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terça-feira, 3 de setembro de 2013

Charles Bronson: O Mito do Durão nas Telas do Cinema.


No dia 30 de agosto de 2003, o mundo lamentou o falecimento de um dos maiores durões das telas de cinema. Seu verdadeiro nome era Charles Dennis Buchinsky, nascido a 3 de novembro de 1921, na Pensilvânia, EUA, filho de lituanos imigrantes, cujo pai era um mineiro. Bronson foi crescendo sem falar uma única palavra em inglês. A precoce morte de seu pai, quando tinha apenas 10 anos, o levou a trabalhar nas mais variadas atividades antes de se dedicar ao cinema.


Apesar de ter completado o segundo grau, era esperado que ele se juntasse ao pai e seus irmãos no trabalho em minas de carvão. Porém, foi no cinema que ele se projetou e, apesar da longa carreira, que teve início nos anos de 1950, a popularidade só veio a partir de 1970 . Nessa fase, ficou conhecido como "o homem de poucas palavras e muita ação", pelas características de seus personagens.


Antes mesmo de sua estreia nas telas, Bronson somente pôde conhecer o mundo, além do local onde cresceu, quando serviu no exército americano durante a Segunda Guerra Mundial, dirigindo caminhões. Quando a Guerra acabou, Charles decidiu não voltar para sua cidade natal e tomou a decisão de ter aulas noturnas de interpretação no conservatório de Arte Dramática Pasadena Playhouse.


Seu começo foi em 1950, com filmes como Agora Estamos na Marinha (1951), estrelado por Gary Cooper, e A Um Passo do Fim (1951), com Spencer Tracy, sem ter seu nome creditado. Ao passar a aparecer nos letreiros, usou ainda o nome de nascimento, Buchinsky. Começou a assinar Bronson em 1954, a partir do filme Rajadas de ódio, western dirigido por Delmer Daves (1904-1977) onde leva inesquecível surra de Alan Ladd numa luta em um rio.


Bronson também atuou muito na televisão, participando de séries de sucesso como O Médico (com Richard Boone), Colt 45, Gunsmoke (com James Arness), Além da Imaginação, Laramie, FBI, Paladino do Oeste (em 5 episódios, também estrelado por Richard Boone), e Bonanza.


Foi astro secundário da série televisiva Império do Oeste, levada ao ar entre 1963 e 1964 , que tinha como astro principal Richard Egan (1921-1987), que dividia as honras da série com Terry Moore, ainda jovem mas já uma veterana em Hollywood, e o estreante Ryan O’ Neal.  Bronson interpretava Paul Moreno, empregado de Jim Redigo (Egan), capataz do Rancho da Família Garrett, cuja matriarca é Lucy Garrett (Anne Seymour, 1909-1988), viúva, e os filhos: a indomável Connie (Moore) e o mimado Tal (O’ Neal).




No cinema, a partir da década de 1960 que começou sua fase de sucesso. Apesar de conseguir notoriedade junto com os iguais estreantes Steve McQueen, James Coburn, e Robert Vaughn no clássico western Sete Homens e Um Destino, não foi o suficiente para sua consagração definitiva. Talhado para Campeão, de 1962, foi outro marco memorável em sua filmografia, onde foi o treinador de Boxe do lutador vivido por Elvis Presley (1935-1977), dirigido por Phil Karlson (1908-1985).




Depois de atuar em filmes de aventura ou ficção como Robur, o conquistador do mundo, de 1961, de, William Witney Fugindo do Inferno (1963), de John Sturges (1910-1992) e Os doze Condenados, de 1967 e dirigido por Robert Aldrich (1918-1983), Bronson foi para a Europa em 1968, onde atores de filmes de ação estavam obtendo melhores oportunidades. Neste ano, ele filmou Os Canhões de San Sebastian, contracenando com Anthony Quinn e dirigido por Henri Verneuil (1920–2002), e Adeus, amigo, com Alain Delon, dirigido por Jean Herman.




Mas foi com ERA UMA VEZ NO OESTE, de Sérgio Leone (1929-1989), que veio a consagração definitiva de Bronson, firmando assim sua marca registrada no cinema. Lançado em 1968, chegou a ser fracasso de bilheteria, mas não demorou muito para que se firmasse como um dos maiores clássicos do gênero Western, após uma intensiva revisão por alguns críticos. Seu personagem, o Harmônica foi um ponto marcante não somente em sua filmografia, como também para os amantes do FarWest. Inesquecível a cena em que no final mata o vilão vivido por Henry Fonda (1905-1982), alinhavada pela bela trilha de Ennio Morricone. A partir daí, Bronson foi o astro americano mais requisitado pelos europeus, ganhando fama e fortuna.



Seguiram-se O Passageiro da Chuva, de 1969, obra prima de René Clément (1913–1996); Os visitantes da noite, de 1970, dirigido por Terence Young (1915-1994); Sol vermelho, de 1971, onde novamente atuava com o francês Delon, e ainda com Toshiro Mifune e Ursula Andress, dirigido também por Terence Young; e O segredo da Cosa Nostra, de 1972, novamente em parceria com o cineasta inglês Young.



Nesta década, Bronson voltava para os Estados Unidos, onde concretizou sucesso como o maior astro dos filmes de ação. Sua primeira grande fita nessa nova fase foi Assassino a preço fixo, de 1972, dirigido por Michael Winner (1935-2013) no qual interpretou Arthur Bishop, um assassino profissional, revivido em 2011 no Remake por Jason Statham.



Fuga audaciosa, de 1975, dirigido por Tom Gries (1922-1977), é mostrado um plano de fuga de uma prisão, utilizando um helicóptero que, pilotado por Bronson, pousa no pátio de um presídio e resgata o prisioneiro interpretado por Robert Duvall. A cena se tornou famosa no Brasil, pois teria inspirado a fuga do bandido Escadinha, que usou o mesmo estratagema para fugir do presídio carioca da Ilha Grande, em 1985.



Em Lutador de Rua, também de 1975 e dirigido por Walter Hill, Bronson, aos 54 anos de idade e em ótima forma física, demonstra toda sua força e habilidade neste drama de ação sobre um desempregado durante a Grande Depressão cuja única alternativa é lutar nas ruas.


Seu personagem, Chaney, é um desafortunado que embarca num trem para Nova Orleans. Lá, no lado mais pobre da cidade, ele tenta ganhar dinheiro rápido da única maneira que conhece com os punhos. Chaney se aproxima de um empresário fracassado, Speed (James Coburn, 1928-2002) e o convence que pode ganhar um bom dinheiro para ambos. Ele ganha algumas lutas ilegais mas Speed tem um débito com uma gangue de assassinos, o que força Chaney a lutar pela última vez com Street (Nick Dimitri) , um homem de extrema força em uma luta sem regras ou juiz.



Mas o maior "empurrão" em sua carreira foi com o clássico Desejo de Matar, de Michael Winner, de 1974, que o consagrou na pele de Paul Kersey, um pacato arquiteto da cidade de Nova Iorque, que tem sua esposa (Hope Lange) morta e sua filha estuprada por três bandidos e passa a agir como um "vigilante", perseguindo e matando criminosos nas ruas à noite. Desejo de matar teve mais quatro sequencias: Desejo de Matar 2 (1982), Desejo de Matar 3 (1985), Desejo de Matar 4 - Operação Crackdown (1987) e Desejo de Matar 5 (1994), sendo que a sequencia 2 e 3 foram dirigidas por Winner, e a 4 dirigida por J. Lee Thompson (1914-2002) e a 5ª sequencia dirigida por Allan A. Goldstein.




Bronson se casou três vezes: a primeira foi Harriet Tendler, com quem ficou casado de 1949 a 1967 e com quem teve dois filhos; a segunda foi a atriz Jill Ireland, de 5 de outubro de 1968 a 18 de maio de 1990, até a morte dela por câncer de mama, e com quem teve uma filha (detalhe, Ireland fora esposa de David McCalum, amigo e colega de Bronson desde Fugindo do Inferno, e manteve amizade com o ator durante o tempo que restou). Após a morte de Jill, Charles entrou em  profunda depressão, vencida apenas quando retomou as atividades no cinema. Jill atuou em alguns filmes com o marido, entre eles Chino (1970), Fuga Audaciosa (1975), Lutador de Rua (1975) e Desejo de Matar 2 (1981).

A terceira esposa foi Kim Weeks, e o casamento durou de 22 de dezembro de 1998 até a morte dele, em 30 de agosto de 2003. Também é interessante mencionar que em seu retorno do exército, teve um breve romance com uma loira espanhola chamada Esther, cuja história acabou quando ela voltou para seu país, deixando uma lembrança na memória do ator como ele disse certa vez, ter sido seu primeiro amor.


TÚMULO DE CHARLES BRONSON
A ÚLTIMA FOTO DE BRONSON, tirada poucos dias antes de sua morte
Bronson que sofria do Mal de Alzheimer desde 2001,sofreu de falência múltipla dos órgãos no início de agosto de 2003  e pouquíssimo tempo depois morreu em consequência de uma pneumonia, aos 81 anos anos de idade. Encontra-se sepultado em Brownsville Cemetery, West Windsor, Condado de Windsor, Vermont nos Estados Unidos.

Produção e Pesquisa de Paulo Telles.

sábado, 7 de agosto de 2010

O Western Americano e o Western Europeu- Parte 2.

Continuando o artigo do link http://articlesfilmesantigosclub.blogspot.com/2010/06/o-western-americano-e-o-western-europeu.html, elaboraremos mais adiante a importância dos dois gêneros de faroestes na Sétima Arte.
De uma forma ou de outra, o Diretor John Ford (1895-1973) dos clássicos westerns norte-americanos influenciou o Faroeste Spaghetti. Este se tornou um subgênero conhecido graças ao cineasta Sergio Leone (1929-1989), que imortalizou o western italiano através de sua trilogia (Por um punhado de dólares, por uns dólares a mais, Três Homens em Conflito). Tais filmes são baseados nas vidas de caçadores de recompensas do velho oeste, e neles Leone atribuiu certos realismos que faltavam nos faroestes norte-americanos.
Não havia a exaltação romântica e nem a legenda áurea dos foras da lei, e muito menos eram limpinhos e barbeados como os cowboys interpretados por John Wayne, Randolph Scott, Audie Murphy, Joel McCrea, entre outros. Agora os heróis (ou anti-heróis) eram interpretados por Clint Eastwood, Franco Nero, Giuliano Gemma, Anthony Stefen, Klaus Kinski, entre outros, embora o primeiro mencionado fosse um norte-americano (saído de uma série de TV norte americana intitulada Rawhide, aqui no Brasil Couro Cru, e Leone assistiu algum dos episódios e gostou do trabalho de Eastwood), ele foi o pioneiro dos “heróis” retratados pela nova visão realista deste gênero, sem noção de moral e escrúpulos, cujo o único objetivo era o dinheiro.
Como explicado no primeiro artigo desta matéria, o gênero Western Spaghetti tinham este nome por serem produzidos na Itália e na Espanha (cuja grande parte das filmagens eram rodadas na região da Alméria, que lembrava muito os desertos norte-americanos).


Em 1968, Sergio Leone lançou Era uma vez no Oeste, com Charles Bronson, Claudia Cardinale, e Henry Fonda (cowboy Hollywoodiano por excelência que já tinha mais de 30 anos de experiência, que aos 63 anos interpreta o único vilão de sua carreira. Leone era fã deste grande e saudoso astro falecido em 1982). Na época do lançamento, foi um fracasso de bilheteria, mas com o passar dos anos, elevou a obra prima do gênero. O mesmo se sucedeu com o clássico norte-americano Rastros de ódio, de John Ford, que ao ser lançado em 1956 não teve boa repercussão de crítica e de público, mas foi reconhecido como obra magistral da Sétima Arte tempos depois.
Retrocedendo um pouco, por volta de 1964 os faroestes italianos estavam ganhando espaço na mídia da época, sobrepujando os aparentemente batidos westerns americanos. Estes já estavam sendo levados a televisão, em séries como Paladino do Oeste, Bat Masterson, Rin Tin Tin, Bonanza, Homem do Rifle, Homem de Virgínia, entre outros. Não parecia haver novidades no gênero, mas isto parece ter empolgado alguns atores norte-americanos a irem para a Europa e trabalharem (assim como Eastwood) no gênero Western europeu emergente.
Além de Clint Eastwood, que como falamos saiu de uma das séries de televisão como Rawhide que era um tema western, saiu dos States em direção a Itália para protagonizar a obra triológica que o consagrou definitivamente, outros o seguiram, como Guy Madison, Lex Barker (ex-Tarzan), Van Heflin, Gordon Scott (ex-Tarzan também), Adam West (O Batman da TV), Jeffrey Hunter, Richard Harrison, George Hamilton, Richard Harris, Chuck Connors (astro da série televisiva O Homem do Rifle), Rod Steiger, Richard Boone (da série de TV Paladino do Oeste), Lee Van Cleef (o mais bem sucedido depois de Clint Eastwood), Rod Cameron, Sterling Hayden, Joseph Cotten, Van Johnson, Broderick Crawford, John Saxon, Clint Walker (da Série Cheyenne), entre outros. Grande parte destes atores americanos seguiram o exemplo de Eastwood e migraram para a “terra prometida” do novo gênero de westerns, muito deles com o objetivo de revitalizarem suas carreiras.



Além de Lee Van Cleef (1925-1989), quem mais chegou perto do sucesso de Clint Eastwood foi Burt Reynolds, que como Clint havia começado sua carreira na TV em uma série televisiva. Sergio Corbucci, outro grande cineasta do gênero, viu algum de seus trabalho na TV e ficou impressionado, e sem pestanejar, o convidou para estrelar Navajo Joe .



Além dos americanos, o Western europeu contou também com atores de outros países, como a Inglaterra (Stewart Granger); França (Philippe Leroy e Johnny Halliday); Alemanhã (Klaus Kinski); Espanha (Fernando Sancho, um dos bandidos mais feiosos requisitados nos Westerns Europeus); e o BRASIL não estava menos representado sem a presença de Anthony Steffen, ou melhor, ANTONIO DE TEFFÉ (nascido em 1930, falecido no Rio de Janeiro em 2004) , que fez muito sucesso em território europeu.

NA ALEMANHÃ, o ex-Tarzan nos Estados Unidos LEX BARKER (1919-1973, que havia substituído Johnny Weissmuller no papel do Rei das Selvas) atuou em sete filmes da série WINNETOU, um índio herói criado nos romances do escritor alemão Karl May (1842-1912) interpretado pelo francês PIERRE BRICE (ainda vivo e na ativa), tendo Barker no papel de Old Shatterhand, personagem igualmente criado por May em seus romances.





NORMA BENGELL, nossa atriz brasileira, também participou de um Spaghetti Western: Os cruéis (I Crudelli), em 1966. O filme dirigido por Sergio Corbucci e estrelado pelo veterano Joseph Cotten (1905-1994).

Mas a margem das afinidades de diretores como Leone e Corbucci, surgiram outros diretores do gênero Spaghetti nos faroestes italianos, como Duccio Tessari, que dirigiu Uma Pistola Para Ringo, ou Giorgio Ferroni, com o Dólar Furado, ambos estrelados pelo galã Giuliano Gemma, outro herói dos faroestes europeus, talvez o menos "sujo" dentre eles.


Ainda temos Franco Nero, italiano legítimo (Nero havia sido ator de fotonovelas) estrelando Django, de Sergio Corbucci, em 1966, e Nero fez tanto sucesso que foi um dos atores mais requisitados para o gênero spaghetti nos 10 anos seguintes.
Não percam na terceira e última parte deste artigo: A RESPOSTA AMERICANA aos faroestes europeus e a chegada dos anos 90. Até lá.
BIBLIOGRAFIA:100 ANOS DE WESTERN- Autor: Primagio Mantovi- Editora Opera Graphica.
Documentários sobre os Westerns.

Produção e pesquisa de Paulo Telles