Continuando a trajetória de Audie Murphy
(1924-1971), herói americano da II Guerra Mundial que virou ídolo das telas e
um dos mais memoráveis cowboys da Sétima Arte. Se na primeira parte traçamos
seus feitos no front e no campo de combate, na segunda falamos de seus feitos
no cinema e como ele se impôs como um dos mais valentes e destemidos cowboys
das telas, fosse um mocinho, fosse um anti-herói, ou mesmo um protagonista com
perfil vilânesco, como o fez em BALAS QUE NÃO ERRAM, em 1958.
Mas parece que Audie não queria apenas partir
para um único gênero de fita, já que ingressou em outros estilos, como o bélico
TERRÍVEL COMO O INFERNO, em 1955, que reproduziu sua vida no campo de batalha e
que se baseou em sua autobiografia, fazendo ele mesmo seu próprio papel – e no
drama de Boxe O MUNDO ENTRE CORDAS, em 1956, ou ainda em uma comédia como A
ROSA DO ORIENTE (1957), e uma obra intelectual como O AMERICANO TRANQUILO, em
1958. Mas a crítica e o público pareciam ser unanimes em acreditar que Audie
era mesmo carimbado para os westerns.
Atuou em duas obras importantes do diretor John
Huston (1906-1987). A GLÓRIA DE UM COVARDE foi o momento vital na carreira
cinematográfica de Audie Murphy, onde sua atuação foi elogiada tanto pela
crítica quanto pelo cineasta. Mas a obra teve problemas e acabou sendo mutilada
pelos estúdios da Metro. O PASSADO NÃO PERDOA foi mais um exemplar em que Audie
tentou provar que poderia ser mais do que um estiloso cowboy com cara de menino.
Mas talvez pela época de transição que passava o fim dos anos de 1950, a
mensagem antirracista de O PASSADO NÃO PERDOA não foi bem compreendida pelo público
ou pela crítica, mas se firmou como um dos mais bem vistos westerns de todos os tempos.
Vamos continuar a saga deste pequeno notável e abordar seus filmes na
década de 1960, onde também traçaremos seu declínio nas telas e outras empresas
que o ator queria ingressar.
Esta é a saga de AUDIE LEON MURPHY.
Episódios
anteriores desta saga:
PARTE 1
PARTE 2
AUDIE NA TV
Audie deixou
um pouco de lado sua agenda lotada no cinema e foi tentar algumas produções
para a televisão, afinal, este era um veículo que estava então em franca
ascensão. No início da década de 1960, Audie apareceu em três produções. Em
1958, ele já tinha estrelado no G.E.
Theater, encenando o episódio The
Incident, e em 1959 The Flight.
Em 1959, a
TV norte-americana produzia cerca de 48 séries semanais do gênero faroeste. E
foi exatamente em 1959, que a NBC convidou Audie para estrelar a série Whispering Smith, acreditando que Murphy, um legítimo vencedor
da guerra e astro genuíno do gênero nas grandes telas, venceria também na
telinha. Em realidade, Whispering Smith
foi um personagem interpretado anteriormente no cinema por Alan Ladd no western
Abutres Humanos/ Whispering Smith, de 1948, dirigido por Leslie Fenton, e foi um dos
maiores êxitos comerciais de Ladd, outro “pequeno notável”.
Em 1961, Audie
Murphy foi o astro de 26 episódios de Whispering
Smith, série televisiva ao lado de Guy Mitchell (1927-1999). No entanto,
somente treze deles foram exibidos e uma vez que os planos de produção foram
cancelados, Audie voltou ao cinema.
Tom ‘Whispering’
Smith (Murphy) é um detetive da Estrada de Ferro de Denver que a cada episódio
se defronta com bandidos assaltantes de trem. O que diferenciava Whispering Smith de outros mocinhos e
cowboys da TV é que ele usava técnicas modernas de investigação para solucionar
alguns crimes.
Whispering Smith estreou na noite de 8 de maio de
1961 pela NBC, com o episódio The Blind Gun. Nos dias seguintes teve
início uma polêmica quanto à violência do episódio, discussão que acabou no
Senado Norte-Americano, no Comitê de Delinquência Juvenil.
A Comissão
deu um parecer afirmando que a série era péssima não só para os jovens, mas também
para o público americano em geral. Audie Murphy, não somente um astro do cinema,
mas também um respeitado herói para os norte-americanos, respondeu:
“Aparentemente algumas pessoas ficaram
chocadas com a violência do primeiro episódio de “Whispering Smith”, deixando de
observar o alto valor moral desse episódio no qual Whispering Smith arrisca sua
vida para reabilitar um jovem delinquente”.
A emissora
mudou a série de dia e horário por duas vezes até que após a exibição do 26.º
episódio retirou a série do ar, cancelando-a. A atitude da NBC abalou Audie, pois
a atitude da emissora de cancelar a série significou um fracasso pelo qual ele
jamais passou como ator. A série já foi lançada em DVD nos Estados Unidos, e
pode ser conferida as participações especiais de Richard Chamberlain, Harry
Carey Jr, Marc Lawrence, James Best, Patricia Medina, Henry Brandon, Forrest
Tucker e Marie Windsor.
AUDIE E OS NEGOCIOS
Audie tinha
muito amor pela natureza, que era particularmente mostrada fora das telas.
Animais e crianças pareciam estar sempre perto dele, na maior parte do tempo.
Após a guerra, ele começou a criar cavalos de raça. Seu cavalo mais fabuloso
era chamado de Joe Quenn. Audie
gostava de montar bons cavalos em seus filmes para que ficassem conhecidos.
Ele tinha
outros cavalos interessantes que também trabalhavam com ele, assim como seu
cavalo no filme Tumbleweed, uma criatura
muito desajeitada que acaba se tornando um salva-vidas e herói deste filme. Ele
era capaz de andar por montanhas e penhascos, achar água no deserto, e se
fingir de morto para índios tolos.
Audie Murphy
se tornou um bem sucedido criador de cavalos de raça e também empresário
proprietário de inúmeros ranchos no Texas, afastando-se do cinema para ter mais
tempo para se dedicar aos seus negócios e aumentar sua fortuna pessoal.
SANGUE NA PRAIA
Battle at Bloody Beach
UMA AVENTURA BÉLICA
Um crítico
disse: O que dá maior força ao filme, no
que se trata da bilheteria, é a presença de Audie Murphy. Ele leva sua
reputação ao personagem principal.
As
sequencias de combate eram, de fato, dignas de vários elogios.
Diferente de
Terrível como o Inferno, trata-se de
uma história bélica ajuntada a um drama romântico. Audie se encontra completamente tranquilo nas
cenas desta escola de sangue e coragem. Sua autentica interpretação como Craig
Benson, um civil trabalhando com guerrilheiros durante a batalha das Filipinas,
a procura de sua esposa Ruth (Dolores Michaels, 1933-2001), de quem ele foi
separado durante o ataque japonês.
Craig se
encontra com outro americano, Marty Sackler (Gary Crosby, 1933-1995), que lhe
conta que dois grupos de guerrilheiros rivais estão na Ilha das Filipinas. Não
esta claro que grupo eles devem dar suporte contra os japoneses. No entanto,
Craig logo percebe que M’Keever (William Mims, 1927-1991) esta jogando nos dois
lados e, portanto, não pode ser de confiança.
Benson e
Sackler são salvos pelo líder rival, Julio Fontana (Alejandro Rey, 1930-1987).
A família de Fontana tem colaborado com os japoneses, mas Julio se afastou e
tem ajudado americanos desamparados. Logo, Fontana leva os dois homens para o
grupo onde Craig encontra sua esposa.
O encontro
deveria ser doce e emocionante, mas teve suas complicações, pois Ruth estava
convencida de que os japoneses haviam capturado seu marido e o matado, e desde
então, ela havia iniciado um romance com o próprio...Julio.
Os
americanos caminham até a praia onde Julio receberia os suprimentos escondidos
no barco de Craig e o resto poderia ser levado pelo submarino. Enquanto esperam
pelo submarino, são brutalmente atacados por soldados japoneses. Bem supridos
com armamentos, eles acabam com o ataque, mas ficam encurralados na praia.
Benson, já muito conhecido pelos japoneses, sabe muito bem que eles querem
pega-lo, então propõem uma oferta ao mercenário Julio: Benson deveria ser
entregue a eles e o resto seria liberado, mas ele recusa a oferta.
Enquanto os
japoneses recomeçavam o ataque, um pedido de socorro foi mandado para o
principal grupo de guerrilheiros de Julio. Alguns americanos foram mortos antes
mesmo que o grupo de salvamento de guerrilheiros finalmente derrotassem o
inimigo. Ruth deveria escolher entre os dois homens, e ela escolhe Craig, seu
marido, que continuará na missão até que os japoneses sejam completamente
derrotados.
Entre as
curiosidades behind in the scenes por
trás deste filme é que, durante um intervalo de almoço, um dos morteiros
disparou acidentalmente, atingindo um velho navio que estava perto, fazendo com
que ficasse completamente destruído. Os carpinteiros do estúdio, os quais
tinham uma fantástica experiência em trabalhar sob tremenda pressão e sabiam
como poucos restaurar relíquias, trabalharam no navio durante vários dias
remodelando-o para chegar a sua antiga forma. Consequentemente, durante este
período todos tiveram breves férias.
Este filme
foi todo rodado em Catalina, uma ilha no Oceano Pacífico, somente 20 milhas
distante da Costa da Califórnia. O mais importante cenário de todo o filme foi
um velho submarino de perseguição com o casco encalhado na praia, o qual foi
adquirido pela marinha americana e rebocado até o local necessário. Enquanto a
produção procurava na ilha pelo melhor lugar para filmar as cenas de batalha, o
velho submarino afundou no oceano. A produção parou enquanto as operações de
salvamento tentavam levantar o casco novamente a sua posição inicial. Como se
isso não bastasse, após a tropa de salvamento ter conseguido levantar o casco,
a próxima cena pedia pelo navio estar completamente destruído após um ataque
japonês.
AUDIE, O NARRADOR
Em 1963,
Audie foi o narrador do filme War is Hell,
sobre a vida de um condecorado sargento que faria qualquer coisa para
melhorar seu currículo. Com teor de semidocumentário, este filme bélico foi
exibido no Texas Theater a 22 de
novembro de 1963, ocasião que Lee Harvey Oswald estava no cinema e foi preso
pela polícia pouco após o assassinato do Presidente dos Estados Unidos John F.
Kennedy.
MAIS...E MAIS WESTERNS!!!
Impossivel. Audie sem duvida nasceu para ser um cowboy.
MATAR POR DEVER/ Seven Ways
from Sundown (1960)
Faroeste,
dirigido por Harry Keller (1913-1987) e estrelado por Audie Murphy e Barry
Sullivan (1912-1994). Nascido no Texas, esta é a primeira vez que Murphy
encarna um personagem texano como ele (com exceção de Terrível como o Inferno, em que interpretou a si mesmo). Contudo,
quem rouba o espetáculo é Barry Sullivan, no papel de um simpático assassino.
Seven-Ways-From-Sundown Jones, ou simplesmente Seven Jones
(Murphy), acaba de ser admitido entre os Texas Rangers e recebe do Tenente
Herly (Kenneth Tobey, 1917-2002) a dura missão de capturar Jim Flood (Sullivan),
um charmoso facínora que tanto deixa um rastro de sangue por onde passa quanto
faz bater mais forte o coração das mulheres que o conhecem. Ajudado pelo
Sargento Hennessey (John McIntire, 1907-1991), que lhe ensina a atirar bem com
o revólver, Seven prende Flood, que, entretanto, mata o sargento.
No caminho
para a prisão, Flood tem várias oportunidades de liquidar Seven, porém não o
faz. Os dois têm de enfrentar apaches, caçadores de recompensa e outros
perigos, o que os leva a se conhecerem melhor e a se respeitarem.
No entanto,
o desdobramento da morte de Two Jones, irmão de Seven e também um ranger,
ocorrida anos antes, leva a história para outra direção.
A
QUADRILHA DO INFERNO/ Posse from
Hell (1961)
Quadrilha do Inferno, lançado em 1961, foi o 23.º western
de Audie Murphy e o primeiro da década de 60. O filme começa com
a chegada à cidade de Paradise de quatro foragidos (interpretados por Vic
Morrow, Lee Van Cleef, Henry Wills e Charles Horvath), da Prisão de Sedalla. Na
curta permanência em Paradise, o quarteto mata a sangue frio algumas pessoas,
leva onze mil dólares do banco local e parte levando como refém a jovem Helen
Caldwell (Zohra Lampert).
Antes ferem gravemente o xerife da cidade. Recém-chegado a
Paradise, para atuar como assistente do xerife, Banner Cole (Murphy) se vê
responsável pela perseguição e captura dos assassinos, conseguindo somente seis
homens dispostos a acompanhá-lo. Após uma extenuante perseguição aos bandidos,
com o grupo se reduzindo a Cole e ao inexperiente Seymour Kern (John Saxon), o
bando de facínoras é liquidado e Helen Caldwell resgatada.
GATILHOS
EM DUELO/ Six Black
Horses (1962)
Faroeste, dirigido por Harry Keller (1913-1987) e estrelado por
Audie Murphy e Dan Duryea (1907-1968). Mais uma vez, Duryea rouba o espetáculo
como um sensacional vilão, no papel de um pistoleiro sentimental chamado Frank
Jesse, e pela terceira vez, atuando ao lado de Murphy (anteriormente contracenaram juntos em Traição Cruel, em 1954, e A Passagem da Noite, em 1957).
Como era comum nos veículos de Murphy, antigos astros dos filmes B
aparecem em pequenos papéis, para alegria dos nostalgistas. Aqui estão
presentes Bob Steele (1907-1988), astro nos anos 1930/40, Roy Barcroft
(1902-1969), bandido em incontáveis westerns
das matinês e seriados de cinema, e George Wallace (1917-1995), o Commando Cody do seriado da Republic Radar Men from the Moon (1952).
Segundo Leonard Maltin, o roteiro de Burt Kennedy (1922-2001) é
aparentemente resquícios da célebre série de faroestes realizada pela dupla
Budd Boetticher & Randolph Scott na década anterior.
Acusado falsamente de roubar um cavalo, Ben Lane (Murphy) é salvo
da forca pelo pistoleiro Frank Jesse (Duryea). Quando chegam à cidade, são
contratados por Kelly (Joan O’ Brien), uma jovem senhora, que lhes oferece mil
dólares para que eles a escoltem até Del Cobre, onde deverá encontrar-se com o
marido.
Para isso, eles devem atravessar o território cheio de perigos dos
ferozes índios Coyoteros. Contudo,
Kelly está a esconder a verdade do motivo de os ter contratado: ela sabe que
seu marido está morto, assassinado por Frank, e agora deseja vingar-se.
ABATENDO
UM A UM/ Showdown
(1963)
Dirigido por R. G. Springsteen (1904-1989) e produzido em preto
& branco. Nesta aventura situada numa cidade da fronteira
mexicana, dois presos, Chris Foster (Murphy) e Bert Pickett (Charles Drake,
1917-1994), que estão acorrentados a uma estaca, de alguma forma pretendem
fugir com outros prisioneiros.
Eles são liderados pelo cruel bandido Lavalle (Harold J. Stone,
1913-2005), que rouba 12.000 dólares em títulos. Mais tarde, os dois fugitivos
tentam roubar os títulos do bandido. Infelizmente, eles são capturados por
Lavalle. Ele mantém refém Foster e envia Pickett a cidade para descontar os
valores mobiliários. O fugitivo dá a pilhagem resultante para sua ex-namorada
Estelle (Kathleen Crowley), e retorna sem nada. Lavalle enfurecido então deixa
Foster ir para recuperar o dinheiro.
BATALHA
EM RIACHO COMANCHE/ Gunfight at
Comanche Creek (1963)
Faroeste dirigido por Frank McDonald (1899-1980) e estrelado por
Audie Murphy e Ben Cooper. Filmada em pouco mais de duas semanas, este é o primeiro
remake de Enredo Sinistro/Star of Texas (1953),
dirigido por Thomas Carr e estrelado por Wayne Morris e Paul Fix, e o segundo em
1957, Império de Balas/Last of the Badmen,
estrelado por George Montgomery e Keith Larsen, dirigido por Paul Landres. No
elenco está DeForest Kelley (1920-1999), que três anos mais tarde ficaria famoso
eternamente no papel do Dr. Bones
McCoy, na cultuada série clássica Jornada
nas Estrelas.
Uma quadrilha age sempre da mesma forma: liberta
um preso, coloca-o em alguns assaltos, e mata-o para ficar com a recompensa
quando esta sobe. Para desmascarar os criminosos e levá-los à prisão, a Agência
Nacional de Detetives designa o detetive Bob Gifford (Murphy). Bob assume a
identidade de Judd Tanner, um bandido inventado pela agência. Ele consegue
infiltrar-se no bando e participa dos crimes com o rosto descoberto, de forma
que o prêmio por sua captura aumenta sempre. Contudo, Amos Troop (DeForest
Kelley), o chefe visível da quadrilha, começa a suspeitar que um dos membros é
um agente encoberto.
PISTOLEIRO
RELÂMPAGO/ The Quick Gun
(1964)
Faroeste, dirigido por Sidney Salkow (1909-2000) e estrelado por
Audie Murphy e Merry Anders (1932-2012). O pistoleiro Clint Cooper (Murphy)
retorna à sua cidade natal, depois de um tempo fora por ter matado em duelo
dois filhos do rancheiro Tom Morrison (Walter Sand, 1906-1971).
No caminho, ele se depara com a quadrilha de Jud Spangler (Ted de
Corsia, 1905-1973), pronta para assaltar o banco local. Quando chega à cidade,
Clint vê que a maioria dos homens está fora, conduzindo um rebanho, mas ainda
assim decide ajudar o xerife Scotty (James Best), seu amigo. Clint também
deseja retomar seu romance com Helen Reed (Anders) e reaver o rancho da
família.
BALAS
PARA UM BANDIDO/ Bullet for a
Badman (1964)
Condenado
por assassinato, Sam Ward (Darren McGavin, 1922-2006) foge, disposto a matar Logan
Keliher (Murphy), seu antigo colega de Texas Ranger, hoje casado com a
ex-mulher de Sam, Susan (Beverley Owen).
Após
assaltar um banco, Sam é perseguido por uma patrulha da qual participa Logan.
Este consegue captura-lo. Mas alguns de seus homens cobiçam o dinheiro roubado
e a recompensa pela captura, e ocorre um ataque dos apaches, piorando a
situação quando Sam escapa, ajudado por uma mulher, Lottie (Ruta Lee). Dirigido
por R.G. Springsteen (1904–1989).
RIFLES
APACHES/ Apache Rifles
(1964)
Faroeste
dirigido por William Witney (1915-2002), outrora um cineasta de seriados de
cinema (Tambores de Fu-Manchu, Legião do
Zorro, Rei da Polícia Montada) e estrelado por Audie Murphy e Michael
Dante. Rodado em dezoito dias na região de Mojave, este é o primeiro dos três
filmes que Witney e Murphy fizeram juntos.
Território do Arizona, 1879. Apaches saem da reserva para atacar
colonos e mineradores. O Capitão Jeff Stanton (Murphy) consegue capturar Falcão
Vermelho (Dante), filho do chefe Vitorio, e tenta uma trégua. Todavia, seus
planos são sabotados por brancos que desejam o ouro das terras indígenas. A
situação piora quando eles matam o novo agente e a culpa recai sobre os índios.
Jeff, com a ajuda de Falcão Vermelho, de quem se tornou amigo, procura castigar
os maus de ambos os lados e levar a paz à reserva. Para isso, ele conta ainda
com Dawn Gillis (Linda Lawson), a mestiça por quem se apaixonou.
BANDOLEIROS
DO ARIZONA/Arizona Raiders (1965)
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| BUSTER CRABBE |
Faroeste
dirigido por William Witney (1915-2002), e estrelado por Audie Murphy, Ben Cooper, e Buster
Crabbe (1908-1983), o eterno Flash Gordon
dos seriados antigos das matinês.
Dois membros
da quadrilha de Quantrill, Clint Stuart (Murphy) e Willie Martin (Ben Cooper),
são presos e sentenciados a 20 anos de trabalhos forçados. Quando o Capitão Tom
Andrews (Crabbe), que os prendera, vem a liberar os Rangers do Arizona, e os
dois recebem uma proposta: em troca da liberdade, terão de ajudar os homens da
lei na caça e captura de seus ex-colegas de bando.
Clint aceita
pois quer se vingar de Montana (George Keymas, 1925-2008), chefe da gangue desde
a morte de Quantrill.
MATAR
OU CAIR/ Gunpoint
(1966)
Dirigido por
Earl Bellamy (1917-2003) e estrelado por Audie Murphy e Joan Staley. Rodado de
02 a 17 de junho de 1965, o filme marca o fim da parceria entre Murphy e a
Universal, depois de vinte e seis realizações em dezesseis anos. Os veteranos
Edgar Buchanan (1903-1979), como a parte cômica, e Denver Pyle (1920-1999),
como o dissimulado ajudante do xerife, são os destaques da fita.
O xerife de Lodgepole, Colorado, Chad Lucas (Murphy), tenta impedir
que um trem seja assaltado, quando recebe um tiro de seu ajudante Cap (Pyle).
Cap tem ligações com os bandidos, liderados pelo cruel Drago (Morgan Woodward),
e pensa que Chad está morto. Entretanto, Chad recupera-se da ferida e, sem
saber quem o atacara, volta para a cidade. Daí, ele forma uma patrulha bastante
heterogênea para ir atrás dos criminosos.
Em uma localidade do Novo México, portanto fora de sua jurisdição,
Chad encontra Drago e também a dançarina Uvalde (Joan Staley), seu antigo amor.
Drago escapa, levando Uvalde como refém. Nate Harlan (Warren Stevens,
1919-2012), dono do saloon, também ama Uvalde e junta-se à patrulha. Esta é
atacada por apaches, que causam seu esfacelamento. Chad e Nate sobrevivem e têm
de enfrentar ladrões de cavalos antes de chegar a Drago.
RIFLES
DA DESFORRA/ 40 Guns to
Apache Pass (1967)
Faroeste, dirigido por William Witney e estrelado por Audie Murphy
e Michael Burns. Este foi o último western em que Murphy foi o protagonista.
As filmagens foram feitas um ano antes do lançamento nos cinemas e
duraram apenas onze dias, de 17 a 27 de maio de 1967.
Arizona, 1868. O Capitão Bruce Coburn (Murphy) está empenhado em
prender Cochise, o chefe apache, que está na trilha da guerra contra os
brancos. Coburn lidera seus homens na perigosa missão de buscar quarenta rifles
de repetição, com os quais espera capturar o guerreiro indígena. Porém, além de
emboscadas e ataques dos inimigos, Bruce ainda tem de enfrentar o traidor
Bodine (Kenneth Tobey, 1917-2002), um soldado que deseja apoderar-se das armas
para vendê-las a Cochise.
BANDOLEIRO TEMERARIO/
THE TEXICAN (1966)
O WESTERN EUROPEU DE AUDIE.
A partir de
1964, o mundo veio a conhecer um gênero de western
que não foi concebido pelos cineastas americanos, mas sim pelos europeus. O
faroeste americano, apesar de algumas inovações para ganhar a concorrência com
a televisão, já estava desgastando o público. Nesta época, muitas mudanças
culturais estavam ingressando na sociedade. Pareciam que os westerns americanos
já eram clichês passados. Mas a Itália veio inovar o gênero estritamente
americano, e o público mundial gostou dos exemplares, como a trilogia de Sergio
Leone (Por um Punhado de Dólares, Por uns
Dólares a Mais, Três Homens em Conflito) e as fitas de Sergio Corbucci (Django, Os Violentos Vão para o Inferno).
Não havia a
exaltação romântica e nem a legenda áurea
dos foras da lei, e muito menos eram limpinhos e barbeados como os cowboys
interpretados pelos americanos, entre os quais, se destacava o próprio Audie
Murphy. A princípio, Murphy não queria mudar seu estilo, mas vendo que estava
sendo prejudicado pela nova tendência em se fazer Westerns, decidiu protagonizar um rodado inteiramente na Espanha,
mas dirigido pelo americano Lesley Selander (1900-1979), que também dirigiu
Audie em Bandoleiros do Arizona no
ano anterior.
Ambos partiram para a Europa e realizaram este faroeste, onde Murphy
interpreta Jess Carlin, um outrora homem da lei que anos atrás fora difamado
pelo dono de um saloon e chefão de
uma cidade, Luke Starr (Broderick Crawford, 1911-1986).
Jess vive
refugiado numa aldeia mexicana onde recebe o apelido de “texicano” (mestiço).
Ao saber da morte do irmão dono de um jornal, Jess volta a cidade de Starr e
descobre que a a vítima denunciara em seu jornal os ator ilegais cometidos por
Luke. Logo, Jess tenta procurar provas da culpabilidade de Luke no assassinato
do irmão.
A bela atriz
espanhola Diana Lorys (cujo verdadeiro nome é Ana Maria Cazorla) é Kit O’ Neal,
a garota por quem tanto Jess quanto Luke se interessam, tornando-se o pivô de
um conflito armado. Destaque para a bela trilha sonora de Nico Fidenco,
compositor italiano que compôs vários soundtracks
para muitos westerns europeus. Destaque também para a participação do notável
ator espanhol Aldo Sambrell (1931–2010), como o capanga de Luke, que leva uma
surra inesquecível de Audie Murphy.
MISSAO SECRETA NO CAIRO-
AUDIE
MURPHY NO GENERO DA ESPIONAGEM.
A última
ingressão de Audie no gênero fora do faroeste foi na aventura de espionagem Missão Secreta no Cairo/Trunk to Cairo, em
1966, rodado em locações na Alemanha e Israel. Dirigido e produzido pelo
recém-falecido cineasta israelense Menahem Golan (1929-2014), que ficaria ainda
mais notório na década de 1980 com fitas similares como Comando Delta (1986) e Expresso
para o Inferno (1985), foi rodado entre junho e julho de 1965, mas o filme
estreou somente ano seguinte, em junho na Áustria e em dezembro nos Estados
Unidos (portanto, depois de Bandoleiro
Temerário, feito três meses mais tarde). O objetivo do produtor/diretor
Menahem Golan era, evidentemente, aproveitar o sucesso alcançado pelas
aventuras de James Bond, então em franca ascensão e estreladas por Sean
Connery.
A missão do
agente Mike Merrick (Murphy), que trabalha para uma nebulosa organização
internacional, é encontrar-se com o Professor Schlieben (George Sanders,
1906-1972) na cidade do Cairo. Ele descobre que o professor está desenvolvendo
um foguete nuclear, cujo destino é a Lua.
Mike
desconfia que o veículo pode ser usado como arma e destrói suas instalações.
Emboscado por radicais islâmicos, ele foge para Roma, levando consigo Helga (Marianne
Koch, de Por um Punhado de Dólares, de
Sergio Leone), a bela filha do professor. Mas seus problemas estão apenas no
começo, pois são perseguidos e capturados por agentes egípcios.
A TIME FOR DYING OU
GATILHOS DA VIOLENCIA (1969)
A TIME FOR DYING com seu profético título foi o último
filme de Audie e o único como produtor. Como tema, Audie aderiu sobre a
trajetória de um jovem pistoleiro do Velho Oeste que ele mesmo já havia
interpretado várias vezes nos seus anos de cinema, no entanto, seria um jovem
pistoleiro sem qualquer legenda romântica, que viveria e morreria sem deixar
renome. De certa forma, o personagem representava os inúmeros cowboys jovens
que viveram e morreram pelas armas, mas que não deixaram lenda atrás deles.
Nenhuma história cobriu suas proezas.
Neste
western, o jovem pistoleiro encontra vários homens de má reputação, que eram
homens lendários do Velho Oeste americano, e entre eles estavam Jesse James,
Frank James, e o juiz Roy Bean.
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| AUDIE NO MEIO DE SEUS DOIS FILHOS, TERRY E JAMES, DURANTE A PRODUÇÃO DE GATILHOS DA VIOLÊNCIA. |
Murphy
apresentou seus dois filhos, Terry e James, como atores, e como era típico de
seu humor negro, Audie como produtor, deu a Terry um papel em que ele seria
enforcado por ladrões de cavalos antes do fim do filme. O próprio Audie voltou
a interpretar Jesse James, como havia feito em Cavaleiros da Bandeira Negra/Kansas Raiders, quase 20 anos antes,
mas um Jesse James já maduro e de barba.
A Time for Dying, ou Gatilhos da Violência foi
sustentado financeiramente por dois homens: Jerry Spellman e Rick Clinton, que
eram empreendedores que faziam parte da FIPCO, uma organização de negócios
liderada por Spellman.
Audie
esperava receber 25% dos lucros do filme, ou seja, queria dizer que nenhum
lucro poderia ser obtido até que “os custos dos negativos” e os custos de
distribuição tivessem sido diminuídos.
Os custos
dos negativos incluíam todo o dinheiro investido no filme, desde o 1º dia até a
edição final. A fita então estaria pronta para ser exibida nos cinemas. Mas
muitas cópias do negativo principal podiam ser feitas, assim o filme seria
exibido em vários lugares diferentes.
Murphy
produziu o filme em parceria com seu velho amigo, o cineasta Budd Boetticher
(1916-2001), que o dirigiu em O Último
Duelo/The Cimarron Kid, em 1954, e ambos tiveram problemas com as
filmagens, mas incrivelmente, deram a volta por cima, pois era um longa
metragem com pouco e corrido tempo para rodar. Audie acreditou que o filme
necessitava de mais de 20 minutos. Com este tempo a mais, ele pretendia esticar
seu pequeno ( mas importante e bem atuado papel) e fazer crescer a história.
Ele também tentava conseguir dinheiro para completar o filme na ocasião de sua
morte.
$800.000
Dólares foram investidos nos custos de filmagem. Spellman e Clinton, em bases
estranhas e sem familiaridades, deixaram a maior parte da produção para Murphy
e Boetticher. Eles fizeram o filme sem a garantia de liberação para o
lançamento por parte do estúdio principal. Isto foi um jogo bastante selvagem.
Se o filme fosse bem, eles seriam capazes de pedir um alto preço. Mas se o
filme fosse mal, os estúdios provavelmente não iriam se interessar em permitir
a liberação para as salas de cinema. Até
naquele então momento, os negativos estavam armazenados e nada estava sendo
feito para aumentar a duração do filme. Spellman e Clinton eram incapazes de
conseguir do estúdio a liberação da obra.
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| AUDIE MURPHY EM SEU ÚLTIMO PAPEL NO CINEMA, REPETINDO JESSE JAMES |
Um
representante da Universal Studio estudou o filme A Time For Dying, mas não foi recomendado pela empresa para sua
liberação. Suas objeções principais foram: muito pouco de Audie, e uma trama
que não levava a parte alguma e sem o menor sentido.
Gatilhos Da Violência foi exibido em pouquíssimas salas no
Brasil só em 1982, mas já havia sido exibido para críticos em Paris. Um deles
fez um excelente comentário, datado de 30 de setembro de 1971, quatro meses
depois da morte de Audie Murphy. O Daily Variety, em Hollywood, também
comentou favoravelmente do filme, na sua edição de 23 de abril de 1970.
SINOPSE:
Cass Bunning
é um pistoleiro à procura de glória. Quando chega a Silver City, as pessoas
dizem que somente Billy Pimple tem permissão de usar armas ali. No entanto,
elas ficam tão impressionadas com os malabarismos de Cass com o revólver, que
até se esquecem disso. Cass acha que suas habilidades credenciam-no a capturar
famosos foras-da-lei, como os irmãos Jesse e Frank James, Billy the Kid etc.
Mas decide começar por Billy Pimple, que ainda não é muito conhecido.
Já casado
com a bela Nellie Winters em Vinegaroon, ele empreende a volta a Silver City.
No caminho, o casal é dominado por bandidos, um dos quais diz a Cass que para
se sair bem em um duelo, suas mãos não podem estar suarentas. Antes de
partirem, ele se apresenta como Jesse James, para espanto dos dois. Na cidade,
Cass ajuda os moradores a matar vários membros de uma outra gangue. Billy
Pimple, sabedor de sua destreza, desafia-o para um tira-teima. Cass tem, então,
a oportunidade que queria para começar a escrever seu nome na História.
O PROCESSO E A VOLTA POR CIMA
A carreira
cinematográfica de Audie Murphy sofreu reveses no fim da década de 1960, bem
como também a de homem de negócios. Em 1968, o ator declarou falência de sua
empresa. Para piorar, no mesmo ano se envolveu numa briga de bar, de
propriedade de um amigo. Audie, que era não só bom de briga nos faroestes que
atuou, mas também na vida real tinha noções de luta e técnicas de combate corpo
a corpo, aprendidas durante seus treinamentos no exército durante a II Guerra
Mundial. O oponente agredido por Murphy alegou que o ator tentou mata-lo, mas
Audie não portava nenhuma arma de fogo ou arma branca. Só usou as mãos e os
punhos.
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| AUDIE MURPHY E UM REPÓRTER, EM 1970 |
Devido ao
histórico de guerra e sua contribuição aos Estados Unidos, Murphy respondeu o processo
em liberdade, mas só em 1971 foi declarado absolvido da acusação de tentativa de homicídio.
Durante a audiência no Tribunal, Audie ao ser interrogado pelo juiz se era
mesmo verdade que ele tentou matar o homem que o processava, respondeu da
seguinte forma:
Meritíssimo, se fosse verdade que
quisesse matar este homem, eu carregaria uma arma e não perderia um tiro
sequer.Eu sei atirar e sou bom de mira.
O Juiz
cumprimentou Audie pela resposta e ele o absolveu.
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| AUDIE COM MAIS UMA VITÓRIA, SAINDO DO TRIBUNAL ABSOLVIDO E CONCEDENDO SIMPATICAMENTE ENTREVISTA AOS JORNALISTAS. |
Audie, que
além dos sofrimentos que passou no front de batalha na II Guerra, e dos traumas
que ele adquiriu que incluíam ataques de insônia e depressão, que levaram o
ator a se tornar viciado em Placidyl, um poderoso sonífero. Quando conseguia
dormir, ele tinha pesadelos. Mas em longo prazo, Audie conseguiu vencer a
dependência do Placidyl.
Por isso,
ainda em fim dos anos de 1960, ele fez campanha para que o governo americano
gastasse mais tempo em cuidar dos soldados que retornavam da Guerra do Vietnã. Ninguém
mais do que o grande herói de guerra americano sabia com tanta exatidão dos
tipos de sequelas que estes jovens combatentes iriam enfrentar no futuro.
O lado
HUMANO deste grande herói real e das telas, que foi AUDIE LEON MURPHY!
SEGUE A QUARTA E ÚLTIMA PARTE
DA SAGA EM







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