu quarto marido.
Para resolver a situação complicada de Haymes, ele e Rita se casam no dia 24 de setembro de 1953, no Hotel Sands, em Las Vegas, onde o cantor se apresentava todas as noites. Mas as dificuldades financeiras do casal são enormes, e para complicar ainda mais, Haymes é preso por não pagar pensão alimentícia à primeira esposa. Rita chegou a ser agredida com um soco no olho em um momento de embriaguez de Haymes. Durante este período, a atriz perdeu a guarda de suas duas filhas. Em menos de dois anos, o casal estava separado, iniciando o processo de declínio da estrela, começando a recorrer ao álcool.

Com Burt Lancaster em VIDAS SEPARADAS (1958).
Tão logo terminam as filmagens de Meus Dois Carinhos, Rita começou a sair com James Hill, um solteirão de 41 anos, sócio de Harold Hetch e Burt Lancaster na produtora Hetch- Hill – Lancaster. Hill estava na lista dos solteirões mais cobiçados de Hollywood na ocasião, e ofereceu a Rita Hayworth o papel da sexualmente atormentada esposa de Burt Lancaster (1913-1994) em Vidas Separadas. Em vez de recusar o papel – como Hill imaginou que faria – Rita aceitou contente e mais tarde diria:
-Era o tipo de papel que eu vinha esperando a vida inteira que me oferecessem.

Com Deborah Kerr: VIDAS SEPARADAS (1958).
Com o nome acima daqueles de Deborah Kerr, David Niven, Burt Lancaster e Wendy Hiller, Rita iniciou a terceira e última fase da carreira, a fase de Supestar. Um dos filmes mais memoráveis de 1958, Vidas Separadas proporcionou a David Niven (1910-1983) e Wendy Hiller (1912-2003) os Oscars nas categorias de Melhor Ator e Melhor Atriz Coadjuvante.

Rita e seu quinto e último marido, o produtor James Hill.
Em tranquila cerimonia em sua casa, em Beverly Hills, a 2 de janeiro de 1958, Rita se tornou a Senhora James Hill, casamento que durou até setembro de 1961. Pediu divórcio a Suprema Corte de Santa Monica, alegando que o marido “estava mais interessado nos negócios do que no casamento e na vida familiar” e que ele “afirmou em voz alta que ela não era uma mulher bonita”. Recusou qualquer tipo de pensão ou compensação monetária, declarando que somente queria sua liberdade. Assim ela declarou:
- Eu não queria cinco maridos, mas já que aconteceu, esta tudo bem!

Quando um entrevistador perguntou-lhe a quantos maridos uma mulher deveria se limitar, ela respondeu:
- Pelo menos seis, imagino: Mas para mim é realmente muito difícil dizer, uma vez que 17 sempre foi meu número da sorte

HERÓIS DE BARRO E O MUNDO DO CIRCO

O chefão da Columbia Harry Cohn morreu a 27 de fevereiro de 1958. Rita jamais gostou dele e não fazia segredo disso. Mas sempre foi honesta o bastante para admitir que nunca pudesse ter sido estrela de primeira grandeza se não fosse o seu apoio:
- Assinei contrato com Harry Cohn quando ainda nem tinha 20 anos. Fui suspensa tantas vezes que perdi a conta. Embora não possa provar, acho que Harry tinha todos os camarins sob controle e sabia de tudo que se passava dentro deles. E mesmo nos tempos em que eu era sua maior atração de bilheteria, ainda tinha de cumprir horário. Querem saber de uma coisa sobre ele? Creio que, se algum dia chegou a se apaixonar por alguém, esteve apaixonado por mim.

Rita e seu Harry Cohn.
Com a morte de Cohn, a rescisão do contrato de Rita Hayworth com a Columbia já estava assinada. Ele nunca seria renovado. A atriz é relegada a segundo plano de forma ainda mais evidente no último filme que faz para o estúdio, Heróis de Barro (They Came to Cordura, 1959), de Robert Rossen (1908-1966). Pela primeira vez na carreira, Rita aparece sem maquiagem, envelhecida, e num papel secundário em relação ao astro Gary Cooper (1901-1961), cujo status também não ajudou no êxito do filme.

Com Gary Cooper em HERÓIS DE BARRO (1959).
Seguiram-se outros dois filmes também que nada representaram para a filmografia da atriz: Drama da Página Um (1960) e o confuso O Sétimo Mandamento (1962).

Com John Wayne em O MUNDO DO CIRCO (1964).
O Mundo do Circo (Circus Word, 1964) parecia uma cópia europeia de O Maior Espetáculo da Terra (1952), de Cecil B. DeMille, enredando uma história de desencontros amorosos e familiares com o circo como pano de fundo, envolvendo uma tragédia que estimula a todos os personagens na famosa tradição de que o show deve continuar. Rodado na Espanha e estrelado por John Wayne (1907-1979), Rita Hayworth faz a mãe de Claudia Cardinale, e pelo papel, concorreu ao Globo de Ouro. Rita, aos 46 anos, ainda esbanjava beleza, se tornando mais humana e melhor atriz com o tempo, muito embora seja penoso pensar que grande parte de suas atuações de qualidade foram motivadas por seu alcoolismo. Já nessa época, a atriz já vinha sofrendo os primeiros sintomas do Mal de Alzheimer.

Rita, madura mas ainda muito bela em O MUNDO DO CIRCO (1964).
Projeto para ser dirigido por Frank Capra com produção do mega-produtor (a beira da falência) Samuel Bronston (1908-1994) – o mesmo que levou para as plateias os superespetáculos Rei dos Reis (1961), El-Cid (1961), 55 Dias em Pequim (1963), e A Queda do Império Romano (1964) – mas que acabou sob a direção de Henry Hathaway (1898-1985). 

Com Claudia Cardinale: O MUNDO DO CIRCO (1964).
O Mundo do Circo consumiu vários milhões de dólares na produção e fabulosas verbas de publicidade no seu lançamento, mas os resultados foram um mega-desastre de proporções irreparáveis, levando de vez a ruina definitiva o extravagante produtor Bronston.

O CREPÚSCULO DE UMA DEUSA.

Após cinco casamentos fracassados e de uma relação aberta e mal sucedida com o ator Gary Merrill (1915-1990), ex-marido de Bette Davis, Rita Hayworth passa a ter crises de depressão, o que a afastaria cada vez mais das telas. Nessa época, tentou fazer carreira no teatro, mas com depressão aguda precisou ser internada numa clínica.

Rita com Trevor Howard: O ÓPIO TAMBÉM É UMA FLOR (1965).
Em 1965, ainda tenta provar que seu nome permanece respeitado, e participa de O Ópio é uma Flor (The Poppy Is Also a Flower), que reuniu um elenco All-Star (Senta Berger, Angie Dickinson, Yul Brynner, Stephen Boyd, etc...). No ano seguinte, atuou pela última vez ao lado do amigo Glenn Ford, em Dinheiro é Armadilha (The Money Trap), ofuscando totalmente a estrela do filme, Elke Sommer. Mesma decadente, a estrela de Rita ainda brilha.

Com Rossana Schiaffino e Anthony Quinn: O HERÓICO LOBO DO MAR (1967), filme lançado nos 
Estados Unidos somente em 1971.
Depois de fazer com Anthony Quinn (1915-2001) o Heróico Lobo do Mar (The Rover), de Terence Young, em 1967, Rita ficou inativa por dois anos. Volta ao cinema em 1969 para substituir Joan Crawford (que estava doente) como a mãe de Giuliano Gemma no filme italiano Os Bastardos (I Bastardi), trabalhando a seguir em mais uma produção europeia, A Trilha de Salina (Road to Salinas), em 1971.  

Com Frank Langella: A IRA DIVINA (1972).
A Ira Divina (The Wrath of God, 1972), produção independente distribuída pela MGM foi o canto de cisne de Rita Hayworth, após 37 anos de carreira no cinema. Foi o amigo Robert Mitchum, astro do filme, que conseguiu incluí-la no elenco. Ela deu tudo de si na interpretação e mostrou-se esplendida, com uma beleza madura e uma autoconfiança invejável. Mas ela já é um brilho crepuscular.



FILMES QUE NÃO FEZ

Rita Hayworth deixou de atuar em alguns filmes que seriam importantíssimos para sua carreira, como se verifica a seguir.

Publicidade do famoso sabonete LUX com Rita Hayworth, anos 1940.
LORNA HANSON  (Lorna Hanson, 1948) – Western preparado para Rita com base em um roteiro antigo que Harry Cohn desengavetou e que planejava coloca-la com Randolph Scott e William Holden. Mas com a opção da atriz em rodar com o ex-marido Orson Welles A Dama de Shangai, ela recuou do projeto. 

NASCIDA ONTEM (Born Yesterday, 1950) – Harry Cohn adquiriu os direitos da peça por um milhão de dólares especialmente para Rita Hayworth. Mas o papel de Billie Dawn acabou nas mãos de Judy Holliday.

DESEJO HUMANO (Human Desire, 1954) – Refilmagem da obra de Emile Zola La Bête Humaine, com Glenn Ford e Broderick Crawford, sob a direção de Fritz Lang. Seria mais um filme com o par Ford/Rita se esta não fosse suspensa pela Columbia por indisciplina, e a atriz foi substituída por Gloria Grahame.

JOSÉ E SEUS IRMÃOS (Joseph and His Brethren) – Com o embalo dos filmes épicos bíblicos em Hollywood, o chefão da MGM Louis B. Mayer iria produzir especialmente este filme em 1954 para ser distribuído pela Columbia. Mas nenhum trabalho foi iniciado por conta da recusa de Harry Cohn a co-financiá-lo, porque Rita queria Orson Welles e Dick Haymes (dois dos seus ex-maridos) como co-stars e Cohn não aceitou.

Na divulgação do filme SALOMÉ (1953), uma empresa de maiôs lançou um modelo exclusivo, com Rita como Garota-Propaganda.
A UM PASSO DA ETERNIDADE (From Here to Eternity, 1953) – Rita recusou o papel de Karen Holmes por não conseguir que a Columbia atrasasse a filmagem e permitisse suas férias após o término de A Mulher de Satã, então em locações no Havaí. Após igual recusa de Joan Crawford, o papel foi oferecido à inglesa Deborah Kerr, que aceitou e seu excelente desempenho permitiu-lhe que fosse indicada pela Academia na categoria de Melhor Atriz.

A CONDESSA DESCALÇA (Bareffot Contessa, 1954) – Papel perfeito para Rita, mas recusou por sentir que havia muito em comum com a personagem interpretada por Ava Gardner e sua própria vida.

Com o lendário Jorginho Guinle no Rio de Janeiro, carnaval de 1962.
RITA NO BRASIL.

Rita Hayworth esteve no Brasil em duas ocasiões, em 1962 e em 1976. Convidada por Jorginho Guinle (1916-2004) passou em Brasília e no Rio de Janeiro o carnaval de 1962. O Brasil vivia o curto governo parlamentarista de João Goulart e Tancredo Neves era o Primeiro-Ministro. Tancredo posou ao lado da atriz para uma foto e estava feliz e descontraída. Mais tarde, o político declarou sobre Rita:
- É uma Lady. Não parece nada aquela mulher quente na tela.

Rita como "Porta Bandeira" na quadra da Escola de Samba de Madureira, Carnaval Rio de Janeiro, 1962.
Rita ainda voltaria ao Brasil em 1976, para rever Jorginho e outros amigos. Recebeu o mais famoso Playboy brasileiro que já existiu na suíte 416 do Copacabana Palace, com um efusivo “Jorge, Love oh Jorge!”.

A DOENÇA E OS ÚLTIMOS ANOS.

Rita tentou voltar ao cinema depois de A Ira Divina (1972). Foi convidada para uma produção inglesa da televisão, mas foi despedida e substituída por Kim Novak, com quem trabalhou em Meus Dois Carinhos (1957). Tentou mais uma vez o teatro sem sucesso, onde iria ser a principal personagem no musical Applause, mas não conseguia memorizar os diálogos e as letras das canções, sendo substituída às pressas por Lauren Bacall.

Rita em 1976
Em 1977, Rita voltou a ser o centro das atenções nas páginas dos jornais, quando fora internada num hospital psiquiátrico, por causa de “distúrbios mentais produzidos pelo álcool”. Por conta disso, ela foi proibida temporariamente de administrar seus bens. A filha Yasmin ficou ao lado dela, e velhos amigos como Glenn Ford e o ex-marido Orson Welles se dispõem a ajuda-la. Pelo menos a atriz pôde conservar amigos que a ampararam nos momentos difíceis, ao contrário de outras estrelas, que terminaram as vidas irremediavelmente sozinhas.  


Rita e Glenn Ford em 1983.
Quem a viu depois de sair da internação diz que Rita ainda mantinha um pouco do brilho dos velhos tempos. Mas o processo de decadência e autodestruição já era irreversível. Era o fim melancólico da mulher amada, invejada e idolatrada pela beleza que possuía, pelo talento nunca muito bem explorado, e pelas paixões que provocou.

Infeliz contraste: Rita nos áureos tempos e o amargor dos seus últimos anos.
Em 1981, durante uma festa na mansão de Frank Sinatra, num dos raros momentos de lucidez que teve, Rita comentou que nunca havia se arrependido de nada do que tinha feito na vida. Em 1983, a imprensa informa que o alcoolismo levava Rita a loucura, e que ela estava internada num hospício da Califórnia. Mas a verdade não foi essa. Depois de dois anos de tratamento, fica confirmado que ela esta com o Mal de Alzheimer, que provoca a deterioração das células cerebrais. Não se sabe se a causa da doença foi o alcoolismo ou os fortes e frequentes traumas emocionais, ou quem sabe, ambos.

Rita e a filha Yasmin, década de 1980.
Yasmin, a filha de Rita, estava se divorciando em 1986 e declarou para a imprensa francesa que a partir daquele momento a atenção para com a mãe seria exclusiva e que seu único interesse era de cuida-la. Sem sair de casa, Rita perambulava pelos quartos e salas e falava com os móveis como se fossem seres humanos. Amargo destino de uma deusa da tela. Perdeu a fala e a memória em pouco tempo. Rita Hayworth morreu em 14 de maio de 1987, aos 68 anos, no apartamento da filha Yasmin, em Nova York.

As filhas Rebecca (sentada) e Yasmin, durante os funerais da mãe.
As cerimonias fúnebres foram realizadas em Beverly Hills, Los Angeles, na Igreja do Bom Pastor, toda florida. Ouviram-se temas de musicais de filmes famosos dos anos de 1940 e 50, em execução de uma orquestra de cordas durante missa de corpo presente. O evento foi celebrado pelo Padre Peter Hailey, que a certo momento, pegou o livro O Profeta, de Khalil Gibran, revelando que pertencia a atriz. E leu uma frase que fora sublinhada pela própria Rita: Sou o coração de Deus. Nos bancos, atentas e chorando, as filhas Rebecca e Yasmin.

Entre as celebridades presentes no sepultamento de Rita, Glenn Ford e Ricardo Montalban, que ajudam a carregar o caixão. 
Cerca de 800 pessoas lotaram a igreja, enquanto do lado de fora, estavam outras 100, na maioria jornalistas cobrindo o funeral. Glenn Ford, Ricardo Montalban, Cesar Romero, e Anthony Franciosa carregaram o caixão coberto de rosas, lírios e tulipas, que foi transportado para Culver City, a fim de ser sepultado no Cemitério de Santa Cruz.

Sepultamento de Rita Hayworth, maio de 1987.
De todas beldades mitológicas da Sétima Arte, Rita Hayworth foi a que, na vida real, menos se pareceu com a imagem projetada pelo cinema. Nunca se achou um mulherão, e não acreditava na adoração dos fãs e dos muitos e muitos namorados. Odiava, antes de tudo, a imagem de dançarina sensual e símbolo sexual.

A eterna e última morada da Diva, no Cemitério da Sagrada Cruz (Holy Cross), em Culver City, Califórnia. 
Foi uma bela mulher, mas tão bela que se tornou um dos maiores mitos do cinema americano. E abrasadoramente sensual e caliente como o sangue espanhol que lhe corria nas veias. Quem faleceu no dia 14 de maio de 1987 foi Margarita Carmen Cansino. Rita Hayworth é imortal e eterna. É da atriz esta declaração feita em 2 de março de 1972:
- Fui uma das primeiras mulheres emancipadas, antes que a coisa se transformasse em moda. Tive que lutar por tudo que conquistei e, todavia, permaneci sempre e intrinsecamente mulher.

Rita ainda deixou uma frase lapidar que não pode deixar de ser reproduzida por qualquer um que resolva escrever sobre a eterna Deusa do Amor:
- Os homens se apaixonam por Gilda. Mas dormem e acordam comigo.

FILMOGRAFIA

  Como RITA CANSINO

   SOB O LUAR DOS PAMPAS/Under The Pampas Moon (1935 - Fox Film, Direção: James Tinling). Com Warner Baxter, Ketti Gallian, J. Carrol Naish, Rita Cansino, Tito Guizar.

   CHARLIE CHAN NO EGITO/Charlie Chan in Egypt (1935- Fox Film. Direção: Louis King). Com Warner Oland, Pat Patterson, Thomas Beck, Rita Cansino.

   A NAVE DE SATÃ/Dante’s Inferno (1935 – Fox Film. Direção: Harry Lachman). Com Spencer Tracy, Claire Trevor, Henry B Walthall, Don Ameche, Rita Cansino, Jack Porter.

     PERDIDA NA METRÓPOLE/Paddy o’ Day (1935 – Fox Film. Direção: Louis Seller) Com Jane Withers, Pinky Tomlin, Rita Cansino, Jane Darwell, George Givot.

Ainda como Rita Cansino, atuando com Brian Donlevy: CARGA HUMANA (1936).
     CARGA HUMANA/Human Cargo (1936 – 20th Century Fox. Direção: Allan Dwan). Com Claire Trevor, Brian Donlevy, Ralph Morgan, Rita Cansino.

    A ASTÚCIA DE NERO WOLFE/Meet Nero Wolfe (1936 – Columbia. Direção: Herbet Biberman). Com Edrward Arnold, Joan Perry, Lionel Stander, Victor Jory, Rita Cansino.

    A TENTADORA/Rebellion (1936 – Crescente Pictures. Direção: Lynn Shores). Com Tom Keene, Rita Cansino, Duncan Renaldo, Jack Ingran.

      BARULHO NO TEXAS/Trouble In Texas (1937. Grand National. Direção: Robert N. Bradbury). Com Tex Ritter, Rita Cansino, Yakima Canutt, Charles King.

Com o lendário cowboy Tex Ritter: BARULHO NO TEXAS (1937).
      A RAINHA DE LOUISIANA/Old Louisiana. (1937. Crescent. Direção: Irwin Willat). Com Tom Keene, Rita Cansino, Robert Fiske, Budd Buster.

     SOBERANOS DA SELA/Hit The Saddle. (1937. Direção: Mark Wright). Com Robert Livingston, Ray Corrigan, Max Terhune, Rita Cansino.

   Como RITA HAYWORTH

·       CRIMINOSOS DO AR/Criminals of The Air (1937. Columbia. Direção: Charles C. Colerman). Com Rosalind Keith, Charles Quigley, Rita Hayworth, Marc Lawrence.

·       JOGO DE SAIAS/Girls Can Play (Columbia. 1937. Direção: Lambert Hillyer). Com Jacqueline Wells, Charles Quigley, Rita Hayworth, Guinn Williams.

·       A SOMBRA DA MORTE/The Shadow (Columbia. 1937. Direção: Charles C. Colerman). Com Rita Hayworth, Charles Quigley, Marc Lawrence, Arthur Loft, Dick Curtis.

Já como Rita Hayworth, em A SOMBRA DA MORTE (1937).
        JOGO QUE MATA/The Game That Kills (Columbia. 1937. Direção: D. Ross Lederman). Com Charles Quigley, Rita Hayworth, Jacqueline Wells, Ralph Byrd.

·       LUZES DA ACUSAÇÃO/Who Killed Gali Preston? (Columbia. 1938. Direção: Leon Barsha). Com Don Terry, Rita Hayworth, Robert Paige.

·       SEMPRE A MULHER/There’s Always a Woman (Columbia. 1938. Direção: Alexander Hall). Com Joan Blondell, Melvyn Douglas, Mary Astor, Francis Drake, Rita Hayworth.

·       SACRIFÍCIO DE IRMÃ/Convicted (Columbia. 1938. Direção: Leon Barsha). Com Charles Quigley, Rita Hayworth, Marc Lawrence, George McRay.

Com Paul Kelly (de chapéu): FILHAS DO DESPREZO (1939).
         FILHAS DO DESPREZO/Juvenile Court (1939. Columbia, 1938. Direção: D. Ross Lederman). Com Paul Kelly, Rita Hayworth, Frankie Darro, Dick Curtis, Edmund Cobb.

·       NO CAMPO INIMIGO/The Renegade Ranger (1939. RKO- Radio. Direção: David Howard) Com George O’ Brien, Rita Hayworth, Tim Holt, Bob Kortman.

·       O BRAÇO DA LEI/Homicide Bureau (1939. Columbia. Direção: Charles C. Coleman). Com Bruce Cabot, Rita Hayworth, Robert Paige, Marc Lawrence.

·       ÁLIBI NUPCIAL/The Lone Wolf Spy Hunt (1939. Columbia. Direção: Peter Godfrey). Com Warren William, Ida Lupino, Rita Hayworth, Ralph Morgan.

·       SPECIAL INSPECTOR/Special Inspector (1939. Columbia. Direção: George Rhein). Com Charles Quigley, Rita Hayworth, George McKay, Don Douglas.

·       PARAÍSO INFERNAL/Only Abgels Have Wings (1939. Columbia. Direção: Howard Hawks). Com Cary Grant, Jean Arthur, Thomas Mitchell, Rita Hayworth, Richard Barthelmess, John Carroll.

Com Tony Martin: MELODIAS DO MEU CORAÇÃO (1940)

·       MELODIAS DO MEU CORAÇÃO/Music in My Heart (1940. Columbia. Direção: Joseph Santley). Com Tony Martin, Rita Hayworth, Edith Fellows, Alan Mowbray.

·       FLORISBELA QUER O DIVÓRCIO/Blondie on a Budget (1940. Columbia. Direção: Frank R. Strayer). Com Penny Singleton, Arthur Lake, Rita Hayworth, Larry Simms.

·       UMA MULHER ORIGINAL/Susan and God (1940. MGM. Direção: George Cukor). Com Joan Crawford, Fredric March, Ruth Hussey, John Carroll, Rita Hayworth, Rose Hobart.

A PROTEGIDA DO PAPAI (1940), primeiro filme em que ela teve Glenn Ford como seu par romântico.
       A PROTEGIDA DO PAPAI/The Lady In Question (1940. Columbia. Direção: Charles Vidor). Com Brian Aherme, Rita Hayworth, Glenn Ford, Irene Rich, Evelyn Keyes.

·       ANJOS DA BROADWAY/Angels Over Broadway (1940. Columbia.  Direção: Ben Hetch e Lee Garmes). Com Douglas Fairbanks Jr, Rita Hayworth, Thomas Mitchell, John Qualen.

·       UMA LOURA COM AÇÚCAR/The Strawberry Blonde (1941. Warner Bross. Direção: Raoul Walsh), Com James Cagney, Olivia de Havilland, Rita Hayworth, Alan Hale, George Tobias, Jack Carson.

·       VOLTA PARA MIM/Affectionatelly Yours (1941. Warner Bross. Direção: Lloyd Bacon). Com Merle Oberon, Dennis Morgan, Rita Hayworth, Ralph Bellamy, James Gleason.

·       SANGUE E AREIA/Blood and Sand (1941. 20th Century Fox. Direção: Rouben Mamoulian). Com Tyrone Power, Linda Darnell, Rita Hayworth, Nazimova, Anthony Quinn, Laird Cregar, John Carradine.

UMA LOURA COM AÇÚCAR (1941), com James Cagney e Olivia de Havilland.
      AO COMPASSO DO AMOR/You’ll Never Get Rich (1941. Columbia. Direção: Sidney Lanfield). Com Fred Astaire, Rita Hayworth, John Hubbard, Robert Benchley, Osa Massen, Guinn Williams.

·       MINHA NAMORADA FAVORITA/My Gal Sal (1942. 20th Century Fox. Direção: Irving Cummings). Com Rita Hayworth, Victor Mature, John Sutton, Carole Landis, James Gleason, Mona Maris.

·       SEIS DESTINOS/Tales of Manhattan (1942. 20th Century Fox. Direção: Jules Duvivier). Com Charles Boyer, Rita Hayworth, Ginger Rogers, Henry Fonda, Charles Laughton, Edward G. Robinson.

·       BONITA COMO NUNCA/You Were Never Lovelier (1942. Columbia. Direção: William A. Seiter.) Com Fred Astaire, Rita Hayworth, Adolphe Menjou, Leslie Brooks, Adele Mara, Xavier Cugat e sua Orquestra.

·       MODELOS/Cover Girls (1944. Columbia. Direção: Charles Vidor). Com Rita Hayworth, Gene Kelly, Phil Silvers, Jinx Falkenburg, Leslie Brooks, Eve Arden.

Com Victor Mature: MINHA NAMORADA FAVORITA (1941).
      O CORAÇÃO DE UMA CIDADE/Tonight and Every Night (1945. Columbia. Direção: Victor Saville). Com Rita Hayworth. Lee Bowman, Janet Blair, Marc Platt, Leslie Brooks.

·       GILDA/Gilda (1946. Columbia. Direção: Charles Vidor). Com Rita Hayworth, Glenn Ford, George MacReady, Joseph Calleia, Steve Geary, Joseph Sawyer, George Lewis.

·         QUANDO OS DEUSES AMAM/Down to Earth (1947. Columbia. Direção: Alexander Hall). Com Rita Hayworth, Larry Parks, Marc Platt, Roland Culver, James Gleason, Edward Everett Horton, Adele Jergens, George MacReady.

·       A DAMA DE SHANGAI/The Lady of Shangai (1948. Columbia. Direção: Orson Welles). Com Rita Hayworth, Orson Welles, Everett Sloane, Glenn Anders, Ted de Corsia.

Poster de GILDA (1946)
    OS AMORES DE CARMEN/The Loves of Carmen (1948. Columbia. Direção: Charles Vidor). Com Rita Hayworth, Glenn Ford, Victor Jory, Luther Adler, Arnold Moss, Margaret Wycherly.

·       UMA VIUVA EM TRINIDAD/Afair In Trinidad (1952. Columbia. Direção: Vincent Sherman). Com Rita Hayworth, Glenn Ford, Alexander Scourby, Valerie Bettis, Torin Thatcher.

·       SALOMÉ/Salome (1953. Columbia. Direção: William Diertele). Com Rita Hayworth, Stewart Granger, Charles Laughton, Judith Anderson, Alan Badel, Sir Cedric Hardwicke, Rex Leason.

·       A MULHER DE SATÃ/Miss Sadie Thompson (1953. Columbia. Direção: Curts Bernhardt). Com Rita Hayworth, Jose Ferrer, Aldo Ray, Russell Colins, Diosa Costelo, Charles Bronson (Buchinsky).

Com Robert Mitchum, durante uma folga das filmagens de LÁBIOS DE FOGO (1957). 
        LÁBIOS DE FOGO/Fire Down Below (1957. Columbia. Direção: Robert Parrish). Com Rita Hayworth, Robert Mitchum, Jack Lemmon, Herbert Lom, Bernard Lee, Edric Connor.

·       MEUS DOIS CARINHOS/Pal Joey (1957. Columbia. Direção: George Sidney). Com Rita Hayworth, Frank Sinatra, Kim Novak, Barbara Nichols, Elizabeth Patterson.

·       VIDAS SEPARADAS/Separate Table (1958. Hetch-Hill-Lancaster/United Artists. Direção: Delbert Mann). Com Burt Lancaster, Rita Hayworth, Deborah Kerr, David Niven, Wendy Hiller.

·       HERÓIS DE BARRO/They Came to Cordura (1959. Columbia. Direção: Robert Rossen). Com Gary Cooper, Rita Hayworth, Van Heflin, Tab Hunter, Richard Conte, Michael Callan.

DINHEIRO É ARMADILHA (1965): Último filme com o amigo Glenn Ford.
         DRAMA NA PÁGINA UM/The Story on Front Page (1960. The Company of Artists/20th Century Fox. Direção: Clifford Odets). Com Rita Hayworth, Anthony Franciosa, Gig Young, Hugh Griffith, Mildred Dunnock.

·                   O SÉTIMO MANDAMENTO/The Happy Thieves (1962. Hillworth- United. Direção: George Marshall). Com Rita Hayworth, Rex Harrison, Joseph Wiseman, Gregoire Aslan, Alida Valli.

·              O MUNDO DO CIRCO/Circus World (1964. Samuel Bronston – Paramount. Direção: Henry Hathaway) Com John Wayne, Claudia Cardinale, Rita Hayworth, Lloyd Nolan, Richard Conte, John Smith.

·               O DINHEIRO É A ARMADILHA/The Money Trap (1966. MGM. Direção: Burt Kennedy). Com Glenn Ford, Elke Sommer, Rita Hayworth, Joseph Cotten, Ricardo Montalban, James Mitchum.

·                         O ÓPIO TAMBÉM É UMA FLOR/The Poppy is also a Flower. (1966. Comet Filmes/United. Direção: Terence Young). Com Senta Berger, Yul Brynner, Stephen Boyd, Angie Dickinson, Rita Hayworth, Marcello Mastroianni.

·                  O HERÓICO LOBO DO MAR/The Rover/L’ Avventureiro. (1967. Arco – Selmur/Cinerama. Direção: Terence Young). Com Anthony Quinn, Rosana Schiaffino, Rita Hayworth, Richard Johnson. (filme lançado nos cinemas americanos em 1971).

Recebendo duplo beijo de Giuliano Gemma e Klaus Kinsky, na estreia de OS BASTARDOS (1969).
         OS BASTARDOS/Sono of Sâatan/I Bastardi (1969. Warner/Seven Arts. Direção: Duccio Tessari). Com Rita Hayworth, Giuliano Gemma, Klaus Kinski, Margareth Lee, Claudine Auger.

·       A TRILHA DE SALINA/Road to Salina/ Sur La Route de Salina (1971. Corona Films- Arvco Embassy. Direção: Georges Lautner). Com Mimsy Parmer, Robert Walker Jr, Rita Hayworth, Ed Bentley.

·       THE NAKED ZOO/The Naked Zoo (1971. Films Artist. Direção: William Grefe). Com Rita Hayworth, Fay Spain, Stephen Oliver.

Com Robert Mitchum, durante intervalo de A IRA DIVINA (1972).
        A IRA DIVINA/The Wrath of God (1972. Rainbow/Cinema Films/MGM. Direção: Ralph Nelson). Com Robert Mitchum, Frank Langella, Rita Hayworth, Victor Buono.

A ETERNA DEUSA, NO CORAÇÃO E NA MENTE DOS FÃS.
FONTES
1-       Revista Cinemin nº 64 – Agosto/Setembro 1990
2-     Enciclopédia Astros e Estrelas – Editora Nova Cultural/1984
3-     Jornal O Globo – Segundo Caderno Página 3 – O Adeus à deusa do amor. 16/05/1987.