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segunda-feira, 23 de fevereiro de 2015

Revisitando Rastros de Ódio: Um Western de épicas proporções.


Um destes artistas que jamais utilizam a palavra Arte, e um destes poetas que jamais falam de poesia – assim o grande cineasta francês François Truffaut (1932-1984) se referiu a John Ford (1895-1973).

Recentemente, o Cinemark andou reprisando em suas salas dentro de uma maratona de clássicos que a empresa vem relançando, uma das obras primas deste grande mestre da Sétima Arte. Naturalmente, não temos hoje em dia as telas para as projeções em Vistavision, formato original deste grande espetáculo, contudo, o Cinemark recepcionou muito bem para sua plateia este monumento fordiano, que ocorreu nesta semana de folias, nos dias 14, 15, e 18 de fevereiro último. Rastros de ódio (The Searchers) ainda detém o poder e a majestade de ser um dos maiores clássicos do cinema, ainda sob aplausos de espectadores das mais variadas idades, passados quase 60 anos de seu lançamento. 


John Ford é tido como o Mestre do gênero Western, o verdadeiro pai deste estilo cinematográfico. Um autêntico contador de Histórias vindas de um filho de imigrantes irlandeses. Durão, brigão, turrão, ele nasceu a 1º de fevereiro de 1895 em Cape Elizabeth, Maine, na fazenda de seus pais. Mais tarde, a família se mudaria para Portland, onde Jack (como Ford seria chamado até 1923), passou a infância e a adolescência, e seu verdadeiro nome era Sean Aloysius O’Feeney.


Sean seguiu diretamente dos bancos escolares para Hollywood, onde lidou com problemas de direção desde 1916 (apenas dois anos depois da estreia cinematográfica de outro gênio, Charles Chaplin). Por esta razão que é perfeitamente compreensível a ausência de intelectualismo nas obras do diretor, numa trajetória tão ampla e substanciosa de Westerns, que formam no conjunto, sua contribuição mais rica e monumental. Por esta carência de intelectualismo em seus filmes é que é considerado também como um cineasta direto, prático, e objetivo, simplesmente JOHN FORD.

RASTROS DE ÓDIO, produzido em 1956, apresenta John Wayne (1907-1979) talvez na maior interpretação de sua carreira, digna de um prêmio da Academia (com desempenho superior mesmo ao seu Rooster Coburn, por Bravura Indômita, em 1969, filme que lhe deu sua única estatueta de melhor ator), e onde esbanja uma performance clássica, na pele de Ethan Edwards, Ex-Confederado que se empenha obstinadamente na procura de sua sobrinha, Debbie (Natalie Wood, 1938-1981), raptada pelos comanches. Na fase infantil da personagem, quem a interpreta é Lana Wood, irmã mais nova de Natalie.


Não é de desconhecimento que grande parte da obra de Ford no gênero western teve como cenário o Monument Valley, no Arizona, onde fora rodada toda sua trilogia sobre a Cavalaria Americana (Fort Apache, Legião Invencível, Rio Grande), além de Audazes e Malditos (1960) e Crepúsculo de uma Raça (1964). Com isso, tendo mais uma vez por décor a fascinante e esplendorosa beleza do local, no Estado de Utah, Rastros de ódio conserva os elementos dramáticos do faroeste tradicional, por seu estilo peculiar, épico e lírico, onde o cineasta descreve a odisseia de Ethan e de seu sobrinho adotivo, o meio índio Martin Pawley (Jeffrey Hunter, 1926-1969), na perseguição aos comanches que raptaram a pequena Debbie, e isto tudo num relato de tensão ininterrupta e de grandeza plástica e cromática, segundo as palavras do finado crítico carioca Paulo Perdigão – ainda tendo a  fotografia impecável de Winton. C Hoch (1905-1979), originariamente em Vistavision, que se situa entre as mais belas e expressivas do gênero.

Ethan Edwards (John Wayne) e seu Sobrinho adotivo Martin Pawley (Jeffrey Hunter) - Uma relação conflituosa.
Apenas três anos depois de terminada a Guerra Civil Americana, Ethan volta ao seu lar no Texas.  Reencontra a mulher por quem ele era apaixonado, Martha (Dorothy Jordan), casada com seu irmão Aaron (Walter Coy, 1909-1974), ao passo que foi por este exato motivo que demorou tanto tempo para voltar para casa após o fim da guerra. Solitário, taciturno, fechado, parece mesmo só ter afeto pela cunhada e pela sobrinha Debbie (Lana Wood), então com 7 anos.  Contudo, apesar da aparente tranquilidade e da vida familiar feliz, principalmente com a chegada do tio Ethan, o Texas vive cercado com a ameaça dos índios comanches, que estão roubando e matando o gado dos rancheiros.

Ethan e os demais Searchers partindo para a missão
O excêntrico Capitão dos Texas Rangers, reverendo Samuel Clayton (Ward Bond, em soberba interpretação) reúne um grupo de homens e batedores para pega-los. Ethan, que odeia os índios, se surpreende que o menino que havia salvo anos atrás de um ataque indígena, crescera e se tornara um mestiço, Martin Pawley (Jeffrey Hunter). Ethan trata o jovem Martin muitas vezes com desdém, mesmo sabendo que ele não tem culpa pelas suas origens, e sabe também que mesmo não sendo seu sobrinho de sangue,  sua cunhada e seu irmão o tratam como um filho.

Ethan se despede de sua cunhada Martha (Dorothy Jordan), sob os olhares observadores e suspeitos do Capitão Sam Clayton (Ward Bond). Ethan ama em segredo Martha.
Martin Pawley (Jeffrey Hunter), discípulo de Ethan.
O Capitão dos Texas Rangers e reverendo Samuel Clayton (Ward Bond) e Ethan.

Durante uma jornada da Patrulha do Capitão Clayton na perseguição aos Comanches, onde acompanham Ethan e Martin, a fazenda dos Edwards é invadida pelos Comanches.  Todos são mortos, chacinados, e apenas Debbie é salva, sendo raptada pelo chefe da tribo, Cicatriz/Scar (Henry Brandon), que com os anos, acaba sendo uma de suas Squaw, interpretada por Natalie Wood. É presumível a nefasta e terrível visão que Ethan teve ao ver o corpo da mulher que ama, violentada e morta brutalmente, tão logo chegam ao rancho todo destruído e saqueado.

O Chefe Comanche Cicatriz (Henry Brandon)
CARA A CARA, Ethan desafia Cicatriz: "Não gosto de falar aos ventos"
Ethan e Martin: Uma busca dramática e indômita.
A partir de então, Ethan e Martin buscam no Texas e no Novo México a sobrinha raptada numa caçada implacável e sem fim, indômita marcha que consome anos sem esmorecimento ou desistência, muito embora os dois já saibam que passado tantos anos, a garota já não pertence mais à cultura branca.


Brad (Harry Carey Jr), Martin e Ethan:
Debbie (Natalie Wood): A menina branca raptada agora virou uma comanche.
Mal recebido na época de seu lançamento (e muito mal interpretado por alguns críticos), Rastros de Ódio só veio a ser reconhecido como obra prima quase duas décadas depois, após ser incluso numa lista importante entre os dez melhores filmes de todos os tempos, quase no fim na década de 1970. Talvez pela mensagem aparentemente racista do filme, não veio inicialmente a ter uma boa impressão, mas o cineasta francês Jean -Luc Godard, conhecido por seus trabalhos polêmicos, anárquicos e vanguardistas, assistiu esta obra de John Ford e reconheceu a esplendorosa atuação de John Wayne, que politicamente Godard o odiava, mas acabou se rendendo e se derretendo as lágrimas pela atuação de Duke. Godard  reconheceu, pela “Magia do Cinema”, ser humilde o suficiente para se ajoelhar perante o grande ator John Wayne, mesmo com todas suas diferenças políticas.  



Martin (Jeffrey Hunter) protegendo Debbie (Natalie Wood) do próprio tio Ethan, que odeia os índios.

Ethan odeia os comanches, mas fiel ao mandamento militar de "conheça seu inimigo", se mostra um conhecedor do modo de vida dos nativos. Algumas "lições":

1) Ethan diz que os comanches amarram as montarias a si próprios, quando dormem, evitando que seus inimigos espantem os cavalos.

2) Ethan diz que um comanche em fuga, ao contrário de um homem branco que desmonta quando o cavalo está cansado, continua a cavalgada até escapar ou o cavalo morrer. E depois disso, come o cavalo.

3) Ethan atira nos olhos de cadáveres de índios. Explica que é uma vingança, pois segundo a crendice comanche isso é uma das piores coisas que podem acontecer, pois eles acreditam precisarem dos olhos intactos para se guiarem no "outro mundo".

Laurie (Vera Miles), a namorada de Martin Pawley
Charlie McCory (Ken Curtis) que corteja Laurie perto da mãe dela (Olive Carey)

RASTROS DE ÓDIO foi citado pelo ex-crítico do Time, Jay Cocks, como o “mais admirável filme já produzido na América”, conquistou o prêmio de “melhor Western da década de 1946/1956, que foi atribuído a Western Historical Society, entidade responsável por preservar a cultura do Oeste Americano..


JOHN WAYNE em seu personagem "mais perfeito"
A Redenção de Ethan: Vamos para casa, Debbie
Como não podia deixar de acontecer, velhos colaboradores de Ford participam da aventura, como Ward Bond (1903-1960), este em desempenho fenomenal como o engraçado Capitão dos Texas Rangers Samuel Clayton; além de Bond, Harry Carey Jr (1921-2012) filho do lendário Cowboy do Silent Movie Harry Carey;  também  Ken Curtis (1916-1991), Hank Worden (1901-1992), Dorothy Jordan (1906-1988) e Antonio Moreno (1887-1967) – a chamada Ford’s Stock Company – e um elenco onde figuram ainda Vera Miles (no papel de Laurie Jorgensen, a namorada de Martin) e Henry Brandon (1912-1990), notável vilão do cinema, que desempenha um dos mais famigerados peles vermelhas da história dos Western’s Movies, o Chefe comanche Cicatriz (Scar).

MOMENTO DE DESCONTRAÇÃO, Onde se vê todo o elenco num  Relax durante as filmagens, e entre eles, John Ford, John Wayne, Jeffrey Hunter, Harry Carey Jr, e Ken Curtis
LUZ, CÂMERA, AÇÃO!!!! Mais um clássico do Cinema!
Interessante contar que o script foi redigido por Frank S. Nugent (1909-1966), Ex-Crítico do New York Times (que escreveu o roteiro em plena viagem em alto mar), a partir do romance de Alan Le May (1899-1964), sendo um dos grandes responsáveis pela permanência desta obra que figura como uma das mais expressivas de todos os tempos, um marco do faroeste moderno , seguramente em pé de igualdade com outras obras de Ford , como No Tempo das Diligências, Paixão dos Fortes, e O Homem que Matou o Facínora, criações máximas da grande obra fordiana. A Trilha sonora é de Max “Casablanca” Steiner (1888-1971). Pura e simplesmente, The Searchers é uma obra inesgotável, que perdurará ainda por gerações que aplaudirão de pé em qualquer das reprises nas salas de exibição.


Ficha Técnica:
Título no Brasil: Rastros de Ódio
Título Original: The Searchers
País de Origem: EUA
Gênero: Western
Tempo de Duração: 119 minutos
Ano de Lançamento: 1956
Estúdio/Distribuição:  Warner Brothers
Direção:  John Ford

ELENCO:
JOHN WAYNE – Ethan Edwards
JEFFREY HUNTER – Martin Pawley
WARD BOND – Capitão Samuel Clayton
NATALIE WOOD – Deborah (Debbie)
VERA MILES – Laurie Jorgensen
HENRY BRANDON – Chefe Cicatriz/Scar
HARRY CAREY JR – Brad Jorgensen
DOROTHY JORDAN - Martha Edwards
WALTER COY – Aaron Edwards
HANK WORDEN – Mose Harper
KEN CURTIS – Charlie McCory
JOHN QUALEN – Lars Jorgensen
OLIVE CAREY – Senhora Jorgensen
BEULAH ARCHULLETA – Look
LANA WOOD – Debbie na infância
ANTONIO MORENO – Emilio Gabriel Fernandez y Figueroa


Divulgação de RASTROS DE ÓDIO em jornal carioca na época de seu lançamento no Brasil, 7 de janeiro de 1957
Curiosidades:
Making-of público
- Um dos primeiros filmes a fazer auto-propaganda através de um documentário do making-of que passou na TV. Gig Young apresentou o programa, com Jeffrey Hunter como convidado.

Homenagem à Harry Carey
- O astro do gênero faroeste Harry Carey morreu em 1947. O diretor John Ford incluiu no filme a esposa de Carey, Olive Carey, como a Senhora Jorgensen e também o seu filho, Harry Carey Jr, como um dos filhos, Brad. Essa foi a sua forma de prestar uma homenagem ao ator. Na cena final com John Wayne na porta, Wayne segura o seu cotovelo direito em uma pose que os fãs de Carey reconheceriam como sendo bem específica dele. Wayne depois declarou que ele fez o gesto como uma homenagem à Carey.

Entre irmãs
- Lana Wood interpretou Debbie Edwards pequena, e Natalie Wood, a irmã mais velha de Lana, interpretou Debbie Edwards adolescente.

Um dublê para Worden
- Hank Worden (Mose Harper) estava terminando as filmagens de The Indian fighter e não pode gravar algumas cenas do filme. Na cena em que os Rangers fogem em Monument Valley, "Old Mose Harper" quando está em grupo, é interpretado por outro ator, que se mantém escondendo o rosto. As cenas de Harper sozinho foram feitas depois quando Worden já estava livre de outras ocupações.

Da escola para o set de filmagens

- Natalie Wood ainda era uma estudante do ensino médio quando o filme estava sendo feito, e em diversas ocasiões, tanto John Wayne quanto Jeffrey Hunter tinham que buscá-la na escola, quando a menina estava sendo requerida no set de filmagens. Isso causava uma enorme empolgação nas colegas de classe de Natalie.

Produção e Pesquisa: 
Paulo Telles.




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quinta-feira, 29 de janeiro de 2015

Beau Geste (1939): De William A. Wellman Um clássico de Aventura e envolvente Mistério.


O amor de um homem e uma mulher diminui como a lua, mas o amor de irmão para irmão é imutável como as estrelas e duradouro como a palavra do Profeta.
Provérbio árabe.


É assim que inicia BEAU GESTE (Beau Geste, 1939), uma referência do cinema de aventura até os dias de hoje, produzido e dirigido pelo renomado William A. Wellman (1896-1975) em 1939 e que se tornou afamado graças a sua tensa e intrigante abertura, bem como uma história de mistério, com tons detetivescos. Tudo começa quando uma coluna de combatentes da Legião Estrangeira se aproxima do Forte Zinderneut, no Saara no início do Século XX e depara com uma estranha cena: centena de legionários mortos dentro do forte, mas ouvem-se tiros e, posteriormente, dois corpos desaparecem. As chaves dos dramáticos e enigmáticos acontecimentos vão se revelando ao longo de toda projeção, um dos mais brilhantes trabalhos do cineasta de Nasce uma Estrela (1ª versão) e Consciências Mortas.

Os Irmãos Geste
Beau Geste: Um verdadeiro Clássico de Aventura e Mistério
A trama vai tomando formato em Flash Back, reportando a história 15 anos antes, quando os irmãos Geste, Michael “Beau” Geste (Gary Cooper, 1901-1961), John (Ray Milland, 1905-1985) e Digby (Robert Preston, 1917-1987) ingressam na Legião Estrangeira para nenhum ser acusado de roubo de uma preciosa safira, a “Água Azul”, pertencente a tia deles, Lady Patricia Hamilton (Heather Thatcher, 1897-1987). 

Quem roubou a "Água Azul"?
Qual dos três furtou a "Água Azul"?
Gary Cooper é Beau Geste
Dentro do quartel da Legião, Rasinoff (J. Carrol Naish, 1896-1973), um opróbrio e infeliz ladrão, acaba tendo ciência dos fatos e procura identificar o ladrão da preciosa safira.  Certa noite enquanto os legionários dormiam, Rasinoff tenta revistar Beau, mas quase se dá mal se não fosse a intervenção do brutal e cruel sargento Markoff (Brian Donlevy, 1901-1972), que por meio de uma confissão de Rasinoff acaba obtendo informações sobre a joia, cobiçando também a “Água Azul”. Markoff proponha a Rasinoff uma sociedade, contudo não existe “honra entre ladrões”, já que a verdadeira intenção do sargento é de ficar com a safira só para ele.

Brian Donlevy como o sádico Sargento Markoff
Markoff e seu aliado, o desprezível ladrão Rasinoff (J. Carrol Naish)
Os Três Irmãos, prestes a se separar
Rasinoff  diz a Markoff que a safira talvez esteja com o irmão mais velho, Beau. Para obter sucesso com o roubo da jóia, Markoff separa os irmãos Geste. Digby, o corneteiro, vai para o Forte Tokotu, e Beau e John ficam no Forte Zinderneut, onde Markoff irá impor sua tirania, provocando um motim e uma rebelião sangrenta, que só será interrompida com o ataque dos tuaregs. Com o ataque ao forte, se inicia uma série de reviravoltas e surpresas que prendem o espectador do começo ao fim. 

O Brutal Markoff impondo sua tirania
John (Ray Milland) e Beau (Gary Cooper) em marcha.
Beau Geste em ação
Acreditando que os irmãos podem levá-lo até a pedra e uma enorme fortuna, Markoff submete seus comandados a um tratamento desumano, mesmo quando centenas de tuaregs cercam o forte. Aliás, um dos grandes fortes do superespetáculo é a interpretação de Donlevy, que mereceu uma indicação ao Oscar como coadjuvante em sua atuação como o sádico sargento Markoff.

O Humanismo literal de um "belo gesto"


Beau Geste é uma visão pictórica da vida dos legionários e mostra o treinamento dos homens de muitas nações que combateram nas areias do Saara. Algumas cenas se tornaram antológicas, como aquela em que legionários mortos são amarrados nas muradas do forte para que os inimigos acreditem ainda haver um bom número de sentinelas. O funeral viking do final da película também é uma cena que chama a atenção, com direito a um cão sob os pés do falecido herói, cuja alcunha significa em português "belo gesto". O cão sob os pés do nosso herói foi nada mais e nada menos que o corpo do desprezível Markoff. Aventura e envolvente mistério são o que não faltam neste exemplar clássico, estilo de filme aventuresco que infelizmente o cinema moderno não produz mais.

Digby (Robert Preston), presta uma última homenagem ao seu  irmão Beau, morto durante o ataque dos tuaregs ao forte.
Conforme os desejos de Beau Geste, seu irmão Digby providencia um "funeral viking"
Baseado no livro de Percival Christopher Wren (1875-1941), a mesma novela havia sido levada as telas em 1926, na era Silent, com Ronald Collman e Noah Berry. Ainda teria, em 1966,uma versão estrelada por Guy Stockwell, Doug McCLure, e Telly Savalas, respectivamente nos papéis que foram de Gary Cooper, Ray Milland, e Brian Donlevy na versão de 1939 e dirigido por Douglas Heyes. Em 1977, uma paródia da história foi dirigida pelo comediante Marty Feldman – As Mais Loucas Aventuras de Beau Geste, estrelado pelo próprio Feldman, Michael York, Ann-Margrett, e Peter Ustinov.

A Versão de 1926, com Ronald Collman
Susan Hayward, na flor de seus 21 anos, no papel de Isabel Rivers, namorada de John Geste (Ray Milland)
Divulgação do filme pelos jornais cariocas em 1939.
O diretor William A. Wellman, com Charles Barton e Gary Cooper durante uma pausa nas filmagens.

O Beau Geste de William A. Wellman foi o segundo filme da carreira de Susan Hayward (1918-1975), então aos 21 anos, no papel de Isabel Rivers, namorada de John Geste. Ainda a destacar, as aparições de Broderick Crawford (1912-1986) e Donald O’ Connor (1925-2003), interpretando Beau quando criança, aos 12 anos. A trilha sonora é de Alfred Newman (1901-1970).



FICHA TÉCNICA
BEAU GESTE
Pais: Estados Unidos
Ano: 1939
Gênero: Ação, Aventura, Guerra
Direção: William A. Wellman
Roteiro: Robert Carson
Produção: William A. Wellman
Música Original: Alfred Newman
Fotografia: Archie Stout, Theodor Sparkuhl
Edição: Thomas Scott
Direção de Arte: Hans Dreier, Robert Odell
Figurino: Edith Head
Efeitos Sonoros: Hugo Grenzbach, Walter Oberst


elenco
Gary Cooper       Michael 'Beau' Geste
Ray Milland John Geste
Robert Preston  Digby Geste
Brian Donlevy    Sgt. Markoff
Susan Hayward  Isabel Rivers
J. Carrol Naish    Rasinoff
Albert Dekker    Legionário Schwartz
Broderick Crawford    Hank Miller
James Stephenson      Major Henri de Beaujolais
Heather Thatcher       Lady Patricia Brandon
James Burke      Tenente Dufour
George Chandler         Legionário
G. P. Huntley     Augustus Brandon
Francis McDonald       Guia Árabe
Stanley Andrews        Legionário Maris
Harvey Stephens        Tenente Martin
Donald O'Connor        Beau aos 12 anos
Henry Brandon  Legionário Renouf
Nestor Paiva      Soldado
George Regas    Guia Árabe
Harry Woods      Legionário Renoir
Charles Barton   Buddy McMonigal

INDICAÇÕES
Academia de Artes Cinematográficas de Hollywood, EUA
Oscar de Melhor Ator Coadjuvante (Brian Donlevy)
Oscar de Melhor Direção de Arte

produção e pesquisa: 
Paulo telles 
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EM TEMPO
IN MEMORIAN
O ano de 2015 começou com uma “subida de estrelas” para as constelações do céu. Um tempo é dedicado a fazer um pequeno tributo para estas estrelas que deram sua contribuição para a Sétima Arte, e que agora de fato estão no rol da imortalidade.


ROD TAYLOR
(1930-2015)
O ator australiano Rod Taylor, famoso por seu papel no filme "Os Pássaros", de Alfred Hitchcock, morreu dia 7 de janeiro, aos 84 anos, em Los Angeles, de um ataque do coração. Taylor atuou em vários filmes ao longo de sua carreira, como "A Máquina do Tempo", "Um Domingo em Nova York", "Os Mercenários" e o clássico do suspense "Os Pássaros". O ator faleceu quatro dias antes de completar 85 anos.

Rod e Tippi Hedren, no clássico Os Pássaros, de Hitchcock
"Rod foi um grande amigo e um enorme apoio. Éramos muito, muito bons amigos", disse Tippi Hedren, que atuou com ele em "Os Pássaros". "Era uma das pessoas mais divertidas que já conheci, tinha classe, tudo era bom neste homem", recordou. 

Rod no clássico de ficção A Máquina do Tempo
Com Doris Day: A Espiã de Calcinha de Rendas
Como o Primeiro-Ministro Winston Churchill, em Bastardos Inglórios, de Tarantino, em 2010
Em 2010, Taylor representou o primeiro-ministro britânico Winston Churchill em "Bastardos Inglórios", o filme de Quentin Tarantino sobre a Segunda Guerra Mundial, papel que lhe deu o prêmio do Sindicato dos Atores. O astro estava rodeado de amigos e familiares quando morreu e deixou a mulher, Carol, e sua filha, Felicia, "Meu pai adorava o seu trabalho. Ser ator foi sua paixão, o que ele chamava de uma arte nobre e algo que não podia viver sem", lembrou a filha, ex-correspondente da CNN, em um comunicado. "Uma vez ele disse: 'Eu sou um estudante pobre sentado aos pés de gigantes, ansiando por sua sabedoria e implorando por lições que poderia um dia me fazer um artista completo, de modo que, se tudo correr bem, eu poderei um dia me sentar ao lado deles'", completou ela. Rod, nascido a 11 de janeiro de 1930, foi astro de inúmeros filmes de ação e western, e participou de séries televisivas, como O CARRO DA MORTE, no início da década de 1970.


ANITA EKBERG
(1931-2015)

A atriz sueca Anita Ekberg, imortalizada por Federico Fellini no filme "A doce vida" (1960), morreu dia 11 de janeiro em Roma, aos 83 anos, confirmou a sua advogada, Patrizia Ubaldi, acrescentando que a artista havia sido hospitalizada após o Natal por conta de uma "série de doenças". Segundo site do jornal "La Repubblica", Anita estava internada em Rocca di Papa, na província da capital italiana. Em "A doce vida", no qual atuou ao lado de Marcello Mastroianni, ela protagonizou a icônica cena em que se banha na Fontana di Trevi. A sequência se transformou numa das mais famosas da história do cinema. Por causa disso, ela também recebeu a alcunha de “deusa do sexo”.

O Clássico A Doce Vida, o filme que consagrou Anita, com Marcello Mastroianni
Filha de médico, Kerstin Anita Marianne Ekberg nasceu a 29 de setembro de 1931 em Malmö, em uma família de oito filhos.  Eleita Miss Suécia 1950, foi para os Estados Unidos participar do Miss Universo. Não venceu, mas ganhou um convite do ator John Wayne para um de seus primeiros papéis no cinema, em "Rota sangrenta" (1955). Em Hollywood, a eterna sex symbol fez filmes como "Guerra e paz" (1956) e "Artistas e modelos" (1955), a dupla Dean Martin e Jerry Lewis. Em 1956, venceu um Globo de Ouro na categoria atriz mais promissora. Seu último trabalho foi na série italiana "Il bello delle donne" (2001–2003).

Anita Ekberg em 2011
Anita manteve uma relação problemática com a Suécia. Ela nunca chegou a atuar numa produção sueca, e era frequentemente criticada pela imprensa local por ter deixado o país.
Ela foi casa com o ator britânico Anthony Steen de 1956 a 1959. Em 1963, casou-se com o ator Rik Van Nutter. Divorciou-se dele em 1975.



Fora das telas, seus romances - entre eles com Errol Flynn, Rod Taylor, e Frank Sinatra -- também eram perseguidos pelos paparazzi, termo criado por Fellini no filme. Após o impacto de "A Doce Vida", Anita participou de outros filmes de Fellini, como o segmento que o italiano dirige em "Bocaccio 70", "Os Palhaços" e "Entrevista". Após a década de 70, se afastou um pouco da atuação. Nos últimos anos de vida, fez papéis em filmes e séries italianas. A atriz foi sepultada na Suécia.