Mostrando postagens com marcador Robert Ryan. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador Robert Ryan. Mostrar todas as postagens

sexta-feira, 13 de junho de 2014

O Assassinato de um Presidente (1973): Complô para matar JFK.




Dalton Trumbo (1905-1976), uma das vítimas do Caça as Bruxas do Macartismo, escreveu O ASSASSINATO DE UM PRESIDENTE (Executive Action), obra política produzida em 1973, que buscou ser uma especulação plausível sobre os fatos secretos e um tanto misteriosos que desencadearam o tiroteio da Praça Dealey de Dallas, ao meio dia e meia do dia 22 de novembro de 1963, o cenário do assassinato do Presidente dos Estados Unidos John Fitzgerald Kennedy (1917-1963).


Segundo a versão de Trumbo, um grupo de ricos industriais e autoridades de extrema direita, compostas por Burt Lancaster (1913-1994), Robert Ryan (1909-1973), e Will Geer (1902-1978), planejaram e executaram o atentado, com a meticulosidade e a frieza de uma operação científica. Aliás, como diz literalmente o título original, orquestraram uma Ação Executiva. Vale destacar que os brilhantes Lancaster, Ryan, e Geer eram, na vida real, artistas filiados ao Partido Democrata Americano, o total oposto aos personagens que interpretam.




O tropismo pela violência é denunciado por Trumbo como um processo maligno no seio da história americana, embora venha a tratar, é claro, de mera hipótese ficcional com base em dados e dúvidas da realidade concreta. E a película busca revelar os desencantos da América contemporânea do mesmo modo que Trumbo traçou em Sua última façanha, estrelado por Kirk Douglas e produzida em 1963, um magnifico western moderno que ele escreveu para David Miller (1909-1992) e Edward Lewis, respectivamente diretor e produtor desta fita e que viriam a desempenhar as mesmas funções em  O Assassinato de um Presidente.



Não deixa de ser impressionante a liberdade de expressão que permitiu a confecção de uma obra como esta, investindo ostensivamente contra as verdades estabelecidas pelo Comitê Warren e oficializadas pelo governo de Washington. Um dos argumentistas do filme, Mark Lane, lançou em 1966 o livro  Rush to Judgment, famoso Best Seller da época, que defendeu a tese que que Kennedy foi alvejado por três tiros desfechados por franco-atiradores e não como reza o relatório de Warren, que Lee Harvey Oswald (1939-1963) teria sido demiúrgico e inocente bode expiatório para uma conspiração armada por um complexo industrial militar no reacionário meio sulista, e insatisfeito com o risco de uma dinastia Kennedy na Casa Branca, e com medidas inquietantes do presidente americano.



Tais medidas apontavam o tratado de interdição de testes atômicos, projeto de remoção de tropas do Vietnã, e a integração racial. O livro de Mark foi transformado em documentário homônimo, realizado em 1967 por Emilio de Antonio, e com texto e narração do próprio Lane. Logo, O Assassinato de um Presidente é um similar ficcional do livro Rush to Judgment, de Mark Lane.


Também imaginando um complô contra o presidente Kennedy, mas sem derramamento de sangue, Sete dias de Maio foi produzido pelo mesmo Edward Lewis (ainda vivo) e com o mesmo ator Lancaster (junto a Kirk Douglas), mas curiosamente a morte de John Kennedy obrigou Lewis, na ocasião, a protelar por alguns meses o lançamento do filme. Dez anos depois, O Assassinato de um Presidente, de 1973 trouxe as telas o último desempenho do notável ator Robert Ryan, que mesmo doente, já havia feito cinco filmes num curto espaço em seus últimos três anos de vida. Ator de envergadura e talento, Ryan brilhou no cinema até seu último suspiro, falecendo a 11 de julho de 1973, em Nova York.




Com O Assassinato de um Presidente, Mark Lewis estava ressurgindo com outra ficção política, tirando essa ou aquela suposição mais que discutível (como a mobilização de um sósia para incriminar Oswald, ligando seu nome peculiarmente a atividades subversivas) e a ausência de documentos disponíveis (faz falta o filme de 8 mm do alfaiate Abraham Zaprudor, decisivo para demonstrar que os disparos partiram também da frente da limusine presidencial). A versão aqui apresentada procura preencher as falhas do Relatório Warren, considerando não um, mas três franco-atiradores. E sem dúvida, concretiza na tela o pensamento da maioria dos espectadores que nunca aceitaram a versão oficial do crime em Dallas.



Em particular, causam impacto dois letreiros inseridos a título de informação complementar. O primeiro, na introdução da fita: Antes de sua morte, o Presidente Lyndon Johnson deu entrevista filmada de três horas à TV, em 2 de maio de 1970. Quando transmitida em rede nacional nos EUA, incluía mensagens de que certas partes tinham sido suprimidas à pedido do Presidente Johnson. Foi revelado que na parte censurada da entrevista, Johnson tinha demonstrado apreensão a respeito da afirmação de que Lee Harvey Oswald teria agido sozinho, e de que de fato, ele suspeitava de que teria havido uma conspiração no assassinato de John F Kennedy.


E o filme se encerra com outro letreiro: Nos três anos que se sucederam aos assassinatos de JFK e Lee Harvey Oswald, 18 testemunhas materiais morreram. Seis foram mortas a tiros, três em acidentes de carro, duas suicidaram-se, uma foi degolada, uma foi morta a golpe de Karatê no pescoço, três de ataque cardíaco, e duas de causas naturais. Um relatório feito pelo “London Sunday Times” concluiu que, no dia 22 de novembro de 1963, as chances dessas testemunhas estarem mortas até fevereiro de 1967, eram de 160 mil trilhões, para uma.

Passados mais de 40 anos de sua realização, O ASSASSINATO DE UM PRESIDENTE ainda influencia o espectador a uma opinião quanto à trama conspirativa sobre a morte de JFK, aliás, diversos filmes e livros ainda exploram muito bem sobre o tema.

Produção e Pesquisa de
Paulo Telles.

O ASSASSINATO DE UM PRESIDENTE
(EXECUTE ACTION)
Ano: 1973
País: EUA
Direção: David Miller
Produção: Edward Lewis
Roteiro: Dalton Trumbo
Fotografia: Robert Steadman (cores)
Metragem: 91 minutos

ELENCO:
Burt Lancaster- James Farrington
Robert Ryan    - Robert Foster
Will Geer    - Harold Ferguson
John Anderson -Halliday
Paul Carr    -Atirador
Ed Lauter    - Chefe de Operação
Walter Brooke- Smythe
Lee Delano - Atirador 2

quinta-feira, 27 de março de 2014

Conspiração do Silêncio (1954): De John Sturges, Um Notável Suspense Criminal do Pós-Guerra.


Ao receber o primeiro roteiro de CONSPIRAÇÃO DO SILÊNCIO (Bad day at Black Rock), Spencer Tracy (1900-1967) recusou-se a fazer o filme. Revisto e modificado, o ator aquiesceu e disse: “vamos em frente!”.

De acordo com a biografia do ator, a versão original do roteiro não dizia que o personagem John J. MacReedy tinha apenas um braço. Os produtores queriam que Tracy o interpretasse, e para convencê-lo a interpretar, incluíram esta característica no personagem principal. Os produtores acreditavam que nenhum ator resistiria à tentação de interpretar um herói deficiente físico.

O roteiro original previa que John J. MacReedy conseguia acender fósforos com apenas um braço. Spencer Tracy estava com dificuldades em realizar esta cena e sugeriu ao diretor John Sturges que seu personagem usasse um isqueiro Zippo, alegando que todo veterano de guerra conhecia e possuía um. A sequência de abertura com o trem foi incluída após várias exibições-teste, nas quais o público reagiu mal à abertura original.

DORE SCHARY
Para fechar o negócio, um executivo da MGM entrou em contato com Spencer Tracy pouco antes das filmagens, e disse: "Não se preocupe, Sr. Tracy, uma cópia do roteiro foi enviada para Alan Ladd e ele concordou em fazer o papel". No entanto, numa sexta feira, três dias antes de iniciar as filmagens, em Lone Pine, no deserto de Mojave, EUA, Tracy entrou no escritório de Dore Schary (1905-1980), então chefe dos estúdios da empresa e produtor do filme, e disse: “Dore, tenho más notícias. Melhor arranjar outro para o  papel. Não queria mesmo fazer este filme”. Vale lembrar que, nesta época, Tracy tinha 54 para 55 anos de idade, e vinha atravessando um processo de alcoolismo crônico.



Os dois eram amigos de longa data, e Schary considerou: “Spence, talvez tenha que ser duro com você, cara. E veja bem: Já dispendemos cerca de 300 mil dólares com o filme. E se você se recusar a fazê-lo serei obrigado a mover um processo contra você”. 

DORE, dando conselhos aos astros principais, os brilhantes SPENCER TRACY E ROBERT RYAN
Tracy olhou-o fixamente e perguntou:

-Vc esta brincando?
-Não, não estou – respondeu Schary com veemência.
Tracy voltou a fita-lo longamente e mandou brasa:
-Você fica neste escritório com ar refrigerado no maior bem-bom, enquanto estou me matando de suor naquele inferno que é Lone Pine.
-Mas eu vou suar com você! -replicou Schary
-Okay! Verei você então em Black Rock na segunda feira.

Os dois se encontraram lá e teve início então aquele que seria um dos melhores filmes da safra de 1955, e o último de Spencer Tracy para a Metro-Goldwyn-Mayer após duas décadas de contrato com o estúdio, e no qual teve a oportunidade de nos brindar com um de seus mais vibrantes e notáveis desempenhos, e que lhe valeu sua 5ª indicação para as premiações da Academia. Foi também o último filme que fez sob a orientação direta de Dore Schary. 


Schary havia substituído Louis B. Mayer na chefia da Metro, cujo os estúdios se localizavam em Culver City. Em 1953, contudo intrigas de gabinete começaram a minar as bases do executivo, e em novembro de 1956, Schary foi derrubado do comando.


CONSPIRAÇÃO DO SILÊNCIO foi o primeiro filme do estúdio MGM a ser lançado em Cinemascope. A trama se direciona após dois meses do término da II Guerra Mundial. No vilarejo de Black Rock chega um veterano de guerra, John MacReedy (Spencer Tracy), que tem só um braço. Apesar da sua aparência calma e eremita, e por sua deficiência física, sua presença incomoda cada vez mais os moradores do local, em parte por ser o primeiro visitante em 4 anos (literalmente o trem nunca parava ali) e também por ficar cada vez mais claro que todos estão escondendo algo. Quando ele diz que está procurando Komoko, um japonês, a tensão aumenta e parece que todos do local obedecem a Reno Smith (Robert Ryan, 1909-1973), um latifundiário e o "dono" de Black Rock.



Mais tarde, MacReedy descobre que Komoko foi morto por Reno, que era avesso aos japoneses. Alvo de hostilidades, ameaças e até de uma trama de assassinato, o forasteiro se dá conta de que Black Rock esconde um grande segredo que vem sendo guardado há muito tempo



Reno Smith não esta só e tem seus parceiros de vilania, como o estúpido e boçal Coley Trimble (Ernest Borgnine, 1917-2012), e Hector David (Lee Marvin, 1924-1987), além do borra botas Pete Wirth (John Ericson), empregado do único hotel do vilarejo, e sua irmã Liz Wirth (Anne Francis, 1930-2011), apaixonada por Reno, que não dá a mínima para ela.



Reno finge cortesia para com o recém-chegado, mas MacReedy não é bobo. A investida mais direta contra MacReedy parte por Coley, um brutamontes que tenta de tudo para assustar MacReedy, para que ele desista de procurar seu amigo japonês, e faz de tudo para persuadi-lo. Até que chega o momento que, numa lanchonete de Black Rock, quando o veterano de guerra estava almoçando, Coley mais uma vez provoca-o, como se já não bastasse antes, tentou pô-lo para fora da estrada enquanto dirigia.




O até paciente MacReedy engoliu todos os insultos que podia, e numa nas cenas mais marcantes da fita, o veterano sem um braço aplica alguns golpes de artes marciais sobre o brutamontes, que achava que poderia vencer o aparentemente indefeso MacReedy na força física. O ridículo Coley é levado ao chão, ferido, e enviado sob os cuidados de Doc Velie (Walter Brennan, 1894-1974), um médico que não compactua com os desmandos de Reno e seus comparsas.



Falando em Doc, também tem na cidade um xerife sem pulso de ferro, Tim Horn (Dean Jagger, 1903-1991), cujo posto é apenas um conveniente para que o pequeno vilarejo afirme a presença de um representante da lei, mas na realidade, Tim, um beberrão, é tão manipulado por Reno como todo o resto da pequena cidade.



Após a surra que Coley levou do velho MacReedy, este tenta de todas as maneiras acionar as forças policiais, mas é impedido pela ditadura de Reno, que intercepta qualquer meio de comunicação que o veterano de guerra faça, desde os telégrafos, telefonemas, e até o uso de carros. A muito custo, a verdade vem a tona, graças a persuasão de Macreedy e de Doc sobre o jovem e inseguro Pete, que revela que Komoko foi realmente morto por Reno, por este não conseguir se alistar para lutar contra os japoneses.



Hector, que assumira o posto de xerife no lugar do fraco Tim por escalação de Reno, é dominado e posto a nocaute por Doc e MacReedy, e este vai atrás de Reno, um sujeito sem o menor caráter e escrúpulos, a ponto de assassinar uma de suas aliadas, a não menos bandida Liz, irmã de Pete, que denuncia a presença de MacReedy em seu encalço.




Mesmo sem um braço, o veterano de guerra, sob a mira do rifle de Reno, consegue pegar uma garrafa vazia e enche-la com uma pequena poção de gasolina que ele consegue esvaziar do carro, fazendo assim um coquetel molotov contra o inimigo. É noite, e Reno atira em direção de MacReedy, que joga o recipiente sobre o vilão, que começa a se incendiar e  pedir socorro.



Por fim, a quadrilha toda é dominada e entregue a Tim, encarregado de entregar Reno e os demais (Coley, Hector e Pete) as autoridades. MacReedy não viera apenas para encontrar o amigo japonês, mas também entregar a ele uma medalha que o filho dele, morto em combate, havia ganhado do governo dos Estados Unidos. Com Komoko morto, para quem entregaria esta honra? Resolveu entregar para Doc e a cidade, como uma maneira de representar a paz estabelecida em Black Rock, após 24 horas de um péssimo dia, como diz literalmente o título original do filme.



A fita tem ingredientes bastante interessantes, com uma mistura de história policial, detetivesca, suspense noir, mas alguns elementos do western, muito embora não seja do gênero (há quem defina que seja, mas são pontos de vista),  mas sobretudo um thriller  com ambiente (de fundo social) tendo como cenário o Oeste do Século XX.  A visão de uma América de consciências mortas, numa época em que os Estados Unidos ainda sofria os efeitos do Macarthismo , foi uma das primeiras utilizações criativas do então novo formato de tela Cinemascope.


Ernest Borgnine e Lee Marvin estão impecáveis em seus papéis de vilões, assim como o brilhante Robert Ryan como o mais famigerado deles. Spencer Tracy recebeu mais uma indicação ao Oscar (sua quinta) e o filme também foi indicado ao prêmio na categoria de melhor roteiro. Cinco dos membros do elenco tiveram um total de oito Oscars: Spencer Tracy tinha dois, e Walter Brennan teve três. Lee Marvin, Dean Jagger e Ernest Borgnine tinham uma estatueta cada.

SET de CONSPIRAÇÃO DO SILÊNCIO
A Excelente direção de John Sturges (1910-1992) ajudou a garantir a popularidade desta película, que lhe deu uma indicação ao Oscar de melhor direção por este suspense apreensivo que também aborda o preconceito racial.



FICHA TÉCNICA

CONSPIRAÇÃO DO SILÊNCIO
TÍTULO ORIGINAL: BAD DAY AT BLACK ROCK

GÊNERO: CRIMINAL/SUSPENSE
TEMPO DE DURAÇÃO: 81 MINUTOS
ANO DE LANÇAMENTO (EUA): 1955
DIREÇÃO: JOHN STURGES

ELENCO

SPENCER TRACY (JOHN J. MACREEDY)

ROBERT RYAN (RENO SMITH)
ANNE FRANCIS (LIZ WIRTH)
DEAN JAGGER (XERIFE TIM HORN)
WALTER BRENNAN (DOC T.R. VELIE JR.)
JOHN ERICSON (PETE WIRTH)
ERNEST BORGNINE (COLEY TRIMBLE)
LEE MARVIN (HECTOR DAVID)
RUSSELL COLLINS (SR. HASTINGS)
WALTER SANDE (SAM)


PRODUÇÃO E PESQUISA: PAULO TELLES


segunda-feira, 16 de dezembro de 2013

Especial: ...E as Estrelas sobem!


Já faz uma semana que publicamos o último tópico, em homenagem a Eleanor Parker, aqui no espaço, que morreu na Segunda feira dia 9/12, quando soubemos que além dela, partiram na mesma semana, Rossana Podestá, Audrey Totter, Peter O’ Toole, e no domingo, a lenda Joan Fontaine. Fica impossível prestar um tributo individual, considerando que estas estrelas se foram num curto espaço de tempo, uma sequência atras outra. Os textos desta vez são tirados integralmente de sites de notícias, mas o FILMES ANTIGOS CLUB não poderia deixar de homenageá-los, já que é um blog exclusivamente dedicado a estes astros e estrelas do passado.

IN MEMORIAN


ROSSANA PODESTÀ (1934-2013)

Morreu aos 79 anos, a atriz italiana Rossana Podestà, na terça feira, dia 10. Rossana, famosa entre nos anos 1950 e 1970, ficou inicialmente conhecida como "rainha do Peplum", gênero de cinema popular na Itália por se inspirar na história e na mitologia (Por aqui, conhecido como “Espadas & Sandálias”).


A atriz também se destacou como  femme fatale no longa 7 Homens de ouro (1965) e apareceu em comédias eróticas. Muitos de seus filmes, inclusive 7 Homens de ouro, foram dirigidos pelo cineasta e produtor Marco Vicario, com quem foi casada entre 1953 e 1976. Eles tiveram dois filhos, Stefano Vicario e Francesco Vicario, ambos diretores.


Rossana, que também atuou em Ulisses (1955),  Helena de Tróia (1956) e A mansão do homem sem alma (1963), saiu de cena em 1985, passando a viver ao lado do alpinista e escritor Walter Bonatti. Ficaram juntos até a morte dele, em 2011.


Provavelmente, Helena de Tróia seja um de seus trabalhos mais famosos, e os produtores do filme cogitaram outras estrelas para interpretar o papel título, como Lana Turner, Elizabeth Taylor, Rhonda Fleming, Ava Gardner e Yvonne De Carlo.


O diretor Robert Wise, entretanto, arriscou-se ao escolher Rossana, que não era um rosto conhecido fora da Itália e não falava inglês. Wise, então, usou um treinador particular para ajudá-la a decorar as falas. Infelizmente, o filme não aplacou bem nas bilheterias



AUDREY TOTTER (1918-2013)

Morreu aos 95 anos a atriz Audrey Totter, mais conhecida pela participação em alguns clássicos do cinema noir, como O Destino Bate à Porta (1946), A Dama do Lago (1947), Sem Sombra de Suspeita (1947), Muro de Trevas (1947) e Punhos de Campeão (1949).

Segundo a filha da atriz, Mea, em  declarações ao Los Angeles Times, Totter sofreu um AVC e padecia de insuficiência cardíaca, vindo a falecer na quinta feira passada num hospital californiano.


Nascida em Joliet, no estado de Illinois, em 20 de dezembro de 1917, Totter começou sua carreira no rádio e se mudou para Los Angeles em 1944, quando assinou um contrato com a MGM. Sua carreira no cinema foi memorável e incluiu alguns dos maiores clássicos do gênero noir, nos quais geralmente interpretava a bad girl, tirando proveito de situações ruins.

Após diversas figurações, seu primeiro papel de coadjuvante aconteceu em O Destino Bate à Porta (1946), uma das mais famosas histórias criminais já escritas, adaptada do romance de James M. Cain e estrelada por Lana Turner e John Garfield. Totter era a loira que se intrometia no meio do casal assassino, virando brevemente a amante do personagem de Garfield.

É um dia quente e estes são bancos de couro”, ela diz, sobre o conversível em que Garfield vai entrar, antes de acrescentar mais um detalhe: “E minha saia é fina”. Não precisava dizer mais nada.


Hollywood se viu seduzida por sua sexualidade e ela virou protagonista logo em seguida, em outro clássico noir: A Dama do Lago (1947), baseada no livro de Raymond Chandler. Audrey encarnou a editora de revista que contrata o detetive particular Philip Marlowe (Robert Montgomery) para encontrar a esposa desaparecida de seu chefe. Só que, durante a investigação, Marlowe se descobre incriminado num assassinato.

Em Sem Sombra de Suspeita (1947), Audrey foi dirigida pelo mestre Michael Curtiz (“Casablanca”), como a sobrinha interesseira de uma celebridade do rádio (Claude Rains), que, mesmo sendo casada, não pensa duas vezes antes de se atirar nos braços do suposto viúvo (Ted North) de sua irmã (Joan Caulfield) – que, por sinal, não morreu realmente e nem sabe quem é o homem que diz ser seu marido. Por curiosidade, o filme só se tornou cultuado com a passagem do tempo, já que, na época, seu clima de mistério, com alguns homicídios pelo meio, foi muito comparado ao intocável Laura (1944).


Audrey mudou brevemente de lado em Muro de Trevas (1947), como a psiquiatra que ajuda a provar que Robert Taylor não matou sua esposa, e em Punhos de Campeão (1949), obra-prima de Robert Wise como a esposa que tenta fazer um boxeador (Robert Ryan) se aposentar, apenas para testemunhar as consequências de sua última vitória contra apostas de um gângster.

Após se aposentar com 70 anos de idade, ela ainda recebia convites para voltar ao cinema, graças à revalorização do cinema noir. Mas preferiu preservar a lembrança dos fãs como uma loira sexy, gélida e fatal. “Quem eu poderia interpretar?”, ela disse em 2000 numa entrevista ao jornal Toronto Star -  “Uma avó legal? Que tédio! Os críticos sempre disseram que eu interpretava melhor com uma arma na minha mão.”

Ao contrário de suas personagens, Audrey foi casada apenas uma vez, com o professor universitário Leo Fred em 1953, e eles só se separam quando ele morreu em 1995. O casal teve uma única filha.



PETER O’ TOOLE (1932-2013)

O ator irlandês Peter O'Toole morreu aos 81 anos, disse neste domingo, dia 15, seu agente. O motivo da morte não foi divulgado. Ele estrelou o filme Lawrence da Arábia em 1962 e foi indicado oito vezes ao Oscar durante a carreira.

O agente Steve Kenis disse que o ator morreu no sábado, dia 14, em um hospital de Londres. Ele estava doente há muito tempo, disse Kenis, sem especificar a causa-mortis.

O ator também atuou em O Último Imperador, de Bernardo Bertolucci, de 1987,  O leão no inverno, com Katharine Hepburn, de 1968, e diversos outros filmes em quase seis décadas de carreira no cinema.


Nascido em County Galway, a 2 de agosto de 1932, na Irlanda, e criado em Leeds, na Inglaterra, ele começou a carreira no teatro britânico e se consagrou em um da das suas primeiras atuações no cinema, Lawrence da Arábia. O trabalho de 1962, na pele de um militar inglês que lutou no Oriente Médio na Primeira Guerra Mundial, foi o mais marcante do ator e  ajudou a transformar o longa em um clássico do cinema.


Ele recebeu um Oscar honorário em 2003 - uma forma de a Academia de Hollywood compensá-lo por não ganhar nenhuma das outras indicações ao prêmio. Ele foi premiado quatro vezes no Globo de Ouro, uma no Emmy e uma no Bafta, entre outros reconhecimentos.


O filme mais recente pelo qual ele havia sido indicado ao Oscar foi  Venus, de 2006. No ano seguinte, ele fez a voz do personagem Anton Ego, no popular filme de animação Ratatouille. Além de Lawrence da Arábia, os outros filmes que renderam indicações ao Oscar foram Becket, o favorito do rei (1964), O leão no inverno (1968), Adeus, Mr. Chips (1969),  A classe governante (1972), O substituto (1980) e Um cara muito baratinado (1982), onde interpretava um astro de cinema aos moldes de Errol Flynn, e que enfrentava problemas com álcool. Na vida real, O’ Toole chegou a ter problemas com a bebida, e geralmente seu parceiro de copo era o ator galês Richard Burton, que morreu de cirrose hepática em 1984, com apenas 58 anos de idade. Com Burton, atuou em Becket.


Em um comunicado divulgado em julho de 2011, Peter O'Toole disse que iria se aposentar e não mais atuar em filmes e no teatro. "O coração disso [ser ator] saiu de mim", disse, acrescentando que "não iria voltar". Mas o The Guardian disse que ele planejava voltar a atuar em um filme chamado Katherine of Alexandria. O site IMDb diz que ele também estava no elenco de um filme programado para estrear em 2014, Mary..

Ele deixa duas filhas, Pat e Kate O'Toole, de seu casamento com a atriz Siân Phillips, e um filho com Karen Brown, Lorcan O'Toole.



JOAN FONTAINE (1917-2013)

A atriz britânica-americana Joan Fontaine, vencedora de um Oscar por seu papel em Suspeita, morreu neste domingo (15), aos 96 anos de idade, de causas naturais, informou seu assistente ao site da revista The Hollywood Reporter, segundo as agências de notícias Reuters, AP e EFE.



Fontaine, ícone do cinema hollywoodiano nos anos 1940, morreu em sua casa de Carmel, na Califórnia, Estados Unidos, confirmou sua assistente.

Ela foi indicada três vezes ao Oscar de melhor atriz e venceu uma vez, em 1942, com o filme Suspeita, do diretor Alfred Hitchcock, em que contracenou com Cary Grant. Ela foi a única atriz a vencer o prêmio da Academia por um filme do mestre do suspense.



Fontaine também atuou em Rebecca: A mulher inesquecível (1940), De amor também se morre (1943), Carta de uma desconhecida (1948), Alma sem Pudor (1950) e Ivanhoé, o vingador do Rei (1952). Com a carreira cinematográfica em declínio já no fim da década de 1950, Fontaine atuou na televisão e em musicais da Broadway, como O leão no inverno.

Participou em várias produções da Broadway, substituindo Deborah Kerr em Tea and Sympathy, em 1954, e Julie Harris em Forty Carats, no final dos anos 1960.



Joan casou-se e divorciou-se quatro vezes, e divorciou-se do último marido, Alfred Wright, em 1969. Do segundo marido, William Dozier, deixou uma filha, Deborah. Em 1952 adotou uma menina peruana, Martita, que fugiu de casa em 1963.



A assistente da atriz, Susan Pfeiffer, informou ao Hollywood Reporter que a estrela faleceu de causas naturais em sua casa de Carmel, no norte da Califórnia.



JOAN FONTAINE era irmã de OLIVIA DE HAVILAND (que esta com 97 anos). Das duas irmãs, Olivia (um ano mais velha) foi a primeira a se tornar atriz. Quando Joan tentou seguir a mesma profissão, sua mãe, que supostamente favoreceu Olivia, se recusou a deixá-la usar o nome da família. Assim Joan se viu obrigada a inventar um nome, tendo em primeiro Joan Burfield e, posteriormente, Joan Fontaine. Segundo o que conta o biógrafo Charles Higham em sua obra Sisters: The Story of Olivia De Haviland and Joan Fontaine, as irmãs sempre tiveram uma relação difícil, começando na infância, quando Olivia teria rasgado uma roupa de Joan, forçando-a a costurá-la novamente. A rivalidade e o ressentimento entre as irmãs também alegadamente resulta da percepção de Joan em relação ao fato de Olivia ser a filha favorita de sua mãe.



Em 1942 as duas irmãs foram nomeadas para o Oscar de melhor atriz. Fontaine foi indicada pela atuação no filme Suspeita ("Suspicion", 1941), de Alfred Hitchcock, e De Havilland foi indicada pela atuação em A porta de ouro ("Hold Back the Dawn", 1941). Fontaine foi quem acabou levando a estatueta. O biógrafo Charles Higham descreveu os eventos da cerimônia de premiação, afirmando que, como Joan avançou empolgada para receber seu prêmio, ela claramente rejeitou as tentativas de Olivia cumprimentá-la, e que Olivia acabou se ofendendo com essa atitude. Higham também afirmou que, depois, Joan sentiu-se culpada pelo que ocorreu na cerimônia de entrega do prêmio.



Anos mais tarde, seria a vez de Olivia de Havilland ganhar o prêmio, em 1947, pela atuação no filme Só resta uma lágrima ("To Each His Own", 1946). Segundo o biógrafo, na cerimônia de premiação Joan fez um comentário sobre o então marido de Olivia, que ficou ofendida e não quis receber os cumprimentos de sua irmã por este motivo.



A relação entre as irmãs continuou a deteriorar-se após os dois incidentes. Em 1975, aconteceria algo que faria com que elas deixassem de se falar definitivamente: segundo Joan, Olivia não a convidou para um serviço memorial em homenagem a sua mãe, que havia morrido recentemente. Mais tarde, Olivia afirmou que tentou comunicar a Joan, mas ela se encontrava muito ocupada para atendê-la.



Charles Higham também diz que Joan tinha um relacionamento distante com suas próprias filhas, talvez porque tenha descoberto que elas estavam mantendo um relacionamento secreto com a tia Olivia.

A irmãs se recusavam, até recentemente,  a comentar publicamente sobre a sua rivalidade e relacionamento familiar, apesar de Fontaine ter comentado em uma entrevista que muitos boatos a respeito das irmãs surgiram dos "cães de publicidade" do estúdio.

FONTE: http://g1.globo.com/E WILKIPEDIA


COMENTÁRIOS DO EDITOR

Este mês foi que INACREDITÁVEL para os fãs da antiga Sétima Arte, dos saudosos clássicos do cinema, e dos antigos astros e estrelas do passado. Sempre pensamos que, mesmo envelhecidos, vivendo suas vidas, sejam dentro ou fora da mídia, que os artistas que tanto amamos são imortais. Contudo, a IMORTALIDADE ela vem quando o artista deixa seu legado, valoroso cumprimento do dever cumprido perante seus admiradores. Choramos a passagem de Eleanor Parker, Joan Fontaine, Peter O’ Toole, Rossana Podestá, e Audrey Totter, mas nenhum deles morrerá enquanto houver um só apreciador destes ícones das telas, independendo da idade que tenhamos, seja daqui a 10 ou 100 anos. Eles viverão eternamente nos nossos corações, já que tanto amamos o cinema antigo. AS ESTRELAS SOBEM.

Paulo Néry Telles Pereira - Editor